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terça-feira, 14 de junho de 2011

Década perdida" ameaça os EUA

Os EUA encontram-se no meio de uma "década perdida", com redução da população
empregada, da renda e da arrecadação tributária. O diagnóstico lúgubre foi
apresentado pelo economista Lawrence Summers, ex-reitor da Universidade Harvard
e diretor do Conselho Nacional de Economia da Casa Branca até o ano passado, em
artigo divulgado esta semana por agências de notícias.
Summers alerta que a economia dos EUA corre o risco de enfrentar anos de
estagnação ao estilo do Japão se não forem tomadas medidas de estímulo. Para
Summers, "a retirada substancial do apoio fiscal à demanda no fim de 2011 seria
prematura". Para reverter o quadro, diz ele, é necessário que o governo amplie
os cortes de tributos nos salários dos trabalhadores.
"Elevar o corte dos encargos sociais de 2% para 3% também seria desejável. Ao
custo no curto prazo de pouco mais de US$ 200 bilhões, essas medidas oferecem a
possibilidade da melhoria significativa no desempenho econômico nos próximos
anos", escreve Summers. Ele também sugere que a economia se beneficiaria de um
gasto extra de US$ 100 bilhões em investimentos em infraestrutura nos próximos
anos, recomendando auxílio adicional a Estados e cidades.
De acordo com Summers, o combate à inflação deve ser colocado em segundo plano,
atrás do objetivo de estimular a economia. "É cedo demais para mudar a política
financeira em direção à prevenção de futuras bolhas e uma possível inflação
(...). A tendência da inflação ainda é de baixa, e os problemas de tomada de
empréstimos e investimentos insuficientes superam quaisquer problemas de
excesso de confiança."
Summers lembra que dois anos depois das duas grandes recessões após a Segunda
Guerra Mundial (1974-75 e 1980-82), a economia americana já crescia à taxa de
6% ou mais. Porém, as "recuperações prosseguiam e às vezes até mesmo se
aceleravam até serem assassinadas pelo Federal Reserve (Fed)", que priorizava o
controle da inflação. "Quando o Fed começava a se preocupar com a aceleração da
inflação, geralmente tarde demais, ele aumentava as taxas de juros e comprimia
o crédito, sufocando o mercado imobiliário residencial, os investimentos das
empresas e as compras de bens de consumo duráveis, levando a economia a entrar
em recessão."

Industrialização fará da China líder mundial em importações de açúcar

Industrialização fará da China líder mundial em importações de açúcar

O apetite da China por commodities agrícolas aumentará nos próximos anos. A
segunda maior economia do mundo deverá se tornar o maior importador de açúcar,
ao mesmo tempo em que o Brasil consolidará sua dominação no mercado como
produtor e exportador.
As projeções são do relatório "Perspectivas Agrícolas 2011-2020", que a OCDE e
a FAO publicarão na sexta-feira em Paris. Para o Brasil, as tendências sobre a
China são ainda importantes na medida em que, segundo a OCDE, 14% das
exportações agrícolas do país foram para o mercado chinês em 2009
(representando 15% das importações agrícolas chinesas), dominadas pela venda de
complexo de soja.
A China emergiu como maior país importador de açúcar durante a safra 2010/11,
refletindo rápida expansão da demanda e menor aumento da produção doméstica.
Pela primeira vez, Pequim excedeu sua cota de importação de 1,95 milhão de
toneladas anual.
O rápido crescimento econômico e a urbanização estão promovendo o uso
industrial de açúcar nas preparações de produtos. Além disso, o governo tenta
reduzir o uso de adoçantes artificiais. O crescimento de sua produção é
limitada pela disponibilidade de água. Tudo isso levará a importações acima de
5 milhões de toneladas por volta de 2020, fazendo da China o maior importador
mundial, superando a União Europeia (UE), Estados Unidos e Rússia.
A produção de Tailândia e Austrália tende também a aumentar, para atender ao
mercado asiático com crescente demanda. Mas é o Brasil que continuará dando o
tom no mercado mundial. Com um dos mais baixos custos na produção, pode
expandir a área de cana juntamente com produção de etanol.
Os produtores brasileiros devem consolidar sua posição de líder global nas
exportações, com mais de 55% do comércio mundial e mais de 63% de todo o açúcar
adicional exportador. A maior parte será açúcar bruto, podendo crescer para 21
milhões de toneladas em 2020. Mas os embarques de açúcar branco tendem a
aumentar também em 50% e alcançar mais de 12 milhões de toneladas no mesmo
período.
As projeções apontam também crescente demanda da China por oleaginosas, que
explodiu nos últimos anos, pressionando os mercados. A UE continuará como
segundo maior importador global.
Mais de 55% das vendas brasileiras de complexo de soja foram para a China,
correspondendo a 34% das importações chinesas do produto. Pequim será o maior
consumidor mundial de óleos vegetais, enquanto países pobres tenderão a ter
dificuldade em consumir o produto por causa do preço.
Já a expansão na demanda de farelo desacelera. A demanda adicional será
atendida principalmente pela produção doméstica que, em todo caso, continuará
se apoiando fortemente na importação de soja.
Crescerá também a importação chinesa de leite em pó, por causa da inquietação
interna sobre a produção local depois de escândalos sanitários que levarão anos
a melhorar a imagem do setor.
As maiores importações de trigo nos próximos dez anos também serão da China,
União Europeia, Egito e Arábia Saudita. Ao mesmo tempo, a produção chinesa de
cereais forrageiros tende a crescer.
Entre os grandes produtores de arroz, a China cortará sua produção em cerca de
7 milhões de toneladas, por causa de menor consumo doméstico e maior competição
pela terra.
Na área de carnes, os chineses mantêm a politica de autossuficiência, mas sua
posição no comércio de carne suína, por exemplo, continua incerta, dependendo
do ano. Um acontecimento imprevisto pode provocar alta de importação da carne e
ter impacto forte no mercado internacional.

LDC compra empresa de fertilizante

LDC compra empresa de fertilizante

A Louis Dreyfus Commodities, multinacional de origem francesa com forte
presença no agronegócio brasileiro, acaba de fechar a aquisição da Macrofértil,
produtora e distribuidora de fertilizantes com sede em Ponta Grossa, na porção
sudeste no Paraná. A transação, cujo valor não foi divulgado, marca a efetiva
entrada da LD na área de adubos no país. O grupo começou a atuar diretamente no
segmento em 2007, na Argentina. Naquele ano, criou uma plataforma global para
fertilizantes, e em 2008 passou a operar com o insumo no Brasil, mas
pontualmente.
Segundo Javier Britez, diretor da nova plataforma, a decisão de entrar com mais
força no ramo no país foi tomada em janeiro de 2010. Com a experiência
adquirida desde então, a conclusão foi que a aquisição de uma empresa já
estabelecida no mercado seria a melhor forma de fortalecer a estreia. Com
presença física em expansão no campo brasileiro nos últimos anos, sobretudo
após sua entrada no segmento sucroalcooleiro, e relevante participação no
comércio de grãos, a LD ampliou sua aposta no mercado de insumos para
impulsionar o modelo de financiamento a seus produtores/fornecedores conhecido
como "barter".
Baseado no adiantamento de insumos em troca de uma produção agrícola futura, o
barter normalmente é feito com fertilizantes ou defensivos. Acordo anunciado na
semana passada entre a múlti e o CCAB, grupo que reúne grandes cooperativas de
agricultores que atuam em geral no Cerrado, está em linha com essa estratégia.
"Trata-se de uma ferramenta de 'hedge' muito eficiente para o produtor, já que,
com ela, é possível travar margens e mitigar riscos", afirma Britez.
Criada em 1982, a Macrofértil, que não atua no elo minerador dos fertilizantes,
conta com oito plantas de mistura e capacidade total de processamento de 1,8
milhão de toneladas por ano. Essas unidades estão distribuídas no Paraná, Santa
Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás - que representam,
somados, 65% do consumo brasileiro de adubos. Conforme Britez, o objetivo da LD
é ampliar a capacidade da Macrofértil (cuja marca será preservada) para 2,5
milhões de toneladas anuais. "Nesse processo de expansão [que poderá acontecer
por meio de novas aquisições e/ou construção de plantas], queremos incorporar
outros Estados", diz o executivo.
O primeiro da lista é o Rio Grande do Sul, mas também estão na mira Minas,
Bahia e a região do "Mapito". Nesses polos, uma das metas da LD é ampliar a
rede de fornecedores e alavancar sua capacidade de originar grãos, para
processamento ou exportação. Com a Macrofértil, o Brasil passa a responder por
dois terços dos negócios da plataforma de fertilizantes da LD. O outro terço
vem de Argentina e países da África, acessados desde a aquisição da estatal
francesa SSI, no início do ano. As vendas líquidas globais da LD, em todas as
suas frentes de atuação, superaram US$ 46 bilhões em 2010.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Grupo é resgatado de situação de trabalho degradante em fazenda de café em MG

Grupo é resgatado de situação de trabalho degradante em fazenda de café em MG

O Ministério Público do Trabalho (MPT) flagrou 42 pessoas em situação de trabalho degradante em uma fazenda de café, localizada no município de Oliveira, região centro-oeste de Minas Gerais e a 176 quilômetros de Belo Horizonte. Segundo o órgão, a operação, que contou com fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e policias militares, evidenciou crimes de aliciamento e condição degradante de trabalho, no dia 9 deste mês O grupo teria sido aliciado em São João da Ponte, cidade do norte do Estado, no início deste mês. De acordo com o MPT, eles deixaram a localidade sem ao menos saberem para quem iriam trabalhar, e não tiveram as carteiras de trabalho assinadas. Os trabalhadores, entre eles um rapaz de 15 anos, relataram aos fiscais que recebiam apenas duas refeições diárias, compostas por arroz, feijão, salada e um pedaço de carne. Homens, mulheres e crianças eram obrigados a dividir um único banheiro, com apenas um vaso sanitário e um chuveiro. Não havia equipamento de proteção individual e os alojamentos estavam em péssimas condições de uso, sendo que algumas pessoas dormiam em colchões no chão, informou o Ministério Público. Durante a operação, foi feito o resgate do grupo e o acerto rescisório de cada um deles. O dono da propriedade foi intimado a comparecer à Delegacia Regional do Trabalho, em Divinópolis (MG), para prestar esclarecimentos. No entanto, não foi informado o valor da multa aplicada a ele.

ICO: World 2011-2012 Coffee Output Seen 130 Mln Bags

ICO: World 2011-2012 Coffee Output Seen 130 Mln Bags

LONDON - World coffee production is expected to remain stable next
season at 130 million 60-kilgram bags despite a drop in output from top
producer Brazil, the International Coffee Organization said Monday.
Giving its first estimate for the 2011-12 crop year, the intergovernmental
organization said it expects farmers to boost investments in their farms after
this year's high prices.
Output from top producer Brazil is forecast at 43.54 million bags, including
32.18 million bags of arabica and 11.36 million bags of robusta. That would
mark only a 10% fall in output from the current season despite the trees
entering their biannual off-year.
Yet output from key Asian producers Vietnam and Indonesia is expected to
suffer due to poor weather, said the ICO.
"It is likely that there will be further falls in production in Indonesia and
stagnation in the production of Vietnam," it said.
Global coffee exports are running 16.7% ahead of the same time last season,
according to ICO data. Exports in April totaled 9.7 million bags compared with
7.8 million bags in April 2010, bringing the total for the first seven months
of the 2010-11 crop year to 62.7 million bags.
The ICO kept its estimate for the current crop year unchanged at 133 million
bags of coffee.
Responder Responder a todos Encaminhar Convidar LONDON - World coffee production is expected to remain stable next
season at 130 million 60-kilgram bags despite a drop in output from top
producer Brazil, the International Coffee Organization said Monday.
Giving its first estimate for the 2011-12 crop year, the intergovernmental
organization said it expects farmers to boost investments in their farms after
this year's high prices.
Output from top producer Brazil is forecast at 43.54 million bags, including
32.18 million bags of arabica and 11.36 million bags of robusta. That would
mark only a 10% fall in output from the current season despite the trees
entering their biannual off-year.
Yet output from key Asian producers Vietnam and Indonesia is expected to
suffer due to poor weather, said the ICO.
"It is likely that there will be further falls in production in Indonesia and
stagnation in the production of Vietnam," it said.
Global coffee exports are running 16.7% ahead of the same time last season,
according to ICO data. Exports in April totaled 9.7 million bags compared with
7.8 million bags in April 2010, bringing the total for the first seven months
of the 2010-11 crop year to 62.7 million bags.
The ICO kept its estimate for the current crop year unchanged at 133 million
bags of coffee.

Governo estuda cortar carga tributária para reduzir custo das tarifas de energia

Governo estuda cortar carga tributária para reduzir custo das tarifas de energia

O governo federal está analisando algumas medidas para reduzir a carga
tributária que incide sobre a conta de energia elétrica. Uma comissão com
representantes dos ministérios de Minas e Energia e da Fazenda deverá ser
formada em breve para analisar alternativas. O PIS e a Cofins, tributos
federais que atualmente abocanham 8,5% da conta de luz, poderão sofrer cortes.
Paralelamente, a União vai se reunir com os Estados para negociar possíveis
reduções da cobrança de ICMS, imposto estadual que chega a representar cerca de
30% da conta paga pelo consumidor.
"Há uma preocupação da presidenta Dilma Rousseff para que se reduza a tarifa de
energia elétrica no país. Nós estamos pensando em como vamos viabilizar essas
ações", disse ao Valor o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
A busca de acordo com os Estados, segundo Lobão, poderia ajudar a equilibrar a
tributação ao longo da cadeia energética. "O preço da conta de luz não é
elevado na fase de geração de energia, mas pela cadeia, que envolve as
subestações, as linhas de transmissão e a distribuição. Essa última é a mais
cara", comentou. Para mexer nos impostos da conta de luz, Lobão afirma que o
governo teria de fazer mudanças na legislação do setor.
Hoje, de cada R$ 100 pagos pelo consumidor de energia, R$ 45 são tributos e
encargos. Desses, metade são federais. Os Estados ficam com (47%) dos demais
impostos. Outros 2,5% são encargos trabalhistas e cerca de 0,5% fica com os
municípios.
"É extremamente relevante saber que o governo reconhece esse problema, além de
sua manifestação clara para tentar modificar essa trajetória da conta de
energia", disse Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil. "Acredito
que essa postura possa abrir caminho para retomarmos assuntos importantes, como
a extinção da cobrança da RGR (Reserva Global de Reversão)", avalia Sales.
A RGR é um encargo criado há 40 anos, pago por todos os consumidores. A tarifa
deveria ter sido extinta no ano passado, mas uma medida provisória aprovada
pelo Congresso prorrogou a contribuição até 2035. O texto ainda não foi
sancionado pela presidente Dilma Rousseff.
No médio prazo, o governo já conta com uma redução no preço da energia, devido
ao vencimento das concessões a partir de 2015. Segundo a consultoria Andrade &
Canellas, até lá um conjunto de hidrelétricas - 21,3 mil MW de geração - terá
de ser entregue ao governo federal.
Lobão afirmou que ainda não foi decidido se o governo irá renovar essas
concessões - o que implica mudar a lei do setor, uma vez que essas concessões
já tiveram uma prorrogação - ou se elas serão leiloadas novamente. Seja qual
for o caminho, a decisão do governo vai se orientar pela redução do preço da
energia, já que os investimentos feitos nessas hidrelétricas foram amortizados
ao longo dos anos.
"Não podemos falar de novas concessões ou prorrogação sem estar prevista a
modicidade tarifária. Se for decidido pela prorrogação, altera-se a lei, mas
ainda assim será garantida a queda de preço da energia elétrica", disse o
ministro.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também admite que o volume de
impostos embutidos na conta de luz é alto e precisa passar por uma revisão
drástica. Em recente audiência realizada pela Comissão de Infraestrutura do
Senado, o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, disse que a agência também
está participando das discussões do governo e que o setor de energia precisa
entrar numa "cesta básica de desoneração, envolvendo tributos federais e
encargos estaduais".
A conta de luz do consumidor brasileiro carrega o custo de todo e qualquer
projeto ligado à área de energia, desde taxas para manter a segurança
energética até cobranças para favorecer a adoção de fontes renováveis. "Vivemos
em um país onde a tributação representa 35% sobre o PIB, o que já muito alto.
Não faz nenhum sentido que na área de energia essa fatia seja ainda maior,
chegando a 45%", diz Sales, do Acende Brasil.

Qual agronegócio afinal?

Qual agronegócio afinal?

Na semana passada tive a oportunidade de participar de um seminário na
Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP), no qual foi lançada a
RedeAgro - Rede de Conhecimento do Agro Brasileiro, criada pelo Instituto de
Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), com apoio do grupo
Pensa/FEA-USP, com a finalidade de debater os grandes temas ligados ao setor
agropecuário brasileiro que, diga-se de passagem, não são poucos e muito menos
simples.
Dentre os diversos temas apresentados, o mais consensual é o que diz respeito
ao potencial de crescimento da produção e exportações agropecuárias esperado
para os próximos anos. Não é difícil reunir dados e argumentos que permitam
descortinar um futuro extremamente promissor para a atividade. De fato, dentre
toda a matriz produtiva brasileira, o agronegócio é hoje a classe de atividade
que reúne o maior conjunto de segmentos dotados de um tipo de competitividade
que se pode efetivamente adjetivar como estrutural. Essa competitividade
estrutural decorre não somente da extensa base de recursos naturais com que o
país é dotado mas também da competente base tecnológica que se construiu nas
últimas décadas e ainda da robusta base empresarial que se consolidou nos
últimos anos. Olhando em perspectiva, há uma convergência de fatores positivos
que surgem, pelo lado da oferta, das oportunidades tecnológicas associadas ao
dinamismo científico de campos de conhecimento como a genética e a bioquímica
e, pelo lado da demanda, da velocidade da expansão esperada para a demanda
mundial de produtos da agroindústria, seja para alimentos, seja para energia,
que, conjugados, propiciarão ao agro brasileiro uma posição extremamente
favorável no cenário internacional nos próximos anos ou mesmo décadas.
O problema aqui é a forte heterogeneidade estrutural que sempre marcou e ainda
marca a atividade agropecuária
Quando o tema do debate volta-se para quais os impactos macroeconômicos que
essa exuberância exportadora poderá vir a provocar no futuro alguma
controvérsia começa surgir. Alguns analistas mostram preocupação com a
possibilidade de que a enxurrada de divisas advinda das exportações de
commodities agropecuárias possa implicar doença holandesa (ou agravá-la, para
aqueles que entendem que o fenômeno já se encontra em curso). Doença holandesa
corresponde a uma situação na qual os setores não exportadores perdem
competitividade internacional em consequência da apreciação cambial trazida
pelos saldos comerciais gerados pelos setores exportadores, levando o país a um
indesejado processo de desindustrialização. Outros entendem que o atual ciclo
de valorização do real não reflete posições superavitárias da balança comercial
e sim os efeitos da volumosa entrada de capitais no país, descartando a
ocorrência de doença holandesa no Brasil, ao menos por enquanto. Com relação a
esse debate, as evidências disponíveis são mais favoráveis à tese de que o
Brasil enfrenta uma doença de custos, cujos efeitos sobre a inflação são
mitigados pela apreciação cambial, pois essa é uma das essências do modelo de
estabilização baseado em taxas estratosféricas de juros adotado pelo país.
Nesse caso, não seria a realocação de fatores de produção em direção às
atividades exportadoras de commodities que promoveria a apreciação cambial,
como deveria ocorrer de acordo com o mecanismo básico da doença holandesa, e
sim exatamente o contrário: seria a apreciação cambial que conferiria condições
de sobrevivência apenas aos setores altamente competitivos da estrutura
produtiva nacional, razão pela qual as exportações do agronegócio ganhariam
peso na pauta de comércio.
Finalmente, quando o tema em debate se transfere para qual o resultado do
balanço sócio-econômico e ambiental do atual agronegócio brasileiro, a
controvérsia torna-se a tônica. Certamente, não é o caso de proceder a esse
balanço no pequeno espaço desta coluna mas tampouco se pode deixar de registrar
o ponto central: afinal, de qual agronegócio está se falando? O problema aqui é
a forte heterogeneidade estrutural que sempre marcou e ainda marca a atividade
agropecuária brasileira. Além de um agronegócio exportador estruturalmente
competitivo em virtude de capacitação tecnológica e empresarial acumulada nos
anos recentes, coexistem no país outros diferentes modelos de organização da
atividade. Estão aí incluídos tanto uma agricultura familiar (ou de pequena
escala) moderna, que é ainda uma fração pequena demais da atividade, como um
modelo de exploração predatória que, mais do que terra, desperdiça natureza, e
que ainda constitui uma fração grande demais da agropecuária brasileira.
Em que medida a pujança esperada para o agronegócio será capaz de contribuir
efetivamente para o desenvolvimento econômico nacional depende visceralmente de
que o padrão de expansão vitorioso contemple a ampliação da presença do
primeiro modelo e a supressão do segundo. É nessa perspectiva que se perfilam
as novas questões ligadas à sustentabilidade da expansão da atividade que,
justificadamente, vem dominando as acaloradas discussões em torno do novo
código florestal. Afinal, de certo modo, os problemas da agropecuária
brasileira são os de sempre e estão ligados à capacidade do setor crescer
promovendo ou não as necessárias melhorias na distribuição pessoal e regional
da renda direta e indireta gerada pela atividade.
David Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do
Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ. Escreve mensalmente às
quartas-feiras.

Commodities Agrícolas

Commodities Agrícolas

Oferta no Brasil
As preocupações sobre a oferta de açúcar do Brasil, o maior
produtor mundial, fizeram com que os futuros da commodity fechassem a
sexta-feira em nova alta na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em
outubro encerraram o dia a 24,54 centavos de dólar por libra-peso, valorização
de 55 pontos. Do meio de março para 16 de maio, a produção de açúcar no
Centro-Sul do Brasil caiu 47% se comparado com um ano antes, segundo dados da
União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) informados pela Bloomberg. Na
segunda-feira, a entidade deve fazer uma nova atualização e já há indicativos
de que a produção da commodity será revisada para baixo. No mercado interno, o
indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal fechou em alta de 0,44% a R$ 54,24.

Falta de notícias
O início da temporada de furacões e a falta de notícias sobre
clima e condição de oferta fizeram com que os futuros de suco de laranja
fechassem em alta na bolsa de Nova York. O contratos para setembro subiram 95
pontos na sexta-feira e fecharam a US$ 1,8080 a libra-peso. De acordo com
analistas ouvidos pela agência Dow Jones Newswires, os futuros da commodity
encerraram a semana em um território positivo, mas os preços estão sendo
contidos no atuais níveis, com poucas notícias sobre clima e oferta e demanda
para mudar esses patamares. No mercado interno, a laranja pera in natura fechou
em queda de 0,24% valendo R$ 12,36 a caixa de 40,8 quilos, segundo levantamento
do Cepea/Esalq. Essa foi a quarta queda consecutiva da semana. No mês, a caixa
sofreu variação negativa de 5,94%.

Safra americana
O mercado manteve acesa a preocupação de que a oferta de
algodão nos Estados Unidos pode ser prejudicada, o que provocou novas altas nos
preços da commodity na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em outubro
fecharam o pregão de sexta-feira a US$ 1,3967 por libra-peso, alta de 111
pontos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) cortou sua
estimativa de produção da pluma. Foi a primeira vez que o governo reduziu sua
previsão de junho na comparação com o mês de maio desde 1998. As lavouras no
Texas, principal região produtora americana, estão sendo afetadas depois de
sofrerem da maior seca para um mês de maio desde 1956, segundo a Bloomberg. No
mercado de Primavera do Leste (MT), a arroba continua estável em R$ 74, segundo
o Imea/Famato

Correção de preços
Os contratos futuros da soja encerraram o pregão de
sexta-feira com queda. Na bolsa de Chicago, principal referência no mercado
internacional de grãos, os papéis com vencimento em agosto ficaram a US$
13,8225 por bushel, com recuo de 5,00 centavos de dólar. De acordo com
analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires, houve uma continuidade no processo
de "correção de preços" altos, depois que os dados divulgados na quinta-feira
pelo Departamento de Agricultura americano apontaram para uma leve elevação dos
estoques finais da commodity (18,8% em relação à estimativa de maio). Já no
mercado doméstico, o Esalq/BM&FBovespa, indicador para a saca de 60 quilos,
ficou em R$ 48,20, com queda de 1,17%. No mês, a commodity caiu 1,63%.




Retomada venda de etanol aos EUA

O país já tem contratada a exportação de 300 milhões a 400 milhões de litros de
etanol combustível. O destino é o mercado americano. De acordo com levantamento
da comercializadora de etanol Bioagência, que detém 8% do mercado no país, os
negócios foram fechados entre março e abril; os embarques começaram em maio, e
deverão prosseguir até outubro.
Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, afirma que os negócios foram fechados
a valores entre US$ 650 e US$ 720 por m3 e significaram uma remuneração de 3% a
4% maior do que a indicação do mercado interno para os meses de embarque. "Essa
remuneração foi realizada, no entanto, para os que fixaram o dólar, que saiu de
até R$ 1,71 para R$ 1,57", diz Rodrigues.
Ele explica que a lucratividade só aconteceu porque o volume foi negociado para
entrar nos Estados Unidos via países do Caribe - isento, assim, da tarifa de
importação de 0,54 centavos de dólar por galão. Além disso, para esse etanol
foi pago um prêmio que variou entre 60 e 70 centavos de dólar por galão acima
do etanol de milho. Isso porque começou a vigorar neste ano a política de
pagamento de prêmio às misturadoras do país que usarem o chamado "combustível
avançado" (emite 50% menos gases de efeito estufa que a gasolina), categoria na
qual apenas o etanol de cana se encaixa até hoje.
A "janela", no entanto, diz Rodrigues, começa a ser fechada. Os preços do
etanol combustível no Brasil começam a subir, aumentando a viabilidade de se
vender o produto internamente, em vez de exportar. Somente na sexta-feira, o
indicador Esalq/BM&F do etanol hidratado posto em Paulínia subiu 1% fechando a
R$ 1.161,50 o metro cúbico.
Ainda, afirma Rodrigues, o mercado de prêmios para o etanol "avançado" do
Brasil pode ficar mais restrito, pois tramita nos Estados Unidos um projeto
para estender o status de "biocombustível avançado" também ao etanol de sorgo
americano.
Rodrigues espera que até o fim deste ano apenas mais 100 milhões a 200 milhões
de litros de etanol combustível sejam exportados. Esse cenário só muda se os
preços do milho nos Estados Unidos subirem muito, elevando, assim, os custos de
produção do etanol local, feito do grão. A previsão da Bioagência é que o
Brasil deverá exportar 1,5 bilhão de litros de etanol nesta safra, incluindo o
etanol combustível e o industrial.

Uma década de altas para as commodities

Uma década de altas para as commodities

As commodities agrícolas terão pela frente uma década de preços elevados e
grande volatilidade no mercado internacional, e o Brasil será um dos países
mais beneficiados nesse cenário. É o que prevê um amplo estudo conjunto da
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Agência das
Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) que será apresentado na
sexta-feira em Paris, ao qual o Valor teve acesso.
O lançamento do relatório "Perspectivas Agrícolas 2011-2020" precede a reunião
de ministros de Agricultura do G-20, que será realizada nos dias 22 e 23 e
trará para a mesa de negociações um pacote de medidas que tentará, no médio a
longo prazos, estimular o aumento da produção global e reduzir a volatilidade
nos mercados de commodities agrícolas, que nos últimos anos elevaram índices
inflacionários e chegaram a provocar protestos nas ruas de diversos países.
As duas entidades avaliam que essa impressionante volatilidade, que já entrou
em seu quinto ano consecutivo, vai perdurar, e que os preços de muitas
commodities básicas para a produção de alimentos deverão se manter em patamares
mais elevados tanto em termos nominal como real se comparados aos da década
anterior (2001-2010).
A expectativa é que os custos de alimentos até declinem em relação aos níveis
do início de 2011, dependendo do produto. Mas, em média e em termos reais,
deverão subir até 50% no caso das carnes e 20% no dos cereais nos próximos
anos. O Brasil, principal país exportador de carnes, com 20% e 25% do mercado
mundial, e com boas perspectivas para o milho, por exemplo, tende a abocanhar
boa parte do ganho. As projeções se baseiam em um horizonte de desaceleração do
crescimento populacional, dólar fraco, preços de energia em alta e - apesar das
commodities - inflação moderada.
Os custos da produção agrícola estão em ascensão e o crescimento da
produtividade sofreu uma perigosa desaceleração. Pressões sobre os recursos
naturais, principalmente água e terras, aumentaram. Como as terras mais férteis
já estão sendo utilizadas e mesmo declinando em algumas regiões, a produção
tende a se expandir em terras marginais com menor fertilidade e maiores riscos
de problemas meteorológicos.
É verdade que, no curto prazo, a produção agrícola deverá crescer, como uma
resposta natural dos produtores aos atuais preços elevados. Mas a expansão
agrícola global será de modestos 1,7% ao ano, em média, ante a taxa de 2,6% da
década passada. A maioria das colheitas tende a se expandir menos,
especialmente no caso de oleaginosas (grupo que inclui a soja) e grãos
forrageiros (milho entre eles). A pecuária manterá o ritmo dos últimos anos.
Apesar de menor expansão, a produção per capital pode crescer 0,7% ao ano.
A desaceleração global da melhoria do rendimento de importantes culturas,
entretanto, continuará a pressionar os preços internacionais, em um tabuleiro
em que os maiores crescimentos da oferta virão de fornecedores que detêm boas
tecnologias.
As projeções confirmam a continuidade da gradual mudança na divisão das fatias
dos mercados agrícolas, que migram de países desenvolvidos para nações em
desenvolvimento. À América Latina, motor do recente avanço agrícola global,
deverá se unir o Leste Europeu. As duas regiões serão supridoras cada vez mais
importantes nesta década. Suas áreas plantadas e produtividade deverão
aumentar, e também haverá expansão para a pecuária.
OCDE e FAO estimam que, apesar do "fim do crescimento espetacular" do complexo
soja (grão, farelo e óleo), Brasil e Argentina continuarão com sólidos
crescimentos em oleaginosas, cereais e gado de corte, graças a custos de
produção relativamente menores. A América do Norte, liderada pelos EUA, é a
única região de alta renda que expandirá significativamente a agricultura. A
Europa Ocidental perderá mais competitividade e produção, pressionada por
preocupações ambientais, custos e limitação de terras.
Já no lado da demanda, o crescimento populacional e o aumento da renda em
grandes emergentes como China e India sustentarão compras firmes de
commodities. Arroz, carne, lácteos, óleos vegetais e açúcar deverão ter os
maiores aumentos de consumo.
O uso de matérias-primas agrícolas para biocombustíveis manterá um "crescimento
robusto". Até 2020, nada menos do que 30% da produção de cana, 15% de óleos
vegetais e 13% de grãos deverão virar etanol e biodiesel, num contexto em que
as elevadas cotações do petróleo terminarão por viabilizar a produção de
biocombustiveis mesmo sem os já combatidos subsídios estatais.
O relatório reforça que a produtividade continua a ser um influente fator na
formação dos preços de colheitas. A variação no rendimento de grandes lavouras
de paises exportadores são uma fonte primária da volatilidade, segundo OCDE e
FAO. A severa seca na Rússia e na Ucrânia no ano passado e o excesso de umidade
nos EUA ilustram a rapidez com que o equilíbrio do mercado pode mudar. Além
disso, o estudo aborda o maior peso dos mercados de energia na transmissão de
volatilidade à agricultura, por seu peso nos custos de produção e por causa da
"competição" dos biocombustíveis.
As entidades destacam os desafios para enfrentar a insegurança alimentar global
e as oportunidades que se abrirão aos produtores com os preços internacionais
mais elevados nos próximos dez anos. Notam que períodos prolongados de preços
altos da cadeia alimentar deflagram sinais de alarme sobre "instabilidade
econômica e insegurança alimentar em vários países em desenvolvimento", e não
descarta uma nutrição de má qualidade entre consumidores pobres.
Em geral, porém, OCDE e FAO concluem que preços mais elevados "são um sinal
positivo e bem vindo para um setor que tem experimentado declínio real nos
custos das commodities por várias décadas e podem estimular investimentos no
aumento da produtividade e da produção, necessários para atender à crescente
demanda por alimentos".
As duas entidades ressalvam que nem sempre os incentivos trazidos por cotação
internacional melhores chegam ao bolso dos produtores, em virtude de custos de
transações elevados ou políticas nacionais de intervenções nos mercados. No
segmento pesqueiro, a projeção é que a produção global aumentará 2,8% ao ano
até 2020, bem menos do que na década passada, por causa de redução ou
estagnação na captura de pescados. Até 2015, a aquicultura poderá representar
mais da metade do consumo global de peixes. Os preços médios dos pescados
capturados podem subir 23% até 2020, ante alta de 50% na aquicultura.



FAO prevê mais uma década de alta para as commodities

Com demanda firme e expansão da oferta afetada por limitações naturais e, em
alguns casos, redução do ritmo de aumento da produtividade, as principais
commodities agropecuárias negociadas no mercado internacional terão pela frente
uma década de preços altos e grande volatilidade. Essa é a principal conclusão
de um estudo conjunto realizado pela Organização para Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Agência das Nações Unidas para Agricultura
e Alimentação (FAO), que será apresentado na sexta-feira em Paris, ao qual o
Valor teve acesso. O texto também reserva ao Brasil um papel ainda mais
relevante como fornecedor mundial de alimentos.
O relatório "Perspectivas Agrícolas 2011-2020" precede a reunião de ministros
de Agricultura do G-20, que será realizada nos dias 22 e 23 na capital francesa
e trará à mesa de negociações um pacote de medidas para estimular o aumento da
produção global e a redução das oscilações de preços, que nos últimos anos
pressionaram a inflação e provocaram protestos nas ruas em diversos países.
A expectativa é que os custos dos alimentos até declinem em relação aos níveis
do início de 2011, dependendo do produto. Mas, na média e em termos reais,
deverão subir até 50% no caso das carnes e 20% no dos cereais nos próximos
anos. O Brasil, principal exportador de carnes, com fatia entre 20% e 25% do
mercado mundial, e com boas perspectivas para ganhar mercados mesmo em
segmentos nos quais têm menos tradição, como o milho, tende a abocanhar boa
parte dos ganhos.
Esse avanço brasileiro deverá ocorrerá em meio a uma expansão do comércio
agrícola mundial projetada em apenas 2% ao ano, em média, metade da taxa da
década passada. Exportadores emergentes de cereais, como Rússia e Ucrânia,
também aproveitarão a onda de altas e aumentarão suas vendas.
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