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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Nos EUA, mais um risco para a economia global

Nos EUA, mais um risco para a economia global
Os holofotes internacionais estão voltados para a Itália e demais atores do palco do euro, mas os Estados Unidos não estão em melhor situação. A maior economia do planeta está a cerca de 15 dias do prazo final para elevar seu limite de endividamento e ainda não há sinais de que o governo de Barack Obama chegará a um acordo com o Congresso. As agências de rating já ameaçam rebaixar a avaliação do país e, apesar de terem sua credibilidade profundamente arranhada na crise internacional, conseguem tumultuar os mercados. A taxa de desemprego voltou a aumentar e a política de afrouxamento da liquidez pode ser retomada.Nos últimos dias surgiu a proposta meia-sola do líder dos republicanos, senador Mitch McConnell, que pode evitar o calote americano. A ideia é permitir que o governo ganhe fôlego para cobrir as obrigações que vencem até o próximo ano, sem necessitar autorização do Congresso, desde que corte o orçamento em igual montante. Os primeiros números na mesa indicam que o teto do endividamento, atualmente de astronômicos US$ 14,3 trilhões, pode aumentar em US$ 2,4 trilhões. Apesar das questões constitucionais a serem superadas para que a proposta fique de pé, essa parece uma saída possível, já que está difícil um acordo entre o governo e a oposição a respeito de uma redução mais ampla de despesas. A linha dura americana, assim como a europeia, parece não ver quão próxima está do precipício.O pano de fundo são as difíceis condições da economia. Nos Estados Unidos, os esforços feitos para salvar os bancos e as montadoras e tentar reanimar os negócios levaram o déficit público de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007, antes da crise, para 12,7% no ano passado e ao redor de 11% atualmente. A dívida pública, que era equivalente a 62,2% do PIB, agora praticamente se iguala a ele. Até o Fundo Monetário Internacional (FMI) puxou as orelhas de Washington, como faria com um mercado emergente. No mais recente relatório de avaliação do país, o Fundo disse que a dívida americana é um risco para a economia global e que falta um plano de ajuste fiscal de médio prazo. Além disso, criticou o uso prolongado da política de injetar dinheiro no mercado para reanimar a economia. O afrouxamento quantitativo ("quantitative easing", ou QE) promovido pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) inundou o mundo de dólares. Com a compra de títulos em circulação, o Fed injetou US$ 2 trilhões na primeira etapa e US$ 600 bilhões na segunda, concluída em junho. Essas operações foram criticadas pelos emergentes como o Brasil não só por desvalorizar o dólar como também por originar um turbilhão de capital especulativo. Em busca de melhores retornos, esse capital se movimenta pelo mundo, contribuindo para apreciar a moeda dos países onde se aloja, como o real, e as commodities. O afrouxamento quantitativo parecia ter sido posto de lado na última reunião do Federal Open Market Committee (Fomc, o Copom americano), realizada em junho, quando apenas se decidiu manter no mesmo tamanho a carteira de US$ 2,6 trilhões em títulos que estão no balanço do Fed, reinvestindo os recursos apurados com as amortizações; e continuar com os juros no patamar estabelecido desde 2008, entre zero e 0,25%.Mas o presidente do Fed, Ben Bernanke, em pronunciamentos no Congresso americano, nesta semana, voltou a considerar a possibilidade de retomar as injeções de dinheiro e o eventual lançamento do QE3. A reação tímida da economia americana, que ressuscita o temor de um duplo mergulho, e a mudança do cenário global certamente estão por trás da revisão de estratégia. O próprio Fomc já reduziu a previsão de crescimento da economia americana neste ano de 3,1% a 3,3% para 2,7% a 2,9%. No primeiro trimestre, o crescimento anualizado foi de apenas 1,9%, desempenho inferior ao registrado em 2010, quando a economia cresceu 2,8%, e dos 3,5% projetados pelo mercado no início do ano.Um crescimento da economia inferior a 2% é insuficiente para absorver os jovens que entram anualmente no mercado de trabalho. Por isso, a taxa de desemprego, que chegou a recuar para 8,8% no início do ano, acaba de subir para 9,2%. O aumento do preço do petróleo e o terremoto no Japão tiveram impacto negativo na economia americana, no início do ano. Mas a turbulência na Europa também afeta os negócios. Sinal disso é que o Fed mudou seu discurso depois do acirramento da crise europeia nos últimos dias.

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