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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Volatilidade do café prejudica financiamento a exportador
Gustavo Bonato - Reuters / Exame.com

Segundo Terra Forte, volatilidade tem imposto dificuldades para empresas obterem financiamento no volume necessário para realizarem as compras antecipadas

São Paulo - A volatilidade dos preços de café em função das perdas na safra brasileira tem imposto dificuldades para as empresas exportadoras obterem financiamento bancário no volume necessário para realizarem as compras antecipadas que necessitam, disse nesta segunda-feira um importante executivo do setor.

"Os poucos negócios que você tem, que você é obrigado a hedgear, você precisa de recursos que são muito maiores. Nem é possível que os bancos consigam acompanhar a evolução do crédito na mesma velocidade", disse Joaquim Libanio Ferreira Leite, diretor de exportação da Terra Forte Cafés, uma das maiores exportadoras brasileiras do produto.

Ele lembrou que até dezembro havia um cenário tranquilo quanto à safra de 2014, mas o tempo quente e seco em importantes regiões produtoras da variedade arábica no início do ano danificou muitas lavouras e fez os preços dispararem.

Uma saca de 60 kg que poderia ser negociada a 320 reais para entrega em setembro, agora pode custar até 500 reais, diz Libanio.

Os contratos futuros na bolsa de Nova York já acumulam alta de cerca de 70 por cento desde o início do ano.

"Numa situação de incerteza, como a de hoje, uma das maneiras de se hedgear (travar preços) é comprar o físico, para depois vender. É o hedge mais básico: compra primeiro para vender depois", disse, referindo-se ao modelo de negociação que encontra escassez de recursos para ser financiado. "Você sabe que café tem na mão." Ele preferiu não estimar os volumes de recursos que faltam ao setor, nem o nível de alavancagem das empresas com este tipo de negócio.

Beber Chá

A Terra Forte estimou a safra brasileira de café 2014/15 em 48 milhões de sacas.

"Os danos são irreparáveis. Nunca tivemos uma situação como essa. Em cada região você tem cenários diferentes", afirmou o exportador.

A preocupação está não apenas no volume, mas principalmente na qualidade dos grãos.

"Vai ter um impacto muito grande na indústria. Ela é preparada para um certo tamanho e ela não consegue lidar com tamanhos diferentes, especialmente quando você tem grãos mal formados, mal granados", afirmou.

As consequências da seca do início de 2014 também poderão ser sentidas na safra do ano que vem, lembrou o especialista, uma vez que o clima também afetou a formação dos brotos e flores que vão virar grãos na safra 2015/16.

"Se não chover (no outuno/inverno), vai emendar mais um período de seca... e aí não sabemos o que vai ser. Vai ser um drama", disse ele a jornalistas, no intervalo de um evento em São Paulo. "Podem começar a beber chá."

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