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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE

Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE
Futures US encerraram esta segunda-feira com ganhos. Após uma primeira parte do dia caracterizada por perdas consideráveis, a expectativa era de que o café seguisse a tendência dos mercados externos e acumulasse novas retrações. No entanto, com algumas resistências mais importantes sendo preservadas, o que se viu foi um movimento de recompras, o que permitiu que os ganhos voltassem a aparecer e o encerramento do dia se desse acima do intervalo psicológico de 260,00 centavos para o dezembro.
Operadores destacaram que o fato de não ter conseguido testar o nível de mínima da sessão passada — em 255,10 centavos por libra — abriu espaço para que alguns players invertessem a tendência inicial e passassem para o lado comprador. Esses operadores ainda destacaram que os bearishs (baixistas) já não demonstram um potencial de liquidação tão intenso quanto nos dias anteriores, sendo que próximos de alguns suportes básicos já são verificadas zonas de compra. Tecnicamente, contudo, o café ainda registra um viés baixista.
Fundamentalmente, o mercado continua com poucas novidades e ainda sente a pressão externa, principalmente com a instabilidade de economias da zona do euro e a preocupação dos Estados Unidos com um cenário recessivo.
No encerramento do dia, o dezembro em Nova Iorque teve alta de 165 pontos com 262,05 centavos, sendo a máxima em 264,35 e a mínima em 255,45 centavos por libra, com o março tendo ganho de 180 pontos, com a libra a 265,05 centavos, sendo a máxima em 266,85 e a mínima em 258,45 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição novembro registrou alta de 22 dólares, com 2.131 dólares por tonelada, com o janeiro tendo valorização de 21 dólares, com 2.156 dólares por tonelada.
De acordo com analistas internacionais, o dia foi caracterizado por duas metades distintas. Na parte inicial do dia, os vendedores atuaram fortemente e rapidamente buscaram atingir a mínima da sexta-feira, nível que, no entanto, foi preservado. Na segunda metade do dia, os compradores ganharam corpo e o nível de 264,35 centavos chegou a ser batido. Nas máximas, contudo, algumas realizações foram detectadas, o que diminuiu o potencial das altas.
O mercado externo teve um dia negativo, com as bolsas de valores nos Estados Unidos, por exemplo, caindo cerca de 1% ao final do dia, depois de terem experimentado perdas de quase 3% no decorrer dos negócios. O índice CRB caiu fortemente, 1,64%, refletindo o comportamento ruim de mercados como de petróleo e ouro. O dólar se manteve estável em relação a uma cesta de moedas internacionais.
"Os altistas estão surpresos com o movimento que vimos do flat-price, e me parece que podem se decepcionar mais se estiverem olhando apenas para o que acontece no Brasil, pois continuo achando que os diferenciais é que ficarão firmes com os terminais se mantendo dentro de um intervalo de preço mais baixo – caso não haja seca, é claro. A recuperação rápida que vimos na sexta-feira da ICE dá a impressão que podemos ter uma correção positiva. Para tanto o contrato de dezembro tem de se manter acima de 255,00 centavos, caso contrário os fundos podem voltar a vender", indicou Rodrigo Corrêa da Costa, consultor da Archer Consulting.
As exportações de café da Nicarágua em agosto tiveram queda de 35%, indo a 65.826 sacas, indicou o Centro de Trâmites da Nicarágua. A receita com as remessas recuou 15% no mês, com 18,6 milhões de dólares, com a média de 2,17 dólares por libra. Até agora, na safra 2010/2011, o país remeteu 1,47 milhão de sacas ao exterior, 7,5% a mais que no mesmo período do ano anterior.
As exportações de café do Brasil em setembro, até o dia 16, somaram 1.059.486 sacas, contra1.130.103 sacas registradas no mesmo período de agosto, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).
Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram alta de 135 sacas, indo para 1.446.408 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 17.348 lotes, com as opções tendo 4.869 calls e 9.150 puts. Tecnicamente, o setembro na ICE Futures US tem uma resistência em 264,35, 264,50, 264,90-265,00, 265,50, 266,00, 266,50, 267,00, 267,50, 268,00 e 268,50 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 255,45, 255,10-255,00, 254,50, 254,00, 253,50, 253,00, 252,50, 252,00, 251,50, 251,00, 250,50, 250,10-250,00 e 249,50 centavos por libra

DESVALORIZAÇÃO DO REAL COMPENSANDO PARCIALMENTE -Rodrigo Corrêa da Costa

DESVALORIZAÇÃO DO REAL COMPENSANDO PARCIALMENTE
A semana começou tensa com os preços das ações desmoronando após agências de riscos terem diminuído a nota da dívida de vários bancos franceses, e o preço dos seguros de dívidas soberanas européias ter atingido altas históricas. As incertezas provocaram uma pane nos empréstimos interbancários na Europa com as entidades relutantes em negociar entre si.Os nervos então se acalmaram com notícias de que China e Itália estavam em conversa para que a primeira venha prover liquidez aos títulos da segunda, e tudo ficou “bem” novamente quando os bancos centrais da Inglaterra, Japão, Suíça, Estados Unidos e da zona do euro coordenaram empréstimos para irrigar o setor financeiro até o fim do ano. Ufa!Ao final do curto período de cinco dias as medidas acima ajudaram as bolsas a subir novamente com destaque para a alta do mercado americano (+5.35%) e alemão (+7.39%). O índice do dólar, que estava se fortalecendo como alternativa de proteção, parou de subir e fechou com leve queda de 0.74%. As commodities derreteram, com exceção de algumas ligadas a energia, talvez por não ter encontrado tempo para digerir o otimismo dos outros mercados.O café em Nova Iorque perdeu US$ 12.70 por saca, com queda de US$ 11.40 por saca na BM&F e US$ 3.72 por saca na LIFFE. Os fundos que tinham uma posição de 9 mil lotes comprados provavelmente venderam próximo da metade desta posição, ajudando algumas poucas compras de torradores que esperavam por uma oportunidade.A desvalorização do real brasileiro ajudou, inicialmente, os fazendeiros a não sentir uma retração tão forte do nível de compras no mercado interno local. Mas após a queda da bolsa o ajuste de preço dos exportadores se distanciou bastante das bases de interesse de venda dos produtores, que não cederam à fraqueza do terminal. Com isso mais uma vez os diferenciais de reposição negociaram em campo positivo e a arbitragem estreitou para pouco menos de US$ 2 centavos negativos – ou seja, nada de diferente do previsto e ocorrido nos últimos meses.Nas outras origens o movimento foi fraco, dado a falta de produto, com apenas alguns negócios de safra-nova reportados na Honduras e Costa Rica segundo um grande “dealer”.Enquanto isto os estoques mundiais que poderiam ter sofrido uma forte queda com os embarques menores de Brasil nos últimos meses têm se mantido estáveis. Na Europa ao final de julho aumentaram 138,797 sacas para um total de 13.6 milhões, e nos Estados Unidos em agosto caíram 74,476 sacas para 4,737,341 sacas, o último incluindo os certificados da ICE. Como o pico da entressafra dos suaves está encerrando as chances são pequenas de vermos uma utilização rápida destes cafés. Por sinal, é impressionante ver a aversão de torradores no hemisfério norte para algumas qualidades de lavado mesmo que sejam oferecidos a preços mais atrativos do que cafés naturais finíssimos.Números oficiais divulgados pela CONAB no dia 13 apontaram para uma produção do ano-safra 11/12 de 43.15 milhões de sacas, com uma produtividade média de 21.04 sacas por hectare (20.6 para o arábica e 22.39 para o conillon). Ao mesmo tempo do outro lado do mundo uma consultora famosa dava palestra dizendo que o número é de 49.2 milhões de sacas para o corrente ciclo, e já previu uma produção para 12/13 de 60 milhões de sacas – façam suas apostas!Os altistas estão surpresos com o movimento que vimos do flat-price, e me parece que podem se decepcionar mais se estiverem olhando apenas para o que acontece no Brasil, pois continuo achando que os diferenciais é que ficarão firmes com os terminais se mantendo dentro de um intervalo de preço mais baixo – caso não haja seca, é claro.A recuperação rápida que vimos na sexta-feira da ICE dá a impressão que podemos ter uma correção positiva. Para tanto o contrato de dezembro tem de se manter acima de US$ 255.00 centavos, caso contrário os fundos podem voltar a vender. Para os que têm pouca cobertura de compra aproveitem e coloquem alguma fixação no livro.Uma ótima semana e muito bons negócios para todos, Rodrigo Corrêa da Costa

Indústria citrícola acende sinal vermelho no País

Indústria citrícola acende sinal vermelho no País

19/09/11 - 05:42
São Paulo - A industria citrícola brasileira, que está em um período de estagnação, precisa se reestruturar para não encolher, afirmou ao DCI Christian Lohbauer, presidente da Associação Nacional de Exportadores de Sucos Cítricos (Citrus-BR). A causa para o alarme é a queda no consumo mundial de suco de laranja, a falta de investimentos no campo e os altos custos de produção.

"A conclusão é que a industria citrícola do Brasil precisa se reinventar, e se reestruturar para não perder aos poucos o seu tamanho e importância", disse ele.

Já o setor produtivo, que historicamente ocupava as regiões norte e central do Estado de São Paulo, está migrando para a região sul, conhecida por "Castelo", em busca de terras mais baratas, e menor incidência de pragas.

Com um volume de vendas externas estagnado na casa de 1,3 milhão de toneladas de suco de laranja por ano, um consumo em queda e os custos de produção em alta, Lohbauer garante que a industria precisa de uma transformação obrigatória para não agravar ainda mais a situação. "Não acredito que o setor está fadado a desaparecer, mas ele entrou em um período de estagnação que pode ser crônico".

Há dez anos o volume de exportação do setor era de 1,34 milhão de toneladas, neste ano a previsão é atingir a mesma marca. Para o executivo, a melhor saída para o setor é ampliar o consumo do produto, com ações efetivas nos países compradores, melhorando o marketing e os preços. "Precisamos de ajuda, pois fazer o americano e o europeu voltarem a tomar suco é algo complicado. Para essa redução de preços precisamos melhorar os custos e reestruturar a cadeia produtiva. Precisamos reduzir os custos de produção da laranja, do suco e de exportação, e isso é um trabalho que temos que fazer aqui", disse.

Apesar da crescente produção de laranjas no País, que segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), deve atingir na safra 2011/2012, 377 milhões de caixas de 40 quilos, 18% superior a colheita anterior que foi de 322 milhões de caixas, a área plantada no maior estado produtor da fruta, São Paulo, segue em queda.

Neste segundo levantamento, á área ocupada com laranja no Estado de São Paulo é de 580 mil hectares, queda de 6,38% se comparado aos 620 mil hectares da safra anterior. Segundo Christian Lohbauer, as principais razões para essa redução é a erradicação de pomares improdutivos, a falta de competitividade da laranja frente a outras culturas, e o baixo rendimento do negócio.

Para ele, a cana-de-açúcar, que no ano passado tomou 25 mil hectares da laranja, não é a razão principal para essa perda, e sim a falta de viabilidade da cultura. "Hoje o produtor está repensando a viabilidade de se plantar laranja. Principalmente aqueles pomares mais antigos, que possuíam árvores mais espaçadas, mais velhas e a produtividade mais baixa. Esses pomares não são rentáveis, e isso é uma realidade", garantiu Lohbauer.

Entretanto, o setor produtivo já encontrou uma saída para minimizar essa perda de competitividade da cultura, que sofre também com a alta incidência de pragas e problemas climáticos. Trata-se de uma migração para a região sul do estado.

A região central do estado que detém a maior parte da produção paulista com 134 milhões de caixas, registrou uma queda de 0,4% no número de árvores produtivas desde 2005 até o ano passado. Na região noroeste a queda foi de 8% e a Norte 16%. Já a região de "Castelo", o incremento nesses cinco anos no número de árvores foi de 89%, passando de 21 milhões em 2005 para pouco mais de 40 milhões no ano passado. "Nessas regiões os preços das terras eram mais baratas, e a incidência de pragas é muito menor, principalmente o greening, que ataca com maior eficácia em regiões menos úmidas", descreveu o diretor da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gastão Crocco.

Apesar dos benefícios, Flávio Viegas, presidente da Associação Brasileira dos Citricultores (Associtrus), destacou que o alto índice de umidade também atraí outras doenças, como o cancro cítrico. "Existe realmente esse movimento em busca de novas áreas, terras mais baratas, clima um pouco mais favorável, e a fuga de algumas doenças que existem no norte. Entretanto, o sul possui suas próprias pragas", ressaltou.

Outro problema que essa migração pode gerar é o custo da logística, já que a nova região não possui nenhuma industria para o processamento de laranja. Segundo o presidente da CitrusBR, se a produção está se deslocando, as indústrias também precisam seguir esse trajeto. "Essa mudança é necessária para as fabricas, pois senão os custos que ficariam mais baratos na produção, encarecem no transporte. Entretanto, não existe nenhum plano para a criação de fábricas novas, pelo contrário temos plantas fechando como a Citrosuco que fechou uma unidade em 2009", disse.

Crocco, que também possuí uma fazenda de laranja na região central do estado, atestou: "Minha produtividade na unidade da região sul é muito maior que esta".


DCI - Diário do Comércio & Indústria

domingo, 18 de setembro de 2011

Prejuízo de US$ 2,3 bilhões no UBS

O banco suíço UBS elevou neste domingo (18) para US$ 2,3 bilhões o prejuízo com operações não autorizadas com ações e alegou que um operador ocultou seus acordos de risco ao criar posições de hedge fictícias em sistemas internos.
O UBS preocupou os mercados na quinta-feira após anunciar que havia perdido com operações não autorizadas cerca de US$ 2 bilhões.
"O prejuízo é decorrente de operações especulativas não autorizadas em vários índices futuros do S&P 500, DAX e EuroStoxx nos últimos três meses" , afirmou o UBS em curto comunicado. "O prejuízo total é de US$ 2,3 bilhões. Conforme anteriormente divulgado, nenhuma posição de clientes foi afetada".
O presidente-executivo do banco, Oswald Gruebel, que voltou da licença em 2009, disse neste domingo não estar considerando deixar o cargo por conta da crise, mas afirmou que essa é uma decisão do conselho, segundo reportou um jornal.
Num memorando aos funcionários divulgado neste domingo, ele disse: 'Em último caso, é minha responsabilidade. Eu e os demais gestores sêniores somos responsáveis por reparar erros.'
Corretor suspeito
Na sexta-feira, o corretor Kweku Adoboli, suspeito de ter provocado a fraude que resultou em prejuízo bilionário para o banco suíço UBS, foi ouvido pela Justiça britânica.
A porta-voz da Polícia da City (centro financeiro da capital inglesa) de Londres afirmou que Adoboli, de 31 anos, foi acusado de "abuso de posição e fraude contábil". Ele deve permanecer detido até a próxima semana, quando será ouvido novamente. Adoboli não chegou a apresentar sua versão dos fatos, e falou apenas para confirmar seu nome, data de nascimento e endereço, de acordo com os jornais locais.
O corretor trabalhava com produtos financeiros complexos, no departamento de ETF ("Exchange Traded Funds", fundos cotados na bolsa que se comportam como ações), no setor de ações europeias.

sábado, 17 de setembro de 2011

FMI ainda vê superaquecimento em emergentes O Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda vê superaquecimento em economias emergentes, segundo a diretora-gerente do organismo, Christine Lagarde, no seu primeiro grande pronunciamento em Washington desde que assumiu o cargo, em julho."Muitas economias emergentes estão enfrentando aquecimento em demasia - pressões inflacionárias, forte crescimento do crédito, crescentes déficits em conta corrente", disse Lagarde no Wilson Center, um influente centro de estudos em Washington, segundo discurso distribuído pelo FMI.Lagarde não deixa claro quais são esses países emergentes que ainda enfrentam superaquecimento da economia. O Brasil subiu juros até julho passado para conter pressões inflacionárias, mas começou a cortar a taxa em agosto, surpreendendo analistas econômicos do mercado. Para o BC, os sinais de desaquecimento da economia mundial devem contribuir para recolocar a inflação na trajetória das metas.Em entrevista a um grupo restrito de jornalistas nesta semana, incluindo o Valor, Lagarde disse que as economias emergentes continuam a apresentar crescimento econômico robusto, com alguma desaceleração, em virtude da má performance dos países avançados. Ela disse que alguns países emergentes cortam os juros porque são obrigados a fazer escolhas entre combater a inflação e conter fluxos de capitais.No seu discurso ontem, Lagarde alertou que nenhum país está imune a uma eventual desaceleração das economias avançadas. "No nosso mundo interconectado, qualquer pensamento sobre descolamento é uma miragem", disse Lagarde. "Se as economias avançadas sucumbirem, os mercados emergentes não vão escapar." "Exatamente três anos depois do colapso do Lehman Brothers, o horizonte econômico se torna problemático e turbulento, com a desaleceração da atividade global e riscos de retrocesso", afirma a Lagarde, referindo-se ao aniversário da queda do banco Lehman Brothers, o marco do início da atual crise mundial. "O crescimento global continua, mas está se desacelerando", sustenta. "Sem ações coletivas, arrojadas, existe o risco real de as principais economias recuarem em vez de se moverem adiante."Lagarde afirmou que existem três grupos de problemas que merecem a atenção. Primeiro, o chamado ajuste de balanços. Com altas dívidas, pessoas, empresas e até governos estão deixando de investir e consumir, jogando a demanda agregada para baixo. O segundo problema apontado por Lagarde é o risco de instabilidades financeiras nas economias avançadas, como países da Europa, que podem se espalhar para o mundo. Terceiro problema: tensões sociais causadas por alto desemprego, ajustes fiscais que cortam a proteção social das famílias e percepção de que, nesta crise, o setor financeiro está sendo beneficiado com prejuízo ao setor real das economiasLagarde diz que países avançados precisam de planos críveis de ajuste fiscal de médio prazo. Mas pondera: "Consolidação muito rápida poderá prejudicar a recuperação econômica e prejudicar as perpectivas de empregos."

FMI ainda vê superaquecimento em emergentes O Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda vê superaquecimento em economias emergentes, segundo a diretora-gerente do organismo, Christine Lagarde, no seu primeiro grande pronunciamento em Washington desde que assumiu o cargo, em julho."Muitas economias emergentes estão enfrentando aquecimento em demasia - pressões inflacionárias, forte crescimento do crédito, crescentes déficits em conta corrente", disse Lagarde no Wilson Center, um influente centro de estudos em Washington, segundo discurso distribuído pelo FMI.Lagarde não deixa claro quais são esses países emergentes que ainda enfrentam superaquecimento da economia. O Brasil subiu juros até julho passado para conter pressões inflacionárias, mas começou a cortar a taxa em agosto, surpreendendo analistas econômicos do mercado. Para o BC, os sinais de desaquecimento da economia mundial devem contribuir para recolocar a inflação na trajetória das metas.Em entrevista a um grupo restrito de jornalistas nesta semana, incluindo o Valor, Lagarde disse que as economias emergentes continuam a apresentar crescimento econômico robusto, com alguma desaceleração, em virtude da má performance dos países avançados. Ela disse que alguns países emergentes cortam os juros porque são obrigados a fazer escolhas entre combater a inflação e conter fluxos de capitais.No seu discurso ontem, Lagarde alertou que nenhum país está imune a uma eventual desaceleração das economias avançadas. "No nosso mundo interconectado, qualquer pensamento sobre descolamento é uma miragem", disse Lagarde. "Se as economias avançadas sucumbirem, os mercados emergentes não vão escapar." "Exatamente três anos depois do colapso do Lehman Brothers, o horizonte econômico se torna problemático e turbulento, com a desaleceração da atividade global e riscos de retrocesso", afirma a Lagarde, referindo-se ao aniversário da queda do banco Lehman Brothers, o marco do início da atual crise mundial. "O crescimento global continua, mas está se desacelerando", sustenta. "Sem ações coletivas, arrojadas, existe o risco real de as principais economias recuarem em vez de se moverem adiante."Lagarde afirmou que existem três grupos de problemas que merecem a atenção. Primeiro, o chamado ajuste de balanços. Com altas dívidas, pessoas, empresas e até governos estão deixando de investir e consumir, jogando a demanda agregada para baixo. O segundo problema apontado por Lagarde é o risco de instabilidades financeiras nas economias avançadas, como países da Europa, que podem se espalhar para o mundo. Terceiro problema: tensões sociais causadas por alto desemprego, ajustes fiscais que cortam a proteção social das famílias e percepção de que, nesta crise, o setor financeiro está sendo beneficiado com prejuízo ao setor real das economiasLagarde diz que países avançados precisam de planos críveis de ajuste fiscal de médio prazo. Mas pondera: "Consolidação muito rápida poderá prejudicar a recuperação econômica e prejudicar as perpectivas de empregos."O Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda vê superaquecimento em economias emergentes, segundo a diretora-gerente do organismo, Christine Lagarde, no seu primeiro grande pronunciamento em Washington desde que assumiu o cargo, em julho."Muitas economias emergentes estão enfrentando aquecimento em demasia - pressões inflacionárias, forte crescimento do crédito, crescentes déficits em conta corrente", disse Lagarde no Wilson Center, um influente centro de estudos em Washington, segundo discurso distribuído pelo FMI.Lagarde não deixa claro quais são esses países emergentes que ainda enfrentam superaquecimento da economia. O Brasil subiu juros até julho passado para conter pressões inflacionárias, mas começou a cortar a taxa em agosto, surpreendendo analistas econômicos do mercado. Para o BC, os sinais de desaquecimento da economia mundial devem contribuir para recolocar a inflação na trajetória das metas.Em entrevista a um grupo restrito de jornalistas nesta semana, incluindo o Valor, Lagarde disse que as economias emergentes continuam a apresentar crescimento econômico robusto, com alguma desaceleração, em virtude da má performance dos países avançados. Ela disse que alguns países emergentes cortam os juros porque são obrigados a fazer escolhas entre combater a inflação e conter fluxos de capitais.No seu discurso ontem, Lagarde alertou que nenhum país está imune a uma eventual desaceleração das economias avançadas. "No nosso mundo interconectado, qualquer pensamento sobre descolamento é uma miragem", disse Lagarde. "Se as economias avançadas sucumbirem, os mercados emergentes não vão escapar." "Exatamente três anos depois do colapso do Lehman Brothers, o horizonte econômico se torna problemático e turbulento, com a desaleceração da atividade global e riscos de retrocesso", afirma a Lagarde, referindo-se ao aniversário da queda do banco Lehman Brothers, o marco do início da atual crise mundial. "O crescimento global continua, mas está se desacelerando", sustenta. "Sem ações coletivas, arrojadas, existe o risco real de as principais economias recuarem em vez de se moverem adiante."Lagarde afirmou que existem três grupos de problemas que merecem a atenção. Primeiro, o chamado ajuste de balanços. Com altas dívidas, pessoas, empresas e até governos estão deixando de investir e consumir, jogando a demanda agregada para baixo. O segundo problema apontado por Lagarde é o risco de instabilidades financeiras nas economias avançadas, como países da Europa, que podem se espalhar para o mundo. Terceiro problema: tensões sociais causadas por alto desemprego, ajustes fiscais que cortam a proteção social das famílias e percepção de que, nesta crise, o setor financeiro está sendo beneficiado com prejuízo ao setor real das economiasLagarde diz que países avançados precisam de planos críveis de ajuste fiscal de médio prazo. Mas pondera: "Consolidação muito rápida poderá prejudicar a recuperação econômica e prejudicar as perpectivas de empregos."

Uniformizar a florada, melhorar os lucros

Uniformizar a florada e a maturação dos cafeeiros no Cerrado a fim de aumentar a qualidade e a produtividade do produto na região. Com esse objetivo, após ficar 72 dias submetida ao processo de estresse hídrico, ou seja, sem irrigação no auge do período de seca no Cerrado, a plantação de café irrigado localizada no campo experimental da Embrapa Cerrados, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esteve nesta sexta-feira (16) no auge da sua floração.

“Suspendemos a irrigação em 24 de junho e retomamos no dia 4 de setembro. De dez a 14 dias depois, a floração ocorre de maneira uniforme. Dessa forma, os grãos cereja (que possuem maior valor no mercado) aparecem ao mesmo tempo, o que aumenta a qualidade do café”, explica o pesquisador da Embrapa Cerrados, Antônio Guerra. Segundo ele, com essa tecnologia é registrado um aumento de produtividade em torno de 15%, devido ao melhor enchimento de grãos e redução dos defeituosos. “E quando se trata de qualidade, o ganho é ainda maior. O aumento de frutos cereja passa de 35%, sem a utilização da tecnologia, para 85%. Isso proporciona uma melhor qualidade do produto, tanto no aspecto físico, quanto na qualidade da bebida”.

De acordo com o pesquisador, esse trabalho de pesquisa foi iniciado com o objetivo de estudar as melhores formas de utilização do período seco da região em benefício da cafeicultura. A orientação anterior era de que o café deveria ser irrigado durante todo o ano, isso fazia com que a produção de frutos fosse desuniforme. “Com a paralisação da irrigação, o desenvolvimento das gemas é sincronizado. Assim, quando a irrigação é reiniciada, a floração ocorre ao mesmo tempo”.

Além dos ganhos em qualidade e produtividade, o pesquisador enfatiza que se trata de uma tecnologia de custo negativo. “A economia de água e energia na irrigação chega a 35%. E o produtor deixa de usar a água justamente no momento em que ela está sendo mais exigida por outras culturas, por conta do período da seca”. Além disso, ele explica que o custo de produção também é reduzido, já que a colheita do café é feita uma única vez. “A redução do número de horas/máquina é de cerca de 40%”.

Essa tecnologia obtida a partir das pesquisas sobre o uso na cafeicultura irrigada de estresse hídrico para uniformização da florada e da maturação dos grãos já está sendo validada em unidades montadas em fazendas localizadas na Bahia, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, além do Distrito Federal. “Já são onze anos de pesquisas. Mais de 100 unidades de validação foram conduzidas. Esse pacote tecnológico já está no forno”, conta.


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Redação:
Juliana Caldas (4861/14/90/DF)
Jornalista da Embrapa Cerrados
juliana.caldas@cpac.embrapa.br
(61) 3388 9945

A DESCULPA QUE FALTAVA

A DESCULPA QUE FALTAVA
O mercado de açúcar em NY fechou a semana com baixa de 34 dólares por tonelada, com o outubro mergulhando para 27,52 centavos de dólar por libra-peso uma queda que se alastrou para os demais meses de vencimento. Os preços médios da safra 2012/2013 caíram 13 dólares por tonelada e os da safra seguinte 2,50 dólares por tonelada. Só um detalhe: há duas semanas o mercado fechara a 29,18 centavos de dólar por libra-peso e o dólar a 1,6360 e na última sexta, 27,52 e 1,7320, respectivamente, rigorosamente iguais em reais. Preocupações no cenário econômico mundial derramam um caminhão de melancias na área comercial com incertezas de toda matiz: culpe a decepcionante entrega de açúcar branco em Londres, ou rumores não confirmados de uma possível liquidação de posição comprada em açúcar de um banco europeu, e o desencadeador principal: o número de safra do Centro Sul divulgado pela Canaplan (que não mexeu no total de cana produzida, mas alterou o mix de produção reduzindo o etanol e aumentando a disponibilidade de açúcar em 1,5 milhão de toneladas). Note que engraçado: o número de cana moída não mudou, os vasos são comunicantes. A cana não se reproduz por biogênese! Ou seja, o mercado precisava de uma boa desculpa para realizar. Pronto, encontrou! Os níveis atuais se constituem em oportunidade de compra. Alguém duvida? O vencimento das opções de outubro na última quinta foi um evento pálido. Nada ocorreu de interessante. Quem vendeu volatilidade ao longo do tempo (venda de opções pura neutralizando o risco direcional com futuros) ganhou dinheiro. O pessoal da inteligência de mercado da maioria das empresas começa a reduzir o tal superávit mundial de açúcar de que se falava tanto há algumas semanas. Algumas reduções foram de tirar o fôlego. De qualquer maneira, a queda na semana fez os consumidores industriais aproveitarem para fixar preço de matéria prima. De volta ao básico, a questão é a seguinte: é evidente que o mercado internacional de açúcar cedo ou tarde iria corrigir preços, mas uma análise mais criteriosa remete à situação de oferta limitada que teremos por parte do Brasil nos próximos anos em função da falta de investimentos e do aumento do potencial de consumo de combustível via aumento de frota.O hidratado, por exemplo, pelo modelo da Archer Consulting tem consumo projetado para crescer 65% em cinco anos sobre o nível de consumo atual. Cadê a cana pra isso? Esse aumento acima, contempla que a frota brasileira crescerá em média 4% nos próximos 5 anos. Se reduzirmos o crescimento para 2% apenas, nosso consumo de hidratado chegaria a 30 bilhões de litros em 2015. Tem muito chão até 2015 e muita coisa pode acontecer. Com a temerosa ressurreição do intervencionismo estatal brasileiro, corremos o risco de ver o setor no longo prazo voltando ao açúcar e usando etanol (anidro) apenas como mistura. Um trader que transita pela região da Paulista observa que hoje está “mais competitivo expandir beterraba na Rússia a cana no Brasil” e que “a inflação de custos no Brasil viabiliza outros produtores”. Aliás, o economista Jose Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, tem batido insistentemente nessa tecla em recentes artigos. Por outro lado, o racional é que novos investimentos aqui ou lá fora, ocorrerão desde que o mercado internacional de açúcar esteja remunerando acima dos 20 centavos de dólar por libra-peso. É nessa vizinhança de preços que mora o conforto. Alguém aí tem coragem de ficar vendido 2012/2013 ou mesmo 2013/2014 abaixo desse nível? Nem por brincadeira. Vender puts (opções de venda) próximas do preço de custo ao longo dessa curva pode ser uma boa estratégia para os consumidores industriais de açúcar. Apenas para checar os números: o modelo da Archer Consulting estima que as fixações de açúcar para a safra 2011/2012 ficaram na média em 24,26 centavos de dólar por libra-peso. O volume fixado da safra é estimado em 94%. Nos últimos 12 meses o acumulado de exportação de açúcar do Brasil (setembro/2010 até agosto/2011) é de 27,15 milhões de toneladas que renderam US$ 14,48 bilhões (preço médio de 23,26 centavos de dólar por libra-peso). No mesmo período, exportamos 1,847 bilhão de litros de etanol arrecadando US$ 1,169 bilhão (US$ 0,639 por litro). Segundo um trader de etanol, o Brasil está apenas fazendo um swap, importando anidro, especificação Brasil e exportando hidratado e industrial 1,4 bilhão de litros. Correção: no comentário da semana passada, dissemos que o retorno do hidratado era de “apenas 1,82% sobre o custo de produção, sem considerar o custo financeiro”. Erramos. O correto seria “considerando o custo financeiro”. A margem sem custo financeiro está acima de 15%. A Top Hint Soluções, parceira da Archer Consulting para softwares avançados de gestão de risco, está disponibilizando gratuitamente para os leitores deste relatório um aplicativo para o cálculo de prêmio de opções e das gregas, muito fácil de usar. Para acessá-lo basta clicar no seguinte link: http://www.tophint.com.br/tophintarcher/ths_bs_calc.html O Fundo administrado pela Archer Consulting, que esperamos disponibilizar para mais investidores num futuro próximo, com a expiração das opções de outubro, atingiu uma rentabilidade líquida para o investidor de 119,0772% ao ano em pouco menos de seis meses de existência. Bons negócios e um excelente final de semana para todos. Arnaldo Luiz Corrêa

Em sessão volátil, café encerra estável na ICE Futures US 16/09/2011

Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta sexta-feira próximos da estabilidade, depois de uma considerável volatilidade ao longo de boa parte do dia, com a posição dezembro chegando a flutuar próxima de 255,00 centavos, em mais uma tentativa dos baixistas em ampliar as perdas que vêm se sucedendo há alguns dias. O mercado operou baseado em aspectos nitidamente técnicos, com vários players ainda demonstrando cautela diante das operações de maior risco, como é o caso das commodities agrícolas. Apesar de o segmento acionário ter conseguido fechar a semana sem maiores sobressaltos, o segmento de matérias-primas continuou a sofrer com a saída de vários participantes, que buscam alternativas mais seguras. Assim como o café, o petróleo e parte dos grãos tiveram uma semana de pressão, o que refletiu também no índice CRB, que finalizou a sexta-feira contabilizando baixa de 0,83%. Graficamente, o café continua a demonstrar uma tendência baixista, com os fechamentos recentes se dando em níveis inferiores às médias móveis mais significativas, como de 20 ou 40 dias. Operadores trabalham com a continuidade de um cenário vendedor técnico, apesar de a configuração sobrecomprada que vinha acompanhando os contratos já não mais existir e, pelo contrário, já se começar os cálculos para avaliar um contexto só revendido. Para alguns operadores, a possibilidade de os ganhos voltarem a se mostrar está atrelada apenas a questão climática, como a manutenção da forte seca no Brasil por um período mais prolongado, a retomada das fortes chuvas na Colômbia ou mesmo a passagem de alguma tormenta pela América Central. No encerramento do dia, o dezembro em Nova Iorque teve queda de 15 pontos com 260,40 centavos, sendo a máxima em 264,75 e a mínima em 255,10 centavos por libra, com o março registrando estabilidade, com a libra a 263,25 centavos, sendo a máxima em 267,35 e a mínima em 258,00 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição novembro registrou alta de 61 dólares, com 2.109 dólares por tonelada, com o janeiro tendo valorização de 61 dólares, com 2.135 dólares por tonelada. De acordo com analistas internacionais, o dia foi caracterizado pela volatilidade. A abertura se deu no nível de 260,00 centavos e alguns players tentaram puxar alguns ganhos mais expressivos, no entanto, ao falhar, mais uma vez, em romper os 265,00 centavos, os bullishs (altistas) abriram espaço para novas liquidações. O dezembro chegou próximo da resistência de 255,00 centavos, mas nesse nível especuladores e torrefadores estiveram ativos no lado comprador. "Após as perdas consideráveis dos últimos dias, a expectativa era de que tivéssemos uma nova ampliação das perdas. Nas baixias, porém, encontramos alguns compradores, o que deu algum suporte para ao menos estabilizarmos as ações. A tendência para o curto prazo é baixista e deveremos buscar os 250,00, 249,80 e 245,80 cents", disse um trader. "Por mais factóides que lancem no mercado, tentando convencer os operadores que a situação caminha para a normalidade e o pior já passou, a verdade é que o quadro é de muito aperto. A agricultura brasileira evoluiu tecnologicamente e se diversificou nos últimos 30 anos, abrindo alternativas lucrativas e menos arriscadas que a cafeicultura. Os produtores de café não parecem dispostos a ampliar sua produção e em sua maioria apostam na diversificação, ainda mais quando ouvem que o patamar de preços atual do café é irreal e deve ceder daqui para frente", indicou o Escritório Carvalhaes, em seu comentário semanal. As exportações de café do Brasil em setembro, até o dia 15, somaram 939.755 sacas, contra 1.051.975 sacas registradas no mesmo período de agosto, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 40 sacas, indo para 1.446.273 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 20.276 lotes, com as opções tendo 6.109 calls e 2.848 puts. Tecnicamente, o setembro na ICE Futures US tem uma resistência em 264,75, 264,90-265,00, 265,50, 266,00, 266,50, 267,00, 267,50, 268,00, 268,50, 269,00, 269,50 e 269,90-270,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 255,10-255,00, 254,50, 254,00, 253,50, 253,00, 252,50, 252,00, 251,50, 251,00, 250,50, 250,10-250,00 e 249,50 centavos por libra.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

BCs socorrem bancos. Há de se comemorar?

BCs socorrem bancos. Há de se comemorar?
Eduardo Campos
E não é que o aniversário de três anos da crise teve até bolo! Uma pilha de dólares liberada pelo Banco Central Europeu (BCE), Federal Reserve (Fed), banco central americano, Banco da Inglaterra (BoE) e Banco Nacional da Suíça.A reação dos mercados foi positiva. Afinal, há semanas a liquidez na zona do euro vinha rareando, elevando taxas no interbancário e aumento a preocupação com o risco sistêmico. Mas o fato é que a crise continua lá. A questão, novamente, não é falta de dinheiro, mas sim falta de crescimento. O problema é de solvência.Profecia de Milton Friedman parece tomar forma Interessante notar que ao contrário de 2008, os BCs não esperaram algum banco ir para o buraco para abrirem as torneiras. De fato, os leilões de liquidez foram a primeira ação tomada após a implosão do Lehman Brothers.Outro ponto interessante, segundo o sócio da Teórica Investimentos, Rogério Freitas, é que os personagens por trás da ação são os mesmos. Ben Bernanke, Trichet, Tim Geithner. E eles parecem estar rezando a mesma cartilha, só que com um passo de antecedência."Fazer as mesmas coisas enxergando o quadro atual como em 2008 não vai resolver o problema. O receituário não funcionou em 2008 e não vai adiantar agora", diz Freitas.Tal postura das autoridades monetárias denota duas coisas: falta de criatividade e/ou esgotamento de ferramentas para responder às inseguranças do mercado. Há de se lembrar, também, a questão do risco moral. A cada ação dessas parece piscar a frase: "bancos façam o que bem entendam. Todo mundo aqui é "too big to fail", nos vamos salvar vocês".Os desafios são bem semelhantes, mas a grande diferença entre 2008 e 2011 é que o epicentro da crise não está nos Estados Unidos, mas sim a zona do euro. Isso implica no fato de que não existe um Tesouro único, um Estado único, uma legislação única, um centro unilateral de tomada de decisão.A zona do euro é um condomínio com estatuto incompleto.A tomada de decisão é morosa e para piorar o quadro, as questões políticas permeiam toda e qualquer discussão, conforme cresce a insatisfação popular com esse "casamento" europeu. Nesta semana teve até protesto contra o euro em frente ao BCE em Frankfurt, Alemanha. Fato inédito.Segundo Freitas, talvez essa seja a oportunidade para a zona do euro completar a sua integração. Quem sabe surja um Tesouro único, capaz de amarrar a questão fiscal, com o gerenciamento de dívidas.A questão para essa "unificação completa" é o custo. A conta ainda está sobre a mesa e alguém tem de pagar. "O ponto é como será dividida essa conta. Tem gente devendo muito e que não consegue pagar. Por ora, o alemão vem pagando todas as contas, mas isso já está gerando uma série de questionamentos", explica.Ainda na visão de Freitas, o cenário mais provável continua sendo a saída de alguns membros da zona do euro com a recomposição de moedas nacionais (importante variável de ajuste) e socorre a bancos.A grande pergunta é como toda essa situação vai bater na economia real, se esse problema pode levar a zona do euro e os EUA a uma recessão. Algo que invariavelmente chegaria aos mercados emergentes. "Isso ainda não está no preço. Essa é a grande questão na tomada de decisões de investimento", conclui Freitas.No fim dos anos 90, duas avaliações sobre o euro feitas por ganhadores de prêmio Nobel se notabilizaram pela divergência. De um lado Robert Mundell apontava que estavam atendidas, na Europa, as condições técnicas para a formação de uma "optimum currency area". De forma simplificada, estavam reunidos os quesitos para a moeda única, teoria advogada pelo próprio Mundell.No outro lado do balcão estava ninguém menos que Milton Friedman, que falou que o euro seria realmente testado pela primeira grande recessão mundial. Pouco depois, em 2002, Friedman foi taxativo ao dizer que o euro entraria em colapso dentro de cinco a 15 anos. Para Friedman, ao se estabelecer a moeda comum entre diferentes países é jogado fora um importante mecanismo de ajuste a choques econômicos. Por ora, há de se admitir que a profecia de Friedman está se mostrando correta.Passando para o mercado local, o dólar encerrou a sequência de alta ante o real que durava dez pregões.A moeda fechou o dia com baixa de 0,87%, a R$ 1,709 na venda. Mas ainda tem um longo caminho para devolver o ganho de 8,5% visto em dez dias.
Eduardo Campos