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quinta-feira, 26 de maio de 2011

O governo não desistiu do câmbio

O governo não desistiu do câmbio

Com a aceleração inflacionária recente na América Latina e na Ásia, tem sido
comum a leitura de que os governos deixarão o câmbio se apreciar, compensando
parte dos efeitos das altas de preços de commodities. A lógica desse argumento
é que os políticos estariam menos sensíveis aos impactos negativos da
apreciação cambial sobre a competitividade do país em virtude da necessidade de
se combater um inimigo mais importante, a inflação.
O mesmo raciocínio tem sido aplicado ao Brasil. Há um quase consenso no mercado
financeiro de que a política cambial permitirá taxas mais apreciadas a partir
de agora. De fato, a presidente Dilma Rousseff tem afirmado publicamente a
prioridade do combate à inflação.
Do ponto de vista econômico faz sentido apostar em uma mudança de estratégia da
política cambial. Não apenas o câmbio reduz as pressões inflacionárias, mas os
fundamentos econômicos sugerem um real forte. A liquidez global, os preços de
commodities, o risco econômico e os diferenciais de juros e crescimento abrem
espaço para uma moeda mais apreciada.
Além disso, em um contexto de necessidade de financiamento externo com
incerteza global, medidas mais fortes de controle de capital são arriscadas.
Uma alta nos juros internacionais ou um aumento da aversão ao risco global
podem diminuir a atratividade da economia brasileira e elevar o risco do
financiamento do déficit em conta corrente. Da mesma forma, os custos fiscais
da manutenção de reservas internacionais elevadas não são desprezíveis. Sem
soluções extremas, o arsenal e a eficácia de medidas se esgotam com o tempo: os
mercados antecipam fluxos e passam a atribuir maior peso aos fundamentos que à
capacidade de intervenção do governo.
A democracia brasileira ensina que as condições de renda são centrais para
explicar os níveis de aprovação do governo
Politicamente, no entanto, é prematuro supor que a luta contra o câmbio
apreciado e a estratégia intervencionista tenham chegado ao limite. Há vários
indícios de que o "DNA" deste governo o torna sensível ao câmbio. A indústria
brasileira, que já vem sendo pesadamente penalizada pelas baixas condições de
competitividade sistêmica do país, assiste a uma queda importante na
rentabilidade de suas exportações. Diferentemente do agronegócio, os preços
internacionais não são favoráveis. O setor industrial, além disso, percebe um
aumento da competição local com o aumento das importações. Os temas da
desindustrialização e da doença holandesa, ainda que inconclusos, são cada vez
mais populares dentro e fora do governo.
Além da preocupação com a competitividade, o Banco Central tem seguido um
debate internacional e defendido a tese de que o controle cambial atende a
demandas prudenciais: ingressos excessivos de capitais tornam câmbio e crédito
vulneráveis a mudanças de humor externas, podendo gerar impactos indesejados
sobre o crescimento.
Desse modo, embora a inflação tenha mudado o discurso oficial, é cedo para
dizer que as preocupações com o crescimento e a indústria já estejam em segundo
plano. Mesmo que se tenha deixado de defender um patamar específico para a taxa
de câmbio, dificilmente se desistiu da luta contra o real forte em nome do
combate à inflação. O receio de se adotar medidas mais drásticas de controle de
capital diante de um cenário externo incerto pode ter convencido o governo a
aceitar, momentaneamente, um câmbio mais apreciado. Isso é diferente de dizer
que a política cambial foi alterada de forma coerente, em nome do combate à
inflação.
Um bom exemplo da falta de consenso dentro do governo sobre o tema cambial é o
fato de o Ministério da Fazenda e o BNDES continuarem propondo medidas para
conter a apreciação da moeda mesmo com a inflação já tendo se transformado em
tema popular.
Novas ações no câmbio, no entanto, dependem tanto do comportamento da moeda
quanto do desempenho da popularidade do governo. A democracia brasileira,
refletindo a experiência internacional, tem ensinado que as condições de renda
são centrais para explicar os níveis de aprovação do governo. Com o mercado de
trabalho aquecido, o aumento da ocupação tem compensado, até agora, a corrosão
inflacionária dos salários, preservando o crescimento da renda real. Com isso,
a presidente ainda reúne capital político suficiente para aceitar taxas mais
elevadas de inflação, permitindo uma postura intermediária entre os incentivos
políticos e econômicos. Por um lado, procura controlar o câmbio nominal e
atende a demandas localizadas. De outro, aceita uma inflação mais elevada e
conduz a uma apreciação em termos reais silenciosa, disfarçada e politicamente
palatável.
Para que haja uma guinada na política cambial e se aceite a livre apreciação da
moeda, seria preciso que a inflação corroesse de modo relevante o poder
aquisitivo da população e a popularidade do governo. Não parece ser o caso
ainda.
A tese de que o pior já passou vem ganhando adeptos e reduzindo o senso de
urgência no combate à inflação. Da mesma forma, dificilmente a aprovação do
governo sofrerá queda mais aguda. Com isso, a "calmaria" na questão cambial
pode ter sido algo temporário. O governo não desistiu do câmbio.
Christopher Garman, diretor para a América Latina do Eurasia Group
Roberto Padovani, mestre em Economia, é economista do Banco WestLB AG

EUA continuam vulneráveis a novas crises, diz Barnett

EUA continuam vulneráveis a novas crises, diz Barnett

A grande flexibilidade da economia americana deve levar os Estados Unidos a se
recuperar da crise e superar a estagnação, mas o país continua vulnerável aos
mesmos problemas que levaram à enorme turbulência de 2008, adverte o professor
William Barnett, da Universidade de Kansas. Para ele, o uso de estatísticas
monetárias de má qualidade pelo Federal Reserve (Fed, o banco central
americano) levou tanto o setor privado quanto o próprio Fed a tomarem decisões
com base em informações inadequadas, o motivo decisivo, segundo ele, para a
eclosão da crise, e um problema que segue presente. "As causas reais da crise
não foram adequadamente enfrentadas", diz Barnett, que falou ao Valor por
e-mail.
"Os meus dados mostram que o crescimento das taxas de agregados monetários
antes da crise eram muito maiores do que os números do Fed indicavam. Como
resultado, a política do Fed alimentava as bolhas sem que o conselho do banco
soubesse disso", afirma Barnett, que critica o uso pelos bancos centrais da
soma simples de agregados monetários - o mais adequado, segundo ele, é utilizar
um indicador que leve em conta a evolução ponderada da taxa de crescimento
desses agregados (que vão do papel moeda em circulação e os depósitos à vista
até os títulos da dívida pública e alguns títulos privados).
Barnett era um dos principais convidados do seminário "Avanços na
macroeconomia", que ocorrerá de hoje a sábado no Rio de Janeiro, em comemoração
aos 50 anos da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getúlio
Vargas (FGV). Mas, ele desistiu da viagem já que não conseguiria chegar a tempo
ao Rio, porque tornados fecharam aeroportos nos EUA. Para Barnett, a combinação
de política monetária muito frouxa e desregulação do sistema financeiro de fato
contribuiu para a eclosão da crise, como defendem muitos analistas, mas a fonte
mais profunda dos problemas é a questão do mau uso de dados monetários.
O economista observa que, nos anos que levaram a crise, "a complexidade
financeira aumentou dramaticamente como resultado de inovações como os swaps de
default de crédito (CDS, na sigla em inglês)". Nesse quadro, era fundamental
ter mais informações, e de melhor qualidade. "Mas, em vez disso, a quantidade e
a qualidade dos dados provenientes do Fed pioraram. Uma economia privada e
descentralizada não pode operar adequadamente sem que os agentes sejam bem
informados. A necessidade de informação aumentou, mas a disponibilidade e
qualidade da informação diminuiu."
Dada a capacidade de reação da economia americana a choques adversos, Barnett
diz esperar a recuperação dos EUA, que ainda mostra uma atividade econômica
hesitante. O setor privado, acredita ele, tem hoje um entendimento mais claro
dos riscos na economia. "Ninguém mais acredita nos mitos sobre como os bancos
domaram permanentemente o ciclo de negócios." Apesar disso, a economia
americana deverá continuar vulnerável aos mesmos problemas de antes,
resultantes de um setor privado informado de modo inadequado, num ambiente
econômico cada vez mais complexo, adverte o economista, que por oito anos
trabalhou na divisão de estudos especiais do Fed.
Barnett mostra ceticismo quanto à política de afrouxamento quantitativo
promovida pelo Fed, marcada pela compra maciça de títulos públicos e privados.
"O chamado afrouxamento quantitativo levou a um enorme aumento das reservas
bancárias acumuladas pelos bancos e não emprestadas. Como o Fed paga juros
sobre elas, por que os bancos deveriam assumir o risco de fazer empréstimos?",
pergunta ele, para quem é "irrelevante" se o Fed continua ou não com a segunda
rodada do afrouxamenteo quantitativo. "Com ele ou sem ele, diz Barnett, o Fed
está olhando em todas os lugares errados em busca de indicadores para definir
sua política. "Os meus dados sugerem que, uma vez que a crise financeira
começou, a política do Fed se tornou extremamente restritiva, tornando desse
modo a recessão na 'Grande Recessão'."
Barnett combate a tendência de se buscar bodes expiatórios que surgiu depois da
crise. Para ele, a questão é que as pessoas tomaram decisões com base em
informações inadequadas, de má qualidade.

DJ Vietnam's 2011-12 Coffee Output May Rise 10%, Weigh On Prices

DJ Vietnam's 2011-12 Coffee Output May Rise 10%, Weigh On Prices

Coffee output in top robusta producer Vietnam may
exceed 20 million 60-kilogram bags in the 2011-12 crop year, rising as much as
10%, mostly due to favourable weather conditions and better farming practices,
trading executives said Thursday.
A better crop in Vietnam may ease global robusta prices, which hit a
three-year high in March on expectations of a global deficit this year as
demand outpaces supply.
The coffee crop year runs from October to September.
Global coffee bean output in 2010-11 is estimated at 133 million bags, up
8.1%, while demand is expected to rise to 134 million bags, up 2.4%,
International Coffee Organisation said in a monthly coffee market report last
month.
Rains arrived in April at Daklak, a major coffee growing province, compared
with June last year, and will likely aid crop flowering, said a trading
executive in Ho Chi Minh City.
Farmers are adopting yield-enhancing measures to take advantage of high
prices, said a second trading executive in Ho Chi Minh City.
Domestic prices are hovering near record highs at VND51,400/kg as very little
coffee is available amid firm demand from roasters, said a trading executive
based in Daklak. "Whatever's available is mostly with wealthier farmers and is
estimated to be less than 10% of the current harvest."
Exports are likely to dip in the next few months, but domestic prices may
ease once the new crop hits the market, the executives said.
Vietnam exported 1.83 million bags of coffee in May, down 12.7% from a month
ago, the General Statistics Office said Wednesday.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Café na ICE se distancia de suporte e tem dia de bons ganhos

Café na ICE se distancia de suporte e tem dia de bons ganhos

Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quarta-feira com altas, em uma sessão caracterizada pela retomada de compras especulativas. O contrato para entrega em julho se aproximou da resistência de 270,00 centavos por libra, mas, nas máximas, algumas vendas e realizações foram observadas, o que limitou o potencial de ganho. Apesar disso, o mercado se mostrou consistente, seguindo o comportamento da maior parte das commodities, que tiveram um dia positivo.

O índice CRB, que mede o comportamento médio de 19 importantes matérias-primas, encerrou a quarta com um ganho de mais de 1,5%.
No encerramento do dia, o julho em Nova Iorque teve ganho de 365 pontos com 264,85 centavos, sendo a máxima em 269,45 e a mínima em 259,00 centavos por libra, com o setembro registrando oscilação positiva de 370 pontos, com a libra a 267,90 centavos, sendo a máxima em 272,40 e a mínima em 262,00 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição julho registrou alta de 32 dólares, com 2.590 dólares por tonelada, com o setembro tendo valorização de 31 dólares, com 2.626 dólares por tonelada.

De acordo com analistas internacionais, o dia na bolsa nova-iorquina foi marcado por ações modestas de compra na parte da manhã, com os preços conseguindo se manter acima de uma importante zona técnica do gráfico diário. Tal comportamento consegue se suceder desde abril, apesar das oscilações de baixa recente. Na parte da tarde, os ganhos se ampliaram e fortaleceram, ainda mais, essa posição acima do nível gráfico. Os analistas internacionais ressaltam que tal patamar, se rompido, poderia abrir espaço para novas quedas. Um nível importante de suporte é de 256,75 centavos, que tem potencial para "chamar" novas baixas, contudo, esse patamar não vem conseguindo ser testado.

Desde que bateu nos maiores níveis em quase 14 anos, no dia 3 de maio, os contratos futuros de café em Nova Iorque sofrem com a pressão vendedora. Naquele dia o contrato de julho bateu na máxima de 308,90 centavos por libra peso, sendo que no dia 20 de maio o recuo tinha feito com que os preços atingissem 258,60 centavos. Uma linha média de baixa foi observada no dia 11 de maio, quando a média móvel de dez dias ficou abaixo, inclusive do nível médio de 20 dias. Adicionalmente, no final da semana, passada, o julho também recuou para um nível inferior à média móvel de 100 dias, o que seria um indicativo baixista. No entanto, nas três últimas sessões o potencial vendedor do mercado demonstrou pouca força e o mercado conseguiu uma consolidação justamente acima do nível de suporte de 5 de abril, em 256,75 centavos por libra. "É muito importante que sigamos uma certa linha, caso isso não se efetive poderemos testar as baixas de abril", disse um trader. Segundo Paul Hare, vice-presidente executivo do Linn Group, é relevante a manutenção de uma linha acima do suporte. "Se o café vai abaixo dos 256,75 centavos nós vamos ter uma oscilação nessa linha gráfica média e poderemos cair rapidamente para uma área de 230,00 centavos", disse o especialista, que identifica uma resistência de curto prazo no patamar de 270,00 centavos para o julho. A linha gráfica Bollinger teve uma alta nas sessões recentes, refletindo a volatilidade atual do mercado. O julho estaria abaixo do linha média de suporte, mas acima do nível de baixa. "Se estivesse no mercado eu estaria liquidando algumas posições", ressaltou Hare.

Por outro lado, Spencer Patton, analista de negócios da Steel Vine Investments, indicou que o mercado sofreu uma forte oscilação nos últimos dias, com o julho variando mais de 15% para baixo. Segundo ele, uma "retração desse porte é indicativa de que já estamos em um quadro sobrevendido", disse. O

Vietnã deverá exportar neste mês de maio 110 mil toneladas métricas, o que significa 1,83 milhão de sacas. O volume é 12,7% inferior ao registrado em abril, segundo o Escritório Geral de Estatísticas. Esse órgão também revisou os números referentes aos embarques do país de abril, passando da estimativa inicial de 126 mil toneladas para 130 mil toneladas. Na safra, entre outubro de 2010 e o final de maio, os embarques atingem 987 mil sacas, com uma receita de 2,06 bilhões de dólares, contra 840 mil toneladas e 1,17 bilhão de dólares do mesmo período do ano anterior.

As exportações de café do Brasil em maio, até o dia 24, somaram 1.503.738 sacas, contra 1.844.582 sacas registradas no mesmo período de abril, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 1.625 sacas indo para 1.663.771 sacas.

O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 19.223 lotes, com as opções tendo 4.464 calls e 5.047 puts. Tecnicamente, o julho na ICE Futures US tem uma resistência em 269,45-269,50, 269,90-270,00, 270,50, 271,00, 271,50, 272,00 e 272,50 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 259,00, 258,90, 258,50, 258,00, 257,50, 257,00, 256,50, 256,00, 255,50 e 255,10-255,00 centavos por libra.

Mercado de Café

Hencorp Commcor


O Mercado físico de café trabalhou o dia sem muitos negócios mesmo com essa forte alta que tivemos no mercado futuro, saindo negócios até R$ 530,00 para cafés com 15% de catação. Para cafés Safra 10/11 de R$ 520,00 a R$ 530,00, com 10% a 15% de catação, e para cafés com 15% a 20% de catação R$ 510,00 a 520,00 O fechamento do café arábica BMF para o vencimento Set/11 foi a US$ 337,65 com 7,20 de alta, totalizando um volume de 2.421 contratos. Saiu spread Set/Dez de -2,00 a -1,00;Set11/Set12 de -16,50 a -14,50. Observamos arbitragem Set/Set de -15,00 a -12,80; Set/Dez de -17,00 a -15,00; Dez/Dez de - 19,20 a -18,00. O mercado de Café na BMF teve uma abertura com uma leve alta, acompanhando o mercado de NY que tinha feito uma mínima a 259,00. Com um movimento de correção técnica e compra de fundos e especuladores, voltou a trabalhar nos níveis do 265,00. Aqui na BMF encontramos um volume maior de compra, por parte de vendidos de dias anteriores na expectativa do mercado dar continuidade ao movimento de baixa, mas com esta reversão de movimento do mercado em NY encontramos alguns stops justificando esta alta maior O mercado de café para o vencimento Julho/11 encerrou cotado a 264,85, com 365 pontos de alta, e range entre 259,00 e 269,45. Iniciando a sessão desta quarta-feira em tendência de queda, quando então o grão dava continuidade ao movimento assistido na sessão anterior, o café já registrou, com leve volume de vendas, sua mínima do dia a 259,00, perfazendo assim um fundo duplo em relação ao último movimento. Com certa defesa de compras, e leve compras de specs, a commodity voltou a apresentar apreciação, alcançando timidamente seus níveis de fechamento anterior. De acordo com relatório da Somar meteorologia divulgado hoje, há uma possibilidade da chegada de uma frente fria e massa de ar polar no cinturão cafeeiro nos sete primeiros dias de junho, fato que, ainda não confirmado, novas compras deram forte fôlego para o mercado buscar sua máxima anterior de 265,50 e posteriormente, com ativações de stops, a máxima do dia a 269,45. Perto do fechamento, parcialmente com moderada liquidação de specs, o café iniciou um movimento de depreciação, fechando o dia cotado a 264,85. As médias móveis de 40, 100 e 200 dias estão compreendidas em 280,10 / 267,30 e 231,80 respectivamente. De acordo com a Cecafé, os embarques de maio (entre os dias 01 e 24) somam 1.503.738 sacas, uma variação negativa de 18,5% em relação ao mesmo período do mês anterior. O café Londres Julho/11 encerrou cotado a 2590, com 32 pontos de alta, num range de 2544 e 2600

Governo simplifica devolução de créditos aos exportadores

Governo simplifica devolução de créditos aos exportadores

O governo publicou nesta quarta-feira portaria no DOU (Diário Oficial da União) que simplifica a devolução de créditos como PIS, Cofins e IPI aos exportadores. Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), essa já era uma demanda antiga das empresas exportadoras. "Nos estamos tentando estabelecer um mecanismo automático de devolução de crédito, é uma demanda do setor. Isto barateia o custo das exportações. O que nós estamos fazendo agora é simplificando", afirmou Mantega. De acordo com o ministro, a nova portaria permite que a empresa que no último ano efetuou exportações a partir de 10% do seu faturamento bruto tenha direito ao crédito. Antes, o ressarcimento só era concedido às empresas que exportassem acima de 15% da sua receita bruta total e nos últimos dois anos. Outra alteração feita pelo governo é a ampliação do prazo para devolução dos créditos. Agora, as empresas poderão solicitar o ressarcimento de créditos apurados desde janeiro de 2009. Na legislação anterior, a devolução só ocorria nos créditos apurados a partir de abril de 2010. Segundo Mantega, as empresas que pediram o ressarcimento dos impostos pagos poderão recebê-los em até 60 dias. Para o ministro, isso irá trazer um "alívio" ao exportador. "Os créditos serão liberados em 60 dias, de forma quase automática. Isso é um alívio para o exportador que tradicionalmente ficava muitos anos para ter a devolução do crédito porque o sistema que estava implantado no passado era assim", disse

Indústria de café prevê disputa por grãos finos e aumento de preço

Indústria de café prevê disputa por grãos finos e aumento de preço

A baixa oferta de cafés mais finos no mundo pode levar a indústria nacional a ter de disputar o produto com exportadores, em pleno início da colheita da safra brasileira. O resultado deve ser uma valorização do grão, com possíveis reajustes de preço no varejo. – Pode acontecer uma alta de preço em plena época de colheita da safra brasileira, como já ocorrido no ano passado – disse o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic), Nathan Herszkowicz. De acordo com ele, a redução da oferta global é consequência da frustração de safra nos últimos anos em importantes países produtores da América, como Colômbia, e também da África. Ao mesmo tempo, a demanda por grãos arábica tem crescido. Estima-se que a saca de 60 quilos de café tipo exportação paga ao produtor subiu pouco mais de 100% nos últimos 12 meses, saltando de R$ 260 para cerca de R$ 540 a saca. – A indústria, no entanto, não repassou tudo isso. O ideal seria um aumento médio de 70%. Mas o reajuste ficou entre 6% e 10% no período, dependendo da região e da marca do café – afirma. Até agora, as indústrias têm conseguido se abastecer, evitando elevados reajustes de preço, por meio da utilização de estoques e composição de blends com grãos robusta e outros tipos de arábica, que não se valorizaram tanto nos últimos 12 meses. – A aplicação de boa técnica industrial, com uso seletivo de robusta e alguns arábicas mais fracos, permitiu manter a qualidade do produto final, sem elevação dos custos – explicou. Conforme Nathan, entre 60% e 65% do custo total da indústria é representado pela matéria prima. A expectativa agora é que o café arábica fino do Brasil continue demandado no mundo. Ocorre, porém, que a safra brasileira este ano será menor do que a do ano passado e o produtor está mais cuidadoso nos trabalhos de colheita, esperando os grãos alcançarem o ponto ideal de maturação. – A tendência é que a indústria tenha à disposição uma menor oferta de arábica mais fraco – observa. Em algum momento, portanto, o setor pode ter de disputar com o exportador o grão fino na base de quem oferecer o melhor preço. – E as cotações do café devem continuar firmes pelo menos até o primeiro quadrimestre de 2012 – prevê. Nathan ressalta que há cerca de três ou quatro anos os produtores de café enfrentaram longo ciclo de baixas cotações, inclusive recebendo valores que não cobriam o custo de produção. – A própria indústria também foi prejudicada porque o café custou a se valorizar, implicando dificuldades como baixo investimento, ausência de lançamentos de produtos, pouca aplicação de tecnologia e avanço das grandes torrefadoras sobre as menores – explica. Consumo A Abic deve divulgar na quinta, dia 26, uma pesquisa sobre consumo de café no país. O resultado deve confirmar dados de 2010, os quais revelam que o produto é consumido por cerca de 97% da população adulta. Além disso, o consumo fora do lar continua em crescimento, assim como entre os mais jovens. O consumo também está mais seletivo, ou seja, a população tem saído do óbvio, demandando grãos especiais, tipo gourmet, certificados, entre outros. – Esse item era um traço em pesquisas anteriores e agora já representa um número, mesmo que pequeno – conclui Nathan.

SAFRAS & MERCADO ESTIMA PRODUÇÃO 2011/12 EM 47,7 MILÕES DE SACAS

SAFRAS & MERCADO ESTIMA PRODUÇÃO 2011/12 EM 47,7 MILÕES DE SACAS
A safra brasileira de café 2011/12 deve ficar em 47,7
milhões de sacas de 60 quilos. É o que aponta a primeira sondagem de SAFRAS &
Mercado para a safra que está em fase inicial de colheita, realizada através
de um levantamento junto a produtores, agrônomos, técnicos, cooperativas e
secretarias de agricultura, exportadores e indústrias, entre outros órgãos
das regiões produtoras de café do Brasil. Já a produção 2010/11 foi
ligeiramente revisada para baixo por SAFRAS, de 54,6 milhões de sacas para 54,1
milhões de sacas. Ainda assim, trata-se do recorde para a produção nacional
de café.
Na comparação entre a safra 2011/10 e 2010/11, SAFRAS projeta, portanto,
uma redução na produção de 12%.
A produção total de arábica 2011/12 foi indicada em 35,0 milhões de
sacas, com queda de 16% sobre 2010/11 (41,6 milhões de sacas). Já a safra
2011/12 de conillon foi colocada em 12,7 milhões de sacas, devendo ter
incremento de 2% na comparação com 2010/11 (12,5 milhões de sacas).

Vendas de fertilizantes disparam em abril e podem bater recorde este ano

Vendas de fertilizantes disparam em abril e podem bater recorde este ano

Impulsionada por uma das mais rentáveis colheitas de verão de todos os tempos
no país, a demanda doméstica por fertilizantes confirmou as expectativas das
empresas do segmento e disparou em abril. Conforme a Associação Nacional para
Difusão de Adubos (Anda), as entregas das misturadoras às revendas somaram 1,4
milhão de toneladas, quase 24% mais que no mesmo mês do ano passado, e
reforçaram as perspectivas de que um novo recorde histórico anual poderá ser
batido em 2011.
De janeiro a abril, aponta a entidade, as entregas das misturadoras - empresas
que fabricam os produtos finais comprados pelos agricultores - alcançaram 6,4
milhões de toneladas, pouco mais de 14% acima do volume registrado em igual
intervalo de 2010. "Como o mercado continua promissor para os grãos, as vendas
de fertilizantes tendem a superar 25 milhões de toneladas este ano, o que seria
um novo recorde", diz Rafael Ribeiro de Lima Filho, da Scot Consultoria.
Apesar do bom ritmo de comercialização, em grande medida alimentado pelas
elevadas margens de lucro obtidas pelos agricultores com as recentes colheitas
de grãos da safra 2010/11, que já estão na reta final, as compras antecipadas
para a temporada de verão do ciclo 2011/12, que começará a ser plantada em
setembro estão mais lentas do que o inicialmente previsto.
Segundo Lima Filho, aquecida mesmo, no primeiro quadrimestre em geral e em
abril em particular, estive a demanda para a semeadura das culturas de inverno
da safra 2010/11, para o plantio de algodão e para cana. "É claro que houve
alguma antecipação para o próximo verão [a expectativa é que a área plantada
aumente], mas nesta frente as aquisições começaram a aumentar com mais força
neste mês de maio".
Esse movimento, realça o analista, pode ser comprovado pelo comportamento dos
preços dos principais insumos. Tanto os fertilizantes derivados do fosfato, do
potássio e do nitrogênio vinham em alta progressiva até abril e pararam de
subir no início de maio. A expectativa, agora, é que as curvas de valorizações
sejam retomadas. Mesmo assim, as vendas em 2011 deverão confirmar o padrão
histórico de serem mais concentradas no segundo semestre do ano.
Com a preciosa "ajuda" do câmbio, como destaca Lima Filho, a demanda em alta
vem estimulando uma disparada nas importações do insumo. Os números da Anda
mostram que, enquanto a produção nacional de fertilizantes intermediários
cresceu apenas 1,5% no primeiro quadrimestre, para 2,8 milhões de toneladas, as
importações aumentaram 57,6% e atingiram 5,6 milhões de toneladas.
A dependência brasileira de adubos importados normalmente gira em torno de 65%
a 70%. De janeiro a abril deste ano, as importações representaram mais de 87%
das entregas. É claro que há estoques e que boa parte dos produtos que entraram
no país nos últimos meses ainda serão comercializados nos próximos meses,
quando a produção nacional deverá aumentar de acordo com um "mix" feito pelas
misturadoras para preservar suas próprias rentabilidades.
Maior fabricante nacional da matérias-primas para a produção de fertilizantes,
a Vale Fertilizantes espelha bem esse movimento de vendas. No primeiro
trimestre, mostra o balanço da empresa, sua produção de fosfatados de alta
concentração cresceu 5,4% em relação a igual intervalo de 2010, mas as vendas
recuaram 12,9%. No caso dos produtos nitrogenados, o comportamento de produção
e vendas foi semelhante, mas nem por isso a companhia está desanimada.
"O início de 2011 marcou a continuidade da forte demanda por fertilizantes
tanto no mercado internacional quanto no doméstico. A manutenção da demanda em
níveis altos continua sendo capitaneada pela alta dos preços das commodities
agrícolas que, ao elevar a rentabilidade dos produtores, impulsiona a demanda e
o preço dos insumos. Os níveis extremamente baixos de estoques para todos os
três nutrientes evidenciam o aquecimento do mercado, que impulsiona a
utilização de fertilizantes para aumento de produtividade das lavouras",
informa a Vale Fertilizantes em seu balanço do primeiro trimestre de 2011.
No intervalo, a empresa reportou que investiu, no total, R$ 156 milhões, o que
representou incrementos de 9,9% em relação ao último trimestre de 2010 (R$ 142
milhões) e de 21,9% sobre o período de janeiro e março do ano passado. A Vale
Fertilizantes registrou receita operacional líquida de R$ 946 milhões no
primeiro trimestre de 2011, 70% mais que em igual intervalo de 2010. O lucro
líquido da subsidiária da mineradora foi de R$ 114 milhões.