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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Fair trade

Fair trade

A copa do mundo 1.994 nos trouxe não só titulo de campeão, mas também um novo e poderoso jargão o fair-play.
Agora no século 21 algumas empresas estão preocupadas com seu lucro absurdo e lançaram o FAIR TRADE. O fair trade seria hoje um mercado mais justo onde todos poderiam ter seus lucros respeitados.
NO nosso setor existem algumas empresas que estão dando incentivos para os produtores que seguirem algumas normas.
1-Respeito ao meio ambiente
2-Respeito às leis trabalhistas
3-Fazer um café com mais qualidade etc.
Se o produtor alcançar todas as exigências pré-estabelecidas ele consegue um premio no preço do café que hoje estaria em torno de R$10,00 a R$20,00 por saca recebendo com esse ágio um valor em torno de R$270,00.
Fazendo conta agora:
O consumidor paga por uma xícara de café em torno de R$2, 50, um kg de café gera em torno de 100 xícaras de café fechando a conta 1 saco de café torrado produz em torno de 45 kg chegamos à razão de R$11.250,00 de faturamento por saca.
Assim estamos sendo bem remunerados, pelo nosso esforço e nossa produção a altura do preço final, mostrando o fair trade mais justo que já vi.


Wagner Pimentel

www.cafezinhocomamigos.blogspot.com

Manhuaçu MG 23/09/09
Modos de adubação na zona da mata mineira

Ubiratan V. Barros, Roberto Santinato, José Braz Matiello e outros

Resumo — A cafeicultura da Zona da Mata de Minas Gerais é caracterizada pelo plantio em terrenos declivosos (montanhas), o que oferece dificuldade na operacionalização dos tratos culturais, entre eles a adubação, a qual é realizada manualmente; dessa forma, os produtores procuram adaptar modos diferenciados na sua execução. Assim, é comum observar produtores que enterram os adubos em covetas, ou sulcos, localizando-os, ou não, mais próximos ou longe dos caules das plantas, enquanto outros aplicam os fertilizantes em cobertura, a diferentes distâncias do tronco ou saia do cafeeiro. No intuito de avaliar o melhor modo de adubar o cafeeiro plantado em áreas montanhosas, instalou-se, no Centro Experimental de Café Eloy Carlos Heringer, em Martins Soares - MG, o presente trabalho. O ensaio foi montado em solo LVAh, com declividade de 20%, em lavouras de Catuaí 99, plantadas em fev/95, no espaçamento de 2,5 x 0,7 m, a 740 m de altitude, no delineamento em blocos ao acaso com três repetições, com parcelas de 12 plantas, sendo úteis as oito centrais. Verificou-se ligeira superioridade no modo de adubação em cobertura sobre o enterrado (42,75 contra 40,33 scs/ha); também apresentou superioridade a adubação dos dois lados da planta, em relação apenas ao lado de cima (46,02 contra 40,42 scs/ha), sendo o tratamento que localizou o adubo junto ao tronco o que resultou no pior desempenho, e isto mostra que a maior distribuição do adubo é vantajosa. Quanto ao local, a adubação na projeção da saia foi superior àquela sob a saia (47,71 contra 41,62 scs/ha). Portanto, pode-se concluir que mesmo em regiões montanhosas, como a Zona da Mata de Minas Gerais, o melhor modo de adubar o cafeeiro é a aplicação em cobertura, na projeção da saia em ambos os lados da planta, isto até a declividade de 20%, como no caso do ensaio.
Introdução — As lavouras de café instaladas em terrenos declivosos (montanhas) oferecem dificuldades na operacionalização dos tratos culturais, nutricionais e fitossanitários; dessa forma, os produtores procuram adaptar modos diferenciados na execução das operações, notadamente para as adubações químicas. Assim, é comum observar produtores que enterram adubos em covetas, ou sulcos, localizando-os, ou não, mais próximos ou longe do caule das plantas, enquanto outros aplicam os fertilizantes em cobertura, a diferentes distâncias do tronco ou saia do cafeeiro. Com o objetivo de avaliar o melhor modo de adubar o cafeeiro plantado em áreas montanhosas, instalou-se, no Centro Experimental de Café Eloy Carlos Heringer, em Martins Soares - MG, o presente trabalho.
Material e métodos — O ensaio foi montado em lavoura do cultivar Catuaí Vermelho (linhagem H 2077-2-5-99) no espaçamento de 2,5 x 0,7 m, plantado em fev/95, a 740 m de altitude, em LVA h distróficos, com 20% de declividade. Os tratamentos foram os modos de adubação a lanço, por cima das plantas; enterrado, na projeção da saia do cafeeiro, apenas no lado de cima da planta, e também dos dois lados da planta; a lanço, na projeção da saia do cafeeiro, somente no lado de cima da planta e também dos dois lados desta; a lanço, sob a saia (entre o tronco e a projeção da saia) do cafeeiro, somente no lado de cima da planta e também dos dois lados desta; e localizado, no tronco do cafeeiro. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com três repetições, em parcelas com plantas, sendo úteis as oito centrais.
O plantio foi efetuado com 200 g da fórmula 00-18-00, mais Zn, B e Cu, e 150 g de calcário dolomítico por cova. As adubações de formação e produção foram realizadas em número de 4 - parcelamento no 1o ano e 3 do 2o ao 6o ano, utilizando a fórmula 20-05-20, nas doses de 625 kg/ha no 1o ano, 1.250 kg/ha no 2o ano e 2.000 kg/ha do 3o ao 6o ano, sendo os modos de aplicação dos adubos descritos nos tratamentos. Os demais tratos foram aqueles usualmente indicados pelo MA/PROCAFÉ para a Zona da Mata de Minas Gerais.
Resultados e discussão — Segundo SIVEIRA et al. (1979), na adubação do cafezal em cobertura (seja à máquina ou manual) apresenta melhor resultado a adubação enterrada. Nas condições do ensaio, a adubação em cobertura apresentou ligeira superioridade sobre a adubação enterrada (Quadro 2), sendo 42,75 scs/ha contra 40,33 scs/ha, respectivamente. Embora possa haver um pouco de perda por volatilização, principalmente do nitrogênio, na adubação em cobertura, em relação à adubação enterrada, o efeito depressivo no desenvolvimento do cafeeiro resultante do corte das raízes da planta para se proceder ao enterro do adubo, é superior ao benefício da menor perda por volatilização.
A adubação na projeção da saia do cafeeiro apresentou produção superior à adubação sob a saia (Quadro 4), sendo 47,71 scs/ha contra 41,62 scs/ha, respectivamente. Provavelmente, na adubação sob a saia do cafeeiro, por estar o adubo mais protegido da incidência dos raios solares (redundando em menor temperatura), a volatilização é menor, e, também por estar mais embaixo da planta, a absorção da amônia volatilizada tende a ser maior; no entanto, mesmo a adubação na projeção da saia apresentando, provavelmente, maior perda por volatilização que a adubação sob a saia, a primeira forma apresentou melhor resultado que a segunda, pelo fato de o sistema radicular do cafeeiro possui, normalmente, mais raízes absorventes (radicelas) na projeção da saia, o que promove melhor aproveitamento do adubo da solução do solo. Portanto, diante dos resultados do trabalho, pode-se afirmar que, provavelmente, o fato de a adubação na projeção da saia produzir mais que a adubação sob a saia é decorrente da maior perda por percolação dos nutrientes na segunda maneira de se adubar a planta, em relação à primeira, a qual é mais significativa que a perda por volatilização.
NEPTUNE et al. (1974), efetuando pesquisa com fósforo radioativo (P 32), concluíram que, em cafeeiros de 3 a 5 anos, a zona de maior absorção está situada até 30 cm lateral e 15 cm de profundidade e 60 cm lateral à profundidade de 30 cm; para cafeeiros de 7 anos, a absorção maior se da até 60 cm lateral à profundidade de 15 cm; já para cafeeiros de 9 anos, vai desde a profundidade de 5 cm até 30 cm e distância lateral de até 60 cm.
SANTINATO et al. (1984), estudando o modo de adubação de potássio, concluíram pela superioridade da adubação em ambos os lados do cafeeiros na projeção dos ramos laterais, em relação à adubação sob a saia em toda a volta da planta, e enterrada a 15 cm na projeção dos ramos.
VIANA et al. (1989) não encontraram diferença estatística em relação aos diferentes locais onde o adubo foi aplicado, notando apenas ligeira superioridade na adubação entre as plantas de café. A explicação do autor para o fato foi a montagem do ensaio em lavouras já adultas, as quais já haviam recebidos várias adubações anteriores.
AMARAL et al. (2000) concluíram que houve tendência de quanto mais localizado o adubo fosfatado na cova de plantio, menor seu efeito benéfico na formação do cafeeiro e, conseqüentemente, menores foram as primeiras produções desses tratamentos.
No ensaio, a adubação com 20-05-20, dos dois lados da planta apresentou melhor resultado que a adubação apenas do lado de cima - 46,02 contra 40,42 scs/ha (Quadro 3). A explicação para o fato está no clássico trabalho de FRANCO (1983), o qual plantou mudas de café com raízes bifurcadas, sendo colocada uma raiz em cada um dos lados dos vasos de 2,0 L dividido ao meio; depois disso, o autor adubou com N, P e K apenas um dos lados dos vasos e analisou o teor destes elementos nas folhas de ambos os lados da planta. Os resultados mostraram que há translocação lateral dos nutrientes N, P e K no cafeeiro, porém esta não é perfeita, e as folhas do lado da planta que não receberam nutrientes apresentaram apenas 45, 52 e 68% de N, P e K, respectivamente, em relação ao lado adubado.Portanto, quanto maior a distribuição do adubo, mais uniforme é o teor dos nutrientes nas folhas da planta e, conseqüentemente, maior será sua produção.
Conclusões
* Todos os modos de adubação em que se colocaram os adubos mais localizados, seja junto ao tronco ou enterrados em sulcos, reduzem a produtividade, em relação à adubação em cobertura com o adubo espalhado.
* Modo de adubação mais eficiente, técnica e economicamente, para a região da Zona da Mata de Minas Gerais, em locais com declividade até 20%, é a aplicação em cobertura, na projeção da saia e em ambos os lados do cafeeiro.
Referências bibliográficas
AMARAL, A.S.; BARROS, U.V.; BARBOSA, C.M. & MATIELLO, J.B. Modo de aplicação e granulometria do superfosfato simples usado na cova de plantio do cafeeiro. In: CBPC, 26, Marília-SP, 2000. p.63-64.
BARROS, U.V.; SANTINATO, R.; MATIELLO, J.B. & BARBOSA, C.M. Comparação de modos de adubação do cafeeiro nas regiões montanhosas da Zona da Mata de Minas Gerais. In: CBPC, 26, Marília-SP, 2000. p.41-43.
FRANCO, C.M. Translocação lateral de N, P e K no cafeeiro. In: CBPC, 10, Poços de Caldas-MG, 1983. p.1-2.
NEPTUNE, A.M.L.; MURAOKA, T. & LOURENÇO, S. Distribuição do sistema radical do cafeeiro utilizando 32 P. In: CBPC, 2, Poços de Caldas-MG, 1974. p.303-304.
SANTINATO, R.; BARROS, U.V.; GUEREIRO, J.P.F.; 7 SILVA, O.A. Modo de adubação e fornecimento de potássio ao cafeeiro em produção. In: CBPC, 11, Londrina-PR, 1984. p.83-85.
SILVEIRA, G.M.; FUJIWARA, M. & FENZ, E. Métodos de aplicação de adubos em cafezal. In: CBPC, 7, Araxá-MG, 1979. p.130-132.
VIANA, A.S.; FLORENCE, M.L.; & GARCIA, W.R. Modo e local de adubação para cafeeiros em solo Led. In: CBPC, 15 Maringá-PR, 1989. p.134-137.
Ubiratan Vasconcelos Barros é pesquisador do Centro Experimental de Café "Eloy Carlos Heringer", Roberto Santinato e José Braz Matiello são pesquisadores do Procafé do Ministério da Agricultura.
Fonte: II Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil - Setembro de 2001.
QUADRO 1 — Produção média anual de cinco safras em cafeeiros sob diferentes modos de adubação. Martins Soares-MG. 2001
Tratamentos
(modos de adubação) Média de 5 safras (scs/ha) Rel. %
Projeção da saia dos dois lados da linha 52,58 A * 123
A lanço, por cima da planta 43,57 A B 102
Sob a saia, dos dois lados da linha 43,44 A B 101
Projeção da saia,apenas do lado de cima dalinha 42,84 A B 100
Enterrado em sulco, dos dois lados da linha 42,03 A B 98
Sob a saia, apenas do lado de cima da linha 39,79 A B 93
Enterrado, apenas do lado de cima da linha 38,64 A B 90
Localizado, no tronco 34,29 B 80
* Médias seguidas de mesma letra não se diferenciam entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.

QUADRO 2 — Comparação entre os tratamentos enterrados e aqueles em cobertura
Modo de adubação Média de 5 safras (scs/ha) Rel. %
Aplicação em cobertura 42,75 106
Aplicação enterrada 40,33
100
QUADRO 3 — Comparação entre os tratamentos onde o adubo foi aplicado dos dois lados da planta e onde foi apenas do lado de cima
Modo de adubação Média de 5 safras (scs/ha) Rel. %
Aplicação 1 lado 46,02 114
Aplicação 2 lados 40,42 100

QUADRO 4 — Comparação entre o local de aplicação do adubo
Modo de adubação Média de 5 safras (scs/ha) Rel. %
Aplicação na projeção da saia 47,71 115
Aplicação sob a saia 41,62 100




fonte www.cafezinhocomamigos.blogspot.com

terça-feira, 22 de setembro de 2009

DESAFIO TROFEU INEFICIENCIA

DESAFIO TROFEU INEFICIENCIA


Na semana passada tivemos acesso a um relatório feito por funcionários de 3 ministérios dentre eles o da agricultura, onde foram feitas algumas observações algumas infelizes como a do ministro Sr.Stefanes dizendo que algumas regiões estariam destinadas a acabar.

Moro na cidade de Manhuaçu Mg há 20 anos onde Com área de 20.000ha. Apresenta um índice de ocupaçaode17 habitantes por quilometro Em 2006, o Produto Interno Bruto (PIB) foi de 507 milhões de reais. O PIB per capita corresponde a R$ 6.905,95 – o mais alto da região. Em Caratinga, o valor é de pouco mais de quatro mil reais e em Muriaé R$ 4.587,92. Os números são de 2006. O PIB anual de Manhuaçu supera Coronel Fabriciano, empata com Teófilo Otoni e perde para Timóteo, Ipatinga e Governador Valadares. Somente em Impostos sobre Serviços (ISS), o município arrecadou em 2006, 17 milhões e 260 mil reais, segundo dados oficiais do IBGE. O município está situado próximo ao Parque Nacional do Caparaó e da divisa com o Espírito Santo.

É um importante produtor de café, a cidade já recebeu o nome de "Capital do Café" com mais de 68milhões de pés de café plantados, além de possuir a maior bacia leiteira da região. Como podemos ver a região vive do café e do comercio local onde a maior fonte de renda é o café arábico.

Sabemos que o município e a região são de montanha, portanto estamos naquela parte onde os custos são mais elevados pelo emprego excessivo de mão-de-obra. Gostaria de saber quem deu os dados relativos a custo para os funcionários dos ministérios chegarem a esta conclusão:
“O custo de produção varia muito de região para região, e mais ainda, entre os diferentes sistemas de produção. Segundo dados do próprio setor, variam entre R$ 240 a R$ 370 por saca de 60 kg de café arábica;”

Segundo uma matéria editada no site "http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=26239&opiniao---relatorio-do-governo-sobre-a-cafeicultura--nao-tras-nada-de-novo-para-analisar.html
Diz assim: Quem tem lavoura na montanha (e não faz parte da agricultura familiar) está fora do mercado... Assim como a indústria têxtil quebrou na Europa e migrou para a Ásia em função de baixos custos de mão-de-obra, o café de montanha vai ter que migrar para o plano... E ponto final. ““

Com certeza se tiver conseguido produzir um café dourado ao custo de R$370, 00, é um café certamente folheado a ouro para conseguir um custo deste.
Para se obter esse valor, qual a produtividade, qual método empregado, quero saber quem são esses produtores, ou qual é o irresponsável que deu esses dados para se apurar esse custo?

Não se pode denegrir a imagem de uma região pegando como exemplo alguns incompetentes de plantão. A nossa região quase veio à falência na época da erradicação cafeeira, agora que a região esta crescendo chegam com um relatório e dizem que temos que ir para "plano" ou mudar de ramo como isso fosse uma solução fácil de fazer, não temos como por nossas propriedades nas costa e leva-las para o "plano" mudar uma infra-estrutura que já existe há anos.

Gostaria que aparecesse o produtor ou produtores que tem este custo para mandar confeccionar o troféu de ineficiente do ano, esse ou esses sim são verdadeiros ineficientes.
O desafio esta lançado!!!!!!!!

WAGNER PIMENTEL
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com

MANHUAÇU MG 22/09/09

Análise Estrutural da Cafeicultura Brasileira” – O que significa isto?

OPINIÃO - “Análise Estrutural da Cafeicultura Brasileira” – O que significa isto?




Parte 1

Entende-se por cafeicultura como sendo o cultivo de cafeeiros - produção primária.
Desta forma, qualquer outro tema que não tenha relação direta à atividade produtiva cafeeira não se procede a este.

Ao elaborar um relatório sobre a análise estrutural da cafeicultura brasileira, torna-se técnica recomendada focar os elementos formadores de cenários nacional e mundial, que afetem diretamente seu desenvolvimento.

Retratar o cenário atual, apontando clara e precisamente todos os elementos formadores deste é o ponto inicial para a avaliação, indicando correções de rumo, para a formação dos demais cenários futuros, sendo estes: o mais provável, o pessimista e o otimista.

Porém, em todos estes, devem necessariamente ser apontadas as melhores e eficazes soluções, baseadas em fundamentos técnicos, e de comprovação científica.
O relatório em questão é falho em sua essência; omisso em informações; inverídico em algumas afirmativas, impreciso em avaliações e principalmente inconclusivo. Sendo inconclusivo, não poderia sugerir ações ou recomendações.

Não apresenta análise de cenários, sendo este um fator fundamental e necessário para projetar tendências e recomendações para alterações de rumo.

Não apresenta soluções para nenhum aspecto relacionado à cafeicultura.

Além do mais, desenvolve outros temas não relacionados à cafeicultura. Seu descredenciamento na condição de relatório técnico é procedente, invalidando seu conteúdo, justificado por não atender a requisitos técnicos e científicos.

Reforçando os aspectos técnicos, sendo estes o foco a que pretenderam dar, seria necessário a apresentação das credenciais de capacitação e competências técnicas dos integrantes da elaboração destes estudos, devidamente atestadas.

Para os leigos, que não entendam o significado do exposto acima, segue uma explicação: Imaginem um enfermo, internado em um hospital, com grave moléstia. Após um longo período de tratamento, sem que os resultados de melhora aconteçam, a direção deste hospital resolve convocar uma junta médica para avaliar seu estado de saúde, identificando a moléstia e prescrevendo a recomendação adequada ao tratamento; mas, ao invés de convocar uma equipe formada por profissionais médicos, resolve convocar uma equipe de enfermeiros. O resultado obtido não poderia ser outro a não ser a morte do paciente.

Pois é. Este foi o procedimento utilizado neste relatório e sua conclusão, precisamente apontada, aconselha e indica a morte de muitos cafeicultores.

Aceitar tamanho desrespeito e agressão a esta atividade produtiva não é possível e muito menos aceitável, devendo haver contestações firmes e precisas. (continua na parte 2)

José Eduardo Reis Leão Teixeira

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

RESSACA DO RELATORIO

RESSACA DO RELATORIO

A semana começa com uma ressaca do relatório do governo e com as palavras do ministro Stefanes na cabeça ecoando dizendo que os produtores ineficientes vão sair do ramo. Houve muita discórdia de tudo mas uma coisa temos que dar o braço a torcer o governo esta mais informado do que pudéssemos imaginar.Vejam algumas posições do relatório:
1-O Brasil tem aumentado suas exportações e sua participação no mercado internacional, tendo alcançado 32% nos últimos 12 meses, com faturamento recorde de US$ 4,6 Bilhões, mas os produtores não conseguem impor seus preços ao mercado nacional e internacional, em decorrência do excesso de oferta, e, principalmente, de sua falta de ordenamento desta. Mostra que o governo entende que sem ordenação para as vendas não teremos preço.
2-A taxa de câmbio no Brasil adicionada ao custo Brasil tem pressionado os custos, e assim, a lucratividade de nossos produtores, sendo que a competitividade atual é fundamentada em função dos aspectos estruturais do mercado de café e da produção brasileira; Mostra também que o governo com sua política cambial esta prejudicando a venda do nosso produto no exterior, portanto merecemos atenção especial nisto, este imposto o cambial é o mais alto que pagamos.
3-• O preço médio recebidos pelos produtores tem se situado nos últimos anos em torno de R$ 230 a R$ 290 por saca de 60 kg de café arábica. Este valor remunera o custo de produção em algumas regiões, ficando abaixo do custo de produção de outras, dependendo do modelo tecnológico utilizado; bom Os preços médios recebidos estão abaixo desses mencionado porque no Brasil existem varias cafeiculturas onde as qualidades diferem muito e também seu preço que ficam abaixo na media a estes citados pelo governo.
4-Muitos exportadores de café têm utilizado os créditos de PIS/COFINS para ganhar competitividade no mercado internacional, convertendo o crédito em renda, ao invés de repassá-lo aos produtores: Nesta questão precisamos de uma atenção especial, o PIS/confins é isento na exportação e para cooperativas, mas não no comercio impedindo o crescimento e/ou aparecimento de investidores no setor formando uma espécie de dumping o mercado tem que ser igual para todos, o governo também tirou a PIS/confins do seguimento de carne e cereais, portanto também temos o direito dessa isenção.
5-As informações disponíveis pelo governo e pelo próprio setor privado sobre a produção, consumo e estoques no Brasil são deficientes e constantemente questionadas; bom como já disse outras vezes os números tem que ser confiáveis, os números apresentados pelos órgãos pesquisadores do governo diferem do mercado.
6-Reduzir a taxa de juros de 7,5% ao ano para 6,75% ao ano, a partir de 01/10/2009, das operações efetuadas pelo Funcafé na linha de crédito destinada aos produtores que tiveram perdas devido à chuva de granizo em 2008 e 2009; Essa taxa tem que ser menor ainda dos 6.75% pelo imposto cambial que estamos sujeito.
7-A cafeicultura é, por natureza, um negócio de alto risco, pois está sujeita às condições de clima, ao ataque de pragas, e às condições de um mercado que estruturalmente lhe é adverso. Não é incomum que o mercado se comporte sob condições não efetivamente relacionadas com o que se denomina “fundamentos”, ou seja, as condições de produção, estoques, oferta e demanda; precisamos de seguro o próprio governo sabe que estamos lidando com uma cultura a céu aberto e não faz nada há anos e anos.
8-a CPR: disponibiliza de modernos instrumentos de comercialização, tais como CPR’s e cobertura de riscos em bolsas de mercadorias, essa é a função da CPR não de financiamento da produção como já disse antes.
9-Esse crédito, de certa forma superior ao necessário, indica que há um número elevado de produtores com capacidade financeira para tomar empréstimos com nível de risco aceitável, já que são poucas as linhas de renegociação. E não podemos deixar de anotar também que esse volume de recursos está viabilizando uma produção superior à capacidade de absorção do café produzido pelo mercado, o que justifica o preço recebido pelos produtores e o diferencial dos “Cafés do Brasil”: BOM amigo não tem preço porque pegamos dinheiro demais nas instituições financeiras.
Bons amigos estes são só alguns aspectos que estão neste relatório, mas temos que ressaltar que mais importante que saber dos problemas é por em praticas o mais rápido possível as soluções que também estão neste relatório, mais o que mais intriga é se o governo já sabia por que temos que ficar “pedindo penico”, não seria mais natural nos atender, ou melhor, chamarmos nós produtores e propor uma nova diretriz?
Tínhamos que ficar devendo, inadimplentes?
Se o governo fosse mais ativo nesta área não estaríamos em condições melhores?
São perguntas que não consigo entender, se se sabe dos problemas e também das soluções por que temos que sofrer tanto.

Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
MANHUAÇU MG 231/09/09

COTAÇÃO DO CAFÉ - N.Y. finalizaram o dia com queda de 0,40 pontos na posição dezembro

COTAÇÃO DO CAFÉ - N.Y. finalizaram o dia com queda de 0,40 pontos na posição dezembro




Infocafé de 21/09/09


MERCADO INTERNO

BOLSAS N.Y. E B.M.F.
Sul de Minas R$ 257,00 R$ 247,00
Contrato N.Y.

Fechamento

Variação
Mogiano R$ 257,00 R$ 247,00 Dezembro/2009 135,65 -0,40
Alta Paulista/Paranaense R$ 252,00 R$ 242,00 Março/2010 138,40 -0,55
Cerrado R$ 262,00 R$ 252,00 Maio/2010 140,25 -0,55
Bahiano R$ 252,00 R$ 242,00
* Cafés de aspecto bom, com catação de 10% a 20%.
Contrato BMF

Fechamento

Variação
Cons Inter.600def. Duro R$ 230,00 R$ 227,00 Dezembro/2009 156,55 +0,40
Cons Inter. 8cob. Duro R$ 237,00 R$ 233,00 Março/2010 160,70 +0,30
Dólar Comercial: R$ 1,8160 Maio/2010 162,90 0,00


OPÇÕES DE CAFÉ - ATENÇÃO :
CARO PRODUTOR E COOPERATIVA QUE PARTICIPARAM DO 1º LEILÃO DE OPÇÃO DE CAFÉ - AVISO N° 203/09 - FIQUEM ATENTOS AO ENVIO DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS, ASSINADAS E RECONHECIDAS FIRMA PARA A CONAB, QUE DEVERÃO ESTAR NA UNIDADE ATÉ DIA 30/09/09.

As operações em N.Y. finalizaram o dia com queda de 0,40 pontos na posição dezembro, impulsionada pela recuperação na cotação do dólar e a queda de preços nos mercados de commodities. Mercado interno com alguns negócios isolados sendo concluídos.

O dólar fechou com alta de 0,39% neste inicio de semana. O mercado ficou entre acompanhar a apreciação da moeda americana frente às demais moedas ou precificar o fluxo que o Brasil está para receber com o retorno das captações externas e ofertas públicas de ações. Entre as captações, o Banco Santander informou nesta segunda-feira que planeja levantar quase € 5 bilhões (cerca de US$ 7,34 bilhões) com a oferta de units do Santander Brasil na Bovespa. Em comunicado à Bolsa de Madri, o Santander disse que venderá 525 milhões de units, ou 16,21% do atual capital acionário do Banco Santander Brasil. Cada unit será vendida por um preço entre R$ 22,00 e R$ 25,00, gerando para o Santander entre R$ 11,55 bilhões e R$ 13,13 bilhões, respectivamente. O preço da oferta pública será fixado em 6 de outubro.

Foi divulgada hoje, a balança comercial na terceira semana de setembro registrou superávit de US$ 556 milhões, média diária de US$ 111,2 milhões, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. As exportações no período atingiram US$ 3,496 bilhões e as importações somaram US$ 2,940 bilhões. No mês, o superávit acumulado é de US$ 1,363 bilhões, com exportações de US$ 8,752 bilhões e importações de US$ 7,389 bilhões. No ano, o acumulado é de US$ 21,331 bilhões.

As exportações brasileiras no mês de setembro, mais especificamente até o dia 18, totalizaram 1.234.480 sacas de café, registrando alta de 17,56% em relação às 1.050.107 sacas embarcadas no mesmo período do mês anterior. De acordo com informações do Cecafé, 1.047.354 sacas embarcadas são referentes a café arábica, 63.723 sacas referentes a conillon e 123.403 referentes a solúvel. Também até o dia 18, o Cecafé registrou a emissão de 1.636.707 certificados de origem, dos quais 1.362.352 são referentes a arábicas, 93.405 a conillon e 180.950 de solúvel.

Brasil articula retorno à diretoria-executiva da OIC

Brasil articula retorno à diretoria-executiva da OIC
(21/09/2009 08:15)

Os produtores de café do Brasil estarão representados na Conferência da Organização Internacional do Café (OIC), que ocorrerá na semana que vem, em Londres. Segundo o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes, o setor nacional vai propor mudança na diretoria-executiva da entidade, hoje ocupada pelo colombiano Nestor Osorio.

"O Brasil é o maior contribuinte da OIC e deve ocupar o principal cargo", afirmou ele, que embarca hoje para Londres.

Antes de Osorio, que está no cargo desde 2002, a OIC era comandada pelo brasileiro Celsius Lodder. Na época da saída de Lodder, o governo brasileiro tentou emplacar a candidatura de Oswaldo Aranha Neto, mas desistiu em seguida, num episódio até hoje mal esclarecido.

Com a retirada de Aranha Neto, o setor privado do café articulou a indicação do deputado federal Carlos Mosconi, de Minas Gerais, que chegou a ser confirmado pelo Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), órgão que reúne iniciativa privada e governo. Mas a candidatura não decolou. Sem acerto, Osorio assumiu a diretoria-executiva da OIC com o apoio do governo brasileiro.

Crédito rural - novas resoluções - Funcafé

Crédito rural - novas resoluções - Funcafé
(21/09/2009 08:10)

Foram disponibilizadas hoje no site do Banco Central do Brasil www.bacen.gov.br - o inteiro teor de quatro Resoluções relacionadas a operações de crédito rural:

RESOLUCAO 3.782 - Dispõe sobre o prazo de vencimento de parcelas das operações ao amparo do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira Baiana.

https://www3.bcb.gov.br/normativo/detalharNormativo.do?N=109079546&method=detalharNormativo

RESOLUCAO 3.783 – Institui linha especial de financiamento destinada a cafeicultores.

https://www3.bcb.gov.br/normativo/detalharNormativo.do?N=109079547&method=detalharNormativo

RESOLUCAO 3.784 - Dispõe sobre linhas de crédito operadas com recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).

https://www3.bcb.gov.br/normativo/detalharNormativo.do?N=109079548&method=detalharNormativo

RESOLUCAO 3.785 - Dispõe sobre operações de crédito para café com recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).

https://www3.bcb.gov.br/normativo/detalharNormativo.do?N=109079549&method=detalharNormativo

As informações partem do Banco Central, noticiou o SAAdvogados.

domingo, 20 de setembro de 2009

RTE 2 - Análise Estrutural da Cafeicultura Brasileira - Crédito ao Cafeicultor Brasileiro

PARTE 2 - Análise Estrutural da Cafeicultura Brasileira - Crédito ao Cafeicultor Brasileiro




<< PARTE 1 -

Análise Estrutural da Cafeicultura Brasileira - Relatório do Grupo de Trabalho

Os links para o documento.

Confira o relatório do Grupo de Trabalho – Análise Estrutural da Cafeicultura Brasileira



Crédito ao Cafeicultor Brasileiro

O volume de crédito alocado ao setor, identificado pelo Grupo de Trabalho, foi superior ao sempre mencionado pelas lideranças. E sabemos que nele não se inclui financiamentos junto a fornecedores e linhas de crédito pessoais, utilizadas pelos produtores quando pressionados a “rolar” dívidas.

A composição da dívida do cafeicultor brasileiro junto a linhas de crédito normais para a atividade, conseguida a partir dos estudos do Grupo de Trabalho é a seguinte:

Clique para ampliar a tabela
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As informações obtidas junto aos bancos privados, infelizmente não foram fornecidas de forma detalhada por região, como foi o caso do Banco do Brasil.

Considerando-se que os representantes desses bancos, quando consultados, anotaram a inexistência de problemas significativos, e recomendaram a não adoção de medidas generalizadas para solução de eventuais inadimplências, optamos por apenas registrá-las e formular solução específica apenas para as dívidas lastreadas em recursos do Funcafé.



O quadro acima detalha as operações do Banco do Brasil, excluídas as dívidas relativas aos programas de dação em pagamento (alongamento do Funcafé), já renegociados para vencimento até 2020, com taxas de juros adequadas e previsão de bônus de adimplência, além da possibilidade de pagamento em café ao preço de garantia da época do vencimento.



Clique para ampliar a tabela
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A demonstração das dívidas relativas aos programas de dação (alongamento do Funcafé) e securitização está efetuada no quadro abaixo:



Numa primeira e rápida observação verificamos que o valor devido pelos cafeicultores, em linhas de crédito específicas para a atividade, é muito superior ao que se mencionava inicialmente, nas negociações entre as lideranças e o governo. Observamos ainda que o nível de inadimplência não é exagerado, apesar da indiscutível crise de renda que o setor atravessa, e que o maior volume emprestado é de recursos exclusivos do sistema financeiro, de modo que o Funcafé hoje não passa de coadjuvante no financiamento ao setor.

Esse crédito, de certa forma superior ao necessário, indica que há um número elevado de produtores com capacidade financeira para tomar empréstimos com nível de risco aceitável, já que são poucas as linhas de renegociação. E não podemos deixar de anotar também que esse volume de recursos está viabilizando uma produção superior à capacidade de absorção do café produzido pelo mercado, o que justifica o preço recebido pelos produtores e o diferencial dos “Cafés do Brasil”. Estamos induzindo nossa produção a financiamentos e não a preços, o que nos dá agressividade comercial, mas baixa os preços e diminui ou inviabiliza a rentabilidade dos produtores.

Pleitos do Setor da Produção do Café

1 - Transparência – Auditoria nas dívidas dos devedores para obter-se cenário real da situação em que se encontra a produção.

2 – Soluções para o endividamento:

2.1. – Conversão do endividamento passado e presente – vencido e não vencido – de todas as fontes de recursos transformadas em sacas de café – equivalência produto – por 20 anos, que é o tempo de exploração (vida útil de um plantio de café), ao preço de R$ 320,00 por saca.

2.2. – Conversão do endividamento passado e presente – vencido e não vencido – de todas as fontes de recursos transformadas em CPR’s (Cédula de Produto Rural), por 20 anos, que é o tempo de exploração (vida útil de um plantio de café), ao preço de R$ 320,00 por saca.

2.3. – Troca do endividamento passado e presente – vencido e não vencido – de todas as fontes de recursos pela erradicação dos pés de café.

3 - Preços de conversão para equivalência de produto – R$ 320,00 por saca de café tipo 6/7.

4. – Preço mínimo de garantia – R$ 320,00 por saca de café (tipo 6/7, até 120 defeitos).

5 - Leilões de opções (já aprovados) de R$ 1,0 bilhão, revendo o preço das opções para R$ 320,00, tipo 6/7 até 120 defeitos, e o vencimento das opções a serem pagas até dezembro de 2009 (equivalente a 3 milhões de sacas de café).

6 – Novo PEPRO – prêmio de R$ 20,00 por saca – significando a liquidação das opções, se houver entrega do produto, a R$ 300,00 a saca de café (padrão tipo 6/7 até 120 defeitos), significando preço de exercício de R$ 320,00 por saca.

7 – Programa de capitalização das cooperativas e de seus associados.

8 – Todos estes programas devem atingir todos os produtores de café sem exceção e suas cooperativas.

9 – Inclusão da lavoura de café como fonte captadora de CO².

10 – Não aprovação do novo Acordo Internacional do Café (MSC 277/2009). Aprovação somente após ampla discussão nas Comissões Temáticas do Congresso Nacional.

11 – Nova gestão e governança no Fundo de Defesa do Café – FUNCAFÉ.



Resultado de Reunião Efetuada com as Instituições Financeiras

O grupo de trabalho que analisou a situação estrutural da cafeicultura brasileira efetuou reunião com representantes das instituições financeiras, à qual compareceu a FEBRABAN, o Banco Bradesco, o Banco Real, o Santander, o Rabo Bank, o Banco do Brasil, Banco Safra, Bancoob, a Crediminas e a Credivar. Os principais pontos anotados foram os seguintes:

- a cafeicultura tem grande crédito no sistema financeiro, e as operações em curso não apresentam problemas significativos;

- pedidos de prorrogação de dívidas são efetuados principalmente por produtores do sul e da Zona da Mata de Minas Gerais, e, na avaliação dos bancos, muitos produtores não cumpriram seus compromissos acreditando em eventuais prorrogações. Consideram que o problema é localizado;

- os bancos foram unânimes em desaconselhar medidas de prorrogação em massa de operações vencidas ou a vencer, condições da qual se valem produtores que poderiam pagar suas dívidas;

- quanto a prorrogações caso a caso, visando sanear produtores em situação especial, consideram que somente deveriam ser efetuadas sob critérios estritos, com programação a cumprir e considerada sua real capacidade de pagamento da dívida resultante;

- as cooperativas de crédito presentes anotaram a existência de problema de renda e de endividamento em elevação, com os produtores depreciando seu patrimônio e exaurindo suas lavouras para manter-se na atividade e preservar-se moralmente. Anotaram também pagamento de dívidas de carteira agrícola com dívidas em carteira pessoal, o que agrava a situação e não permite visibilidade da real situação do produtor;

- comentaram haver um excesso de prorrogações e que prorrogação deixou de ser mecanismo de diminuição de risco, passando a ser o contrário;

- crescimento do Pronaf e de outras linhas tornaram o Funcafé menos importante, de forma que talvez esse recurso devesse ser utilizado de outra forma;

- sugeriram a criação de um percentual da linha para o qual seria permitido às instituições financeiras prorrogar automaticamente casos onde isso se mostrasse necessário desde que o produtor não apresentasse risco elevado;

- as instituições financeiras preferem buscar uma solução definitiva com maior rapidez, caso o problema seja efetivo;

Concluindo, os representantes das instituições financeiras presentes mostraram-se contrários a prorrogações e linhas de crédito especiais, posto que o produtor com problema já se encontre sem crédito, e a postergação da solução resulta em problemas adicionais. Os representantes das cooperativas de crédito, no entanto, mostraram-se mais receptivas a soluções que viabilizem a permanência do produtor na atividade, reconhecendo a existência de um volume de problemas superior ao do sistema financeiro de forma geral. Mesmo a criação de uma linha de crédito especial de capital de giro de longo prazo para saneamento de casos específicos não foi vista com entusiasmo.

Recomendações do Grupo de Trabalho para Solução do Problema

Embora os índices de inadimplência aferidos possam não parecer exagerados, e o Governo Federal tenha tomado medidas tempestivas e preventivas, prorrogando por quatro anos o endividamento vencido junto ao Funcafé em março/09, mediante o pagamento de 20% do valor devido, o comportamento dos preços nos últimos meses indica que os financiamentos de custeio da safra certamente serão pagos com dificuldade.
A cafeicultura vive um momento especial, em que o Brasil aumentou sua participação de mercado, faturou divisas recordes e vemos nossos concorrentes vivendo momento delicado, com produção estagnada e participação decrescente de mercado. Um momento, portanto, propício a mantermos nossa capacidade produtiva, principalmente nas regiões onde produzimos cafés de excelente qualidade, capazes de substituir alguns de nossos mais importantes concorrentes de cafés arábicas. Vemos também nossa economia mais estabilizada, com o real se valorizando (o que eleva os custos em dólares e prejudica nossa competitividade, mas atrai divisas e fortalece a economia interna) e as taxas internas de juros sendo sistematicamente reduzidas, o que viabiliza refinanciamentos a taxas de juros mais razoáveis a uma produção considerada estrategicamente conveniente. Essa situação nos permite concluir que medidas adicionais para o amparo da atividade poderiam ser tomadas visando ganhos econômicos e sociais, de modo que o Grupo de Trabalho recomenda:

1) Compra de Café:

- Compra direta, utilizando até R$ 300 milhões em 2009, de até 1.000 sacos por produtor, ao preço de garantia para o tipo 6 bebida dura para melhor, adquirindo qualidades inferiores considerando preços com deságios para cafés tipo 7 bebidas dura, riada e rio (medida já possível pelo Ministério da Agricultura através do Orçamento das Operações de Crédito, com recursos do Funcafé a serem direcionados para esse programa);

- Compra mediante recebimento de café para pagamento de financiamentos de pré-comercialização, utilizando a mesma tabela de preços e armazéns, sendo que o café recebido será o oferecido em garantia (em seu tipo conforme certificado de depósito), sem transferência de armazém, ou seja, utilizando também armazéns credenciados pela Conab. Volume de R$ 697 milhões equivalentes a aproximadamente 2,6 milhões de sacas;

2) Financiamentos:

- Prorrogação dos financiamentos de custeio e de colheita a vencer entre setembro de 2009 e março de 2010 por quatro anos, considerado um pagamento mínimo de 20% no vencimento, no montante de R$ 860 milhões (1 parcela à vista e mais 4 anuais), tendo os bancos as prerrogativas do MCR 269, ou seja, o produtor deve comprovar a incapacidade de pagamento (voto CMN);

- Permissão de enquadramento na prorrogação por quatro anos do custeio e colheita, inicialmente permitida até março de 2009 pela resolução CMN 3.682/2008, mediante pagamento dos 20% até 30 de outubro de 2009 (voto CMN);
- Concessão de linha de crédito de até R$ 100 milhões, com recursos do Funcafé, para as cooperativas de crédito refinanciar cafeicultores com incapacidade de pagamento de dívidas, com quatro anos de prazo e juros de 6,75%, observado o limite de R$ 200 mil por produtor (voto CMN);

- Permissão de pagamento do financiamento de pré-comercialização em café ao preço de garantia, considerados os tipos para os quais foram determinados deságios em relação ao preço mínimo e aceitando-se o café oferecido dado em garantia, utilizando-se o preço mínimo vigente e os deságios estabelecidos para tipos inferiores, no montante de R$ 697 milhões, equivalentes a aproximadamente 2,6 milhões de sacas;

- Redução das taxas de juros das operações em ser do Funcafé de 7,5% para 6,75% (voto CMN pelo Ministério da Fazenda);

- CPR’s – retomada da utilização da autorização prevista na lei 11.775 (R$ 300 milhões) para refinanciamento de CPR’s vencidas e vincendas 2009, por quatro anos e juros do Funcafé (6,75% ao ano) (voto CMN pelo Ministério da Fazenda e mudança na lei 11.775 quanto ao juros, já providenciada);

- Igualar FAC (linha de financiamento de estocagem para indústria e comércio) à LEC, exigindo que o produto financiado tenha sido adquirido pelo menos ao preço mínimo estabelecido para a qualidade (voto CMN pelo Ministério da Fazenda);

- Possibilidade dos bancos renegociarem débitos até o volume de 8% de linha de crédito aplicada do Funcafé, por até três anos, mediante pagamento de no mínimo os juros devidos até a data da renegociação (decisão já tomada pelo CMN na semana passada);

- Solicitação aos Bancos Privados para que se utilizem das possibilidades de prorrogação estabelecidas no MCR para atendimento do setor, cujos preços tem se situado abaixo dos custos de produção;