Mais do que um hábito, o cafezinho diário se tornou um prazer -e até um luxo- para alguns brasileiros.
De cafeterias dedicadas aos cafés gourmet a vendas de máquinas para residências, o setor investe para desenvolver esse mercado no Brasil e já colhe frutos.
A Nestlé é um exemplo. A empresa estima que a receita de vendas da Nespresso, que pertence ao grupo, tenha aumentado 70% em 2010. A companhia, no entanto, não divulga cifras por região.
Se confirmada, essa será uma das maiores taxas de crescimento da empresa no mundo.
Desde 2000, o seu faturamento cresce, em média, 30% ao ano. Em 2009, a receita foi de US$ 2,8 bilhões.
A Nespresso abriu a sua primeira butique no país em dezembro de 2006.
Hoje, são dez lojas de alto padrão no Brasil -seis na cidade de São Paulo, duas no Rio de Janeiro, uma em Brasília e uma em Campinas.
Nos Jardins, bairro nobre da capital paulista, o preço de um café expresso vai de R$ 4,50 a R$ 6,50, dependendo da variedade. O preço -mais alto do que a média no país- é explicado pela qualidade dos grãos.
Entre todas as regiões produtoras no mundo, a empresa faz uma rigorosa seleção dos grãos e envia a matéria-prima para duas fábricas na Suíça, onde o café é colocado em cápsulas que são postas à venda em mais de 50 países.
Por meio da Nescafé Dolce Gusto, a Nestlé entrou nas residências e tornou mais popular no Brasil o conceito de "cafeteria dentro de casa".
Ela vende máquinas que preparam diferentes bebidas à base de café, a partir das cápsulas produzidas pela própria empresa, fidelizando o cliente.
Desde 2009, quando a marca chegou ao país, três modelos já foram lançados.
Fonte: Folha de S. Paulo
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
COMMODITIES CAMINHAM PARA MAIS UM ANO DE GANHOS EM 2011
As commodities caminham para novas altas em 2011 após dois anos de fortes ganhos que elevaram recentemente o petróleo e os grãos para os maiores valores desde a crise financeira global.
E os analistas, em meio a preços recordes de outras commodities como o cobre, afirmam que o movimento de alta de 2010 ainda não foi concluído.
O setor de commodities em geral subiu 17 por cento em 2010, ampliando o ganho de 23 por cento do ano anterior, de acordo com o índice Reuters-Jefferies CRB.
Tal trajetória superou os 13 por cento do índice de ações S&P500 e os 5 por cento de retorno dos títulos do governo norte-americano .
O paládio liderou os ganhos, enquanto apenas duas das 19 commodities do índice CRB declinaram no ano. O gás natural teve a maior perda, com queda de 21 por cento no ano.
Ganhos de dois dígitos foram a regra, uma vez que os investidores usaram os metais preciosos como hedge contra incertezas. O café e o algodão quase dobraram de preço com a busca de investidores por outros nichos de mercado.
A queda do dólar na sexta-feira ajudou o setor de commodities a encerrar o ano de 2010 com amplos ganhos, com a alta nos momentos finais do cobre --para um recorde--, da prata, para nova máxima de 30 anos, e o petróleo, milho e soja fechando nos maiores valores desde o meados de 2008.
Mas as acelerações dos ganhos nas últimas semanas do ano passado são notáveis por quebrar um correlação há muito tempo intacta com o dólar. Em vez de cair, quando o dólar recuperou-se em novembro e dezembro, as commodities escalaram para novas altas.
Para muitos, isso sugere que o equilíbrio entre oferta e demanda predominando nos mercados sobre os fluxos financeiros, pavimentando o caminho para novas máximas neste ano-- a despeito do dólar que deve se manter, segundo pesquisa da Reuters.
\"Eu acredito que os fundamentos das commodities vão superar qualquer jogo de câmbio em 2011. A situação de oferta, do cobre ao café, é realmente apertada\", disse Sean McGillivray, vice-presidente da Great Pacific Wealth Management, de Oregon.
O Goldman Sachs, grande investidor e operador de commodities, projetou que o cobre vai testar o recorde de 11 mil dólares por tonelada em 2011.
O algodão foi outro grande vencedor, terminando 2010 com alta de 92 por cento. O ouro subiu 30 por cento no ano, o melhor desempenho desde 2007, puxado pelo temor quanto à recuperação da economia global e pelo enfraquecimento do dólar no terceiro trimestre.
O milho subiu quase 52 por cento, para cerca de 6,30 dólares, acima dos 47 por cento de ganhos do trigo e 35 por cento da soja, que avançou para mais de 13,90 dólares por bushel, puxada pelos efeitos climáticos nas lavouras e pelas compras da China.
O trigo teve seu melhor ano desde 2007 depois da seca que afetou as lavouras Rússia e os produtores da região do Mar Negro e reduziu suas exportações. Chuvas recentes na Austrália também levantam temor sobre a qualidade do cereal.
O petróleo subiu 15 por cento sobre 2009, terminando o ano de 2010 em 91 dólares por barril com a retomada da demanda global, o clima frio e queda dos estoques.
O gás natural teve a maior perda, recuando 21 por cento no ano, por oferta maior do produto.
E os analistas, em meio a preços recordes de outras commodities como o cobre, afirmam que o movimento de alta de 2010 ainda não foi concluído.
O setor de commodities em geral subiu 17 por cento em 2010, ampliando o ganho de 23 por cento do ano anterior, de acordo com o índice Reuters-Jefferies CRB.
Tal trajetória superou os 13 por cento do índice de ações S&P500 e os 5 por cento de retorno dos títulos do governo norte-americano .
O paládio liderou os ganhos, enquanto apenas duas das 19 commodities do índice CRB declinaram no ano. O gás natural teve a maior perda, com queda de 21 por cento no ano.
Ganhos de dois dígitos foram a regra, uma vez que os investidores usaram os metais preciosos como hedge contra incertezas. O café e o algodão quase dobraram de preço com a busca de investidores por outros nichos de mercado.
A queda do dólar na sexta-feira ajudou o setor de commodities a encerrar o ano de 2010 com amplos ganhos, com a alta nos momentos finais do cobre --para um recorde--, da prata, para nova máxima de 30 anos, e o petróleo, milho e soja fechando nos maiores valores desde o meados de 2008.
Mas as acelerações dos ganhos nas últimas semanas do ano passado são notáveis por quebrar um correlação há muito tempo intacta com o dólar. Em vez de cair, quando o dólar recuperou-se em novembro e dezembro, as commodities escalaram para novas altas.
Para muitos, isso sugere que o equilíbrio entre oferta e demanda predominando nos mercados sobre os fluxos financeiros, pavimentando o caminho para novas máximas neste ano-- a despeito do dólar que deve se manter, segundo pesquisa da Reuters.
\"Eu acredito que os fundamentos das commodities vão superar qualquer jogo de câmbio em 2011. A situação de oferta, do cobre ao café, é realmente apertada\", disse Sean McGillivray, vice-presidente da Great Pacific Wealth Management, de Oregon.
O Goldman Sachs, grande investidor e operador de commodities, projetou que o cobre vai testar o recorde de 11 mil dólares por tonelada em 2011.
O algodão foi outro grande vencedor, terminando 2010 com alta de 92 por cento. O ouro subiu 30 por cento no ano, o melhor desempenho desde 2007, puxado pelo temor quanto à recuperação da economia global e pelo enfraquecimento do dólar no terceiro trimestre.
O milho subiu quase 52 por cento, para cerca de 6,30 dólares, acima dos 47 por cento de ganhos do trigo e 35 por cento da soja, que avançou para mais de 13,90 dólares por bushel, puxada pelos efeitos climáticos nas lavouras e pelas compras da China.
O trigo teve seu melhor ano desde 2007 depois da seca que afetou as lavouras Rússia e os produtores da região do Mar Negro e reduziu suas exportações. Chuvas recentes na Austrália também levantam temor sobre a qualidade do cereal.
O petróleo subiu 15 por cento sobre 2009, terminando o ano de 2010 em 91 dólares por barril com a retomada da demanda global, o clima frio e queda dos estoques.
O gás natural teve a maior perda, recuando 21 por cento no ano, por oferta maior do produto.
CFTC: posições compradas para café teve leve queda
CFTC: posições compradas para café teve leve queda
Dados da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) divulgados nesta segunda-feira apontaram que os fundos tiveram um ligeiro queda em suas posições compradas no mercado futuro de café da bolsa de Nova Iorque, assim como os contratos em aberto também tiveram ampliação. Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras, sem as opções, os grandes fundos possuíam 37.936 posições líquidas long (44.925 posições long — compradas — e 6.989 posições short — vendidas) no último dia 28 de dezembro. No relatório anterior, referente a 21 de dezembro, eles tinham em mãos 38.114 posições líquidas long (44.842 posições long — compradas — e 6.728 posições short — vendidas). As empresas comerciais registravam, no dia 28, um saldo de 41.500 posições líquidas short (70.155 posições compradas e 111.665 vendidas). No relatório anterior, elas sustentavam 41.521 posições líquidas short (68.887 posições compradas e 110,408 vendidas). Os pequenos operadores tinham, na terça-feira passada na ICE Futures US, um total de 3.564 posições líquidas compradas, sendo 8.467 compradas e 4.903 vendidas. No relatório referente a 21 de dezembro, por sua vez, eles apresentavam 3.407 posições líquidas compradas, sendo 8.699 compradas e 5.292 vendidas. As posições em aberto na bolsa norte-americana eram de 139.628 lotes no dia 28 de dezembro, ao passo que na semana anterior elas somaram 137.925 lotes.
Dados da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) divulgados nesta segunda-feira apontaram que os fundos tiveram um ligeiro queda em suas posições compradas no mercado futuro de café da bolsa de Nova Iorque, assim como os contratos em aberto também tiveram ampliação. Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras, sem as opções, os grandes fundos possuíam 37.936 posições líquidas long (44.925 posições long — compradas — e 6.989 posições short — vendidas) no último dia 28 de dezembro. No relatório anterior, referente a 21 de dezembro, eles tinham em mãos 38.114 posições líquidas long (44.842 posições long — compradas — e 6.728 posições short — vendidas). As empresas comerciais registravam, no dia 28, um saldo de 41.500 posições líquidas short (70.155 posições compradas e 111.665 vendidas). No relatório anterior, elas sustentavam 41.521 posições líquidas short (68.887 posições compradas e 110,408 vendidas). Os pequenos operadores tinham, na terça-feira passada na ICE Futures US, um total de 3.564 posições líquidas compradas, sendo 8.467 compradas e 4.903 vendidas. No relatório referente a 21 de dezembro, por sua vez, eles apresentavam 3.407 posições líquidas compradas, sendo 8.699 compradas e 5.292 vendidas. As posições em aberto na bolsa norte-americana eram de 139.628 lotes no dia 28 de dezembro, ao passo que na semana anterior elas somaram 137.925 lotes.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Disputa entre Starbucks e Kraft fica mais acirrada
Greg Farrell | Financial Times, de Nova York
A Starbucksacertou neste ano as bases de um acordo de US$ 500 milhões com aKraft Foods para recomprar o direito de distribuição do café moído e torrado elaborado pela rede de cafeterias. Mas a Kraft voltou atrás e exigiu US$ 200 milhões adicionais, segundo os documentos judiciais do acirrado processo.
A reclamação da Starbucks acrescenta novos detalhes às diversas declarações da rede de cafés de que o acordo de distribuição entre as duas empresas - acertado em 1998 e revisado em 2004 - chegou a seu ponto mais crítico.
A tentativa da Starbucks de sair do acordo evidencia a intenção da rede de prosseguir com a expansão de seus negócios de produtos ao varejo. A companhia estaria testando uma nova máquina de café, para concorrer diretamente com a Tassimo, da Kraft, e a Nespresso, da Nestlé. Atualmente, as vendas de café ao varejo da Starbucks distribuído pela Kraft nos Estados Unidos somam US$ 500 milhões.
Em 4 de novembro, a Starbucks anunciou que o acordo de distribuição com a Kraft acabaria em março de 2011. Surpreendida pelo anúncio, a Kraft sustentou que o acordo continua em vigor e que se a Starbucks quiser encerrá-lo deveria pagar prêmio de 35% em relação ao valor total do negócio, ou seja, quase US$ 1,5 bilhão.
A fabricante de chocolate quer um mandato judicial contra a Starbucks. As duas empresas apresentarão peças processuais em três semanas, tendo em vista uma possível audiência judicial em 27 de janeiro. A disputa incluiu até a divulgação de e-mails trocados pelos dois poderosos executivos-chefes, Howard Schultz, da Starbucks, e Irene Rosenfeld, da Kraft.
Na segunda-feira, a Starbucks citou um e-mail de janeiro, enviado por Anthony Vernon, alto executivo da Kraft, a Schultz, em que se desculpava pelo desempenho da Kraft e admitia que a relação estava \"muito rompida\". Em outra troca de e-mails entre Schultz e Rosenfeld, o executivo-chefe da Starbucks reclamava dos problemas na relação entre as empresas.
A Kraft também submeteu a questão a uma comissão de arbitragem, seguindo as regras que regem os acordos de distribuição. Ao ter levado o problema à comissão em vez de tentar um acordo, a Kraft corre o risco de sair de mãos vazias do inevitável divórcio.
A Starbucksacertou neste ano as bases de um acordo de US$ 500 milhões com aKraft Foods para recomprar o direito de distribuição do café moído e torrado elaborado pela rede de cafeterias. Mas a Kraft voltou atrás e exigiu US$ 200 milhões adicionais, segundo os documentos judiciais do acirrado processo.
A reclamação da Starbucks acrescenta novos detalhes às diversas declarações da rede de cafés de que o acordo de distribuição entre as duas empresas - acertado em 1998 e revisado em 2004 - chegou a seu ponto mais crítico.
A tentativa da Starbucks de sair do acordo evidencia a intenção da rede de prosseguir com a expansão de seus negócios de produtos ao varejo. A companhia estaria testando uma nova máquina de café, para concorrer diretamente com a Tassimo, da Kraft, e a Nespresso, da Nestlé. Atualmente, as vendas de café ao varejo da Starbucks distribuído pela Kraft nos Estados Unidos somam US$ 500 milhões.
Em 4 de novembro, a Starbucks anunciou que o acordo de distribuição com a Kraft acabaria em março de 2011. Surpreendida pelo anúncio, a Kraft sustentou que o acordo continua em vigor e que se a Starbucks quiser encerrá-lo deveria pagar prêmio de 35% em relação ao valor total do negócio, ou seja, quase US$ 1,5 bilhão.
A fabricante de chocolate quer um mandato judicial contra a Starbucks. As duas empresas apresentarão peças processuais em três semanas, tendo em vista uma possível audiência judicial em 27 de janeiro. A disputa incluiu até a divulgação de e-mails trocados pelos dois poderosos executivos-chefes, Howard Schultz, da Starbucks, e Irene Rosenfeld, da Kraft.
Na segunda-feira, a Starbucks citou um e-mail de janeiro, enviado por Anthony Vernon, alto executivo da Kraft, a Schultz, em que se desculpava pelo desempenho da Kraft e admitia que a relação estava \"muito rompida\". Em outra troca de e-mails entre Schultz e Rosenfeld, o executivo-chefe da Starbucks reclamava dos problemas na relação entre as empresas.
A Kraft também submeteu a questão a uma comissão de arbitragem, seguindo as regras que regem os acordos de distribuição. Ao ter levado o problema à comissão em vez de tentar um acordo, a Kraft corre o risco de sair de mãos vazias do inevitável divórcio.
Mercados de commodities receberam US$ 60 bi no ano
Assis Moreira | De Genebra | Valor Econômico
O total de investimentos financeiros nos mercados de commodities baterá novo recorde ao alcançar cerca de US$ 360 bilhões esta semana. Dez anos atrás, esse segmento de ativos só representava US$ 10 bilhões sob gestão. Conforme o banco BarclaysCapital, de Londres, o fluxo líquido de investimentos adicionais nos índices de commodities este ano deve fechar próximo dos US$ 60 bilhões. Investidores institucionais dominaram as aplicações em matérias-primas em 2010, diversificando seus ativos.
Para analistas, o \"afrouxamento monetário\" nos países desenvolvidos continuará empurrando mais investidores para ações e matérias-primas, em vez de títulos de dívida, por exemplo. Além disso, a atração se explica pela explosão de preços em 2010 em vários mercados de commodities. Produtos como algodão, paládio, café e trigo tiveram altas históricas, superando inclusive a alta de preço do ouro.
O desempenho das commodities é ainda mais significativo porque ocorre no rastro da pior recessão dos últimos tempos que causou um massacre ao redor do mundo.
Os preços de cobre, estanho, borracha e carne de porco também alcançaram recordes históricos este ano. As cotações de açúcar e prata foram as maiores em 30 anos, enquanto as de café e paládio superaram os picos de 13 e 10 anos respectivamente. O crescimento da demanda de petróleo, principal matéria-prima mundial, foi o mais forte em trinta anos. A importação de carvão deve igualmente bater recorde.
Também a demanda global deve superar os picos históricos no biênio 2010/2011 para a maioria dos produtos agrícolas, de acordo com o Barclays. Somente as importações de milho por parte da China aumentaram 3000% em um ano.
O Rind Index, que monitora metais de base atípicos que não são negociados em bolsa, cresce junto com os preços de commodities em geral, indicando a persistência da forte demanda na Ásia. Sem surpresa, a China representa a maior parte dessa demanda.
No entanto, os investimentos financeiros em commodities estão sob crescente pressão de governos, que veem ampliação anormal da volatilidade dos preços e danos para produtores e consumidores.
Em novembro, a forte queda nos preços de matérias-primas durou pouco, mas serviu para ilustrar essa situação. Somente a cotação do açúcar caiu 20% em dois dias.
Essa volatilidade entra de vez na agenda internacional com a decisao da França de buscar no G-20, que reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes, uma melhor regulação dos mercados financeiros ligados às commodities.
Paris estima que os derivativos, concebidos como proteção contra grandes flutuações de preços, tornaram-se ativos financeiros como os outros, utilizados para especulação e favorecendo, na prática, as repentinas altas e baixas dos preços agrícolas e de commodities ligadas à energia.
Estudo preliminar da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), espécie de clube dos países ricos, avalia no entanto que no geral a volatilidade dos preços das matérias-primas não é muito diferente do que aconteceu nos últimos 50 anos para vários produtos. Ou seja, saltos de preços da maioria das commodities agrícolas nos últimos 50 anos seguiram um ritmo similar - valorização em um ano seguida de forte queda no seguinte.
O total de investimentos financeiros nos mercados de commodities baterá novo recorde ao alcançar cerca de US$ 360 bilhões esta semana. Dez anos atrás, esse segmento de ativos só representava US$ 10 bilhões sob gestão. Conforme o banco BarclaysCapital, de Londres, o fluxo líquido de investimentos adicionais nos índices de commodities este ano deve fechar próximo dos US$ 60 bilhões. Investidores institucionais dominaram as aplicações em matérias-primas em 2010, diversificando seus ativos.
Para analistas, o \"afrouxamento monetário\" nos países desenvolvidos continuará empurrando mais investidores para ações e matérias-primas, em vez de títulos de dívida, por exemplo. Além disso, a atração se explica pela explosão de preços em 2010 em vários mercados de commodities. Produtos como algodão, paládio, café e trigo tiveram altas históricas, superando inclusive a alta de preço do ouro.
O desempenho das commodities é ainda mais significativo porque ocorre no rastro da pior recessão dos últimos tempos que causou um massacre ao redor do mundo.
Os preços de cobre, estanho, borracha e carne de porco também alcançaram recordes históricos este ano. As cotações de açúcar e prata foram as maiores em 30 anos, enquanto as de café e paládio superaram os picos de 13 e 10 anos respectivamente. O crescimento da demanda de petróleo, principal matéria-prima mundial, foi o mais forte em trinta anos. A importação de carvão deve igualmente bater recorde.
Também a demanda global deve superar os picos históricos no biênio 2010/2011 para a maioria dos produtos agrícolas, de acordo com o Barclays. Somente as importações de milho por parte da China aumentaram 3000% em um ano.
O Rind Index, que monitora metais de base atípicos que não são negociados em bolsa, cresce junto com os preços de commodities em geral, indicando a persistência da forte demanda na Ásia. Sem surpresa, a China representa a maior parte dessa demanda.
No entanto, os investimentos financeiros em commodities estão sob crescente pressão de governos, que veem ampliação anormal da volatilidade dos preços e danos para produtores e consumidores.
Em novembro, a forte queda nos preços de matérias-primas durou pouco, mas serviu para ilustrar essa situação. Somente a cotação do açúcar caiu 20% em dois dias.
Essa volatilidade entra de vez na agenda internacional com a decisao da França de buscar no G-20, que reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes, uma melhor regulação dos mercados financeiros ligados às commodities.
Paris estima que os derivativos, concebidos como proteção contra grandes flutuações de preços, tornaram-se ativos financeiros como os outros, utilizados para especulação e favorecendo, na prática, as repentinas altas e baixas dos preços agrícolas e de commodities ligadas à energia.
Estudo preliminar da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), espécie de clube dos países ricos, avalia no entanto que no geral a volatilidade dos preços das matérias-primas não é muito diferente do que aconteceu nos últimos 50 anos para vários produtos. Ou seja, saltos de preços da maioria das commodities agrícolas nos últimos 50 anos seguiram um ritmo similar - valorização em um ano seguida de forte queda no seguinte.
Conab aponta queda de 39% em estoques privados de café do Brasil
Conab aponta queda de 39% em estoques privados de café do Brasil
BRASÍLIA (Reuters) - Os estoques de café privados e públicos do Brasil totalizaram 10,4 milhões de sacas de 60 quilos em 31 de março deste ano, informou nesta terça-feira a COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB), anunciando também vendas de um pequeno volume a partir de janeiro.
A CONAB relatou que os estoques privados do maior produtor de café do mundo totalizaram 8,94 milhões de sacas até o final de março, uma queda de 39 por cento ante 14,7 milhões de sacas no mesmo período em 2009.
Estes estoques incluem 8,24 milhões de sacas de arábica e aproximadamente 699 mil sacas de robusta.
O estoques públicos ficaram em 1,5 milhão de sacas até o final de março, mas nenhum dado comparativo com o ano passado foi informado.
O governo aumentou seus estoques de café no ano passado com um programa para comprar até 3 milhões de sacas de produtores em leilões de contratos de opções, com o objetivo de elevar os preços baixos ocasião.
Uma ampla proporção do café que foi entregue contra os contratos foi rejeitada por estar abaixo da qualidade especificada e não foi divulgado um volume total.
O secretário de produção do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, disse nesta terça-feira que o governo pode recomeçar em janeiro a liberar aos poucos quantidades de café produzido no final dos anos 1980, por meio de leilões de estoques públicos.
\"Primeiramente, nós vamos oferecer 50 mil sacas e vender de acordo com as necessidades do mercado\", disse Bertone à Reuters. \"Este é o café que o mercado internacional não está interessado\", disse ele, acrescentando que parte do café foi produzido no final da década de 80.
BRASÍLIA (Reuters) - Os estoques de café privados e públicos do Brasil totalizaram 10,4 milhões de sacas de 60 quilos em 31 de março deste ano, informou nesta terça-feira a COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB), anunciando também vendas de um pequeno volume a partir de janeiro.
A CONAB relatou que os estoques privados do maior produtor de café do mundo totalizaram 8,94 milhões de sacas até o final de março, uma queda de 39 por cento ante 14,7 milhões de sacas no mesmo período em 2009.
Estes estoques incluem 8,24 milhões de sacas de arábica e aproximadamente 699 mil sacas de robusta.
O estoques públicos ficaram em 1,5 milhão de sacas até o final de março, mas nenhum dado comparativo com o ano passado foi informado.
O governo aumentou seus estoques de café no ano passado com um programa para comprar até 3 milhões de sacas de produtores em leilões de contratos de opções, com o objetivo de elevar os preços baixos ocasião.
Uma ampla proporção do café que foi entregue contra os contratos foi rejeitada por estar abaixo da qualidade especificada e não foi divulgado um volume total.
O secretário de produção do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, disse nesta terça-feira que o governo pode recomeçar em janeiro a liberar aos poucos quantidades de café produzido no final dos anos 1980, por meio de leilões de estoques públicos.
\"Primeiramente, nós vamos oferecer 50 mil sacas e vender de acordo com as necessidades do mercado\", disse Bertone à Reuters. \"Este é o café que o mercado internacional não está interessado\", disse ele, acrescentando que parte do café foi produzido no final da década de 80.
Noble já fatura US$ 1 bilhão no Brasil
De São Paulo - Há quatro anos, o grupo asiático Noble Grouptinha seis funcionários no Brasil e uma operação que se limitava basicamente ao negócio de compra e venda de commodities.
Em velocidade asiática, nesses últimos quatro anos a Noble entrou num ciclo de crescimento no país que significou aportes de cerca de US$ 2 bilhões em um vasto portfólio de negócios, extrapolando a originação de matérias-primas agrícolas e minerais, para serviços logísticos, processamento de grãos e café, produção de biocombustíveis e de açúcar.
O brasileiro Ricardo Leiman, que há um ano deixou a diretoria de operações mundiais da empresa para ser o CEO global da Noble, antecipa que a empresa no Brasil deve fechar 2010 com uma receita de US$ 1 bilhão, um crescimento nada desprezível de 66% ante os US$ 600 milhões registrados em 2009. Mundialmente, a companhia, listada na bolsa de Cingapura, fatura US$ 40 bilhões.
A tendência é q ue a fatia brasileira nas receitas grupo cresça. Ele afirma que o Brasil foi o país escolhido pelo grupo como região estratégica em produtos agrícolas. Com terras disponíveis, solo e clima favoráveis, o Brasil tem os patamares de custos de produção adequados às estratégias da empresa. \"Nosso modelo de negócio é controlar a cadeia de suprimento. Para isso, precisamos estar presentes em países de baixo custo de produção e repassar o produtor final a países de alta demanda\", esclarece.
O fato é que hoje, o Brasil, onde a Noble tem 8 mil funcionários, é um celeiro de projetos da empresa. A multinacional colocará em breve em operação uma esmagadora de soja com capacidade para processar 1,3 milhão de toneladas do grão por ano e uma planta de biodiesel no Estado de Mato Grosso, maior produtor nacional de soja.
Além disso, vai inaugurar, no segundo semestre de 2011, um terminal intermodal de açúcar e grãos em Votuporanga (SP), com capacidade para movimentar 1 milhão de tonel adas. O objetivo, diz Leiman, é usar a infraestrutura para volumes próprios e também prestar serviço a terceiros.
O investimento mais recente da Noble no Brasil foi a aquisição das duas usinas paulistas de açúcar e álcool do grupo Cerradinho, por R$ 1,6 bilhão, há duas semanas. A empresa já tinha duas unidades e, agora, com quatro usinas passará a processar 17,5 milhões de toneladas de cana, o que a posicionará entre os maiores do setor.
Juntas as unidades vão produzir 1,34 milhão de toneladas de açúcar, 600 milhões de litros de etanol e cogerar 750 mil megawatts-hora a partir do bagaço da cana. \"Essa posição já é bem representativa. Nossa estratégia é diversificar, não sermos apenas produtores de açúcar e etanol. Não estamos olhando outras aquisições\", afirma Leiman.
A empresa já está operando um terminal de combustíveis líquidos no porto de Itaqui, no Maranhão, e construindo um terminal graneleiro em Santos. Também tem duas misturadoras de fertilizantes, produt o objeto de troca com produtores rurais por commodities. (FB)
Fonte: Valor Econômico
Em velocidade asiática, nesses últimos quatro anos a Noble entrou num ciclo de crescimento no país que significou aportes de cerca de US$ 2 bilhões em um vasto portfólio de negócios, extrapolando a originação de matérias-primas agrícolas e minerais, para serviços logísticos, processamento de grãos e café, produção de biocombustíveis e de açúcar.
O brasileiro Ricardo Leiman, que há um ano deixou a diretoria de operações mundiais da empresa para ser o CEO global da Noble, antecipa que a empresa no Brasil deve fechar 2010 com uma receita de US$ 1 bilhão, um crescimento nada desprezível de 66% ante os US$ 600 milhões registrados em 2009. Mundialmente, a companhia, listada na bolsa de Cingapura, fatura US$ 40 bilhões.
A tendência é q ue a fatia brasileira nas receitas grupo cresça. Ele afirma que o Brasil foi o país escolhido pelo grupo como região estratégica em produtos agrícolas. Com terras disponíveis, solo e clima favoráveis, o Brasil tem os patamares de custos de produção adequados às estratégias da empresa. \"Nosso modelo de negócio é controlar a cadeia de suprimento. Para isso, precisamos estar presentes em países de baixo custo de produção e repassar o produtor final a países de alta demanda\", esclarece.
O fato é que hoje, o Brasil, onde a Noble tem 8 mil funcionários, é um celeiro de projetos da empresa. A multinacional colocará em breve em operação uma esmagadora de soja com capacidade para processar 1,3 milhão de toneladas do grão por ano e uma planta de biodiesel no Estado de Mato Grosso, maior produtor nacional de soja.
Além disso, vai inaugurar, no segundo semestre de 2011, um terminal intermodal de açúcar e grãos em Votuporanga (SP), com capacidade para movimentar 1 milhão de tonel adas. O objetivo, diz Leiman, é usar a infraestrutura para volumes próprios e também prestar serviço a terceiros.
O investimento mais recente da Noble no Brasil foi a aquisição das duas usinas paulistas de açúcar e álcool do grupo Cerradinho, por R$ 1,6 bilhão, há duas semanas. A empresa já tinha duas unidades e, agora, com quatro usinas passará a processar 17,5 milhões de toneladas de cana, o que a posicionará entre os maiores do setor.
Juntas as unidades vão produzir 1,34 milhão de toneladas de açúcar, 600 milhões de litros de etanol e cogerar 750 mil megawatts-hora a partir do bagaço da cana. \"Essa posição já é bem representativa. Nossa estratégia é diversificar, não sermos apenas produtores de açúcar e etanol. Não estamos olhando outras aquisições\", afirma Leiman.
A empresa já está operando um terminal de combustíveis líquidos no porto de Itaqui, no Maranhão, e construindo um terminal graneleiro em Santos. Também tem duas misturadoras de fertilizantes, produt o objeto de troca com produtores rurais por commodities. (FB)
Fonte: Valor Econômico
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Política agrícola não acompanhou avanços do setor rural, diz Luis Carlos Guedes Pinto
por Luciana Franco | Globo Rural
\"Do ponto de vista tecnológico e de produtividade, a agricultura brasileira é um sucesso absoluto\", afirma Guedes
Em outubro, Luis Carlos Guedes Pinto comemorou 45 de carreira. Formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ele se destacou tanto na carreira acadêmica, tendo atuado como pró-reitor de desenvolvimento universitário da Unicamp, como na área publica, onde ocupou diversos cargos importantes, entre os quais se destacam o de presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o de Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Amplo conhecedor do agronegócio brasileiro, Guedes – que está hoje à frente da carteira agrícola do Banco do Brasil – entende que os mecanismos de apoio à agricultura podem ser modernizados de maneira a reduzir os riscos dos investimentos. A seguir, leia um trecho adicional da entrevista publicada com o executivo na edição de novembro da revista Globo Rural.
Globo Rural – Existe uma chance real de o clima seco prejudicar o desenvolvimento das lavouras durante a safra de verão?
Luis Carlos Guedes Pinto – Em geral o fenômeno “La Nina” atinge o oeste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, alguma parte do Mato Grosso do Sul, um pouquinho do oeste do Paraná e marginalmente São Paulo. A ultima grande crise na agricultura brasileira aconteceu entre 2004 e 2006. No ano agrícola 2004/2005 houve uma seca muito grande. Eu me lembro, pois eu era presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A nossa expectativa era de colher 132 milhões de toneladas até dezembro de 2004 e foram colhidas 113 milhões, então houve uma queda de 19 milhões de toneladas, que se refletiu em redução da renda dos produtores. Além disso, naquele ano agrícola o agricultor começou a safra com o dólar cotado a 2,65 reais e quando ele foi vender, o dólar estava 2,10 reais. Então ele comprou insumos com o dólar alto e vendeu a produção com o dólar baixo. Além disso, os preços no mercado mundial estavam baixos e houve um grande ataque de ferrugem da soja, o que elevou ainda mais os custos de produção. Então essa conjugação de fatores provocou a uma grande crise, que inclusive levou a essa renegociação que se fala muito. Depois no período 2005/2006, isso se repetiu em menor escala. A seca não foi tão grave e o dólar continuou caindo. Portanto, a gente não pode saber agora o impacto que a seca vai causar.
GR – E as dívidas do setor são muito altas?
Guedes – Frequentemente as pessoas jogam tudo na mesma conta. Mas o fato é que o produtor rural, além dos recursos próprios pra financiar seus custos, vai ao sistema financeiro, às tradings, e às revendedoras. Então ele tem uma parte da dívida com revendedores, outra com tradings, e também uma parte de dívida corrente, como, por exemplo, quando se financia uma colheitadeira em 8 anos. É necessário destrinchar estes valores. No Brasil, a renegociação da dívida não decorreu somente da crise de 2004 que eu mencionei, mas sim de situações que aconteceram na década de 1990, como o Plano Collor e até mesmo o Real. Alguns destes planos corrigiam as dívidas por índices diferentes dos que corrigiam o ativo do produtor e houve também um problema sério do câmbio, quando o real chegou a valer mais que o dólar. Isso afetou diretamente a cafeicultura, por exemplo. Temos crises em diferentes regiões, que somadas à situação que aconteceu entre 2004 e 2006, levou a uma grande renegociação em setembro de 2008, no montante R$ 75 bilhões.
GR – A agricultura brasileira é considerada moderna?
Guedes – Do ponto de vista tecnológico e de produtividade, a agricultura brasileira é um sucesso absoluto. Nos últimos 20 anos, tivemos um aumento de 25% na área cultivada com grãos e aumento de 172% na produção. O Brasil há 20 anos era importador de carne e de leite. Hoje é o maior exportador de carne do mundo, de açúcar, de álcool, de suco de laranja, de fumo, de café, de soja e grande exportador de algodão. A agricultura brasileira é uma das mais modernas do mundo, mas os instrumentos da política agrícola não acompanharam. Olhe só que numero impressionante. No ano que me formei, 1965, eram exportadas 16 milhões de sacas de café, e este produto representava 50% das exportações brasileiras. Hoje a gente exporta o dobro e o café responde por apenas 2% das exportações brasileiras. É um avanço da agricultura e do Brasil e foram dois vetores que possibilitaram este avanço: a tecnologia e o crédito rural.
CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA NA EDIÇÃO DE NOVEMBRO DA REVISTA GLOBO RURAL
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\"Do ponto de vista tecnológico e de produtividade, a agricultura brasileira é um sucesso absoluto\", afirma Guedes
Em outubro, Luis Carlos Guedes Pinto comemorou 45 de carreira. Formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ele se destacou tanto na carreira acadêmica, tendo atuado como pró-reitor de desenvolvimento universitário da Unicamp, como na área publica, onde ocupou diversos cargos importantes, entre os quais se destacam o de presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o de Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Amplo conhecedor do agronegócio brasileiro, Guedes – que está hoje à frente da carteira agrícola do Banco do Brasil – entende que os mecanismos de apoio à agricultura podem ser modernizados de maneira a reduzir os riscos dos investimentos. A seguir, leia um trecho adicional da entrevista publicada com o executivo na edição de novembro da revista Globo Rural.
Globo Rural – Existe uma chance real de o clima seco prejudicar o desenvolvimento das lavouras durante a safra de verão?
Luis Carlos Guedes Pinto – Em geral o fenômeno “La Nina” atinge o oeste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, alguma parte do Mato Grosso do Sul, um pouquinho do oeste do Paraná e marginalmente São Paulo. A ultima grande crise na agricultura brasileira aconteceu entre 2004 e 2006. No ano agrícola 2004/2005 houve uma seca muito grande. Eu me lembro, pois eu era presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A nossa expectativa era de colher 132 milhões de toneladas até dezembro de 2004 e foram colhidas 113 milhões, então houve uma queda de 19 milhões de toneladas, que se refletiu em redução da renda dos produtores. Além disso, naquele ano agrícola o agricultor começou a safra com o dólar cotado a 2,65 reais e quando ele foi vender, o dólar estava 2,10 reais. Então ele comprou insumos com o dólar alto e vendeu a produção com o dólar baixo. Além disso, os preços no mercado mundial estavam baixos e houve um grande ataque de ferrugem da soja, o que elevou ainda mais os custos de produção. Então essa conjugação de fatores provocou a uma grande crise, que inclusive levou a essa renegociação que se fala muito. Depois no período 2005/2006, isso se repetiu em menor escala. A seca não foi tão grave e o dólar continuou caindo. Portanto, a gente não pode saber agora o impacto que a seca vai causar.
GR – E as dívidas do setor são muito altas?
Guedes – Frequentemente as pessoas jogam tudo na mesma conta. Mas o fato é que o produtor rural, além dos recursos próprios pra financiar seus custos, vai ao sistema financeiro, às tradings, e às revendedoras. Então ele tem uma parte da dívida com revendedores, outra com tradings, e também uma parte de dívida corrente, como, por exemplo, quando se financia uma colheitadeira em 8 anos. É necessário destrinchar estes valores. No Brasil, a renegociação da dívida não decorreu somente da crise de 2004 que eu mencionei, mas sim de situações que aconteceram na década de 1990, como o Plano Collor e até mesmo o Real. Alguns destes planos corrigiam as dívidas por índices diferentes dos que corrigiam o ativo do produtor e houve também um problema sério do câmbio, quando o real chegou a valer mais que o dólar. Isso afetou diretamente a cafeicultura, por exemplo. Temos crises em diferentes regiões, que somadas à situação que aconteceu entre 2004 e 2006, levou a uma grande renegociação em setembro de 2008, no montante R$ 75 bilhões.
GR – A agricultura brasileira é considerada moderna?
Guedes – Do ponto de vista tecnológico e de produtividade, a agricultura brasileira é um sucesso absoluto. Nos últimos 20 anos, tivemos um aumento de 25% na área cultivada com grãos e aumento de 172% na produção. O Brasil há 20 anos era importador de carne e de leite. Hoje é o maior exportador de carne do mundo, de açúcar, de álcool, de suco de laranja, de fumo, de café, de soja e grande exportador de algodão. A agricultura brasileira é uma das mais modernas do mundo, mas os instrumentos da política agrícola não acompanharam. Olhe só que numero impressionante. No ano que me formei, 1965, eram exportadas 16 milhões de sacas de café, e este produto representava 50% das exportações brasileiras. Hoje a gente exporta o dobro e o café responde por apenas 2% das exportações brasileiras. É um avanço da agricultura e do Brasil e foram dois vetores que possibilitaram este avanço: a tecnologia e o crédito rural.
CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA NA EDIÇÃO DE NOVEMBRO DA REVISTA GLOBO RURAL
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
PANORAMA SIMILAR INDICA MAIS ALTAS PELA FRENTE
Os índices inflacionários americanos, divulgados durante a semana, mostraram que a indústria não está repassando aos consumidores os preços crescentes dos alimentos e de energia, calando temporariamente os que criticam o banco central americano por estar injetando dinheiro na economia. Já na China, a alta inflação ainda não convenceu o governo a incrementar os juros internos, talvez pelo receio de atrair mais capital ao país, ou por crer que os aumentos recentes do compulsório sejam suficientes para conter o aquecido consumo.
Na quinta-feira o CFTC (órgão regulador dos mercados futuros americanos) postergou a decisão de impor novos limites de posição à fundos e especuladores, dissipando momentaneamente o medo de haver uma forte liquidação por parte destes participantes, e por consequência ajudando as commodities a subir.
Papai Noel chegou mais cedo e entrega preços mais altos aos produtores de commodities, principalmente os que produzem açúcar, algodão, café e milho, produtos que subiram bem nos últimos 5 dias. O ano de 2010 chega ao fim sendo generoso para os investidores em commodities e ações. Ambas as classes de investimento tiveram uma boa performance na maior parte das regiões, com exceção dos índices de ações dos países que não saíram do noticiário negativo, como por exemplo Grécia (-32%), Irlanda (-13%), Espanha (-24%), Itália (-20%) e Portugal (-12%). Olhando para as commodities que compõe a cesta do CRB, apenas o gás natural e o cacau caíram. Os grandes ganhadores do ano (até sexta-feira) foram o algodão com alta de 98.57%, a prata que subiu 73.07%, o café com ganhos de 65.69%, o milho com 43.91%, e o trigo com 39.75%. Nada mal!
Independentemente da forte alta, a maior parte dos analistas de bancos apontam para um 2011 com mais ganhos para as commodities, o que deve atrair mais dinheiro ao setor. Curioso notar, entretanto, que para o café as previsões são de preços mais baixos, com a “desculpa” do superávit da safra corrente. Nós temos uma visão diferente, dado que o superávit não foi/é suficiente para recompor os estoques dos cafés mais finos, entre outros motivos.
Os contratos futuros de café subiram forte na sexta-feira, e fecharam a semana com alta de US$ 20 por saca em Nova Iorque, US$ 17 por saca em São Paulo e US$ 4.68 em Londres. Tudo indica que o contrato “C” caminha para o seu maior fechamento anual desde 1985, nada menos do que 25 anos – note que em 1997 o mercado chegou a negociar a US$ 318.00 cts (1º mês de negociação) e US$ 277.00 cts (2o mês), mas no último dia útil do ano o ajuste foi de US$ 162.45 centavos e US$ 157.75 centavos respectivamente.
As novas altas em 13 anos e meio que vimos nesta semana refletem a firmeza dos preços no mercado físico. Os diferenciais para os cafés suaves firmaram bem, e no Brasil os produtores mantêm a disciplina de apenas vender com o mercado subindo – e mesmo assim não há volumes tão grandes sendo negociados. Com a demanda externa forte, a situação de emergência na Colômbia provocada pelas enchentes, e com uma boa parte da safra atual da América Central já comercializada, os países produtores não têm pressa em vender seus cafés e estão ainda mais confiantes em preços melhores.
Encerramos o ano com um panorama parecido com o que traçamos no nosso último comentário de 2009, quando falávamos da escassez de cafés de qualidade. A grande diferença é que estávamos em um ano-safra de déficit, e agora temos um ano de superávit liderado pela produção recorde no Brasil. O que acontece é que muito embora sobrará algo em torno de 7 milhões de sacas entre produção e consumo mundial, os estoques de cafés lavados pouco incrementarão. Os naturais brasileiros são os que mais contribuem para a reposição dos estoques, mas os grãos mais finos serão disputados acirradamente.
O barateamento do café robusta (LIFFE) contra o arábica (Nova Iorque) pode forçar uma maior utilização do primeiro, para minimizar o impacto no bolso dos consumidores, e segundo os baixistas não permitir que o mercado suba muito mais. Discordamos do argumento, e o que os diferenciais estão nos mostrando é que Nova Iorque pode subir pelo menos outros 30 centavos por libra. A necessidade de compra dos comerciais, e a oferta de café fino comedida, me faz acreditar que o intervalo de negociação do “C” para 2011 pode ficar entre US$ 200.00 e US$ 280.00 centavos por libra – uma loucura. Outro motivo que me deixa altista é crer que os certificados da ICE, que neste ano caíram quase 1.4 milhões de sacas, devem chegar no fim de 2011 próximo de 300 mil sacas, zerando no ano seguinte. Portanto espero uma convergência cada vez maior entre diferenciais e a bolsa, principalmente via a subida do terminal.
Este é o último relatório do ano de 2010. Voltaremos a publicá-lo no final de semana de 22/23 de janeiro de 2011. Aproveitando o período de Festas, gostaria de desejar aos amigos e leitores desse comentário semanal um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações. O sucesso da Archer Consulting jamais teria sido alcançado sem o prestígio que cada um de vocês nos oferece. Em 2010, o acesso ao site cresceu 225%, com 24.286 visitas de 46 países (China e Índia são 2º e 4º respectivamente) e 159 cidades no Brasil (entre elas, estão Ibaiti, Iperó, Juatuba e Pirapora).
Boas Festas e Feliz 2011 para todos vocês !!
Rodrigo Costa*
Os índices inflacionários americanos, divulgados durante a semana, mostraram que a indústria não está repassando aos consumidores os preços crescentes dos alimentos e de energia, calando temporariamente os que criticam o banco central americano por estar injetando dinheiro na economia. Já na China, a alta inflação ainda não convenceu o governo a incrementar os juros internos, talvez pelo receio de atrair mais capital ao país, ou por crer que os aumentos recentes do compulsório sejam suficientes para conter o aquecido consumo.
Na quinta-feira o CFTC (órgão regulador dos mercados futuros americanos) postergou a decisão de impor novos limites de posição à fundos e especuladores, dissipando momentaneamente o medo de haver uma forte liquidação por parte destes participantes, e por consequência ajudando as commodities a subir.
Papai Noel chegou mais cedo e entrega preços mais altos aos produtores de commodities, principalmente os que produzem açúcar, algodão, café e milho, produtos que subiram bem nos últimos 5 dias. O ano de 2010 chega ao fim sendo generoso para os investidores em commodities e ações. Ambas as classes de investimento tiveram uma boa performance na maior parte das regiões, com exceção dos índices de ações dos países que não saíram do noticiário negativo, como por exemplo Grécia (-32%), Irlanda (-13%), Espanha (-24%), Itália (-20%) e Portugal (-12%). Olhando para as commodities que compõe a cesta do CRB, apenas o gás natural e o cacau caíram. Os grandes ganhadores do ano (até sexta-feira) foram o algodão com alta de 98.57%, a prata que subiu 73.07%, o café com ganhos de 65.69%, o milho com 43.91%, e o trigo com 39.75%. Nada mal!
Independentemente da forte alta, a maior parte dos analistas de bancos apontam para um 2011 com mais ganhos para as commodities, o que deve atrair mais dinheiro ao setor. Curioso notar, entretanto, que para o café as previsões são de preços mais baixos, com a “desculpa” do superávit da safra corrente. Nós temos uma visão diferente, dado que o superávit não foi/é suficiente para recompor os estoques dos cafés mais finos, entre outros motivos.
Os contratos futuros de café subiram forte na sexta-feira, e fecharam a semana com alta de US$ 20 por saca em Nova Iorque, US$ 17 por saca em São Paulo e US$ 4.68 em Londres. Tudo indica que o contrato “C” caminha para o seu maior fechamento anual desde 1985, nada menos do que 25 anos – note que em 1997 o mercado chegou a negociar a US$ 318.00 cts (1º mês de negociação) e US$ 277.00 cts (2o mês), mas no último dia útil do ano o ajuste foi de US$ 162.45 centavos e US$ 157.75 centavos respectivamente.
As novas altas em 13 anos e meio que vimos nesta semana refletem a firmeza dos preços no mercado físico. Os diferenciais para os cafés suaves firmaram bem, e no Brasil os produtores mantêm a disciplina de apenas vender com o mercado subindo – e mesmo assim não há volumes tão grandes sendo negociados. Com a demanda externa forte, a situação de emergência na Colômbia provocada pelas enchentes, e com uma boa parte da safra atual da América Central já comercializada, os países produtores não têm pressa em vender seus cafés e estão ainda mais confiantes em preços melhores.
Encerramos o ano com um panorama parecido com o que traçamos no nosso último comentário de 2009, quando falávamos da escassez de cafés de qualidade. A grande diferença é que estávamos em um ano-safra de déficit, e agora temos um ano de superávit liderado pela produção recorde no Brasil. O que acontece é que muito embora sobrará algo em torno de 7 milhões de sacas entre produção e consumo mundial, os estoques de cafés lavados pouco incrementarão. Os naturais brasileiros são os que mais contribuem para a reposição dos estoques, mas os grãos mais finos serão disputados acirradamente.
O barateamento do café robusta (LIFFE) contra o arábica (Nova Iorque) pode forçar uma maior utilização do primeiro, para minimizar o impacto no bolso dos consumidores, e segundo os baixistas não permitir que o mercado suba muito mais. Discordamos do argumento, e o que os diferenciais estão nos mostrando é que Nova Iorque pode subir pelo menos outros 30 centavos por libra. A necessidade de compra dos comerciais, e a oferta de café fino comedida, me faz acreditar que o intervalo de negociação do “C” para 2011 pode ficar entre US$ 200.00 e US$ 280.00 centavos por libra – uma loucura. Outro motivo que me deixa altista é crer que os certificados da ICE, que neste ano caíram quase 1.4 milhões de sacas, devem chegar no fim de 2011 próximo de 300 mil sacas, zerando no ano seguinte. Portanto espero uma convergência cada vez maior entre diferenciais e a bolsa, principalmente via a subida do terminal.
Este é o último relatório do ano de 2010. Voltaremos a publicá-lo no final de semana de 22/23 de janeiro de 2011. Aproveitando o período de Festas, gostaria de desejar aos amigos e leitores desse comentário semanal um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações. O sucesso da Archer Consulting jamais teria sido alcançado sem o prestígio que cada um de vocês nos oferece. Em 2010, o acesso ao site cresceu 225%, com 24.286 visitas de 46 países (China e Índia são 2º e 4º respectivamente) e 159 cidades no Brasil (entre elas, estão Ibaiti, Iperó, Juatuba e Pirapora).
Boas Festas e Feliz 2011 para todos vocês !!
Rodrigo Costa*
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