Páginas

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Roubini: "Desta vez a Europa está mesmo à beira do precipício"

Roubini: "Desta vez a Europa está mesmo à beira do precipício"






“Parece extraordinário que seja a Alemanha, precisamente, o país que parece não ter aprendido com a história. Obcecada com a ameaça inexistente da inflação, parece que a Alemanha actual dá mais importância ao ano 1923 (o ano da hiperinflação) que a 1933 (ano em que morreu a democracia)”, afirmam o economista Nouriel Roubini e o historiador Niall Ferguson em artigo de opinião no El País.

Os autores criticam o papel da Alemanha no desenrolar da crise da zona euro, consideram que o país foi o principal beneficiado da introdução da moeda única e que será o maior prejudicado se a recessão não for resolvida.

“Nós acreditamos que a política do Governo alemão de fazer algo que serve já de pouco e chega demasiado tarde, corre o risco de provocar precisamente uma repetição da crise da primeira metade do século XX, algo que a integração europeia pretendia evitar”, afirmam.

Para os membros do Conselho para o Futuro da Europa do Instituto Nicolas Berggruen, não seria mal para os alemães recordarem que “uma crise bancária ocorrida dois anos antes de 1933, contribuiu de forma directa à descomposição da democracia, não só no seu próprio país, mas em todo o continente”.

Como sair da crise?

“Em primeiro lugar”, escrevem, “é preciso estabelecer um programa de recapitalização – mediante acções preferenciais sem direito a voto – dos bancos da zona euro, tanto na periferia como no centro, directamente através do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e do seu sucessor, o Mecanismo de Estabilidade Financeira (MEE).

Para Roubini e Ferguson, a “estratégia actual de recapitalizar os bancos através de pedir emprestado aos mercados de dívida soberana, ou ao FEEF, foi desastrosa na Irlanda e na Grécia” porque provocou uma “explosão de dívida pública” e fez com que o Estado se tornasse mais insolvente, a tempo que os bancos se convertam num risco maior na medida em que mais dívida pública está “nas suas mãos”.

“Segundo, para evitar o pânico dos bancos da zona euro – um fenómeno que irá acontecer se a Grécia sair do euro e muito provavelmente em qualquer caso – é necessário criar um sistema europeu de garantia de depósitos”.

Prosperidade alemã

“A prosperidade actual da Alemanha é em grande parte uma consequência da união monetária", dizem Roubini e Ferguson. "O euro deu aos exportadores alemães um tipo de câmbio muito mais competitivo do que o velho marco. E o restdo da zona euro continua a ser o destino de 42% das exportações alemãs. Matar metade desse mercado numa recessão não pode ser benéfico para a Alemanha”.














.

Nenhum comentário:

Postar um comentário