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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Café interrompe série negativa na ICE e se aproxima dos 175 cents

Data: 03/04/2014
Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quinta-feira com ganhos, interrompendo, assim, a semana baixista. O dia foi caracterizado por uma tranquilidade bem maior que a verificada recentemente na casa de comercialização norte-americana. Ao longo da maior parte do pregão, os preços flutuaram dentro de um range estreito, sendo que apenas na parte final do dia os compradores ganharam maior fôlego e permitiram fazer com que o maio se reaproximasse do referencial psicológico de175,00 centavos. A sessão foi, mais uma vez, marcado pelo viés técnico. Os baixistas chegaram a tentar fazer com que a posição de maior liquidez testasse patamares inferiores a 170,00 centavos, mas, ao contrário do observado ao longo da quarta-feira, não demonstram consistência para executar essa operação. O mercado, mantendo o quadro que tem sido verificado ao longo das últimas semanas, continua discutindo fortemente a questão da disponibilidade global do café. Muitos players se mostram preocupados com um déficit mais efetivos, o que poderia fazer com que os estoques globais diminuíssem consideravelmente. A empresa Comexim indicou que estima que os estoques de passagem do Brasil, no início de julho, deverão atingir a marca de 11,5 milhões de sacas, refletindo a quebra causada pelos problemas climáticos recentes. Para efetuar esse cálculo, a exportadora avaliou que no primeiro dia deste ano exercício existiam disponíveis 38,07 milhões de sacas, com o primeiro trimestre tendo uma exportação de 7,5 milhões de verde, além da produção de 800 mil sacas de solúvel e consumo interno de 5 milhões de sacas, o que reduziria o número para 24,77 milhões de sacas. Com base na média, obteve-se o número dos estoques de passagem.

No encerramento do dia em Nova Iorque, a posição maio teve alta de 190 pontos, com 174,60 centavos de dólar por libra peso, com a máxima em 175,00 centavos e a mínima de 170,85 centavos, com o julho registrando valorização de 190 pontos, com 176,70 centavos por libra, com a máxima em 177,00 centavos e a mínima em 173,00 centavos. Na Euronext/Liffe, o maio teve queda de 4 dólares, com 2.016 dólares por tonelada, com o julho apresentando valorização de 1 dólar, para 2.014 dólares por tonelada.

De acordo com analistas internacionais, o dia foi caracterizado por uma volatilidade bem menos intensa, o que permitiu fazer com que os terminais trabalhassem com poucas oscilações ao longo de praticamente toda a primeira metade do dia. Na segunda metade, algumas compras mais efetivas foram registradas, mas com o maio não conseguindo romper o nível psicológico de175,00 centavos, ainda que o fechamento das operações tenha se dado próximo da máxima. No segmento externo, o dia foi de ligeiras quedas para as bolsas de valores nos Estados Unidos e alta do dólar em relação a uma cesta de moedas internacionais. As commodities softs tiveram alta para a maior parte das matérias-primas, com o destaque positivo sendo o açúcar.

"A tendência é que consigamos manter os atuais patamares. O mercado parece ter conseguido achar um teto próximo dos 200,00 centavos, ao passo que o piso parece ficar próximo dos 170,00 centavos, ao menos no curto prazo. O mercado ficou atento a um levantamento efetuado por órgãos especializados em agronomia do Brasil na cidade de Três Pontas, considerada uma das maiores produtoras do país. Naquela região, segundo os técnicos, a perda pode chegar a 45% neste ano, confirmando, assim, os fortes efeitos da seca e do calor intenso, registrados nas primeiras semanas do ano, sobre as lavouras", disse um trader.

A produção de café da Colômbia cresceu 34% em março impulsionada pelo programa de renovação de lavouras do país, pelo aumento da produtividade e também pelas boas condições climáticas, informou a Federacafe(Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia). No mês passado, o país sul-americano produziu 828 mil sacas, contra 617 mil sacas de março de 2013.Enquanto isso, as exportações de café da Colômbia cresceram 37% em março, para 928 mil sacas, em contraste com as 677 mil sacas do mesmo mês do ano passado. A Colômbia, famosa por seus cafés suaves lavados, registrou em 2013 uma safra de10,9 milhões de sacas, um crescimento de 41% em relação a 2012.

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 3.630 sacas, indo para 2.589.269 sacas.

Tecnicamente, o maio na ICE Futures US tem resistência 175,00, 175,50, 176,00, 176,50, 177,00, 177,50, 178,00, 178,30, 178,50, 178,95,179,00, 179,50, 180,00 e 180,50 centavos de dólar, com o suporte em 170,85,170,50, 170,10-170,00, 169,50, 169,00, 168,50, 168,00-167,90, 167,50, 167,00,166,50, 166,00, 165,50, 165,10-165,00 e 164,50 centavos.




Londres tem dia de poucas variações e preços próximos da estabilidade

Os contratos futuros de café robusta negociados na Euronext/Liffe encerraram esta quinta-feira com poucas oscilações, em uma sessão relativamente tranquila, bem diferente do cenário de volatilidade intensa registrado ao longo dos últimos pregões. A posição maio variou nesta quinta dentro de um range curto, de menos de 20 dólares, preservando o suporte de 2.000 dólares.

De acordo com analistas internacionais, o dia foi marcado por uma abertura num patamar muito próximo do fechamento da quarta-feira. Os vendedores e compradores se alternaram, mas as ordens foram apenas modestas e o maio, no lado positivo, não conseguiu ir além de nível de 2.028 dólares, ao passo que a mínima do pregão ficou em 2.009 dólares.

"Tivemos uma sessão técnica, claramente com viés consolidativo. As oscilações foram muito curtas e conseguimos manter os padrões intactos. Esse comportamento tão diverso daquele verificado recentemente seguiu, em parte, o comportamento de Nova Iorque, que também teve uma sessão calma para os arábicas. O desafio em Londres continua sendo preservar o patamar de 2.000 dólares. Por enquanto isso tem sido conseguido, já que a especulação sobre a disponibilidade global continua a existir", disse um trader.

O maio teve uma movimentação ao longo do dia de 7,31 mil contratos, contra 4,23 mil do julho. O spread entre as posições maio e julho ficou em 2 dólares.

No encerramento do dia, o maio teve queda de 4 dólares, com 2.016 dólares por tonelada, com o julho apresentando valorização de 1 dólar, para 2.014 dólares por tonelada.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

ICE Coffee Holds Support, Short-Term Range -- Technical Analysis
Kira Brecht

  ICE May coffee approached spike low support from March 24 in early action Wednesday, but buying
emerged near the intraday lows and support is holding for now. In the very short term, ICE May
coffee remains range-bound between resistance at $1.8105 and support at $1.6600.
ICE May coffee recently traded down 150 points to $1.7375 a pound.
  The coffee market remains in a corrective phase following the sharp price runup throughout
February and into mid March. From the Jan. 28 low at $1.1555, ICE May coffee soared to a high at
$2.0975 on March 12. From there, a swift corrective pullback ensued, which stalled at the March 24
spike low at $1.6600, which is now the bottom of a short-term range trade.
  The shorter-term moving average outlook has weakened in recent days. The May contract is now
trading under its 20-day moving average at $1.8680, which is a bearish position. The market is
testing the 40-day moving average at $1.7499 on Wednesday. Sustained declines under the 40-day
moving average would be a weak signal to the trend following crowd.
  For now the market remains in a corrective phase to the February-March rally and coffee is
vulnerable to additional declines. Traders should watch the $1.8105-$1.6600 range closely. A
sustained downside breakout under support would signal a continuation of the recent corrective
pullback. Next downside supports and targets lie around $1.6290 and then $1.5175, which represent
50% and 61.8% Fibonacci retracements of the late January-mid March rally move.
  On the flip side, if the bulls manage to sustain gains back above $1.8105 that would be a positive
short-term signal and would suggest the market has found a demand area.
  The market chalked up a major market move in the first quarter and it wouldn't be a surprise to
see a period of consolidation or "backing and filling" as the market adjusts to its new higher price
levels.

Chinesas Cofco e Hopu anunciam joint venture e compram 51% da Noble

A chinesa Cofco, gigante estatal de grãos, e a firma de private equity Hopu Investment Management anunciaram nesta quarta-feira (2/4) a formação de uma joint venture com a divisão de agronegócios da Noble Group, cuja sede fica em Hong Kong. Pelo acordo, a Cofco terá dois terços do consórcio com a Hopu e ambas comprarão 51% do segmento de agronegócios da Noble por US$ 1,5 bilhão, um negócio que tende a tornar os preços de grãos mais transparentes para a estatal chinesa.

"A cadeia de suprimentos agrícolas da Noble e capacidades de originação complementam a rede de logística, processamento e distribuição da Cofco na China", disse o presidente da Cofco, Frank Ning, em comunicado. Ele assumirá a presidência da joint venture, enquanto Richard Elman, fundador e presidente da Noble Group, ficará com a vice-presidência, informaram as companhias.

O JP Morgan foi o único assessor financeiro da Noble. Já o Morgan Stanley e a Hopu aconselharam o consórcio.

As especulações sobre uma joint venture foram confirmadas no início de março. Na ocasião, a Noble informou que estava negociando sua divisão de agronegócios, que quase teve o capital aberto em 2011, em operação avaliada em US$ 700 milhões, antes de ser prejudicada pela queda dos preços das commodities, especialmente os do açúcar. A Noble já tem 15% de participação do fundo soberano China Investment e opera com os mais variados produtos, de oleaginosas a algodão, distribuindo-os na Ásia e no Oriente Médio.

Esse é o segundo negócio bilionário feito este ano pela Cofco, que quer expandir sua presença no mercado agrícola mundial. No fim de fevereiro, a empresa adquiriu 51% da trading de grãos Nidera, ampliando sua presença em importantes áreas produtoras, como América Latina e Rússia. O negócio, segundo pessoas próximas, movimentou US$ 4 bilhões.

Pouco conhecida fora da China, a Cofco, fundada em 1949, é a principal importadora chinesa de milho dos Estados Unidos e de trigo da Austrália. Com receita de US$ 34 bilhões em 2012, as compras da estatal refletem a demanda do país asiático por commodities agrícolas. Em 2011, a China se tornou um importador líquido de arroz e a diferença entre exportações e importações tem aumentado ano após ano. Desde 2004, o país compra mais soja do que produz. Em dezembro do ano passado, também importou um volume recorde de milho dos Estados Unidos.

Fonte: Dow Jones Newswires.

Safra brasileira de café deve ficar na casa das 40 mi de sacas, informa consultoria americana J. Ganes Consulting


Em relatório semanal, a J. Ganes Consulting afirma que as perdas na safra 2014/15 poderão chegar aos 40% em áreas mais atingidas pela seca

Apesar das quedas nos principais contratos do café arábica na Bolsa de Nova Iorque, o mercado internacional começa a dar sinais de que está enxergando uma perda séria para a produção brasileira de café. A consultoria norte-americana J. Ganes Consulting, presidida pela analista de commodities Judith Ganes-Chase, informou em seu relatório semanal que a situação nos cafezais já se agravou muito nas últimas semanas e as perdas nas áreas mais atingidas pela seca e pelo calor poderão chegar a 40%.
“Representantes da indústria afirmam que o mercado terá que ‘esperar’ o início da colheita para descobrir o tamanho do estrago causado pela seca. Porém, este tempo é uma ‘eternidade’ para que o mercado fique neste purgatório”, informa o relatório semanal, concluindo que não deve levar muito tempo para a situação se definir, “já que o café está amadurecendo precocemente e a dimensão dos danos já está ficando clara”.
Situação sem precedentes
A consultoria informa que não há registros de uma seca desta magnitude neste período no Brasil nos últimos 50 anos (alguns levantamentos mostram que nem nos últimos 80 anos), portanto, o mercado não tem informações suficientes para saber como será a reação da safra. Assim, negociadores buscam informações de produtores de outros países que passaram por uma situação similar.
Algumas visitas aos cafezais brasileiros foram realizadas por especialistas há pelo menos 4 semanas, quando ainda era muito cedo para se concluir o problema, pois as árvores não mostravam os danos claramente. No entanto, mais um mês com chuvas baixo da média já agravou o problema, mas esta percepção ainda não atingiu o mercado. “Ainda vivemos uma batalha entre compradores e vendedores nas últimas semanas, diante da incerteza sobre os danos causados para as safras 2014/15 e 2015/16”, afirma o relatório de Judith.  
Danos graves 
A analista comenta que alguns investidores continuam acreditando que as perdas foram limitadas, que boa parte da safra não foi atingida pelas secas e que os estoques são grandes o suficiente para cobrir as eventuais perdas. “O mercado só consegue enxergar um modesto déficit de produção no pior cenário. Normalmente, eu concordaria com esta visão, mas as evidências de um dano mais sério estão se acumulando”.
“Eu continuo a enfatizar que os efeitos da seca ainda não eram evidentes durante o mês de fevereiro. Era muito cedo para afirmar o tamanho dos danos e as chuvas ainda conseguiriam beneficiar as lavouras. Mas como as precipitações continuaram abaixo do normal e as temperaturas acima da média, os danos se intensificaram”. Judith também confirma que São Paulo e Minas Gerais foram os dois estados mais impactados pela intensa falta de umidade, embora haja uma grande variação climática de região para região.    
“Há um mês, as árvores ainda tinham frutos verdes, apenas com desenvolvimento atrasado. Agora, eles já estão murchos, começam a amadurecer precocemente, ficam amarelos e queimados pelo sol. Outros ficam vermelhos por fora, mas pretos por dentro e caem no chão”, afirma Judith no relatório. 
Perdas podem chegar aos 40%
Produtores brasileiros, segundo o relatório, terão de decidir entre começar a colher cedo, mesmo não estando preparados para isso, ou esperar e arriscar perder produtividade. Diversos relatórios mostram cafeicultores desapontados ao cortarem frutos e verem grãos pequenos ou malformados. 
“Para alguns produtores, as perdas podem ficar entre 30% e 40%, ou até mais, dependendo da intensidade do calor e da seca. Em regiões mais secas, já se confirma que o café terá qualidade mais baixa, devido aos grãos mais leves. Visões mais otimistas indicam que estas regiões poderão ter perdas de 20%”. 
Áreas onde os cafezais “assaram” sob temperaturas extremamente altas, a previsão é ainda pior. Alguns produtores começam a concluir que a produtividade será tão baixa que não irá cobrir os custos de colheita. “Todos os números referentes ao tamanho da safra são preliminares e sujeitos a revisões, mas eu acredito fortemente que, se forem alterados, serão para menos, pois são poucas as chances de que os cafezais comecem a se recuperar  dessa situação”. 
Safra de 40 mi de sacas
“Se alguém me perguntar qual será o tamanho da safra brasileira de café, direi que estará na casa dos 40 milhões de sacas, eu não vejo uma safra de 50 milhões de sacas... Já para 2015/16, acredito que a safra não atingirá os 40 milhões de sacas, dada a extensão do problema e a falta de crescimento vegetativo, que não poderá ser recuperado, ainda que chova”.
Judith ressalta que abril é um mês em que as chuvas começam a diminuir, com a chegada da estação seca, portanto as árvores precisam se desenvolver com a umidade que foi acumulada no solo durante o período de chuvas. Este ano, elas não terão esta reserva de umidade. 
Estoques
Outro ponto importante ressaltado pelo relatório é o tamanho dos estoques de passagem durante este período de oferta apertada. Nos anos 1970, o mercado do café atingiu altas históricas depois que uma forte geada comprometeu a produção brasileira. “Naquela ocasião, tínhamos um estoque de 49 milhões de sacas de café e as exportações eram de 55 milhões de sacas e o consumo dos produtores era de 19 milhões de sacas. Hoje, os estoques são de apenas 14 milhões de sacas e o uso de produtores é de 42 milhões de sacas, e as exportações mundiais totalizam 116,4 milhões de sacas”. 
Os estoques de consumo também estão limitados. Em 1986, os estoques estavam em 41 milhões de sacas e em 1994, quando o Brasil sofreu com uma geada, eles estavam em 40,5 milhões de sacas. “Nunca tivemos registro de uma grande perda na safra brasileira em um período em que os estoques estavam tão baixos quanto agora”. 
El Niño
Além da atual situação climática complicada, o mercado começa a observar a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no hemisfério Sul durante o segundo semestre. Com o fenômeno, as áreas produtivas poderão receber um excesso de chuvas, o que poderia prejudicar a colheita do café. “Isto levaria a situação de ruim para pior”.

Informações: J. Ganes Consulting

Tradução: Fernanda Bellei

terça-feira, 1 de abril de 2014

Volatilidade no mercado de café cresceu no 1º trimestre

 

Descrição: Claudio Belli/Valor / Claudio Belli/Valor
Para o produtor Luiz Suplicy Hafers, bolsas deveriam ter regulamentação
para evitar distorções no mercado de café


As oscilações do preço do café arábica na bolsa de Nova York estão mais expressivas este ano em comparação com 2013. De janeiro até meados de março, a cotação chegou a subir mais de 80% nos pregões, reflexo das especulações sobre o tamanho da quebra da safra brasileira devido à estiagem.
Do início do ano até ontem, a commodity teve variação igual ou superior a 2% (de alta ou baixa) em 25 dos 61 pregões realizados no período, ante 53 em todo o ano passado, dentre 252 pregões analisados, conforme levantamento do Valor Data. Entretanto, em 2014, as altas acima de 2% em um único dia foram mais que o dobro dos recuos (17 contra 8), enquanto que, em 2013, o número de oscilações negativas foi maior (28 contra 25 pregões).
O preço do café no mercado físico nacional dobrou entre novembro de 2013 e meados de março deste ano, quando o produto chegou a ser negociado por R$ 500. Na última escalada, há mais de dois anos, a cotação demorou um ano e sete meses para ser duplicada, afirma Edson Koshiba, da Pleno Corretora de Café, de Patrocínio.
Conforme Carlos Costa, diretor da Pharos Commodity Risk Management, em 2011, quando os preços subiram por conta da menor produção de café na Colômbia e do recuo dos estoques certificados na bolsa de Nova York, a volatilidade do mercado foi semelhante à que ocorre este ano, com variação de quase 40 centavos de dólar em apenas uma semana.
Atualmente, o que tem estimulado a variação nas cotações do café é a preocupação com os efeitos do clima aliada à perspectiva de redução da produção em virtude de esqueletamentos (podas) feitos no ano passado, quando os preços estavam baixos. Costa afirma que esse cenário gera aumento de participação do capital especulativo.
As incertezas sobre os impactos da seca e do manejo na produção no ciclo 2014/15 e do próximo ano devem manter o mercado de café volátil. Pelas estimativas de Costa, até o fim do ano, a commodity poderá ter um preço médio de US$ 1,70 ou acima por libra-peso. Se ocorrerem geadas ou chuvas na colheita, o preço vai reagir, avalia.
Para Robério Silva, diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), os atuais níveis de preços são razoáveis. "Não vejo razão para os preços não continuarem nesses patamares", disse em entrevista ao Valor na semana passada.
Silva estima que há um equilíbrio entre oferta e demanda de café, com estoques baixos nas mãos dos países consumidores, um consumo estimado em 146 milhões de sacas em 2013 e uma produção de 145,8 milhões de sacas no ciclo mundial 2013/14.
Luiz Suplicy Hafers, cafeicultor e importante liderança no setor agrícola, acredita que o mercado de café ainda terá "preços bons" por aproximadamente dois anos.
Sua avaliação é respaldada na seca que afetou a produção brasileira no Centro-Sul, na redução dos tratos culturais, na falta de renovação das lavouras e de um "certo desânimo dos produtores" diante dos preços baixos em 2012 e 2013. Ele mesmo admite que, neste ano, colocou metade do adubo que normalmente aplica. A produção de Hafers nesta safra 2014/15 deverá ser reduzida para 800 a 1.000 sacas, ante 1.300 no ciclo anterior. "Tive prejuízo", disse.
A propriedade do cafeicultor, localizada em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro, no Estado do Paraná, adquirida em 1962, é mantida por "pura paixão", afirma Hafers, que não tem mais como cuidar intensivamente da cultura.
Na opinião de Hafers, além do cenário de preços sustentados da commodity, a desvalorização do real frente ao dólar deverá "dar um respiro" aos produtores à medida em que permitirá reacomodar os custos, que vinham crescendo. "Mas tenho medo de que isso venha um pouco tarde".
A especulação nas bolsas é alvo de críticas do cafeicultor e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Em sua avaliação, antes o mercado levava em conta apenas oferta, demanda e estoques, mas atualmente há grupos com vastas quantidades de dinheiro que distorcem os fundamentos do mercado. "A bolsa é uma Las Vegas em Wall Street. Não se pode ter alguém com posição maior que 40 mil contratos". Hafers defende uma regulamentação para tornar o mercado de bolsa mais justo, com a adoção de medidas como a limitação das posições.
Nas estimativa de Hafers, o mundo precisa de 50 milhões a 53 milhões de sacas de café do Brasil por ano, mas o fato é que o país nunca chegou a produzir 60 milhões de sacas, conforme estimativas, e até hoje só alcançou uma média de 50 milhões de sacas. Para esta temporada, a 2014/15, ele projeta que o Brasil vai colher 43 milhões de sacas e, praticamente, a mesma quantidade na próxima safra.

segunda-feira, 31 de março de 2014

CAFÉ: ONU ALERTA QUE AQUECIMENTO GLOBAL AMEAÇA LAVOURAS BRASILEIRAS
Alimento mais consumido pelo brasileiro, à frente do arroz e
do feijão, o popular cafezinho pode perder o lugar cativo nas mesas de todo o
país devido às mudanças climáticas. Dados da segunda parte do quinto
relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU
(IPCC, na sigla em inglês), divulgada neste domingo (30), revelam que o aumento
da temperatura média global pode reduzir as áreas destinadas ao cultivo do
grão, especialmente o da variação arábica, que responde por 70% da demanda
global.
    O impacto seria maior em países como o Brasil, maior produtor e exportador
mundial de café. Hoje, uma a cada três xícaras de café consumidas no mundo
é produzida em solo brasileiro. Outros alimentos, como cacau e chá, também
poderiam ser severamente afetados pela onda de calor.
    Baseado em uma compilação de estudos já publicados sobre o efeito do
aquecimento global na produção de café, o relatório, divulgado em Yokohama,
no Japão, aponta que a combinação de altas temperaturas e escassez de
recursos hídricos diminuiria consideravelmente o cultivo do grão nos
principais Estados produtores no Brasil, como Minas Gerais e São Paulo.  Nesses
Estados, diz o IPCC, um aumento de 3 C na temperatura global reduziria o
potencial de cultivo das áreas destinadas ao plantio de café de 70-75% para
20-25%, enquanto que a produção em Goiás seria eliminada.
    Em São Paulo, que responde por 10% do total de café colhido no Brasil, o
aquecimento global reduziria a produção em 60%, causando perdas equivalentes a
US$ 300 milhões (R$ 680 milhões). "Essa tendência já vem sendo observada
nos últimos anos. Entre 1998 e 2008, somente o Estado de São Paulo perdeu 35%
de área cultivada com café arábica, a maioria substituídas por seringueira e
cana-de-açúcar, que são plantas mais tolerantes ao calor e às estiagens
mais longas. Nessas áreas, as temperaturas médias subiram mais de 1,5 C,
afetando diretamente o florescimento (dessas plantas)", afirmou à BBC Brasil
Hilton Silveira Pinto, professor da Unicamp e um dos autores do estudo citado no
relatório do IPCC.
    "Por outro lado, poderá haver um incremento de produção em regiões
hoje mais frias, como Paraná, Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, mas esse
acréscimo não será capaz de compensar as perdas gerais da cultura",
acrescentou ele.
Cálculos matemáticos
    A partir de simulações matemáticas, Silveira Pinto, da Unicamp, e
Eduardo Assad, da Empraba, fizeram uma estimativa futura sobre a redução da
área destinada ao cultivo do café em dois cenários: um otimista (B2), segundo
o qual a temperatura global deve crescer entre 1,4C e 3,8C até 2100, e
outro pessimista (A1), que prevê uma onda de calor entre entre 2C e 5,4C no
mesmo período.
    No primeiro cenário, os pesquisadores estimaram uma queda de 6,75% na
área destinada ao cultivo do café até 2020. Mas em 2050, o total de terrenos
propícios ao plantio do grão poderia diminuir 18,3%, chegando a 27,6% em 2070.
Nesse contexto, o aquecimento global poderia trazer prejuízos de R$ 600
milhões em 2020, R$ 1,7 bilhão em 2050 e R$ 2,55 bilhões em 2070,
acrescentam.
    Já no segundo cenário, o mais pessimista, a queda da área de baixo risco
começa com 9,48% em 2020, subindo para 17,15% em 2050 e chegando a 33% em
2070, o que representaria um perda de R$ 882 milhões, R$ 1,6 bilhão e R$ 3
bilhões, respectivamente.
Brasil
    Em 2013, ano considerado de safra curta, a produção total de café no
Brasil foi de 2.918.652 quilos, o equivalente a 48,6 milhões de sacas de 60
quilos. Neste ano, o IBGE prevê um aumento de apenas 0,1% na produção, que
deve alcançar 2.922.303 quilos.
    No entanto, estima-se que haverá uma redução de 3,2% da área destinada
à colheita do café arábica, que responde por dois terços da produção
total. Se a previsão for confirmada, será a primeira vez em mais de 20 anos
que não será observada a alternância de safras.
    Isto é, safra cheia nos anos pares e safra curta nos ímpares. De 1992 a
2013, a tendência foi observada sem interrupções. As estimativas já levam em
consideração o impacto do clima extremo que atingiu as fazendas de café
brasileiras neste ano, depois que uma seca de grandes proporções eliminou 25%
das lavouras e forçou 140 cidades a racionar água.
    Porém, entidades do setor dizem que as previsões do IBGE estão
descoladas do mercado. Segundo elas, a produção será ainda menor do que a
prevista pelo instituto, dadas as intempéries relacionadas às mudanças
climáticas.
    Por causa das altas temperaturas, a colheita do café também teve de ser
antecipada neste ano entre 15 a 25 dias. No caso do arábica, a colheita, que
normalmente ocorre no final de maio, foi adiantada para o início do mesmo mês.
    Já os produtores da variação robusta (ou conilon) que tradicionalmente
é colhida antes do arábica devido à fenologia, deverão começar para valer a
colheita em meados de abril, quando isso seria feito somente no início de
maio, após chuvas abundantes terem antecipado as floradas e favorecido a
formação do grão, segundo a agência de notícias Reuters. As informações
são da BBC.


Café volta a ganhar corpo na ICE e suplanta resistência

O viés consolidativo do mercado de café não durou por muito tempo. Nesta sexta-feira, novamente os contratos futuros de café negociados na ICE Futures US tiveram um significativo avanço e conseguiram fechar os trabalhos acima do nível psicológico de 180,00 centavos de dólar por libra peso. A sessão foi baseada em boas aquisições especulativas e coberturas deposições short. Depois de uma abertura modesta, rapidamente as ordens de compra passaram a ser processadas, até o rompimento da resistência de 180,00 centavos. O mercado demonstrou solidez ao conseguir se manter acima desse referencial. Já os vendedores, que deram demonstração de atividade ao longo dos últimos dias, ao longo deste pregão se mostram muito mais discretos, sem interferir na consolidação dos ganhos. A questão da disponibilidade global continua na pauta dos players e, diante de tantas incertezas quanto à safra brasileira, alguns players continuam a atuar de maneira mais conservadora, efetuando compras protetivas e, assim, dando um bom suporte para os preços nos terminais da casa de comercialização norte-americana.

No encerramento do dia em Nova Iorque, a posição maio teve alta de 425 pontos, com 180,60 centavos de dólar por libra peso, com a máxima em 181,05 centavos e a mínima de 176,40 centavos, com o julho registrando avanço de 430 pontos, com 182,60 centavos por libra, com a máxima em 183,05 centavos e a mínima em 178,50 centavos. Na Euronext/Liffe, o maio teve alta de13 dólares, com 2.096 dólares por tonelada, com o julho apresentando valorização de 13 dólares, para 2.093 dólares por tonelada.

De acordo com analistas internacionais, o dia foi marcado por ações técnicas e pela retomada de força dos compradores, que se viram, por vários pregões, de lado, diante de um movimento corretivo mais efetivo, após o maio tocar o teto de 200,00 centavos de dólar. No segmento externo, o dia foi de altas nas bolsas de valores dos Estados Unidos, o dólar voltou a ter pouca oscilação, ao passo que, nas commodities, o petróleo teve mais uma alta, com a maior parte dos softs subindo, com destaque positivo para o café e algodão.

"Tivemos um dia interessante, com uma mudança de padrão, após as baixas da semana passada. Com isso, conseguimos fechar a semana com alta de mais de 5%, demonstrando que o mercado se mantém sustentado. No físico brasileiro, os produtores acreditam em bases ainda mais interessantes e os negócios são limitados", disse um trader.

"Os agrônomos inspecionam os cafezais, constatam os danos, mas informam que ainda é cedo para se falar em números. Há muitas décadas não enfrentamos uma anormalidade meteorológica tão séria e prolongada como esta, o que dificulta os prognósticos. Operadores de mercado se adiantam e começam a arriscar números. Aparecem estimativas para todos os gostos e interesses", indicou o Escritório Carvalhaes, em seu comentário semanal. A empresa sustentou que "o mês com maior número de contratos em aberto na bolsa de Nova Iorque é maio próximo e o segundo é julho. Em maio estaremos no início dos trabalhos de colheita da safra brasileira de arábica e em julho em plena colheita, portanto ainda sem números precisos sobre o volume das perdas em nossa produção. O tamanho dos interesses envolvidos nesses dois vencimentos explica a guerra de informações que estamos assistindo", finalizou.

As exportações brasileiras no mês de março, até o dia 26,totalizaram 1.545.623 sacas, queda de 8% em relação às 1.680.031 sacas embarcadas no mesmo período do mês anterior, de acordo com informações do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram alta de 4.556 sacas, indo para 2.591.914 sacas.

Tecnicamente, o maio na ICE Futures US tem resistência181,05, 181,50, 182,00, 182,50, 183,00, 183,50, 184,00, 184,50, 184,90-185,00,185,50, 186,00, 186,50, 187,00 e 187,50 centavos de dólar, com o suporte em176,40, 176,00, 175,50, 175,00, 174,50, 174,00, 173,60-173,50, 173,00,172,50,172,15, 172,00, 171,50, 171,00, 170,50, 170,10-170,00, 169,50, 169,00, 168,50,168,00, 167,50, 167,00, 166,50 e 166,00 centavos.




Londres tem dia de valorização , mas não se mantém acima dos US$ 2.100

Os contratos futuros de café robusta negociados na Euronext/Liffe encerraram esta sexta-feira com ganhos leves, como maio chegando a testar o nível de 2.100 dólares, mas finalizando as operações do pregão abaixo desse patamar psicológico.


De acordo com analistas internacionais, o dia seguiu o bom desempenho dos arábicas em Nova Iorque e algumas ações de arbitragem contribuíram para as altas do pregão. A máxima desta sexta-feira foi de 2.108dólares. Nesse nível, contudo, algumas realizações foram identificadas, o que permitiu fazer com que o maio se posicionasse abaixo do referencial.

"Ao final, tivemos uma sessão relativamente calma e com poucas novidades. Os ganhos vieram, mas o maio ficou apenas próximo da resistência de 2.100 dólares. Estamos vendo um aumento das operações de rolagens, com o julho tendo hoje apenas 9 mil lotes em aberto a menos que o maio", disse um trader.

O maio teve uma movimentação ao longo do dia de 6,25 mil contratos, contra 6,03 mil do julho. O spread entre as posições maio e julho ficou em 3 dólares.

No encerramento do dia, o maio teve alta de 13 dólares, com2.096 dólares por tonelada, com o julho apresentando valorização de 13 dólares, para 2.093 dólares por tonelada

sexta-feira, 28 de março de 2014

SEMANA: VOLATILIDADE E INCERTEZAS MARCARAM CAFÉ NO MES DE MARÇO
No mercado internacional de café, março de 2014 vai ser
lembrado como um mês de extrema volatilidade e de incertezas. O começo de ano
vem sendo das maiores oscilações entre mínimas e máximas na Bolsa de Nova
York para o arábica deste século, e isso se justifica pela apreensão e falta
de convicção em relação ao que pode ter sido perdido da safra brasileira
deste ano em função do clima seco e das altas temperaturas de janeiro e
fevereiro.
    A quebra é certa, assim como também se sabe que a produção de 2015 deve
ser afetada. Mas a dúvida é o tamanho real que o problema causou. Assim, NY
subiu na primeira metade de março até atingir no contrato maio o pico de
fechamento de 205,95 centavos de dólar por libra-peso no dia 13. Aí vieram as
chuvas sobre o cinturão cafeeiro do Brasil e o mercado passou a ter fortes
ondas de realização de lucros e correções técnicas. O resultado foi que as
cotações caíram até atingir no último dia 25 um fechamento em 175,30
cents/lb. E isso que nas mínimas ao longo das sessões o mercado foi tanto mais
abaixo que esse valor mínimo na queda quanto mais acima do topo indicado de
fechamento quanto teve seus ganhos.
    "Esse comportamento apenas exemplifica a insegurança que toma conta do
mercado. O teor climático e a incerteza em torno da dimensão da quebra
brasileira marcam as idas e vindas do preço do café no mercado internacional.
E isso chegou a um ponto em que poucos querem arriscar uma previsão de safra do
Brasil, que está prestes a ser colhida", diz o analista de SAFRAS & Mercado,
Gil Barabach. Ele lembra que nos últimos meses já se falou de safra
brasileira de  8 a até 46 milhões de sacas, "uma diferença de 12 milhões
de sacas, maior que a produção colombiana nas últimas temporadas."
     A falta de um parâmetro confiável em relação à quebra brasileira deve
continuar trazendo volatilidade ao mercado, acredita o analista. Em meio à
nebulosidade, prevalece a ideia de que o Brasil terá uma safra abaixo de 50
milhões de sacas. "No entanto, o exportador e os operadores internacionais
acreditam que a produção ficará mais próxima dos 50 milhões, enquanto os
produtores acreditam em algo mais distante desse referencial produtivo. Assim,
se a safra ficar próxima desse referencial haverá menos espaço para alta, um
vez que o mercado já precificou essa quebra. Agora se a produção ficar muito
abaixo dessa linha produtiva, há ambiente para novo repique e o mercado pode
testar novas máximas de preços. Por isso, tem muita gente trabalhando com um
cenário de preço bastante largo, contemplando as duas realidades", avalia.
     O analista destaca que, além da safra 2014, também são grandes as
dúvidas em relação à produção no ano que vem. A estiagem associada às
temperaturas elevadas devem trazer sequelas também para a safra em 2015. "Tem
gente, inclusive, acreditando que a quebra na safra será ainda maior para o
próximo ano. E lógico, isso alimenta mais as especulações e favorece a
volatilidade nos preços", ressalta.
    O fato é que o café depois de ir além de 200 centavos, acabou devolvendo
parte dos ganhos e na queda chegou a trocar de mãos a 166 centavos de dólar
por libra na última segunda-feira (24) na ICE Futures em Nova York. "A perda
do suporte de 170 cents serviu de gatilho para uma nova correção altista,
expondo exageros e alertando para a falta de segurança produtiva que ainda
permeia o imaginário do mercado. E isso favoreceu a subida das cotações. A
irregularidade das chuvas sobre o cinturão produtivo brasileiro  também foi um
aliado para o avanço das cotações", indica Barabach
    "Em meio à toda a incerteza, o mercado de café busca consolidar o
suporte de 175 cents e voltar a se aproximar do patamar de 180 cents em NY, que
muitos acreditam deveria ser o patamar de acomodação pós-correção. Até que
se tenha uma ideia mais clara sobre a safra brasileira, que só deve vir com um
avanço sólido da colheita e do beneficiamento,  o mercado deve seguir
volátil e, por isso, sujeito a subidas e descidas expressivas", alerta o
analista
    O balanço de março mostra que na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE
Futures) o contrato maio do arábica acumulou desvalorização de 2,2% até o
fechamento do dia 27 (quinta-feira), passando de 180,30 centavos de dólar por
libra-peso do final de fevereiro para 176,35 cents/lb (fechamento de 27/03). Na
Bolsa de Londres (LIFFE), a posição maio no mesmo comparativo teve alta de 2%,
passando de US$ 2.043 a tonelada para US$ 2.083.
    Enquanto isso, no Brasil, a turbulência do mercado assustou os agentes e
diminuiu o ritmo das negociações nos tombos, com os produtores se afastando
dos negócios. No balanço mensal do mercado físico brasileiro, o café
arábica bebida boa do sul de Minas Gerais caiu de R$ 430,00 para R$ 425,00 a
saca até o dia 27, baixa de 1,2%. O conilon caiu de R$ 255,00 para R$ 250,00 a
saca no comparativo, baixa de 2%, para o tipo 7 em Vitória/Espírito Santo. A
baixa do dólar comercial de 3,3% no balanço do mês contribuiu para a pressão
sobre os preços do café em reais.


Produção do Brasil não deve passar de 40 milhões de sacas, diz Alemar Braga Rena
27/03/2014
A safra de café brasileira poderá ter perda acima dos 25% e seu volume não deve passar os 40 milhões de sacas, segundo Alemar Braga Rena, produtor rural e professor aposentado em fisiologia pela universidade de Viçosa-MG, que fez um amplo estudo sobre as perdas da cafeicultura no Brasil. “Diante da afirmação de alguns órgãos do governo, a situação não é tão grave, mas ela é grave!”.
Além de ter grãos de baixa qualidade, a produção total de café será pequena e deve ficar abaixo dos 40 milhões de sacas. “Isso estou falando em relação à quantidade, não estou falando em massa nem tipo... O café cereja descascada será uma jóia rara este ano no Brasil”.

Rena afirma que em sua propriedade, em Viçosa, os danos não são tão severos, já que ele deve colher uma média de 22% de grãos ‘bóia’. “O crescimento dos grãos foi muito pequeno... Esses frutos que irão boiar na hora da lavagem vão refletir no café CD (cereja descascada), que é o café de boa bebida... E nós aqui a 750 metros, e outras propriedades iguais, não bebe se não for CD, então haverá uma perda considerável de qualidade e de tipo de café”.

Rena afirma ainda que no país a perda pode ser ainda maior. “Em termos de Brasil, eu estimo que isto esteja acima de 25%, considerando todas as informações que me foram passada e (o que vi) em minhas viagens”.

O déficit hídrico registrado em toda a região produtora, segundo o professor, não teve impacto sobre as plantas, mas se refletiu nos grãos. “Eu não estou considerando a situação do Conillon, mas o que eu tenho de informações de pessoas da área de pesquisa o Conillon que não é irrigado também irá perder, e a maioria também não é irrigada”.

O Professor Alemar Braga Rena , será um dos palestrantes do 20.ª edição do Seminário Internacional de Café de Santos, que acontecerá  nos dias 7 e 8 maio de 2014,
em Guarujá, São Paulo, numa iniciativa da Associação Comercial de Santos.