Caindo como chumbo na água.
O mercado de café fecha a semana dentro do alvo marcado no comentário da semana passada a 241,50 depois de fazer novo fundo em 238,00, que era outro alvo entre uma projeção de três pernas da ultima perna de baixa do mercado.
O mercado que já precificou a possibilidade de falta de café por o Brasil ter um ano de ciclo de baixa na produção algo normal na cafeicultura, parece pronto para precificar a safra vindoura.
Após o Brasil ter batido o recorde de exportação de café no ano safra fica claro que se o aumento de consumo foi normal houve sobra de matéria prima nos países compradores, o que hoje lhes dão a oportunidade de poder esperar dias melhores para reposição deste estoque.
O produtor em sua crendice que mercado possa haver um skeezy no mercado físico, o que seria inédito do café, pois nunca houve falta de café em faze nenhuma do mercado, mas sim um aperto de oferta em determinado tipo de qualidade de mercadoria, bom assim sendo não espere por milagre, porque o raio não cai duas vezes no mesmo lugar e ficar esperando café com preço acima e R$500,00 não seriam somente inconseqüentes, mas também imprudente.
Depois de décadas de depressão esperar por preços acima do que o mercado paga hoje em plena crise financeira não seria apenas acreditar em papai Noel, mas também em coelhinho da páscoa duendes e fadas azuis.
A realidade do produtor no seu dia a dia para trazer o café ate a mesa do consumidor é árdua, e difícil, para deixar passar a oportunidade.
Existe hoje negociação onde o produtor pega R$300,00 por saca de adiantamento par tentar vender café melhor no futuro, nesse adiantamento ele paga juro e deixa de receber juro no caso de vender o café hoje e procurar uma aplicação financeira, ou seja, o juro se torna dobrado, só um exemplo, se vender café hoje a R$430,00 reais e aplicar o dinheiro teria que vender acima de R$500,00 para fazer o mesmo dinheiro fora o stress, portanto deixar de vender café hoje nos preços que estamos para pegar dinheiro adiantado e pagar juro é mesmo que vender CPR e anos atrás quando café era $40,00 dólares por saco de 60 kg, um verdadeiro tiro no pé, suicídio chame do que quiser.
Eu da quinta geração cafeeira sei de uma coisa, produzimos para vender com o sonho de vender a preços altos, a preços honestos pelo nosso trabalho e deixar de fazer preço e esperar condição melhor do que a vivemos, posso lhes dizer estão ficando louco.
As noticias da macro economia não existe como estar pior, estão pagando cartão de credito com cheque especial, ou seja, estão remontando dividas e colocando juro em cima, a divida já é impagável e ainda prometem pagar com juro, alguém vai sair perdendo.
A semana fecha tecnicamente perto da mínima prometendo novas mínimas e abre alvo agora para 2,20 onde para mim vamos buscar 1,80 em Nova Iorque como alvo onde o mercado pode começar a refletir os estoques baixos e montar repique para 2,20. Estamos em tendência de baixa e não existe ninguém com juízo a fim de apostar, portanto esperem por uma correção forte, o que venho a muitos dias comentando neste espaço.
Vamos esperar as noticias dos remendos que irão fazer nas economias, porque as emendas propostas até agora são simplesmente remendos e nos prevenir.
Espero que os produtores deixem de acreditar em estórias da carochinha e entendam o que esta por acontecer e se previnam, pois um homem prevenido vale por muitos.
Boa semana a todos e bons negócios
Wagner Pimentel
WWW.cafezinhocomamigos.blogspot.com
domingo, 24 de julho de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Governo prepara edital para construir quatro novos portos
Governo prepara edital para construir quatro novos portos
SANTOS - O ministro-chefe da Secretaria de Portos (SEP), Leônidas Cristino, disse que o governo está "avançando" na abertura de licitações Daniel Wainstein / ValorMinistro da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino: licitações para projetos no Pará, Amazonas, Bahia e Espírito Santopara a construção de quatro novos portos e terminais: porto de Manaus, Porto Sul, na Bahia, porto de Águas Profundas, no Espírito Santo, e terminal de múltiplo uso de Vila do Conde, no Pará. Todos eles estão em fase de estudos para lançamento dos editais, o que deve ocorrer até o fim do ano. Os mais adiantados são o de Manaus, que tem projeto básico e está em fase de conclusão do estudo de viabilidade técnica e econômica, e o de Vila do Conde. Na quarta-feira, foi realizada audiência pública na Companhia Docas do Pará sobre a licitação das áreas de arrendamento. Os dois portos representam investimento de R$ 2 bilhões.Em entrevista ao Valor, Cristino negou que o governo estuda a privatização do sistema portuário e reafirmou a manutenção do atual modelo. O arcabouço legal do setor prevê a concessão de porto público à iniciativa privada, por meio de licitação, por até 50 anos e autorização de terminal privativo, sem limite no tempo, desde que o empreendedor tenha carga própria. Segundo Cristino, o governo não prepara alteração no marco regulatório.Parte da iniciativa privada reivindica a flexibilização da legislação portuária, com a eliminação de licitações para construção de portos, para acelerar os investimentos em infraestrutura. Atualmente, só é possível abrir mão da licitação quando o empreendedor tem carga própria em quantidade superior à de terceiros e usa o porto como forma de verticalizar seu negócio principal, como, por exemplo, Petrobras e Vale. Se a finalidade do negócio é prestar serviço de movimentação a terceiros, a regra é a licitação. O Brasil conta com 129 portos privativos e 34 portos públicos marítimos."O que está na lei é o que vamos continuar a fazer no futuro próximo. Por enquanto não existe intenção de mudança", afirmou Cristino. "O sistema portuário nacional é de porto público com operação privada. Agora, se alguém precisa de porto, o governo federal tem a estrutura legal para fazer a autorização para construção de um terminal de uso privativo, desde que haja carga própria em quantidade superior à de terceiros e que essas sejam da mesma natureza. Isso é óbvio", disse o ministro.De acordo com levantamento realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), alguns Estados das regiões Norte e Nordeste deixaram de produzir 3 milhões de toneladas de soja e milho na safra passada por falta de portos marítimos próximos com capacidade de escoamento.A CNA é uma das associações que lutam na Justiça contra o decreto 6.620, de 2008, que estabeleceu a necessidade de carga própria em quantidade superior à de terceiros para dispensa de licitação. Uma das reclamações é que a norma teria impedido os investimentos no setor. Cristino discorda. Para ele, os investimentos privados ocorrem à medida que o poder público acena com os aportes, que rareavam até a criação da SEP, em 2007. Até 2014, a SEP vai investir R$ 5,276 bilhões em 66 obras por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)."As estimativas dão contam de que a iniciativa privada vai investir em torno de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões no período", afirmou o ministro. Da carteira referente ao PAC 1, até 2010, a SEP diz ter concluído 45% das obras civis e quase 70% do Programa Nacional de Dragagem, que está aprofundando os principais portos nacionais, o maior gargalo do setor, para permitir o tráfego de grandes embarcações.Cerca de R$ 500 milhões do montante previsto até 2014 serão destinados a um programa de inteligência logística que, segundo Cristino, deve aumentar em até 25% a eficiência da operação. São basicamente três ações: a instalação do VTMS (Vessel Traffic Management Information System, na sigla em inglês), ferramenta que fará o monitoramento virtual do tráfego de embarcações; o Porto Sem Papel, plataforma on-line para integrar os trâmites burocráticos de todos os quase 20 atores envolvidos numa operação de comércio exterior; e o Carga Inteligente, que fará a comunicação entre a indústria ou fazenda e o porto, de forma que a mercadoria só seja enviada se houver disponibilidade de navio. O objetivo é evitar congestionamentos e otimizar o fluxo logístico.Na terça-feira, durante visita ao porto de Santos para acompanhar a implementação do Porto Sem Papel, Cristino afirmou que o programa estará implantado até 1 de agosto - o prazo original era abril de 2010.Também anunciou que lançará no início de agosto a licitação para o VTMS de Santos, o primeiro porto que terá o sistema para auxiliar o controle da navegação principalmente em dias de mau tempo. Será composto por torres de monitoramento instaladas ao longo do estuário e uma central de processamento e supervisão dos dados por elas transmitidos.A primeira licitação do VTMS foi cancelada, porque os equipamentos não puderam ser incluídos no Reporto, o programa do governo federal de isenção de impostos para aquisição de máquinas destinadas à modernização portuária. "Já conversei com o ministro Fernando Pimentel [do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior], para que possamos usar o Reporto para o Carga Inteligente e VTMS."Durante a visita a Santos, o ministro informou que já recebeu da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) o desenho dos novos limites físicos do cais do porto. O novo traçado quase duplica a região portuária sob jurisdição da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que atingirá cerca de 15 milhões de metros quadrados.O pedido de ampliação foi protocolado há mais de um ano pela Codesp, que depende disso para poder tocar o projeto de expansão do porto, chamado Barnabé Bagres. Segundo Cristino, se não houver nenhum problema com o novo desenho, a intenção da Secretaria dos Portos é enviar a minuta do decreto para a Presidência da República ainda nesta semana.
SANTOS - O ministro-chefe da Secretaria de Portos (SEP), Leônidas Cristino, disse que o governo está "avançando" na abertura de licitações Daniel Wainstein / ValorMinistro da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino: licitações para projetos no Pará, Amazonas, Bahia e Espírito Santopara a construção de quatro novos portos e terminais: porto de Manaus, Porto Sul, na Bahia, porto de Águas Profundas, no Espírito Santo, e terminal de múltiplo uso de Vila do Conde, no Pará. Todos eles estão em fase de estudos para lançamento dos editais, o que deve ocorrer até o fim do ano. Os mais adiantados são o de Manaus, que tem projeto básico e está em fase de conclusão do estudo de viabilidade técnica e econômica, e o de Vila do Conde. Na quarta-feira, foi realizada audiência pública na Companhia Docas do Pará sobre a licitação das áreas de arrendamento. Os dois portos representam investimento de R$ 2 bilhões.Em entrevista ao Valor, Cristino negou que o governo estuda a privatização do sistema portuário e reafirmou a manutenção do atual modelo. O arcabouço legal do setor prevê a concessão de porto público à iniciativa privada, por meio de licitação, por até 50 anos e autorização de terminal privativo, sem limite no tempo, desde que o empreendedor tenha carga própria. Segundo Cristino, o governo não prepara alteração no marco regulatório.Parte da iniciativa privada reivindica a flexibilização da legislação portuária, com a eliminação de licitações para construção de portos, para acelerar os investimentos em infraestrutura. Atualmente, só é possível abrir mão da licitação quando o empreendedor tem carga própria em quantidade superior à de terceiros e usa o porto como forma de verticalizar seu negócio principal, como, por exemplo, Petrobras e Vale. Se a finalidade do negócio é prestar serviço de movimentação a terceiros, a regra é a licitação. O Brasil conta com 129 portos privativos e 34 portos públicos marítimos."O que está na lei é o que vamos continuar a fazer no futuro próximo. Por enquanto não existe intenção de mudança", afirmou Cristino. "O sistema portuário nacional é de porto público com operação privada. Agora, se alguém precisa de porto, o governo federal tem a estrutura legal para fazer a autorização para construção de um terminal de uso privativo, desde que haja carga própria em quantidade superior à de terceiros e que essas sejam da mesma natureza. Isso é óbvio", disse o ministro.De acordo com levantamento realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), alguns Estados das regiões Norte e Nordeste deixaram de produzir 3 milhões de toneladas de soja e milho na safra passada por falta de portos marítimos próximos com capacidade de escoamento.A CNA é uma das associações que lutam na Justiça contra o decreto 6.620, de 2008, que estabeleceu a necessidade de carga própria em quantidade superior à de terceiros para dispensa de licitação. Uma das reclamações é que a norma teria impedido os investimentos no setor. Cristino discorda. Para ele, os investimentos privados ocorrem à medida que o poder público acena com os aportes, que rareavam até a criação da SEP, em 2007. Até 2014, a SEP vai investir R$ 5,276 bilhões em 66 obras por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)."As estimativas dão contam de que a iniciativa privada vai investir em torno de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões no período", afirmou o ministro. Da carteira referente ao PAC 1, até 2010, a SEP diz ter concluído 45% das obras civis e quase 70% do Programa Nacional de Dragagem, que está aprofundando os principais portos nacionais, o maior gargalo do setor, para permitir o tráfego de grandes embarcações.Cerca de R$ 500 milhões do montante previsto até 2014 serão destinados a um programa de inteligência logística que, segundo Cristino, deve aumentar em até 25% a eficiência da operação. São basicamente três ações: a instalação do VTMS (Vessel Traffic Management Information System, na sigla em inglês), ferramenta que fará o monitoramento virtual do tráfego de embarcações; o Porto Sem Papel, plataforma on-line para integrar os trâmites burocráticos de todos os quase 20 atores envolvidos numa operação de comércio exterior; e o Carga Inteligente, que fará a comunicação entre a indústria ou fazenda e o porto, de forma que a mercadoria só seja enviada se houver disponibilidade de navio. O objetivo é evitar congestionamentos e otimizar o fluxo logístico.Na terça-feira, durante visita ao porto de Santos para acompanhar a implementação do Porto Sem Papel, Cristino afirmou que o programa estará implantado até 1 de agosto - o prazo original era abril de 2010.Também anunciou que lançará no início de agosto a licitação para o VTMS de Santos, o primeiro porto que terá o sistema para auxiliar o controle da navegação principalmente em dias de mau tempo. Será composto por torres de monitoramento instaladas ao longo do estuário e uma central de processamento e supervisão dos dados por elas transmitidos.A primeira licitação do VTMS foi cancelada, porque os equipamentos não puderam ser incluídos no Reporto, o programa do governo federal de isenção de impostos para aquisição de máquinas destinadas à modernização portuária. "Já conversei com o ministro Fernando Pimentel [do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior], para que possamos usar o Reporto para o Carga Inteligente e VTMS."Durante a visita a Santos, o ministro informou que já recebeu da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) o desenho dos novos limites físicos do cais do porto. O novo traçado quase duplica a região portuária sob jurisdição da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que atingirá cerca de 15 milhões de metros quadrados.O pedido de ampliação foi protocolado há mais de um ano pela Codesp, que depende disso para poder tocar o projeto de expansão do porto, chamado Barnabé Bagres. Segundo Cristino, se não houver nenhum problema com o novo desenho, a intenção da Secretaria dos Portos é enviar a minuta do decreto para a Presidência da República ainda nesta semana.
Brasil deve passar os EUA em venda de defensivos agrícolas
Brasil deve passar os EUA em venda de defensivos agrícolas
O Brasil deve ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior mercado mundial de agrotóxicos ainda em 2011, com vendas superiores a US$ 8 bilhões. Com o bom desempenho das vendas do insumo no primeiro semestre e a forte alta nos preços das principais commodities, o setor reviu suas estimativas e espera uma crescimento de até 10% na receita com as vendas.Isso significa que o mercado pode crescer duas vezes mais do que se previa no início do ano. As projeções iniciais do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) indicavam uma expansão de 4,5%, ritmo compatível com o crescimento então esperado para a economia brasileira. Nesse cenário, o país provavelmente continuaria em segundo lugar no ranking global. Mas Eduardo Daher, diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), que congrega apenas os grandes players globais, como Monsanto, Bayer, Basf, DuPont e Syngenta, não tem dúvidas. "Se ainda não é, o Brasil será o maior mercado de agroquímicos do mundo até o fim de 2011", prevê. Estima-se que mercado americano tenha movimentado US$ 7,8 bilhões em 2010. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), esse número caiu 4,8% entre 1998, quando foi recorde, e 2007, último ano da série. Em 2010, as vendas no Brasil atingiram US$ 7,3 bilhões, com crescimento de 9%. Os EUA cultivam uma área 50% maior e ostentam uma produção de grãos que supera em três vezes e meia a brasileira. Daher rejeita a comparação e o título de "campeão mundial no uso de agrotóxicos", associado ao uso indiscriminado desses produtos. De posse de um estudo publicado recentemente pela consultoria Kleffmann, ele afirma que as vendas cresceram apenas 1,5% entre 2004 e 2009, quando analisada a receita por tonelada de alimento produzido.Sob essa ótica, o consumo no Brasil teria crescido menos que em países como França (28,6%) e Japão (19,34%). Os americanos, em compensação, reduziram seu uso em 6% neste período, ainda de acordo com o critério adotado pela Kleffmann. Daher pondera que americanos estão bastante à frente no uso de sementes transgênicas que, em alguns casos, dispensam o uso de agrotóxicos. E observa que o Brasil, por suas características climáticas, tem uma maior propensão ao uso de agroquímicos. "O bônus de ser um país tropical é que você planta duas, até três safras por ano. O ônus é que você tem uma incidência muito maior de pragas". "Só as vendas de fungicidas para combater a ferrugem asiática da soja, doença inexistente nas lavouras dos EUA, movimenta US$ 1 bilhão no Brasil", estima José Roberto Da Ros, presidente do Sindag. A participação do fungicidas nesse mercado mais que dobrou desde 2004, quando a ferrugem da soja tornou-se um problema sério no Brasil. Não à toa, em 2010, mais de 44% das vendas foram destinadas ao trato da soja. O algodão, cuja área plantada cresceu mais de 60% na última safra, é a segunda lavoura mais importante, com 11% de participação na receita desta indústria. Segundo Daher, a expansão do algodão explica o crescimento de mais de 30% nas vendas de inseticidas neste ano. Outro fator relevante é o aumento do poder de compra dos produtores, reflexo da alta das commodities e da redução nos preços de alguns defensivos. Em 2009, por exemplo, um sojicultor pagava o equivalente a 2,5 sacas do grão para cada cinco litros do herbicida glifosato, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola de São Paulo (IEA). Em janeiro deste ano, gastava apenas uma.
O Brasil deve ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior mercado mundial de agrotóxicos ainda em 2011, com vendas superiores a US$ 8 bilhões. Com o bom desempenho das vendas do insumo no primeiro semestre e a forte alta nos preços das principais commodities, o setor reviu suas estimativas e espera uma crescimento de até 10% na receita com as vendas.Isso significa que o mercado pode crescer duas vezes mais do que se previa no início do ano. As projeções iniciais do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) indicavam uma expansão de 4,5%, ritmo compatível com o crescimento então esperado para a economia brasileira. Nesse cenário, o país provavelmente continuaria em segundo lugar no ranking global. Mas Eduardo Daher, diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), que congrega apenas os grandes players globais, como Monsanto, Bayer, Basf, DuPont e Syngenta, não tem dúvidas. "Se ainda não é, o Brasil será o maior mercado de agroquímicos do mundo até o fim de 2011", prevê. Estima-se que mercado americano tenha movimentado US$ 7,8 bilhões em 2010. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), esse número caiu 4,8% entre 1998, quando foi recorde, e 2007, último ano da série. Em 2010, as vendas no Brasil atingiram US$ 7,3 bilhões, com crescimento de 9%. Os EUA cultivam uma área 50% maior e ostentam uma produção de grãos que supera em três vezes e meia a brasileira. Daher rejeita a comparação e o título de "campeão mundial no uso de agrotóxicos", associado ao uso indiscriminado desses produtos. De posse de um estudo publicado recentemente pela consultoria Kleffmann, ele afirma que as vendas cresceram apenas 1,5% entre 2004 e 2009, quando analisada a receita por tonelada de alimento produzido.Sob essa ótica, o consumo no Brasil teria crescido menos que em países como França (28,6%) e Japão (19,34%). Os americanos, em compensação, reduziram seu uso em 6% neste período, ainda de acordo com o critério adotado pela Kleffmann. Daher pondera que americanos estão bastante à frente no uso de sementes transgênicas que, em alguns casos, dispensam o uso de agrotóxicos. E observa que o Brasil, por suas características climáticas, tem uma maior propensão ao uso de agroquímicos. "O bônus de ser um país tropical é que você planta duas, até três safras por ano. O ônus é que você tem uma incidência muito maior de pragas". "Só as vendas de fungicidas para combater a ferrugem asiática da soja, doença inexistente nas lavouras dos EUA, movimenta US$ 1 bilhão no Brasil", estima José Roberto Da Ros, presidente do Sindag. A participação do fungicidas nesse mercado mais que dobrou desde 2004, quando a ferrugem da soja tornou-se um problema sério no Brasil. Não à toa, em 2010, mais de 44% das vendas foram destinadas ao trato da soja. O algodão, cuja área plantada cresceu mais de 60% na última safra, é a segunda lavoura mais importante, com 11% de participação na receita desta indústria. Segundo Daher, a expansão do algodão explica o crescimento de mais de 30% nas vendas de inseticidas neste ano. Outro fator relevante é o aumento do poder de compra dos produtores, reflexo da alta das commodities e da redução nos preços de alguns defensivos. Em 2009, por exemplo, um sojicultor pagava o equivalente a 2,5 sacas do grão para cada cinco litros do herbicida glifosato, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola de São Paulo (IEA). Em janeiro deste ano, gastava apenas uma.
Boletim Diario do Mercado de Café - 21 Julho 2011
H.Commcor DTVM
O Mercado físico de café trabalhou o dia sem muitos negócios Para cafés safra 11/12 tendo ofertas de R$ 440,00 a R$ 450,00 para café com 15% de catação, e ofertas de R$ 430,00 a R$ 440,00 para cafés com 20% de catação.
O fechamento do café arábica BMF para o vencimento Set/11 foi a US$ 315,65 com -0,45 de baixa, totalizando um volume de 1.386 contratos. Saiu spread de Set/Dez de -0,30 a 0,50; Set/Set de -15,50 a -14,80. Observamos arbitragens de Set/Set entre -6,00 a -2,50; Set/Dez entre -9,50 a -6,00. O mercado de Café na BMF chegou a trabalhar na parte da manha com uma leve alta, acompanhando o mercado de NY que, devido a piora do dólar perante as outras moedas se mostrou mais tomador tentando trabalhar acima da m-móvel de 200 dias 246,90. Mas como o mercado de NY acabou não dando sequencia encontramos fortes realizações de comprados, tivemos também uma forte liquidação por parte de fundos no mercado de Londres que fez o mercado fazer novas mínimas para o movimento.
O mercado de café para o vencimento Setembro/11 encerrou cotado a 240,80, com 260 pontos de queda, e range entre 239,50 e 247,90. Trabalhando em tendências mistas, a cotação do café nesta quinta-feira foi marcada com grande oscilação. Fazendo novamente certo movimento de correção a queda de ontem, o grão com acentuado volume de compras levaram o mercado a registrar logo pela abertura a máxima do dia a 247,90, nível acima da máxima anterior, quando então foi sentida defesa de vendas. A forte virada do café na bolsa de Londres, deu um tom negativo parao café em NY, quando mais uma vez, pela sexta sessão consecutiva, a commodity buscou suas mínimas anteriores a 243,00 / 242,50 até mínima do movimento de 240,00, quebrando assim, como leve ativação de stops, até nova mínima desde janeiro, a 239,50. Com moderada defesa de compras, ocafé fechou o dia cotado a 240,80. As médias móveis de 40, 100 e 200 dias estão compreendidas em 250,10 / 272,60 e 246,80 respectivamente. De acordo com a Cecafé, os embarques de julho (entre os dias 01 e 20) somam 1.095.656 sacas, uma variação positiva de 32,3% em relação ao mesmo período do mês anterior. O café Londres Setembro/11 encerrou cotado a 2002, com 108 pontos de queda, num range de 1985 e 2145.
--------------------------------------------------------------------------------
O Mercado físico de café trabalhou o dia sem muitos negócios Para cafés safra 11/12 tendo ofertas de R$ 440,00 a R$ 450,00 para café com 15% de catação, e ofertas de R$ 430,00 a R$ 440,00 para cafés com 20% de catação.
O fechamento do café arábica BMF para o vencimento Set/11 foi a US$ 315,65 com -0,45 de baixa, totalizando um volume de 1.386 contratos. Saiu spread de Set/Dez de -0,30 a 0,50; Set/Set de -15,50 a -14,80. Observamos arbitragens de Set/Set entre -6,00 a -2,50; Set/Dez entre -9,50 a -6,00. O mercado de Café na BMF chegou a trabalhar na parte da manha com uma leve alta, acompanhando o mercado de NY que, devido a piora do dólar perante as outras moedas se mostrou mais tomador tentando trabalhar acima da m-móvel de 200 dias 246,90. Mas como o mercado de NY acabou não dando sequencia encontramos fortes realizações de comprados, tivemos também uma forte liquidação por parte de fundos no mercado de Londres que fez o mercado fazer novas mínimas para o movimento.
O mercado de café para o vencimento Setembro/11 encerrou cotado a 240,80, com 260 pontos de queda, e range entre 239,50 e 247,90. Trabalhando em tendências mistas, a cotação do café nesta quinta-feira foi marcada com grande oscilação. Fazendo novamente certo movimento de correção a queda de ontem, o grão com acentuado volume de compras levaram o mercado a registrar logo pela abertura a máxima do dia a 247,90, nível acima da máxima anterior, quando então foi sentida defesa de vendas. A forte virada do café na bolsa de Londres, deu um tom negativo parao café em NY, quando mais uma vez, pela sexta sessão consecutiva, a commodity buscou suas mínimas anteriores a 243,00 / 242,50 até mínima do movimento de 240,00, quebrando assim, como leve ativação de stops, até nova mínima desde janeiro, a 239,50. Com moderada defesa de compras, ocafé fechou o dia cotado a 240,80. As médias móveis de 40, 100 e 200 dias estão compreendidas em 250,10 / 272,60 e 246,80 respectivamente. De acordo com a Cecafé, os embarques de julho (entre os dias 01 e 20) somam 1.095.656 sacas, uma variação positiva de 32,3% em relação ao mesmo período do mês anterior. O café Londres Setembro/11 encerrou cotado a 2002, com 108 pontos de queda, num range de 1985 e 2145.
--------------------------------------------------------------------------------
quinta-feira, 21 de julho de 2011
BB vê sobra de dólar para financiamento de exportadores
BB vê sobra de dólar para financiamento de exportadores
Oferta de crédito é abundante; banco registra aumento de 38% nesse tipo de empréstimo no primeiro semestre Bancos internacionais demonstram interesse em emprestar recursos para o BB, que repassa aos exportadores Estão sobrando dólares no mercado para financiar os exportadores brasileiros, que estão se antecipando à possibilidade de aumento de juros no exterior para pegar empréstimos mais baratos.O Banco do Brasil, que responde por um terço desse mercado, registrou aumento de 38% nesses empréstimos no primeiro semestre.Admilson Monteiro Garcia, diretor da área de negócios internacionais do BB, diz que bancos internacionais nos EUA e na Europa, seguidos por Ásia e, em menor escala, pela América Latina, têm demonstrado interesse em emprestar recursos para a instituição, que repassa ao exportador brasileiro."Existe uma oferta abundante de linhas de crédito. O desafio é onde alocá-las."O aumento na oferta de dinheiro e a queda nas taxas de juros no exterior após a crise de 2008/2009 são parte da ação dos países desenvolvidos para reativar suas economias. Parte desses recursos, no entanto, acaba direcionada a países emergentes.Com aumento na oferta e queda nos juros, os bancos internacionais têm oferecido recursos por um período maior, em busca de mais rentabilidade.Empréstimos que tinham vencimento entre um e dois anos, e que caíram para menos de 12 meses no final de 2008, têm agora prazo médio superior a três anos. ANTECIPAÇÃOA demanda das empresas brasileiras também é forte, segundo o BB. Há companhias se antecipando à possibilidade de aumento nos juros fora do país, que pode encarecer esse crédito. Outras estão precisando dos recursos para financiar o aumento nas vendas verificado no começo deste ano.Para o diretor do BB, essa antecipação não representa um movimento de especulação generalizada. Ele lembra que a empresa que toma esse crédito deve cumprir prazos para fazer a exportação.Dados do BC mostram que o aumento nos recursos para o exportador aconteceu também nos demais bancos no segundo trimestre de 2011.Nesse período, em que o país registrou saída de dólares por meio de operações financeiras, foi o comércio exterior que garantiu o abastecimento do mercado com moeda estrangeira. Metade dos recursos que entraram na área comercial foram linhas para exportação.
Oferta de crédito é abundante; banco registra aumento de 38% nesse tipo de empréstimo no primeiro semestre Bancos internacionais demonstram interesse em emprestar recursos para o BB, que repassa aos exportadores Estão sobrando dólares no mercado para financiar os exportadores brasileiros, que estão se antecipando à possibilidade de aumento de juros no exterior para pegar empréstimos mais baratos.O Banco do Brasil, que responde por um terço desse mercado, registrou aumento de 38% nesses empréstimos no primeiro semestre.Admilson Monteiro Garcia, diretor da área de negócios internacionais do BB, diz que bancos internacionais nos EUA e na Europa, seguidos por Ásia e, em menor escala, pela América Latina, têm demonstrado interesse em emprestar recursos para a instituição, que repassa ao exportador brasileiro."Existe uma oferta abundante de linhas de crédito. O desafio é onde alocá-las."O aumento na oferta de dinheiro e a queda nas taxas de juros no exterior após a crise de 2008/2009 são parte da ação dos países desenvolvidos para reativar suas economias. Parte desses recursos, no entanto, acaba direcionada a países emergentes.Com aumento na oferta e queda nos juros, os bancos internacionais têm oferecido recursos por um período maior, em busca de mais rentabilidade.Empréstimos que tinham vencimento entre um e dois anos, e que caíram para menos de 12 meses no final de 2008, têm agora prazo médio superior a três anos. ANTECIPAÇÃOA demanda das empresas brasileiras também é forte, segundo o BB. Há companhias se antecipando à possibilidade de aumento nos juros fora do país, que pode encarecer esse crédito. Outras estão precisando dos recursos para financiar o aumento nas vendas verificado no começo deste ano.Para o diretor do BB, essa antecipação não representa um movimento de especulação generalizada. Ele lembra que a empresa que toma esse crédito deve cumprir prazos para fazer a exportação.Dados do BC mostram que o aumento nos recursos para o exportador aconteceu também nos demais bancos no segundo trimestre de 2011.Nesse período, em que o país registrou saída de dólares por meio de operações financeiras, foi o comércio exterior que garantiu o abastecimento do mercado com moeda estrangeira. Metade dos recursos que entraram na área comercial foram linhas para exportação.
Ciclo de alta de juros está próximo do fim
Ciclo de alta de juros está próximo do fim
O ciclo de alta da taxa de juros está próximo do fim. Esse foi o recado extraído do comunicado apresentado pelo colegiado do Comitê de Política Monetária (Copom), que sem surpresa subiu a Selic para 12,50% ao ano. Essa taxa é a mais alta desde janeiro de 2009.O comunicado apresentado junto com a decisão teve a seguinte redação: "Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic para 12,50% ao ano, sem viés".Como se vê, o termo "suficientemente prolongado" foi suprimido, o que será visto por parte do mercado como uma indicação de que o ciclo, de fato, chegou ao fim.O termo, introduzindo no comunicado da reunião de abril e repetido em junho, ganhou status de "sinalizador", ou seja, indicava o que viria pela frente.Copom muda comunicado, mas não se comprometeNo entanto, conforme notou o economista-sênior do Espirito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, o laconismo do comunicado não dá margem para conclusões, ou seja, não dá para descartar, completamente, uma alta também em agosto. O que se pode afirmar com maior grau de certeza, segundo o especialista, é que o ajuste iniciado em janeiro está próximo do fim.No caso de Serrano, essa decisão do Copom reforça sua aposta de que o ciclo, de fato, acabou por aqui.Uma visão mais clara do que foi discutido pelo Copom só na quinta-feira da semana que vem, que traz a ata da reunião. O teor das discussões, bem como o peso dados às variáveis domésticas e externas, ajudarão os agentes a fazer o ajuste fino nas suas projeções.Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), tal comunicado do BC pode levar a curva de juros futuros a perder o pouco prêmio dos vencimentos curtos, que já vinham mostrando uma redução nas apostas quanto a um aperto em agosto.Fica a dúvida sobre qual será a reação entre os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de prazo mais dilatado. Se a percepção dominante for a de que o ciclo acabou, as taxas devem subir. Pois a parada pode ser vista como prematura para garantir um Indice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,5% em 2012.O que podemos esperar, com alguma certeza, é um debate mais acirrado dentro do mercado e da academia sobre esse aceno do BC. Certamente, o grupo que espera mais duas ou três altas, vai indicar que o BC comete o mesmo erro do ano passado, quando fez o último ajuste de alta na Selic em julho. Do outro lado estarão os agentes que acreditam que a autoridade monetária já fez bastante e que os efeitos dessa alta de juros, somados à restrição fiscal e medidas prudenciais ainda vão aparecer com mais força.No câmbio, o dólar comercial marcou o segundo dia de baixa ante o real. A moeda caiu 0,51%, para R$ 1,559 na venda. E a expectativa é de que o R$ 1,550 raso pode ser testado nesta quinta-feira.Isso depende do desfecho de uma esperada reunião de líderes na Europa, que pode dar alguma diretriz sobre como lidar com o endividamento da Grécia. Se o resultado for positivo aos olhos do mercado, nada impede que o euro volte a tomar fôlego, o que resulta em menor demanda generalizada por dólar. Ontem, a moeda comum retomou a linha de US$ 1,42.De volta ao front local, entre o fim da manhã e começo da tarde, o dólar parou de cair, mesmo com a firme baixa observada lá fora. Nas mesas, agentes comentavam a preocupação com alguma medida do governo.Afinal de contas, depois que o dólar foi a mínimas não vistas desde 1999, no começo do mês, a R$ 1,553, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ameaçou novas ações restritivas.Falando em canetas do governo, o fim de tarde foi agitado nas mesas que operam dólar futuro. O contrato de agosto, que chegou a cair 0,50%, e fazer mínima a R$ 1,561, rapidamente recuperou as perdas e passou a apontar leve alta de 0,06%, a R$ 1,569, antes do ajuste final.Junto com a virada de preço veio a história de que o governo poderia rever a Resolução 2.689, que rege o investimento estrangeiro no país.Independentemente da medida, a visão entre os agentes do mercado continua a mesma. Aumento de impostos, alongamento de prazos ou restrições nos derivativos são todas ações de efeito pontual. No máximo, tiram volume do mercado local, pois incentivam a operação com real em praças de negociação fora do país.Como disse o gerente da mesa da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca, a fonte dessa valorização da moeda brasileira é e sempre foi uma só: a elevada taxa de juros doméstica. E o diferencial entre o juro brasileiro e externo só cresce.Eduardo Campos - Valor
O ciclo de alta da taxa de juros está próximo do fim. Esse foi o recado extraído do comunicado apresentado pelo colegiado do Comitê de Política Monetária (Copom), que sem surpresa subiu a Selic para 12,50% ao ano. Essa taxa é a mais alta desde janeiro de 2009.O comunicado apresentado junto com a decisão teve a seguinte redação: "Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic para 12,50% ao ano, sem viés".Como se vê, o termo "suficientemente prolongado" foi suprimido, o que será visto por parte do mercado como uma indicação de que o ciclo, de fato, chegou ao fim.O termo, introduzindo no comunicado da reunião de abril e repetido em junho, ganhou status de "sinalizador", ou seja, indicava o que viria pela frente.Copom muda comunicado, mas não se comprometeNo entanto, conforme notou o economista-sênior do Espirito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, o laconismo do comunicado não dá margem para conclusões, ou seja, não dá para descartar, completamente, uma alta também em agosto. O que se pode afirmar com maior grau de certeza, segundo o especialista, é que o ajuste iniciado em janeiro está próximo do fim.No caso de Serrano, essa decisão do Copom reforça sua aposta de que o ciclo, de fato, acabou por aqui.Uma visão mais clara do que foi discutido pelo Copom só na quinta-feira da semana que vem, que traz a ata da reunião. O teor das discussões, bem como o peso dados às variáveis domésticas e externas, ajudarão os agentes a fazer o ajuste fino nas suas projeções.Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), tal comunicado do BC pode levar a curva de juros futuros a perder o pouco prêmio dos vencimentos curtos, que já vinham mostrando uma redução nas apostas quanto a um aperto em agosto.Fica a dúvida sobre qual será a reação entre os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de prazo mais dilatado. Se a percepção dominante for a de que o ciclo acabou, as taxas devem subir. Pois a parada pode ser vista como prematura para garantir um Indice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,5% em 2012.O que podemos esperar, com alguma certeza, é um debate mais acirrado dentro do mercado e da academia sobre esse aceno do BC. Certamente, o grupo que espera mais duas ou três altas, vai indicar que o BC comete o mesmo erro do ano passado, quando fez o último ajuste de alta na Selic em julho. Do outro lado estarão os agentes que acreditam que a autoridade monetária já fez bastante e que os efeitos dessa alta de juros, somados à restrição fiscal e medidas prudenciais ainda vão aparecer com mais força.No câmbio, o dólar comercial marcou o segundo dia de baixa ante o real. A moeda caiu 0,51%, para R$ 1,559 na venda. E a expectativa é de que o R$ 1,550 raso pode ser testado nesta quinta-feira.Isso depende do desfecho de uma esperada reunião de líderes na Europa, que pode dar alguma diretriz sobre como lidar com o endividamento da Grécia. Se o resultado for positivo aos olhos do mercado, nada impede que o euro volte a tomar fôlego, o que resulta em menor demanda generalizada por dólar. Ontem, a moeda comum retomou a linha de US$ 1,42.De volta ao front local, entre o fim da manhã e começo da tarde, o dólar parou de cair, mesmo com a firme baixa observada lá fora. Nas mesas, agentes comentavam a preocupação com alguma medida do governo.Afinal de contas, depois que o dólar foi a mínimas não vistas desde 1999, no começo do mês, a R$ 1,553, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ameaçou novas ações restritivas.Falando em canetas do governo, o fim de tarde foi agitado nas mesas que operam dólar futuro. O contrato de agosto, que chegou a cair 0,50%, e fazer mínima a R$ 1,561, rapidamente recuperou as perdas e passou a apontar leve alta de 0,06%, a R$ 1,569, antes do ajuste final.Junto com a virada de preço veio a história de que o governo poderia rever a Resolução 2.689, que rege o investimento estrangeiro no país.Independentemente da medida, a visão entre os agentes do mercado continua a mesma. Aumento de impostos, alongamento de prazos ou restrições nos derivativos são todas ações de efeito pontual. No máximo, tiram volume do mercado local, pois incentivam a operação com real em praças de negociação fora do país.Como disse o gerente da mesa da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca, a fonte dessa valorização da moeda brasileira é e sempre foi uma só: a elevada taxa de juros doméstica. E o diferencial entre o juro brasileiro e externo só cresce.Eduardo Campos - Valor
Rali do ouro não infla negócios no Brasil
Rali do ouro não infla negócios no Brasil
Para onde correr quando símbolos de segurança financeira, como os títulos do Tesouro americano, estão no centro de um imbróglio político que, no limite, pode deixar os Estados Unidos sem caixa? No mercado internacional, o cenário de incertezas com o teto de endividamento do país e principalmente com a crise de dívida soberana da Europa fez com que o ouro atingisse recorde no início desta semana, depois do mais longo rali em 31 anos. No Brasil, as cotações acompanharam o repique externo, mas o volume do metal negociado na BM&FBovespa como ativo financeiro não deu o mesmo salto.Na segunda-feira, a cotação atingiu o pico histórico de US$ 1.610,70 a onça em Nova York. Na bolsa brasileira, o ouro fechou a R$ 82 o grama, zerando as perdas acumuladas no ano. O número de contratos de ouro negociados na BM&FBovespa, incluindo mercado à vista, a termo e fracionário, foi de 69.276 neste mês, até o pregão do dia 18.Em junho, último dado fechado, foram 28.474 contratos negociados, menos de 1% do total da bolsa. Em maio, recorde do ano até agora, o ouro movimentou 168.766 contratos.Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultoria Integrada e um dos responsáveis pelo nascimento do mercado de dólar futuro no Brasil, baseado justamente na diferença entre as cotações do ouro, ressalva que a relação entre o estoque do metal e o PIB mundial é muito baixa para que esse segmento seja considerado um ativo financeiro de fato, apesar da nomenclatura oficial."O fato é que o mundo hoje é um baile de garotas feias e a menos feia ainda é o dólar", brinca. Esse quadro não impede o salto das cotações. "Eu costumo dizer que o preço do ouro é igual à somatória das inseguranças da humanidade em determinado momento. E esta somatória hoje é muito grande."Mas, em outros períodos de turbulência mundial, a disparada das cotações foi ainda mais representativa. "Na década de 80, após o choque do petróleo, o ouro bateu a máxima de 860 dólares. Isso, se corrigido, daria 3.800 dólares hoje", cita Nathan Blanche.A volatilidade da commodity também joga contra a ampliação de volume. De acordo com dados compilados por ele, quem apostou US$ 100 em ouro em janeiro de 1980 teria US$ 254,40 em junho deste ano, enquanto a mesma aplicação em fed funds chegaria a US$ 573,30."Em um primeiro momento, quando tem aumento de preço, o consumidor industrial se retrai, para avaliar se é passageiro", relata José Inácio Franco, diretor da Reserva Metais, líder no mercado formal de ouro, com atuação nos segmentos de ouro ativo financeiro, ouro mercadoria, metais preciosos e serviços financeiros. Por outro lado, o aplicador de varejo, mais sensível às manchetes de jornais, aumenta a procura pelo metal. Sem revelar números, o executivo afirma que a Reserva Metais "dobrou o volume de negócios" no segmento na última semana.
Para onde correr quando símbolos de segurança financeira, como os títulos do Tesouro americano, estão no centro de um imbróglio político que, no limite, pode deixar os Estados Unidos sem caixa? No mercado internacional, o cenário de incertezas com o teto de endividamento do país e principalmente com a crise de dívida soberana da Europa fez com que o ouro atingisse recorde no início desta semana, depois do mais longo rali em 31 anos. No Brasil, as cotações acompanharam o repique externo, mas o volume do metal negociado na BM&FBovespa como ativo financeiro não deu o mesmo salto.Na segunda-feira, a cotação atingiu o pico histórico de US$ 1.610,70 a onça em Nova York. Na bolsa brasileira, o ouro fechou a R$ 82 o grama, zerando as perdas acumuladas no ano. O número de contratos de ouro negociados na BM&FBovespa, incluindo mercado à vista, a termo e fracionário, foi de 69.276 neste mês, até o pregão do dia 18.Em junho, último dado fechado, foram 28.474 contratos negociados, menos de 1% do total da bolsa. Em maio, recorde do ano até agora, o ouro movimentou 168.766 contratos.Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultoria Integrada e um dos responsáveis pelo nascimento do mercado de dólar futuro no Brasil, baseado justamente na diferença entre as cotações do ouro, ressalva que a relação entre o estoque do metal e o PIB mundial é muito baixa para que esse segmento seja considerado um ativo financeiro de fato, apesar da nomenclatura oficial."O fato é que o mundo hoje é um baile de garotas feias e a menos feia ainda é o dólar", brinca. Esse quadro não impede o salto das cotações. "Eu costumo dizer que o preço do ouro é igual à somatória das inseguranças da humanidade em determinado momento. E esta somatória hoje é muito grande."Mas, em outros períodos de turbulência mundial, a disparada das cotações foi ainda mais representativa. "Na década de 80, após o choque do petróleo, o ouro bateu a máxima de 860 dólares. Isso, se corrigido, daria 3.800 dólares hoje", cita Nathan Blanche.A volatilidade da commodity também joga contra a ampliação de volume. De acordo com dados compilados por ele, quem apostou US$ 100 em ouro em janeiro de 1980 teria US$ 254,40 em junho deste ano, enquanto a mesma aplicação em fed funds chegaria a US$ 573,30."Em um primeiro momento, quando tem aumento de preço, o consumidor industrial se retrai, para avaliar se é passageiro", relata José Inácio Franco, diretor da Reserva Metais, líder no mercado formal de ouro, com atuação nos segmentos de ouro ativo financeiro, ouro mercadoria, metais preciosos e serviços financeiros. Por outro lado, o aplicador de varejo, mais sensível às manchetes de jornais, aumenta a procura pelo metal. Sem revelar números, o executivo afirma que a Reserva Metais "dobrou o volume de negócios" no segmento na última semana.
Índice de atividade da zona do euro registra maior queda desde 2008
Índice de atividade da zona do euro registra maior queda desde 2008
O índice de atividade composto dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro caiu de 53,3 em junho para 50,8 em julho, informou a pesquisa preliminar da Markit Economics para o mês. O nível ficou pouco acima da marca de 50,0, que diferencia períodos de contração e de expansão, e é o menor desde agosto de 2009. A queda na comparação mensal, por sua vez, foi a mais acentuada desde novembro de 2008. A Markit observou que, a esse nível, o indicador aponta para quase uma estagnação da produção do setor privado e que a taxa de crescimento desacelerou fortemente em cada um dos três últimos meses. O índice de atividade do setor de serviços recuou de 53,7 em junho para 51,4 em julho e o da indústria de transformação passou de 52,0 para 50,4 entre os dois meses. Ambos atingiram seus menores níveis em 22 meses.
O índice de atividade composto dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro caiu de 53,3 em junho para 50,8 em julho, informou a pesquisa preliminar da Markit Economics para o mês. O nível ficou pouco acima da marca de 50,0, que diferencia períodos de contração e de expansão, e é o menor desde agosto de 2009. A queda na comparação mensal, por sua vez, foi a mais acentuada desde novembro de 2008. A Markit observou que, a esse nível, o indicador aponta para quase uma estagnação da produção do setor privado e que a taxa de crescimento desacelerou fortemente em cada um dos três últimos meses. O índice de atividade do setor de serviços recuou de 53,7 em junho para 51,4 em julho e o da indústria de transformação passou de 52,0 para 50,4 entre os dois meses. Ambos atingiram seus menores níveis em 22 meses.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Governo não age para evitar a desindustrialização, diz Ivo Rosset
Governo não age para evitar a desindustrialização, diz Ivo Rosset
Um dos primeiros empresários a apoiar PT diz que não vê ação contra concorrência chinesa Empresário afirma que nada foi feito em 20 anos para reduzir impostos; 'EUA choram hoje fim da indústria' Ivo Rosset, dono da Valisére e da Cia. Marítima, em seu escritório no Bom Retiro A indústria têxtil brasileira vive sua maior crise e, se nada for feito pelo governo no sentido de reavivá-la, 2,5 milhões de empregos correm o risco de evaporar em questão de poucos anos.O alerta é de Ivo Rosset, proprietário do Grupo Rosset, que detém 65% do mercado de produção de tecidos no país e também as marcas Valisère e Cia. Marítima.O elo fraco da cadeia que alimenta essa indústria, de acordo com ele, está no setor das confecções (corte e costura dos tecidos para a produção de roupas), que têm sofrido com a concorrência das mercadorias chinesas, mais baratas e nem por isso com qualidade inferior."Nada foi feito nos últimos 20 anos. O país está caminhando para a desindustrialização e o governo não está agindo", afirma.Rosset é um dos empresários com melhor trânsito em Brasília. Encontrou-se com Lula e com Dilma diversas vezes. Conversa frequentemente com o ministro Guido Mantega. Foi um dos primeiros empresários a apoiar o PT e filiou-se ao partido em 2009.Há um mês, esteve na capital federal como representante do setor têxtil, quando apresentou uma proposta de aliviar a carga tributária das confecções adotando o regime do Simples como imposto único, independentemente do faturamento. Folha - Como vai a indústria têxtil no país?Ivo Rosset - De um lado, temos a produção de tecidos, que também sofre com a concorrência chinesa. Como o segmento de tecido plano (produção de tecidos para camisas sociais, por exemplo). Várias fecharam em Americana, que é um grande centro de produção.Existia também um mercado enorme para produtos como a viscose com fio elastano. Mas os chineses entraram a um preço que não dava para competir. Todos que produziam pararam. E as grandes malharias no Sul estão com problema, elas eram muito mais fortes do que hoje. E as confecções?A confecção é o polo que está mais focado na competição com a China. Se não resistir, vai atingir o setor como um todo, pois são as confecções que compram os tecidos que produzimos. Comparando a situação de uma costureira brasileira com a chinesa, a distorção é enorme. Aqui, um funcionário custa para o empregador 2,4 vezes a mais que o salário dele. Por isso propomos o regime do Simples -dessa forma as confecções pagariam 12% sobre tudo. Por que só as confecções?Conversando com a presidente, dei um exemplo. Uma empresa de confecção com 2.000 pessoas talvez fature o equivalente a 5% de uma indústria automobilística que também tem 2.000 pessoas. E a confecção não vai suportar a concorrência chinesa. É uma cadeia que emprega muita gente e está destinada a desaparecer caso não se faça algo com muita urgência. Estamos falando de 2,5 milhões de empregos diretos e um universo de 8 milhões. Em que estágio estamos?Crítico. Toda rede varejista importava de 5% a 10%, agora é de 35% a 40%. Há gente quebrando?O pessoal vai fechando. Muitos estão saindo do Brasil e indo para a China. Outro dia conversei com um fabricante de um outro setor, da Mundial, do Rio Grande do Sul. A ação dele disparou na Bolsa porque sua rentabilidade aumentou. Ele fechou tudo que tinha de produção no país e foi fabricar na China. Estamos matando emprego nosso e dando emprego pra chinês.A Marcopolo [fabricante de ônibus] foi embora, está produzindo em outro lugar e mandando os ônibus para cá. Vai chegar um momento em que ou transfiro as atividades da Rosset para fora ou sei lá o que vai acontecer. O que mais pode ser feito?Nós estamos dentro de um modelo que não muda há 20, 30 anos e que só teve aumento de carga tributária. Na China, eles têm quase 80 milhões de pessoas empregadas nesse segmento. Não sou favorável ao método deles. Dão albergue e comida às pessoas, mas não pagam previdência. E o salário não passa de US$ 100, enquanto aqui é de US$ 1.000, fora a carga tributária. Nosso funcionário é mais eficiente que o chinês. Só que o sistema não ajuda. O sr. está se referindo à moeda forte e à taxa de juros?Estamos assistindo ao filminho sem fazer nada. Pior que isso, há Estados como Santa Catarina que incentivam a importação baixando o ICMS. Essa é a maior afronta ao Brasil que já vi. O país está caminhando para a desindustrialização?Total. A questão é: queremos ou não ser um país industrializado? Se sim, as medidas precisam ser imediatas. Se não, vamos nos tornar um país de serviços. Só que vamos pagar um preço muito alto lá na frente. Veja o que aconteceu com os Estados Unidos, com o desastre da indústria automobilística, por exemplo. O país agora chora os empregos perdidos e não consegue reempregar. Existe abandono do setor pelo governo?Não diria abandono, mas diria que o governo está sem saber direito o que fazer. Eles ouvem, mas não vejo ação. Não sei qual a dificuldade que existe, se é burocracia. E o BNDES?Não adianta dar cortisona, é preciso repensar o modelo. Aplicar o Simples a todas as confecções, sem limite de faturamento, é uma mudança radical. Daí, sim, o BNDES pode entrar. E não são grandes investimentos, é coisinha pouca, bem menos do que a fusão do Abilio [Diniz, do Pão de Açúcar].
Um dos primeiros empresários a apoiar PT diz que não vê ação contra concorrência chinesa Empresário afirma que nada foi feito em 20 anos para reduzir impostos; 'EUA choram hoje fim da indústria' Ivo Rosset, dono da Valisére e da Cia. Marítima, em seu escritório no Bom Retiro A indústria têxtil brasileira vive sua maior crise e, se nada for feito pelo governo no sentido de reavivá-la, 2,5 milhões de empregos correm o risco de evaporar em questão de poucos anos.O alerta é de Ivo Rosset, proprietário do Grupo Rosset, que detém 65% do mercado de produção de tecidos no país e também as marcas Valisère e Cia. Marítima.O elo fraco da cadeia que alimenta essa indústria, de acordo com ele, está no setor das confecções (corte e costura dos tecidos para a produção de roupas), que têm sofrido com a concorrência das mercadorias chinesas, mais baratas e nem por isso com qualidade inferior."Nada foi feito nos últimos 20 anos. O país está caminhando para a desindustrialização e o governo não está agindo", afirma.Rosset é um dos empresários com melhor trânsito em Brasília. Encontrou-se com Lula e com Dilma diversas vezes. Conversa frequentemente com o ministro Guido Mantega. Foi um dos primeiros empresários a apoiar o PT e filiou-se ao partido em 2009.Há um mês, esteve na capital federal como representante do setor têxtil, quando apresentou uma proposta de aliviar a carga tributária das confecções adotando o regime do Simples como imposto único, independentemente do faturamento. Folha - Como vai a indústria têxtil no país?Ivo Rosset - De um lado, temos a produção de tecidos, que também sofre com a concorrência chinesa. Como o segmento de tecido plano (produção de tecidos para camisas sociais, por exemplo). Várias fecharam em Americana, que é um grande centro de produção.Existia também um mercado enorme para produtos como a viscose com fio elastano. Mas os chineses entraram a um preço que não dava para competir. Todos que produziam pararam. E as grandes malharias no Sul estão com problema, elas eram muito mais fortes do que hoje. E as confecções?A confecção é o polo que está mais focado na competição com a China. Se não resistir, vai atingir o setor como um todo, pois são as confecções que compram os tecidos que produzimos. Comparando a situação de uma costureira brasileira com a chinesa, a distorção é enorme. Aqui, um funcionário custa para o empregador 2,4 vezes a mais que o salário dele. Por isso propomos o regime do Simples -dessa forma as confecções pagariam 12% sobre tudo. Por que só as confecções?Conversando com a presidente, dei um exemplo. Uma empresa de confecção com 2.000 pessoas talvez fature o equivalente a 5% de uma indústria automobilística que também tem 2.000 pessoas. E a confecção não vai suportar a concorrência chinesa. É uma cadeia que emprega muita gente e está destinada a desaparecer caso não se faça algo com muita urgência. Estamos falando de 2,5 milhões de empregos diretos e um universo de 8 milhões. Em que estágio estamos?Crítico. Toda rede varejista importava de 5% a 10%, agora é de 35% a 40%. Há gente quebrando?O pessoal vai fechando. Muitos estão saindo do Brasil e indo para a China. Outro dia conversei com um fabricante de um outro setor, da Mundial, do Rio Grande do Sul. A ação dele disparou na Bolsa porque sua rentabilidade aumentou. Ele fechou tudo que tinha de produção no país e foi fabricar na China. Estamos matando emprego nosso e dando emprego pra chinês.A Marcopolo [fabricante de ônibus] foi embora, está produzindo em outro lugar e mandando os ônibus para cá. Vai chegar um momento em que ou transfiro as atividades da Rosset para fora ou sei lá o que vai acontecer. O que mais pode ser feito?Nós estamos dentro de um modelo que não muda há 20, 30 anos e que só teve aumento de carga tributária. Na China, eles têm quase 80 milhões de pessoas empregadas nesse segmento. Não sou favorável ao método deles. Dão albergue e comida às pessoas, mas não pagam previdência. E o salário não passa de US$ 100, enquanto aqui é de US$ 1.000, fora a carga tributária. Nosso funcionário é mais eficiente que o chinês. Só que o sistema não ajuda. O sr. está se referindo à moeda forte e à taxa de juros?Estamos assistindo ao filminho sem fazer nada. Pior que isso, há Estados como Santa Catarina que incentivam a importação baixando o ICMS. Essa é a maior afronta ao Brasil que já vi. O país está caminhando para a desindustrialização?Total. A questão é: queremos ou não ser um país industrializado? Se sim, as medidas precisam ser imediatas. Se não, vamos nos tornar um país de serviços. Só que vamos pagar um preço muito alto lá na frente. Veja o que aconteceu com os Estados Unidos, com o desastre da indústria automobilística, por exemplo. O país agora chora os empregos perdidos e não consegue reempregar. Existe abandono do setor pelo governo?Não diria abandono, mas diria que o governo está sem saber direito o que fazer. Eles ouvem, mas não vejo ação. Não sei qual a dificuldade que existe, se é burocracia. E o BNDES?Não adianta dar cortisona, é preciso repensar o modelo. Aplicar o Simples a todas as confecções, sem limite de faturamento, é uma mudança radical. Daí, sim, o BNDES pode entrar. E não são grandes investimentos, é coisinha pouca, bem menos do que a fusão do Abilio [Diniz, do Pão de Açúcar].
Assinar:
Postagens (Atom)