Páginas

domingo, 21 de novembro de 2010

Medo do sucesso

Medo do sucesso
O mercado de café mostra o resultado de sua administração desastrosa por parte de seus participantes. Com a economia mundial acelerada e com uma população com fome em consumir o café não ficou atrás disso.
O produtor com preços manipulados do um mercado de quem pode mais chora menos, fez uma espécie de escravatura branca e o produtor do seu lado louco por sua alforria se viu em louca corrida atrás de produtividade, o que parecia ser o mais certo a fazer depois de tantas chibatadas do mercado.
A insensibilidade do outro lado do mercado se esqueceu que sem a galinha não se pode botar o ovo de ouro, realmente não a mataram, mas diminuíram muito a sua ração deixando a classe produtora em baixo do balaio a espera de salvação.
A salvação chegou em forma de uma mudança climática coisa que nem o próprio produtor pode mudar, e um aumento de consumo alem das espectativas. Este cenário se transformou em um embrolho mental onde os produtores que não estão conseguindo manter suas propriedades agora que o vento virou a seu favor não sabe içar a vela pra aproveitar o vento.
Em uma conversa com um amigo e seguidor de meus artigos me disse que queria saber o dia em que mercado daria seu topo para que ele pudesse vender alguns contratos na BMF, a principio fiquei revoltado com esta conduta, pois a meses escrevo que estamos em tendência de alts, e mostrei a ele que esta tendência começou em 2.002 quando a bolsa de Nova Iorque tinha feito o seu fundo e estava em busca de um novo topo de mercado, portanto a tendência tem oito longos anos ,e que estamos nela, e não teria começado em junho deste ano como alguns acreditam , simplesmente olhem o gráfico do café continuo e mensal que verão uma bela e linda lta ou linha de tendência de alta o que mostra que apesar dos preços não estarem sendo satisfatório o mercado vem subindo sistematicamente.
Então porque o medo do sucesso?Porque não ser vitorioso e ser recompensado pelo nosso trabalho?
Uma semana após esta conversa com este seguidor ele me liga querendo saber o que eu achava do mercado me dizendo que teria cometido o mesmo erro de junho quando entrou vendido , vendeu novamente contra esta tendência, com uma diferença desta vez ele sabia que poderia subir o mercado.
Parece que as vezes não tomamos decisões como pessoas adultas e estamos querendo que não ver o obvio, ou estamos querendo passar por vitimas, existe estudos psicológicos sobre isso quando queremos apanhar ao em vez do bem estar.
Nosso trabalho para fazer um café de qualidade e as responsabilidades que os poluidores do mundo nos coloca para proteger a natureza e o governo com leis trabalhista tem que ser recompensados financeiramente , temos o direito de viajar ter carros modernos,nos somos jecas mas com certeza somos jóias e raras. A recompensa tem que vir através da mola do mundo o dinheiro e não em prêmios para ficar na empoeirando na prateleira como as grandes empresas gostam de fazer um jantar com pompas e um Oscar para o produtor e depois o manda pra casa com ilusões para próxima safra.
Em outra conversa com um cliente e amigo esta semana , ele me disse que teve uma bela oferta para vender café descascado a R$500;00 para próxima safra e que a proposta estava tentadora e que queria vender pois este preço a bem pouco tempo era sonho, e que uma grande empresa compraria todo o café deste tipo que encontrasse a venda no mercado, porque será ? A próxima safra que é de ciclo baixo para a produção brasileira com certeza trará preços que realmente parecem sonho, e a continuidade das chuvas nos países centrais reforçam esta teoria, portanto quanto menos munição der para o inimigo maior será a vitória.
O cenário macro econômico apesar da grande crise que esta passando as grandes potencias econômicas não tem data marcada para acabar, o consumo aumentando é u a tendência que não tem hora para acabar, porque vender agora então?
Simples o medo sucesso.
A boa administração desta fase vai levá-la por um grande período de bonança lucros e bem estar,a má administração vai elevar a produção da forma que os manipuladores estão querendo e a fase será rápida não duradoura e frustrante, as vezes penso que é isso que os produtores querem se sentirem coitados do mercado.
A cobrança do governo por parte dos sindicatos tem que ser mais incisivas, uma organização da cadeia produtiva com diretórios, com números palpáveis de produção com números palpáveis de consumo, ou seja, uma política fora das porteiras de nossas propriedades e não ficar se lamentando. Cuidar da produtividade e do meio ambiente são deveres de casa, mas a política também ela é nosso futuro. O mercado tem que pagar pelos nossos deveres manter a natureza enquanto os consumidores poluem.
Graficamente o mercado tem ainda muito para subir e para o próximo vencimento que será em março prevejo novos topos nas bolsas, vamos aguardar para ver onde vai dar.
Continuamos comprados a 198,00 posiçao tomada pelo gráfico de 60 minutos onde fez fundo duplo e nos deu a oportunidade de entrar com stop curto.Procuro oportunidade para desfazer da posição e umq boa oportunidade para entrar comprado para o próximo vencimento março de 2.011.
Tenham toda uma boa semana e que Deus abençoe a todos.
Wagner Pimentel
WWW.cafezinhocomamigos.blogspot.com

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

CFTC: fundos diminuem posições compradas na ICE Futures

CFTC: fundos diminuem posições compradas na ICE Futures

Dados da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) divulgados nesta sexta-feira apontaram que os fundos diminuíram suas posições compradas no mercado futuro de café da bolsa de Nova Iorque, refletindo as fortes perdas processadas no final da semana passada. Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras, sem as opções, os grandes fundos possuíam 33.865 posições líquidas long (40.889 posições long — compradas — e 7.024 posições short — vendidas) no último dia 16 de novembro. No relatório anterior, referente a 09 de novembro, eles tinham em mãos 42.146 posições líquidas long (53.926 posições long — compradas — e 11.780 posições short — vendidas). As empresas comerciais registravam, no dia 16, um saldo de 35.871 posições líquidas short (70.728 posições compradas e 106.599 vendidas). No relatório anterior, elas sustentavam 45.661 posições líquidas short (70.704 posições compradas e 116.365 vendidas). Os pequenos operadores tinham, na terça-feira passada na ICE Futures US, um total de 2.006 posições líquidas compradas, sendo 5.727 compradas e 3.721 vendidas. No relatório referente a 09 de novembro, por sua vez, eles apresentavam 3.542 posições líquidas compradas, sendo 7.041 compradas e 3.499 vendidas. As posições em aberto na bolsa norte-americana eram de 133.788 lotes no dia 16 de novembro, ao passo que na semana anterior elas somaram 148.813 lotes.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Mercado em alta tensão

Mercado em alta tensão
O mercado do café apesar de estar fazendo algo que de certa forma era esperado, mas a forma que esta trabalhando deixa qualquer trader sem respiração, esta de prender o fôlego.
O fechamento com 920 pontos de alta e ultimo ticker com 1015 pontos mostra a alta tensão deste mercado.
Na semana passada o mercado pagou o preço pelo dia do vencimento das opções e fez um belíssimo rally , parando na máxima de 218,70 no dia 10/11/2010 maior preço dos últimos 13 anos,e depois caiu violentamente fazendo teste do ultimo fundo deixado do gráfico de 60 minutos do dia 3/11/2010 na casa de 192,80 , após respeitar este valor ontem sai em busca do teste do topo sem olhar para trás e com o mercado sabendo que os vendidos terão que recomprar e ou rolar suas posições alimento a fome de lucro dos fundos e dos comprados .
Ontem quando vi este teste de fundo e o seu não rompimento não acreditei sinceramente que o mercado pudesse chegar no topo novamente, mas agora depois do dia de hoje realmente não duvido de nada , o mercado esta aberto e só para quem tem um coração muitíssimo forte para atuar contra esta tendência.
No lado fundamental não existe novidades, os estoques continuam caindo apesar do tamanho da safra brasileira e seus recordes de exportação,o consumo segundos últimos relatórios irão aumentar acima do esperado, comprar mercadoria de qualidade continua mais difícil que nascer cabelo em ovo e o ágio continua sendo pago pelo mercado físico, e pra ajudar o desesperado do governo americano com a intenção de aumentar o consumo e melhorar sua economia jogou mais uma avalanche de dólar no mercado o que certamente ira aumentar a inflação e aumentar os preços das comodities, a tentativa do governo americano de sobre taxar as aplicações certamente não ira dar em nada,e depois do balanço e dos lucros que estes fundos tem com suas operações irão certamente a continuar aplicando.
Na reunião do g-20 a única certeza que temos que o mercado continua o mesmo, cada um por si e Deus por todos e quem pode mais certamente chora menos.
Amanha dia 19/11/2010 será o dia da primeira chamada para os que estão vendidos para a entrega e certificação dos cafés vendidos e pelo mercado de hoje parece previsível o que veremos novo topo .
Com indicadores tendo muito ainda para caminhar com medias virada pra cima com a força do mercado com uma volatilidade em high voltage o alvo da projeção de Fibomacci esta aberta e esperando para ser rompido.
Próxima resistência em 214,2 e topo anterior em 218,7 o rompimento joga para o alvo em 133,80.
O mercado realmente não esta para amador e quem realmente tiver coração entre no lado certo e ajude alimentar a tensão dos vendidos. Suporte nas medias em 205,5.
Vamos esperar amanha para ver o desfecho.
Wagner Pimentel
WWW.cafezinhocomamigos.blogspot.com

Café: ABIC divulga avaliação dos 10 lotes finalistas do Concurso Nacional de Qualidade

O 7º Concurso Nacional ABIC de Qualidade dos Cafés do Brasil, que este ano está repleto de novidades, entra em sua reta final. A primeira fase foi a da seleção dos melhores lotes, realizada pelas instituições de cada Estado produtor por meio de certames estaduais. Os respectivos lotes vencedores foram inscritos no Concurso Nacional e passaram por avaliação sensorial da Qualidade Global na xícara.

A avaliação dos lotes, novidade desta edição, seguiu as metodologias da SCAA – Specialty Coffee of America e do PQC – Programa de Qualidade do Café da ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café, entidade responsável pelo concurso nacional. Os cafés foram provados às cegas por uma comissão de especialistas, coordenada por Ensei Neto, juiz certificado da SCAA. Foram seguidos os quesitos de cada uma das metodologias, com as notas da SCAA sendo dadas em uma escala de 0 a 100 e as do PQC numa escala de 0 a 10. “As duas metodologias apontaram resultados muito semelhantes e calibrados e as notas mostram que este concurso está sendo disputado por cafés que vão de Muito Bons a Excepcionais”, diz Nathan Herszkowicz, diretor executivo da ABIC.

Os cafés que mais se destacaram na avaliação são de São Paulo. Na categoria Café Natural, a melhor nota foi obtida pelo lote do produtor Márcio Luiz Bergamo Favaro, de Sarutaiá: 85,25 pontos na SCAA e 8,15 no PQC. Na categoria Cereja Descascado, a melhor nota foi dada ao lote do produtor João Antônio Garrote, de Itaí: 89,00 pontos na SCAA e 8,66 pontos no PQC. Na categoria Microlote – novidade deste certame – houve empate entre os lotes dos produtores Zaldenir Gonçalves, do Paraná, e João Emílio Lisboa, de São Paulo. Essa categoria foi criada para permitir a participação de pequenos produtores. O lote é de apenas 2 sacas, enquanto nas demais é de 10 sacas.

Leilão aberto a pessoas físicas

Com base nas notas obtidas, serão fixados os preços de abertura do leilão, o que será anunciado dia 29 de novembro. O pregão é aberto a indústrias, cafeterias, hotéis e pela primeira vez a pessoas físicas. Os lances poderão ser dados para aquisição de 1 saca ou de todo o lote, ou de sacas de diferentes lotes. As empresas podem participar individualmente ou em consórcio. O mesmo para as pessoas físicas, que podem reunir amigos ou a própria família para comprar o seu café.

Amostras de 100 gramas dos cafés finalistas podem ser solicitadas na ABIC, pelo email abic@abic.com.br até dia 30 de novembro, bastando preencher a Ficha de Inscrição do Comprador que está no site da entidade (www.abic.com.br) e a ficha para o lance. Nesta edição, o envio do lance poderá ser feito pela internet, por meio da Ficha de Lance Comprador, também à disposição do site. Os lances deverão ser feitos no período de 29 de novembro a 8 de dezembro, quando encerra o pregão. No dia 10 de novembro será divulgado o resultado. Todo o regulamento também está disponível no site.

Lotes Finalistas



CATEGORIA CAFÉ NATURAL

Produtor
UF
Cidade
Nota SCAA
Nota PQC

Márcio Luiz Bergamo Favaro
SP
Sarutaiá
Nota SCAA 85,25
Nota PQC 8,15

Maria José Junqueira Ceglia
MG
São Lourenço
Nota SCAA 79,00
Nota PQC 7,68

Agrifirma Campo Aberto Agrop.
BA
Luis Eduardo Magalhães
Nota SCAA 76,25
Nota PQC 7,60

Valdir Rodrigues de Souza¹
PR
Jandaia do Sul
Nota SCAA 74,25
Nota PQC 7,34

Obs.: O lote de Jandaia do Sul/PR não participará do leilão por não ter atingido a nota mínima de 75 pontos, conforme Artigo 20º do Regulamento.


CATEGORIA CAFÉ CEREJA DESCASCADA

Produtor
UF
Cidade
Nota SCAA
Nota PQC

João Antonio Garrote
SP
Itaí
Nota SCAA 89,00
Nota PQC 8,66

Lessivan Marcos de Oliveira Pacheco
BA
Brejões
Nota SCAA 84,75
Nota PQC 8,25

Hilda Stein Krohling
ES
Marechal Floriano
Nota SCAA 83,75
Nota PQC 8,10

Luiz Roberto Saldanha Rodrigues
PR
Jacarezinho
Nota SCAA 80,25
Nota PQC 7,93

Ralph de Castro Junqueira
MG
Carmo de Minas
Nota SCAA 79,00
Nota PQC 8,08


CATEGORIA MICROLOTE

Produtor
UF
Cidade
Nota SCAA
Nota PQC

João Emílio Lisboa
SP
Piraju
Nota SCAA 78,75
Nota PQC 8,00

Zaldenir Gonçalves
PR
Londrina
Nota SCAA 78,75
Nota PQC 7,83








CATEGORIA CAFÉ NATURAL - AVALIAÇÃO



Produtor: Márcio Luiz Bérgamo Fávaro - Município: Sarutaiá /SP

Nota SCAA: 85,25 – Nota PQC: 8,15

Descrição: Aroma intenso com presença de notas florais a jasmim, adocicadas como batata doce e fundo a mel. Sabor intenso com notas florais, frutas cítricas, mel e batata doce. Grande acidez licorosa. Encorpado, quase aveludado. Finalização de média-longa persistência agradável, adocicada e cítrica, com discreta adstringência. Apresenta muito bom equilíbrio entre os atributos Sabor- Acidez-Corpo.



Produtor: Maria José Junqueira - Município: São Lourenço / MG

Nota SCAA: 79,00 – Nota PQC: 7,68

Descrição: Aroma de média intensidade com toques herbáceos e leve caramelo ao fundo. Sabor adocicado, cítrico; notas a amêndoas e fundo herbáceo. Acidez adocicada de média intensidade. Corpo de médio a encorpado, aveludado. Finalização de longa persistência com leve adstringência. Apresenta bebida equilibrada entre os atributos Sabor -Acidez- Corpo.



Produtor: Agrifirma Campo Aberto Agropecuária - Município: Luiz Eduardo Magalhães/BA

Nota SCAA: 76,25 – Nota PQC: 7,60

Descrição: Aroma de média intensidade com presença de notas básicas como nozes e caramelo, além de fundo oleoso. Sabor medianamente intenso com notas como nozes, leve adocicado e presença oleosa. Acidez de baixa intensidade e corpo mediano. Finalização de média -longa persistência com adstringência e notas oleosas.





CATEGORIA CAFÉ CEREJA DESCASCADA – AVALIAÇÃO



Produtor: João Antônio Garrote - Município: Itaí/SP

Nota SCAA: 89,00 – Nota PQC: 8,66

Descrição: Aroma intenso a flores brancas e fundo a caramelo. Intenso sabor adocicado com notas de amplo espectro como florais a jasmim, frutas cítricas, amêndoas, caramelo, batata doce e mel. Grande acidez licorosa, por vezes borbulhante. Encorpado, aveludado. Finalização de média- longa persistência de caráter licoroso e fundo cítrico elegante. Excelente equilíbrio entre os atributos Sabor- Acidez- Corpo.



Produtor: Lessivan Marcos de Oliveira Pacheco - Município: Brejões/ BA

Nota SCAA: 84,75 – Nota PQC: 8,25

Descrição: Aroma intenso com notas predominantes de amêndoas e caramelo Sabor de grande intensidade com notas iniciais a amêndoas, seguido de frutas cítricas frescas e fundo a caramelo e chocolate ao leite. Acidez cítrica adocicada de média -alta intensidade. Encorpado delicadamente licoroso. Finalização de média -longa persistência. Muito bom equilíbrio entre os atributos Sabor- Acidez-Corpo



Produtor: Hilda Stein Krohling - Município: Marechal Floriano/ ES

Nota SCAA: 83,75 – Nota PQC: 8,10

Descrição: Intenso aroma com notas florais, a caramelo e delicado resinoso como xarope de maple. Aroma de amplo espectro contemplando notas florais como jasmim, caramelo, xarope de maple e fundo resinoso-herbáceo. Acidez cítrica de média-alta intensidade, adocicada. Bebida encorpada, quase licorosa. Finalização de média -longa persistência com leve adstringência. Café de muito bom equilíbrio entre Sabor- Acidez-Corpo.



Produtor: Luiz Roberto Saldanha Rodrigues - Município: Jacarezinho/ PR

Nota SCAA: 80,25 – Nota PQC: 7,93

Descrição: Aroma medianamente intenso, apresentando delicadas notas florais e fundo a frutas. Sabor de média intensidade com bom espectro de notas como floral, frutas cítricas, frutas vermelhas e leve aspereza. Acidez cítrica média a baixa. Corpo medianamente intenso, elegante. Finalização de média persistência com presença de leve adstringência. Bom equilíbrio entre Sabor -Acidez-Corpo.



Produtor: Ralf de Castro Junqueira - Município: Carmo de Minas/ MG

Nota SCAA: 79,00 – Nota PQC: 8,08

Descrição: Café com aroma apresentando notas básicas a caramelo e leve herbáceo ao fundo. Sabor de média intensidade, adocicado, com notas a caramelo, citros e leve herbáceo. Acidez mediana adocicada. Corpo de média -alta intensidade, \"redondo\". Finalização de média persistência com presença de caramelo, leve toque picante e adstringência. Bom equilíbrio entre os atributos Sabor- Acidez-Corpo.





CATEGORIA MICROLOTE - AVALIAÇÃO



Produtor: José Emílio Lisboa - Município: Piraju/SP

Nota SCAA: 78,75 – Nota PQC: 8,00

Descrição: Aroma de média intensidade com presença de notas a caramelo. Sabor de média intensidade com predominância de notas cítricas, leve frutado e fundo a caramelo. Acidez adocicada de média intensidade. Pouco encorpado, apresentando finalização de média-longa persistência, leve aspereza. Equilíbrio mediano entre os atributos Sabor- Acidez-Corpo.



Produtor: Zaldenir Gonçalves - Município: Londrina/ PR

Nota SCAA: 78,75 – Nota PQC: 7,83

Descrição: Aroma de média intensidade com notas como frutas amarelas e vermelhas, leve fundo a caramelo. Sabor de média intensidade com presença de notas a compotas de frutas e

leve aspereza. Medianamente encorpado. Acidez adocicada de média intensidade. Finalização de média longa persistência com leve adstringência. Café equilibrado em Sabor- Acidez-Corpo.

Boletim Diario do Mercado de Café - 17 Novembro 2010

Hencorp Commcor


O fechamento do café arábica BMF para o vencimento Dez/10 foi a US$ 236,60 com 1,50 de alta, totalizando um volume de 3.389 contratos. Saiu Spread de Dez/Mar de 3,30 a 3,80; Dez/Set -1,50 a -0,50; Mar/Set de -5,05 a -4,00 . Observamos arbitragem Dez/Dez com -19,80 a -21,00; Dez/Mar de -22,50 a -24,20; Mar/Mar de -20,50 a 21,00; Set/Set de -20,25 a -21,00. O mercado de café BMF abriu em baixa atingindo a mínima de 231,50,porem o mercado consegui inverter a tendência de baixa depois de muita oscilação e acomodação de preços intra diários e fechando com leve alta .

O Mercado físico de café trabalhou o dia com uma melhora de preços com negócios pra Cafes finos a R$ 360,00. Para cafés Safra 10/11 de R$ 350,00 a R$ 355,00, com 15% de catação, e para cafés com 20% de catação R$ 345,00 a 350,00.

O mercado de café para o vencimento Março encerrou cotado a 202,85, com 235 pontos de alta, e range entre 198,30 e 203,80. Após sessão onde o contrato de café terminou o dia cotado a 200,50, com uma retração de 675 pontos, onde segundo a Dow Jones Newswires, analistas disseram que houve uma fuga das commodities para o dólar por conta das preocupações em relação ao endividamento de países europeus e da possibilidade de a China tomar medidas para controlar sua inflação, a cotação do café trabalhou no dia de hoje com bastante volatilidade e muita oscilação em um range de 550 pontos.

Iniciando o dia ainda com os sintomas da ultima sessão a commodity buscou marcar a mínima do dia a 198,30, onde observamos certo suporte. Sentindo algum volume de compras o grão voltou para o campo positivo e se apoiando em fatores externos, principalmente na perda de valor do dolar frente ao euro, buscou rapidamente a máxima diária a 203,80.

Na mesma velocidade em que observamos o café buscar a máxima do dia, vimos voltar para níveis perto do inalterado, onde mais uma vez se apoiando no cambio, lentamente observamos uma apreciação até encerrar odia cotado a 202,85. Vale lembrar que cerca de 28% do volume diário foram representados pelo spread Dec10/Mar11, uma vez que entregas de café dezembro iniciam neste próximo dia 19, e atuou na sessão de hoje num range de -3,15 a -2,55, fechando cotado a -3,15. As médias móveis de 40, 100 e 200dias estão compreendidas em 194,80 / 182,80 e 162,40 respectivamente.

De acordo com a Cecafé, os embarques de Novembro (entre os dias 01e 17) somam 1.175.644 sacas, uma variação negativa de 23,5% em relação ao mesmo período do mês anterior. O café Londres Janeiro/11 encerrou cotado a 1858, com 2 pontos de alta, num range de 1815 e 1869.

Incompetência monetária

Incompetência monetária

Trata-se de aproveitar a crise dos parceiros desenvolvidos para criar um
ambiente de maturidade econômica
Poucas vezes na história econômica, uma única medida monetária teve um objetivo
tão errado e um efeito tão adverso quanto a decisão do Federal Reserve (Fed,
banco central americano) de injetar liquidez da ordem de US$ 600 bilhões por
meio de operação de recompra de papéis do próprio Tesouro dos EUA.
Qualquer que seja o ângulo pelo qual se analise a decisão, nenhum ajuda a
redimir o Fed da incompetência monetária.
Primeiro: falha no objetivo a que se propôs de estimular a economia interna com
a farta distribuição de liquidez. O motivo da inoperância da medida tem a ver
com a racionalidade dos americanos que, diante de taxas de desemprego ainda
muito elevadas e sem a perspectiva de que dias melhores virão no curto e médio
prazos, têm se esquivado de tomar empréstimo. Os bancos, por seu lado,
temerosos de micarem com credores inadimplentes, preferem manter o dinheiro em
caixa. A economia, no geral, não se move e o dinheiro tende a circular menos.
Não é algo que possa ser resolvido com liquidez. Há um forte elemento
psicológico envolvido no cenário da recessão dos Estados Unidos. Afinal, de que
serve ter dólares se não há confiança nem mesmo daqueles que têm emprego quanto
ao futuro da sua renda?
O gráfico abaixo, elaborado pela Consultoria Tendências, mostra bem a nulidade
daquela medida de expansão monetária. Os dados são do próprio Fed e mostram a
evolução do multiplicador monetário nos Estados Unidos. Desde setembro do ano
passado, o indicador tem se mantido abaixo de um, considerando a razão entre o
M1 (meios de pagamento no conceito mais simples) e a base monetária, que é a
emissão primária de moeda. Significa que o sistema bancário não tem sido capaz
de girar os dólares em ritmo suficiente para colocar a economia em andamento.
Segundo, o dólar é a moeda mais conversível do mundo. Isso dá ao seu emissor um
enorme poder de influência nos mercados de moedas em geral. Ao injetar soma
altíssima de moeda no circuito bancário dos Estados Unidos, e em não havendo
demanda interna para tanto dinheiro, os dólares acabam tomando outras direções.
Vão ajudar a irrigar outras economias que, a rigor, não precisam de mais
liquidez.
Terceiro, todo o movimento do dólar a partir da decisão do Fed tem o efeito de
contribuir para as chamadas operações de "carry-over", estimuladas pelos ganhos
pelo diferencial de taxas de juros entre os Estados Unidos e os países em
desenvolvimento que não conseguiram até aqui se desvincularem da rigidez
monetária do passado, contribuindo assim para alimentar os problemas criados
com o excesso de dólares no mercado.
Enquanto isso, os bancos europeus (em especial os alemães e belgas, mais
carregados de ativos duvidosos) se afundam com as perspectivas de insolvência
da dívida soberana de países como a Irlanda, Espanha, Portugal e etc..., a
ponto das pessoas começarem a colocar em dúvida o futuro do euro. É mais um
petardo complicado de mastigar no cenário global que não mostra sinais
positivos no horizonte.
Isso sem falar na China, que começa a se preocupar com os efeitos da crise e
que não pode de jeito nenhum passar por uma recessão do tipo da que assola os
Estados Unidos. Lá, ainda há milhões de bocas para serem alimentadas, de um
lado, e uma classe média que se acostumou com um padrão de vida elevado.
Politicamente, para o partido comunista chinês, seria uma situação difícil de
gerenciar. O sudeste asiático se mantém à mercê dos ventos que sopram na China;
e, no Japão, a economia continua sem ir para frente e nem para trás.
Na América Latina, tudo parece andar dentro do esperado na medida daquilo que
pode ser esperado, tendo em vista as circunstâncias.
O Brasil aflora na região como se fosse o verdadeiro pedaço do paraíso na
terra, mas tende a não ficar imune aos efeitos da crise internacional. Como já
se disse aqui, não há nenhum motivo no momento para maiores preocupações com o
déficit em conta corrente do país, mas há sim com os efeitos que a enxurrada de
dólares promovida pelo Fed poderá ter sobre a economia do país.
Não se trata apenas da valorização do real. O que está em jogo, em meio à
confusão generalizada, é a capacidade do próximo governo em desenvolver uma
política econômica que possa manter a estabilidade da inflação independente da
política cambial e praticar juros que realmente tenham a ver com o valor
aquisitivo da moeda nacional e não com a preocupação de atrair capital
externo. Enfim, trata-se de aproveitar a crise dos parceiros desenvolvidos para
criar um ambiente de maturidade econômica interna, enquanto há tempo.

Maria Clara R. M. do Prado, jornalista, é sócia diretora da Cin - Comunicação
Inteligente e autora do livro "A Real História do Real".

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Os dez mandamentos para os investidores em ações e comodities

Os dez mandamentos para os investidores em ações e comodities
Gosto de trabalhar com analogias e exemplos do cotidiano para transmitir conceitos para o sucesso dos investidores. Desta vez, a inspiração veio dos 10 Mandamentos.

Independentemente de você ser religioso ou não, sugiro que siga à risca os passos que serão apresentados para alcançar resultados mais interessantes.

1) Tenha um objetivo acima de qualquer coisa

Vai investir em ações? Legal! Mas quanto você tem? Quais são as metas? O que espera atingir e em quanto tempo? Quer fazer da bolsa a sua profissão? Isso precisa estar bem claro. Ganhar dinheiro e ficar rico não são objetivos, mas consequências de quem traçou um plano sólido.

2) Não deixe de estudar

Tendo seus objetivos definidos é hora de aprender sobre o mercado. Entender o que é a bolsa leva tempo e exige uma dedicação e preparação contínuas. Crie o hábito de ler livros, jornais e revistas especializadas, além de participar de cursos e palestras.

3) Tenha noção exata do tempo de que dispõe para investir

Você trabalha o dia todo e quer fazer daytrade? Esqueça! Fazer isso é pegar um atalho para destruir seu patrimônio. Você precisa adaptar sua realidade de vida à sua realidade de investidor. Se o tempo for escasso, aposte em operações que exigem menos atenção em tempo real. A ganância é sua maior inimiga!

4) Tenha (muita) disciplina

É só vivenciando o dia a dia que você vai ganhar experiência e entender o timing do mercado. Fazer do ato de investir uma rotina é fundamental. Faça um controle de suas operações, registre cada negócio e acompanhe seus erros e acertos. Isso tudo será útil para definir seu perfil.

5 ) Seja paciente

O início é sempre muito complicado. Os erros são mais comuns que os acertos e nem sempre o resultado esperado vem. Mas isso tudo faz parte de um processo de aprendizado comum a todos. Comece com cautela e valores reduzidos. Aceitar perdas é difícil, mas torna mais fácil quando as cifras são menores. A “pegada” estratégica só virá com o passar do tempo. Seja paciente e dedicado que o resultado virá!

6) Controle seu ambiente

Possuir uma máquina de qualidade, internet confiável e uma conexão reserva é essencial! Seu ambiente físico precisa estar sob seu completo controle. Evite distrações e tenha foco!

7) Tenha uma plataforma de qualidade

Lamentavelmente muitos investidores escolhem sua plataforma com base no preço. Não que a mais cara seja a melhor e que a mais barata seja a pior, mas é preciso saber quais são as suas necessidades. Muitas vezes uma plataforma cara, cheia de recursos pode não ser útil. A dica é testar o máximo que puder. Você pode perfeitamente encontrar uma ótima plataforma que atenda às suas necessidades a um custo muito inferior ao que estaria disposto a pagar.

Uma boa corretora é fundamental

Antes de mais nada, esqueça o critério preço como um fator de decisão. Lembre-se de que a corretora é sua parceira para realizar negócios. Se ela oferece tudo o que você precisa a preços baixos, ótimo. Mas preste atenção para não cair em discursos de marketing. Em resumo, você precisa ter: suporte e atendimento a qualquer hora do dia através de diferentes canais, plataforma estável, relatórios que ajudem na tomada de decisão, recomendações de compra e venda em tempo real etc. Encontre corretoras que possam te entregar esse material e depois veja quais têm os melhores preços.

9) Não esqueça sua vida pessoal

O nono mandamento foge da esfera de investimentos e aterrisa em sua vida privada. Não adianta você se arrebentar na bolsa, investir loucamente e enriquecer a custa de sua saúde, atenção à família, amigos e demais aspectos essenciais de sua vida pessoal. A bolsa é estressante e você não deve levar isso para fora do pregão. Assim como não deve levar seus problemas pessoais para a mesa de operação.

10) Certeza do sucesso

O último mandamento nada mais é senão a consequência de cumprir os nove anteriores. Importante entender, no entanto, que sucesso não significa ganhar dinheiro, mas saber os caminhos para conseguir isso de forma racional e sustentável. O retorno financeiro é mera consequência de um processo bem elaborado e bem gerenciado.

Marcelo Coutinho é sócio-presidente do YouTrade, empresa de educação financeira

Os subterrâneos da guerra de moedas*

Os subterrâneos da guerra de moedas*
Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo

Atribulado pela memória das desordens monetárias e cambiais dos anos 20 e 30 do
século passado, Keynes, delegado da Inglaterra em Bretton Woods, propôs a
Clearing Union, uma espécie de Banco Central dos bancos centrais. A Clearing
Union emitiria uma moeda bancária, o bancor, destinada exclusivamente a
liquidar posições entre os bancos centrais. Os negócios privados seriam
realizados nas moedas nacionais que, por sua vez, estariam referidas ao bancor
mediante um sistema de taxas de câmbio fixas, mas ajustáveis. Os déficits e
superávits dos países corresponderiam a reduções ou aumentos das contas dos
bancos centrais nacionais (em bancor) junto à Clearing Union.
O plano apresentado por Keynes buscava uma distribuição mais equitativa do
ajustamento dos desequilíbrios de balanço de pagamento entre deficitários e
superavitários. Isto significava, na verdade - dentro das condicionalidades
estabelecidas - facilitar o crédito aos países deficitários e penalizar os
países superavitários. O propósito de Keynes era evitar os ajustamentos
deflacionários e manter as economias na trajetória do pleno emprego. Ele
imaginava, ademais, que o controle de capitais deveria ser "uma característica
permanente da nova ordem econômica mundial".
Mas a utopia da "moeda supranacional" foi derrotada pelo arranjo internacional
proposto pelo Estado americano, então superavitário e detentor de mais de 60%
das reservas-ouro. Tratava-se, como é óbvio, de preservar o privilégio da
seignoriage. Assim, a supremacia do dólar, já no imediato pós-guerra,
impulsionou a transnacionalização da grande empresa, a ampliação e a
reorientação dos fluxos de comércio, ao promover o investimento "cruzado"
entre os mercados dos países industrializados e suscitar a redistribuição
geográfica da produção manufatureira para a periferia.
A "metástase" do sistema industrial dos países desenvolvidos, particularmente
do americano, foi revigorada pela onda da liberalização financeira e comercial
deflagrada nos anos 80 e ganhou força redobrada na década dos 90. Desde então,
o investimento manufatureiro concentrou-se na China e na Ásia emergente. A
"competitividade" chinesa tornou-se um tormento para os rivais, tanto nos
setores menos qualificados tecnologicamente, quanto, em ritmo acelerado, nas
áreas de tecnologia mais sofisticada. O país tornou-se grande receptor do
investimento direto americano, europeu e japonês e, ao mesmo tempo, ganhou
participação crescente no mercado de bens finais, peças e componentes dos
Estados Unidos e Europa.
Os "desequilíbrios" estão no DNA do exuberante movimento de expansão do
capitalismo do final do século XX e início do XXI
A redistribuição espacial da indústria manufatureira ampliou os desequilíbrios
nos balanços de pagamentos entre os EUA, a Ásia e a Europa, bem como favoreceu
o avanço da chamada globalização financeira. Os EUA foram capazes de atrair
capitais para cobrir os déficits em conta corrente e, assim, mantiveram taxas
de juros baixas, dólar valorizado, importações baratas e calmaria
inflacionária. A ampliação dos déficits em conta corrente dos EUA teve como
contrapartida a rápida acumulação de reservas nos países emergentes - nos
manufatureiros e nos exportadores de commodities, aí incluídos os petroleiros.
Utilizadas na compra de ativos americanos, as reservas dos "poupadores"
ensejaram a espantosa expansão do crédito, fomentaram a inflação de ativos e
estimularam o consumo das famílias. A virtude da temperança incitou os
destemperos da finança que levaram à crise.
Quando eclodiu a crise financeira, os analistas passaram a buscar os
"culpados" pelo desastre. Os partidários dos desajustes entre poupança e
investimento repartem a responsabilidade pelos desequilíbrios globais entre
dois vícios simétricos: os americanos poupam menos do que investem; os
superavitários (sobretudo, os asiáticos - não só a China, mas também o Japão e
outros menos votados) investem menos do que poupam. Os que acusam os
superavitários de manipular a taxa de câmbio sublinham a importância das
estratégias de crescimento dos parceiros emergentes, impulsionadas pela
expansão das exportações, ancoradas nas moedas subvalorizadas.
Essa busca de "individualização" de responsabilidades obscurece o mais
importante: o caráter "fundamental", constitutivo, dos ditos desequilíbrios
globais (bem como dos "excessos" da finança) na determinação das "leis" que
regeram o modo de crescimento da economia global nas últimas décadas.
Não é demasiado repetir que, nos últimos 30 anos, ocorreram profundas
transformações na morfologia e na dinâmica da economia mundial. Ganharam força
três movimentos simultâneos: 1) o avanço da internacionalização financeira
escorada na desregulamentação e na abertura das contas de capital urbi et orbi;
2) a aceleração da reestruturação produtiva, mediante as fusões e aquisições e
o direcionamento dos fluxos de investimento direto para as regiões de menor
custo; 3) as mudanças importantes, daí decorrentes, na divisão internacional do
trabalho e nos padrões de comércio.
As transformações financeiras foram acompanhadas, como é sabido, de mudanças na
estratégia global da concorrência entre as empresas dominantes, com implicações
sobre a natureza e a direção do investimento direto estrangeiro e do progresso
técnico. Não se trata apenas de reafirmar a importância crescente do comércio
intrafirmas, mas de destacar o papel decisivo do "global sourcing", fenômeno
que está presente, sobretudo, nas estratégias de deslocalização e de
investimento que alentaram a competitividade da grande empresa e, de quebra,
ensejaram o crescimento exuberante das economias asiáticas, a China em
particular. Os "desequilíbrios" estão no DNA do exuberante movimento de
expansão do capitalismo do final do século XX e da primeira década do Terceiro
Milênio. Dificilmente serão revertidos mediante um realinhamento entre o
yuan, o dólar e o euro.

*Neste artigo o autor resumiu e atualizou textos publicados no seu livro "Os
antecedentes da Tormenta".
Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do
Ministério da Fazenda e professor titular do Instituto de Economia da Unicamp.

Sinal verde para a proliferação dos controles cambiais

Sinal verde para a proliferação dos controles cambiais

A proliferação das medidas de controle de capital será uma das consequências do
insucesso do G-20 em chegar a algum acordo para restaurar o equilíbrio cambial,
na reunião realizada na semana passada, na capital da Coreia do Sul. Um dos
raros pontos de consenso do G-20 foi exatamente permitir que países emergentes
adotem o controle de capital caso estejam experimentando a valorização
indesejada de suas moedas em função do fluxo extraordinário de capital externo.
Por pressão da comitiva brasileira, o documento final da cúpula de Seul incluiu
em um de seus 74 pontos o sinal verde para o controle de capitais, com a bênção
do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A recomendação consta do ponto seis do documento de 17 páginas divulgado pela
cúpula, em que o G-20 trata de políticas monetárias e cambiais. O G-20
recomenda aos países adotar taxas de câmbio flexíveis, que reflitam os
fundamentos econômicos, e a evitar a desvalorização competitiva das moedas.
O ponto seis também autoriza países emergentes com reservas adequadas e câmbio
flexível, mas crescentemente apreciado, a recorrer a medidas macroprudenciais -
codinome para controles de capital - para se protegerem da volatilidade
excessiva do mercado causada pelos fluxos de recursos. Oficialmente, o governo
brasileiro afirma não ter nenhuma carta na manga para arrefecer o forte fluxo
de capital que vem recebendo, especialmente neste ano, e explica a apreciação
do real, com redução de competitividade das exportações e aumento das pressões
internas por medidas para evitar a desindustrialização do país. Mas,
seguramente, não se deve descartar novas medidas, principalmente levando-se em
conta a posição combativa que a comitiva brasileira assumiu em Seul.
Há cerca de um ano, em outubro de 2009, o Ministério da Fazenda reintroduziu o
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos investimentos estrangeiros em
renda fixa, com a alíquota de 2%, e, um mês depois, sobre as ações brasileiras
negociadas no exterior, a 1,5%. Neste ano, o IOF sobre renda fixa foi dobrado
para 4% e, pouco depois, passou a 6%. Além disso, o Banco Central (BC) vem
comprando todo o dólar excedente que entra no país.
Os dados indicam que o capital externo não se retraiu significativamente com as
medidas. O balanço do fluxo cambial de outubro mostra a entrada no país de US$
6,91 bilhões, dos quais US$ 5,14 bilhões referentes a operações financeiras - o
segundo maior volume do ano, somente superado pela marca recorde de US$ 13,7
bilhões de setembro, atingida em função dos investimentos estrangeiros atraídos
pela operação de venda de ações da Petrobras.
O arsenal de medidas que o governo brasileiro pode adotar ainda nem foi tocado
e pode incluir o aumento do IOF também para os investimentos em ações, a
ampliação das compras de dólares pelo BC, a cobrança de Imposto de Renda sobre
os rendimentos obtidos pelos investidores estrangeiros e a atuação da
autoridade monetária no mercado futuro de moedas.
O capital externo é atraído para o Brasil por causa das taxas de juros, uma das
mais elevadas do mundo, e também pelos bons resultados do país ao superar a
crise internacional. Mas também influi nesse fluxo anormal de recursos o
excesso de liquidez global, causado pelas políticas monetárias expansionistas
utilizadas pelos governos dos mercados mais desenvolvidos para tentar superar a
crise. O exemplo mais acabado dessa estratégia são os Estados Unidos, que já
injetaram US$ 1,75 trilhão com a compra de títulos em poder dos bancos e agora
preparam-se para despejar mais US$ 900 bilhões nesse tipo de operação. Parte
desses recursos buscam retorno melhor nos mercados emergentes.
Não só o Brasil mas também outros mercados emergentes tomaram medidas de
controle de capital. Depois da crise, aumentaram as medidas de controle do
capital externo, segundo o FMI. No ano passado foram tomadas pouco mais de 100
medidas de controle em comparação com 60 em 2007.
O investimento estrangeiro é normalmente positivo na medida em que complementa
a poupança doméstica e ajuda a financiar o crescimento econômico, dilui as
fontes de capital e contribui para o desenvolvimento do mercado de capitais.
Mas esse fluxo acaba tendo impacto negativo se for tão intenso a ponto de não
ser digerido adequadamente, e causa bolhas de ativos além de depreciar
artificialmente a taxa de câmbio, prejudicando a competitividade do país.