OPINÃO - Ações do MST, Excesso ou regra?
O ESTADO DE S. PAULO - SP
ESPAÇO ABERTO 26/10/2009
Denis Lerrer Rosenfield
É de estarrecer a reação de nossas autoridades diante da destruição operada pelo MST quando da invasão do laranjal da Cutrale. Aparentemente, as nossas autoridades condenaram o ocorrido, utilizando expressões do seguinte tipo: "não vou admitir vandalismos", "excessos" são condenados, "a lei" deve ser respeitada. Alguns defensores mais afoitos chegaram a dizer que o MST jamais utiliza "violência" em suas ações. É como se tudo estivesse normal, tratando-se de um acidente de percurso. É como se o rio tivesse saído momentaneamente de seu curso, tendo depois voltado ao normal. Na verdade, vivenciamos um inacreditável surto de hipocrisia.
Esse movimento dito social, na verdade uma organização política de corte leninista, teve de recuar, dada a repercussão midiática de seus atos, transmitidos pelo Jornal Nacional da Rede Globo. Ficou imobilizado pela condenação recebida. Procurou, então, responsabilizar a "direita", o "governo estadual" (leia-se Serra), os "meios de comunicação", os "ruralistas", os "policiais" e assim por diante - chegou a falar de indivíduos infiltrados... Só faltou inventar uma invasão de marcianos com o objetivo de "criminalizar os movimentos sociais".
A questão central reside em que se trata do modo de atuação "normal" do MST. Ele não cometeu nenhum excesso, fez meramente aquilo que sempre faz. Essa é a regra mesma de sua atuação. A única diferença consiste na filmagem, no eco imediato e numa opinião pública que não mais pactua com invasões. As invasões estão mostrando a sua verdadeira cara, que é não pacífica. Refresquemos a nossa memória ou tomemos conhecimento de alguns fatos, embora tardiamente. O importante, em todo caso, é que comecemos a ver o que se escancara diante de nossos olhos.
A Fazenda Coqueiros, no Rio Grande do Sul, altamente produtiva, tendo sido esse fato reconhecido pelo próprio Incra e pela Ouvidoria Agrária Nacional, de 2004 a 2008 foi objeto de ataques sistemáticos. Para se ter uma ideia do que lá aconteceu, apresento uma lista dos danos causados: 2 caminhões incendiados, 200 bovinos abatidos a tiros, 100 desaparecidos, uma serraria totalmente queimada e destruída, 1 usina hidrelétrica no valor de R$ 1 milhão completamente depredada, 11 casas incendiadas, 150 hectares de soja e 50 hectares de milho queimados, plantadoras depredadas, 2 tratores danificados com dinamite, máquinas colheitadeiras sabotadas com espigões de ferro, mais de 200 quilômetros de cercas depredadas, funcionários ameaçados, pontilhões queimados. Não há uma semelhança com a Cutrale? Trata-se, certamente, de uma amostra das "invasões pacíficas" do MST! Dá vontade de rir, não fosse trágico.
Segundo documento do Ministério Público do Rio Grande do Sul, em abril de 2008 a Fazenda Southall, em São Gabriel, foi invadida por 850 integrantes do MST. Eis o resultado de mais uma ação "pacífica" dessa organização política em nome da "reforma agrária": cercas arrancadas, corte de mata nativa, a área invadida foi cercada com lanças infectadas de fezes humanas (uso, portanto, de uma tática de guerrilha), trincheiras, destruição da sede. Continuo: os bretes da propriedade foram inutilizados, impedindo o banho e a vacinação dos animais, morte de 46 bovinos de aprimoramento genético, crueldade com animais, privando-os de alimentos e água. Foram apreendidos os seguintes "objetos": 9 coquetéis Molotov, 81 foices, 16 facões, 32 facas, 20 estilingues, 4 machados, 70 bastões de madeira, 28 taquaras do "tipo lanças" e 15 foguetes. Claro que se trata, segundo o MST, de "instrumentos" de trabalho! A pergunta é: de qual tipo de trabalho? O das invasões?
O horto da Aracruz, em Barra do Ribeiro (RS), foi invadido em 2006, tendo obtido ampla repercussão - e condenação - nacional. As invasoras foram 2 mil mulheres - encapuzadas como bandidos que agem fora da lei -, apresentando-se como militantes da Via Campesina, braço internacional do MST. Também se falava de "vandalismo", embora, como sempre, o MST tenha "justificado" sua ação em supostos termos "ambientais" e "sociais". Relembremos a "regra" das invasões: 1 milhão de mudas prontas para o plantio de eucaliptos destruídas, 20 anos de pesquisas prejudicados, um laboratório depredado, empregados ameaçados, instalações destruídas, material genético perdido. Isso é chamado, na língua emessetista, de "ocupação pacífica"... E há quem acredite!
Agora mesmo, mulheres do MST e da Via Campesina, dos dias 18 a 25 de outubro, estiveram reunidas em Buenos Aires, no Congresso Mundial de Florestas, tendo como objetivo a "repulsa à expansão de projetos de monoculturas de árvores, celulose e papel". É novamente esse setor que se torna alvo dessas organizações políticas, procurando fazer passar a mensagem do politicamente correto com o intuito de estabelecer seus propósitos "socialistas", de "solidariedade humana", esse novo nome que serve como máscara de seus verdadeiros fins. O capitalismo é o alvo: "Em nome do lucro, esse tipo de desenvolvimento mantido pelo sistema capitalista patriarcal destrói a vida de homens e mulheres, assim como a vida dos demais seres." Novas invasões já estão sendo, portanto, anunciadas. Não deu certo midiaticamente com a Cutrale? Tentemos novamente com o setor de florestas plantadas, papel e celulose!
Parece que não aprendem. Ou melhor, não querem aprender, pois o seu objetivo consiste em inviabilizar o agronegócio e, de modo mais abrangente, o Estado de Direito.
A lei, para esse tipo de organização política, nada vale, sendo apenas um instrumento descartável. A democracia apenas lhe convém, porque lhe permite um amplo leque de ações. Conta com a leniência das autoridades e com a impunidade para continuar o seu caminho de abolição de uma sociedade baseada nas liberdades e na igualdade de oportunidades.
Em boa hora foi aprovada, pelo Congresso, a CPI do MST.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Drawback X Downcafeicultura.
Drawback X Downcafeicultura.
A Abic semana passada em encontro com o Sr.Stephanes que esta ministro da agricultura na atualidade, pediu para o adiantamento da lei que possibilita às indústrias de torrefação de café brasileira a importação de cafés de outras origens produtoras.
A finalidade desse movimento chamado de Drawback seria para diminuir custos na industrialização de café importando matéria prima mais barata, para depois retornar com esse café industrializado para outros paises. Segundo a própria Abic, em estudo entregue por eles, esse movimento possibilitaria em acréscimo na produção de café industrializado trazendo divisas para o nosso pais. Esse acréscimo segundo a própria Abic chegaria em torno de 5 vezes a produção atual.
Um dos pontos mais combatidos seria a barreira fito sanitária, onde essa pratica poderia trazer doenças que não existem em nossas lavouras. Na década de 70 quando a ferrugem se propagou no Brasil a fora ,vindo sabe-se de onde, trouxe e ainda traz prejuízos que não teríamos como mensurar ,pois essa doença nos aflige todos os anos sendo uma das doenças mais caras para se prevenir em nossas lavouras.
O acréscimo de produção pela indústria nacional chegando este ano a 18 milhões de sacas de café de 60 kg industrializadas não seria o suficiente para ela, a compra por matéria prima abaixo do custo de produção trazendo uma crise sem precedentes dentro da cafeicultura nacional também não seria o suficiente para inibir por lucros vorazes desse setor.
As maiores das empresas brasileiras estão sendo devoradas por empresas internacionais que estão devorando o mercado e manipulando ao ser favor por décadas vide o índice cepea/esalq que sua variação estaria estagnada na casa dos R$250,00 há décadas enquanto nosso custo de produção ultrapassa a casa dos 500%.
Quem nos garante se depois que uma medida dessas for aprovada esse café não chegaria às prateleiras dos supermercados e/ou nas mesas dos consumidores brasileiros.
Temos o segundo maior consumo de café, do planeta, consumo que esta crescente em uma sociedade que tem por habito de tomar café diariamente.
Com certeza o foco da indústria seria o nosso mercado. Não faz nenhum sentido fazer drawback no Brasil se as maiores das industrias de café que aqui estão são multinacionais e tem filiais em outros paises.Como o diz o ditado popular no Brasil existe lei que pega e lei que não pega ficaríamos a mercê de industrias que só visam lucro a todo custo não se importando com a cafeicultura local.
Se uma lei de rotulagem o lobby da indústria não deixa ser aprovada, lei que daria para mostrarmos para o consumidor o que ele esta consumindo, o que fariam depois que tiverem o direito de importação, que tipo de café vira pra cá, qual qualidade a quantidade de impureza será o fim anunciado da cafeicultura nacional o maior guarda chuva para outras cafeiculturas que já vi.
A importação de café pela indústria nacional será à volta ao abismo o downback da cafeicultura nacional.
Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
Manhuaçu Mg
A Abic semana passada em encontro com o Sr.Stephanes que esta ministro da agricultura na atualidade, pediu para o adiantamento da lei que possibilita às indústrias de torrefação de café brasileira a importação de cafés de outras origens produtoras.
A finalidade desse movimento chamado de Drawback seria para diminuir custos na industrialização de café importando matéria prima mais barata, para depois retornar com esse café industrializado para outros paises. Segundo a própria Abic, em estudo entregue por eles, esse movimento possibilitaria em acréscimo na produção de café industrializado trazendo divisas para o nosso pais. Esse acréscimo segundo a própria Abic chegaria em torno de 5 vezes a produção atual.
Um dos pontos mais combatidos seria a barreira fito sanitária, onde essa pratica poderia trazer doenças que não existem em nossas lavouras. Na década de 70 quando a ferrugem se propagou no Brasil a fora ,vindo sabe-se de onde, trouxe e ainda traz prejuízos que não teríamos como mensurar ,pois essa doença nos aflige todos os anos sendo uma das doenças mais caras para se prevenir em nossas lavouras.
O acréscimo de produção pela indústria nacional chegando este ano a 18 milhões de sacas de café de 60 kg industrializadas não seria o suficiente para ela, a compra por matéria prima abaixo do custo de produção trazendo uma crise sem precedentes dentro da cafeicultura nacional também não seria o suficiente para inibir por lucros vorazes desse setor.
As maiores das empresas brasileiras estão sendo devoradas por empresas internacionais que estão devorando o mercado e manipulando ao ser favor por décadas vide o índice cepea/esalq que sua variação estaria estagnada na casa dos R$250,00 há décadas enquanto nosso custo de produção ultrapassa a casa dos 500%.
Quem nos garante se depois que uma medida dessas for aprovada esse café não chegaria às prateleiras dos supermercados e/ou nas mesas dos consumidores brasileiros.
Temos o segundo maior consumo de café, do planeta, consumo que esta crescente em uma sociedade que tem por habito de tomar café diariamente.
Com certeza o foco da indústria seria o nosso mercado. Não faz nenhum sentido fazer drawback no Brasil se as maiores das industrias de café que aqui estão são multinacionais e tem filiais em outros paises.Como o diz o ditado popular no Brasil existe lei que pega e lei que não pega ficaríamos a mercê de industrias que só visam lucro a todo custo não se importando com a cafeicultura local.
Se uma lei de rotulagem o lobby da indústria não deixa ser aprovada, lei que daria para mostrarmos para o consumidor o que ele esta consumindo, o que fariam depois que tiverem o direito de importação, que tipo de café vira pra cá, qual qualidade a quantidade de impureza será o fim anunciado da cafeicultura nacional o maior guarda chuva para outras cafeiculturas que já vi.
A importação de café pela indústria nacional será à volta ao abismo o downback da cafeicultura nacional.
Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
Manhuaçu Mg
domingo, 25 de outubro de 2009
Eficiência Legal no âmbito do Agronegócio Café
Por Mara Luiza Gonçalves Freitas
Estou assistindo de camarote a confusão do setor industrial com a Justiça, mais especificamente com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Sou favorável a posição do Conselho, porque ela comprova uma velha tese minha que é a de que as normas técnicas vocacionadas ao café industrializado voltadas às compras realizadas pelo setor público e que são fundadas no tal Nível Mínimo de Qualidade, são uma grande balela, dada a forma como as construções dos aparatos vem se dando.
Sinceramente, ou o Programa de Qualidade do Café da ABIC presta ou não presta. E partindo do pressuposto de que ele presta, não haveria necessidade deste desgaste público, ridículo, que o setor assiste. A indústria como sempre, age como se fosse uma principiante, ao defender interesses privados, fundados nas relações de amizade. É decepcionante. Está nítido que alguém é sócio do laboratório que era prestador de serviços e está perdendo dinheiro, pela tomada de decisão acertada do CNJ, que corrobora para a otimização do uso do erário público com este ato de salvaguarda do patrimônio público.
Existe uma legislação no país que regulamenta toda a parte de aquisições realizadas pelo setor público. As duas fundamentais são a Lei 8.666/1993, que trata das compras públicas e a Lei Complementar nº 101/2000, também conhecida como Lei da Responsabilidade Fiscal. Além disso, sobre elas está a Constituição Federal Brasileira, que reza que os interesses públicos sempre prevalecem sobre os privados: logo, o ensaio laboratorial perde sua razão de ser frente ao conjunto de necessidades globais urgentes da sociedade brasileira.
O respeito a Legislação e aos Interesses Públicos, portanto, é fundamental quando se trata de gestão pública. Logo, o que há de se imprimir sobre a legislação voltada a compras de café industrializado por parte do setor público, é um toque de inteligência comercial, que signifique ganhos de externalidades e eficiência no aparato jurídico.
Por exemplo, quando trabalhei na produção da redação do atual Decreto nº 44.661/2007 e na redação da Resolução Conjunta nº 6.501/2008, chancelada pelas Secretarias de Estado de Planejamento e Gestão, de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Saúde, ficou legitimado que se o café dispusesse do Selo de Qualidade ABIC, ele estaria dispensado dos ensaios laboratoriais, em decorrência da crença na credibilidade no Programa de Certificação Privado de Terceira Parte para Cafés Industrializados mais moderno do Mundo. Agora, depois de ler tudo o que li, minha visão mudou: o programa virou Macunaíma. O chiado industrial só pode significar que a indústria não confia no seu próprio taco e não se garante.
De qualquer forma, a legitimação do esforço privado pelo Estado, seria o suficiente para garantir a tão almejada qualidade do café oferecido nas repartições públicas, como também proporcionaria economia dos recursos públicos.
Para quem faz gestão pública, a economia de recursos em atividades supérfluas é fundamental: há outras prioridades que o Estado necessita atender, do que o financiamento de análises laboratoriais para café em quaisquer tipos de instituições públicas. Há pessoas morrendo em filas de hospitais superlotados, pessoas sem assistência social, morrendo de fome, pessoas sem saneamento básico, pessoas sem acesso a educação, pessoas sem trabalho, pessoas sem acesso à segurança. Este é o país onde o Ministério da Saúde investe R$ 0,03 centavos/ano em serviços públicos de saúde per capita. O país onde se investe R$ 0,10 centavos/mês/per capita na merenda escolar.
Que o setor aprenda a lição e modifique seu modo de gerenciar seus interesses.
*Docente de ensino superior, especializada em cafeicultura empresarial. Coordenadora do curso de Administração da Faculdade de Ciências Contábeis e Administração do Vale do Juruena. Foi Secretária Executiva do Sindicato da Indústria de Café do Estado de Minas Gerais, Assessora Especial do Café da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Minas Gerais e Coordenadora do Centro de Inteligência do Café. E-mail: adm@marafreitas.adm.br.
Estou assistindo de camarote a confusão do setor industrial com a Justiça, mais especificamente com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Sou favorável a posição do Conselho, porque ela comprova uma velha tese minha que é a de que as normas técnicas vocacionadas ao café industrializado voltadas às compras realizadas pelo setor público e que são fundadas no tal Nível Mínimo de Qualidade, são uma grande balela, dada a forma como as construções dos aparatos vem se dando.
Sinceramente, ou o Programa de Qualidade do Café da ABIC presta ou não presta. E partindo do pressuposto de que ele presta, não haveria necessidade deste desgaste público, ridículo, que o setor assiste. A indústria como sempre, age como se fosse uma principiante, ao defender interesses privados, fundados nas relações de amizade. É decepcionante. Está nítido que alguém é sócio do laboratório que era prestador de serviços e está perdendo dinheiro, pela tomada de decisão acertada do CNJ, que corrobora para a otimização do uso do erário público com este ato de salvaguarda do patrimônio público.
Existe uma legislação no país que regulamenta toda a parte de aquisições realizadas pelo setor público. As duas fundamentais são a Lei 8.666/1993, que trata das compras públicas e a Lei Complementar nº 101/2000, também conhecida como Lei da Responsabilidade Fiscal. Além disso, sobre elas está a Constituição Federal Brasileira, que reza que os interesses públicos sempre prevalecem sobre os privados: logo, o ensaio laboratorial perde sua razão de ser frente ao conjunto de necessidades globais urgentes da sociedade brasileira.
O respeito a Legislação e aos Interesses Públicos, portanto, é fundamental quando se trata de gestão pública. Logo, o que há de se imprimir sobre a legislação voltada a compras de café industrializado por parte do setor público, é um toque de inteligência comercial, que signifique ganhos de externalidades e eficiência no aparato jurídico.
Por exemplo, quando trabalhei na produção da redação do atual Decreto nº 44.661/2007 e na redação da Resolução Conjunta nº 6.501/2008, chancelada pelas Secretarias de Estado de Planejamento e Gestão, de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Saúde, ficou legitimado que se o café dispusesse do Selo de Qualidade ABIC, ele estaria dispensado dos ensaios laboratoriais, em decorrência da crença na credibilidade no Programa de Certificação Privado de Terceira Parte para Cafés Industrializados mais moderno do Mundo. Agora, depois de ler tudo o que li, minha visão mudou: o programa virou Macunaíma. O chiado industrial só pode significar que a indústria não confia no seu próprio taco e não se garante.
De qualquer forma, a legitimação do esforço privado pelo Estado, seria o suficiente para garantir a tão almejada qualidade do café oferecido nas repartições públicas, como também proporcionaria economia dos recursos públicos.
Para quem faz gestão pública, a economia de recursos em atividades supérfluas é fundamental: há outras prioridades que o Estado necessita atender, do que o financiamento de análises laboratoriais para café em quaisquer tipos de instituições públicas. Há pessoas morrendo em filas de hospitais superlotados, pessoas sem assistência social, morrendo de fome, pessoas sem saneamento básico, pessoas sem acesso a educação, pessoas sem trabalho, pessoas sem acesso à segurança. Este é o país onde o Ministério da Saúde investe R$ 0,03 centavos/ano em serviços públicos de saúde per capita. O país onde se investe R$ 0,10 centavos/mês/per capita na merenda escolar.
Que o setor aprenda a lição e modifique seu modo de gerenciar seus interesses.
*Docente de ensino superior, especializada em cafeicultura empresarial. Coordenadora do curso de Administração da Faculdade de Ciências Contábeis e Administração do Vale do Juruena. Foi Secretária Executiva do Sindicato da Indústria de Café do Estado de Minas Gerais, Assessora Especial do Café da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Minas Gerais e Coordenadora do Centro de Inteligência do Café. E-mail: adm@marafreitas.adm.br.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
BC publica resolução de liquidação da dívida com CPRs (22/10/2009 08:30)
BC publica resolução de liquidação da dívida com CPRs
(22/10/2009 08:30)
Após o Conselho Monetário Nacional (CMN) ter aprovado, na última quinta-feira (15), Voto Agrícola que autoriza a liberação inicial de R$ 100 milhões de um total de até R$ 300 milhões disponíveis do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Fucafé) para a liquidação das dívidas do café vinculadas às Cédulas de Produto Rural (CPRs), físicas ou financeiras, o Banco Central do Brasil publicou, nesta segunda-feira (19), a Resolução Bacen nº 3.800, que regulamenta as medidas aprovadas no voto.
Resolução 3.800
Dispõe sobre a linha de crédito para financiamento da aquisição de Cédula de Produto Rural (CPR) com recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).
O Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, torna público que o Conselho Monetário Nacional, em sessão extraordinária realizada em 16 e 19 de outubro de 2009, tendo em vista as disposições dos arts. 4º, inciso VI, da referida lei, 4º e 14 da Lei nº 4.829, de 5 de novembro de 1965, 6º da Lei nº 10.186, de 12 de fevereiro de 2001, e 53 da Lei nº 11.775, de 17 de setembro de 2008, R E S O L V E U :
Art. 1° O art. 1º da Resolução nº 3.643, de 26 de novembro de 2008, alterado pela Resolução nº 3.720, de 30 de abril de 2009, passa a vigorar com a seguinte redação:
Fica criada linha especial de crédito amparada em recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), observadas as seguintes condições:
I - objetivo: financiar a liquidação de dívidas de café vinculadas à Cédula do Produto Rural (CPR), física ou financeira, com vencimentos contratuais previstos até 31 de dezembro de 2007, inclusive aquelas com vencimento até 2007 substituídas para vencimento em 2008 ou 2009, emitidas por produtores rurais ou suas cooperativas;
II - prazo de reembolso: 4 (quatro) anos, sendo que a primeira parcela deverá ter vencimento até:
a) 31 de outubro de 2009, para as operações contratadas até 30 de setembro de 2009;
b) 31 de outubro de 2010, para as operações contratadas a partir de 1º de outubro de 2009;
III - encargos financeiros:
a) até 30 de setembro de 2009, taxa efetiva de juros de 7,5% a.a. (sete inteiros e cinco décimos por cento ao ano); e
b) a partir de 1º de outubro de 2009, taxa efetiva de juros de 6,75% a.a. (seis inteiros e setenta e cinco centésimos por cento ao ano);
IV - risco da operação: integral dos agentes financeiros;
V - spread bancário: até 4,5% a.a. (quatro inteiros e cinco décimos por cento ao ano);
VI - total de recursos: até R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais);
VII - prazo para contratação: até 18 de dezembro de 2009; e
VIII - limite de crédito por mutuário: até R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), deduzido eventual valor que o mutuário já tenha comprometido com financiamento destinado a custeio e colheita de café.
Parágrafo único. Para efeito de comprometimento anual do limite de que trata o inciso VIII do caput, o valor da operação contratada com base nesta resolução será dividido pelo número de anos definidos como prazo de reembolso do respectivo financiamento, de modo que o impacto seja distribuído de forma homogênea ao longo do período de vigência da operação.
Art. 2º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 19 de outubro de 2009.
Henrique de Campos Meirelles
Presidente do Banco Central
Fonte: Café e Mercado
(22/10/2009 08:30)
Após o Conselho Monetário Nacional (CMN) ter aprovado, na última quinta-feira (15), Voto Agrícola que autoriza a liberação inicial de R$ 100 milhões de um total de até R$ 300 milhões disponíveis do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Fucafé) para a liquidação das dívidas do café vinculadas às Cédulas de Produto Rural (CPRs), físicas ou financeiras, o Banco Central do Brasil publicou, nesta segunda-feira (19), a Resolução Bacen nº 3.800, que regulamenta as medidas aprovadas no voto.
Resolução 3.800
Dispõe sobre a linha de crédito para financiamento da aquisição de Cédula de Produto Rural (CPR) com recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).
O Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, torna público que o Conselho Monetário Nacional, em sessão extraordinária realizada em 16 e 19 de outubro de 2009, tendo em vista as disposições dos arts. 4º, inciso VI, da referida lei, 4º e 14 da Lei nº 4.829, de 5 de novembro de 1965, 6º da Lei nº 10.186, de 12 de fevereiro de 2001, e 53 da Lei nº 11.775, de 17 de setembro de 2008, R E S O L V E U :
Art. 1° O art. 1º da Resolução nº 3.643, de 26 de novembro de 2008, alterado pela Resolução nº 3.720, de 30 de abril de 2009, passa a vigorar com a seguinte redação:
Fica criada linha especial de crédito amparada em recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), observadas as seguintes condições:
I - objetivo: financiar a liquidação de dívidas de café vinculadas à Cédula do Produto Rural (CPR), física ou financeira, com vencimentos contratuais previstos até 31 de dezembro de 2007, inclusive aquelas com vencimento até 2007 substituídas para vencimento em 2008 ou 2009, emitidas por produtores rurais ou suas cooperativas;
II - prazo de reembolso: 4 (quatro) anos, sendo que a primeira parcela deverá ter vencimento até:
a) 31 de outubro de 2009, para as operações contratadas até 30 de setembro de 2009;
b) 31 de outubro de 2010, para as operações contratadas a partir de 1º de outubro de 2009;
III - encargos financeiros:
a) até 30 de setembro de 2009, taxa efetiva de juros de 7,5% a.a. (sete inteiros e cinco décimos por cento ao ano); e
b) a partir de 1º de outubro de 2009, taxa efetiva de juros de 6,75% a.a. (seis inteiros e setenta e cinco centésimos por cento ao ano);
IV - risco da operação: integral dos agentes financeiros;
V - spread bancário: até 4,5% a.a. (quatro inteiros e cinco décimos por cento ao ano);
VI - total de recursos: até R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais);
VII - prazo para contratação: até 18 de dezembro de 2009; e
VIII - limite de crédito por mutuário: até R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), deduzido eventual valor que o mutuário já tenha comprometido com financiamento destinado a custeio e colheita de café.
Parágrafo único. Para efeito de comprometimento anual do limite de que trata o inciso VIII do caput, o valor da operação contratada com base nesta resolução será dividido pelo número de anos definidos como prazo de reembolso do respectivo financiamento, de modo que o impacto seja distribuído de forma homogênea ao longo do período de vigência da operação.
Art. 2º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 19 de outubro de 2009.
Henrique de Campos Meirelles
Presidente do Banco Central
Fonte: Café e Mercado
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
WASHINGTON, EUA, 21 Out 2009 (AFP) - O plano de resgate econômico do governo dos Estados Unidos no valor de 700 bilhões de dólares ajudou a afastar o sistema financeiro do abismo, mas o resultado geral desta ajuda permanece pouco claro, diz um documento apresentado ao Congresso nesta quarta-feira. O relatório trimestral do inspetor geral do programa de ajuda, Neil Barofsky, adverte que é pouco provável que os contribuintes recebam de volta todo seu dinheiro empregado para estabilizar o sistema financeiro e a economia como parte do plano de compra de ativos problemáticos, o plano Tarp na sigla em inglês. O documento afirmou que, desde que o programa foi aprovado pelo Congresso, em outubro de 2008, "houve uma onda de sinais significativos de melhora na estabilidade do sistema financeiro". "Apesar de as causas desta melhora serem variadas e complexas, parece que as enérgicas medidas adotadas pelo Departamento do Tesouro e outras agências por meio do Tarp e outros programas desempenharam papel importante para afastar o sistema de um colapso", acrescentou. "Por outro lado, os americanos ainda enfrentam risco de serem despejados de suas casas e de perder o emprego. As preocupações sobre o mercado imobiliário ameaçam aumentar novamente a pressão tanto sobre os bancos quanto sobre as pequenas empresas", explicou. O plano de resgate foi aprovado rapidamente pelo Congresso após a quebra do Lehman Brothers, considerada o início da crise financeira global. O relatório do inspetor Barofsky explica ainda que avaliar os custos é complexo porque, além das distribuições financeiras diretas, há custos de "risco moral" e a credibilidade do governo americano entra em jogo. "O ano que passou demonstrou que os custos do Tarp, em cada categoria, podem passar a ser substanciais", disse. "Apesar de vários fundos do Tarp já terem sido reembolsados com um ganho de 17% (para o governo), é muito pouco provável que os contribuintes recebam todo seu dinheiro investido de volta", diz o documento. Barofsky afirmou nesta quarta-feira à CNN que enquanto muitos bancos e empresas de investimentos forem ajudados pelo Tarp, "elas continuarão crescendo mais ainda e as consequências de sua quebra serão ainda maiores". "Apesar de muitas instituições terem devolvido fundos do resgate, ainda obtêm ganhos baseados em dinheiro barato e no apoio dado pelo governo federal", acrescentou. "É um sistema que precisa ser reformado", declarou. "Não há nada que impeça assumir riscos maiores se sabem que têm uma rede de segurança do governo, e que depois virão os ganhos e os prêmios"
terça-feira, 20 de outubro de 2009
A MUDANÇA DO JOGO
A MUDANÇA DO JOGO
A noticia de ontem à tarde, do governo sobre taxar com iof o capital especulativo, que estava entrando no Brasil, e deixando o governo e seus ministros de cabelo em pé, os que têm cabelo lógico, fez uma mudança no sentimento do mercado.
A bolsa ICE que tinha rompido uma importante área no ativo café no mês de dez/09 na casa do 140.00 cents de dólar por libra peso e atingindo a máxima de 145,40 cents de dólar por libra peso ontem dia 19/10/09 com 140 pontos de alta. O mercado sobre comprado onde fundos teriam entrado em raly anteriores na compra, entraram realizando lucro e procurando outros ativos deixando a bolsa ICE no vermelho fechando com 220 pontos de baixa a 141,80 cents de dólar por libra peso.
A valorização do dólar index, índice do dólar frente a outras moedas, na casa de 0,5% ajudou essa realização. Aproveita-se deste momento para realizar lucros com a valorização do dólar frente ao real que não ficou fora da valorização da moeda americana pelo mundo ,no Brasil essa valorização foi maior na casa de 2,34% que em real daria R$1.7550, a queda da bolsa com a alta do dólar deu um diferencial por saca de 60 kg de café de R$0,84 oitenta e quatro centavos de alta, ou seja nada mudou ,como sempre acontece, quando o dólar sobe a bolsa cai ,e quando o dólar cai a bolsa sobe.
No lado fundamental o café segue sua rotina sem alteração, floradas desiguais, entre safra longa de uma safra brasileira curta, e baixa qualidade, sem novidades.
Como a regra do jogo mudou de uma hora para outra temos que esperar os próximos pregoes para visualizar melhor uma tendência, no caso de baixa, teremos dois suportes técnicos a 137,75 cents de dólar por libra peso e 135,50 cents de dólar por libra peso.
Acredito que isso não vai mudar em nada o mercado porque não existe ninguém que consiga absorver a montanha de dólar injetada na economia mundial, pra terminar com uma crise de proporções estratosférica, mas a prudência nos manda ter cuidado em horas como esta.
No mercado físico o produtor continua calmo a espera da entrega dos cafés para o governo na casa dos R$300, 00,numero este,que seria o sonho dos produtores e a espera das regras pra se vender café na AGF ,nesta gostaria de dar um palpite, os produtores teriam que entregar café de bebida inferior rio e riada para diminuir um pouco esse tipo de café do mercado ,pois foi à qualidade que mais se colheu este ano e o preço da AGF é superior aos praticados do mercado.
Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
MANHUAÇU MG 20/10/09
A noticia de ontem à tarde, do governo sobre taxar com iof o capital especulativo, que estava entrando no Brasil, e deixando o governo e seus ministros de cabelo em pé, os que têm cabelo lógico, fez uma mudança no sentimento do mercado.
A bolsa ICE que tinha rompido uma importante área no ativo café no mês de dez/09 na casa do 140.00 cents de dólar por libra peso e atingindo a máxima de 145,40 cents de dólar por libra peso ontem dia 19/10/09 com 140 pontos de alta. O mercado sobre comprado onde fundos teriam entrado em raly anteriores na compra, entraram realizando lucro e procurando outros ativos deixando a bolsa ICE no vermelho fechando com 220 pontos de baixa a 141,80 cents de dólar por libra peso.
A valorização do dólar index, índice do dólar frente a outras moedas, na casa de 0,5% ajudou essa realização. Aproveita-se deste momento para realizar lucros com a valorização do dólar frente ao real que não ficou fora da valorização da moeda americana pelo mundo ,no Brasil essa valorização foi maior na casa de 2,34% que em real daria R$1.7550, a queda da bolsa com a alta do dólar deu um diferencial por saca de 60 kg de café de R$0,84 oitenta e quatro centavos de alta, ou seja nada mudou ,como sempre acontece, quando o dólar sobe a bolsa cai ,e quando o dólar cai a bolsa sobe.
No lado fundamental o café segue sua rotina sem alteração, floradas desiguais, entre safra longa de uma safra brasileira curta, e baixa qualidade, sem novidades.
Como a regra do jogo mudou de uma hora para outra temos que esperar os próximos pregoes para visualizar melhor uma tendência, no caso de baixa, teremos dois suportes técnicos a 137,75 cents de dólar por libra peso e 135,50 cents de dólar por libra peso.
Acredito que isso não vai mudar em nada o mercado porque não existe ninguém que consiga absorver a montanha de dólar injetada na economia mundial, pra terminar com uma crise de proporções estratosférica, mas a prudência nos manda ter cuidado em horas como esta.
No mercado físico o produtor continua calmo a espera da entrega dos cafés para o governo na casa dos R$300, 00,numero este,que seria o sonho dos produtores e a espera das regras pra se vender café na AGF ,nesta gostaria de dar um palpite, os produtores teriam que entregar café de bebida inferior rio e riada para diminuir um pouco esse tipo de café do mercado ,pois foi à qualidade que mais se colheu este ano e o preço da AGF é superior aos praticados do mercado.
Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
MANHUAÇU MG 20/10/09
OPINIÃO - Farsesca agrária
OPINIÃO - Farsesca agrária
O Estado de S. Paulo
20/10/09 Xico Graziano Preciosas informações sobre o campo foram recentemente divulgadas pelo IBGE. Elas confirmam o crescimento da agricultura familiar, cujas unidades passaram de 4,1 milhões para 4,5 milhões. Significam agora 88% do número total de estabelecimentos agropecuários do País. A força do pequeno. Esse interessante fenômeno da economia rural carece de melhor análise acadêmica. Certamente, porém, o apoio do Estado tem sido fundamental nesse processo, desde a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Isso ocorreu em 1995. Os petistas inquietam-se e escondem a inveja. Mas foi o presidente Fernando Henrique Cardoso que, pela primeira vez, formulou uma política específica para essa categoria de pequenos agricultores, articulada então pelo agrônomo Murilo Flores, da Embrapa. Com inédita metodologia, valorizando o uso do trabalho, e não o tamanho da terra, o governo apartou uma parcela dos recursos do crédito rural, direcionando-a para os chamados agricultores familiares. Hoje se colhem os bons frutos dessa importante política agrícola. Estudos conduzidos por Carlos Guanziroli, Antônio Márcio Buainain e Alberto Di Sabbato relatam que, em 2006, os agricultores familiares respondiam por 40% do valor da produção agropecuária, ante 37,9% em 1996. No emprego, incluindo os membros da família, o segmento absorve 13 milhões de pessoas, ou seja, 78,8% do total da mão de obra ocupada no campo. Celeiro de gente trabalhadora. Os assentamentos de reforma agrária, embora incipientes, também contribuíram para ampliar o espaço da pequena produção rural. Tanto é que as maiores variações positivas na participação da agricultura familiar ocorreram nas Regiões Norte e Nordeste, onde, por sinal, passaram a dominar a produção agropecuária. Fim do coronelismo. Tais dados, obtidos a partir do último Censo Agropecuário, destroem certo discurso boboca que brada estar o modelo do agronegócio acabando com a pequena agricultura. Acontece justamente o inverso. Novas tecnologias, mercados integrados e apoio do governo robustecem a produção familiar no campo. Caso único. Em todos os setores da economia ocorre concentração de capital. No sistema financeiro, nos supermercados, nas farmácias, nos postos de gasolina, no comércio varejista, por onde se olha, empresas se fundem, aumenta a escala da produção, as vendas se agigantam. Poucos, aliás, combatem politicamente esse transcurso cruel dos negócios urbanos, em que os grandes engolem os pequenos. Parece normal na moderna economia. Na agropecuária, entretanto, a roda gira diferente. A agricultura familiar se fortalece juntamente com a grande empresa rural. Mesmo assim, curiosamente, o discurso atrasado contra o agronegócio teima em persistir, como se a mentira repetida se transformasse em verdade. Os combatentes da moderna agropecuária, qual dom Quixote, bradam contra moinhos de vento. De onde surge tal delírio ideológico, conforme o denomina Zander Navarro? Certamente do equívoco, elementar, que distingue "agricultura familiar" do "agronegócio", como se ambas as categorias fossem opostas, e não complementares. Ora, familiar não significa ser miserável no campo, embora muita pobreza exista por lá. O sucesso do programa de agricultura familiar reside exatamente na ideia de que, ao investir em tecnologia e ganhar produtividade, o pequeno produtor se qualifica para participar do mundo do agronegócio. Assim procedem milhões de antigos agricultores, todos querendo escapar da sofrida subsistência, ganhar seu dinheiro, educar suas crianças, ter saúde, crescer na vida. Uma política agrária moderna procura livrar o agricultor de sua submissão histórica, emancipando-o econômica e culturalmente, transformando-o em pequeno empresário. Agronegócio familiar. Quem, violentamente, combate o agronegócio e, idilicamente, defende os agricultores familiares comete um pecado conceitual. Milhões de excelentes produtores de café, soja, feijão, arroz, leite, carne, mandioca, frutas, verduras dependem do agronegócio para viver. Desejosos do progresso, buscaram financiamentos do Pronaf, aprimoraram-se tecnicamente, organizaram-se em cooperativas, vendem com qualidade. Pequenos na roça, gigantes no mercado. O discurso esquerdista que opõe o agronegócio à agricultura familiar cheira a um populismo antigo, baseado naquele desejo de tutelar a miséria rural, roubando dos camponeses pobres seu próprio destino. Nada mais adequado à manipulação política do que tratar os pequenos agricultores como coitados, cultivando sua dependência histórica. Falsos líderes gostam da subserviência do povo, um terreno onde a esquerda e a direita autoritárias se confundem facilmente. As laranjas padeceram noutro dia, arrasadas pelo banditismo rural. A fama da fruta já anda balançada com tanto escândalo financeiro, pois a mídia insiste, sem que ninguém explique direito o porquê, em chamar de laranjas aqueles que disfarçam o crime de lavagem de dinheiro. Desta vez, apanharam diretamente, destruídas pela raiva dos invasores de terras. O laranjal virou personagem de um triste filme agrário. Uma farsesca. Por detrás, nos bastidores da trama, o argumento ignóbil: laranja não é comida e, não sendo familiar, o agronegócio da citricultura não interessa à sociedade. Portanto, dane-se a produção, esqueça o emprego, pau no laranjal. Besteirol puro. O MST inventa assunto para esconder a insanidade de sua luta autoritária. Ao combater o agronegócio, imagina voltar ao tempo do pé de laranja no fundo do quintal, poleiro de galinhas caipiras. No fundo, paradoxalmente, alimenta-se da miséria rural. Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. E-mail: xico@xicograziano.com.br
O Estado de S. Paulo
20/10/09 Xico Graziano Preciosas informações sobre o campo foram recentemente divulgadas pelo IBGE. Elas confirmam o crescimento da agricultura familiar, cujas unidades passaram de 4,1 milhões para 4,5 milhões. Significam agora 88% do número total de estabelecimentos agropecuários do País. A força do pequeno. Esse interessante fenômeno da economia rural carece de melhor análise acadêmica. Certamente, porém, o apoio do Estado tem sido fundamental nesse processo, desde a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Isso ocorreu em 1995. Os petistas inquietam-se e escondem a inveja. Mas foi o presidente Fernando Henrique Cardoso que, pela primeira vez, formulou uma política específica para essa categoria de pequenos agricultores, articulada então pelo agrônomo Murilo Flores, da Embrapa. Com inédita metodologia, valorizando o uso do trabalho, e não o tamanho da terra, o governo apartou uma parcela dos recursos do crédito rural, direcionando-a para os chamados agricultores familiares. Hoje se colhem os bons frutos dessa importante política agrícola. Estudos conduzidos por Carlos Guanziroli, Antônio Márcio Buainain e Alberto Di Sabbato relatam que, em 2006, os agricultores familiares respondiam por 40% do valor da produção agropecuária, ante 37,9% em 1996. No emprego, incluindo os membros da família, o segmento absorve 13 milhões de pessoas, ou seja, 78,8% do total da mão de obra ocupada no campo. Celeiro de gente trabalhadora. Os assentamentos de reforma agrária, embora incipientes, também contribuíram para ampliar o espaço da pequena produção rural. Tanto é que as maiores variações positivas na participação da agricultura familiar ocorreram nas Regiões Norte e Nordeste, onde, por sinal, passaram a dominar a produção agropecuária. Fim do coronelismo. Tais dados, obtidos a partir do último Censo Agropecuário, destroem certo discurso boboca que brada estar o modelo do agronegócio acabando com a pequena agricultura. Acontece justamente o inverso. Novas tecnologias, mercados integrados e apoio do governo robustecem a produção familiar no campo. Caso único. Em todos os setores da economia ocorre concentração de capital. No sistema financeiro, nos supermercados, nas farmácias, nos postos de gasolina, no comércio varejista, por onde se olha, empresas se fundem, aumenta a escala da produção, as vendas se agigantam. Poucos, aliás, combatem politicamente esse transcurso cruel dos negócios urbanos, em que os grandes engolem os pequenos. Parece normal na moderna economia. Na agropecuária, entretanto, a roda gira diferente. A agricultura familiar se fortalece juntamente com a grande empresa rural. Mesmo assim, curiosamente, o discurso atrasado contra o agronegócio teima em persistir, como se a mentira repetida se transformasse em verdade. Os combatentes da moderna agropecuária, qual dom Quixote, bradam contra moinhos de vento. De onde surge tal delírio ideológico, conforme o denomina Zander Navarro? Certamente do equívoco, elementar, que distingue "agricultura familiar" do "agronegócio", como se ambas as categorias fossem opostas, e não complementares. Ora, familiar não significa ser miserável no campo, embora muita pobreza exista por lá. O sucesso do programa de agricultura familiar reside exatamente na ideia de que, ao investir em tecnologia e ganhar produtividade, o pequeno produtor se qualifica para participar do mundo do agronegócio. Assim procedem milhões de antigos agricultores, todos querendo escapar da sofrida subsistência, ganhar seu dinheiro, educar suas crianças, ter saúde, crescer na vida. Uma política agrária moderna procura livrar o agricultor de sua submissão histórica, emancipando-o econômica e culturalmente, transformando-o em pequeno empresário. Agronegócio familiar. Quem, violentamente, combate o agronegócio e, idilicamente, defende os agricultores familiares comete um pecado conceitual. Milhões de excelentes produtores de café, soja, feijão, arroz, leite, carne, mandioca, frutas, verduras dependem do agronegócio para viver. Desejosos do progresso, buscaram financiamentos do Pronaf, aprimoraram-se tecnicamente, organizaram-se em cooperativas, vendem com qualidade. Pequenos na roça, gigantes no mercado. O discurso esquerdista que opõe o agronegócio à agricultura familiar cheira a um populismo antigo, baseado naquele desejo de tutelar a miséria rural, roubando dos camponeses pobres seu próprio destino. Nada mais adequado à manipulação política do que tratar os pequenos agricultores como coitados, cultivando sua dependência histórica. Falsos líderes gostam da subserviência do povo, um terreno onde a esquerda e a direita autoritárias se confundem facilmente. As laranjas padeceram noutro dia, arrasadas pelo banditismo rural. A fama da fruta já anda balançada com tanto escândalo financeiro, pois a mídia insiste, sem que ninguém explique direito o porquê, em chamar de laranjas aqueles que disfarçam o crime de lavagem de dinheiro. Desta vez, apanharam diretamente, destruídas pela raiva dos invasores de terras. O laranjal virou personagem de um triste filme agrário. Uma farsesca. Por detrás, nos bastidores da trama, o argumento ignóbil: laranja não é comida e, não sendo familiar, o agronegócio da citricultura não interessa à sociedade. Portanto, dane-se a produção, esqueça o emprego, pau no laranjal. Besteirol puro. O MST inventa assunto para esconder a insanidade de sua luta autoritária. Ao combater o agronegócio, imagina voltar ao tempo do pé de laranja no fundo do quintal, poleiro de galinhas caipiras. No fundo, paradoxalmente, alimenta-se da miséria rural. Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. E-mail: xico@xicograziano.com.br
Nanotecnologia, uma revolução invisível
Nanotecnologia, uma revolução invisível
É um trabalho minucioso, repetitivo e (literalmente) invisível. Mas nele está
uma das grandes apostas do setor agropecuário para os próximos anos. Enquanto
você lê este texto, quase cem cientistas de universidades e centros de pesquisa
brasileiros dedicam-se a aplicações da nanotecnologia no campo, a ciência da
reorganização de moléculas e átomos numa escala impensável para a maioria dos
mortais - 1 bilhão de vezes menor que o metro.
As pesquisas estão concentradas sobretudo no desenvolvimento das chamadas
"língua" e "nariz" eletrônicos, sensores que mimetizam o trabalho do homem em
tarefas tão díspares como a medição da umidade do solo e da maturação de frutos
até a detecção de bactérias em derivados do leite ou da febre aftosa no rebanho
bovino. Em outras frentes, os cientistas desenvolvem plásticos comestíveis para
embalagens de alimentos, nanofibras de celulose a partir do bagaço de cana e
ainda nanopartículas magnéticas para a descontaminação de pesticidas em água.
Tudo isso, acredita-se, tornará as respostas da indústria mais rápidas e com um
custo significativamente menor que as técnicas disponíveis hoje no mercado. "A
nanotecnologia será uma revolução no campo", sentencia Luiz Henrique Mattoso,
chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Instrumentação Agropecuária, em
São Carlos (SP).
Mattoso lidera uma força-tarefa de 17 unidades da Embrapa e outras 15
universidades, federais e estaduais, reunidas na Rede de Pesquisa em
Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio. Formada em 2006, a rede é o maior grupo
voltado às pesquisas com nanotecnologia para o setor agropecuário atuando no
país.
De acordo com o pesquisador, a ideia nasceu na esteira de um projeto nacional
da Embrapa sobre os desafios que deveriam ser contemplados pela estatal, com o
intuito de trazer o foco dos laboratórios para perto das necessidades
científicas brasileiras.
Especializado em polímeros, Mattoso sabe com clareza o potencial desse novo
campo de pesquisa. Por dois anos, o pesquisador trabalhou no laboratório
virtual da Embrapa nos Estados Unidos, onde fez uma prospecção a fundo do que
vinha sendo estudado na área naquele país. Apesar das verbas maciças injetadas
ali para as pesquisas com nanotecnologia em geral - cerca de US$ 1 bilhão em
três anos -, ele diz que, no setor de agricultura tropical, o Brasil não fica
atrás.
"Eles investem muito na área eletrônica e de manipulação genética. Mas no setor
agrícola estamos 'pau-a-pau' ", diz. Para efeito de comparação, o orçamento da
rede brasileira de nanotecnologia para agronegócio foi de R$ 13 milhões entre
2006-2009, com aportes da Embrapa, Finep, Capes, CNPq e Fapesp. "Para o Brasil,
é muito. É um dinheiro que dá pra gente trabalhar".
Muito ou pouco, o fato é que os trabalhos avançam no ritmo esperado. Na Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), uma das pesquisas mais
alavancadas é a da "língua" eletrônica capaz de detectar características
indesejáveis na soja para a produção de leite. Segundo especialistas, muitas
variedades do grão ainda conferem um gosto ruim ao produto, por isso a
necessidade de misturar frutas ao leite.
"Tradicionalmente, a classificação do produto como gostoso ou não é feito por
painelistas (degustadores da indústria de alimentos) ou por processos de
análise físico-químicos", diz o pesquisador da USP Fernando Fonseca, cujo
trabalho é desenvolvido em parceria com a Embrapa Soja, de Londrina. Além de
lento, é um processo mais caro.
Em linhas gerais, o que foi desenvolvido na USP é uma lâmina com contatos de
ouro na qual foi depositado um filme nanométrico - o "coração de tudo", diz
Fonseca. Essas várias lâminas são imersas no leite de soja para que, então, os
pesquisadores meçam a resposta elétrica do dispositivo e as analisem
matematicamente.
"Cada líquido vai ter um resultado diferente. Dessa maneira é possível
distinguir cada leite de soja", explica Fonseca. "Através da língua eletrônica
a Embrapa vai saber qual o melhor grão para investir. O desafio é fazer uma
classificação mais veloz e barata". Hoje, a USP tenta chegar mais próximo de um
produto comercial que possa ser utilizado pela indústria de alimentos em geral.
Invisível a olho nu, o filme desenvolvido pelos cientistas paulistas tem de 20
a 100 nanômetros de espessura. Imagine isso: um nanômetro corresponde ao
tamanho de uma bola de futebol em relação ao globo terrestre.
Em Fortaleza (CE), uma das linhas de pesquisa da Embrapa Agroindústria Tropical
chama a atenção não só pelo produto em si como pelo debate que certamente
suscitará (ler mais no texto abaixo). Ali, biopolímeros da natureza (polpa de
manga, neste caso) são a base dos experimentos para o desenvolvimento de filmes
comestíveis para embalagens de alimentos, como frutas. Você come a fruta e o
plástico - minimizando, de quebra, um grave resíduo ambiental.
Em São Carlos, no interior paulista, os cientistas do grupo de Biofísica
Molecular do Instituto de Física e do Instituto de Estudos Avançados da
Universidade de São Carlos (UFSCar) estudam a aplicação da nanotecnologia para
detectar a febre aftosa na população de bovinos. Isso ainda é feito via métodos
imunológicos desenvolvidos para quantificar a concentração de antígenos e
anticorpos, sendo o principal deles o Leitor Elisa (do inglês Enzyme-linked
immuno sorbent assay). É um processo custoso, no qual uma amostra de sangue do
animal deve ser encaminhada para análise em laboratório.
"Imobilizamos nanopartículas metálicas sobre circuitos eletrônicos especiais
que vão detectar a presença de anticorpos", diz Valtencir Zucolotto, professor
do Instituto de Física da UFSCar. "Se o animal já teve aftosa, ele desenvolveu
anticorpos e os nossos sensores detectarão isso". Dentro de um ano e meio o
grupo deverá ter o primeiro protótipo para comercialização. E em dois anos, o
kit pronto para comercialização.
Para os produtores, o novo instrumento será um processo mais barato porque os
testes de aftosa poderão ser feitos in loco e com resposta imediata. "A nano
dará independência para a fiscalização", diz Zucolotto. No passado recente, a
ocorrência da doença levou à interrupção dos embarques de carne bovina
brasileira a quase 50 países. Devido a esse episódio, até hoje, a União
Europeia impõe restrições ao país.
19/10 01:33 Aplicação na produção de alimentos deve ser o grande "divisor de águas"
Com um potencial revolucionário ainda limitado apenas pela imaginação dos
pesquisadores, a nanotecnologia terá nas discussões científicas acerca de sua
aplicação na produção de alimentos a grande batalha que definirá a velocidade
de sua aceitação por consumidores mundo afora.
Nada muito diferente da trilha percorrida nas últimas décadas pelos organismos
geneticamente modificados (OGMs). Considerados por seus defensores uma extensão
natural da Revolução Verde de meados do século passado, os transgênicos
começaram a ser adotados comercialmente na agricultura nos anos 90, bem depois
que a engenharia genética gerou a insulina humana em laboratório, mas sua
disseminação segue cercada de cuidados em diversos países (inclusive no Brasil)
- em parte por questões ideológicas e econômicas, mas também por incertezas
quanto aos efeitos de seu uso continuado à saúde e ao ambiente.
Ao mesmo tempo em que grandes grupos privados ampliam os investimentos - e os
"segredos estratégicos" - em torno da nanotecnologia, com agentes públicos como
as universidades a reboque, outros grupos independentes já se formam na
investigação de seus potenciais e riscos. E, de acordo com muitos desses
especialistas, tendem a florescer motivos para preocupações.
"O debate não pode ficar apenas em nível técnico", afirma Soraia de Fátima
Ramos, pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à
Secretaria da Agricultura de São Paulo. Em parceria com Paulo Roberto Martins,
do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Soraia é organizadora do livro
"Impactos das Nanotecnologias na Cadeia de Produção da Soja Brasileira"
(editora Xamã, 2009), uma das iniciativas de se chamar a atenção para a
revolução que espreita o campo.
Lançado com o apoio da secretaria e do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o
trabalho foi costurado com a participação dos pesquisadores Richard Domingues
Dulley, Elizabeth Alves e Nogueira, Roberto de Assumpção, Sebastião Nogueira
Júnior, André Luiz de S. Lacerda e Marisa Zeferino Barbosa. Dulley, aos 70
anos, tem sido um dos principais fomentadores dessa discussão, abastecendo de
dados sobre a nanotecnologia figuras atuantes no setor de agronegócios como o
ex-ministro Roberto Rodrigues.
"São imensos os potenciais para a aplicação da nanotecnologia na agricultura.
Passam por embalagens, nanosensores e pelo desenvolvimento de alimentos
nutracêuticos, entre outras aplicações. Mas há riscos, e o problema para
mensurá-los é a 'invisibilidade' da nanotecnologia, que decorre do fato dela
não ter relação com tecnologias do passado", afirma Dulley.
Os pesquisadores dividem o avanço da nanotecnologia agrícola em duas frentes:
"incremental", onde as pesquisas buscam melhorar o que já existe e o manancial
é rico na agricultura de precisão, e "revolucionária", aquela "invisível" que
exige mais cuidados e, certamente, investimentos. Segundo Dulley, até 2015 a
nanotecnologia em geral terá absorvido US$ 1 trilhão em investimentos anuais.
É da frente "invisível" que esta manipulação artificial da matéria na escala
das moléculas estudada pela nanociência pode ser surpreendente a ponto de
permitir a "conversa do vivo com o não vivo" na forma, por exemplo, de um
computador com proteína. Ou na construção de uma fábrica de banana capaz de
usar como matéria-prima o quase universal carbono, base da química orgânica
presente em todos os seres vivos.
Para Soraia de Fátima Ramos, a nanotecnologia não deixa de ser uma evolução de
sistemas técnicos, mas no nível mais sofisticado que o ser humano conseguiu
chegar até agora. Segundo ela e Roberto de Assumpção, sua difusão criará espaço
para uma mudança nas relações de forças geopolíticas e poderá, se não
controlada e profundamente analisada, ser o vetor do aprofundamento das
desigualdades entre ricos e pobres e entre países desenvolvidos e em
desenvolvimento ou subdesenvolvidos.
"É preciso perceber que já há produtos [cosméticos, farmacêuticos] no mercado
sem sequer estudos toxicológicos suficientemente amplos, e aqui vai um grande
alerta", pondera Elizabeth Alves e Nogueira. Conforme Dulley, um país como o
Brasil não pode, por exemplo, deixar de levar em consideração suas
características, realidades e vantagens naturais.
Chega a ser assustador para os estudiosos do IPT e do IEA o flagrante
desconhecimento de algumas subsidiárias brasileiras de grandes transnacionais
sobre o rumo das pesquisas desenvolvidas por suas matrizes. "Fizemos diversas
entrevistas e ficou claro que, em muitos casos, as filiais não sabem sequer que
as matrizes têm pesquisas nessa área", diz Dulley.
E esse "lego" em escala atômica, reforça, não podem ficar nas mãos de crianças
sem orientação.
É um trabalho minucioso, repetitivo e (literalmente) invisível. Mas nele está
uma das grandes apostas do setor agropecuário para os próximos anos. Enquanto
você lê este texto, quase cem cientistas de universidades e centros de pesquisa
brasileiros dedicam-se a aplicações da nanotecnologia no campo, a ciência da
reorganização de moléculas e átomos numa escala impensável para a maioria dos
mortais - 1 bilhão de vezes menor que o metro.
As pesquisas estão concentradas sobretudo no desenvolvimento das chamadas
"língua" e "nariz" eletrônicos, sensores que mimetizam o trabalho do homem em
tarefas tão díspares como a medição da umidade do solo e da maturação de frutos
até a detecção de bactérias em derivados do leite ou da febre aftosa no rebanho
bovino. Em outras frentes, os cientistas desenvolvem plásticos comestíveis para
embalagens de alimentos, nanofibras de celulose a partir do bagaço de cana e
ainda nanopartículas magnéticas para a descontaminação de pesticidas em água.
Tudo isso, acredita-se, tornará as respostas da indústria mais rápidas e com um
custo significativamente menor que as técnicas disponíveis hoje no mercado. "A
nanotecnologia será uma revolução no campo", sentencia Luiz Henrique Mattoso,
chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Instrumentação Agropecuária, em
São Carlos (SP).
Mattoso lidera uma força-tarefa de 17 unidades da Embrapa e outras 15
universidades, federais e estaduais, reunidas na Rede de Pesquisa em
Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio. Formada em 2006, a rede é o maior grupo
voltado às pesquisas com nanotecnologia para o setor agropecuário atuando no
país.
De acordo com o pesquisador, a ideia nasceu na esteira de um projeto nacional
da Embrapa sobre os desafios que deveriam ser contemplados pela estatal, com o
intuito de trazer o foco dos laboratórios para perto das necessidades
científicas brasileiras.
Especializado em polímeros, Mattoso sabe com clareza o potencial desse novo
campo de pesquisa. Por dois anos, o pesquisador trabalhou no laboratório
virtual da Embrapa nos Estados Unidos, onde fez uma prospecção a fundo do que
vinha sendo estudado na área naquele país. Apesar das verbas maciças injetadas
ali para as pesquisas com nanotecnologia em geral - cerca de US$ 1 bilhão em
três anos -, ele diz que, no setor de agricultura tropical, o Brasil não fica
atrás.
"Eles investem muito na área eletrônica e de manipulação genética. Mas no setor
agrícola estamos 'pau-a-pau' ", diz. Para efeito de comparação, o orçamento da
rede brasileira de nanotecnologia para agronegócio foi de R$ 13 milhões entre
2006-2009, com aportes da Embrapa, Finep, Capes, CNPq e Fapesp. "Para o Brasil,
é muito. É um dinheiro que dá pra gente trabalhar".
Muito ou pouco, o fato é que os trabalhos avançam no ritmo esperado. Na Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), uma das pesquisas mais
alavancadas é a da "língua" eletrônica capaz de detectar características
indesejáveis na soja para a produção de leite. Segundo especialistas, muitas
variedades do grão ainda conferem um gosto ruim ao produto, por isso a
necessidade de misturar frutas ao leite.
"Tradicionalmente, a classificação do produto como gostoso ou não é feito por
painelistas (degustadores da indústria de alimentos) ou por processos de
análise físico-químicos", diz o pesquisador da USP Fernando Fonseca, cujo
trabalho é desenvolvido em parceria com a Embrapa Soja, de Londrina. Além de
lento, é um processo mais caro.
Em linhas gerais, o que foi desenvolvido na USP é uma lâmina com contatos de
ouro na qual foi depositado um filme nanométrico - o "coração de tudo", diz
Fonseca. Essas várias lâminas são imersas no leite de soja para que, então, os
pesquisadores meçam a resposta elétrica do dispositivo e as analisem
matematicamente.
"Cada líquido vai ter um resultado diferente. Dessa maneira é possível
distinguir cada leite de soja", explica Fonseca. "Através da língua eletrônica
a Embrapa vai saber qual o melhor grão para investir. O desafio é fazer uma
classificação mais veloz e barata". Hoje, a USP tenta chegar mais próximo de um
produto comercial que possa ser utilizado pela indústria de alimentos em geral.
Invisível a olho nu, o filme desenvolvido pelos cientistas paulistas tem de 20
a 100 nanômetros de espessura. Imagine isso: um nanômetro corresponde ao
tamanho de uma bola de futebol em relação ao globo terrestre.
Em Fortaleza (CE), uma das linhas de pesquisa da Embrapa Agroindústria Tropical
chama a atenção não só pelo produto em si como pelo debate que certamente
suscitará (ler mais no texto abaixo). Ali, biopolímeros da natureza (polpa de
manga, neste caso) são a base dos experimentos para o desenvolvimento de filmes
comestíveis para embalagens de alimentos, como frutas. Você come a fruta e o
plástico - minimizando, de quebra, um grave resíduo ambiental.
Em São Carlos, no interior paulista, os cientistas do grupo de Biofísica
Molecular do Instituto de Física e do Instituto de Estudos Avançados da
Universidade de São Carlos (UFSCar) estudam a aplicação da nanotecnologia para
detectar a febre aftosa na população de bovinos. Isso ainda é feito via métodos
imunológicos desenvolvidos para quantificar a concentração de antígenos e
anticorpos, sendo o principal deles o Leitor Elisa (do inglês Enzyme-linked
immuno sorbent assay). É um processo custoso, no qual uma amostra de sangue do
animal deve ser encaminhada para análise em laboratório.
"Imobilizamos nanopartículas metálicas sobre circuitos eletrônicos especiais
que vão detectar a presença de anticorpos", diz Valtencir Zucolotto, professor
do Instituto de Física da UFSCar. "Se o animal já teve aftosa, ele desenvolveu
anticorpos e os nossos sensores detectarão isso". Dentro de um ano e meio o
grupo deverá ter o primeiro protótipo para comercialização. E em dois anos, o
kit pronto para comercialização.
Para os produtores, o novo instrumento será um processo mais barato porque os
testes de aftosa poderão ser feitos in loco e com resposta imediata. "A nano
dará independência para a fiscalização", diz Zucolotto. No passado recente, a
ocorrência da doença levou à interrupção dos embarques de carne bovina
brasileira a quase 50 países. Devido a esse episódio, até hoje, a União
Europeia impõe restrições ao país.
19/10 01:33 Aplicação na produção de alimentos deve ser o grande "divisor de águas"
Com um potencial revolucionário ainda limitado apenas pela imaginação dos
pesquisadores, a nanotecnologia terá nas discussões científicas acerca de sua
aplicação na produção de alimentos a grande batalha que definirá a velocidade
de sua aceitação por consumidores mundo afora.
Nada muito diferente da trilha percorrida nas últimas décadas pelos organismos
geneticamente modificados (OGMs). Considerados por seus defensores uma extensão
natural da Revolução Verde de meados do século passado, os transgênicos
começaram a ser adotados comercialmente na agricultura nos anos 90, bem depois
que a engenharia genética gerou a insulina humana em laboratório, mas sua
disseminação segue cercada de cuidados em diversos países (inclusive no Brasil)
- em parte por questões ideológicas e econômicas, mas também por incertezas
quanto aos efeitos de seu uso continuado à saúde e ao ambiente.
Ao mesmo tempo em que grandes grupos privados ampliam os investimentos - e os
"segredos estratégicos" - em torno da nanotecnologia, com agentes públicos como
as universidades a reboque, outros grupos independentes já se formam na
investigação de seus potenciais e riscos. E, de acordo com muitos desses
especialistas, tendem a florescer motivos para preocupações.
"O debate não pode ficar apenas em nível técnico", afirma Soraia de Fátima
Ramos, pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à
Secretaria da Agricultura de São Paulo. Em parceria com Paulo Roberto Martins,
do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Soraia é organizadora do livro
"Impactos das Nanotecnologias na Cadeia de Produção da Soja Brasileira"
(editora Xamã, 2009), uma das iniciativas de se chamar a atenção para a
revolução que espreita o campo.
Lançado com o apoio da secretaria e do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o
trabalho foi costurado com a participação dos pesquisadores Richard Domingues
Dulley, Elizabeth Alves e Nogueira, Roberto de Assumpção, Sebastião Nogueira
Júnior, André Luiz de S. Lacerda e Marisa Zeferino Barbosa. Dulley, aos 70
anos, tem sido um dos principais fomentadores dessa discussão, abastecendo de
dados sobre a nanotecnologia figuras atuantes no setor de agronegócios como o
ex-ministro Roberto Rodrigues.
"São imensos os potenciais para a aplicação da nanotecnologia na agricultura.
Passam por embalagens, nanosensores e pelo desenvolvimento de alimentos
nutracêuticos, entre outras aplicações. Mas há riscos, e o problema para
mensurá-los é a 'invisibilidade' da nanotecnologia, que decorre do fato dela
não ter relação com tecnologias do passado", afirma Dulley.
Os pesquisadores dividem o avanço da nanotecnologia agrícola em duas frentes:
"incremental", onde as pesquisas buscam melhorar o que já existe e o manancial
é rico na agricultura de precisão, e "revolucionária", aquela "invisível" que
exige mais cuidados e, certamente, investimentos. Segundo Dulley, até 2015 a
nanotecnologia em geral terá absorvido US$ 1 trilhão em investimentos anuais.
É da frente "invisível" que esta manipulação artificial da matéria na escala
das moléculas estudada pela nanociência pode ser surpreendente a ponto de
permitir a "conversa do vivo com o não vivo" na forma, por exemplo, de um
computador com proteína. Ou na construção de uma fábrica de banana capaz de
usar como matéria-prima o quase universal carbono, base da química orgânica
presente em todos os seres vivos.
Para Soraia de Fátima Ramos, a nanotecnologia não deixa de ser uma evolução de
sistemas técnicos, mas no nível mais sofisticado que o ser humano conseguiu
chegar até agora. Segundo ela e Roberto de Assumpção, sua difusão criará espaço
para uma mudança nas relações de forças geopolíticas e poderá, se não
controlada e profundamente analisada, ser o vetor do aprofundamento das
desigualdades entre ricos e pobres e entre países desenvolvidos e em
desenvolvimento ou subdesenvolvidos.
"É preciso perceber que já há produtos [cosméticos, farmacêuticos] no mercado
sem sequer estudos toxicológicos suficientemente amplos, e aqui vai um grande
alerta", pondera Elizabeth Alves e Nogueira. Conforme Dulley, um país como o
Brasil não pode, por exemplo, deixar de levar em consideração suas
características, realidades e vantagens naturais.
Chega a ser assustador para os estudiosos do IPT e do IEA o flagrante
desconhecimento de algumas subsidiárias brasileiras de grandes transnacionais
sobre o rumo das pesquisas desenvolvidas por suas matrizes. "Fizemos diversas
entrevistas e ficou claro que, em muitos casos, as filiais não sabem sequer que
as matrizes têm pesquisas nessa área", diz Dulley.
E esse "lego" em escala atômica, reforça, não podem ficar nas mãos de crianças
sem orientação.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A solução do café arábica
A solução do café arábica
A cafeicultura do café arábica principalmente atravessa uma das maiores crises da historia. Os preços praticados no mercado internacional e aqui no Brasil não satisfazem aos produtores trazendo uma desanimo geral entre eles.Como os preços estão cotados em dólar ,e este o, o dólar ,não para de cair no Brasil, e parecendo um milagre Divino ou “militar” não perde sua credibilidade ,cada dia vemos o nosso patrimônio ser desvalorizado.Produzimos em real uma das moedas mais valorizadas do planeta, um pais em expansão de sua economia e não podemos deixar de dizer que estamos na moda , temos uma copa do mundo para gerir e uma olimpíada, ,com isso os olhos do mundo se virarão ainda mais para o nosso lado.
O salário subindo elevando o custo de produção pra estratosfera fica difícil de visualizar uma solução.
Qual seria a saída então?
O abandono de nossas apaixonadas atividades, porque sim, nós produtores antes de tudo somos apaixonadas por nossas lavouras. Acredito que não seria a melhor saída o consumo mostra crescente no mundo e aqui no novo espelho do mundo então para não seria uma saída inteligente.A única solução seria abaixar custos mas como?
Só podemos abaixar custos aumentando consideravelmente a produção. Para isso o projeto GENOMA da Embrapa é a solução.
O cafeicultor precisa urgentemente de uma variedade que seja mais resistente a pragas e doenças e a seca com uma produtividade bem acima destas que está tendo na atualidade.
A genética essa é a solução de oito milhões de pessoas que vivem da cafeicultura, o governo precisa de por um investimento maior para se obter uma variedade o mais rápido possível para tirar esses eternos lutados do sofrimento.
WAGNER Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
MANHUAÇU MG 19/10/2009
A cafeicultura do café arábica principalmente atravessa uma das maiores crises da historia. Os preços praticados no mercado internacional e aqui no Brasil não satisfazem aos produtores trazendo uma desanimo geral entre eles.Como os preços estão cotados em dólar ,e este o, o dólar ,não para de cair no Brasil, e parecendo um milagre Divino ou “militar” não perde sua credibilidade ,cada dia vemos o nosso patrimônio ser desvalorizado.Produzimos em real uma das moedas mais valorizadas do planeta, um pais em expansão de sua economia e não podemos deixar de dizer que estamos na moda , temos uma copa do mundo para gerir e uma olimpíada, ,com isso os olhos do mundo se virarão ainda mais para o nosso lado.
O salário subindo elevando o custo de produção pra estratosfera fica difícil de visualizar uma solução.
Qual seria a saída então?
O abandono de nossas apaixonadas atividades, porque sim, nós produtores antes de tudo somos apaixonadas por nossas lavouras. Acredito que não seria a melhor saída o consumo mostra crescente no mundo e aqui no novo espelho do mundo então para não seria uma saída inteligente.A única solução seria abaixar custos mas como?
Só podemos abaixar custos aumentando consideravelmente a produção. Para isso o projeto GENOMA da Embrapa é a solução.
O cafeicultor precisa urgentemente de uma variedade que seja mais resistente a pragas e doenças e a seca com uma produtividade bem acima destas que está tendo na atualidade.
A genética essa é a solução de oito milhões de pessoas que vivem da cafeicultura, o governo precisa de por um investimento maior para se obter uma variedade o mais rápido possível para tirar esses eternos lutados do sofrimento.
WAGNER Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
MANHUAÇU MG 19/10/2009
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