É o Bem contra o Mal
A batalha épica do bem contra o mal, ou o mal contra o bem, já faz parte de nossa historia, é bíblico, e em várias passagens, vemos isto o tempo todo no nosso cotidiano.
A reação do MST contra uma Cpi mostrando sua força de lobby e que este infiltrado dentro do governo, fica nídito quando parlamentares recuam, para formar a sua Cpi.
Ameaçaram a sociedade com outra Cpi, a das cooperativas, e cooperativas de créditos, onde pessoas envolvidas se movimentaram e conseguiram jogar uma balde de água fria impedindo a formação da mesma. Neste caso tenho que ficar do lado do Mst se existe alguma falcatrua, que se investigue as cooperativas , o dinheiro que ali está pertence aos impostos pago pela população e deve servir para a população que precise desta forma de financiamento, agora parar uma CPI contra o MST por essa causa isto é um absurdo.Queremos por as coisas nos pratos limpos , nós que somos prejudicados temos o direito e o dever de cobrar uma postura digna de quem foi eleito pela vontade popular e irá passar por esse processo dentre mais alguns meses.
Este movimento que arrasta uma montanha de pessoas que ficam amontoadas em beira de estradas , sem saneamento básico sem médicos são manipulados ,ficam simplesmente se embebedando,usando drogas e se prostituindo, esperando uma ordem de dirigentes malucos para invadir e depredar patrimônio publico e/ou particular. Só chamam atenção por sua violência e quando acontece de ser sair fora do controle os produtores são crucificados em praça publica.
Esta semana saiu novos dados do Ibge sobre o senso agropecuário de 2.006 onde mostra claramente que o produtor corre e sempre correra atrás de sua produtividade, não precisamos de leis para aumentar a nossa produtividade estamos mesmo faltando uma política agrícola a altura somos o espelho do mundo na área agrícola.
A opinião publica sabe que esta historia de reforma agrária nos moldes do século que já se passou há muito tempo não faz o menor sentido. A reforma da forma exposta da foice e do martelo só existe hoje na cabeça de revolucionários démodé, nem nos paises de origens deu certo a corrupção lá era é maior do que a de cá.
A China ataca o mundo ferozmente com seus produtos tentando correr atrás do tempo perdido para colocar sua população no mundo globalizado.
Os habitantes que ficaram no campo, 50% deles sonham com o mundo colorido dos anúncios, e da televisão, dos grandes centros, portanto a concentrarão de terra é e continuará sendo inevitável.
A opinião publica não se interessa mais por este tipo de assunto como a reforma agrária porque sabe que nós produtores desempenhamos nosso trabalho com amor e dedicação, não lhes falta nada nos centros urbanos, onde para eles buscar nas lojas uma sacola de arroz ou feijão açúcar, lata de óleo, carne, leite os encontra a sua disposição, Nós produtores estamos 100% do tempo proporcionando uma vida mais saudável para a população como um todo o fartura que proporcionamos é responsável por um superávit de 36 bilhões de reais, alcançado em ano de crise, que devera ser bem superior ano que vem que saímos da marolinha. este dinheiro daria pra comprar simplesmente 1.2 milhões de carros populares no valor de R$30.000,00 reais cada.nossa fartura vai para o mundo em exportações que batem recordes mês a mês.
Queremos ser respeitados, essa nova lei do índice de produtividade serviria só pra piorar a situação, trazer intranqüilidade e insegurança.
Somos pessoas do bem e não queremos passar para o outro lado simplesmente por causa de uma lei sem propósito.
É o Bem contra o Mal... E você de que lado esta?
wagner pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
.MANHUAÇU MG 05/10/09
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
EDITORIAL O GLOBO
EDITORIAL O GLOBO
Sábado, 03 Outubro 2009 08:32 |
EDITORIAL
02/10/2009
Papel do campo
A monocultura caracterizou a economia brasileira desde os primórdios da colonização. Primeiro a cana-de-açúcar, depois o algodão e o café, principalmente, sustentaram por muitas décadas a economia do país. A geração dessa riqueza foi também a base da urbanização e do processo de industrialização que ocorreu ao longo do século XX. Em face dessa transformação, o Brasil deixou de ser rural a partir dos anos 50 e hoje tem mais da metade da sua população vivendo em cidades grandes e no seu entorno.
A atividade agrícola não é mais separada das demais. O conceito de setor primário se desatualizou em face da formação de cadeias produtivas que integram a agropecuária à indústria e aos serviços. O conceito do agronegócio talvez defina melhor esse tipo de atividade econômica que une campo e cidade.
Assim, além dos produtos tradicionais, como açúcar, algodão e café, o Brasil se destaca na soja, no milho, na produção de biocombustíveis (etanol e biodiesel), no processamento de carnes, no suco de laranja, na celulose, etc. Além de grãos, o agronegócio tem proporcionado aos brasileiros (e também a consumidores no exterior) uma alimentação saudável, com produtos que chegam quase sempre frescos à mesa.
Nesse sentido, o agronegócio combina a exploração de grandes extensões de terras com a produção de hortigranjeiros proveniente de pequenas e médias propriedades familiares.
O último censo agropecuário do IBGE, com dados de 2006, confirmou essa evolução. Há mais investimentos em mecanização e tecnologia, o que leva a produção a aumentar mais pelos ganhos de produtividade do que pela área cultivada, o que é importante para se conciliar atividade econômica com preservação ambiental.
Por outro lado, é inevitável que essa estrutura de produção ocasione uma concentração de propriedades nas regiões de culturas extensivas em capital, com menos utilização de mão de obra. É, portanto, ilusória a leitura da questão agrícola por meio do coeficiente de Gini.
É um fenômeno negativo para o país? A julgar pelos resultados proporcionados pelo agronegócio — tem sido o maior responsável pelo superávit comercial — e pela fartura de alimentos oferecida aos centros urbanos — fiador de inflações baixas —, a resposta é que o modelo vem dando certo. Não por acaso, a sociedade brasileira deixou de ficar cultuando ilusões em relação aos movimentos que pregam a distribuição de terras como saída para todos os nossos problemas. A reforma agrária só faz sentido se inserida nessa cadeia produtiva.
Sábado, 03 Outubro 2009 08:32 |
EDITORIAL
02/10/2009
Papel do campo
A monocultura caracterizou a economia brasileira desde os primórdios da colonização. Primeiro a cana-de-açúcar, depois o algodão e o café, principalmente, sustentaram por muitas décadas a economia do país. A geração dessa riqueza foi também a base da urbanização e do processo de industrialização que ocorreu ao longo do século XX. Em face dessa transformação, o Brasil deixou de ser rural a partir dos anos 50 e hoje tem mais da metade da sua população vivendo em cidades grandes e no seu entorno.
A atividade agrícola não é mais separada das demais. O conceito de setor primário se desatualizou em face da formação de cadeias produtivas que integram a agropecuária à indústria e aos serviços. O conceito do agronegócio talvez defina melhor esse tipo de atividade econômica que une campo e cidade.
Assim, além dos produtos tradicionais, como açúcar, algodão e café, o Brasil se destaca na soja, no milho, na produção de biocombustíveis (etanol e biodiesel), no processamento de carnes, no suco de laranja, na celulose, etc. Além de grãos, o agronegócio tem proporcionado aos brasileiros (e também a consumidores no exterior) uma alimentação saudável, com produtos que chegam quase sempre frescos à mesa.
Nesse sentido, o agronegócio combina a exploração de grandes extensões de terras com a produção de hortigranjeiros proveniente de pequenas e médias propriedades familiares.
O último censo agropecuário do IBGE, com dados de 2006, confirmou essa evolução. Há mais investimentos em mecanização e tecnologia, o que leva a produção a aumentar mais pelos ganhos de produtividade do que pela área cultivada, o que é importante para se conciliar atividade econômica com preservação ambiental.
Por outro lado, é inevitável que essa estrutura de produção ocasione uma concentração de propriedades nas regiões de culturas extensivas em capital, com menos utilização de mão de obra. É, portanto, ilusória a leitura da questão agrícola por meio do coeficiente de Gini.
É um fenômeno negativo para o país? A julgar pelos resultados proporcionados pelo agronegócio — tem sido o maior responsável pelo superávit comercial — e pela fartura de alimentos oferecida aos centros urbanos — fiador de inflações baixas —, a resposta é que o modelo vem dando certo. Não por acaso, a sociedade brasileira deixou de ficar cultuando ilusões em relação aos movimentos que pregam a distribuição de terras como saída para todos os nossos problemas. A reforma agrária só faz sentido se inserida nessa cadeia produtiva.
A ameaça dos ruralistas
A ameaça dos ruralistas
Sábado, 03 Outubro 2009 10:24 |
Insatisfeita com a atuação do Planalto na CPI do MST, bancada dos grandes produtores rurais promete desobedecer Planalto nas próximas votações
A atuação do governo para que os parlamentares da base retirassem as assinaturas do requerimento que pedia a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os repasses financeiros feitos ao Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) abriu ainda mais as feridas entre o Planalto e a bancada ruralista. Ao todo, 42 políticos abandonaram o abaixo-assinado, o que inviabilizou a CPI, que precisa de um número mínimo de 171 assinaturas para instaurar a comissão.
Composta por quase 100(1) integrantes, sendo 58% de partidos aliados, o grupo de grandes produtores rurais reclama da falta de incentivos e da atuação do governo no desenvolvimento de uma política agrícola. Nos bastidores, parlamentares de diferentes partidos prometem reagir e ameaçam o governo de desobedecer às orientações das legendas em votações de interesse do Planalto, caso o Executivo insista em adotar medidas que beneficiam movimentos sociais em detrimento dos ruralistas.
Entre as maiores mágoas do setor de agronegócio - que foi, segundo o IBGE, o maior responsável pelo superávit do país no ano passado - está a constante ameaça do governo de mudar os critérios de classificação das propriedades rurais. Esses parâmetros servem para definir se as fazendas são produtivas ou não e, a partir daí, decidir quais delas serão usadas para a reforma agrária. Para tentar impedir que a ideia evoluísse, o PMDB se reuniu com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e ameaçou pedir o seu cargo ao Planalto, caso ele assinasse o decreto interministerial modificando os critérios de classificação. "Ele é indicado da legenda. E a própria legenda se reuniu, votou, e decidiu que ele não poderia assinar aquele documento. Ele desistiu. Afinal, ou perderia o cargo ou teria de deixar a legenda. Por enquanto isso está suspenso", conta o peemedebista Osmar Serraglio (PR), integrante da bancada ruralista.
A insatisfação do grupo de produtores é multipartidária e envolve integrantes da base aliada. "Este governo não ajudou ao nosso setor, apesar de o país depender do agronegócio. Se não fosse o produtor, o superávit estaria com prejuízo de pelo menos 30 bilhões de reais. Temos vários pleitos. Nenhum atendido. Temos enfrentado problemas e o governo só possui políticas, mesmo ruins, para os pequenos produtores. Isso tem gerado uma insatisfação generalizada", diz o peemedebista Valdir Colatto (SC). "Realmente há críticas. Há divergências e insatisfações. Nada tem sido feito pelo governo Lula. No entanto, no governo FHC foi ainda pior", completa Nelson Marquezelli (PTB-SP), outro integrante do grupo ruralista. O petebista foi um dos 42 parlamentares da base aliada que retiraram a assinatura do requerimento que pedia a CPI do MST.
Chantagens
Nos bastidores, alguns parlamentares que fazem parte da bancada ruralista admitem que a comissão que iria investigar os repasses financeiros feito pelo ministério do Desenvolvimento Agrário ao MST, e que foi abortada pelos governistas, era uma forma de pressionar o governo pela lista de pleitos (ver quadro) do setor. Além, claro, de representar uma atitude de represália contra as atitudes do Executivo para beneficiar movimentos sociais ligados à terra. Os ruralistas são antigos inimigos desses movimentos e não são raros os casos de enfrentamento armado entre os setores.
Ontem, depois de serem informados da retirada das assinaturas até por integrantes da bancada do agronegócio, parlamentares do governo e da oposição, que continuaram apoiando a CPI, não tinham dúvidas de que a mudança de posição dos parlamentares ocorreu em troca da promessa de liberação imediata de emendas parlamentares. Apesar da derrota, os deputados ruralistas afirmaram que iriam recomeçar a coleta de assinaturas e apresentar novo requerimento. "Houve um movimento truculento do governo. Vamos reagir à altura e insistir na CPI. Alguma coisa se deu em troca dessa postura súbita dos colegas que desistiram de apoiar uma comissão tão importante para abrirmos a caixa-preta do MST. O governo não tem ações para beneficiar o setor rural e faz bondades para esse tipo de movimento", afirmou o líder do DEM, Ronaldo Caiado.
Em defesa do governo, aliados dizem que o Planalto tem ajudado os grandes produtores, e citam a decisão de fazer o estoque regulador da produção do café para evitar a queda na produção. Lembram também que as políticas em defesa dos pequenos agricultores estão a todo vapor, por meio da implementação de empréstimos a juros baixos.
1- Lobby
A bancada ruralista no Congresso representa uma frente parlamentar cuja atuação ocorre principalmente em defesa dos interesses dos grandes produtores rurais. Atualmente, a bancada é composta por cerca de 90 parlamentares e tem demonstrado força nas articulações pelo engavetamento de projetos que não interessam ao setor, como os que combatem o trabalho escravo. Nesta legislatura, o número de grandes produtores eleitos cresceu 58% em relação à legislatura anterior.
Propostas recusadas
Confira as propostas dos ruralistas não atendidas pelo governo:
Criação do Fundo Garantidor para a agricultura
Instituição de um seguro para a lavoura
Elaboração de políticas de empréstimos a juros baixos
Aprovação de uma legislação ambiental flexível para grandes produtores
Desistência definitiva do governo de modificar os critérios de classificação de propriedades rurais, usados para taxá-las de produtivas ou não
Descentralização do poder do Ibama de conceder licenças ambientais
Guerra de licenças ambientais
O mal-estar criado ontem por conta da operação do governo para abortar a CPI do MST apenas agravou uma crise vivida pelos ruralistas no Congresso. A bancada tenta aprovar um projeto que institui o Código Ambiental Brasileiro e revoga o atual Código Florestal. A mudança pretende flexibilizar as regras para a concessão de licenças ambientais para produtores rurais e regulariza a situação dos que desmataram áreas superiores ao que o governo agora considera ideal. Integrantes do PV e do PSol têm reagido às manobras dos produtores para aprovar as mudanças na comissão especial destinada a avaliar o Projeto de Lei 1876/99, que apenas propõe um novo Código Florestal.
Parlamentares ambientalistas afirmam que integrantes da bancada ruralista estão se aproveitando do fato de serem maioria na comissão para aprovar propostas que diminuem a fiscalização dos órgãos do governo nas terras destinadas ao agronegócio, além de reduzirem o rigor da legislação ambiental. "Esta é uma comissão que terá uma grande tensão, pois as alterações são uma conspiração de violação do Código Florestal Brasileiro, um dos melhores do mundo", opina Ivan Valente (PSol-SP).
O deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) reage. Autor do projeto que pretende extinguir o Código Florestal, ele afirma que é preciso fazer com o Ibama divida com órgãos estaduais e municipais a responsabilidade para conceder licenças e fiscalizar as áreas produtoras. "Eles não sabem o que estão falando. Deveriam se limitar à posição de minoria que representam. Queremos apenas descentralizar as prerrogativas de um único órgão e facilitar o crescimento do agronegócio."
A comissão especial tentará na próxima semana, pela terceira vez, eleger seu presidente, vices e relator. As duas tentativas anteriores foram suspensas por conta de bate-bocas entre ruralistas e ambientalistas
Sábado, 03 Outubro 2009 10:24 |
Insatisfeita com a atuação do Planalto na CPI do MST, bancada dos grandes produtores rurais promete desobedecer Planalto nas próximas votações
A atuação do governo para que os parlamentares da base retirassem as assinaturas do requerimento que pedia a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os repasses financeiros feitos ao Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) abriu ainda mais as feridas entre o Planalto e a bancada ruralista. Ao todo, 42 políticos abandonaram o abaixo-assinado, o que inviabilizou a CPI, que precisa de um número mínimo de 171 assinaturas para instaurar a comissão.
Composta por quase 100(1) integrantes, sendo 58% de partidos aliados, o grupo de grandes produtores rurais reclama da falta de incentivos e da atuação do governo no desenvolvimento de uma política agrícola. Nos bastidores, parlamentares de diferentes partidos prometem reagir e ameaçam o governo de desobedecer às orientações das legendas em votações de interesse do Planalto, caso o Executivo insista em adotar medidas que beneficiam movimentos sociais em detrimento dos ruralistas.
Entre as maiores mágoas do setor de agronegócio - que foi, segundo o IBGE, o maior responsável pelo superávit do país no ano passado - está a constante ameaça do governo de mudar os critérios de classificação das propriedades rurais. Esses parâmetros servem para definir se as fazendas são produtivas ou não e, a partir daí, decidir quais delas serão usadas para a reforma agrária. Para tentar impedir que a ideia evoluísse, o PMDB se reuniu com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e ameaçou pedir o seu cargo ao Planalto, caso ele assinasse o decreto interministerial modificando os critérios de classificação. "Ele é indicado da legenda. E a própria legenda se reuniu, votou, e decidiu que ele não poderia assinar aquele documento. Ele desistiu. Afinal, ou perderia o cargo ou teria de deixar a legenda. Por enquanto isso está suspenso", conta o peemedebista Osmar Serraglio (PR), integrante da bancada ruralista.
A insatisfação do grupo de produtores é multipartidária e envolve integrantes da base aliada. "Este governo não ajudou ao nosso setor, apesar de o país depender do agronegócio. Se não fosse o produtor, o superávit estaria com prejuízo de pelo menos 30 bilhões de reais. Temos vários pleitos. Nenhum atendido. Temos enfrentado problemas e o governo só possui políticas, mesmo ruins, para os pequenos produtores. Isso tem gerado uma insatisfação generalizada", diz o peemedebista Valdir Colatto (SC). "Realmente há críticas. Há divergências e insatisfações. Nada tem sido feito pelo governo Lula. No entanto, no governo FHC foi ainda pior", completa Nelson Marquezelli (PTB-SP), outro integrante do grupo ruralista. O petebista foi um dos 42 parlamentares da base aliada que retiraram a assinatura do requerimento que pedia a CPI do MST.
Chantagens
Nos bastidores, alguns parlamentares que fazem parte da bancada ruralista admitem que a comissão que iria investigar os repasses financeiros feito pelo ministério do Desenvolvimento Agrário ao MST, e que foi abortada pelos governistas, era uma forma de pressionar o governo pela lista de pleitos (ver quadro) do setor. Além, claro, de representar uma atitude de represália contra as atitudes do Executivo para beneficiar movimentos sociais ligados à terra. Os ruralistas são antigos inimigos desses movimentos e não são raros os casos de enfrentamento armado entre os setores.
Ontem, depois de serem informados da retirada das assinaturas até por integrantes da bancada do agronegócio, parlamentares do governo e da oposição, que continuaram apoiando a CPI, não tinham dúvidas de que a mudança de posição dos parlamentares ocorreu em troca da promessa de liberação imediata de emendas parlamentares. Apesar da derrota, os deputados ruralistas afirmaram que iriam recomeçar a coleta de assinaturas e apresentar novo requerimento. "Houve um movimento truculento do governo. Vamos reagir à altura e insistir na CPI. Alguma coisa se deu em troca dessa postura súbita dos colegas que desistiram de apoiar uma comissão tão importante para abrirmos a caixa-preta do MST. O governo não tem ações para beneficiar o setor rural e faz bondades para esse tipo de movimento", afirmou o líder do DEM, Ronaldo Caiado.
Em defesa do governo, aliados dizem que o Planalto tem ajudado os grandes produtores, e citam a decisão de fazer o estoque regulador da produção do café para evitar a queda na produção. Lembram também que as políticas em defesa dos pequenos agricultores estão a todo vapor, por meio da implementação de empréstimos a juros baixos.
1- Lobby
A bancada ruralista no Congresso representa uma frente parlamentar cuja atuação ocorre principalmente em defesa dos interesses dos grandes produtores rurais. Atualmente, a bancada é composta por cerca de 90 parlamentares e tem demonstrado força nas articulações pelo engavetamento de projetos que não interessam ao setor, como os que combatem o trabalho escravo. Nesta legislatura, o número de grandes produtores eleitos cresceu 58% em relação à legislatura anterior.
Propostas recusadas
Confira as propostas dos ruralistas não atendidas pelo governo:
Criação do Fundo Garantidor para a agricultura
Instituição de um seguro para a lavoura
Elaboração de políticas de empréstimos a juros baixos
Aprovação de uma legislação ambiental flexível para grandes produtores
Desistência definitiva do governo de modificar os critérios de classificação de propriedades rurais, usados para taxá-las de produtivas ou não
Descentralização do poder do Ibama de conceder licenças ambientais
Guerra de licenças ambientais
O mal-estar criado ontem por conta da operação do governo para abortar a CPI do MST apenas agravou uma crise vivida pelos ruralistas no Congresso. A bancada tenta aprovar um projeto que institui o Código Ambiental Brasileiro e revoga o atual Código Florestal. A mudança pretende flexibilizar as regras para a concessão de licenças ambientais para produtores rurais e regulariza a situação dos que desmataram áreas superiores ao que o governo agora considera ideal. Integrantes do PV e do PSol têm reagido às manobras dos produtores para aprovar as mudanças na comissão especial destinada a avaliar o Projeto de Lei 1876/99, que apenas propõe um novo Código Florestal.
Parlamentares ambientalistas afirmam que integrantes da bancada ruralista estão se aproveitando do fato de serem maioria na comissão para aprovar propostas que diminuem a fiscalização dos órgãos do governo nas terras destinadas ao agronegócio, além de reduzirem o rigor da legislação ambiental. "Esta é uma comissão que terá uma grande tensão, pois as alterações são uma conspiração de violação do Código Florestal Brasileiro, um dos melhores do mundo", opina Ivan Valente (PSol-SP).
O deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) reage. Autor do projeto que pretende extinguir o Código Florestal, ele afirma que é preciso fazer com o Ibama divida com órgãos estaduais e municipais a responsabilidade para conceder licenças e fiscalizar as áreas produtoras. "Eles não sabem o que estão falando. Deveriam se limitar à posição de minoria que representam. Queremos apenas descentralizar as prerrogativas de um único órgão e facilitar o crescimento do agronegócio."
A comissão especial tentará na próxima semana, pela terceira vez, eleger seu presidente, vices e relator. As duas tentativas anteriores foram suspensas por conta de bate-bocas entre ruralistas e ambientalistas
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Arabica x Conilon - Rotulagem - Uma visão "de fora da caixa"
Gustavo Figueira de Paula comentou em: 02/10/2009 09:41
Bom dia a todos.
Tenho acompanhado os artigos referente à "batalha épica" arabica x conilon, e o tom dos discursos, se transformado em imagens, lembraria algo como uma luta de boxe entre Myke Tyson e George Foreman.
De tudo que li, pinço alguns aspectos que me parecem o mais sensatos e realistas - e é a partir destes aspectos que deveríamos repensar todas as discussões
[29/09/2009)
Humberto Soares
Aimorés - Minas Gerais - Estudante
precisamos de uma vez por todas entender que não existe mais para a indústria a tão propalada diferença entre café conilon e arábica, com pesquisa e muito trabalho chegaram a resultados que permitem no processo industrial entregar um blend final que atenda aos anseios do consumidor, inclusive os mais exigentes.Quem tem oportunidade de participar como mero assistente em testes cegos de bebida ultimamente está vendo que este discurso "ARABIQUEIRO" só existe no meio daqueles que preferem fugir da realidade e não enxergar o impressionante salto, quantitativo, produtivo, qualitativo e sensorial que experimentou o conilon no Brasil nos últimos anos.
Quanto à quantidade de um e outro nos blends ele é medido pela quantidade de conilon produzido no mundo, e desculpem pelas palavras duras a seguir, não há como frear o aumento de produção de conilon nos próximos anos e a consequente sobra de arábica se as condições climáticas se mantiverem dentro da normalidade.
Esta informação não tem caráter de abrir um debate e muito menos de expressar uma opinião, é sim uma constatação mercadológica que esta implicando profundas mudanças no agronegócio do café que já está em andamento há alguns anos, e que vai trazer o desaparecimento de uma parcela de cafeicultores, não ineficientes como disse o ministro, e sim não competitivos por razões que todos conhecem, e ás vezes também se negam a enxergar.
A única chance do arábica virar este jogo é ficar mais barato que o conilon, mas isso nos parece um pouco difícil, devido às características que trazem diferenças de custo bem visíveis, mas com pesquisa e muito trabalho, quem sabe... não podemos duvidar da capacidade humana em criar soluções e achar caminhos novos para velhos problemas.
Também vale a pena ler um outro comentário:
[30/09/2009]
Marden Cicarelli
Monte Carmelo - Minas Gerais - Produção de café
"Senhores,
De fato esta discussão está tomando rumos desnecessariamente belicosos. Como consumidor, eu quero ter o direito de saber o que estou tomando. A informação no rótulo não obrigaria a indústria a nunca alterar suas composições - isso é um ataque à minha inteligência, pois o lote e a data de validade se alteram e isso não inviabilizou a indústria. Aliás, é possível que, se a lei não lhes obrigasse, nem mesmo essa informação os rótulos trariam - em nome do aumento da margem de lucros." (...)
"Repito: a indústria não está de lado nenhum que não o seu. Interessa a ela comprar o produto no melhor preço e vender idem (interessante como "melhor" tem duas acepções nesse caso!) Danem-se os produtores, danem-se os consumidores. É da natureza do capitalismo. Se não enxergamos isso, problema nosso."
Aqui começo o meu comentário.
Primeiramente, na linha do que disse Humberto Soares, pesquisa e muito trabalham resultaram na capacidade de produzir blends de alto nível. BLENDS. MISTURAS. Nem arábica, nem conilon. Uma mistura. Ambos são importantes. E não se iludam, nem uns, nem outros - a pesquisa e o trabalho não param. Chegara, e não tardará, o momento que uma variedade que combina o melhor das duas espécies, tanto a nível de produtividade e robustez, quanto a nível de qualidade de bebida, tomara o espaço de ambas.
Isto não é uma profecia. É uma constatação de quem olha de fora, lá de longe, para onde o trabalho sério aponta, desconectado da busca imediata e desesperado por fatias de mercado. Sim, meus caros, logo a preocupação não será em como contrapor (ou compor) arábica e robusta, mas em como resistir ao avanço incontrolável de uma nova variedade melhor que ambas!! Certamente ela virá (a genética não respeita estas questões) e trará uma nova realidade para a cafeicultura.
Tomara que isto ocorra no Brasil, e não no Vietnã. Se não, meus caros, estaremos todos "ferrados".
Agora puxo uma linha a partir do comentário de Marden Cicarelli.
Primeiro aspecto é que de fato, a indústria não quer saber de ninguém - só dela mesma. E não adianta indignação ou surpresa nesta hora - a função da empresa é gerar lucro, e só. Todo o resto faz por estrita obrigação legal ou por questões de vantagem comercial. E é assim mesmo que o coisa funciona a 1.000 anos!! E vai continuar assim.
Mas lembre-se que o produtor de café, sim, também é um empresário!! Um industrial!! Agroindustrial!! Também quer seu lucro! E dane-se o resto... não me venha falar de consciência, cooperativismo, etc. Tudo isso, como os outros industriais, se faz por sobrevivência e imagem no mercado. Isso é um fato. E que me provem do contrário os que não concordam. Então, como empresários que são, defendem seu lado... apenas questiono se o método utilizado é o mais adequado. Acho que existem métodos mais inteligentes do que ataques desenfreados.
Não defendo aqui nem um lado nem outro. Não tenho competência para tais julgamentos. Mas uma coisa é inegável: a estratégia da ABIC em informar o consumidor com suas campanhas e propagar a imagem de qualidade do café industrializado é muito INTELIGENTE. INTELIGÊNCIA é a maior arma!! Produtores, usem a vossa! Usem mais! Usem melhor!
O homem sábio escuta. O ignorante, grita. Essa é um ditado velho como o mundo...
Não me estenderei muito. Mas deixo aqui uma informação que tomara seja relevante para alguém.
Existe ou não uma tecnologia capaz de analisar o blend de café??
Uns dizem que sim, outros que não. Mas ninguém mostra nada...
Bom, existe sim. Modestamente, tenho acompanhado as evoluções neste segmento específico a nível mundial nos últimos anos, e garanto que é plenamente viável. Mais que isso, sou um dos raríssimos doidos que cria (ou inventa, se preferir) métodos de analisar café. E garanto que é possível e melhor, economicamente viável.
Mais que isso, assim como o código de barras é impresso, pode-se imprimir na embalagem de cada pacote de café vendido no Brasil (e são milhões)
- Blend
- Sabor
- Aroma
- Corpo
- Fragrância
- Acidez
- Doçura
- Amargor
- Teor de impurezas (seja lá que impureza for)
- Torra
- e o que mais se quiser imprimir...
Veja, digo que pode porque a validade e lote são impressos - então qualquer informação pode ser impressa. E porque existe tecnologia para determinar cada parâmetro destes no café embalado!!
Digo que existe e mostro para quem quiser. Só que isso não é uma coisa que se mostra em um fórum. Mostra-se ao vivo, cara-a-cara. Deixo o convite a quem quiser ver.
Por último fica a provocação: se a tecnologia existe, quem vai pagar por ela? Os produtores? Os torrefadores? Ambos? Nenhum? Aí é com o mercado. Cada empresário que decida o que é bom para si, e que corra para agarrar seu pedaço. Afinal, toda empresa visa lucro...
Ao consumidor, fica o direito de escolher de quem comprar. Que no fim é quem detem o poder. Se comprar, sucesso, se não comprar, fracasso. É a lógica do mercado, para os produtores e para torrefadores.
Abraços a todos.
Gustavo de Paula
-------------------
Diretor Científico
BRSensor Ltda.
Gustavo Figueira de Paula comentou em: 02/10/2009 09:41
Bom dia a todos.
Tenho acompanhado os artigos referente à "batalha épica" arabica x conilon, e o tom dos discursos, se transformado em imagens, lembraria algo como uma luta de boxe entre Myke Tyson e George Foreman.
De tudo que li, pinço alguns aspectos que me parecem o mais sensatos e realistas - e é a partir destes aspectos que deveríamos repensar todas as discussões
[29/09/2009)
Humberto Soares
Aimorés - Minas Gerais - Estudante
precisamos de uma vez por todas entender que não existe mais para a indústria a tão propalada diferença entre café conilon e arábica, com pesquisa e muito trabalho chegaram a resultados que permitem no processo industrial entregar um blend final que atenda aos anseios do consumidor, inclusive os mais exigentes.Quem tem oportunidade de participar como mero assistente em testes cegos de bebida ultimamente está vendo que este discurso "ARABIQUEIRO" só existe no meio daqueles que preferem fugir da realidade e não enxergar o impressionante salto, quantitativo, produtivo, qualitativo e sensorial que experimentou o conilon no Brasil nos últimos anos.
Quanto à quantidade de um e outro nos blends ele é medido pela quantidade de conilon produzido no mundo, e desculpem pelas palavras duras a seguir, não há como frear o aumento de produção de conilon nos próximos anos e a consequente sobra de arábica se as condições climáticas se mantiverem dentro da normalidade.
Esta informação não tem caráter de abrir um debate e muito menos de expressar uma opinião, é sim uma constatação mercadológica que esta implicando profundas mudanças no agronegócio do café que já está em andamento há alguns anos, e que vai trazer o desaparecimento de uma parcela de cafeicultores, não ineficientes como disse o ministro, e sim não competitivos por razões que todos conhecem, e ás vezes também se negam a enxergar.
A única chance do arábica virar este jogo é ficar mais barato que o conilon, mas isso nos parece um pouco difícil, devido às características que trazem diferenças de custo bem visíveis, mas com pesquisa e muito trabalho, quem sabe... não podemos duvidar da capacidade humana em criar soluções e achar caminhos novos para velhos problemas.
Também vale a pena ler um outro comentário:
[30/09/2009]
Marden Cicarelli
Monte Carmelo - Minas Gerais - Produção de café
"Senhores,
De fato esta discussão está tomando rumos desnecessariamente belicosos. Como consumidor, eu quero ter o direito de saber o que estou tomando. A informação no rótulo não obrigaria a indústria a nunca alterar suas composições - isso é um ataque à minha inteligência, pois o lote e a data de validade se alteram e isso não inviabilizou a indústria. Aliás, é possível que, se a lei não lhes obrigasse, nem mesmo essa informação os rótulos trariam - em nome do aumento da margem de lucros." (...)
"Repito: a indústria não está de lado nenhum que não o seu. Interessa a ela comprar o produto no melhor preço e vender idem (interessante como "melhor" tem duas acepções nesse caso!) Danem-se os produtores, danem-se os consumidores. É da natureza do capitalismo. Se não enxergamos isso, problema nosso."
Aqui começo o meu comentário.
Primeiramente, na linha do que disse Humberto Soares, pesquisa e muito trabalham resultaram na capacidade de produzir blends de alto nível. BLENDS. MISTURAS. Nem arábica, nem conilon. Uma mistura. Ambos são importantes. E não se iludam, nem uns, nem outros - a pesquisa e o trabalho não param. Chegara, e não tardará, o momento que uma variedade que combina o melhor das duas espécies, tanto a nível de produtividade e robustez, quanto a nível de qualidade de bebida, tomara o espaço de ambas.
Isto não é uma profecia. É uma constatação de quem olha de fora, lá de longe, para onde o trabalho sério aponta, desconectado da busca imediata e desesperado por fatias de mercado. Sim, meus caros, logo a preocupação não será em como contrapor (ou compor) arábica e robusta, mas em como resistir ao avanço incontrolável de uma nova variedade melhor que ambas!! Certamente ela virá (a genética não respeita estas questões) e trará uma nova realidade para a cafeicultura.
Tomara que isto ocorra no Brasil, e não no Vietnã. Se não, meus caros, estaremos todos "ferrados".
Agora puxo uma linha a partir do comentário de Marden Cicarelli.
Primeiro aspecto é que de fato, a indústria não quer saber de ninguém - só dela mesma. E não adianta indignação ou surpresa nesta hora - a função da empresa é gerar lucro, e só. Todo o resto faz por estrita obrigação legal ou por questões de vantagem comercial. E é assim mesmo que o coisa funciona a 1.000 anos!! E vai continuar assim.
Mas lembre-se que o produtor de café, sim, também é um empresário!! Um industrial!! Agroindustrial!! Também quer seu lucro! E dane-se o resto... não me venha falar de consciência, cooperativismo, etc. Tudo isso, como os outros industriais, se faz por sobrevivência e imagem no mercado. Isso é um fato. E que me provem do contrário os que não concordam. Então, como empresários que são, defendem seu lado... apenas questiono se o método utilizado é o mais adequado. Acho que existem métodos mais inteligentes do que ataques desenfreados.
Não defendo aqui nem um lado nem outro. Não tenho competência para tais julgamentos. Mas uma coisa é inegável: a estratégia da ABIC em informar o consumidor com suas campanhas e propagar a imagem de qualidade do café industrializado é muito INTELIGENTE. INTELIGÊNCIA é a maior arma!! Produtores, usem a vossa! Usem mais! Usem melhor!
O homem sábio escuta. O ignorante, grita. Essa é um ditado velho como o mundo...
Não me estenderei muito. Mas deixo aqui uma informação que tomara seja relevante para alguém.
Existe ou não uma tecnologia capaz de analisar o blend de café??
Uns dizem que sim, outros que não. Mas ninguém mostra nada...
Bom, existe sim. Modestamente, tenho acompanhado as evoluções neste segmento específico a nível mundial nos últimos anos, e garanto que é plenamente viável. Mais que isso, sou um dos raríssimos doidos que cria (ou inventa, se preferir) métodos de analisar café. E garanto que é possível e melhor, economicamente viável.
Mais que isso, assim como o código de barras é impresso, pode-se imprimir na embalagem de cada pacote de café vendido no Brasil (e são milhões)
- Blend
- Sabor
- Aroma
- Corpo
- Fragrância
- Acidez
- Doçura
- Amargor
- Teor de impurezas (seja lá que impureza for)
- Torra
- e o que mais se quiser imprimir...
Veja, digo que pode porque a validade e lote são impressos - então qualquer informação pode ser impressa. E porque existe tecnologia para determinar cada parâmetro destes no café embalado!!
Digo que existe e mostro para quem quiser. Só que isso não é uma coisa que se mostra em um fórum. Mostra-se ao vivo, cara-a-cara. Deixo o convite a quem quiser ver.
Por último fica a provocação: se a tecnologia existe, quem vai pagar por ela? Os produtores? Os torrefadores? Ambos? Nenhum? Aí é com o mercado. Cada empresário que decida o que é bom para si, e que corra para agarrar seu pedaço. Afinal, toda empresa visa lucro...
Ao consumidor, fica o direito de escolher de quem comprar. Que no fim é quem detem o poder. Se comprar, sucesso, se não comprar, fracasso. É a lógica do mercado, para os produtores e para torrefadores.
Abraços a todos.
Gustavo de Paula
-------------------
Diretor Científico
BRSensor Ltda.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
CAFÉ VERDE: EXPORTAÇÕES SOMAM 2,442 MILHÕES DE SACAS EM SETEMBRO - SECEX
01/10 15:44 CAFÉ VERDE: EXPORTAÇÕES SOMAM 2,442 MILHÕES DE SACAS EM SETEMBRO - SECEX
As exportações de café verde do Brasil renderam US$ 350,9
milhões em setembro (21 dias úteis), com média diária de embarques de US$ 16,7
milhões. A média é 4,7% maior na comparação com os US$ 16 milhões obtidos
diariamente em agosto de 2009, quando os embarques de café verde haviam rendido
US$ 335,2 milhões. Em setembro do ano passado, as exportações haviam somado US$
436,8 milhões, com 2,646 milhões de sacas embarcadas, com preço médio de US$
165,00 por saca de 60 quilos.
A quantidade de café em grão exportada em setembro de 2009 foi de 2,442
milhões de sacas de 60 quilos, com média diária de 116,3 mil sacas. A média
diária de agosto havia sido de 113,8 mil sacas. Pela média diária, os embarques
de café verde cresceram 2,2% em setembro, na comparação com o mês anterior. As
exportações acumuladas de setembro de 2008 haviam totalizado 2,647 milhões de
sacas, com média diária de 120,3 mil sacas. Pela média diária, os embarques de
café caíram 15,9% em valor e 3,3% em quantidade em setembro na comparação com o
mesmo mês de 2008.
O preço médio obtido pela saca de café verde em setembro/09 foi de US$
143,6, valor 2,4% superior ao registrado em agosto, mas 13% menor do que os US$
165,00 por saca da média de julho de 2008.
Os principais mercados para o café em grão do Brasil em setembro foram
Alemanha, Estados Unidos e Itália. As informações partem da Secretaria de
Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior (MDIC).
As exportações de café verde do Brasil renderam US$ 350,9
milhões em setembro (21 dias úteis), com média diária de embarques de US$ 16,7
milhões. A média é 4,7% maior na comparação com os US$ 16 milhões obtidos
diariamente em agosto de 2009, quando os embarques de café verde haviam rendido
US$ 335,2 milhões. Em setembro do ano passado, as exportações haviam somado US$
436,8 milhões, com 2,646 milhões de sacas embarcadas, com preço médio de US$
165,00 por saca de 60 quilos.
A quantidade de café em grão exportada em setembro de 2009 foi de 2,442
milhões de sacas de 60 quilos, com média diária de 116,3 mil sacas. A média
diária de agosto havia sido de 113,8 mil sacas. Pela média diária, os embarques
de café verde cresceram 2,2% em setembro, na comparação com o mês anterior. As
exportações acumuladas de setembro de 2008 haviam totalizado 2,647 milhões de
sacas, com média diária de 120,3 mil sacas. Pela média diária, os embarques de
café caíram 15,9% em valor e 3,3% em quantidade em setembro na comparação com o
mesmo mês de 2008.
O preço médio obtido pela saca de café verde em setembro/09 foi de US$
143,6, valor 2,4% superior ao registrado em agosto, mas 13% menor do que os US$
165,00 por saca da média de julho de 2008.
Os principais mercados para o café em grão do Brasil em setembro foram
Alemanha, Estados Unidos e Itália. As informações partem da Secretaria de
Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior (MDIC).
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
O DIREITO DE CONFERIR
O DIREITO DE CONFERIR
Eu que moro num cantinho do mundo chamado de Manhuaçu nas minas gerais, criado no meio deste pessoal meio desconfiado e com sabias indagações, aprendi desde cedo que todos temos o direito de conferir para não termos o direito de desconfiar.
Sabemos que a cafeicultura esta passando por uma crise financeira e existencial, nós aqui do mato ficamos ouvimos a todos ditar regras, como, você não pode andar de carro novo, ou você é ineficiente, mas quando falamos algo, não costumam nos dar o devido respeito.
A cafeicultura de conilon/robusta hoje ela é uma realidade onde a sua produção é mais barata para o produtor e com mais rentabilidade, também é mais rentável na indústria. Isto se deve muito pelo excelente trabalho de um povo e de dirigentes de um estado ,digo ,o estado do Espírito Santo que com seu empreendorisnmo chegou a esta realidade um fato inegável.
A cafeicultura do café arábica, mais tradicional se perdeu em sua tradicionalidade e se escondeu atrás de suas faixas de barões do café e, ficaram vivendo em uma ilusão que nunca seriam destronados, perderam tempo e consequentemente espaço e dinheiro também um fato inegável, portanto essa briga entre produtores de arábica e conilon é ridícula um não vive sem o outro e quem esta ganhando são as pessoas que manipulam esse mercado.
Os produtores de arábica têm que entender que estamos perdendo essa batalha por não falarmos a mesma língua, precisamos urgentemente melhorar nossa produtividade para equipararmos aos de café conilon/robusta ,para isso precisamos de apoio como fez o estado do Espírito Santo.
Mas um fato me chamou há atenção esta semana. A Abic uma entidade seríssima ,veio a publico dizer que seria contra a rotulação do café, se sabemos hoje que o café arábica não existe em quantidade de produção o suficiente para suprirmos a industria mundial nem a nacional, portanto o conilon é uma realidade ,e a quantidade a ser consumida quem vai mandar com certeza é sua majestade o consumidor. Eu particularmente acredito que a indústria tem que vender o produto que mais agrade a população com ou mais conilon e/ou arabica em seu devido blend.
Agora para não criarmos uma polemica muito grande irei postar só números oficias que qualquer internauta como eu acha navegando pela internet.
No ano safra de 2004/05 a produção brasileira de café números sempre oficias neste caso da conab foi de 39.272 milhões de sacas e ano 05/06 foi de 32.944, ano 06/07 foi de 42.512, ano 07/08 foi de 36.070 e 08/09 foi de 45.992 dando um total de produção de 196.790 milhões de sacas.
O consumo segundo a Abic também usando mesmo período e também constatando que são números divulgados pela entidade, portanto oficias no ano safra de 04/05 o consumo foi de 15.200 milhões de sacas de café de 60 kg no ano seguinte 05/06foi de 15.900,06/07 foi de 16.700, no ano07/08 foi de 17.380 e no ano 08/09 17.930 dando um total de consumo nestes anos de 83.110 milhões de sacas de café.
A exportação neste período que estamos comentando também são dados oficias da Cecafe, ano de 2004 esses são dados de janeiro a dez, portanto ai também tem um pouco de estoque de passagem da safra de 2003, vamos aos números 2004 a exportação foi de 26.478.490 milhões de sacas de 60 kg , ano de 2005 foi de 26.190.699 ,ano de 2006 foi de 27.369.957, ano de 2007 foi de 28.180.127, ano de 2008 foi de 29.495.774 dando um total de 137.715.047 milhões de sacas de café.
O governo possuía em seus estoques em 2004 12.528.097 milhoes de sacas e hoje possui 602.759 disponibilizando para a indústria um total de 11.925.338 milhoes de sacas.
Tentando fechar a conta se produzimos neste período 196.790 milhões de sacas de café de 60 kg e o governo disponibilizou 11.925.338 milhões o mercado tinha a seu dispor um estoque de 208.715.338 milhões de sacas. Somando as exportações do período e o consumo do período temos um numero de 220.825.047 milhões de sacas de café.
Concluímos então que houve uma falta de estoque de 12.109.709 milhões de sacas de café de 60 kg. Bom amigo cafeicultor estamos falando agora em um buraco de 12 milhões de sacas de café. Tenho que dizer que não encontrei o estoque de passagem no ano de 2003/04, também tenho que ser justo pois números são números o que amenizaria este buraco enorme encontrado ate agora, mas:
1- Os números da Conab estão certos?
2- Os números da Abic estão certos?
3- Os números da Cecafe estão certos?
4- Todos estão certos?
Uma coisa eu tenho que dizer, não se pode contestar os números e temos nós cafeicultores de saber onde esta o erro, particularmente acredito que o erro esta no numero da safra que tem sido sistematicamente maior do que os números divulgados, mostrando que não somos tão insuficientes, mas como diz um conhecido meu, achar ou acreditar não prova nada, o que diz a verdade são os números.Com a estoque de passagem de 2008 que oficialmente seria de 10 milhoes o buraco aumenta pra 22 milhoes
Tenho que dizer também que o país não para de bater recordes de exportação e que os armazéns de café que tenho informação não tem onde por café o que pioraria em muito esse numero negativo, também não levaria esses dados há anos anteriores que acho me daria um delirium tremens com o que descobriria .Se colocarmos aí a previsão desta ano o consumo e a exportação esta numero negativo só tende a aumentar.
Portanto quando nos tiram o direito de conferir nos dão o direito de desconfiar e esse número mostra que algo de muito errado esta ocorrendo em nosso mercado cafeeiro e os prejuízos estão no bolso de quem fica nos cantinhos do mundo a produzir .
Wagner Pimentel
www.cafezinho com amigos.blogspot.com
MANHUAÇU MG
Eu que moro num cantinho do mundo chamado de Manhuaçu nas minas gerais, criado no meio deste pessoal meio desconfiado e com sabias indagações, aprendi desde cedo que todos temos o direito de conferir para não termos o direito de desconfiar.
Sabemos que a cafeicultura esta passando por uma crise financeira e existencial, nós aqui do mato ficamos ouvimos a todos ditar regras, como, você não pode andar de carro novo, ou você é ineficiente, mas quando falamos algo, não costumam nos dar o devido respeito.
A cafeicultura de conilon/robusta hoje ela é uma realidade onde a sua produção é mais barata para o produtor e com mais rentabilidade, também é mais rentável na indústria. Isto se deve muito pelo excelente trabalho de um povo e de dirigentes de um estado ,digo ,o estado do Espírito Santo que com seu empreendorisnmo chegou a esta realidade um fato inegável.
A cafeicultura do café arábica, mais tradicional se perdeu em sua tradicionalidade e se escondeu atrás de suas faixas de barões do café e, ficaram vivendo em uma ilusão que nunca seriam destronados, perderam tempo e consequentemente espaço e dinheiro também um fato inegável, portanto essa briga entre produtores de arábica e conilon é ridícula um não vive sem o outro e quem esta ganhando são as pessoas que manipulam esse mercado.
Os produtores de arábica têm que entender que estamos perdendo essa batalha por não falarmos a mesma língua, precisamos urgentemente melhorar nossa produtividade para equipararmos aos de café conilon/robusta ,para isso precisamos de apoio como fez o estado do Espírito Santo.
Mas um fato me chamou há atenção esta semana. A Abic uma entidade seríssima ,veio a publico dizer que seria contra a rotulação do café, se sabemos hoje que o café arábica não existe em quantidade de produção o suficiente para suprirmos a industria mundial nem a nacional, portanto o conilon é uma realidade ,e a quantidade a ser consumida quem vai mandar com certeza é sua majestade o consumidor. Eu particularmente acredito que a indústria tem que vender o produto que mais agrade a população com ou mais conilon e/ou arabica em seu devido blend.
Agora para não criarmos uma polemica muito grande irei postar só números oficias que qualquer internauta como eu acha navegando pela internet.
No ano safra de 2004/05 a produção brasileira de café números sempre oficias neste caso da conab foi de 39.272 milhões de sacas e ano 05/06 foi de 32.944, ano 06/07 foi de 42.512, ano 07/08 foi de 36.070 e 08/09 foi de 45.992 dando um total de produção de 196.790 milhões de sacas.
O consumo segundo a Abic também usando mesmo período e também constatando que são números divulgados pela entidade, portanto oficias no ano safra de 04/05 o consumo foi de 15.200 milhões de sacas de café de 60 kg no ano seguinte 05/06foi de 15.900,06/07 foi de 16.700, no ano07/08 foi de 17.380 e no ano 08/09 17.930 dando um total de consumo nestes anos de 83.110 milhões de sacas de café.
A exportação neste período que estamos comentando também são dados oficias da Cecafe, ano de 2004 esses são dados de janeiro a dez, portanto ai também tem um pouco de estoque de passagem da safra de 2003, vamos aos números 2004 a exportação foi de 26.478.490 milhões de sacas de 60 kg , ano de 2005 foi de 26.190.699 ,ano de 2006 foi de 27.369.957, ano de 2007 foi de 28.180.127, ano de 2008 foi de 29.495.774 dando um total de 137.715.047 milhões de sacas de café.
O governo possuía em seus estoques em 2004 12.528.097 milhoes de sacas e hoje possui 602.759 disponibilizando para a indústria um total de 11.925.338 milhoes de sacas.
Tentando fechar a conta se produzimos neste período 196.790 milhões de sacas de café de 60 kg e o governo disponibilizou 11.925.338 milhões o mercado tinha a seu dispor um estoque de 208.715.338 milhões de sacas. Somando as exportações do período e o consumo do período temos um numero de 220.825.047 milhões de sacas de café.
Concluímos então que houve uma falta de estoque de 12.109.709 milhões de sacas de café de 60 kg. Bom amigo cafeicultor estamos falando agora em um buraco de 12 milhões de sacas de café. Tenho que dizer que não encontrei o estoque de passagem no ano de 2003/04, também tenho que ser justo pois números são números o que amenizaria este buraco enorme encontrado ate agora, mas:
1- Os números da Conab estão certos?
2- Os números da Abic estão certos?
3- Os números da Cecafe estão certos?
4- Todos estão certos?
Uma coisa eu tenho que dizer, não se pode contestar os números e temos nós cafeicultores de saber onde esta o erro, particularmente acredito que o erro esta no numero da safra que tem sido sistematicamente maior do que os números divulgados, mostrando que não somos tão insuficientes, mas como diz um conhecido meu, achar ou acreditar não prova nada, o que diz a verdade são os números.Com a estoque de passagem de 2008 que oficialmente seria de 10 milhoes o buraco aumenta pra 22 milhoes
Tenho que dizer também que o país não para de bater recordes de exportação e que os armazéns de café que tenho informação não tem onde por café o que pioraria em muito esse numero negativo, também não levaria esses dados há anos anteriores que acho me daria um delirium tremens com o que descobriria .Se colocarmos aí a previsão desta ano o consumo e a exportação esta numero negativo só tende a aumentar.
Portanto quando nos tiram o direito de conferir nos dão o direito de desconfiar e esse número mostra que algo de muito errado esta ocorrendo em nosso mercado cafeeiro e os prejuízos estão no bolso de quem fica nos cantinhos do mundo a produzir .
Wagner Pimentel
www.cafezinho com amigos.blogspot.com
MANHUAÇU MG
A lei que alegra é a lei de Deus
A lei que alegra é a lei de Deus
(Em resposta ao Artigo do executivo da ABIC, Sr. Nathan Herszkowicz)
Agradeço ao executivo da Abic, pelo artigo sobre rotulação do café, embora ligeiramente destemperado fico contente, pois em 28/agosto/2001 recebi uma carta do mesmo através do CNC, que era fortemente destemperada, a qual guardo com cuidado.
O executivo apresenta ao invés do que diz o titulo do seu artigo, uma série de inveracidades, com o intuito de embaralhar o leitor. Talvez seja o hábito adquirido através dos anos de embaralhar os clientes, produtores e consumidores finais.
O artigo é ofensivo ao nosso Vice-Governador, que é autor da lei da rotulação, ao produtor de café (que é explorado), aos consumidores (que o executivo menospreza), e especialmente aos juízes do Supremo Tribunal Federal – STF-, que julgaram a lei da rotulação constitucional.
A primeira e mais absoluta inveracidade se dá quando o executivo diz: “esta idéia irresponsável não tem como ser fiscalizada...Isto porque, não existe, em todo o mundo, tecnologia ou metodologia para quantificar as espécies usadas”; isto é a mais absoluta mentira, bem como despreparo do executivo, pois há metodologia, simples, eficiente e barata à disposição de quem possa se interessar. Mas, vamos imaginar, como o executivo imagina, que não haja tecnologia para isto; então me pergunto, por que temer a rotulação do café se ela seria inexeqüível em não havendo comprovação laboratorial? Como poderia alguém ser punido sem comprovação?
O discurso da Apac é totalmente coeso, coerente em defesa da cafeicultura – produtor primário, cafeicultor, e além da rotulação, apresentamos várias propostas que serão em breve levadas ao Ministério da Agricultura, como a normatização do grão cru e impurezas do café. Por falar em impurezas, por que será que o executivo omite em seu texto que o artigo 4º da lei da rotulação, que diz dos teores das impurezas admitidas no café serão fiscalizadas pela lei? A Apac será co-responsável pela fiscalização. Ainda, sempre me pergunto: será que as estatísticas da Abic quanto ao consumo de café são corretas? Se o forem, de duas uma, ou as safras brasileiras são maiores que o indicado, ou tem algo na embalagem de café que não é café.
Recentemente o Dep. Silas Brasileiro afirmou que há pelo menos 2,0 milhões de sacas de palha, o Dep. esqueceu o triguilho, o milho, a palha peletizada e outros. Portanto, conclui-se da fala do deputado, que a Abic como entidade auto-fiscalizadora é um fracasso.
Todos sabem que a raposa não pode tomar conta do galinheiro. A lei da rotulação do Paraná é histórica, pelo fato da classe produtora emitir um selo para comprovar a qualidade do produto e, atentem, também pela não presença de impurezas.
Quanto aos consumidores a Abic elaborou diversos planos e diversos programas de qualidade, com o intuito de continuar enganando o consumidor, pois todas estas proposições são subjetivas. Diz o executivo: “É isto o que o consumidor quer, um café saboroso e que dê prazer e satisfação, sem se importar com qual quantidade de Conillon ou Arábica fora utilizada. Aliás, a enorme maioria dos consumidores não sabe o que isto representa”.
O executivo ofende profundamente a inteligência do consumidor e o menospreza. O executivo sabe por que o consumidor não conhece o que isto representa? É simplesmente, porque nunca foi informado desta ignomínia. Talvez devido ao reflexo de autoritarismo, vindo de nosso tenebroso passado.
O executivo afronta o consumidor, e como dizem é melhor mantê-lo na ignorância do que ensiná-lo, pois assim não haverá reivindicações. A indústria quer que tudo seja café, produto final. Como isto é possível, se na maioria das vezes o café é composto por dois cafés diferentes.
Quando o executivo defende a técnica do blending isto seria o mesmo absurdo de dizer que uva é uva, portanto, vinho é vinho, ou que azeitona é azeitona, portanto, azeite é azeite. Ora, convenhamos, o que quer dizer com isto o executivo, que chega ao absurdo de confessar que usa café Conillon por “razões econômicas, para manter o preço acessível”. O executivo perguntou se este é o desejo do consumidor? Ou será que enganando-o com um preço baixo a indústria aufere mais lucro?
Quando diz que uma pesquisa evidencia “que aos consumidores o conceito de qualidade do café não é associado ao tipo de grãos e às suas espécies”. Básico, que não é associado ao tipo de grãos e às suas espécies, simplesmente porque o consumidor não tem conhecimento disto. A indústria omite o que são espécies de café há anos. Viva o capitalismo selvagem, viva o lucro.
Temos profundo respeito pelo trabalho da indústria nos últimos 20 anos, mas chegou a hora dela se modernizar e passar a tratar o seu fornecedor de matéria prima, o cafeicultor, e o consumidor com mais respeito, não se apropriando do trabalho suado de quem produz.
Será que o aumento de consumo de café não de deu pelo crescimento vegetativo e baixos preços? Por que será que nos últimos 20 anos a indústria cresceu tanto e enriqueceu tanto, e o cafeicultor empobreceu tanto?
É claro que sou defensor do consumidor, pois sem ele qual seria a razão de produzirmos? Nós queremos que o nosso produto chegue à mesa do consumidor da maneira como o produzimos. Senão, qual seria a finalidade de produzirmos com mais qualidade? Excetuando os nichos de mercado é claro que a qualidade permite a adição de mais café Conillon. Uma certeza eu tenho, a indústria não é defensora do consumidor.
Em certo trecho de seu destemperado e embaralhado artigo, o executivo diz que o blend de café tem custo elevado de desenvolvimento, sendo, portanto, um segredo industrial. Que absurdo, mas não sou eu quem vai rebater, mas sim a súmula do Supremo Tribunal Federal - STF- quando a Sra. Ministra Carmem Lúcia em diálogo como Sr. Ministro Menezes Direito diz: “ Foi também enfatizado na tribuna (pelo advogado das indústrias), que as empresas deveriam ter o direito ao sigilo quanto à aquilo que se contém no café.
Pergunto-me, diz a (Sra. Ministra) que direito é este? Eu cidadã que tomo muito café, tenho o direito também de saber o que estou consumindo e em que condições, até porque, às vezes quem faz café, lembrou o Ministro Menezes Direito, sabe muito bem que ao coá-lo sente um cheiro nítido de milho e outros aromas na casa, que denota nem sempre estar tudo descrito”.
Faça-me o favor, esta coisa de segredo industrial é ridícula e peço ao executivo, se quiser que destempere os senhores ministros.
Segue a Sra. Ministra:” E acredito que a tendência seja a informação. O direito à informação no art.º 5º deve ser respeitado efetivamente nos termos da Federação Brasileira. Entendo que se trata efetivamente do direito de informação do consumidor”.
O Sr. Ministro Carlos Britto diz: “Entendo que a lei, no seu conjunto, em cada um de seus dispositivos, tem por foco a precisa informação do consumidor: orientar o consumidor, cientificar o consumidor daquilo que está sendo objeto de virtual consumo, com uma virtude, com uma vantagem adicional. Essa lei também protege a saúde, tem mérito suficiente para incorporar a defesa da saúde, que é também matéria de competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal”.
Veja então o que diz o senhor Ministro Marco Aurélio, dirigindo-se à presidência do STF: “Senhor Presidente, a esta altura, nutro inveja, considerada a segurança dos paranaenses na aquisição e também na tomada de café”.
Estamos orgulhosos desta lei, pois ela aproxima o produtor do consumidor. Não adianta reclamar, a lei foi julgada constitucional e é irrecorrível. Se o executivo assim desejar que destempere o STF, como aliás já o faz nas entrelinhas do seu texto.
É fato que o avanço do café Conillon é uma realidade, pois se assim não o fosse faltaria café no mundo. O mundo não pode beber só café Arábica, pois não haveria quantidade para todos. Então, qual o receio de se rotular o café?
Suas alegações a respeito da performance do Robusta/Conillon, os quais fazem baratear o custo do produto final no processo industrial, possuem defesa em seus argumentos, em prol da eficiência do segmento o qual defende, porém, existem outros fatores, que não apenas o custo devem ser considerados, tais como a qualidade intrínseca dos grãos.
Para este efeito, no sentido de esclarecimentos, devo pontuar: o alto teor de cafeína contido nos cafés Robustas/Conillon, podendo chegar a 3 vezes superior aos cafés Arábicas, tendo como agravante ser esta não indicada a quem possua problemas cardíacos; outro fator seria o efeito inibidor de consumo que a cafeína produz. Mas, para que não se estenda por demais este tema, o que não é próprio a esta resposta, sugiro que o executivo responda às 100 perguntas formuladas através do endereço: http://www.peabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=19614
Assim, questiono: após responder a estas, se tiver capacidade, competência e conhecimentos para tal, ainda assim, seria contra a rotulação das embalagens de café industrializado? O sendo, e suas respostas contemplando com maior propriedade o consumidor final, então como justificaria sua defesa pela não rotulação?
Em minha visão, a rotulação seria o inicio ostensivo do processo irreversível de reconhecimento de que os cafés Arábicas e Robustas/Conillon, são concorrentes entre si, sendo isto um fato. Sendo fato, retratado e confirmado, por suas próprias palavras, além do percentual de adição entre um e outro na composição dos blends, então que suas atividades e representatividades sejam conduzidas por planos de ação e marketing distintos e o executivo não possui credenciamento algum para se manifestar em opiniões a respeito de planos estratégicos, incluindo nestes a reativação da Associação Brasileira de Café Arábica, pois o tema cafeicultura não lhe é afeito, devendo ser desprezada qualquer manifestação sua.
O tema cafeicultura, não lhe sendo afeito, mas apenas o grão cru, com o qual se utiliza como matéria prima nos procedimentos industriais de torrefação, então como e com que capacidade e credenciamento se atreve a manifestações de natureza diversa da que lhe compete? Não sendo absolutamente de sua competência, então como se atreve a compor grupo de estudos em elaborar Agenda Estratégica do Café, onde entre inúmeras participações apóia o sistema de Draw Back? Em sua visão, bem como do segmento que defende, poderia esclarecer quais os benefícios financeiros diretos que os cafeicultores- aqui representando a Cafeicultura- obteriam com tal procedimento? E, da mesma forma poderia apresentar quais os benefícios financeiros e econômicos que a indústria de café T, T&M e Solúvel teriam? Após estas respostas, como um simples e direto comparativo, quem ganharia e quem perderia? Caso acredite que os dois segmentos ganhem por igual, indique-os, justificando.
Sobre responsabilidade e irresponsabilidade, afirmo e questiono:
A Agenda Estratégica do Café, sendo o executivo um dos integrantes deste grupo de trabalho, aloca orçamentos expressivos em sua composição. Desta forma, considera-se que V.Sa. participou e concordou ativamente em todas as fases, bem como sua conclusão final. Esta aponta em inúmeras citações o Centro de Inteligência do Café – CIC. Este, a partir de dezembro/2008 passou da iniciativa pública à privada, o que já era de conhecimento da Abic. A partir de então, a presidência do CIC ficou a cargo da Abic.
Esta afirmativa é verdadeira? O sendo, então o CIC, poderia ser considerado como uma empresa com interesses em fornecer e centralizar informações, projetos e planejamentos, também e principalmente à atividade produtiva cafeeira? Se afirmativo, como a Abic por presidir esta atual entidade, além de outros segmentos do agronegócio café, que não a cafeicultura, se capacita e se credencia a ser a solucionadora e propositora para a cafeicultura, aqui denominada, atividade produtiva primária?
Acredita o executivo, que por possuir através da Abic um assento no CDPC, então teria direitos e obrigações em conduzir a política e ações relativas e inerentes apenas ao segmento primário? Acreditando, então poderia o CDPC ser traduzido ou interpretado como um órgão para ingerir na cafeicultura? Não o sendo, então como se justificam suas arremetidas? Não havendo justificativas, então tudo que o executivo diz ou afirma a respeito da cafeicultura seriam apenas palpites e nada mais, devendo ser desconsiderados e desprezados.
Sonha o executivo em continuar a perpetuar esta condição descabida de ingerir a atividade produtiva cafeeira? Não acha que passou da hora e necessita cuidar com mais propriedade em produzir as necessárias eficiências ao segmento que defende, cujas unidades de torrefação estão sendo ameaçadas diariamente por grandes grupos internacionais, que os estão engolindo a passos largos e tirando-lhes a parca competitividade que possuíam?
Procure se concentrar em não reduzir seus custos, pois isto poderia comprometer a própria saúde dos consumidores, mas a ser competitivo num mundo globalizado, onde a indústria é o alvo preferido do mercado capitalista, necessitando se adaptar a modelos dinâmicos e atuais de gerenciamento.
Os cafeicultores de Arábica foram ofendidos pela destemperança do executivo,quando este manda os produtores “buscarem melhores resultados na lavoura, com aperfeiçoamento da gestão, redução de custos, aumento de produtividade, melhoria de qualidade, certificação e inserção de mercados de maior valor, além de outras iniciativas típicas da atividade produtiva que podem recuperar a renda da atividade”. Pergunto, com que atrevimento e com qual capacidade técnica ou prática o executivo se ingere nos assuntos da cafeicultura?
Quando finalmente o executivo diz “esta é a contribuição de uma entidade responsável e comprometida com os negócios do café”, acredito ter sido um lapso, mas concordo com o executivo, quando diz dos “negócios do café”, pois é o que lhe interessa, os negócios. Se pensasse no todo falaria agronegócio, que compreendesse: agro (atividade primária) e negócios (indústria e comércio). O executivo só pensa no negócio, no lucro.
Como diz Pierre Bourdieu: “vivemos uma época de desigualdades crescentes: mesmo durante o capitalismo selvagem havia limites, contra o capitalismo. Agora caminha para o capitalismo ilimitado, introduzem formas de gerenciamento inimagináveis. É a lógica do lucro sem limites. Isto é muito perigoso. Pode nos levar à barbárie”.
Nós sabemos que nossas lutas esbarram no poderio econômico e político das grandes empresas e multinacionais, que o executivo representa. Mas, sua manifestação descabida nos mostra que o caminho está correto.
“Temos que ser mais sóbrios perante a alternância entre luz e trevas radicada em nossa existência, menos enebriados com a própria fantasia de onipotência, e talvez então nos tornássemos mais tolerantes para com o outro e o diferente. É possível, que unicamente no comedimento possamos recuperar algum equilíbrio realista”.
O executivo, assim como eu, representamos nossos segmentos, e assim temos o direito de defendê-los, mas com dignidade e compostura. Bravatas e ofensas não levam a lugar algum. A diferença entre nossas lideranças, é que o executivo é assalariado e eu exerço minha função por amor à cafeicultura e ao Brasil.
Gostaria de lembrar que a única lei que alegra é a lei de Deus.
Ricardo Gonçalves Strenger
Presidente da Apac
ricardostrenger@yahoo.com.br
Londrina, 30 de setembro de 2009.
(Em resposta ao Artigo do executivo da ABIC, Sr. Nathan Herszkowicz)
Agradeço ao executivo da Abic, pelo artigo sobre rotulação do café, embora ligeiramente destemperado fico contente, pois em 28/agosto/2001 recebi uma carta do mesmo através do CNC, que era fortemente destemperada, a qual guardo com cuidado.
O executivo apresenta ao invés do que diz o titulo do seu artigo, uma série de inveracidades, com o intuito de embaralhar o leitor. Talvez seja o hábito adquirido através dos anos de embaralhar os clientes, produtores e consumidores finais.
O artigo é ofensivo ao nosso Vice-Governador, que é autor da lei da rotulação, ao produtor de café (que é explorado), aos consumidores (que o executivo menospreza), e especialmente aos juízes do Supremo Tribunal Federal – STF-, que julgaram a lei da rotulação constitucional.
A primeira e mais absoluta inveracidade se dá quando o executivo diz: “esta idéia irresponsável não tem como ser fiscalizada...Isto porque, não existe, em todo o mundo, tecnologia ou metodologia para quantificar as espécies usadas”; isto é a mais absoluta mentira, bem como despreparo do executivo, pois há metodologia, simples, eficiente e barata à disposição de quem possa se interessar. Mas, vamos imaginar, como o executivo imagina, que não haja tecnologia para isto; então me pergunto, por que temer a rotulação do café se ela seria inexeqüível em não havendo comprovação laboratorial? Como poderia alguém ser punido sem comprovação?
O discurso da Apac é totalmente coeso, coerente em defesa da cafeicultura – produtor primário, cafeicultor, e além da rotulação, apresentamos várias propostas que serão em breve levadas ao Ministério da Agricultura, como a normatização do grão cru e impurezas do café. Por falar em impurezas, por que será que o executivo omite em seu texto que o artigo 4º da lei da rotulação, que diz dos teores das impurezas admitidas no café serão fiscalizadas pela lei? A Apac será co-responsável pela fiscalização. Ainda, sempre me pergunto: será que as estatísticas da Abic quanto ao consumo de café são corretas? Se o forem, de duas uma, ou as safras brasileiras são maiores que o indicado, ou tem algo na embalagem de café que não é café.
Recentemente o Dep. Silas Brasileiro afirmou que há pelo menos 2,0 milhões de sacas de palha, o Dep. esqueceu o triguilho, o milho, a palha peletizada e outros. Portanto, conclui-se da fala do deputado, que a Abic como entidade auto-fiscalizadora é um fracasso.
Todos sabem que a raposa não pode tomar conta do galinheiro. A lei da rotulação do Paraná é histórica, pelo fato da classe produtora emitir um selo para comprovar a qualidade do produto e, atentem, também pela não presença de impurezas.
Quanto aos consumidores a Abic elaborou diversos planos e diversos programas de qualidade, com o intuito de continuar enganando o consumidor, pois todas estas proposições são subjetivas. Diz o executivo: “É isto o que o consumidor quer, um café saboroso e que dê prazer e satisfação, sem se importar com qual quantidade de Conillon ou Arábica fora utilizada. Aliás, a enorme maioria dos consumidores não sabe o que isto representa”.
O executivo ofende profundamente a inteligência do consumidor e o menospreza. O executivo sabe por que o consumidor não conhece o que isto representa? É simplesmente, porque nunca foi informado desta ignomínia. Talvez devido ao reflexo de autoritarismo, vindo de nosso tenebroso passado.
O executivo afronta o consumidor, e como dizem é melhor mantê-lo na ignorância do que ensiná-lo, pois assim não haverá reivindicações. A indústria quer que tudo seja café, produto final. Como isto é possível, se na maioria das vezes o café é composto por dois cafés diferentes.
Quando o executivo defende a técnica do blending isto seria o mesmo absurdo de dizer que uva é uva, portanto, vinho é vinho, ou que azeitona é azeitona, portanto, azeite é azeite. Ora, convenhamos, o que quer dizer com isto o executivo, que chega ao absurdo de confessar que usa café Conillon por “razões econômicas, para manter o preço acessível”. O executivo perguntou se este é o desejo do consumidor? Ou será que enganando-o com um preço baixo a indústria aufere mais lucro?
Quando diz que uma pesquisa evidencia “que aos consumidores o conceito de qualidade do café não é associado ao tipo de grãos e às suas espécies”. Básico, que não é associado ao tipo de grãos e às suas espécies, simplesmente porque o consumidor não tem conhecimento disto. A indústria omite o que são espécies de café há anos. Viva o capitalismo selvagem, viva o lucro.
Temos profundo respeito pelo trabalho da indústria nos últimos 20 anos, mas chegou a hora dela se modernizar e passar a tratar o seu fornecedor de matéria prima, o cafeicultor, e o consumidor com mais respeito, não se apropriando do trabalho suado de quem produz.
Será que o aumento de consumo de café não de deu pelo crescimento vegetativo e baixos preços? Por que será que nos últimos 20 anos a indústria cresceu tanto e enriqueceu tanto, e o cafeicultor empobreceu tanto?
É claro que sou defensor do consumidor, pois sem ele qual seria a razão de produzirmos? Nós queremos que o nosso produto chegue à mesa do consumidor da maneira como o produzimos. Senão, qual seria a finalidade de produzirmos com mais qualidade? Excetuando os nichos de mercado é claro que a qualidade permite a adição de mais café Conillon. Uma certeza eu tenho, a indústria não é defensora do consumidor.
Em certo trecho de seu destemperado e embaralhado artigo, o executivo diz que o blend de café tem custo elevado de desenvolvimento, sendo, portanto, um segredo industrial. Que absurdo, mas não sou eu quem vai rebater, mas sim a súmula do Supremo Tribunal Federal - STF- quando a Sra. Ministra Carmem Lúcia em diálogo como Sr. Ministro Menezes Direito diz: “ Foi também enfatizado na tribuna (pelo advogado das indústrias), que as empresas deveriam ter o direito ao sigilo quanto à aquilo que se contém no café.
Pergunto-me, diz a (Sra. Ministra) que direito é este? Eu cidadã que tomo muito café, tenho o direito também de saber o que estou consumindo e em que condições, até porque, às vezes quem faz café, lembrou o Ministro Menezes Direito, sabe muito bem que ao coá-lo sente um cheiro nítido de milho e outros aromas na casa, que denota nem sempre estar tudo descrito”.
Faça-me o favor, esta coisa de segredo industrial é ridícula e peço ao executivo, se quiser que destempere os senhores ministros.
Segue a Sra. Ministra:” E acredito que a tendência seja a informação. O direito à informação no art.º 5º deve ser respeitado efetivamente nos termos da Federação Brasileira. Entendo que se trata efetivamente do direito de informação do consumidor”.
O Sr. Ministro Carlos Britto diz: “Entendo que a lei, no seu conjunto, em cada um de seus dispositivos, tem por foco a precisa informação do consumidor: orientar o consumidor, cientificar o consumidor daquilo que está sendo objeto de virtual consumo, com uma virtude, com uma vantagem adicional. Essa lei também protege a saúde, tem mérito suficiente para incorporar a defesa da saúde, que é também matéria de competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal”.
Veja então o que diz o senhor Ministro Marco Aurélio, dirigindo-se à presidência do STF: “Senhor Presidente, a esta altura, nutro inveja, considerada a segurança dos paranaenses na aquisição e também na tomada de café”.
Estamos orgulhosos desta lei, pois ela aproxima o produtor do consumidor. Não adianta reclamar, a lei foi julgada constitucional e é irrecorrível. Se o executivo assim desejar que destempere o STF, como aliás já o faz nas entrelinhas do seu texto.
É fato que o avanço do café Conillon é uma realidade, pois se assim não o fosse faltaria café no mundo. O mundo não pode beber só café Arábica, pois não haveria quantidade para todos. Então, qual o receio de se rotular o café?
Suas alegações a respeito da performance do Robusta/Conillon, os quais fazem baratear o custo do produto final no processo industrial, possuem defesa em seus argumentos, em prol da eficiência do segmento o qual defende, porém, existem outros fatores, que não apenas o custo devem ser considerados, tais como a qualidade intrínseca dos grãos.
Para este efeito, no sentido de esclarecimentos, devo pontuar: o alto teor de cafeína contido nos cafés Robustas/Conillon, podendo chegar a 3 vezes superior aos cafés Arábicas, tendo como agravante ser esta não indicada a quem possua problemas cardíacos; outro fator seria o efeito inibidor de consumo que a cafeína produz. Mas, para que não se estenda por demais este tema, o que não é próprio a esta resposta, sugiro que o executivo responda às 100 perguntas formuladas através do endereço: http://www.peabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=19614
Assim, questiono: após responder a estas, se tiver capacidade, competência e conhecimentos para tal, ainda assim, seria contra a rotulação das embalagens de café industrializado? O sendo, e suas respostas contemplando com maior propriedade o consumidor final, então como justificaria sua defesa pela não rotulação?
Em minha visão, a rotulação seria o inicio ostensivo do processo irreversível de reconhecimento de que os cafés Arábicas e Robustas/Conillon, são concorrentes entre si, sendo isto um fato. Sendo fato, retratado e confirmado, por suas próprias palavras, além do percentual de adição entre um e outro na composição dos blends, então que suas atividades e representatividades sejam conduzidas por planos de ação e marketing distintos e o executivo não possui credenciamento algum para se manifestar em opiniões a respeito de planos estratégicos, incluindo nestes a reativação da Associação Brasileira de Café Arábica, pois o tema cafeicultura não lhe é afeito, devendo ser desprezada qualquer manifestação sua.
O tema cafeicultura, não lhe sendo afeito, mas apenas o grão cru, com o qual se utiliza como matéria prima nos procedimentos industriais de torrefação, então como e com que capacidade e credenciamento se atreve a manifestações de natureza diversa da que lhe compete? Não sendo absolutamente de sua competência, então como se atreve a compor grupo de estudos em elaborar Agenda Estratégica do Café, onde entre inúmeras participações apóia o sistema de Draw Back? Em sua visão, bem como do segmento que defende, poderia esclarecer quais os benefícios financeiros diretos que os cafeicultores- aqui representando a Cafeicultura- obteriam com tal procedimento? E, da mesma forma poderia apresentar quais os benefícios financeiros e econômicos que a indústria de café T, T&M e Solúvel teriam? Após estas respostas, como um simples e direto comparativo, quem ganharia e quem perderia? Caso acredite que os dois segmentos ganhem por igual, indique-os, justificando.
Sobre responsabilidade e irresponsabilidade, afirmo e questiono:
A Agenda Estratégica do Café, sendo o executivo um dos integrantes deste grupo de trabalho, aloca orçamentos expressivos em sua composição. Desta forma, considera-se que V.Sa. participou e concordou ativamente em todas as fases, bem como sua conclusão final. Esta aponta em inúmeras citações o Centro de Inteligência do Café – CIC. Este, a partir de dezembro/2008 passou da iniciativa pública à privada, o que já era de conhecimento da Abic. A partir de então, a presidência do CIC ficou a cargo da Abic.
Esta afirmativa é verdadeira? O sendo, então o CIC, poderia ser considerado como uma empresa com interesses em fornecer e centralizar informações, projetos e planejamentos, também e principalmente à atividade produtiva cafeeira? Se afirmativo, como a Abic por presidir esta atual entidade, além de outros segmentos do agronegócio café, que não a cafeicultura, se capacita e se credencia a ser a solucionadora e propositora para a cafeicultura, aqui denominada, atividade produtiva primária?
Acredita o executivo, que por possuir através da Abic um assento no CDPC, então teria direitos e obrigações em conduzir a política e ações relativas e inerentes apenas ao segmento primário? Acreditando, então poderia o CDPC ser traduzido ou interpretado como um órgão para ingerir na cafeicultura? Não o sendo, então como se justificam suas arremetidas? Não havendo justificativas, então tudo que o executivo diz ou afirma a respeito da cafeicultura seriam apenas palpites e nada mais, devendo ser desconsiderados e desprezados.
Sonha o executivo em continuar a perpetuar esta condição descabida de ingerir a atividade produtiva cafeeira? Não acha que passou da hora e necessita cuidar com mais propriedade em produzir as necessárias eficiências ao segmento que defende, cujas unidades de torrefação estão sendo ameaçadas diariamente por grandes grupos internacionais, que os estão engolindo a passos largos e tirando-lhes a parca competitividade que possuíam?
Procure se concentrar em não reduzir seus custos, pois isto poderia comprometer a própria saúde dos consumidores, mas a ser competitivo num mundo globalizado, onde a indústria é o alvo preferido do mercado capitalista, necessitando se adaptar a modelos dinâmicos e atuais de gerenciamento.
Os cafeicultores de Arábica foram ofendidos pela destemperança do executivo,quando este manda os produtores “buscarem melhores resultados na lavoura, com aperfeiçoamento da gestão, redução de custos, aumento de produtividade, melhoria de qualidade, certificação e inserção de mercados de maior valor, além de outras iniciativas típicas da atividade produtiva que podem recuperar a renda da atividade”. Pergunto, com que atrevimento e com qual capacidade técnica ou prática o executivo se ingere nos assuntos da cafeicultura?
Quando finalmente o executivo diz “esta é a contribuição de uma entidade responsável e comprometida com os negócios do café”, acredito ter sido um lapso, mas concordo com o executivo, quando diz dos “negócios do café”, pois é o que lhe interessa, os negócios. Se pensasse no todo falaria agronegócio, que compreendesse: agro (atividade primária) e negócios (indústria e comércio). O executivo só pensa no negócio, no lucro.
Como diz Pierre Bourdieu: “vivemos uma época de desigualdades crescentes: mesmo durante o capitalismo selvagem havia limites, contra o capitalismo. Agora caminha para o capitalismo ilimitado, introduzem formas de gerenciamento inimagináveis. É a lógica do lucro sem limites. Isto é muito perigoso. Pode nos levar à barbárie”.
Nós sabemos que nossas lutas esbarram no poderio econômico e político das grandes empresas e multinacionais, que o executivo representa. Mas, sua manifestação descabida nos mostra que o caminho está correto.
“Temos que ser mais sóbrios perante a alternância entre luz e trevas radicada em nossa existência, menos enebriados com a própria fantasia de onipotência, e talvez então nos tornássemos mais tolerantes para com o outro e o diferente. É possível, que unicamente no comedimento possamos recuperar algum equilíbrio realista”.
O executivo, assim como eu, representamos nossos segmentos, e assim temos o direito de defendê-los, mas com dignidade e compostura. Bravatas e ofensas não levam a lugar algum. A diferença entre nossas lideranças, é que o executivo é assalariado e eu exerço minha função por amor à cafeicultura e ao Brasil.
Gostaria de lembrar que a única lei que alegra é a lei de Deus.
Ricardo Gonçalves Strenger
Presidente da Apac
ricardostrenger@yahoo.com.br
Londrina, 30 de setembro de 2009.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
INDÚSTRIAS FAZEM LOBBY CONTRA FERTILIZANTE IMPORTADO
29/09/2009 16:55
INDÚSTRIAS FAZEM LOBBY CONTRA FERTILIZANTE IMPORTADO
28/09/2009 - As indústrias de fertilizantes com operações no Brasil solicitaram ao Ministério do Desenvolvimento a reabertura do processo antidumping contra as importações de nitrato de amônio originárias da Rússia e da Ucrânia.
Em novembro de 2008, ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovaram a imposição de tarifas entre 2,4% e 36,3% sobre essa matéria-prima usada em fertilizantes, dependendo da companhia e do país de origem, mas a decisão foi imediatamente suspensa em nome do "interesse nacional", já que os preços dos fertilizantes haviam dobrado de preço em alguns casos, por conta da crise internacional.
Para evitar impactos adicionais sobre os custos de produção da safra agrícola, o governo optou por rever a medida após um ano da recomendação positiva do Departamento de Defesa Comercial do MDIC.
A Fosfertil, maior fornecedora local de matérias-primas para fertilizantes fosfatados e nitrogenados, confirmou consulta ao MDIC pedindo a reavaliação da imposição do direito antidumping, que impediria a importação a preços inferiores aos custos de produção nos países de origem.
Nos bastidores, fontes do governo informam que a Fosfertil já apresentou novos documentos para tentar provar o chamado "nexo causal" entre o dumping e os danos às indústrias locais. O governo avalia que um eventual direito antidumping provisório poderia ser adotado em até seis meses, já que o processo anterior garantiria instrução mais célere.
Parte do governo é contra a iniciativa da Fosfertil por entender que a medida elevaria os preços ao produtor e, por tabela, colocaria em risco as metas de inflação. "Os preços dos fertilizantes caíram e os custos de produção baixaram nesta safra. Não é hora de colocar pressão sobre os produtores porque, em 2010, podem haver reflexos macroeconômicos severos", afirma uma fonte.
Em 2008, o Brasil importou 585,6 mil toneladas ao custo de US$ 244,3 milhões da Rússia e da Ucrânia. Neste ano, até agosto, foram gastos US$ 43,2 milhões para adquirir 242,1 mil toneladas dos dois fornecedores.
Entenda o caso
O governo entende haver um monopólio no Brasil que deve ser combatido com redução tarifária. As empresas defendem a tarifa alegando a existência de um cartel internacional de produtores da matéria-prima, o que deixa o país vulnerável a elevações de preços.
O direito antidumping contra o nitrato começou a ser aplicado em novembro de 2002, a pedido da Fosfertil. À época, o governo aprovou tarifa de 32,1% para importações da Rússia e de 19% a produtos da Ucrânia. Em junho de 2005, em um processo de revisão de "meio-termo", a empresa russa Eurochem conseguiu isenção da sobretaxa.
Em novembro de 2007, quando venceria a tarifa original, a Fosfertil pediu a prorrogação do antidumping. Teria, assim, mais um ano até a decisão final do governo sobre o pedido. Mas, por forte pressão do Ministério da Agricultura, o governo decidiu reduzir o antidumping até novembro de 2008. As empresas da Rússia passaram a pagar, desde dezembro de 2007, tarifa de 13,3% e as ucranianas, 6,9%.
Essa nova revisão do direito antidumping deve ser mais restrita para o governo. Fontes do setor informam que será difícil emplacar a suposição de que haveria dano causado pelo dumping.
"É difícil provar que, se encerrasse o processo sem aplicação do direito, voltaria o dumping e causaria um dano a indústria brasileira", diz uma fonte. Agora, ao contrário do ano passado, os dados devem mostrar concretamente ter havido importação, mas restará ao governo analisar se houve prejuízo. As informações partem da Agência Safras.
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INDÚSTRIAS FAZEM LOBBY CONTRA FERTILIZANTE IMPORTADO
28/09/2009 - As indústrias de fertilizantes com operações no Brasil solicitaram ao Ministério do Desenvolvimento a reabertura do processo antidumping contra as importações de nitrato de amônio originárias da Rússia e da Ucrânia.
Em novembro de 2008, ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovaram a imposição de tarifas entre 2,4% e 36,3% sobre essa matéria-prima usada em fertilizantes, dependendo da companhia e do país de origem, mas a decisão foi imediatamente suspensa em nome do "interesse nacional", já que os preços dos fertilizantes haviam dobrado de preço em alguns casos, por conta da crise internacional.
Para evitar impactos adicionais sobre os custos de produção da safra agrícola, o governo optou por rever a medida após um ano da recomendação positiva do Departamento de Defesa Comercial do MDIC.
A Fosfertil, maior fornecedora local de matérias-primas para fertilizantes fosfatados e nitrogenados, confirmou consulta ao MDIC pedindo a reavaliação da imposição do direito antidumping, que impediria a importação a preços inferiores aos custos de produção nos países de origem.
Nos bastidores, fontes do governo informam que a Fosfertil já apresentou novos documentos para tentar provar o chamado "nexo causal" entre o dumping e os danos às indústrias locais. O governo avalia que um eventual direito antidumping provisório poderia ser adotado em até seis meses, já que o processo anterior garantiria instrução mais célere.
Parte do governo é contra a iniciativa da Fosfertil por entender que a medida elevaria os preços ao produtor e, por tabela, colocaria em risco as metas de inflação. "Os preços dos fertilizantes caíram e os custos de produção baixaram nesta safra. Não é hora de colocar pressão sobre os produtores porque, em 2010, podem haver reflexos macroeconômicos severos", afirma uma fonte.
Em 2008, o Brasil importou 585,6 mil toneladas ao custo de US$ 244,3 milhões da Rússia e da Ucrânia. Neste ano, até agosto, foram gastos US$ 43,2 milhões para adquirir 242,1 mil toneladas dos dois fornecedores.
Entenda o caso
O governo entende haver um monopólio no Brasil que deve ser combatido com redução tarifária. As empresas defendem a tarifa alegando a existência de um cartel internacional de produtores da matéria-prima, o que deixa o país vulnerável a elevações de preços.
O direito antidumping contra o nitrato começou a ser aplicado em novembro de 2002, a pedido da Fosfertil. À época, o governo aprovou tarifa de 32,1% para importações da Rússia e de 19% a produtos da Ucrânia. Em junho de 2005, em um processo de revisão de "meio-termo", a empresa russa Eurochem conseguiu isenção da sobretaxa.
Em novembro de 2007, quando venceria a tarifa original, a Fosfertil pediu a prorrogação do antidumping. Teria, assim, mais um ano até a decisão final do governo sobre o pedido. Mas, por forte pressão do Ministério da Agricultura, o governo decidiu reduzir o antidumping até novembro de 2008. As empresas da Rússia passaram a pagar, desde dezembro de 2007, tarifa de 13,3% e as ucranianas, 6,9%.
Essa nova revisão do direito antidumping deve ser mais restrita para o governo. Fontes do setor informam que será difícil emplacar a suposição de que haveria dano causado pelo dumping.
"É difícil provar que, se encerrasse o processo sem aplicação do direito, voltaria o dumping e causaria um dano a indústria brasileira", diz uma fonte. Agora, ao contrário do ano passado, os dados devem mostrar concretamente ter havido importação, mas restará ao governo analisar se houve prejuízo. As informações partem da Agência Safras.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
"Café=Frango uma escravatura branca"
Café=Frango uma escravatura branca
A produção avícola no Brasil tem se dado no sistema integrado de produção onde o produtor recebe do frigorífico abatedouro os pintinhos, os insumos, os transporte e ele o produtor fica encarregado de produzir o frango. Na época do abate o frigorífico manda buscar na propriedade o produto terminado, o frango, e paga por ele um preço pré determinado entre as partes ,valor esse que remunera o produtor de seus serviços prestado, um mero prestador de serviços.
A nossa cafeicultura esta partindo para o mesmo caminho, com a diferença que a produção nossa é anual, ou melhor, bienal e a de frango através de rodízio de galpões o produtor consegue um faturamento mensal.
O mercado fica trabalhando dentro de uma variação de bolsa, digo bolsa de Nova Iorque a Ice (Berg), dentro dessa variação, chamada de suporte e resistência, é que dão o tom do mercado físico de café domestico. Trabalham fazendo hegde que seria o seguro dos grandes investidores ou trades,o que significa que quando compra no mercado físico nosso café vendem na bolsa, e quando compram bolsa vendem no físico,nunca perdem sempre tem como fazer o hedge. Uma tradução simples de hedge seria cerca.
Em finanças, chama-se cobertura (hedge (em inglês) ao instrumento que visa proteger operações financeiras contra o risco de grandes variações de preço de determinado ativo.Quando o produtor vende uma CPR visando se assegurar de um preço atual que possivelmente não terá no futuro ele esta fazendo seu hedge.
Essa variação de mercado que esta estacionada nos últimos 3 meses, entre os piores dias de baixa que foi dia 13/07/09 no valor de 116.45 cents de dólar por libra peso formando um suporte nesse nível e a máxima de 146.45 também cents de dólar por libra peso que foi no dia 02/06/2009 formando uma resistência .Ficamos dentro desse intervalo onde as grandes companhias traders e industria trabalham, abrem as compras quando cai e diminuem quando sobem nos mantendo dentro desse intervalo.Grandes companhias de fertilizantes e insumos também trabalham neste sentido, nos mantendo dentro dos intervalos que os melhor remuneram, deixando nos produtores a ver navios.Estamos recebendo pelo nosso café aquilo que eles acham que é o suficiente para nos manter vivos .Com as melhores informações possíveis sabem quando viremos comprar insumo ou quando vamos pagar nossa contas no banco não nos deixando receber um preço justo pela nossa mercadoria,simplesmente o que acham que nos remunera.Enquanto uma saca de café torrado, transformado em café expresso ,por exemplo, custa pro consumidor R$11.250,00 a saca de 60 kg ou seja R$2,50 a chicrinha de café nos recebemos uma miséria migalha desse valor.
Isso é um jogo de cartas marcadas onde a grande brincadeira ,diga-se de passagem de mal gosto, é a de lesar o bolso e o património do produtor.
Temos que ter força para se opor a esse sistema carrasco que estão nos impondo a força guela a baixo.
Esse fair trader que tanto falam é só pra inglês ver.
A diferença entre o produtor de frango, e de café ,seria que nós não temos o fluxo de caixa mensal e nem um faturamento combinado, estamos jogados em um mercado de canibais,que nos pagam só o suficiente para não acabarmos de morrer.
“Café=Frango uma escravatura branca”.
Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
MANHUAÇU MG 28/09/09
A produção avícola no Brasil tem se dado no sistema integrado de produção onde o produtor recebe do frigorífico abatedouro os pintinhos, os insumos, os transporte e ele o produtor fica encarregado de produzir o frango. Na época do abate o frigorífico manda buscar na propriedade o produto terminado, o frango, e paga por ele um preço pré determinado entre as partes ,valor esse que remunera o produtor de seus serviços prestado, um mero prestador de serviços.
A nossa cafeicultura esta partindo para o mesmo caminho, com a diferença que a produção nossa é anual, ou melhor, bienal e a de frango através de rodízio de galpões o produtor consegue um faturamento mensal.
O mercado fica trabalhando dentro de uma variação de bolsa, digo bolsa de Nova Iorque a Ice (Berg), dentro dessa variação, chamada de suporte e resistência, é que dão o tom do mercado físico de café domestico. Trabalham fazendo hegde que seria o seguro dos grandes investidores ou trades,o que significa que quando compra no mercado físico nosso café vendem na bolsa, e quando compram bolsa vendem no físico,nunca perdem sempre tem como fazer o hedge. Uma tradução simples de hedge seria cerca.
Em finanças, chama-se cobertura (hedge (em inglês) ao instrumento que visa proteger operações financeiras contra o risco de grandes variações de preço de determinado ativo.Quando o produtor vende uma CPR visando se assegurar de um preço atual que possivelmente não terá no futuro ele esta fazendo seu hedge.
Essa variação de mercado que esta estacionada nos últimos 3 meses, entre os piores dias de baixa que foi dia 13/07/09 no valor de 116.45 cents de dólar por libra peso formando um suporte nesse nível e a máxima de 146.45 também cents de dólar por libra peso que foi no dia 02/06/2009 formando uma resistência .Ficamos dentro desse intervalo onde as grandes companhias traders e industria trabalham, abrem as compras quando cai e diminuem quando sobem nos mantendo dentro desse intervalo.Grandes companhias de fertilizantes e insumos também trabalham neste sentido, nos mantendo dentro dos intervalos que os melhor remuneram, deixando nos produtores a ver navios.Estamos recebendo pelo nosso café aquilo que eles acham que é o suficiente para nos manter vivos .Com as melhores informações possíveis sabem quando viremos comprar insumo ou quando vamos pagar nossa contas no banco não nos deixando receber um preço justo pela nossa mercadoria,simplesmente o que acham que nos remunera.Enquanto uma saca de café torrado, transformado em café expresso ,por exemplo, custa pro consumidor R$11.250,00 a saca de 60 kg ou seja R$2,50 a chicrinha de café nos recebemos uma miséria migalha desse valor.
Isso é um jogo de cartas marcadas onde a grande brincadeira ,diga-se de passagem de mal gosto, é a de lesar o bolso e o património do produtor.
Temos que ter força para se opor a esse sistema carrasco que estão nos impondo a força guela a baixo.
Esse fair trader que tanto falam é só pra inglês ver.
A diferença entre o produtor de frango, e de café ,seria que nós não temos o fluxo de caixa mensal e nem um faturamento combinado, estamos jogados em um mercado de canibais,que nos pagam só o suficiente para não acabarmos de morrer.
“Café=Frango uma escravatura branca”.
Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
MANHUAÇU MG 28/09/09
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