Páginas

quarta-feira, 9 de abril de 2014

ESTIAGEM NO BRASIL MANTERÁ PREÇO FUTURO DO CAFÉ ELEVADO, DIZ BANCO

Preocupações com os prejuízos causados pela estiagem no Brasil devem manter os preços internacionais do café arábica elevados até o ano que vem, afirmou nesta segunda-feira Christian Praun, trader de commodities do Espírito Santo Bank, na 2ª Conferência de Agronegócios, em São Paulo. De acordo com ele, os cafeicultores brasileiros aproveitaram a recente valorização da commodity na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) para negociar os grãos estocados de safras passadas. 'O Brasil fixou muito nas últimas duas a três semanas, mas agora a origem já não está mais tão presente', comentou Praun.

O trader do banco observou que os preços do café fino no mercado doméstico saltaram de R$ 280 a saca no fim de 2013 para cerca de R$ 500 a saca no início deste ano, mas devem ficar na casa de R$ 400 a saca dentro de um ano e meio a dois anos. Para os futuros na ICE, ele projeta um recuo para área de 160 centavos de dólar por libra-peso. Hoje o primeiro vencimento na ICE fechou a 193,35 centavos de dólar por libra-peso.

Na opinião de Praun, as atuais cotações em Nova York refletem uma safra de cerca de 50 milhões de sacas no Brasil. 'Tivemos problemas com a seca, principalmente no sul de Minas, e os fundos agora tentam atrair mais players (torrefadoras) para maximizar esses ganhos', afirmou o trader.
Volatilidade do café prejudica financiamento a exportador
Gustavo Bonato - Reuters / Exame.com

Segundo Terra Forte, volatilidade tem imposto dificuldades para empresas obterem financiamento no volume necessário para realizarem as compras antecipadas

São Paulo - A volatilidade dos preços de café em função das perdas na safra brasileira tem imposto dificuldades para as empresas exportadoras obterem financiamento bancário no volume necessário para realizarem as compras antecipadas que necessitam, disse nesta segunda-feira um importante executivo do setor.

"Os poucos negócios que você tem, que você é obrigado a hedgear, você precisa de recursos que são muito maiores. Nem é possível que os bancos consigam acompanhar a evolução do crédito na mesma velocidade", disse Joaquim Libanio Ferreira Leite, diretor de exportação da Terra Forte Cafés, uma das maiores exportadoras brasileiras do produto.

Ele lembrou que até dezembro havia um cenário tranquilo quanto à safra de 2014, mas o tempo quente e seco em importantes regiões produtoras da variedade arábica no início do ano danificou muitas lavouras e fez os preços dispararem.

Uma saca de 60 kg que poderia ser negociada a 320 reais para entrega em setembro, agora pode custar até 500 reais, diz Libanio.

Os contratos futuros na bolsa de Nova York já acumulam alta de cerca de 70 por cento desde o início do ano.

"Numa situação de incerteza, como a de hoje, uma das maneiras de se hedgear (travar preços) é comprar o físico, para depois vender. É o hedge mais básico: compra primeiro para vender depois", disse, referindo-se ao modelo de negociação que encontra escassez de recursos para ser financiado. "Você sabe que café tem na mão." Ele preferiu não estimar os volumes de recursos que faltam ao setor, nem o nível de alavancagem das empresas com este tipo de negócio.

Beber Chá

A Terra Forte estimou a safra brasileira de café 2014/15 em 48 milhões de sacas.

"Os danos são irreparáveis. Nunca tivemos uma situação como essa. Em cada região você tem cenários diferentes", afirmou o exportador.

A preocupação está não apenas no volume, mas principalmente na qualidade dos grãos.

"Vai ter um impacto muito grande na indústria. Ela é preparada para um certo tamanho e ela não consegue lidar com tamanhos diferentes, especialmente quando você tem grãos mal formados, mal granados", afirmou.

As consequências da seca do início de 2014 também poderão ser sentidas na safra do ano que vem, lembrou o especialista, uma vez que o clima também afetou a formação dos brotos e flores que vão virar grãos na safra 2015/16.

"Se não chover (no outuno/inverno), vai emendar mais um período de seca... e aí não sabemos o que vai ser. Vai ser um drama", disse ele a jornalistas, no intervalo de um evento em São Paulo. "Podem começar a beber chá."

Marex revisa oferta global de café para déficit de 7,1 mi de sacas

São Paulo, 08 - A corretora britânica Marex  Spectron divulgou relatório de abril sobre o mercado de café no qual estima déficit global do grão de 7,1 milhões de sacas de 60 quilos na safra 2014/15, em comparação ao superávit de 3,6 milhões de sacas em 2013/14 e excedente de 6,05 milhões de sacas em 2012/13. No relatório anterior, de janeiro, a Marex previa superávit de 1,9 milhão de sacas em 2014/15.

A corretora informa que uma inédita seca nas áreas produtoras do Brasil, entre meados de janeiro e início de fevereiro, mudou completamente as projeções para o mercado do grão. "A seca levou o balanço global 2014/15 a um déficit de 7,1 milhões de sacas. Mas isso será antecedido de um superávit acumulado de 9,65 milhões de sacas ao longo de 2012/13 e 2013/14", observa a Marex.

A safra brasileira em 2014/15, cuja colheita se inicia entre maio e junho, está estimada pela Marex em 49 milhões de sacas, em comparação com 55 milhões de sacas na previsão de janeiro passado. A mais recente estimativa oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada antes da estiagem, projeta a safra brasileira 2014/15 entre 46,53 milhões e 50,15 milhões de sacas, com média de 48,3 milhões de sacas, em comparação aos 49,15 milhões de sacas no período anterior.

Conforme o relatório da Marex, "não há nenhum problema com a disponibilidade física de café no ano civil de 2014, mas existem significativos riscos que ameaçam 2015/16". Além do problema no Brasil, o futuro é incerto por causa da ameaça de desenvolvimento do fenômeno climático El Niño, que pode prejudicar plantações, e pela doença roya nos cafezais da América Central. "É muito cedo para tentar prever o balanço 2015/16, mas já há razões para temer um outro déficit significativo em 2015/16, o que levaria a preços substancialmente mais altos", avalia a corretora.

Modelos climáticos estão começando a mostrar o aumento da temperatura do Oceano Pacífico, indicando um provável retorno do El Niño, pela primeira vez desde 2009. "A semelhança com o forte El Niño de 1997, na mesma época do ano, é impressionante, mas ainda é muito cedo para prever o impacto que isso pode ter sobre a produção em 2014/15", diz a Marex.

EXPORTAÇÕES TOTAIS DO BRASIL EM 2014 TEM AUMENTO DE 13,9% - CECAFÉ
Somando os três primeiros meses de 2014, janeiro a março,
os embarques brasileiros totais de café chegam a 8,349 milhões de sacas, com
aumento de 13,9% no comparativo com o mesmo intervalo de 2013 (7,329 milhões de
sacas. A receita chega a US$ 1,219 bilhão no acumulado dos três primeiros
meses de 2014, queda de 13,7% contra o mesmo período de 2013 (US$ 1,413
bilhão). As informações partem do balanço mensal do Conselho dos
Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Temporada 2013/14
    As exportações totais brasileiras de café (verde e industrializado) no
acumulado dos nove primeiros meses da temporada 2013/14, de julho de 2013 a
março de 2014, chegam a 24,823 milhões de sacas de 60 quilos, tendo aumento de
7,9% no comparativo com igual período da temporada 2012/13, quando os
embarques foram de 23,013 milhões de sacas.
    A receita com estas exportações de julho a março foi de US$ 3,663
bilhões, com diminuição de 21,4% no comparativo com igual período da
temporada 2012/13 (US$ 4,659 bilhões).
    Veja o quadro com o desempenho das exportações no acumulado do ano e da
temporada:
--------------------------------------------------------------------------
Acumulado ANO-SAFRA (Jul/Jun)
sacas (60 Kg) - US$ mil
--------------------------------------------------------------------------
           Volume          Total       Torrado e                Total
   Robusta    Arábica      Verde        Moído     Solúvel*** Industrializ.
--------------------------------------------------------------------------
Jul 12 - Mar 13
  817.432   19.513.585   20.331.017     24.085   2.658.225     2.682.310
--------------------------------------------------------------------------
Jul 13 - Mar 14*
1.143.165   21.103.383   22.246.548     21.064   2.556.379     2.577.443
--------------------------------------------------------------------------
Variação sacas
  325.733    1.589.798    1.915.531     -3.021    -101.846      -104.867
--------------------------------------------------------------------------
VAR% 40%        8,1%          9,4%      -12,5%      -3,8%         -3,9%
--------------------------------------------------------------------------
     Exportações Totais         Receita      Preço Médio   
     de Café (sacas de 60 kg)   US$ Mil      (US$ Saca)
--------------------------------------------------------------------------
Jul 12 - Mar 13**
       23.013.327              4.659.849      202,48
--------------------------------------------------------------------------
Jul 13 - Mar 14**
       24.823.991              3.663.950      147,60
--------------------------------------------------------------------------
Variação sacas
        1.810.664               -995.899     (54,89)
--------------------------------------------------------------------------
VAR %     7,9%                   -21,4%      -27,1%
--------------------------------------------------------------------------
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Acumulado ANO-CIVIL 2014 (Janeiro a Março)
sacas (60 Kg) - US$ mil
--------------------------------------------------------------------------
           Volume          Total       Torrado e                Total
   Robusta    Arábica      Verde        Moído     Solúvel*** Industrializ.
--------------------------------------------------------------------------
jan-mar 13
   136.352   6.386.610   6.522.962       5.491     800.674      806.165
--------------------------------------------------------------------------
jan-mar 14 (*)
   400.402   7.172.862   7.573.264       4.366     772.036      776.402
--------------------------------------------------------------------------
Var. sacas 2014/2013
   264.050     786.252   1.050.302      -1.125     -28.638      -29.763
--------------------------------------------------------------------------
Var. % 2014/2013
     194%       12,3%       16,1%       -20,5%       -3,6%       -3,7%
--------------------------------------------------------------------------
     Exportações Totais         Receita      Preço Médio   
     de Café (sacas de 60 kg)   US$ Mil      (US$ Saca)
--------------------------------------------------------------------------
jan-mar 13
       7.329.127               1.413.163        192,81
--------------------------------------------------------------------------
jan-mar 14 (*)
       8.349.666               1.219.791        146,09
--------------------------------------------------------------------------
Var. sacas 2014/2013
       1.020.539                -193.373       (46,73)
--------------------------------------------------------------------------
Var. % 2014/2013
          13,9%                  -13,7%         -24,2%
--------------------------------------------------------------------------
* Preliminar
Fonte: arábica, robusta e torrado/moído - CECAFÉ / solúvel - ABICS
--------------------------------------------------------------------------

terça-feira, 8 de abril de 2014

Temor sobre disponibilidade se mantém e café tem nova alta na ICE

Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta segunda-feira com fortes ganhos, em mais uma sessão caracterizada por compras bastante efetivas por parte de especuladores e fundos. Novas resistências foram vencidas, com vários stops de compras sendo lançados ao longo do pregão. Mais uma vez, a questão climática dominou as conversas entre os players, principalmente após os levantamentos recentes efetuados por entidades e profissionais em zonas produtoras do Brasil. Tais análises apontaram para uma quebra substancial da safra do país na temporada atual, o que, efetivamente, vai comprometer a oferta global do grão. Um nome bastante respeitado no segmento de commodities, a especialista Judith Ganes-Chase, presidente da J.Ganes Consulting, LCC, apresentou um relatório sobre a atual situação do mercado cafeeiro. Segundo ela, o cenário é "altamente altista", sendo que se pode buscar uma resistência em 325,00 centavos e um suporte em 250,00 centavos para a posição julho. Ela ampara essa avaliação em notícias vindas do Brasil, que teria uma quebra pronunciada de safra. Ela ressaltou que as chuvas recentes, que até estimularam uma correção nos terminais, não serão suficientes para fazer com que os problemas acumulados desapareçam e, portanto, a baixa na produção já está consolidada. Além disso, ela lembrou que a renda do café deverá ser baixa, havendo necessidade de mais grãos para a composição de uma saca. Outro ponto destacado é que o amadurecimento dos frutos tem sido precoce, o que também pode prejudicar a renda.


No encerramento do dia em Nova Iorque, a posição maio teve alta de 835 pontos, com 193,35 centavos de dólar por libra peso, com a máxima em 196,80 centavos e a mínima de 185,55 centavos, com o julho registrando valorização de 845 pontos, com 195,55 centavos por libra, com a máxima em198,95 centavos e a mínima em 187,65 centavos. Na Euronext/Liffe, o maio teve alta de 39 dólares, com 2.124 dólares por tonelada, com o julho apresentando valorização de 40 dólares, para 2.112 dólares por tonelada.

De acordo com analistas internacionais, a sessão foi iniciada com preços ligeiramente em alta. No entanto, rapidamente os compradores tomaram as rédeas dos negócios e ganhos progressivos passaram a ser verificados, com o maio chegando a flutuar no nível de 196,00 centavos. Nas máximas, porém, algumas realizações foram identificadas, sem, contudo, afetar o bom desempenho dos preços. No segmento externo, o dia foi de quedas para as bolsas de valores nos Estados Unidos e para o dólar em relação a uma cesta de moedas internacionais. Nas commodities, retração para o petróleo, ao passo que nos softs o destaque positivo foi o café, com o algodão, açúcar e cacau experimentando baixas.

"Voltamos a ter o viés climático como chave para a dinâmica dos preços nos terminais. Aquela preocupação tão evidente ao longo do começo do ano voltou a ganhar força, afinal, os temores de que a quebra da safra brasileira seria consideravelmente alta parecem se confirmar, ao menos em algumas regiões. Ainda assim, fica difícil dimensionar qual será o impacto dessa produção sobre a oferta global e também sobre os estoques. Players mais conservadores, porém, preferem efetuar algumas aquisições protetivas, o que tem reflexo nos terminais", disse um trader.

"Quem está com a pele no jogo tem se queimado em tentar adivinhar o curso das cotações no intraday/curto-prazo. O mercado físico não tem sido um bom termômetro já que está bem devagar, ainda que para o robusta tenha sido negociado volume para a indústria. Do ponto de vista da indústria, a estratégia neste momento é menos complicada. Digo isto, pois o benefício de ficar comprado nos atuais patamares, ou estender cobertura (se possível), é maior do que o risco de não fazer nada. Assumindo que os problemas na produção não ultrapassem as perdas de 5 milhões de sacas que muitos dizem, o mercado pode cair 20 ou 30 centavos. Por outro lado, caso as perdas sejam maiores e a situação alarmante para a safra 2015/2016 se concretize, a alta pode de fato ser de 1 dólar ou mais. Para os produtores, vender café com lucro depois de vermos preços caírem tanto até o começo de ano foi a decisão acertada e não deve mudar. Entretanto, neste momento mesmo que queiram comercializar mais de suas safras futuras a maioria não consegue dados os limites que exportadores, dealers e bancos impõem diante de incertezas sobre a quebra de produção", indicou Rodrigo Corrêa da Costa, da Archer Consulting.

O Brasil terá a menor safra de café dos últimos cinco anos, devido ao efeito da estiagem e do clima quente registrado no início do ano. Essa é a avaliação apresentada pelo CNC (Conselho Nacional do Café), entidade que congrega o setor produtor do país. Segundo o levantamento, a colheita de café do Brasil em 2014/2015 cairá para um intervalo entre 40,1 e 43,3 milhões de sacas, contra 49,15 milhões de sacas da temporada passada. A se confirmaremos números do estudo encomendado pelo CNC à Fundação Procafé, o maior produtor e exportador global de café teria a menor safra desde 2009, quando o país produziu 39,47 milhões de sacas. De acordo com o Conselho, os pesquisadores da Fundação Procafé explicaram que o efeito da seca e das altas temperaturas foram mais acentuados nos cafezais com menor nível tecnológico, nos quais o produtor utilizou poucos insumos, principalmente os fertilizantes, devido aos preços aviltados do mercado antes desse movimento climático.

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 2.715 sacas, indo para 2.588.512 sacas.

Tecnicamente, o maio na ICE Futures US tem resistência 196,80, 197,00, 197,50, 198,00, 198,50, 199,00, 199,50, 199,90-200,00, 200,50,201,00, 201,50, 202,00, 202,50, 203,00, 203,50 e 204,00 centavos de dólar, como suporte em 185,55-185,50, 185,00, 184,50, 184,00, 183,50, 183,00, 182,50,182,00, 181,50, 181,00, 180,50, 180,10-180,00, 179,50, 179,30 e 179,00 centavos.




Londres volta a se beneficiar das arbitragens e tem dia de alta

Os contratos futuros de café robusta negociados na Euronext/Liffe encerraram esta segunda-feira com bons ganhos, que permitiram fazer com que a posição maio voltasse a flutuar acima do nível psicológico de 2.100 dólares. Assim como ocorreu ao longo do período recente de fortes ganhos, Londres se favoreceu das arbitragens contra os arábicas em Nova Iorque e registrou avanços significativos.


De acordo com analistas internacionais, a sessão foi marcada por boas compras especulativas. A abertura já se deu próximo do patamar de 2.100 dólares, nível que rapidamente foi rompido, abrindo espaço para o acionamento de novas ordens de compra. A máxima do pregão atingiu a marca de 2.139 dólares.

"Tivemos uma sessão favorável, com os compradores se mantendo à frente das ações ao longo de praticamente todo o dia. As preocupações com o clima voltaram a ganhar corpo. Os arábicas subiram fortemente na sexta-feira e voltaram a repetir a carga na sessão de hoje. A evolução dos robustas não tem sido tão intensa, mas é suficiente para que voltemos a manter um padrão de preços bastante interessante", disse um trader.

O maio teve uma movimentação ao longo do dia de 7,88 mil contratos, contra 7,07 mil do julho. O spread entre as posições maio e julho ficou em 12 dólares.

No encerramento do dia, o maio teve alta de 39 dólares, com 2.124 dólares por tonelada, com o julho apresentando valorização de 40 dólares, para 2.112 dólares por tonelada.




Mercado interno totalmente travado nesta segunda feira

O mercado interno ficou paralisado nesta segunda feira, com os compradores oferecendo cerca de R$ 10,00 a menos dos pedidos pelos vendedores. Segundo diretor de comercialização de uma cooperativa do sul de Minas, as ofertas para duro estavam em R$ 440,00, mas o pedido era de R$ 450,00 passa safra 12/13 e R$ 460,00 para 13/14. " Os compradores não querem repassar o aumento em NY que foi de 2.000 pontos, nas últimas três sessões".

Outro fator para a retração vendedora é a perspectiva de maiores alta na bolsa devido ao estrago feito pela estiagem nas lavouras brasileira na safra deste ano e do próximo. E a hora que o mercado perceber o tamanho da perdas, eles vão ficar surpreso", acrescentou.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Café interrompe série negativa na ICE e se aproxima dos 175 cents

Data: 03/04/2014
Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quinta-feira com ganhos, interrompendo, assim, a semana baixista. O dia foi caracterizado por uma tranquilidade bem maior que a verificada recentemente na casa de comercialização norte-americana. Ao longo da maior parte do pregão, os preços flutuaram dentro de um range estreito, sendo que apenas na parte final do dia os compradores ganharam maior fôlego e permitiram fazer com que o maio se reaproximasse do referencial psicológico de175,00 centavos. A sessão foi, mais uma vez, marcado pelo viés técnico. Os baixistas chegaram a tentar fazer com que a posição de maior liquidez testasse patamares inferiores a 170,00 centavos, mas, ao contrário do observado ao longo da quarta-feira, não demonstram consistência para executar essa operação. O mercado, mantendo o quadro que tem sido verificado ao longo das últimas semanas, continua discutindo fortemente a questão da disponibilidade global do café. Muitos players se mostram preocupados com um déficit mais efetivos, o que poderia fazer com que os estoques globais diminuíssem consideravelmente. A empresa Comexim indicou que estima que os estoques de passagem do Brasil, no início de julho, deverão atingir a marca de 11,5 milhões de sacas, refletindo a quebra causada pelos problemas climáticos recentes. Para efetuar esse cálculo, a exportadora avaliou que no primeiro dia deste ano exercício existiam disponíveis 38,07 milhões de sacas, com o primeiro trimestre tendo uma exportação de 7,5 milhões de verde, além da produção de 800 mil sacas de solúvel e consumo interno de 5 milhões de sacas, o que reduziria o número para 24,77 milhões de sacas. Com base na média, obteve-se o número dos estoques de passagem.

No encerramento do dia em Nova Iorque, a posição maio teve alta de 190 pontos, com 174,60 centavos de dólar por libra peso, com a máxima em 175,00 centavos e a mínima de 170,85 centavos, com o julho registrando valorização de 190 pontos, com 176,70 centavos por libra, com a máxima em 177,00 centavos e a mínima em 173,00 centavos. Na Euronext/Liffe, o maio teve queda de 4 dólares, com 2.016 dólares por tonelada, com o julho apresentando valorização de 1 dólar, para 2.014 dólares por tonelada.

De acordo com analistas internacionais, o dia foi caracterizado por uma volatilidade bem menos intensa, o que permitiu fazer com que os terminais trabalhassem com poucas oscilações ao longo de praticamente toda a primeira metade do dia. Na segunda metade, algumas compras mais efetivas foram registradas, mas com o maio não conseguindo romper o nível psicológico de175,00 centavos, ainda que o fechamento das operações tenha se dado próximo da máxima. No segmento externo, o dia foi de ligeiras quedas para as bolsas de valores nos Estados Unidos e alta do dólar em relação a uma cesta de moedas internacionais. As commodities softs tiveram alta para a maior parte das matérias-primas, com o destaque positivo sendo o açúcar.

"A tendência é que consigamos manter os atuais patamares. O mercado parece ter conseguido achar um teto próximo dos 200,00 centavos, ao passo que o piso parece ficar próximo dos 170,00 centavos, ao menos no curto prazo. O mercado ficou atento a um levantamento efetuado por órgãos especializados em agronomia do Brasil na cidade de Três Pontas, considerada uma das maiores produtoras do país. Naquela região, segundo os técnicos, a perda pode chegar a 45% neste ano, confirmando, assim, os fortes efeitos da seca e do calor intenso, registrados nas primeiras semanas do ano, sobre as lavouras", disse um trader.

A produção de café da Colômbia cresceu 34% em março impulsionada pelo programa de renovação de lavouras do país, pelo aumento da produtividade e também pelas boas condições climáticas, informou a Federacafe(Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia). No mês passado, o país sul-americano produziu 828 mil sacas, contra 617 mil sacas de março de 2013.Enquanto isso, as exportações de café da Colômbia cresceram 37% em março, para 928 mil sacas, em contraste com as 677 mil sacas do mesmo mês do ano passado. A Colômbia, famosa por seus cafés suaves lavados, registrou em 2013 uma safra de10,9 milhões de sacas, um crescimento de 41% em relação a 2012.

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 3.630 sacas, indo para 2.589.269 sacas.

Tecnicamente, o maio na ICE Futures US tem resistência 175,00, 175,50, 176,00, 176,50, 177,00, 177,50, 178,00, 178,30, 178,50, 178,95,179,00, 179,50, 180,00 e 180,50 centavos de dólar, com o suporte em 170,85,170,50, 170,10-170,00, 169,50, 169,00, 168,50, 168,00-167,90, 167,50, 167,00,166,50, 166,00, 165,50, 165,10-165,00 e 164,50 centavos.




Londres tem dia de poucas variações e preços próximos da estabilidade

Os contratos futuros de café robusta negociados na Euronext/Liffe encerraram esta quinta-feira com poucas oscilações, em uma sessão relativamente tranquila, bem diferente do cenário de volatilidade intensa registrado ao longo dos últimos pregões. A posição maio variou nesta quinta dentro de um range curto, de menos de 20 dólares, preservando o suporte de 2.000 dólares.

De acordo com analistas internacionais, o dia foi marcado por uma abertura num patamar muito próximo do fechamento da quarta-feira. Os vendedores e compradores se alternaram, mas as ordens foram apenas modestas e o maio, no lado positivo, não conseguiu ir além de nível de 2.028 dólares, ao passo que a mínima do pregão ficou em 2.009 dólares.

"Tivemos uma sessão técnica, claramente com viés consolidativo. As oscilações foram muito curtas e conseguimos manter os padrões intactos. Esse comportamento tão diverso daquele verificado recentemente seguiu, em parte, o comportamento de Nova Iorque, que também teve uma sessão calma para os arábicas. O desafio em Londres continua sendo preservar o patamar de 2.000 dólares. Por enquanto isso tem sido conseguido, já que a especulação sobre a disponibilidade global continua a existir", disse um trader.

O maio teve uma movimentação ao longo do dia de 7,31 mil contratos, contra 4,23 mil do julho. O spread entre as posições maio e julho ficou em 2 dólares.

No encerramento do dia, o maio teve queda de 4 dólares, com 2.016 dólares por tonelada, com o julho apresentando valorização de 1 dólar, para 2.014 dólares por tonelada.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

ICE Coffee Holds Support, Short-Term Range -- Technical Analysis
Kira Brecht

  ICE May coffee approached spike low support from March 24 in early action Wednesday, but buying
emerged near the intraday lows and support is holding for now. In the very short term, ICE May
coffee remains range-bound between resistance at $1.8105 and support at $1.6600.
ICE May coffee recently traded down 150 points to $1.7375 a pound.
  The coffee market remains in a corrective phase following the sharp price runup throughout
February and into mid March. From the Jan. 28 low at $1.1555, ICE May coffee soared to a high at
$2.0975 on March 12. From there, a swift corrective pullback ensued, which stalled at the March 24
spike low at $1.6600, which is now the bottom of a short-term range trade.
  The shorter-term moving average outlook has weakened in recent days. The May contract is now
trading under its 20-day moving average at $1.8680, which is a bearish position. The market is
testing the 40-day moving average at $1.7499 on Wednesday. Sustained declines under the 40-day
moving average would be a weak signal to the trend following crowd.
  For now the market remains in a corrective phase to the February-March rally and coffee is
vulnerable to additional declines. Traders should watch the $1.8105-$1.6600 range closely. A
sustained downside breakout under support would signal a continuation of the recent corrective
pullback. Next downside supports and targets lie around $1.6290 and then $1.5175, which represent
50% and 61.8% Fibonacci retracements of the late January-mid March rally move.
  On the flip side, if the bulls manage to sustain gains back above $1.8105 that would be a positive
short-term signal and would suggest the market has found a demand area.
  The market chalked up a major market move in the first quarter and it wouldn't be a surprise to
see a period of consolidation or "backing and filling" as the market adjusts to its new higher price
levels.

Chinesas Cofco e Hopu anunciam joint venture e compram 51% da Noble

A chinesa Cofco, gigante estatal de grãos, e a firma de private equity Hopu Investment Management anunciaram nesta quarta-feira (2/4) a formação de uma joint venture com a divisão de agronegócios da Noble Group, cuja sede fica em Hong Kong. Pelo acordo, a Cofco terá dois terços do consórcio com a Hopu e ambas comprarão 51% do segmento de agronegócios da Noble por US$ 1,5 bilhão, um negócio que tende a tornar os preços de grãos mais transparentes para a estatal chinesa.

"A cadeia de suprimentos agrícolas da Noble e capacidades de originação complementam a rede de logística, processamento e distribuição da Cofco na China", disse o presidente da Cofco, Frank Ning, em comunicado. Ele assumirá a presidência da joint venture, enquanto Richard Elman, fundador e presidente da Noble Group, ficará com a vice-presidência, informaram as companhias.

O JP Morgan foi o único assessor financeiro da Noble. Já o Morgan Stanley e a Hopu aconselharam o consórcio.

As especulações sobre uma joint venture foram confirmadas no início de março. Na ocasião, a Noble informou que estava negociando sua divisão de agronegócios, que quase teve o capital aberto em 2011, em operação avaliada em US$ 700 milhões, antes de ser prejudicada pela queda dos preços das commodities, especialmente os do açúcar. A Noble já tem 15% de participação do fundo soberano China Investment e opera com os mais variados produtos, de oleaginosas a algodão, distribuindo-os na Ásia e no Oriente Médio.

Esse é o segundo negócio bilionário feito este ano pela Cofco, que quer expandir sua presença no mercado agrícola mundial. No fim de fevereiro, a empresa adquiriu 51% da trading de grãos Nidera, ampliando sua presença em importantes áreas produtoras, como América Latina e Rússia. O negócio, segundo pessoas próximas, movimentou US$ 4 bilhões.

Pouco conhecida fora da China, a Cofco, fundada em 1949, é a principal importadora chinesa de milho dos Estados Unidos e de trigo da Austrália. Com receita de US$ 34 bilhões em 2012, as compras da estatal refletem a demanda do país asiático por commodities agrícolas. Em 2011, a China se tornou um importador líquido de arroz e a diferença entre exportações e importações tem aumentado ano após ano. Desde 2004, o país compra mais soja do que produz. Em dezembro do ano passado, também importou um volume recorde de milho dos Estados Unidos.

Fonte: Dow Jones Newswires.

Safra brasileira de café deve ficar na casa das 40 mi de sacas, informa consultoria americana J. Ganes Consulting


Em relatório semanal, a J. Ganes Consulting afirma que as perdas na safra 2014/15 poderão chegar aos 40% em áreas mais atingidas pela seca

Apesar das quedas nos principais contratos do café arábica na Bolsa de Nova Iorque, o mercado internacional começa a dar sinais de que está enxergando uma perda séria para a produção brasileira de café. A consultoria norte-americana J. Ganes Consulting, presidida pela analista de commodities Judith Ganes-Chase, informou em seu relatório semanal que a situação nos cafezais já se agravou muito nas últimas semanas e as perdas nas áreas mais atingidas pela seca e pelo calor poderão chegar a 40%.
“Representantes da indústria afirmam que o mercado terá que ‘esperar’ o início da colheita para descobrir o tamanho do estrago causado pela seca. Porém, este tempo é uma ‘eternidade’ para que o mercado fique neste purgatório”, informa o relatório semanal, concluindo que não deve levar muito tempo para a situação se definir, “já que o café está amadurecendo precocemente e a dimensão dos danos já está ficando clara”.
Situação sem precedentes
A consultoria informa que não há registros de uma seca desta magnitude neste período no Brasil nos últimos 50 anos (alguns levantamentos mostram que nem nos últimos 80 anos), portanto, o mercado não tem informações suficientes para saber como será a reação da safra. Assim, negociadores buscam informações de produtores de outros países que passaram por uma situação similar.
Algumas visitas aos cafezais brasileiros foram realizadas por especialistas há pelo menos 4 semanas, quando ainda era muito cedo para se concluir o problema, pois as árvores não mostravam os danos claramente. No entanto, mais um mês com chuvas baixo da média já agravou o problema, mas esta percepção ainda não atingiu o mercado. “Ainda vivemos uma batalha entre compradores e vendedores nas últimas semanas, diante da incerteza sobre os danos causados para as safras 2014/15 e 2015/16”, afirma o relatório de Judith.  
Danos graves 
A analista comenta que alguns investidores continuam acreditando que as perdas foram limitadas, que boa parte da safra não foi atingida pelas secas e que os estoques são grandes o suficiente para cobrir as eventuais perdas. “O mercado só consegue enxergar um modesto déficit de produção no pior cenário. Normalmente, eu concordaria com esta visão, mas as evidências de um dano mais sério estão se acumulando”.
“Eu continuo a enfatizar que os efeitos da seca ainda não eram evidentes durante o mês de fevereiro. Era muito cedo para afirmar o tamanho dos danos e as chuvas ainda conseguiriam beneficiar as lavouras. Mas como as precipitações continuaram abaixo do normal e as temperaturas acima da média, os danos se intensificaram”. Judith também confirma que São Paulo e Minas Gerais foram os dois estados mais impactados pela intensa falta de umidade, embora haja uma grande variação climática de região para região.    
“Há um mês, as árvores ainda tinham frutos verdes, apenas com desenvolvimento atrasado. Agora, eles já estão murchos, começam a amadurecer precocemente, ficam amarelos e queimados pelo sol. Outros ficam vermelhos por fora, mas pretos por dentro e caem no chão”, afirma Judith no relatório. 
Perdas podem chegar aos 40%
Produtores brasileiros, segundo o relatório, terão de decidir entre começar a colher cedo, mesmo não estando preparados para isso, ou esperar e arriscar perder produtividade. Diversos relatórios mostram cafeicultores desapontados ao cortarem frutos e verem grãos pequenos ou malformados. 
“Para alguns produtores, as perdas podem ficar entre 30% e 40%, ou até mais, dependendo da intensidade do calor e da seca. Em regiões mais secas, já se confirma que o café terá qualidade mais baixa, devido aos grãos mais leves. Visões mais otimistas indicam que estas regiões poderão ter perdas de 20%”. 
Áreas onde os cafezais “assaram” sob temperaturas extremamente altas, a previsão é ainda pior. Alguns produtores começam a concluir que a produtividade será tão baixa que não irá cobrir os custos de colheita. “Todos os números referentes ao tamanho da safra são preliminares e sujeitos a revisões, mas eu acredito fortemente que, se forem alterados, serão para menos, pois são poucas as chances de que os cafezais comecem a se recuperar  dessa situação”. 
Safra de 40 mi de sacas
“Se alguém me perguntar qual será o tamanho da safra brasileira de café, direi que estará na casa dos 40 milhões de sacas, eu não vejo uma safra de 50 milhões de sacas... Já para 2015/16, acredito que a safra não atingirá os 40 milhões de sacas, dada a extensão do problema e a falta de crescimento vegetativo, que não poderá ser recuperado, ainda que chova”.
Judith ressalta que abril é um mês em que as chuvas começam a diminuir, com a chegada da estação seca, portanto as árvores precisam se desenvolver com a umidade que foi acumulada no solo durante o período de chuvas. Este ano, elas não terão esta reserva de umidade. 
Estoques
Outro ponto importante ressaltado pelo relatório é o tamanho dos estoques de passagem durante este período de oferta apertada. Nos anos 1970, o mercado do café atingiu altas históricas depois que uma forte geada comprometeu a produção brasileira. “Naquela ocasião, tínhamos um estoque de 49 milhões de sacas de café e as exportações eram de 55 milhões de sacas e o consumo dos produtores era de 19 milhões de sacas. Hoje, os estoques são de apenas 14 milhões de sacas e o uso de produtores é de 42 milhões de sacas, e as exportações mundiais totalizam 116,4 milhões de sacas”. 
Os estoques de consumo também estão limitados. Em 1986, os estoques estavam em 41 milhões de sacas e em 1994, quando o Brasil sofreu com uma geada, eles estavam em 40,5 milhões de sacas. “Nunca tivemos registro de uma grande perda na safra brasileira em um período em que os estoques estavam tão baixos quanto agora”. 
El Niño
Além da atual situação climática complicada, o mercado começa a observar a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no hemisfério Sul durante o segundo semestre. Com o fenômeno, as áreas produtivas poderão receber um excesso de chuvas, o que poderia prejudicar a colheita do café. “Isto levaria a situação de ruim para pior”.

Informações: J. Ganes Consulting

Tradução: Fernanda Bellei