Páginas

sábado, 5 de outubro de 2013

Em dia de poucos negócios, café a ficar abaixo dos 115 centavos

  Os ganhos para os cafés arábicas em Nova Iorque voltaram a ser contidos. Na sessão desta sexta-feira na ICE Futures US, marcado por um volume muito baixo de operações a futuro e também no segmento de opções, a primeira posição voltou a se posicionar próxima do nível de 115,00 centavos, sem se observar uma variação mais efetiva, quer para cima ou para baixo.

O mercado cafeeiro dá sinais de clara letargia e os negócios flutuam dentro de intervalos pouco expressivos. Pior para quem aguarda uma recuperação: o cenário do segmento é francamente sobrevendido, no entanto, não são observados movimentos mais efetivos por parte dos compradores para tentar inverter ou ao menos corrigir esse quadro. Os vendedores, depois de uma movimentação considerável ao longo das últimas semanas, conseguem equilibrar as cotações e, por vezes, fazem o dezembro testar os níveis mais baixos em mais de 49 meses.

A disponibilidade franca de café continua sendo a tônica do discurso dos players que atuam no lado baixista. Eles lembram os estoques relativamente consistentes e apontam as boas safras do Brasil e Vietnã e a recuperação produtiva da Colômbia como fatores chaves para garantir que o mercado tenha um volume considerável de café a seu dispor. Nem mesmo a quebra dos centro-americanos teria força para reverter tal situação.

No encerramento do dia em Nova Iorque, a posição dezembro teve queda de 95 pontos, com 114,40 centavos de dólar por libra peso, com a máxima em 116,00 centavos e a mínima de 113,90 centavos, com o março registrando desvalorização de 95 pontos, com 117,55 centavos por libra, com a máxima em 119,00 centavos e a mínima em 117,10 centavos. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição novembro teve valorização de 6 dólares, com 1.709 dólares por tonelada, com o janeiro tendo ganho de 12 dólares, para o nível de 1.705 dólares por tonelada.

De acordo com analistas internacionais, o dia foi marcado por algumas vendas especulativas, com os preços voltando a ter o nível de 115,00 centavos de dólar como referência e sem que esse patamar pudesse ser modificado, seja por compradores ou vendedores. O cenário externo também contribuiu para o clima baixista. Os analistas ressaltaram que os mercados vão se tornando mais nervosos com a continuidade da "paralisação" econômica registrada nos Estados Unidos, assim como com a aproximação do prazo para elevar o teto da dívida do país. O dólar teve uma sexta-feira de alta em relação a várias moedas internacionais, incluindo o real brasileiro e também contribuiu para que o cenário de pressão fosse verificado. As bolsas de valores nos Estados Unidos fecharam em alta o dia, ao passo que as commodities tiveram altas para soja, milho, suco de laranja e açúcar, ao passo que café e trigo registram baixas.

"Tivemos uma sessão de pressão sobre os preços, com algumas vendas especulativas. As sessões desta semana se mantiveram tranquilas e, mais uma vez, intervalos foram respeitados, com o nível de 115,00 centavos sendo o referencial para o dezembro. A tendência é de o mercado se tornar cada vez mais tenso, enquanto não se chega a um acordo sobre a questão econômica dos Estados Unidos. Excetuando essa questão externa, o café não tem maiores mudanças, continuando a operar num quadro baixista de curto e médio prazo", disse um trader.

A grande oferta de cafés arábicas de pior qualidade na safra 2013/2014 fez diminuir a demanda pelo café robusta pelas torrefadoras brasileiras. A queda na demanda é reflexo do maior uso nas misturas dos cafés arábicas de bebida rio e riada, cujos preços estão mais baixos que os do robusta. Com a mudança, a estimativa é que participação do robusta blends de café torrado e moído já tenha recuado de 50% para 30 a 35% segundo a  empresa Custódio Forzza Comércio e Exportação Limitada.

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 1.000 sacas, indo para 2.764.786 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 8.676 lotes, com as opções tendo 847 calls e 294 puts — floor mais eletrônico. Tecnicamente, o dezembro na ICE Futures US tem resistência em 116,00, 116,20, 116,50, 117,00, 117,45-117,50, 118,00, 118,50, 119,00, 119,20, 119,50, 119,90-120,00, 120,50, 120,75, 121,00-121,05, 121,10, 121,50, 122,00, 122,50, 122,20 e 122,50 centavos de dólar, com o suporte em 113,90, 113,50, 113,00, 112,50, 112,00, 111,50, 111,00, 110,50, 110,10-110,00, 109,50, 109,00, 108,50, 108,00, 107,50 e 107,00 centavos.





Londres se recupera e Vietnã é tema de análise de players

  Os contratos futuros de café robusta negociados na Euronext/Liffe encerraram esta sexta-feira com altas, em uma sessão com uma movimentação ligeiramente acima da média recente da bolsa britânica e com os preços se mantendo, ao longo de todo o pregão, acima do intervalo psicológico de 1.700 dólares por tonelada.

De acordo com analistas internacionais, o dia foi marcado por compras especulativas, que contribuíram para consolidar o quadro de recuperação verificado ao longo desta semana, depois de os preços do grão terem experimentado novas mínimas na semana anterior. Os ganhos vieram na esteira de especulações sobre o Vietnã, principalmente quanto a um possível programa governamental para apoiar os produtores a vender menos em períodos de preços baixos. Do Vietnã também vêm informações sobre a secagem irregular da nova safra, devido às chuvas, e sobre uma possível retração nos embarques do último trimestre deste ano, por conta de um imbróglio envolvendo a devolução do imposto de valor agregado aos exportadores.

"O cenário, efetivamente, ainda é negativo, mas essas informações pontuais deram alguma sustentação ao mercado e conseguimos operar num ambiente de recuperação ao longo desta semana. No pregão desta sexta, chegamos a flutuar acima dos 1.750 dólares por tonelada, entretanto, nas máximas observamos realizações de lucro por parte dos especuladores", disse um trader.

O novembro teve uma movimentação ao longo do dia de 11,5 mil contratos, contra 4,83 mil do janeiro. O spread entre as posições novembro e janeiro ficou em 4 dólares. No encerramento do dia, o novembro teve valorização de 6 dólares, com 1.709 dólares por tonelada, com o janeiro tendo ganho de 12 dólares, para o nível de 1.705 dólares por tonelada.




Estoque de passagem foi estimado em 12,4 milhões de sacas, segundo a Comexim

  A queda das cotações internacionais do café tem provocado distorções no mercado. O café conilon, considerado de qualidade inferior ao arábica, está cotado em cerca de R$ 230 a saca de 60 kg, em Vitória (ES). O café rio, embora não seja o arábica mais fino, é negociado a R$ 190 a saca, em Minas. Mais: o café arábica do cerrado e do sul de Minas, fino, é cotado atualmente a R$ 275, embora tenha alcançado pico de R$ 550 há dois anos. 'Essas distorções são evidentes e não são saudáveis', afirma em comunicado o trader John Wolthers, da exportadora Comexim, de Santos (SP). Wolthers explica que os produtores não estão estimulados a continuar investindo nos cafezais e só o tempo será capaz de reverter esse quadro. Os contratos futuros de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) estão nos níveis mais baixos em quatro anos. O preço diário do arábica, pesquisado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), alcançou na quarta-feira (2) R$ 258 a saca, o menor valor desde 26 de outubro de 2009. As cotações de mercado também estão bem abaixo do preço mínimo de garantia oficial de R$ 307 a saca. Wolthers cita que o padrão de fertilização dos cafezais corresponde a três aplicações: no fim de outubro, dezembro e fevereiro. 'Com os atuais baixos preços, muitos produtores vão forçosamente optar por reduzir em 50% a aplicação necessária de adubo e muitos podem até deixar as lavouras aos cuidados da natureza. Outros podem substituir os cafezais por outras culturas, como a cana-de-açúcar, e a criação de gado', lamenta. O traders esteve na semana passada em Ouro Fino, no sul de Minas, onde a Comexim tem um armazém de café. 'A maioria dos armazéns brasileiros relata elevados estoques de café', acrescenta. No fim de julho, o estoque de passagem foi estimado em cerca de 12,4 milhões de sacas, segundo a Comexim. Para complicar, as chuvas têm sido benéficas para a florada dos cafezais, sinalizando uma grande produção em 2014/15. 'Em Ouro Fino, houve apenas uma floração, enquanto em muitas outras regiões já houve até duas floradas. Agora, no início de outubro, após as chuvas, esperamos uma segunda e maior floração', relata. Ele pondera que o fator moeda tem auxiliado os exportadores este ano. Recentemente, o dólar chegou a alcançar R$ 2,45, embora agora esteja em cerca de R$ 2,20. 'As pequenas e frequentes altas do mercado futuro e do dólar têm de ser aproveitadas ao máximo pelos exportadores e pelo produtores', ressalta. 'Acredito que os baixos preços, que provocam impacto negativo no nível de produção, vão certamente trazer consequências. Talvez, isso só vai começar a ser sentido daqui alguns anos, na da colheita de 2015/16.



Cresce consumo de café gelado

  Segundo uma nova pesquisa conduzida pela Mintel, a procura por café gelado tem crescido. O hábito de tomar café quente está a mudar, com os consumidores a olharem para o café gelado como uma alternativa saborosa e fresca para todo o ano. Acima de qualquer outro país, os EUA estão a aderir em força a este novo hábito, especialmente no foodservice. Os dados da pesquisa da Mintel mostram que a parcela de café gelado em todos os menus de café nos restaurantes e cafetarias norte-americanos aumentou dos 19 para os 22% entre 2009 e 2012. Por outro lado, considerando apenas o primeiro trimestre de 2013, verifica-se que essa parcela subiu de 22 para os 24%, confirmando que o interesse por café gelado não só está a crescer, como também a ultrapassar a sua associação e apelo tradicionais ao verão. Mais do que uma moda efémera, o café gelado está a consolidar-se, refletindo uma mudança de gostos da nova geração. A Mintel revela ainda que os consumidores com idades entre os 18 e os 24 anos, por contraste com os consumidores mais velhos, ingerem muito mais esta crescente opção de consumo. Enquanto, no global, um em cada cinco (20%) norte-americanos bebem esta bebida, esse número sobe para os 38% quando considerados os consumidores com idades entre os 18 e os 24 anos. Além disto, os resultados da pesquisa mostram que 77% dos consumidores de café gelado reconhecem que ele os ajuda a sentirem-se mais produtivos no trabalho.



Ministro a Agricultura nomeou 92 funcionários em cargos de confiança

  A filiação do empresário Josué Gomes da Silva, filho do ex-presidente José Alencar, ao PMDB, foi uma operação feita a quatro mãos, unindo Michel Temer e Lula, e enfiada goela abaixo aos lideres peemedebistas em Minas Gerais. Os que mais reclamam são o senador Clésio Andrade e o ministro da Agricultura, Antonio Andrade, que veem seus espaços encolherem na legenda, à medida em que floresce uma aliança com o PT. E por falar no ministro Antonio Andrade: num curtíssimo espaço de tempo, ele já nomeou nada menos do que 92 funcionários em cargos de confiança.



Boletim semanal - ano 80 - n° 40
Escritório Carvalhaes  - Santos, sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O cenário externo voltou a pesar sobre o mercado de café. O impasse político nos EUA para elevar o teto da dívida americana, colocou em risco a tímida reação das principais economias do hemisfério norte e trouxe pessimismo aos diversos mercados ao redor do mundo, entre eles o do café. Esse quadro enfraqueceu o dólar no decorrer da semana e levou as cotações do café a uma tímida reação na bolsa de Nova Iorque, muito pequena para alterar o animo dos operadores e estimular os negócios no mercado físico brasileiro, onde os preços permaneceram praticamente estáveis.

Os cafeicultores brasileiros mostram preocupação e insatisfação com os preços praticados, insuficientes para cobrir os custos de produção, mas vendem seus lotes aos poucos, para cobrir despesas de colheita e custeio.

Ontem, dia 3, em reunião no Ministério da Agricultura, representantes da produção sugeriram novas medidas de apoio ao setor. Entre elas a de serem colocadas mais cinco milhões de sacas de café em programa de Contratos de Operações de Venda (COV) de café com exercício em 2014. Outra proposta foi a alteração do prazo do programa de estocagem de 12 para 24 meses. Também propuseram que a estocagem do café do programa de opções seja feita nas cooperativas credenciadas pela CONAB -Companhia Nacional de Abastecimento. Eles poderiam optar entre receber o café das opções em seus próprios armazéns ou depositá-lo nos armazéns da Conab.

Com a proibição do uso do endossulfan para o combate à broca do café e sem um substituto eficaz, os representantes da produção cafeeira solicitaram ao governo federal a aprovação, com urgência, do registro e liberação dos princípios ativos Cyantraniliprole e Chlorantraniliprole/Abamectin, desenvolvidos pelas empresas DuPont e Syngenta (fonte: CNC).

No próximo dia 8, terça-feira, será realizado um quarto leilão de opções de venda de café arábica ao governo federal (Aviso de venda Nº 164/2013). Serão leiloados os 4058 contratos de opção (equivalentes a 405 800 sacas de 60 kg) não negociados nos três leilões anteriores. Poderão participar produtores rurais de café arábica e suas cooperativas estabelecidos nos Estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.

Até o dia 3, os embarques de outubro estavam em 85.253 sacas de café arábica, e 110 sacas de café conilon, somando 85.363 sacas de café verde, mais 1.275 sacas de café solúvel, totalizando 86.638 sacas embarcadas, contra 24.173 sacas no mesmo dia de setembro. Até o dia 3, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em outubro totalizavam 297.997 sacas, contra 277.375 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 27, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 4, subiu nos contratos para entrega em dezembro próximo, 70 pontos ou US$ 0,93(R$ 2,06) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em dezembro próximo na ICE fecharam no dia 27 a R$ 339,76/saca e hoje, dia 04 a R$ 334,59/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em dezembro, a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 95 pontos.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Queda em preços do café cria distorções para o mercado, diz trader

A queda das cotações internacionais do café tem provocado distorções no mercado. O café conilon, considerado de qualidade inferior ao arábica, está cotado em cerca de R$ 230 a saca de 60 kg, em Vitória (ES). O café rio, embora não seja o arábica mais fino, é negociado a R$ 190 a saca, em Minas. Mais: o café arábica do cerrado e do sul de Minas, fino, é cotado atualmente a R$ 275, embora tenha alcançado pico de R$ 550 há dois anos.

'Essas distorções são evidentes e não são saudáveis', afirma em comunicado o trader John Wolthers, da exportadora Comexim, de Santos (SP). Wolthers explica que os produtores não estão estimulados a continuar investindo nos cafezais e só o tempo será capaz de reverter esse quadro.

Os contratos futuros de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) estão nos níveis mais baixos em quatro anos. O preço diário do arábica, pesquisado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), alcançou na quarta-feira (2) R$ 258 a saca, o menor valor desde 26 de outubro de 2009. As cotações de mercado também estão bem abaixo do preço mínimo de garantia oficial de R$ 307 a saca.

Wolthers cita que o padrão de fertilização dos cafezais corresponde a três aplicações: no fim de outubro, dezembro e fevereiro. 'Com os atuais baixos preços, muitos produtores vão forçosamente optar por reduzir em 50% a aplicação necessária de adubo e muitos podem até deixar as lavouras aos cuidados da natureza. Outros podem substituir os cafezais por outras culturas, como a cana-de-açúcar, e a criação de gado', lamenta.

O traders esteve na semana passada em Ouro Fino, no sul de Minas, onde a Comexim tem um armazém de café. 'A maioria dos armazéns brasileiros relata elevados estoques de café', acrescenta. No fim de julho, o estoque de passagem foi estimado em cerca de 12,4 milhões de sacas, segundo a Comexim.

Para complicar, as chuvas têm sido benéficas para a florada dos cafezais, sinalizando uma grande produção em 2014/15. 'Em Ouro Fino, houve apenas uma floração, enquanto em muitas outras regiões já houve até duas floradas. Agora, no início de outubro, após as chuvas, esperamos uma segunda e maior floração', relata.

Ele pondera que o fator moeda tem auxiliado os exportadores este ano. Recentemente, o dólar chegou a alcançar R$ 2,45, embora agora esteja em cerca de R$ 2,20. 'As pequenas e frequentes altas do mercado futuro e do dólar têm de ser aproveitadas ao máximo pelos exportadores e pelo produtores', ressalta.
Preço do café desestimula investimentos

Com os preços do café arábica em curva descendente desde o segundo semestre de 2011, depois de atingirem mais de US$ 3 por libra-peso, a renovação dos cafezais e a ampliação de áreas em algumas regiões produtoras do país deverão ser reduzidas, assim como os tratos culturais. Não há, porém, expectativa de recuo de área para a próxima safra.
Em Minas Gerais, a mais importante região cafeeira do Brasil, a estimativa é que a renovação de cafezais deva cair 20% neste ano em relação a 2012, segundo Julian Silva Carvalho, coordenador técnico estadual da Emater-MG.
O especialista afirma que a produtividade da próxima safra também pode ser afetada pela redução dos tratos culturais, como a adubação dos cafezais. Entretanto, ele avalia que ainda é cedo para estimar o rendimento da próxima colheita, uma vez que as lavouras ainda estão em fase de floração.
Em seu levantamento mais recente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou que as áreas de café em formação (que incluem renovação de cafezais antigos e áreas novas que entrarão em produção a partir de 2014) somam 302,287 mil hectares nesta safra 2013/14, um aumento de 8% em relação à safra passada - em 2001/02, eram 438,6 mil hectares.
Esse aumento ainda capta o efeito dos altos preços que prevaleceram até 2011, já que um cafezal leva de três a quatro anos para começar a dar frutos. Em outras palavras, apesar da crise de rentabilidade, os produtores podem ter "contratado" um aumento de produção para os próximos anos. Na avaliação de Silas Brasileiro, presidente do Conselho Nacional do café (CNC), a renovação dos cafezais está no mesmo ritmo do ano passado.
De acordo com a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entre agosto de 2012 e maio deste ano, houve redução de 18,98% nos preços médios de venda em diferentes polos nos Estados produtores de café e um aumento de 4,72% nos custos de produção. Em Guaxupé, no Sul mineiro, os produtores amargam um prejuízo líquido de R$ 178 por saca.
As cotações do arábica na bolsa de Nova York recuaram 20,35% desde o início do ano até o fim de setembro, segundo o Valor Data.
O passado recente mostrou que não houve redução significativa de área cultivada desde o início da última década, mesmo em períodos em que as cotações estavam em baixos patamares. Esse cenário deve se repetir. As erradicações de pés de café e abandono da atividade em Minas Gerais, responsável por mais de 50% da safra nacional, são pontuais, na avaliação de João Ricardo Albanez, superintendente de Política e Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura do Estado.
A área mineira em produção tem sido mantida em cerca de 1 milhão de hectares nos últimos anos porque o custo para sair da atividade é muito alto, afirma Albanez.
Outro fator que evita o desmantelamento da produção é que muitos cafeicultores, além de diversificarem os cultivos na propriedade, sempre têm a esperança de que o mercado vai melhorar, como em 2011, quando a saca chegou a valer mais de R$ 500, observa Carvalho.
Mas os preços baixos da commodity afetam a abertura de áreas novas na cafeicultura. Na região de Unaí, no noroeste mineiro -que faz parte do Cerrado Mineiro - deve haver uma redução de 60% na demanda por mudas este ano, ante cerca de 6 milhões comercializadas em 2012 pelo Viveiro Sacoman, afirma Clésio Aparecido Sacoman, proprietário da empresa e também cafeicultor na região.
Os produtores fazem encomendas de mudas para plantá-las entre o fim de um ano e início do ano seguinte. Na região, conforme Sacoman, as mudas são usadas em sua maior parte para ampliação de área. Desde 2009 cerca de um mil hectares eram incorporados anualmente, diz.
Na região de Unaí, a renovação dos cafezais deverá começar a partir do próximo ano nas áreas com as plantas mais antigas -os cafezais ainda são relativamente novos, cultivados a partir de 1998 -, mas a decisão de renovar vai depender do mercado, que hoje está mais rentável para outras culturas como feijão, soja e milho, pondera Sacoman. "Os aventureiros deverão sair [do café]", afirma Sacoman.
O custo de produção, em torno de R$ 250 por saca, empata com o preço recebido, diz ele, que pretende manter sua área de café.
No Cerrado Mineiro, um dos principais polos de crescimento da cafeicultura brasileira, a atividade é altamente tecnificada, com mecanização e irrigação e tem a maior produtividade média de Minas - 29,2 sacas por hectare, ante uma média estadual de 25,2 sacas por hectare.
No oeste da Bahia, cerca de 1,5 mil hectares com café foram abandonados nos últimos dois anos por produtores que migraram para outras culturas, como a soja e algodão, de acordo com João Lopes Araújo, presidente da Associação dos Produtores de café da Bahia (Assocafé).
Mas a área total da região continua em torno de 15 mil hectares, mesmo número de dez anos atrás. "Tem gente plantando [café] e gente saindo. Uma cultura de 300 anos não pode ter julgamento por um ou dois anos de crise", avalia Araújo.
O presidente da Assocafé afirma que produtores capitalizados não estão preocupados com um ou dois anos de crise e continuam investindo na cultura. Mas admite que houve uma redução da expansão da atividade. O Estado da Bahia poderia produzir de cinco a seis milhões de sacas de café, mas continua com cerca de dois milhões, estima.
O plantio em áreas novas também deve ser menor em São Paulo, terceiro maior produtor nacional. A intenção de plantio de áreas novas de café em novembro de 2011 era de 4,363 mil hectares. O número caiu para 3,904 mil em julho deste ano, segundo cálculos de Celso Vegro, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria de Agricultura do Estado. Na mesma comparação, a intenção de renovação saiu de 2,896 mil hectares em 2011 para 2,404 mil este ano.
No Paraná, cuja área em produção caiu de 127,7 mil hectares em 2001 para 65,6 mil este ano, a situação foi agravada com as geadas deste inverno que atingiram as regiões produtoras.
Os impactos ainda serão mais bem avaliados neste e no próximo mês, mas a estimativa inicial é que cerca de 20% da área total com o grão no Paraná (em torno de 82 mil hectares) será erradicada, de acordo com o Departamento de Economia Rural. Segundo Paulo Franzini, coordenador do setor de café do Deral, nos últimos anos a renovação também era muito baixa no Estado, no máximo em 5% da área.
Diminui a fatia de robusta no produto torrado e moído

A grande oferta de cafés arábicas de pior qualidade nesta safra 2013/14 fez diminuir a demanda pelo café robusta, considerado menos nobre e usado nos blends pelas torrefadoras brasileiras. A queda na demanda é reflexo do maior uso nas misturas dos cafés arábicas de bebida rio e riada, cujos preços estão mais baixos que os do robusta.
Com a mudança, a estimativa é que participação do robusta (conilon) nos "blends" de café torrado e moído já tenha recuado de 50% para 30% a 35%, segundo Bruno Forzza Sarcinelli, diretor da Custódio Forzza Comércio e Exportação Limitada, do Espírito Santo. O Estado é o maior produtor nacional de café robusta.
De acordo com Sarcinelli, há cerca de 45 dias a demanda pelo café robusta diminuiu e os preços do produto, que chegaram a R$ 250 a saca em maio deste ano, recuaram para os atuais R$ 215 por saca. O café arábica bebida rio, por exemplo, é negociado no Sul de Minas Gerais por R$ 160 a saca, ante R$ 190 a R$ 200 dez dias atrás.
Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de café (Abic), afirma que o maior uso de cafés arábicas em detrimento dos robustas vem ocorrendo há cerca de dois meses em muitas torrefações.
Assim, o percentual de 50% do robusta na composição dos blends de torrado e moído atualmente já recuou, embora a entidade não tenha ainda uma estimativa de qual seja o percentual. "A indústria enxerga nisso [queda no preço do arábica] oportunidade de novamente fazer uma mudança gradual do blend. Sessenta a setenta reais por saca é uma diferença enorme", declara.
Com o recuo dos preços do café conilon no mercado interno, os produtores dessa espécie começaram há cerca de 15 dias a reter o produto, à espera de melhora na cotação, diz Sarcinelli. Antes, vendiam de forma escalonada para pagar o custeio da colheita, encerrada entre julho e agosto.
Mondelez Enters New Coffee Markets
John Revill

  ZURICH - Food company Mondelez International Inc. (MDLZ) said it would enter
two new coffee markets and expand its offerings in another, perking up the
battle with world's biggest coffee seller Nestle SA (NESN.VX) and a crowded
field of rivals.
  The Deerfield, Ill.-based food company, which owns the Carte Noire and Jacobs
coffee brands, said it was entering Australia and the Netherlands. The company
is also introducing new java products in Spain, where it already sells some
coffee items.
  Mondelez's expansion in those countries marks the latest battle lines in the
increasingly competitive market. The coffee market has drawn food companies
because it is relatively recession-resistant and offers high profit margins..
The $75.7 billion-a-year coffee market will grow by as much as 22% by 2017,
according to Euromonitor International, and carries margins of at least 25% on
most products, according to analysts.
  But it is a crowded field. Nestle, Mondelez and privately held DE Master
Blenders 1753 NV together control almost 40% of the market. And competitors,
including Luigi Lavazza SpA, Green Mountain Coffee Roasters Inc. (GMCR) and
Starbucks Corp. (SBUX), are expanding their presence around the world.
  "It's a very competitive market," said Jonny Forsyth, who covers the beverage
industry for Mintel, a market research company. "The only way to grow is by
taking sales off your competitors."
  Mondelez, which was spun off from Kraft Inc. (KRFT) last year, has identified
coffee--in particular the high end of the market--as a key part of its growth
strategy and pits it against Nestle, which has increasingly moved toward
upmarket brands as the popularity of instant coffee declines in developed
markets.
  The two companies will likely clash in France and Germany, two of the world's
biggest coffee markets. Last week, Mondelez launched capsules designed to fit
Nestle's Nespresso system in the two countries.
  Nestle declined to comment on Mondelez's product launches.
  Australia, the Netherlands and Spain are also among the most promising
markets for coffee, with combined sales expected to reach $2.9 billion this
year, according to Mintel. Mondelez says launching in these countries will help
it increase sales, take more market share and build Carte Noire, its premium
coffee product, into one of its most important brands.
  Mondelez will launch a full range of coffee products, including ground and
whole beans, pods for use in its Tassimo machines and capsules that fit rival
Nestle's Nespresso system in the Netherlands. It will also introduce its
Millicano line of instant coffees in Australia.
  Nestle is the market leader in coffee in Australia and Spain, although it is
in third position in the Netherlands, according to figures from Mintel.
  The products will be available in the three countries by the end of the
month.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Cotton, Raw Sugar Gain on Supply Concerns; Cocoa Tumbles
Alexandra Wexler

  NEW YORK - Cotton prices rose to a six-week high Thursday on concerns that
poor growing weather would hamper the U.S. crop.
  Raw-sugar futures eked out a fresh 6 1/2-month high on continued supply
concerns, while cocoa prices fell to a one-week low.
  Cotton for delivery in December ended 0.7% higher at 87.44 cents a pound, a
six-week high, as supply concerns also buoyed that market.
  The U.S., the No. 1 exporter and No. 3 producer of the fiber, has been
suffering from poor weather conditions in its top-producing states, which
delayed the planting of the fiber and, subsequently, the development of the
crop.
  Tropical Storm Karen is forecast to dump rain on No. 2 cotton-growing state
Georgia on Sunday and Monday, which could damage open cotton bolls and reduce
supplies, analysts said.
  "It's hitting (the crop) right as they're pulling it out," said John Payne,
market strategist at Daniels Trading in Chicago. He expects the market to climb
until it runs into resistance at 90 cents a pound.
  "Without any USDA info (due to the shutdown), you're essentially trading on
rumors and weather," Mr. Payne added.
  Raw sugar for March delivery on the ICE Futures U.S. exchange ended 0.1%
higher at 18.52 cents a pound Thursday, the highest settlement since March 15.
  The harvest in Brazil, the No. 1 producer and exporter of the sweetener, is
being delayed by wet weather, fueling concerns that supplies will tighten.
  Rains delay the crop because heavy harvesting and transporting equipment
can't enter the sugar-cane fields when they are soggy. In addition, the longer
the rains delay the harvest, the further back it gets pushed, which leaves the
cane more vulnerable to cold, wet seasonal weather.
  Already this week, the Brazilian Sugar Cane Industry Association, or Unica,
trimmed its forecast for the country's center-south region's cane harvest by
0.4% from its previous forecast to 587 million metric tons this season. The
center-south produces about 90% of Brazil's sugar cane.
  The lower output estimates "provide a fundamental reason to buy," said Jack
Scoville, vice president at Price Futures Group in Chicago. "Traders also note
the increased potential for more crop losses in Brazil... due to rains in the
forecast for this week."
  ICE cocoa futures, on the other hand, tumbled below the key technical and
psychological level of $2,600 a ton Thursday, ending 1.8% lower at $2,585 a
ton, a one-week low.
  An early dip below $2,625 a ton triggered sell-stops, or preplaced orders to
sell when prices touch a certain level, sending prices cascading to $2,561 a
ton before bargain hunters boosted the market.
  "Looks like a large stop drove it down and that triggered more selling before
buying came in and brought it back up," said Michael Kerensky, assistant vice
president at RJO Futures in New York.
  Traders said the record net-long position that speculators have in the cocoa
market continues to make it vulnerable to long-liquidation.
  But market participants remain concerned that recent dry weather in West
Africa has hurt the quantity and quality of the region's main cocoa crop. West
Africa is the source of about 70% of the world's cocoa.
  Demand for cocoa beans is also high ahead of the holiday season. U.S.
warehouse stockpiles are at their lowest level since Feb. 26, and are down 5.7%
from a year ago.
  Orange juice for delivery in November settled 1.3% lower at $1.2585 a pound,
the lowest close since Sept. 20. Tropical Storm Karen, the only weather system
currently in the Caribbean, is forecast to miss Florida's orange-growing areas
entirely, leaving the market with little news to trade on.
  Arabica coffee for delivery in December edged to $1.1535 a pound, up 0.8%.
Arabica-Coffee Futures Extend Gains as Traders Cover Shorts

  NEW YORK - Arabica-coffee futures rose Thursday morning as traders continued
to book profits from short positions after the market bounced off a more than
four-year low earlier this week.
  "Right now, it's just trying to find its floor," said Hector Galvan, senior
broker at RJO Futures in Chicago.
  Global supplies of coffee beans have swelled thanks to back-to-back bumper
crops from Brazil, the source of one-third of the world's coffee, and
recovering production from neighboring Colombia, which have weighed on prices
this year.
  Arabica coffee for December delivery on the ICE Futures U.S. exchange was
recently 1.1% higher at $1.1575 a pound, a one-week high.
  "If the (U.S.) dollar starts breaking up further because of the shutdown,
coffee might get a little bounce back to $1.25," Mr. Galvan said.
  A weaker dollar against the Brazilian real curbs selling pressure in the
market. A stronger real discourages exports of coffee because producers receive
less reais back for their crops sold abroad in U.S. dollars.
OIC muda cálculo de indicador de preço de café a partir deste mês
Valor - Carine Ferreira

Agora, os coeficientes de ponderação no cálculo do preço indicativo composto da OIC são de 9% nos cafés suaves colombianos, 24% em outros suaves, 31% dos naturais brasileiros e 36% dos robustas.

A Organização Internacional do Café (OIC) informou em seu site que a partir deste mês usará novos cálculos para o indicador composto de preços do grão. Seguindo procedimentos estabelecidos, o Comitê de Estatística analisou a estrutura de comércio no período de 2009 a 2012 e concluiu que o cálculo deveria ser mudado para refletir a realidade dos mercados.

Em março deste ano, o Conselho Internacional do Café aprovou uma revisão da participação dos mercados em cada grupo de café e seus coeficientes de ponderação para o cálculo dos preços indicativos dos grupos e composto a partir de primeiro de outubro de 2013. O coeficiente de ponderação de cada grupo será revisado a cada dois anos.

Os agentes nos três mercados principais (Alemanha, EUA e França) e seus respectivos custos para a coleta e transmissão permanecem os mesmos. A participação em cada grupo tem como base o desempenho médio de exportação para os EUA e a União Europeia nos anos civis de 2009 a 2012.

A participação dos cafés suaves colombianos é de 46% na União Europeia e de 54% nos Estados Unidos, enquanto os naturais brasileiros têm fatia de 74% na UE e de 26% nos EUA, por exemplo. Os cafés robustas têm participação de 84% no bloco europeu e de 16% nos EUA.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ICE Coffee Trend Bearish, But Lackluster -- Technical Analysis
Kira Brecht

  ICE December coffee futures are consolidating at modestly firmer levels
Wednesday, after eking out yet another new contract low on Tuesday at $1.1320 a
pound. Overall action is lackluster and momentum is uninspired, but the bears
continue to chip away at the downside as the multiyear bear trend remains
dominant.
   ICE December coffee recently traded up 30 points at $1.1440 a pound.
   Despite a lack of strong momentum, ICE December coffee prices continue to
erode. In recent months, rallies have been short-lived, merely corrective and
used as selling spots. It remains a slow grind on the downside, with limited
follow-through time and time again after new contract lows are seen, but the
bears remain in control. A pattern of lower daily lows and lower daily highs
remains intact on the daily chart.
   Short-term, the new contract low at $1.1320 offers nearby support. Momentum
is pointing modestly higher from near mid-range levels, which doesn't support a
strong new selling wave currently. Generally, in recent months, once ICE coffee
hits a new contract low, a period of consolidation, or upside correction
emerges. That pattern could unfold again now.
   On the upside, the previous swing high is seen at $1.1920, hit on September
25. That is strong nearby resistance and if the pattern holds, near term
corrective strength will stall shy of that ceiling.
   A look at the monthly continuation chart for ICE nearby coffee futures shows
a relentless bear trend since May 2011. There is no bottom pattern forming as
of now on the monthly chart. There are several bearish objectives seen on the
monthly chart including $1.1150, the July 2009 monthly low, $1.0330, the March
2009 monthly low and then a strong floor at $1.0170, from December 2008.
   The daily chart has shown lackluster momentum in recent months, but despite
the choppy trade, the bears continue to chip away at the downside. Near term, a
minor consolidation period could ensue, but if declines are seen under $1.1320
in the days ahead, the bears will refocus on additional downside targets with
the next stop at $1.1150.
   On the upside, it would take a strong rally and close above $1.1920 and then
$1.2105 to suggest that a minor bottom was forming on the daily chart. But, for
now, the bulls appear to be lacking in momentum and strength.