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domingo, 9 de dezembro de 2012

Em mais um dia tranquilo, café consegue avançar na ICE
Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta sexta-feira com altas, que permitiram que a posição março se consolidasse acima dos 150,00 centavos por libra, acumulando uma alta de 2,15% na semana. O índice não é dos mais relevantes, mas, ao menos, interrompe uma seqüência fraca para os preços, diante de um cenário sobrevendido que se mantém há semanas.
O dia foi iniciado com uma nova tentativa dos baixistas em pressionar as cotações, no entanto, as quedas da manhã pouco avançaram e não encontraram os vendedores com o ânimo mais efetivo. Isso abriu espaço para algumas recompras, sendo que o março chegou a experimentar ganhos mais consistentes e até romper uma resistência básica, como é o caso dos 155,00 centavos por libra. Ao longo do dia, essa marca não foi mantida, devido, principalmente, às conhecidas "realizações dentro do intervalo", mas, ainda assim, o março conseguiu experimentar ganhos relativos e, com isso, fechar, finalmente, a semana no azul.
Tecnicamente, no entanto, o mercado ainda não apresenta oscilações mais efetivas, com os terminais apontando para um cenário negativo no curto, médio e longo prazo. Tecnicamente, poucas novidades.
No que se refere a clima, o destaque é o calor das zonas produtoras do Brasil. O centro-sul do país enfrenta temperaturas altas e sensações térmicas verdadeiramente quentes, com as chuvas sendo apenas modestas. Apesar disso, os operadores ainda não demostram preocupações, já que temperaturas altas vêm se tornando constantes nessa parte do Brasil, sem grandes prejuízos para lavouras, incluindo aquelas que estão instaladas em 'sequeiros'.
De acordo com analistas internacionais, o dia foi de calma e, mais uma vez, com um volume bastante modesto de contratos negociados. O cenário externo que influenciou diretamente o comportamento do café ao longo dos últimos dias teve uma sexta-feira neutra, sem oscilações mais expressivas em vários segmentos de risco. O dólar experimentou uma alta ligeira em relação a uma cesta de moedas internacionais. "Os preços giram em torno do referencial de 150,00 centavos. Tivemos uma tentativa de 'desgarrar', mas não conseguimos nem sequer ficar acima dos 155,00. É um cenário tranqüilo, com clima de final de ano e a expectativa é que não tenhamos oscilações das mais pronunciadas, ao menos no curtíssimo prazo", disse um trader. Ele lembrou ainda que o mercado analisa as informações do Commerzbank, que em relatório nesta sexta avaliou a possibilidade de os preços do arábica subirem consideravelmente em 2013, refletindo, principalmente, o quadro de aperto da disponibilidade e também a safra menor do grão do Brasil na próxima temporada.
"Usando os números do Cecafé e da Abic, encerraremos neste mês de dezembro a primeira metade do ano-safra brasileiro de café 2012/2013 com o desaparecimento de aproximadamente 25,7 milhões de sacas (ou 4,28 milhões de sacas por mês). Este número significa que metade da atual safra brasileira de café, de 50,48 milhões de sacas, segundo a terceira estimativa da safra brasileira de café, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento em setembro último, já foi comercializada pelos cafeicultores brasileiros. Os números acima não são exatos, mas mostram que nossos produtores estão escoando sua produção ao longo do ano-safra. Em junho próximo poderemos ter apenas um pequeno remanescente desta safra, para complementar a próxima, que será de ciclo baixo", indicou o Escritório Carvalhaes, em seu comentário semanal.
As exportações de café do Brasil em dezembro, até o dia 6, somaram 312.807 sacas, contra 235.416 sacas registradas no mesmo período de novembro, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).
Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram alta de 5.770 sacas, indo para 2.526.140 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 16.729 lotes, com as opções tendo 5.394 calls e 4.050 puts — floor mais eletrônico. Tecnicamente, o março na ICE Futures US tem uma resistência em 155,15, 155,50, 156,00, 156,20-156,25, 156,50, 157,00, 157,15, 157,50, 158,00, 158,50, 159,00, 159,50 e 159,90-160,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 149,30, 149,00, 148,50, 148,00, 147,50, 147,00, 146,50, 146,35, 146,00, 145,50, 145,10-145,00, 144,50 e 144,00 centavos por libra.
Londres volta a recuar, mas gira em torno dos 1.900 dólares
Os contratos futuros de café robusta negociados na Euronext/Liffe encerraram esta sexta-feira com quedas, com a posição março, mais uma vez, ficando abaixo do nível psicológico de 1.900 dólares. A sessão não trouxe novidades. A posição janeiro flutuou num range de menos de 40 dólares e, nas mínimas, algumas compras modestas de comerciais puderam ser verificadas.
De acordo com analistas internacionais, a sessão foi marcada por algumas vendas especulativas que, ao final do processo, nortearam as baixas que, contudo, foram modestas. Apesar da retração, o mercado londrino conseguiu fechar a semana dentro daquilo que se esperava quando ela começou, ou seja, preços dentro de um patamar não muito distante dos 1.900 dólares, que parece ser o principal referencial de curto prazo para o janeiro. "Na estatística final da semana, o janeiro acumulou uma baixa de 0,94%, pressionado por algumas vendas especulativas e de origens, mas dentro de um intervalo que, mesmo não se mostrando tão forte, conseguiu conter o ímpeto de alguns baixistas mais ativos. Temos de pensar que o mercado de robusta está procurado, mas, também, tem uma oferta expressiva e, ainda assim, consegue manter alguns intervalos", disse um trader.
O dia na bolsa de Londres teve o contrato de café de janeiro com uma movimentação de 5,03 mil lotes, com o março tendo 3,48 mil lotes negociados. O spread entre as posições janeiro e março ficou em 8 dólares. No encerramento da sessão na Euronext/Liffe, a posição janeiro teve queda de 9 dólares, com 1.896 dólares por tonelada, com o março tendo desvalorização de 7 dólares, com 1.904 dólares por tonelada.
Dólar cai quase 2% em semana de medidas do governo no câmbio
SÃO PAULO - O dólar fechou em alta nesta sexta-feira, encerrando a maior
sequência de baixas desde o início de agosto, puxado por um aumento no volume
de compras após a moeda cair 2,44% na semana até ontem. Após a turbulência do
início da semana, com as medidas anunciadas pelo governo para o câmbio, o dia
foi de relativa tranquilidade, com investidores aproveitando para voltar a
atuar na ponta de compra.
A pressão de compra, porém, não foi suficiente para aproximar a moeda do
patamar de R$ 2,10, que não é considerada "confortável" pelo governo por seu
potencial de pressionar a inflação, segundo disseram fontes oficiais à
jornalista Claudia Safatle.
O dólar comercial fechou em alta de 0,58%, a R$ 2,091. Na semana, a baixa
acumulada foi de 1,88%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de
dólar futuro para janeiro subia 0,09%, a R$ 2,0820, antes do ajuste final.
"Ontem mesmo, quando a moeda bateu R$ 2,07, R$ 2,08, houve muita procura por
parte de importadores. E hoje, sendo sexta, o pessoal não gosta de se expor
muito e volta a comprar", disse Reginaldo Siaca, superintendente de câmbio da
Advanced Corretora.
Nos últimos minutos da sessão, a moeda americana acelerou a alta, chegando a
bater máxima de R$ 2,093. Nesse horário, o Banco Central realizou pesquisa de
demanda por swaps cambiais tradicionais, cujo efeito é o de uma venda de dólar
futuro, entre bancos "dealers". O BC também realizou pesquisa de demanda por
contratos de linha de dólares, no qual vende moeda com o compromisso de
recompra no futuro.
Comentários nesta manhã do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Fernando Pimentel, já indicavam que o governo deve manter sua
política de câmbio administrado, impedindo que o nível do dólar prejudique a
competitividade do país. Segundo ele, toda vez que o mercado age claramente
contra o câmbio, o governo intervém.
Para operadores, ao menos no início da semana que vem, a moeda deve se manter
nos atuais patamares, enquanto o mercado ainda avalia os impactos das recentes
medidas do governo. Para alguns profissionais, a nova realidade do câmbio só
ficará clara no início do ano que vem. "Só em janeiro é que vai realmente ficar
claro o que o governo realmente quer com essas medidas", disse o operador de
câmbio de uma corretora em São Paulo.
No exterior, o Dollar Index, que acompanha o desempenho do dólar ante uma cesta
de seis moedas, subia 0,20%, a 80,41 pontos, enquanto o euro, principal
integrante dessa cesta, recuava 0,35%, a US$ 1,292.
PERSPECTIVA CÂMBIO E JUROS: DIs sobem com inflação e dado positivo nos EUA
São Paulo, 7 de dezembro de 2012 - Os contratos de Depósito
Interfinanceiro (DI) encerraram o pregão de hoje na BM&FBovespa em alta,
recuperando parte das perdas da última sessão e refletindo os dados de
inflação divulgados mais cedo, bem como indicadores demonstrando melhora da
situação econômica nos Estados Unidos e a reafirmação de Alexandre Tombini,
presidente do Banco Central, de que a Selic (taxa básica de juros) será
mantida por tempo prolongado.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Indice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - indicador oficial de inflação
do País -, que mostrou aceleração para 0,60% em novembro, acima da taxa de
0,59% registrada em outubro. O mercado estimava que a inflação medida pelo
IPCA fosse de 0,50%, em novembro, segundo a mediana das projeções do
Termômetro CMA, pesquisa feita com instituições de mercado com as estimativas
para os principais indicadores econômicos do País.
"O IPCA veio acima das expectativas devido ao setor de serviços. Ainda
tivemos dados positivos do mercado norte-americano, com uma taxa de desemprego
em queda inesperada. Esses fatores posicionaram os DIs", avalia Luciano
Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB.
Soma-se a isso o fato de o presidente do Banco Central reiterar a
informação constante na ata da reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom) de que a entidade manterá a Selic (taxa básica de juros) no patamar
atual - de 7,25% ao ano -, contrariando expectativas de novos cortes. Os
contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) registram alta no pregão de hoje da
BM&FBovespa.
Lá fora, a economia dos Estados Unidos gerou 146 mil empregos em novembro e
a taxa de desemprego diminuiu para 7,7% durante o período, de 7,9% um mês
antes. Analistas esperavam a criação de 90 mil vagas e a manutenção na taxa
de desemprego. Em outubro, foram criados 138 mil postos de trabalho, segundo
números revisados.
Diante deste cenário, o título para janeiro 2014 subiu de 6,91% para 7% e
era o mais líquido, com movimentação de R$ 85.052 bilhões. Em seguida ficou
o contrato para janeiro de 2015, que avançou de 7,42% para 7,51%, com giro de
R$ 22,254 bilhões.
No curto prazo, o DI com vencimento em julho de 2013 saiu de 6,92% para
7,01%, girando R$ 20,744 bilhões. Entre os DIs com vencimento no longo prazo, o
contrato para janeiro de 2017 subiu de 8,36% para 8,38%, com movimentação
financeira de R$ 12,499 bilhões.
O número de contratos negociados atingiu 1.934.994, uma queda de 39,4%
quando comparado aos negócios realizados no pregão de ontem. O volume
financeiro somou R$ 169,893 bilhões.
Câmbio
O dólar comercial encerrou as negociações de hoje com valorização de
0,57% a R$ 2,0890 para compra e R$ 2,0910 para venda. Durante o dia a moeda
oscilou entre a mínima de R$ 2,0720 e a máxima de R$ 2,0930. Na semana, a
moeda recuou 1,87%.
"A produção industrial alemã apresentou uma queda inesperada e favoreceu
o dólar frente ao euro, o que se refletiu no movimento por aqui. O mercado
também fez realização de lucros e recomposição de investimentos", aponta
Rostagno.
A produção industrial da Alemanha recuou 2,6% em outubro na comparação
com setembro, quando caiu 1,3% (valor revisado). Os dados ajustados sazonalmente
foram divulgados hoje pelo Ministério de Economia e Tecnologia do país. Em
relação a outubro de 2011, houve um aumento de 3,1% (dado sem ajuste sazonal).
No mercado futuro, o contrato de dólar com vencimento em janeiro de 2013
recuou 0,09%, a R$ 2.082,000 e o contrato com vencimento em fevereiro de 2013
avançava 0,02%, para R$ 2.095,500.
Dado de emprego nos EUA anima e Bovespa ensaia rali
SÃO PAULO - A Bovespa aproveitou o clima positivo nos mercados internacionais
para tentar tirar parte do atraso do ano nesta sexta-feira. Investidores
compraram blue chips e também ações que estavam mais descontadas na semana. Na
ponta vendedora ficaram alguns papéis de energia e também ações com gordura
para queimar neste ano, como Hypermarcas.
Lá fora, a animação veio do indicador de emprego nos EUA, chamado de "payroll",
que mostrou uma geração de 146 mil empregos em novembro nos Estados Unidos,
acima da previsão de criação 80 mil vagas feita por economistas.
Mas Wall Street reduziu a empolgação, especialmente após o presidente da Câmara
dos Representantes, o republicano John Boehner, acusar o presidente Barack
Obama de conduzir "lentamente" a economia para a beira do "abismo fiscal". Ele
afirmou que não foi obtido nenhum avanço nas negociações para evitar a entrada
em vigor de uma série de aumentos nos impostos e cortes nos gastos programados
para o início de 2013.
O Ibovespa fechou em alta de 1,44%, aos 58.487 pontos. Desta forma, a bolsa
brasileira acumula ganho de 1,76% em dezembro, mas sobe apenas 3,05% no ano. Em
Nova York, próximo do fechamento, o índice Dow Jones subia 0,62%, o Nasdaq caía
0,38% e o S&P 500 avançava 0,27%.
"O mercado está tentando corrigir um pouco do atraso da Bovespa, enquanto as
bolsas americanas estão esticadas", avaliou um operador. Ele lembrou ainda que
parte dessa "animação" pode ser reflexo da proximidade do vencimento de opções
sobre índice e Ibovespa Futuro, na quarta-feira (12).
O volume financeiro voltou a ser fraco, de apenas de R$ 5,577 bilhões. Ou seja,
a meia hora a mais de pregão que a Bovespa implementou nesta semana não trouxe
vantagens em termos de liquidez. A medida tem como objetivo reduzir a janela
entre o funcionamento da bolsa brasileira e Wall Street, que chegava a duas
horas antes da alteração do horário. Conforme o balanço mensal divulgado ontem
pela BM&FBovespa, a média diária em novembro foi de R$ 6,6 bilhões, a mesma de
outubro, embora o volume total tenha caído 14% devido ao maior número de
feriados no mês passado.
Sem grandes notícias relevantes no dia, os investidores compraram ações que
estavam mais atrasadas ou que caíram forte nesta semana. É o caso de Usiminas
ON (5,26%) e PNA (4,54%), MMX ON (4,61%) e Gol PN (3,63%).
O setor de construção avançou novamente, ainda embalado pelas medidas
anunciadas esta semana pelo governo, de desoneração da folha de pagamentos.
Gafisa ON (6,55%) liderou os ganhos do Ibovespa, PDG Realty ON teve alta de
4,41, MRV ON ganhou 2,01% e Rossi ON teve alta de 1,86%.
Depois de uma abertura negativa, Bradesco PN (0,05%) e Itaú PN (0,18%),
encerraram com altas moderadas, enquanto Banco do Brasil ON avançou 2,14% e
Santander Unit teve alta de 0,62%. O Tribunal Regional do Trabalho da 2 Região
suspendeu as demissões sem justa causa feitas pelo Santander na cidade de São
Paulo e região metropolitana nos últimos dias, segundo liminar deferida no fim
da tarde de quinta-feira.
O Santander informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que realizou esta
semana "algumas mudanças organizacionais que levaram a uma redução de cerca de
1.000 pessoas de seu quadro de funcionários". O banco não determina em que
regiões tais demissões foram feitas. Segundo as entidades sindicais, as
demissões passariam de 2 mil pessoas em todo o país.
Na ponta negativa do Ibovespa ficaram algumas elétricas: Eletropaulo PN
(-0,89%), Eletrobras ON (-0,74%) e CPFL ON (-0,49%). E também ações que estão
com grandes ganhos no ano, como Hypermarcas ON (-0,69%) e Ambev PN (-0,49%),
que acumulam altas de 83,7% e 33,4% em 2012, respectivamente. Nenhum papel do
índice caiu mais de 1% hoje.
Fora do Ibovespa, mereceram atenção Time For Fun ON (-6,66%), Equatorial ON
(4,22%, a R$ 17,51) e Telebrás PN (14,32%).
A companhia de entretenimento sofreu com o que está sendo chamado nas mesas de
operação de "efeito Madonna". Os shows da popstar no Brasil, promovidos pela
T4F, não têm conseguido lotar os estádios onde estão sendo realizados. Há
poucas semanas atrás, Lady Gaga, também trazida ao Brasil pela T4F, enfrentou o
mesmo problema.
A Equatorial fechou há poucos minutos sua oferta primária de ações, ao preço de
R$ 16,00 por ação, um desconto de 9,4% em relação ao preço de mercado. E a
Telebrás anunciou a ativação de 4,6 mil quilômetros da rede de fibras ópticas
interligando nove Estados da região Nordeste a Brasília.
PERSPECTIVA SEMANAL: Ata do Fed e Grécia vão estar na rota dos investidores
São Paulo, 7 de dezembro de 2012 - A expectativa para o Ibovespa, principal
índice da BM&FBovespa, continua nebulosa, mesmo depois de registrar alta
semanal de 1,76%. A indefinição entre os partidos Democrata e Republicano para
o desenrolar do abismo fiscal nos Estados Unidos e a falta de uma sequência de
indicadores externos positivos têm freado o tradicional de fim de ano no
mercado acionário brasileiro. Na próxima semana, as previsões da Ata do
Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e as reuniões na Europa
que vão definir o rumo da Grécia vão guiar as decisões dos investidores.
O destaque da próxima semana será o anúncio da decisão de política
monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que
acontecerá na quarta-feira à tarde. No mesmo período, Ben Bernanke,
presidente do Fed, falará à imprensa sobre as perspectivas para a economia
norte-americana. "Essas projeções de crescimento do PIB [Produto Interno
Bruto] e mercado de trabalho são primordiais para os investidores", salienta
Nastássia Romanó, economista da Omar Camargo Corretora.
Perto do fim da semana, o indicador de criação de postos de trabalho e
taxa pedidos de seguro-desemprego vão ser o termômetro dos pregões nas
principais bolsas do mundo, e no dia seguinte, a produção industrial das
companhias norte-americanas será importante para avaliar a evolução da
consumo no país.
Segundo Clodoir Vieira, analista-chefe da corretora Souza Barros, a
injeção de capital externo no País tem diminuído gradativamente, e, se
ocorrer alguma melhora, será de maneira lenta. "O mercado aguarda que o
governo grego anuncie na segunda-feira o programa de recompra de títulos para
reduzir a aversão a risco no curto prazo", afirma.
Ainda na Europa, acontecerá na quarta e quinta-feiras a reunião do
Conselho Europeu, que deverá ter como foco a situação político-econômica na
Grécia. A economista da Omar Camargo Corretora pontua que, durante este
encontro, haverá a possibilidade de ser definido um prazo para a liberação de
recursos àquele país. "Se isso acontecer, o cenário melhora para a zona do
euro."
Dentre os indicadores mais importantes, destacam-se os índices dos gerentes
de compras (PMIs, na sigla em inglês) do setor industrial na eurozona e da
Alemanha. Ainda no bloco da eurozona, será informado no meio da semana a
produção industrial do bloco econômico. Na China, novamente o PMI relacionado
ao setor de manufatura influenciará o movimento de ações da mineradora Vale
e das principais empresas brasileiras exportadoras de commodities.
Para a economista da Omar Camargo, o boletim Focus, do Banco Central (BC),
será um importante indicador de como estarão as previsões das principais
instituições financeiras do País para o PIB e o Indice Nacional de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA), após a divulgação desses indicadores que
mostraram a evolução da inflação. Na quinta, as vendas do varejo aferidas
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
CONTRATO DE ARÁBICA NA ICE JÁ ACEITA BRASIL
A criação de mais postos de trabalhos do que esperado nos Estados Unidos para o mês de novembro teve impacto menos positivo do que as revisões para baixo de números dos meses anteriores, assim como a resposta negativa da confiança do consumidor depois do furacão Sandy.
Na Europa o crescimento menor da Alemanha e taxas inflacionárias mais baixas para a os países da moeda comum, indicam nova queda dos juros para a região – fatores que enfraqueceram o euro na semana.
O mercado acionário continua de olho nas discussões do congresso americano sobre o abismo fiscal, e seu efeito já é sentido para algumas ações que tiveram bom desempenho nos últimos anos. Isto porque mesmo com indefinições, muitos investidores esperam uma alíquota de impostos maior tanto para dividendos como para ganhos de capital, portanto é melhor por no bolso lucros até o fim de 2012.
Os principais índices de commodities caíram um pouco nas últimas semanas, sendo que do dia 16 de novembro até sexta-feira dia 7 de dezembro o café esteve entre as que mais perderam junto com gás natural, gasolina, óleo de aquecimento e petróleo.
O contrato do arábica em Nova Iorque tem conseguido se manter ao redor de US$ 150 centavos por libra, fazendo movimentos de alta provocados por cobertura de posição vendida dos fundos. Tão logo os preços sobem, acabam encontrando origens ávidas na venda, que levam as cotações para baixo novamente.
O robusta por ora respeita os 1850 dólares por tonelada, nível que se rompido pode atrair vendas de especuladores, e eventualmente mudar a atitude retraída nas vendas de Vietnã e Indonésia.
No mercado físico a movimentação só acontece com as altas do terminal, muito embora os diferenciais para os naturais tenham enfraquecido mesmo com a bolsa ficando “de lado”.
A demanda no spot tem tido destaque maior nos Estados Unidos, já que os torradores tem conseguido comprar diferenciais mais atrativos e esperam um barateamento no basis pois vêem um volume de café aumentando na mãos de praticamente todas as origens.
Nesta semana o CECAFE informou que no mês de novembro, 2.98 milhões de sacas foram exportadas pelo Brasil, acumulando o volume do atual ano-safra (que começou em julho) em 12,695 milhões, ou 10% a menos do que o ano passado. Isto não se esquecendo de que a safra corrente é maior do que a anterior, e vale mencionar que há bastante café sendo negociado ainda da safra 11/12. A leitura inevitavelmente acaba sendo negativa para os diferenciais, que creio deve abrir (ficar mais negativos) no primeiro trimestre de 2013.
A OIC também divulgou dados das exportações mundiais até outubro, e os números dos últimos doze meses apontam um aumento total de volume em 4.5% , sendo que o robusta aumentou 16.2% no período.
Outra informação importante divulgada por uma das maiores tradings do ramo, é que a importação entre janeiro e agosto de 2012 na União Européia foi de 0.8%, com o Vietnã pela primeira vez passando o Brasil em 200 mil sacas (8.6 milhões e 8.4 milhões respectivamente).
Está difícil ficar muito otimista para a recuperação dos preços do terminal, principalmente depois de termos visto o alargamento do spread entre os contratos de dezembro e março na ICE (que chegaram a incríveis 9 centavos de desconto), e o constante incremento dos estoques certificados do arábica. O contrato presente, março de 2013, já aceitará a entrega dos “não-naturais” brasileiros, assim como contempla penalidades maiores aos cafés velhos (motivo principal da abertura do spread).
Vai ser interessante acompanhar as certificações de Brasil, que acontecerão naturalmente – sem trocadilho aqui, por favor. Isto não significa que quem certifica entregará, óbvio, pois comercialmente a entrega de cafés semi-lavados não faz sentido acontecer a 9 centavos de desconto in-store .
Parece que o mercado em Nova Iorque continuará dentro do intervalo entre 140 e 160 centavos por algum tempo – salvo se o Real brasileiro voltar a testar as mínimas de maio de 2009 ou se (sabe-se lá porque) os fundos resolverem ficar comprados.
Uma excelente semana e muito bons negócios a todos.
De Dubai,
Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting
CNC - BALANÇO SEMANAL — 03 a 07/12/2012
Setor busca novos mecanismos para comercialização do café e negocia com o governo medidas de suporte frente aos atuais preços aviltantes. No mercado, os fundos, com perigosa exposição vendida, realizaram recompras e sustentaram ganhos no acumulado da semana.
NOVA PLATAFORMA COMERCIAL — Na quarta-feira (05), o Conselho Nacional do Café (CNC) organizou uma audiência, em sua sede de Brasília (DF), com representantes da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da BM&FBOVESPA e das regiões produtoras do País. Na oportunidade, o diretor de Commodities da Bolsa, Ivan Wedekin, apresentou uma nova plataforma comercial para o café, embasada em negociações de mercado futuro.
Após debater a ideia com os presentes, entendemos que não se trata de uma ferramenta para sanar os baixos preços praticados pelo mercado atualmente, mas que terá grande valia, pois será possível trabalhar com travas de preço, de maneira que o produtor já tenha ciência de quanto receberá por seu café. Esse plataforma está agora em processo de ajustes finais e deveremos apresentá-la em breve.
PROTEÇÃO AO PRODUTOR — Na quinta-feira (06), em conjunto com opresidente da Comissão do Café da CNA, Breno Mesquita, participamos de audiência com o secretário-adjunto de Política Agrícola da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, João Rabelo, e com os secretários Executivo e de Produção e Agroenergia, José Carlos Vaz e Gerardo Fontelles, respectivamente, e o diretor do Departamento do Café do Mapa, Edilson Alcântara. A audiência teve como objetivo a adoção de medidas que deem suporte financeiro aos produtores para que não tenham que vender o produto aos baixos preços atuais para honrar parcelas de estocagem e demais linhas de financiamento.
De acordo com compromisso assumido em reuniões prévias realizadas nos dias 21 de novembro e 4 de dezembro, o secretário José Carlos Vaz explicou nossas propostas ao Ministério da Fazenda, reforçando a necessidade de que medidas emergenciais sejam adotadas no que diz respeito a reescalonamento dos recursos do Funcafé e demais mecanismos de garantia de renda.
Foi discutida a possibilidade de acordo no sentido de se contemporizar os vencimentos das linhas do Funcafé que ocorram nos meses de dezembro e janeiro até que o mercado chegue a um nível referencial e mesmo a possibilidade do adiamento desses pagamentos, o que será confirmado na semana que vem.
Após as tratativas, definiu-se, ainda, que os representantes do governo federal elaborarão um voto, objetivando o remanejamento dos recursos das várias linhas do Funcafé — haja vista que algumas estão com demanda reprimida enquanto outras se encontram com recursos disponíveis, porém sem demanda —, o qual será encaminhado para apreciação do Conselho Monetário Nacional (CMN).
MERCADO — Após várias tentativas de rompimento dos suportes que vieram abaixo de US$ 1,50 por libra peso, os fundos acabaram, no pregão desta sexta-feira (07), realizando recompras que fizeram o contrato março se recuperar. O movimento evidenciou a alta e perigosa exposição vendida dos fundos, que, não encontrando respaldo por parte dos produtores, os quais tem se mantido fora do mercado nos níveis praticados nas últimas semanas, tiveram dificuldade em recomprar suas posições, o que levou a uma alta rápida no pregão de hoje e consolidou os ganhos na semana.
De fato, conforme temos alertado em nossas análises, as baixas que tem sido registradas não encontram respaldo nos fundamentos do mercado. Corroborando com nossa visão, está o diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Robério Silva. Em entrevista concedida durante o Encafé, ele observou que há um ajuste “precário” entre oferta e demanda, tendo em vista que a produção mundial em 2011/12 foi indicada pela entidade em 134,5 milhões de sacas, com o consumo situando-se em 139 milhões de sacas em 2011, o que levou a um déficit de oferta de 4,5 milhões de sacas.
Em seu último relatório mensal, a Organização indicou que, na temporada cafeeira 2012/13, a produção deverá ficar em aproximadamente 146 milhões de sacas. Com o consumo projetado em 142 milhões de sacas, o superávit na oferta ficaria em torno de 4 milhões de sacas, o que apenas cobriria o déficit do ano safra anterior.
Segundo Robério, os estoques dos países consumidores permanecem em torno de 20 milhões de sacas nos últimos quatro anos, não sofrendo grandes alterações. O que ele admite afetar o mercado é a crise macroeconômica, com os problemas em países europeus destacadamente, mas também com o crescimento econômico complicado nos Estados Unidos, China e outras nações, fato que prejudica as commodities como um todo, incluindo o café. “A disponibilidade de financiamentos das empresas foi bem afetada”, alertou.
Ainda assim, o executivo da OIC acredita que, como não há mudanças nos fatores fundamentais, em “algum momento o mercado vai reverter essa situação”, o que, conforme ele, não deverá demorar. Entretanto, Robério Silva preferiu não arriscar o potencial de reversão que as cotações na Bolsa de Nova York, por exemplo, podem registrar.
Atenciosamente,
Silas Brasileiro
Presidente Executivo do CNC

sábado, 8 de dezembro de 2012

LEVANTAMENTO DE SAFRAS DESTACA QUEDAS NOS PREÇOS EM NOVEMBRO-QUADRO
Os preços do café caíram de maneira generalizada no
Brasil em reais e em dólares no mês de novembro, tanto para o arábica quanto
para o conillon. É o que mostra levantamento de SAFRAS & Mercado.
Novembro encerrou com preços mais baixos para todas as bebidas
acompanhadas por SAFRAS & Mercado no mercado brasileiro de café, superando em
alguns casos a desvalorização do grão no referencial externo. Na Bolsa de
Mercadorias de Nova York, o segundo contrato de café apresentou recuo de 7,17%,
com cotação média de US$ 151,54 cent/lb. Ao longo do mês, os produtores
aproveitaram alguns repiques dos preços no mercado internacional para escoar
lotes e reduzir o volume de café armazenado. A necessidade de cobrir custos
frente à chegada do final do ano fez com que vendedores demonstrassem maior
disposição aos negócios. A valorização do dólar frente ao real, que fechou
com apreciação de 2,0%, vendido ao preço médio de R$ 2,0704, não ajudou a
conter a queda dos preços.
A bebida dura do Sul de Minas Gerais apresentou recuo de 7,46% em reais na
comparação com o mês de outubro, com preço médio de R$ 355,35 contra R$
384,00 por saca de 60 kg. Com relação ao mesmo momento do ano passado, a
bebida demonstra uma expressiva queda de 30,0%. Em novembro de 2011, essa bebida
chegou a ser vendida a R$ 520,00 a saca. Os produtores sul mineiros, diferente
da temporada passada, estão com níveis elevados de estoques, tanto de lotes
remanescentes da safra passada como da atual, e acabaram negociando parte destes
cafés ao longo do mês.
No Cerrado Mineiro, a bebida mais fina também encerrou o mês com preços
mais baixos: a queda foi de 6,7%. O preço médio praticado em novembro foi R$
367,30 por saca. Já em outubro, o preço foi de R$ 393,68 por saca. Em
dólares, a bebida foi negociada a US$ 177,41 por saca, recuo de 8,53% com
relação ao mês passado, quando foi cotada a US$ 193,96 por saca. Para
comparação, o segundo contrato na ICE Futures em sacas por 60 kg apresentou
preço de US$ 204,10 contra US$ 223,61 por saca no mês anterior.
O café Rio tipo 7 da Zona da Mata de Minas Gerais foi o mais pressionado
no mês de novembro. A bebida encerrou com preço médio de R$ 282,55 por saca,
queda de 7,48% com relação a outubro, quando foi negociado a R$ 305,41 por
saca. Maior disponibilidade desta bebida ajuda a justificar a queda, que pela
primeira vez nos últimos doze meses foi negociada abaixo de R$ 300,00 por saca.
Em janeiro deste ano, a bebida era indicada com preço médio de R$ 347,50, a
máxima de 2012, acumulando desde então uma queda de 18,69%.
No Espírito Santo, principal produtor do conillon, os preços recuaram
forte, como não era visto desde a entrada da safra. O conillon tipo 7 caiu
5,84% a R$ 264,55 por saca, contra R$ 280,95 em outubro. A pressão causada pela
entrada da safra de robusta do Vietnã explica a desvalorização. Em divisa
estrangeira, foi vendido a US$ 151,54 por saca, baixa de 7,17%. Em Londres, o
segundo vencimento do robusta apresentou desvalorização média de 7,79%,
cotado a US$ 115,10 por saca de 60 kg.
Acompanhe abaixo o quadro com o comparativo da evolução mensal dos
preços médios em reais e em dólares e em outros períodos:
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CAFÉ: PREÇOS MÉDIOS MERCADO FISICO INTERNO
- em saca de 60 quilos -
---------------------------------------------------------------------------
EVOLUÇÃO MENSAL COMPARATIVA - ANO 2011/2012
Fino Cerrado Duro Sul Café Rio Conillon 600 defeitos NY
(1) MG (2) (3) 7 (4) (5) (6)
- em reais -
---------------------------------------------------------------------------
Novembro2011 518,60 507,70 325,80 261,25 338,50 -
Dezembro2011 521,62 511,86 333,33 292,76 346,90 -
Janeiro2012 508,86 499,05 347,50 289,36 362,50 -
Fevereiro2012 451,84 444,00 333,26 263,26 334,47 -
Março2012 403,41 391,64 308,41 248,18 309,55 -
Abril2012 391,25 381,25 319,30 234,70 299,25 -
Maio2012 393,18 383,77 332,05 244,14 329,32 -
Junho2012 369,50 357,95 312,85 245,45 319,00 -
Julho2012 416,50 407,18 335,14 270,23 339,77 -
Agosto2012 391,70 378,91 315,48 271,00 331,96 -
Setembro2012 397,00 386,68 311,89 283,74 334,74 -
Outubro2012(b) 393,68 384,00 305,41 280,95 331,36 -
Novembro2012(a)367,30 355,35 282,55 264,55 313,75 -
Var % (a/b) -6,70 -7,46 -7,48 -5,84 -5,32 -
---------------------------------------------------------------------------
- em dólares -
Novembro2011 289,24 283,16 181,71 145,71 188,79 309,77
Dezembro2011 283,61 278,30 181,23 159,18 188,61 299,60
Janeiro2012 284,60 279,11 194,35 161,84 202,74 299,25
Fevereiro2012 263,12 258,55 194,07 153,30 194,77 279,46
Março2012 224,87 218,30 171,91 138,34 172,54 250,18
Abril2012 210,73 205,35 171,98 126,41 161,18 238,71
Maio2012 197,92 193,18 167,14 122,89 165,77 231,33
Junho2012 180,33 174,69 152,68 119,79 155,69 210,02
Julho2012 205,29 200,70 165,19 133,19 167,47 243,31
Agosto2012 193,15 186,85 155,57 133,63 163,69 221,98
Setembro2012 195,82 190,73 153,84 139,95 165,11 230,59
Outubro2012(b) 193,96 189,19 150,47 138,42 163,26 223,61
Novembro2012(a)177,41 171,64 136,47 127,78 151,54 204,10
Var % (a/b) -8,53 -9,28 -9,30 -7,69 -7,17 -8,72
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COMPARATIVO ANUAL COM BASE NO MES DE SETEMBRO
Fino Cerrado Duro Sul Café Rio Conillon 600 defeitos NY
(1) MG (2) (3) 7 (4) (5) (6)
---------------------------------------------------------------------------
- em dólares -
2006 125,85 123,28 103,52 92,30 100,05 158,74
2007 141,54 138,72 124,04 115,49 127,31 167,57
2008 117,62 115,95 93,11 96,03 100,04 153,20
2009 159,89 157,60 110,11 91,74 129,68 185,95
2010 213,70 211,60 126,78 105,58 136,02 273,58
2011 (d) 289,24 283,16 181,71 145,71 188,79 309,77
2012 (c) 177,41 171,64 136,47 127,78 151,54 204,10
Var % (c/d) -38,66 -39,38 -24,89 -12,30 -19,73 -34,11
---------------------------------------------------------------------------
COMPARATIVO TEMPORADA COMERCIAL
Fino Cerrado Duro Sul Café Rio Conillon 600 defeitos NY
(1) MG (2) (3) 7 (4) (5) (6)
---------------------------------------------------------------------------
- em dólares -
2007/08 147,11 144,30 128,65 117,43 129,01 176,23
2008/09 128,67 127,02 104,47 102,22 112,44 164,82
2009/10 155,72 152,54 112,34 93,66 125,36 181,19
2010/11 258,60 255,39 150,63 114,29 156,82 303,01
2011/12 (f) 260,52 255,19 178,86 138,27 183,46 288,33
2012/13(e)** 193,13 187,82 152,31 134,60 162,22 224,72
Var % (e/f) -25,87 -26,40 -14,84 -2,66 -11,58 -22,06
---------------------------------------------------------------------------
COMPARATIVO ANO CIVIL*** - EM DÓLARES
Fino Cerrado Duro Sul Café Rio Conillon 600 defeitos NY
(1) MG (2) (3) 7 (4) (5) (6)
---------------------------------------------------------------------------
- em dólares -
2007 130,02 127,42 117,57 102,68 114,30 176,23
2008 145,69 143,33 123,72 118,81 128,46 178,67
2009 135,35 133,52 102,73 94,89 114,50 169,17
2010 181,93 178,64 121,24 94,73 131,79 218,46
2011 (h) 305,45 300,91 178,31 134,36 184,20 339,02
2012 (g)****211,56 206,21 164,88 135,96 169,43 239,32
Var % ( g/h)-30,74 -31,47 -7,53 1,19 -8,02 -29,41
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Fonte: SAFRAS & Mercado
Obs: (1) Bica de Café Fino (até 10% de catação) do Cerrado de Minas Gerais
(2) Bica de Bebida Dura (até 15% de catação) do Sul de Minas Gerais
(3) Bica de Bebida Rio tipo 7 da Zona da Mata de Minas Gerais
(4) Bica de Café Conillon tipo 7 posto em Vitória no Espírito Santo
(5) Bica de Arábica com 600 defeitos - Consumo Interno - Minas Gerais
(6) Base segundo contrato de café na Bolsa de NY (NYBOT) - convertido em US$
por 60 quilos
** Acumulado parcial do ano comercial Novembro/2012)
*** Acumulado janeiro a dezembro **** acumulado até Novembro/2012
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Café tem dia de alta na ICE em sessão totalmente esvaziada

Café tem dia de alta na ICE em sessão totalmente esvaziada  
   Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quinta-feira com altas, em uma sessão fraca e na qual as compras especulativas deram sustentação ao mercado e permitiram fazer com que o março revertesse o quadro da sessão passada, quando as cotações chegaram nos menores níveis em 30 meses, e conseguissem voltar a flutuar em um nível acima do patamar psicológico de 150,00 centavos.  Os ganhos, no entanto, não foram dos mais consistentes, sendo suficientes apenas para a segunda posição continuar a giram nesse intervalo que vem sendo "trabalhado" há algumas semanas. O clima do mercado é de calma, com os volumes negociados sendo baixos e com muitos players já em ritmo de contabilidade e de acerto dos livros para a finalização das atividades do ano-exercício.  Tecnicamente, o mercado mantém-se sobrevendido, sem, contudo, se observar uma força mais efetiva para a busca de intervalos mais consistentes, como os níveis básicos de 155,00 e 160,00 centavos para a base março, o mercado também carece de novidades.  No encerramento do dia, o março em Nova Iorque apresentou alta de 185 pontos, com 150,95 centavos, sendo a máxima em 151,50 e a mínima em 149,00 centavos por libra, com o maio tendo valorização de 185 pontos, com a libra a 153,80 centavos, sendo a máxima em 154,30 e a mínima em 151,90 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição janeiro teve alta de 24 dólares, com 1.905 dólares por tonelada, com o março tendo valorização de 25 dólares, com 1.911 dólares por tonelada.  De acordo com analistas internacionais, o dia foi caracterizado por uma abertura próxima do nível psicológico de 150,00 centavos e uma tentativa inicial de se buscar, mais uma vez, as baixas. Entretanto, os vendedores não conseguiram levar a segunda posição para além dos 149,00 centavos e, paulatinamente algumas recompras e aquisições especulativas foram identificadas e os ganhos se formaram. No entanto, o ganho máximo do dia não passou dos 240 pontos. O café se dissociou de várias outras commodities que, recuaram mais uma vez, com a pressão, principalmente, do dólar, que subiu em relação a várias moedas internacionais. No entanto, o dólar recuou fortemente em relação ao real brasileiro, o que fez com que vários vendedores dessa origem tivessem atuação limitada e discreta. "Foi uma sessão técnica e conseguimos uma ligeira correção, que permitiu apenas o março ficar ligeiramente acima dos 150 centavos, sem, no entanto, se mostrar 'disposto' a testar intervalos consistentes.  É um mercado apático e sem lances mais efetivos capazes de mudar direcionamentos", disse um trader.  As exportações de café do Brasil em novembro chegaram a 2,79 milhões de sacas, retração de 8% em relação ao mesmo mês de 2011, segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Segundo a entidade, o faturamento no mês com as remessas do grão totalizaram 583,5 milhões de dólares, redução de 31,1%. Por tipo, as remessas do mês foram 83,9% de arábica e 11,8% de solúvel, 4,2% de conillon e 0,1% de torrado e moído. Segundo Guilherme Braga, diretor executivo do Conselho, a queda em volume e receita foi "sinalizada" em meses anteriores com problemas no início da safra, principalmente pelas chuvas e depreciação do grão, o que reduziu a oferta. Braga calculou que as remessas de 2012 deverão ficar 5 milhões de sacas abaixo do consolidado do ano passado.  Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram alta de 6.235 sacas, indo para 2.520.370 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 10.334 lotes, com as opções tendo 3.927 calls e 1.490 puts — floor mais eletrônico. Tecnicamente, o março na ICE Futures US tem uma resistência em 151,50, 152,00, 152,15, 152,50, 153,00, 153,15, 153,50, 154,00, 154,50, 154,90-155,00, 155,50, 156,00, 156,20-156,25, 156,50, 157,00, 157,15 e 157,50 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 149,00, 148,50, 148,00, 147,50, 147,00, 146,50, 146,35, 146,00, 145,50, 145,10-145,00, 144,50, 144,00, 143,50, 143,00, 142,50 e 142,00 centavos por libra.   
 Londres tem bons ganhos e fecha dia próximo das máximas 
    Os contratos futuros de café robusta negociados na Euronext/Liffe encerraram esta quinta-feira com novas altas, que permitiram uma reversão do quadro atual e fizeram com que o janeiro voltasse a flutuar acima do nível psicológico de 1.900 dólares por tonelada, em uma sessão com um volume de negócios dentro da média e com algumas rolagens de posição, notadamente entre janeiro e março.  Segundo analistas internacionais, o dia foi marcado por ações técnicas, com os compradores voltando a se mostrar mais ativos e permitindo fazer com que o fechamento dos negócios se desse próximo das máximas da sessão. "Tivemos uma nova onda compradora, que vem permitindo garantir alguma consistência ao café. Ainda estamos um tanto quanto distantes daquele nível praticado até há pouco, entre 2000 e 2100 dólares, mas, ao menos, as retrações mais agudas foram controladas", sustentou um trader.  O dia na bolsa de Londres teve o contrato de café de janeiro com uma movimentação de 5,57 mil lotes, com o março tendo 4,68 mil lotes negociados. O spread entre as posições janeiro e março ficou em 6 dólares. No encerramento da sessão na Euronext/Liffe, a posição janeiro teve alta de 24 dólares, com 1.905 dólares por tonelada, com o março tendo valorização de 25 dólares, com 1.911 dólares por tonelada.   
 Medidas garantem 4ª queda seguida do dólar
O dólar fechou a quinta-feira em queda pelo quarto dia consecutivo, na maior sequência de baixas desde o início de agosto. O mercado permanece influenciado pelas recentes medidas tomadas para o câmbio, especialmente aquela anunciada na quarta-feira, revendo regras de incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre empréstimos no exterior. Para operadores, a moeda agora deve se estabilizar perto do patamar atual até o fim do ano, com o BC voltando à cena no caso de oscilações mais fortes.O dólar fechou em baixa de 0,86%, a R$ 2,079, após chegar a cair a R$ 2,076 na mínima do dia."Agora o dólar deve ficar nesse patamar até que o mercado tente testar o BC de novo", disse Mario Battistel, diretor de câmbio da Fair Corretora. Para ele, a alta da divisa americana foi exagerada, o que levou governo e BC a atuarem. "O BC deixou passar um pouco do ponto, aí teve que atuar mais forte."Segundo Battistel, a expectativa é que a moeda não volte a cair tão cedo, principalmente por conta do discurso recorrente da presidente Dilma Rousseff, de que quer o dólar num patamar em que possa ajudar a impulsionar a atividade econômica.As recentes medidas para o câmbio reforçam a convicção no mercado de que o BC não quer um real depreciado muito além de R$ 2,10. Entre operadores, a expectativa é que a autoridade monetária atuará para evitar volatilidade elevada no câmbio.Ainda assim, a recente alta do dólar já provocou revisões nas expectativas para a taxa de câmbio. O Itaú Unibanco, por exemplo, elevou a projeção para o dólar no fim deste ano de R$ 2,02 para R$ 2,10. Para o ano que vem, o banco prevê alta adicional de 2,38%, levando a cotação a R$ 2,15. A mudança, segundo o Itaú, reflete a "fraqueza do crescimento" e "a sinalização de política econômica de aumentar a competitividade através de um câmbio mais depreciado".Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, divulgada ontem, o BC se limitou a ajustar para R$ 2,10 a taxa que utiliza em seu cenário de referência, sem dar mais explicações."Não seria prudente o BC entrar nessa questão muito a fundo, porque ele poderia se comprometer e ser obrigado a mudar o tom depois", disse o economista-chefe da Planner Investimentos, Eduardo Velho. Para ele, a manutenção das expectativas para a inflação em 2013 e 2014 sinaliza que a autoridade monetária não está vendo impacto tão relevante da alta da moeda americana na dinâmica dos preços. 
 
 Dados econômicos positivos dão ânimo a bolsas nos EUA e na Europa
  As principais bolsas da Europa fecharam em alta puxadas por dados positivos da região e pela melhora de dados de emprego dos Estados Unidos. O mercado acionário americano encerrou o dia com pequena valorização.Todavia, os ganhos foram minimizados pelas declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que admitiu que as perspectivas para a zona do euro são fracas e que ainda é muito cedo para saber se o programa de recompra de títulos da Grécia será bem sucedido. Ontem o BCE anunciou a manutenção da taxa básica de juros da zona do euro em 0,75%.Em Londres, o FTSE 100 avançou 0,16%, para 5.901,42 pontos. Como esperado, o Banco da Inglaterra também manteve a taxa de juros em 0,5% ao ano e o atual programa de compra de ativos em 375 bilhões de libras.O CAC-40, de Paris, ganhou 0,31%, para 3.601,65 pontos. O DAX, de Frankfurt, subiu 1,07%, para 7.534,54 pontos. O IBEX-35, de Madri, teve alta de 0,35% e foi para 7.910,80 pontos. Indo no movimento contrário, o MIB, de Milão, caiu 0,75%, para 15.835,22 pontos.Nos EUA, o índice Dow Jones subiu 0,30% e fechou com 13.074,04 pontos, em seu melhor nível em um mês. O S&P-500 avançou 0,33%, aos 1.413,94 pontos. O Nasdaq Composite subiu 0,52% e fechou a 2.989,27 pontos.Entre os indicadores econômicos conhecidos ontem, destaque para o PIB da zona do euro, que caiu 0,1% no terceiro trimestre ante o segundo e recuou 0,6% na comparação anual. Apesar do recuo, o resultado não foi mal recebido pelos investidores porque veio em linha com a leitura preliminar. Na Alemanha, as encomendas à indústria vieram acima das expectativas dos analistas e subiram 3,9% em outubro, além da projeção de alta de 1%.Segundo o Departamento do Trabalho americano, o número de pedidos de seguro-desemprego caiu em 25 mil, para 370 mil, na semana encerrada em 1 de dezembro. Analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires previam uma queda de 18 mil, para 375 mil.
   Juro em baixa faz investidor trocar ações de bancos por construtoras
 O mercado financeiro está reavaliando as ações de bancos para baixo e os papéis do setor de construção para cima, após a ata do Copom reforçar as apostas dos economistas de que a taxa básica de juros continuará caindo no ano que vem. Algumas instituições revisaram suas estimativas para a Selic, atualmente em 7,25% ao ano, e agora esperam seu recuo até 6,25% no fim de 2013.Com a economia dando sinais de fraqueza e o risco de a inflação acelerar, um cenário de juro real negativo já é visto como provável, o que complicaria a rentabilidade dos bancos e, ao mesmo tempo, representaria um incentivo ao setor de construção."A curva de juros derreteu. A taxa do DI para janeiro de 2014 já está abaixo de 7%", observa o estrategista da Fator Corretora, Paulo Gala. "E o mercado já está colocando esse novo cenário no preço das ações, vendendo bancos e comprando construtoras."Gala acrescenta que, além da ata do Copom, os dados abaixo do esperado do PIB e da produção industrial reforçaram a aposta do mercado em uma nova rodada de afrouxamento monetário. "Os últimos quatro dias foram horríveis em termos de perspectivas para o crescimento da economia."O economista-chefe da Planner Corretora, Eduardo Velho, já previa uma redução da Selic para 6,5% no ano que vem, com o início do ciclo em agosto. "Depois da ata, acreditamos que os cortes serão retomados já em maio de 2013."Velho acredita que a revisão para baixo das expectativas de crescimento econômico poderá reverter as perspectivas de expansão da carteira de crédito dos bancos, especialmente os privados. "Além disso, o governo tem adotado uma política de pressão sobre o setor, usando bancos públicos para forçar a queda do spread", lembra o especialista da Planner.Já para o setor de construção, a queda dos juros e os sinais de fraqueza da economia poderão ter um viés positivo, avalia Velho. "Juro menor barateia o financiamento imobiliário. E se a expansão do PIB continuar lenta, o governo certamente vai tentar usar ferramentas para impulsionar setores de maior peso na economia, com a construção civil, o automotivo e o de bens de capital."Gala, da Fator, acha difícil a economia crescer 4% no ano que vem. "Está mais para 3% do que para 4%. E se crescer mais de 3%, a inflação pode disparar", alerta, o que reforça a tese de juro real negativo, algo que não acontece no Brasil desde a década de 70.Ontem, as ações do setor financeiro mostraram volatilidade, mas permaneceram a maior parte do pregão em baixa. Bradesco PN recuou 2,06%; Itaú Unibanco PN se recuperou no fechamento e encerrou em baixa de 0,33%; enquanto Banco do Brasil ON marcou queda de 0,40%. Apenas Santander Brasil  Unit teve leve alta de 0,76%.A liberação de até R$ 15 bilhões dos depósitos compulsórios para empréstimos foi considerada positiva para o setor, segundo avaliação do Bank of America Merrill Lynch. O que os bancos emprestarem com as condições do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) 2013, anunciado na quarta-feira pelo ministro Guido Mantega, será abatido do compulsório sobre depósito à vista que as instituições são obrigadas a deixar no Banco Central (BC) sem nenhum tipo de remuneração. Ainda assim, a notícia não teve força para evitar uma realização no setor.Entre as construtoras, a história foi outra. PDG Realty ON (3,93%), Gafisa ON (3,15%), MRV ON (2,67%) e Brookfield ON (1,51%) figuraram entre as principais altas do dia. "O setor vinha com desempenho abaixo da média do mercado até o governo anunciar medidas de desoneração de folha de salários, nesta semana. Agora as ações estão corrigindo o atraso", avalia o gestor de um fundo local.O Ibovespa recuou apenas 0,04%, para 57.656 pontos, com volume de R$ 6,408 bilhões. Investidores demonstraram maior cautela, à espera de notícias sobre o andamento das negociações para evitar o abismo fiscal americano. Eles também aguardam os dados do "payroll" nesta sexta-feira, que revelará quantos empregos foram gerados nos Estados Unidos em novembro. O dado, no entanto, deverá ficar abaixo da média dos últimos meses, na casa de 80 mil empregos, segundo os economistas, devido ao efeito da passagem do furacão Sandy pela Costa Leste.Também mereceu destaque ontem o desempenho de Santos-Brasil Unit (7,44%), que reagiu ao pacote para os portos anunciado pelo governo. "Ao contrário dos outros pacotes setoriais anunciados este ano, esse aparentemente não trouxe nenhuma medida ruim", avaliou um gestor.Na outra ponta da bolsa, Embraer ON perdeu 3,32% após a notícia de que sua concorrente Bombardier recebeu um pedido de 40 jatos regionais da Delta, avaliado em US$ 1,85 bilhão, com opção de compra de mais 30 aviões.  

  Clima: "É muito cedo para determinar um padrão para o café",
diz Andres Illy      Embora seja muito cedo para avaliar os efeitos das mudanças climáticas sobre as plantações de café, os produtores devem se esforçar para melhorar os processos de produção e combater as pragas, disse que os especialistas reunidos na Costa Rica. As alterações climáticas e os benefícios do café para a saúde humana são os dois temas que focalizam a XXIV Conferência Internacional da Ciência do Café, organizado pela Associação para a Ciência ea Informação sobre Café (ASIC, por sua sigla em Inglês), que sendo realizada esta semana na Costa Rica. O presidente da ASIC, o italiano Andrea Illy, disse que "é muito cedo para determinar um padrão" das conseqüências das mudanças climáticas sobre a produção de café, apesar de alguns efeitos são notados. Em lugares como a América Central e as plantações de grãos da Colômbia são mais vulneráveis à seca ou excesso de chuvas, que também causam danos à infra-estrutura e da economia do país, disse o presidente da ASIC. Illy acrescentou que estas condições estão associadas com a mudança climática e que, em alguns cenários futuros para um possível aumento das temperaturas, os produtores podem ser forçados a plantar café em áreas altas e frias. O pesquisador ASIC em questões de mudança climática e café, o holandês Van der Vossen Herbert disse, entretanto, que alguns dos desafios dos produtores de café estão a atingir um melhor uso da água e reduzir o uso de produtos químicos nas plantações. Van der Vossen explicou que o café pode ser alimentado com água da chuva, e que é utilizado em processos industriais para o processamento de grãos pode ser reduzida em mais de 10 por cento melhor utilização da máquina. Segundo o pesquisador, em média, para cada dois quilos de café produzidos no mundo atualmente usa um metro cúbico de água. Outra solução proposta por Van der Vossen é a redução do uso de defensivos agrícolas em troca de maior investigação científica, para estabelecer métodos para gerar uma resistência natural a doenças de plantas e pragas, como a broca-do-café. Quanto Central, disse que a região está se movendo em uma outra maneira de mitigar a mudança climática, como é combinar plantações de café com floresta. Por sua parte, o investigador ASIC em saúde, norte-americano James Coughlin disse sobre os efeitos do consumo de café que muitos dos "más notícias" sobre o assunto têm sido revertida nos últimos anos, graças à pesquisa científica e médica. De acordo com Coughlin, mostrou que o café tem propriedades positivas, que reduzem o risco de vários cancros, doenças de Alzheimer, Parkinson e diabetes. "Por muitos anos pensou-se que o café era apenas um veículo para o consumo de cafeína, mas estes foram reverter má notícia e tem sido demonstrado que a cafeína tem efeitos positivos sobre a saúde", disse ele. De acordo com ASIC, os cientistas mostraram que beber três a quatro xícaras de café por dia, com um máximo de 100 miligramas de cafeína por xícara, é parte de uma dieta saudável e equilibrada. A conferência anual reúne ASIC de segunda a sexta-feira e cerca de 500 representantes do setor de café em 38 países em cinco continentes, a fim de analisar os estudos científicos sobre os benefícios de saúde de beber café e como o desafio da mudança climática. No evento apresenta a pesquisa sobre os benefícios do café para a saúde, ferramentas para combater pragas e doenças, processos de produção, melhoramento genético de grãos e da ameaça da mudança climática, entre outros temas. Segundo Illy, nos últimos anos, os preços internacionais do café sofreram um aumento, que deve ser usado para continuar a investigação, que permitem maior produtividade e melhor qualidade de grãos. 
 Seguro rural: contrastes e reflexões
 Apesar da crise econômica internacional, nosso agronegócio mais uma vez apresentou resultados positivos. Em 2011, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 2,7%, segundo o IBGE, o do agronegócio apresentou um aumento de 4,4% em relação ao ano anterior, de acordo com levantamentos do Cepea/Esalq/CNA. Olhando apenas para os números, a impressão é de que o agronegócio vai muito bem.Um olhar mais atento revela que nem todas as engrenagens estão bem ajustadas. Uma das cadeias mais importantes do agronegócio é a agricultura. Por sua natureza, ela é uma atividade que envolve uma série de riscos, sendo que um dos mais perversos é o climático. Em decorrência de uma seca prolongada as perdas poderão ser elevadas, com prejuízos não apenas aos municípios afetados, mas para uma região geográfica inteira.Ademais, existe a persistência do choque ao longo dos meses subsequentes que, inevitavelmente, afetará outros setores econômicos. Nesse contexto, além de perder a safra os produtores poderão deixar de quitar as dívidas contraídas com seu agente creditício. O governo também se vê em uma situação delicada na medida em que reduz a arrecadação de impostos e tributos e é pressionado a renegociar as dívidas rurais.Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural teve início em 2005, mas ainda está no estágio embrionárioPara contornar esse problema, diversos países desenvolveram um mercado de seguro agrícola que transfere parte do risco e protege o setor agrícola das adversidades climáticas. Para fins de comparação vou citar o caso americano. Em 2011, os EUA foram castigados pela seca, inundações e baixas temperaturas em uma das piores catástrofes climáticas do país, causando enormes prejuízos à agricultura. Ao contrário do que acontece no Brasil, não vemos as ruas da capital do país tomadas por tratores (manifestações conhecidas como "tratoraço") em uma tentativa desesperada de pressionar o governo a renegociar uma enorme dívida rural decorrente da quebra de safra.Eles foram capazes de criar e aprimorar, por mais de 70 anos, uma das mais eficientes políticas agrícolas anticíclicas do mundo por meio de um gigantesco sistema de seguro agrícola capaz de proteger a receita dos seus produtores. Os resultados são surpreendentes. Ao todo, US$ 11 bilhões foram pagos em indenizações aos produtores rurais. Tal montante é o maior da história dos EUA ficando à frente do maior valor registrado até então: quase US$ 9 bilhões em 2008. Mesmo assim, a sinistralidade média foi de 0,91, ou seja, para cada dólar gasto com o seguro foram pagos em indenização 91 centavos de dólar. Bom para o governo, para a indústria de seguros e melhor ainda para os produtores rurais.Como se não bastasse, em 2012, o clima foi ainda pior. De acordo, com os dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA na sigla em inglês) a seca deste ano é a pior dos últimos 25 anos. Estima-se que aproximadamente 80% da área agrícola foi afetada pela seca. Até o momento, os dados oficiais da Agência de Administração de Risco (RMA-USDA) não estão finalizados, mas a expectativa é que as indenizações superem o patamar de US$ 18 bilhões.Apesar disso, o seguro agrícola continua e ganha ainda mais força junto ao setor agropecuário americano. A nova Lei Agrícola ("new Farm Bill"), aprovada recentemente pelo Senado dos EUA, direcionou cerca de US$ 1 trilhão nos próximos dez anos aos programas de seguro agrícola e suporte de preços. Boa parte desses recursos tem destino certo: subsidiar o seguro agrícola. Para se ter uma ideia, em 2011, eles destinaram US$ 7,5 bilhões para esse fim. Com esses recursos, o governo paga parte do prêmio (custo do seguro); e o produtor, a outra parte. A principal vantagem dessa política é a redução do custo do seguro agrícola tornando-o acessível a um número muito maior de produtores em diversas regiões do país. Ou seja, inicia-se um processo de massificação do seguro, que é uma condição fundamental para se reduzir as taxas de prêmio e massificar ainda mais.No Brasil, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) teve início em 2005. Apesar dos avanços ainda estamos em um estágio embrionário. Em 2011, o Brasil destinou ao programa apenas US$ 152 milhões enquanto a Espanha - com um território menor do que a Bahia - utilizou US$ 513 milhões para subsidiar o seguro para seus produtores. Aqui, a área coberta pelo seguro foi de apenas 5,6 milhões de hectares. Nos EUA, o subsídio foi suficiente para segurar pouco mais de 107 milhões de hectares, quase 85% da área total plantada com as principais culturas. Recentemente conduzi um estudo mostrando que o valor necessário para segurar todo o crédito rural de custeio das lavouras proveniente do Sistema Nacional de Crédito Rural, em uma área com pouco mais de 24 milhões de hectares, seria de cerca de R$ 1 bilhão (quase US$ 500 milhões).Existe ainda um longo caminho a percorrer. Mas, ao contrário do que ocorre em outros países, nosso programa de subvenção sofreu graves contingenciamentos e atrasos no repasse às seguradoras nos últimos anos. Esses acontecimentos abalaram a credibilidade do programa federal.A lição que aprendemos com as severas adversidades climáticas nos EUA é que um amplo sistema privado de seguro agrícola apoiado pelo governo é capaz de proteger o setor agropecuário em anos de catástrofe climática. O fato é que não precisamos replicar o modelo operacional dos EUA mas o que fica evidente, e isso sim precisamos aprender, é a clara definição do papel do governo no mercado.Nós temos diferentes programas públicos de gestão de risco agrícola que podem coexistir, mas é preciso investir em planejamento para evitar sobreposições, desperdício de recursos e desgaste institucional. A busca pelo melhor uso dos recursos dos contribuintes deve nortear as decisões do governo na forma de apoio às ações do mercado. Precisamos retomar nosso caminho de crescimento do seguro rural e o primeiro passo deve ser dado pelo governo.Vitor Ozaki é professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo e coordenador do Grupo Gestão em Seguros e Riscos (Geser).  
 BCE prevê que zona do euro segue em recessão até fim do ano que vem
 O Banco Central Europeu alertou que 2013 será um ano difícil para os 17 países da zona do euro. Segundo previsões do BCE divulgadas ontem, a economia do bloco não terá no ano que vem a expansão de 0,5%, como se esperava antes, mas uma contração de 0,3%.O BCE agora calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro terá uma contração de 0,5% neste ano - 0,1 ponto percentual a mais do que previra em setembro. Por outro lado, houve uma redução na projeção da inflação para 2013, que passou de 1,9% para 1,6%. Para 2014, é esperado um índice de 1,4%.Apesar desse cenário, a taxa básica de juros foi mantida no seu mais baixo nível histórico (0,75%).O presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, espera ver alguma reação apenas daqui a um ano. "No fim de 2013, a atividade econômica deve gradualmente se recuperar à medida que a demanda global se fortaleça e nossa posição de política monetária acomodativa e uma confiança do mercado financeiro significativamente melhorada encontrem seu rumo na economia."Ele destacou, porém, que há o risco de impasse político no Congresso americano quanto ao "abismo fiscal", o que afetaria negativamente o sentimento econômico.Para analistas, a revisão para baixo nas projeções é a confirmação de que há mais tempestade no horizonte dos 17 países do bloco econômico. "Isso é algo que vínhamos destacando há algum tempo, ou seja, que a zona do euro pode estar a caminho de uma década perdida", disse Marie Diron, analista da Ernst & Young.O mau momento da zona do euro também foi evidenciado por novos dados divulgados pela Eurostat, a agência de estatísticas da UE. O PIB da zona do euro recuou 0,1% no terceiro trimestre deste ano na comparação com o segundo e 0,6% ante o terceiro trimestre do ano passado. Os números são revisados e confirmam dados originalmente anunciados no mês passado.A queda de 0,4% do PIB no segundo trimestre deste ano na comparação anual, no entanto, foi revisada para um recuo de 0,5%. A Eurostat disse que as exportações aumentaram no terceiro trimestre, porém menos do que no período anterior, enquanto o consumo das famílias ficou inalterado e o investimento caiu 0,7%. Os estoques também diminuíram.A contração do PIB foi disseminada entre os países que compartilham o euro. Em nove deles houve retração, um ficou estagnado e quatro apresentaram expansão de sua atividade econômica. Três países ainda precisam informar seus números. Em toda a União Europeia, o PIB cresceu 0,1% no terceiro trimestre ante o segundo, mas o desempenho foi puxado pela expansão de 1,0% do Reino Unido.Em outro dado negativo divulgado ontem, a taxa de desemprego na França subiu de 9,8% no segundo trimestre para 9,9% no terceiro, atingindo 2,8 milhões de pessoas. Na Grécia, o desemprego atingiu 26% (há um ano, estava em 18,9%).   BCE não surpreende, mas piora projeções  Sem surpresas, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juros em 0,75%. Embora a decisão tenha sido unânime, o presidente Mario Draghi deu a entender que houve discussão em torno de um novo corte de juros. Sobre a possibilidade de uma taxa de depósitos negativa, Draghi disse que o BCE está pronto para torná-la operacional, apesar de não haver clareza sobre seus potenciais efeitos. Em pesquisa realizada pelo Valor  com casas estrangeiras, Citi, Nomura e Jefferies consideraram essa possibilidade no ano que vem.A única ação não convencional anunciada foi a extensão de todas as operações de refinanciamento em leilões de taxa fixa com colocação total ("full allotment") enquanto for necessário, sendo o prazo mínimo 9 de julho de 2013. Nas LTROs (operações de refinanciamento de longo prazo) de três meses, a remuneração será fixada à média das taxas das MROs (principais operações de refinanciamento) até junho de 2013.Segundo o BCE, a fraqueza econômica na zona do euro persistirá em 2013, em particular por conta do ajuste necessário no balanço dos setores financeiro e não financeiro. Ainda assim, o banco central prevê um cenário de recuperação gradual a partir de meados do ano que vem, quando a demanda global deve se fortalecer.Embora tenha havido alguns sinais recentes de recuperação no que tange a expansão monetária, Draghi ponderou que o comportamento deveu-se parcialmente a uma "operação específica que levou a um aumento nos depósitos no overnight pertencentes ao setor financeiro não monetário". Do ponto de vista estrutural, entretanto, pouca coisa mudou. O crédito continua enfraquecido, refletindo a fraca perspectiva para o PIB, a aversão ao risco e o ajuste em curso no balanço de famílias e empresas, o que pesou sobre a demanda.Nesse sentido, a média das projeções para 2012 e 2013 piorou substancialmente e os números para 2014 mostraram recuperação ainda incipiente. Em 2012, o PIB deve mostrar contração de 0,5% (de -0,4%), enquanto em 2013 a recessão será de 0,3% (de +0,5%) e em 2014, a economia voltaria a mostrar expansão de 1,2%.Do lado dos preços, o CPI harmonizado deve subir 2,5% neste ano, refletindo a alta dos preços de energia e de impostos, efeitos que devem ser dissipados no ano que vem, trazendo a inflação para abaixo da meta (em torno, mas abaixo de 2%). Para 2013, a projeção central caiu de 1,9% para 1,6%, e em 2014, o BCE projeta 1,4%, ou seja, uma variação substancialmente menor que a meta. Tais projeções indicam que o BCE deve ir mais longe na flexibilização monetária? A resposta pode ser sim, mas a fala de Draghi sugere um "depende".Em primeiro lugar, os efeitos da liquidez no mercado não foram totalmente observados. Prova disso é o quadro de crédito anêmico na zona do euro. Por outro lado, apesar de o programa de compra de ativos ter derrubado a taxa de retorno dos títulos dos países periféricos, não houve uma solução como um pedido formal de resgate, considerado essencial para que haja uma inflexão no cenário de insolvência de alguns países.