Bolsas sobem forte com expectativa de ação do Fed
Os principais índices acionários dos Estados Unidos tiveram forte alta nesta terça-feira, em meio a expectativas de que o presidente do banco central americano, Ben Bernanke, sinalize novos estímulos econômicos, oferecendo esperanças de que o pior já tenha passado após quatro semanas de perdas. O índice Dow Jones avançou 2,97%, para 11.176 pontos. O Nasdaq subiu 4,29%, para 2.446 pontos, e o Standard & Poor's 500 teve valorização de 3,43%, para 1.162 pontos.Dados fracos no setor imobiliário e na indústria regional motivaram a última rodada de apostas de que Bernanke agirá, mesmo que o leque de opções do Fed pareça limitado. Ele fará um pronunciamento em uma conferência do banco central norte-americano na sexta-feira, em Jackson Hole, Wyoming.Papéis do setor de tecnologia e de outros setores ligados ao crescimento ditaram grande parte dos ganhos. As expressivas altas lembram as fortes oscilações que o mercado sofreu duas semanas atrás, após a agência de classificação de risco Standard & Poor's reduzir a nota de crédito de longo prazo dos EUA.Na Europa, a expectativa com o Fed também impulsionou os mercados, ao lado de indicadores das economias chinesa e alemã. O índice Dax da Bolsa de Frankfurt fechou em alta de 1,07%, depois de ter sido a única bolsa europeia a ter fechado em queda na segunda-feira. O índice CAC 40 de Paris subiu 1,08%. Em Londres, o FTSE-100 terminou a sessão em alta de 0,67%.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Commodities Agrícolas 23/08
Commodities Agrícolas
Correção à vista O mercado futuro de café da bolsa de Nova York fechou a segunda-feira com perdas modestas. Os contratos de arábica com entrega em dezembro recuaram 1,50 centavo, para US$ 2,6835 por libra-peso. Segundo analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires, os preços da commodity podem sofrer alguma correção após subirem 14% em duas semanas sem que houvesse qualquer novidade do ponto de vista dos fundamentos. Fundos de investimento, que haviam apostado contra o café, cobriram suas posições nos últimos dias e deram impulso às cotações. "Acho que foi longe e rápido demais", disse Márcio Bernardo, analista da Newedge, sobre os ganhos recentes. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq caiu 0,67%, para R$ 482,05 por saca. Irene dá suporte A ameaça de que o Irene, o primeiro furacão do Atlântico da atual "temporada" americana, ganhe força nos próximos dias e prejudique os pomares de laranja da Flórida prevaleceu sobre o comportamento do dólar e garantiu a alta das cotações do suco ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em novembro fecharam a US$ 1,6565 por libra-peso, ganho de 150 pontos em relação ao fechamento de sexta. Segundo a agência Dow Jones Newswires, o Irene já está causando problemas em Porto Rico, o que alimenta expectativas sobre seus efeitos nos EUA. No mercado de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja pera in natura permaneceu, em média, a R$ 9,70 ao produtor, de acordo com levantamento do Cepea/Esalq. Efeito climático A preocupação com o clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos voltou a impulsionar os preços futuros da soja ontem na bolsa de Chicago. Os contratos mais negociados, com vencimento em novembro, terminaram o pregão cotados a US$ 13,8525 por bushel, com valorização de 16,75 centavos. Durante o pregão, a commodity registrou a cotação mais alta desde 27 de julho. Nos últimos 12 meses, acumula alta de 38%. Segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg, as chuvas do fim de semana não foram suficientes para recuperar a umidade do solo nas áreas carentes do Meio-Oeste, onde choveu apenas um quarto do volume esperado desde o começo de agosto. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq subiu 0,69%, para R$ 49,34 por saca. Teto em dez semanas Os preços do milho atingiram ontem o patamar mais alto em dez semanas na bolsa de Chicago. Os contratos para dezembro, mais negociados, fecharam com valorização de 9,25 centavos, cotados a US$ 7,3450 por bushel. Mais cedo, a posição chegou a US$ 7,3650 por bushel, maior cotação desde 7 de junho. Segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg, mais uma vez, as cotações foram impulsionados pelas más condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos. O comportamento dos mercados financeiros favoreceu o movimento, com maior apetite por ativos de risco. Os preços do milho subiram 68% ao longo do último ano. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa teve aumento de 0,03%, para R$ 30,02 por saca. Conselho O novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, ouviu ontem do ex-ministro Pratini de Moraes que a abertura de novos mercados para a suinocultura brasileira deve ser a prioridade na sua gestão, além do fim do embargo russo às carnes, que já dura dois meses. Renda em alta O produtor de soja deve ter renda de R$ 1.946 por hectare na safra 2011/12, estima a Céleres -alta de 32% em relação ao projetado para a safra anterior. Rentabilidade A consultoria também calcula que a margem operacional bruta dos produtores deva crescer 35%, o que deverá estimular o plantio de soja. Sem limite 1 O preço do ouro bateu novo recorde ontem e fechou a US$ 1.888,70 por onça-troy (31,1 gramas), alta de 2,15% em Nova York. Durante o dia, o metal chegou bem perto de US$ 1.900, ao atingir US$ 1.895. Em 30 dias, a alta é de 17,95%. Sem limite 2 O mercado brasileiro acompanhou e, na BM&F, o contrato à vista de 250 gramas subiu 2,11%, com o grama cotado a R$ 97.
Correção à vista O mercado futuro de café da bolsa de Nova York fechou a segunda-feira com perdas modestas. Os contratos de arábica com entrega em dezembro recuaram 1,50 centavo, para US$ 2,6835 por libra-peso. Segundo analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires, os preços da commodity podem sofrer alguma correção após subirem 14% em duas semanas sem que houvesse qualquer novidade do ponto de vista dos fundamentos. Fundos de investimento, que haviam apostado contra o café, cobriram suas posições nos últimos dias e deram impulso às cotações. "Acho que foi longe e rápido demais", disse Márcio Bernardo, analista da Newedge, sobre os ganhos recentes. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq caiu 0,67%, para R$ 482,05 por saca. Irene dá suporte A ameaça de que o Irene, o primeiro furacão do Atlântico da atual "temporada" americana, ganhe força nos próximos dias e prejudique os pomares de laranja da Flórida prevaleceu sobre o comportamento do dólar e garantiu a alta das cotações do suco ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em novembro fecharam a US$ 1,6565 por libra-peso, ganho de 150 pontos em relação ao fechamento de sexta. Segundo a agência Dow Jones Newswires, o Irene já está causando problemas em Porto Rico, o que alimenta expectativas sobre seus efeitos nos EUA. No mercado de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja pera in natura permaneceu, em média, a R$ 9,70 ao produtor, de acordo com levantamento do Cepea/Esalq. Efeito climático A preocupação com o clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos voltou a impulsionar os preços futuros da soja ontem na bolsa de Chicago. Os contratos mais negociados, com vencimento em novembro, terminaram o pregão cotados a US$ 13,8525 por bushel, com valorização de 16,75 centavos. Durante o pregão, a commodity registrou a cotação mais alta desde 27 de julho. Nos últimos 12 meses, acumula alta de 38%. Segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg, as chuvas do fim de semana não foram suficientes para recuperar a umidade do solo nas áreas carentes do Meio-Oeste, onde choveu apenas um quarto do volume esperado desde o começo de agosto. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq subiu 0,69%, para R$ 49,34 por saca. Teto em dez semanas Os preços do milho atingiram ontem o patamar mais alto em dez semanas na bolsa de Chicago. Os contratos para dezembro, mais negociados, fecharam com valorização de 9,25 centavos, cotados a US$ 7,3450 por bushel. Mais cedo, a posição chegou a US$ 7,3650 por bushel, maior cotação desde 7 de junho. Segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg, mais uma vez, as cotações foram impulsionados pelas más condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos. O comportamento dos mercados financeiros favoreceu o movimento, com maior apetite por ativos de risco. Os preços do milho subiram 68% ao longo do último ano. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa teve aumento de 0,03%, para R$ 30,02 por saca. Conselho O novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, ouviu ontem do ex-ministro Pratini de Moraes que a abertura de novos mercados para a suinocultura brasileira deve ser a prioridade na sua gestão, além do fim do embargo russo às carnes, que já dura dois meses. Renda em alta O produtor de soja deve ter renda de R$ 1.946 por hectare na safra 2011/12, estima a Céleres -alta de 32% em relação ao projetado para a safra anterior. Rentabilidade A consultoria também calcula que a margem operacional bruta dos produtores deva crescer 35%, o que deverá estimular o plantio de soja. Sem limite 1 O preço do ouro bateu novo recorde ontem e fechou a US$ 1.888,70 por onça-troy (31,1 gramas), alta de 2,15% em Nova York. Durante o dia, o metal chegou bem perto de US$ 1.900, ao atingir US$ 1.895. Em 30 dias, a alta é de 17,95%. Sem limite 2 O mercado brasileiro acompanhou e, na BM&F, o contrato à vista de 250 gramas subiu 2,11%, com o grama cotado a R$ 97.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Mercado retoma a fase de alta aversão a risco
Mercado retoma a fase de alta aversão a risco
A recente calmaria do mercado chegou ao fim. As bolsas do mundo inteiro voltaram a cair de forma acentuada e, mais uma vez, graças a uma série de fatores externos. O Indice Bovespa chegou a cair 5,13%, mas acabou encerrando os negócios com uma queda um pouco menor, 3,52%, aos 53.134 pontos. Com essa baixa, o indicador passa a cair na semana 0,63%. Apenas sete papéis que compõem o índice conseguiram fechar ontem no campo positivo.O mercado começou o dia com o pé esquerdo, repercutindo a reportagem do jornal "The Wall Street Journal" de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e suas unidades regionais estão de olho nas operações de bancos europeus em terras americanas. Isso porque a autoridade monetária teme que haja um contágio do sistema bancário dos EUA por meio das subsidiárias dos bancos europeus.Ibovespa cai 3,52% novamente com Europa e EUATambém incentivou o mau humor do mercado a notícia de que, pela primeira vez desde fevereiro, um banco recorreu à linha de redesconto do Banco Central Europeu (BCE). Quando uma instituição financeira recorre ao banco central é um sinal importante de que o banco está, no mínimo, com dificuldades de fechar suas contas. Como consequência dos dois acontecimentos, as ações da maior parte dos bancos europeus tiveram quedas expressivas no pregão de ontem."O mercado agora vai ficar com olhos e ouvidos abertos, para ver se este é só o começo de uma longa fila de bancos europeus que vão passar o pires junto ao Banco Central Europeu", diz o diretor de uma corretora. Vale lembrar que, até então, a crise na Europa parecia circunscrita aos governos, enquanto que, a partir de agora, pode se estender ao sistema bancário dos países.Não apenas o medo de uma deterioração dos bancos europeus formou o cenário negativo de ontem. Alguns indicadores sobre a economia americana vieram muito ruins e aumentaram o grupo dos que acreditam que os EUA caminham a passos largos para uma nova recessão e não apenas uma desaceleração, como se esperava anteriormente.A principal decepção ocorreu com o índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia. Em agosto, o indicador foi -30,7 ante uma expectativa de que fosse +2, ou seja, um abismo de diferença. O Fed da Filadélfia é um termômetro importante de como está o índice geral do setor manufatureiro (ISM) americano. O diretor de tesouraria de um banco lembra que, se depender apenas do indicador da Filadélfia, o ISM deve estar na casa dos 42 pontos, o que já mostra uma retração econômica, estando abaixo de 50.Entre os principais participantes da bolsa, apenas o fluxo das empresas públicas e privadas e das instituições financeiras está positivo tanto no ano quanto no mês.Daniele Camba
A recente calmaria do mercado chegou ao fim. As bolsas do mundo inteiro voltaram a cair de forma acentuada e, mais uma vez, graças a uma série de fatores externos. O Indice Bovespa chegou a cair 5,13%, mas acabou encerrando os negócios com uma queda um pouco menor, 3,52%, aos 53.134 pontos. Com essa baixa, o indicador passa a cair na semana 0,63%. Apenas sete papéis que compõem o índice conseguiram fechar ontem no campo positivo.O mercado começou o dia com o pé esquerdo, repercutindo a reportagem do jornal "The Wall Street Journal" de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e suas unidades regionais estão de olho nas operações de bancos europeus em terras americanas. Isso porque a autoridade monetária teme que haja um contágio do sistema bancário dos EUA por meio das subsidiárias dos bancos europeus.Ibovespa cai 3,52% novamente com Europa e EUATambém incentivou o mau humor do mercado a notícia de que, pela primeira vez desde fevereiro, um banco recorreu à linha de redesconto do Banco Central Europeu (BCE). Quando uma instituição financeira recorre ao banco central é um sinal importante de que o banco está, no mínimo, com dificuldades de fechar suas contas. Como consequência dos dois acontecimentos, as ações da maior parte dos bancos europeus tiveram quedas expressivas no pregão de ontem."O mercado agora vai ficar com olhos e ouvidos abertos, para ver se este é só o começo de uma longa fila de bancos europeus que vão passar o pires junto ao Banco Central Europeu", diz o diretor de uma corretora. Vale lembrar que, até então, a crise na Europa parecia circunscrita aos governos, enquanto que, a partir de agora, pode se estender ao sistema bancário dos países.Não apenas o medo de uma deterioração dos bancos europeus formou o cenário negativo de ontem. Alguns indicadores sobre a economia americana vieram muito ruins e aumentaram o grupo dos que acreditam que os EUA caminham a passos largos para uma nova recessão e não apenas uma desaceleração, como se esperava anteriormente.A principal decepção ocorreu com o índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia. Em agosto, o indicador foi -30,7 ante uma expectativa de que fosse +2, ou seja, um abismo de diferença. O Fed da Filadélfia é um termômetro importante de como está o índice geral do setor manufatureiro (ISM) americano. O diretor de tesouraria de um banco lembra que, se depender apenas do indicador da Filadélfia, o ISM deve estar na casa dos 42 pontos, o que já mostra uma retração econômica, estando abaixo de 50.Entre os principais participantes da bolsa, apenas o fluxo das empresas públicas e privadas e das instituições financeiras está positivo tanto no ano quanto no mês.Daniele Camba
Nouriel Roubini: Danou-se, então, o capitalismo
NEW YORK. A volatilidade massiva e as fortes quedas nas cotações de bolsa que hoje atingem os mercados financeiros globais mostram que as mais avançadas economias estão à beira de um segundo mergulho na mesma recessão. Uma crise financeira e econômica causada por excesso de dívidas e de alavancagem no setor privado levou a uma massiva realavancagem pelo setor público, para evitar uma Grande Depressão 2.0. Mas a ‘recuperação’ subsequente foi anêmica e inferior ao que se esperava nas economias mais avançadas, por causa de uma dolorosa desalavancagem.Agora, uma combinação de altos preços de petróleo e commodities, turbilhão no Oriente Médio, terremoto e tsunami no Japão, crises de dívida na zona do euro e os problemas fiscais nos EUA (e, recentemente, a desvalorização dos papéis americanos por uma agência de avaliação de riscos) levaram a aumento massivo do comportamento de aversão a riscos. Economicamente, os EUA, a zona do euro, o Reino Unido e o Japão estão ociosos. E até mercados emergentes de rápido crescimento (China, os emergentes asiáticos e a América Latina), e economias orientadas para exportação que dependem daqueles mercados (a Alemanha e a Austrália, rica em recursos), experimentam fortes freadas.Até o ano passado, os políticos sempre conseguiram inventar algum novo coelho para tirar das cartolas, reinflar preços e tentar alguma recuperação econômica. Estímulos fiscais, taxas de juro próximas de zero, duas rodadas de ‘injeção de dinheiro novo’ [orig. quantitative easing], cerco aos papéis podres e trilhões de dólares em ‘resgates’ e provisão de liquidez para bancos e instituições financeiras: tudo isso já foi tentado. Agora, acabaram-se os coelhos.Atualmente, a política fiscal é o peso que impede o crescimento tanto na zona do euro como no Reino Unido. E até os EUA, governos estaduais e governos locais, e agora também o governo federal, estão cortando gastos e reduzindo pagamentos. Em pouco tempo, não há dúvidas, começarão a aumentar impostos.
Mais uma rodada de ‘resgate’ de bancos é politicamente inaceitável e economicamente irrealizável: a maioria dos governos, sobretudo na Europa, estão tão depauperados que não têm fundos para ‘resgatar’ coisa alguma; de fato, seus riscos soberanos são de tal ordem que já há preocupação sobre a saúde dos bancos europeus que detêm a maior parte dos papéis cada dia mais desvalorizados, dos estados europeus.
Nem a política monetária poderá ajudar muito. Novas injeções de dinheiro [ing. quantitative easing] são limitadas pela inflação que já ultrapassa as metas fixadas na eurozona e no Reino Unido. O Federal Reserve dos EUA talvez inicie uma terceira injeção de dinheiro [ing. quantitative easing (QE3)], mas será pequena demais, vinda tarde demais. Os 600 bilhões da injeção QE2 do ano passado e $1 trilhão em cortes de impostos e transferências conseguiram crescimento pífio de apenas 3% durante um trimestre. E em seguida o crescimento despencou para menos de 1% no primeiro semestre de 2011. A terceira injeção de dinheiro (QE3) será menor e conseguirá ainda menos, em termos de revalorizar os ativos e restaurar o crescimento.
A depreciação da moeda não é opção viável para todas as economias avançadas: todas precisam de moeda mais fraca e melhor equilíbrio na balança comercial, mas não podem ter tudo isso todas ao mesmo tempo. Portanto, depender de taxas de câmbio para influenciar equilíbrios comerciais é jogo de soma zero. Veem-se guerras monetárias no horizonte, com Japão e Suíça já engajados nas primeiras escaramuças para enfraquecer a taxa de câmbio. Em seguida virão outras.
Enquanto isso, na zona do euro, Itália e Espanha estão em risco de perder acesso aos mercados, com pressões financeiras subindo também na França. Mas Itália e Espanha são ambas grandes demais para quebrar e grandes demais, também, para serem resgatadas. Por hora, o Banco Central Europeu trocará alguns bônus, como ponte para a nova Instituição de Estabilização Financeira da Europa [ing. European Financial Stabilization Facility (EFSF)]. Mas, se Itália e/ou Espanha perdem acesso aos mercados, os €440 bilhões ($627 bilhões) do escudo da EFSF já estarão desvalorizados ao final de 2011 ou início de 2012.
Assim sendo, a menos que se triplique o montante do EFSF – movimento contra o qual a Alemanha resistirá –, só resta, como opção, a reestruturação ordeira, mas coercitiva das dívidas de Itália e Espanha, como aconteceu na Grécia. A reestruturação coercitiva de dívidas não securitizadas de bancos insolventes virá em seguida. Assim, apesar de o processo de desalavancagem mal ter começado, logo será indispensável reduzir as dívidas, se os países não conseguem crescer nem salvar-se nem se autoinflacionar a partir de seus problemas fiscais.
Tudo isso leva a concluir que, ao que parece, Karl Marx acertou, no mínimo em parte, quando disse que a globalização, a intermediação financeira sem qualquer controle, e a redistribuição de renda e riqueza, do trabalho para o capital, poderia levar o capitalismo à autodestruição (embora, pelo que já se viu, o socialismo não seja capaz de fazer melhor). As empresas cortam empregos porque não há demanda final suficiente. Mas, com menos empregos, cai a renda do trabalho, aumenta a desigualdade e a demanda final acaba por ficar ainda mais reduzida.
Manifestações populares, do Oriente Médio a Israel e ao Reino Unido – e logo também, sem dúvida, em outras economias avançadas e mercados emergentes – são todas provocadas pelas mesmas questões e tensões: desigualdade crescente, pobreza, desemprego e desesperança. Até as classes médias já sentem, em todo o mundo, que a renda e as oportunidades encolheram.
Para conseguir que as economias orientadas pelo mercado operem como podem e devem, temos de voltar ao equilíbrio adequado entre mercados e provisão de bens públicos. Isso implica fugir tanto do modelo anglo-saxão de economia de laissez-faire e vudu, quanto do modelo europeu continental dos estados de bem-estar movidos a déficits. Esses dois modelos faliram.
O equilíbrio adequado exige que se criem empregos em parte por estímulos fiscais orientados para o investimento em infraestrutura produtiva. Exige também taxação mais progressiva; mas estímulos ficais de curto prazo, com disciplina fiscal de longo prazo; empréstimos-só-em-último-caso, por autoridades monetárias, para evitar corridas a bancos, e só nesse caso; redução da carga da dívida para proprietários insolventes e outros agentes econômicos super pressionados; e supervisão e regulação mais estrita de um sistema financeiro que perdeu o rumo e o prumo. Além disso, é preciso quebrar e dividir todos os bancos e trustes oligopolistas grandes demais para quebrar.
Ao longo do tempo, as economias avançadas terão de investir em capital humano, formação e redes de segurança social, para aumentar a produtividade e permitir que os trabalhadores sejam competitivos, flexíveis e encontrem seu nicho numa economia globalizada. É isso. A única alternativa é – como nos anos 1930s – estagnação sem fim, depressão, guerras monetárias e comerciais, controle de capitais, crises financeiras, fundos soberanos insolventes e incontrolável instabilidade social e política massiva.
Mais uma rodada de ‘resgate’ de bancos é politicamente inaceitável e economicamente irrealizável: a maioria dos governos, sobretudo na Europa, estão tão depauperados que não têm fundos para ‘resgatar’ coisa alguma; de fato, seus riscos soberanos são de tal ordem que já há preocupação sobre a saúde dos bancos europeus que detêm a maior parte dos papéis cada dia mais desvalorizados, dos estados europeus.
Nem a política monetária poderá ajudar muito. Novas injeções de dinheiro [ing. quantitative easing] são limitadas pela inflação que já ultrapassa as metas fixadas na eurozona e no Reino Unido. O Federal Reserve dos EUA talvez inicie uma terceira injeção de dinheiro [ing. quantitative easing (QE3)], mas será pequena demais, vinda tarde demais. Os 600 bilhões da injeção QE2 do ano passado e $1 trilhão em cortes de impostos e transferências conseguiram crescimento pífio de apenas 3% durante um trimestre. E em seguida o crescimento despencou para menos de 1% no primeiro semestre de 2011. A terceira injeção de dinheiro (QE3) será menor e conseguirá ainda menos, em termos de revalorizar os ativos e restaurar o crescimento.
A depreciação da moeda não é opção viável para todas as economias avançadas: todas precisam de moeda mais fraca e melhor equilíbrio na balança comercial, mas não podem ter tudo isso todas ao mesmo tempo. Portanto, depender de taxas de câmbio para influenciar equilíbrios comerciais é jogo de soma zero. Veem-se guerras monetárias no horizonte, com Japão e Suíça já engajados nas primeiras escaramuças para enfraquecer a taxa de câmbio. Em seguida virão outras.
Enquanto isso, na zona do euro, Itália e Espanha estão em risco de perder acesso aos mercados, com pressões financeiras subindo também na França. Mas Itália e Espanha são ambas grandes demais para quebrar e grandes demais, também, para serem resgatadas. Por hora, o Banco Central Europeu trocará alguns bônus, como ponte para a nova Instituição de Estabilização Financeira da Europa [ing. European Financial Stabilization Facility (EFSF)]. Mas, se Itália e/ou Espanha perdem acesso aos mercados, os €440 bilhões ($627 bilhões) do escudo da EFSF já estarão desvalorizados ao final de 2011 ou início de 2012.
Assim sendo, a menos que se triplique o montante do EFSF – movimento contra o qual a Alemanha resistirá –, só resta, como opção, a reestruturação ordeira, mas coercitiva das dívidas de Itália e Espanha, como aconteceu na Grécia. A reestruturação coercitiva de dívidas não securitizadas de bancos insolventes virá em seguida. Assim, apesar de o processo de desalavancagem mal ter começado, logo será indispensável reduzir as dívidas, se os países não conseguem crescer nem salvar-se nem se autoinflacionar a partir de seus problemas fiscais.
Tudo isso leva a concluir que, ao que parece, Karl Marx acertou, no mínimo em parte, quando disse que a globalização, a intermediação financeira sem qualquer controle, e a redistribuição de renda e riqueza, do trabalho para o capital, poderia levar o capitalismo à autodestruição (embora, pelo que já se viu, o socialismo não seja capaz de fazer melhor). As empresas cortam empregos porque não há demanda final suficiente. Mas, com menos empregos, cai a renda do trabalho, aumenta a desigualdade e a demanda final acaba por ficar ainda mais reduzida.
Manifestações populares, do Oriente Médio a Israel e ao Reino Unido – e logo também, sem dúvida, em outras economias avançadas e mercados emergentes – são todas provocadas pelas mesmas questões e tensões: desigualdade crescente, pobreza, desemprego e desesperança. Até as classes médias já sentem, em todo o mundo, que a renda e as oportunidades encolheram.
Para conseguir que as economias orientadas pelo mercado operem como podem e devem, temos de voltar ao equilíbrio adequado entre mercados e provisão de bens públicos. Isso implica fugir tanto do modelo anglo-saxão de economia de laissez-faire e vudu, quanto do modelo europeu continental dos estados de bem-estar movidos a déficits. Esses dois modelos faliram.
O equilíbrio adequado exige que se criem empregos em parte por estímulos fiscais orientados para o investimento em infraestrutura produtiva. Exige também taxação mais progressiva; mas estímulos ficais de curto prazo, com disciplina fiscal de longo prazo; empréstimos-só-em-último-caso, por autoridades monetárias, para evitar corridas a bancos, e só nesse caso; redução da carga da dívida para proprietários insolventes e outros agentes econômicos super pressionados; e supervisão e regulação mais estrita de um sistema financeiro que perdeu o rumo e o prumo. Além disso, é preciso quebrar e dividir todos os bancos e trustes oligopolistas grandes demais para quebrar.
Ao longo do tempo, as economias avançadas terão de investir em capital humano, formação e redes de segurança social, para aumentar a produtividade e permitir que os trabalhadores sejam competitivos, flexíveis e encontrem seu nicho numa economia globalizada. É isso. A única alternativa é – como nos anos 1930s – estagnação sem fim, depressão, guerras monetárias e comerciais, controle de capitais, crises financeiras, fundos soberanos insolventes e incontrolável instabilidade social e política massiva.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Commodities Agrícolas
Foco nos fundamentos A pressão advinda das turbulências financeiras irradiadas dos EUA e da Europa diminuiu e abriu espaço para a continuidade da recuperação das cotações do açúcar ontem na bolsa de Nova York. Os contratos para março encerraram a sessão a 28,69 centavos de dólar por libra-peso, em alta de 149 pontos. Analistas consultados pela agência Dow Jones Newswires realçaram que, diante da menor influência financeira, os fundamentos voltaram a prevalecer. Nesse sentido, pesaram para a valorização previsões de redução da oferta do produto no Brasil que estão sendo divulgadas desde a semana passada. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal negociada em São Paulo caiu 0,75%, para R$ 67,67. Cobertura de posições Em mais uma sessão marcada por coberturas de posições após as fortes quedas da semana passada, que derrubaram os preços ao menor patamar em seis meses, o café voltou a subir consideravelmente ontem na bolsa de Nova York. Com os ajustes promovidos pelos investidores, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a US$ 2,6680 por libra-peso, ganho de 1.180 pontos em relação à véspera. Para analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires, se os exportadores tiverem paciência para evitar uma "onda vendedora", há espaço para as cotações subirem ainda mais. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos de café de boa qualidade ficou entre R$ 470 e R$ 490, de acordo com informações do Escritório Carvalhaes, de Santos. Chuvas no Paquistão Chuvas pesadas devastaram plantações de algodão do Paquistão, o quarto maior produtor do mundo, e fizeram as cotações subirem forte ontem na bolsa de Nova York, informou a Bloomberg. Os contratos para dezembro tiveram valorização de 397 pontos e fecharam a US$ 1,0782 por libra-peso. Tempestades nas regiões de Sindh e do Punjab na semana passada podem ter danificado até 1,7 milhão de toneladas de algodão que estavam nos campos ainda para serem colhidas, conforme a Associação dos Desencaroçadores de Algodão do Paquistão. Em junho, o Ministério da Agricultura do país definiu a meta de produzir 16,5 milhões de toneladas. No mercado doméstico, o indicador Cepea /Esalq para a libra-peso do algodão subiu 0,02%, para R$ 1,7097. No mês, ainda há queda de 5,58%. Clima nos EUA As preocupações em torno das condições climáticas sobre as lavouras dos Estados Unidos voltaram a dar o tom e sustentaram as cotações da soja ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em novembro encerraram a sessão a US$ 13,6675 por bushel, valorização de 17,25 centavos de dólar em relação à véspera. Os mesmos temores chegaram a oferecer suporte também ao milho - que, no entanto, encerrou a sessão com perdas modestas. O trigo também subiu em Chicago, por conta do menor plantio que o esperado de produto rico em proteínas nos EUA, conforme a Dow Jones Newswires. Em Rondonópolis (MT), as oferta de compra da saca de 60 quilos da soja ficaram em R$ 40,80, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Baixa oferta garante cotação de commoditiesOs preços das commodities resistem à crise nos países desenvolvidos. Após caírem no auge das turbulências, as cotações voltaram a subir. Ontem, a alta foi generalizada nas principais Bolsas.Esse comportamento pode ser explicado por um movimento financeiro: a baixa taxa de juros nos EUA contribui para a fraqueza do dólar, favorável à valorização das commodities.Outra explicação, que complementa a anterior, é a baixa oferta da maioria das matérias-primas. No caso do cobre, o mercado mundial opera, neste ano, com deficit próximo a 300 mil toneladas.Os estoques de petróleo também estão baixos. Com a eliminação da oferta da Líbia, os países exportadores se aproximaram do limite de utilização de sua capacidade.No caso das agrícolas, problemas climáticos estão reduzindo as estimativas de safra para o açúcar, no Brasil, e para a soja e o milho, nos EUA.Apesar da restrição na oferta ser evidente, economistas do banco Itaú dizem que a sustentação do nível atual de preços dependerá da evolução da demanda nas próximas semanas. Em relatório, a equipe de análise do banco afirma que os dados de atividade dos EUA e da China, motores desse mercado, devem ser observados com atenção nas próximas semanas, pois determinarão o impacto da crise na demanda.Para o banco, a tendência de estabilidade dos preços só será confirmada com a manutenção da demanda chinesa e dos demais emergentes. Se depender de Europa e EUA, haverá redução de consumo, o que pode provocar queda moderada dos preços. Suspensão A produção da unidade de Barretos (SP) da JBS, de onde partiu o contêiner de carne industrializada rejeitado pelos EUA, está suspensa, segundo Francisco Jardim, secretário de Defesa Agropecuária. Em nota, a empresa informou que as atividades seguem normalmente. Motivo Os EUA devolveram a carne após testes laboratoriais terem constatado nível do vermífugo ivermectina acima do limite tolerado. Ao trabalho 1 Segundo o secretário, técnicos do ministério vão rastrear a linha de produção da unidade de Barretos da JBS para verificar a origem do problema. Ao trabalho 2 Francisco Jardim se reúne hoje com representantes de frigoríficos e, amanhã, com membros da indústria farmacêutica para discutir o problema. Queixa Os frigoríficos dizem que, apesar de seguir as instruções das bulas dos remédios, é comum encontrar restos de vermífugo na carne. Novela russa A autoridade sanitária russa anunciou o embargo a mais três frigoríficos brasileiros e ameaçou outras três unidades, ontem. A autoridade sanitária do país alegou presença de parasitas e de bactérias nas carnes. Ceagesp em alta O volume de vendas da Ceagesp subiu 2,7% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Foram comercializados 2,2 milhões de toneladas de produtos frescos. Força do interior O crescimento das vendas foi maior no interior, de 12,5%. Mas o entreposto de São Paulo, com 1,8 milhão de toneladas (alta de 0,4%), respondeu por 79% do volume e por 81% da receita.
Café dispara na ICE com predomínio de compras especulativas e de fundos
Café dispara na ICE com predomínio de compras especulativas e de fundos
Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quarta-feira com fortes ganhos, com a predominância de compras especulativas e de grandes fundos, na esteira de fatores técnicos, ao conseguir romper importantes resistências, e também ao refletir algumas informações sobre a safra brasileira de café, estimada para baixo, em um cenário que se avizinha de oferta bastante limitada. No início da noite, o ministro da Agricultura do Brasil, Wagner Rossi, sob várias acusações envolvendo sua pasta, pediu demissão. Operadores indicaram que a quarta-feira foi caracterizada por bastante movimentação no mercado cafeeiro, com muitos players, após um início de operações bastante limitado e com quedas, passando a registrar compras expressivas, o que permitiu que ganhos consistentes fossem verificados, com os preços alcançando os melhores patamares desde 14 de julho. As altas passaram a ser consolidadas após o rompimento de importantes resistências. Tão logo o nível de 255,00 centavos foi rompido, especuladores e fundos passaram a executar compras, o que permitiu que outra resistência, no patamar de 260,00 centavos, fosse também superado, o que garantiu que uma valorização de mais de mil pontos pudesse ser registrada. No encerramento do dia, o setembro em Nova Iorque teve alta de 1.165 pontos com 263,20 centavos, sendo a máxima em 263,60 e a mínima em 250,65 centavos por libra, com o dezembro registrando oscilação positiva de 1.180 pontos, com a libra a 266,80 centavos, sendo a máxima em 267,30 e a mínima em 254,10 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição setembro registrou alta de 36 dólares, com 2.350 dólares por tonelada, com o novembro tendo valorização de 36 dólares, com 2.380 dólares por tonelada. De acordo com analistas internacionais, o dia foi marcado por boas compras que se mostraram independentes do comportamento dos mercados internacionais. O dólar teve uma perda relativa ao longo do dia, no entanto, fechou a quarta com ligeiros ganhos, mas, mesmo assim, as compras no café se mantiveram. O índice CRB teve alta, impulsionado, por softs e por grãos, principalmente, ao passo que o petróleo teve um pequeno recuo. "Tivemos um dia consideravelmente agitado, com um volume bom de negócios e com muitas alternativas de compras. Conseguimos registrar o rompimento de várias resistências e isso deu uma boa base para que os altistas predominassem no mercado e pudessem vislumbrar a busca por novos níveis de preço", disse um trader. Um analista sustentou que a tendência é o mercado buscar a máxima de 7 de julho, em 274,75 centavos, o que seria um interessante "swing de alta", o que faz, inclusive, com que os players não consigam ter uma visão clara de uma tendência de curto prazo. Para esses analistas, para interromper a tendência de baixa recente seria importante o rompimento do nível de 7 de julho, sendo que os ganhos até o momento verificados foram basicamente corretivos. Graficamente, o mercado dá sinais de mudança para uma tendência de alta. O índice de força relativa, que é uma ferramenta amplamente utilizada, se mostra em alta, sendo que o mercado também tem conseguido se posicionar acima de médias móveis de 50 e 40 dias. Paul Hare, vice-presidente executivo do Linn Group, a ação de mercado se mostrou muito efetiva, acima da média móvel de 40 dias, que pode representar uma mudança de tendência, após dois meses de pressão baixista. Para o especialista, no lado de baixa os preços poderiam buscar o nível de 240,00 centavos, ao passo que no nível de alta o foco é de 275,00 centavos. O Mercon Coffee Group apresentou uma revisão para sua estimativa da safra de 2011/2012 de café do Brasil. A primeira, divulgada em março, apontava uma produção de 52,4 milhões de sacas. O número foi revisto agora para 48,6 milhões de sacas. De acordo com a trading, há cinco meses, o tamanho dos frutos em regiões produtoras de café do Brasil era "expressivo", o que indicava um potencial para uma grande safra. No entanto, a produtividade dos cafezais mostrou-se menor do que o esperado, especialmente no sul e cerrado de Minas Gerais, e ainda na região da Mogiana. As exportações de café do Brasil em agosto, até o dia 16, somaram 1.130.103 sacas, contra 977.954 sacas registradas no mesmo período de julho, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 7.635 sacas, indo para 1.484.162 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 24.576 lotes, com as opções tendo 4.215 calls e 9.172 puts. Tecnicamente, o setembro na ICE Futures US tem uma resistência em 263,60, 264,00, 264,50, 264,90-265,00, 265,50, 265,65, 266,00, 266,50, 267,00, 267,50 e 268,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 250,65, 250,50, 250,10-250,00, 249,50, 249,00, 248,50, 248,00, 247,50, 247,00, 246,50 e 246,00 centavos por libra.
Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quarta-feira com fortes ganhos, com a predominância de compras especulativas e de grandes fundos, na esteira de fatores técnicos, ao conseguir romper importantes resistências, e também ao refletir algumas informações sobre a safra brasileira de café, estimada para baixo, em um cenário que se avizinha de oferta bastante limitada. No início da noite, o ministro da Agricultura do Brasil, Wagner Rossi, sob várias acusações envolvendo sua pasta, pediu demissão. Operadores indicaram que a quarta-feira foi caracterizada por bastante movimentação no mercado cafeeiro, com muitos players, após um início de operações bastante limitado e com quedas, passando a registrar compras expressivas, o que permitiu que ganhos consistentes fossem verificados, com os preços alcançando os melhores patamares desde 14 de julho. As altas passaram a ser consolidadas após o rompimento de importantes resistências. Tão logo o nível de 255,00 centavos foi rompido, especuladores e fundos passaram a executar compras, o que permitiu que outra resistência, no patamar de 260,00 centavos, fosse também superado, o que garantiu que uma valorização de mais de mil pontos pudesse ser registrada. No encerramento do dia, o setembro em Nova Iorque teve alta de 1.165 pontos com 263,20 centavos, sendo a máxima em 263,60 e a mínima em 250,65 centavos por libra, com o dezembro registrando oscilação positiva de 1.180 pontos, com a libra a 266,80 centavos, sendo a máxima em 267,30 e a mínima em 254,10 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição setembro registrou alta de 36 dólares, com 2.350 dólares por tonelada, com o novembro tendo valorização de 36 dólares, com 2.380 dólares por tonelada. De acordo com analistas internacionais, o dia foi marcado por boas compras que se mostraram independentes do comportamento dos mercados internacionais. O dólar teve uma perda relativa ao longo do dia, no entanto, fechou a quarta com ligeiros ganhos, mas, mesmo assim, as compras no café se mantiveram. O índice CRB teve alta, impulsionado, por softs e por grãos, principalmente, ao passo que o petróleo teve um pequeno recuo. "Tivemos um dia consideravelmente agitado, com um volume bom de negócios e com muitas alternativas de compras. Conseguimos registrar o rompimento de várias resistências e isso deu uma boa base para que os altistas predominassem no mercado e pudessem vislumbrar a busca por novos níveis de preço", disse um trader. Um analista sustentou que a tendência é o mercado buscar a máxima de 7 de julho, em 274,75 centavos, o que seria um interessante "swing de alta", o que faz, inclusive, com que os players não consigam ter uma visão clara de uma tendência de curto prazo. Para esses analistas, para interromper a tendência de baixa recente seria importante o rompimento do nível de 7 de julho, sendo que os ganhos até o momento verificados foram basicamente corretivos. Graficamente, o mercado dá sinais de mudança para uma tendência de alta. O índice de força relativa, que é uma ferramenta amplamente utilizada, se mostra em alta, sendo que o mercado também tem conseguido se posicionar acima de médias móveis de 50 e 40 dias. Paul Hare, vice-presidente executivo do Linn Group, a ação de mercado se mostrou muito efetiva, acima da média móvel de 40 dias, que pode representar uma mudança de tendência, após dois meses de pressão baixista. Para o especialista, no lado de baixa os preços poderiam buscar o nível de 240,00 centavos, ao passo que no nível de alta o foco é de 275,00 centavos. O Mercon Coffee Group apresentou uma revisão para sua estimativa da safra de 2011/2012 de café do Brasil. A primeira, divulgada em março, apontava uma produção de 52,4 milhões de sacas. O número foi revisto agora para 48,6 milhões de sacas. De acordo com a trading, há cinco meses, o tamanho dos frutos em regiões produtoras de café do Brasil era "expressivo", o que indicava um potencial para uma grande safra. No entanto, a produtividade dos cafezais mostrou-se menor do que o esperado, especialmente no sul e cerrado de Minas Gerais, e ainda na região da Mogiana. As exportações de café do Brasil em agosto, até o dia 16, somaram 1.130.103 sacas, contra 977.954 sacas registradas no mesmo período de julho, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 7.635 sacas, indo para 1.484.162 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 24.576 lotes, com as opções tendo 4.215 calls e 9.172 puts. Tecnicamente, o setembro na ICE Futures US tem uma resistência em 263,60, 264,00, 264,50, 264,90-265,00, 265,50, 265,65, 266,00, 266,50, 267,00, 267,50 e 268,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 250,65, 250,50, 250,10-250,00, 249,50, 249,00, 248,50, 248,00, 247,50, 247,00, 246,50 e 246,00 centavos por libra.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
MERCON GROUP ESTIMA SAFRA DO BRASIL 2011/12 EM 48,6 MILHÕES DE SACAS
MERCON GROUP ESTIMA SAFRA DO BRASIL 2011/12 EM 48,6 MILHÕES DE SACAS
A trading Mercon Coffee Group divulgou ontem uma revisão para sua estimativa da safra 2011/12 de café do Brasil. A primeira, divulgada em março, apontava que a colheita renderia uma produção de 52,4 milhões de sacas de 60 quilos. O número foi revisto agora para 48,6 milhões de sacas. Segundo a trading, há cinco meses, o tamanho dos frutos em regiões produtoras de café do Brasil era "expressivo", o que indicava um potencial para uma grande safra. No entanto, a produtividade dos cafezais mostrou-se menordo que o esperado, especialmente no sul e cerrado de Minas Gerais, e ainda na região da Mogiana. A Mercon estima ainda que a colheita da safra de café no Brasil alcança, atualmente, 75% da produção projetada, no caso do arábica, e95% para o conilon.
A trading Mercon Coffee Group divulgou ontem uma revisão para sua estimativa da safra 2011/12 de café do Brasil. A primeira, divulgada em março, apontava que a colheita renderia uma produção de 52,4 milhões de sacas de 60 quilos. O número foi revisto agora para 48,6 milhões de sacas. Segundo a trading, há cinco meses, o tamanho dos frutos em regiões produtoras de café do Brasil era "expressivo", o que indicava um potencial para uma grande safra. No entanto, a produtividade dos cafezais mostrou-se menordo que o esperado, especialmente no sul e cerrado de Minas Gerais, e ainda na região da Mogiana. A Mercon estima ainda que a colheita da safra de café no Brasil alcança, atualmente, 75% da produção projetada, no caso do arábica, e95% para o conilon.
Nova Iorque volta a demonstrar consistência e tem bons ganhos
Nova Iorque volta a demonstrar consistência e tem bons ganhos
Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta terça-feira com bons ganhos, na esteira de compras especulativas e de grandes fundos. Após uma abertura pressionada, seguindo a tendência negativa dos mercados externos, o café, passo a passo, começou a inverter a tendência, com os compradores voltando a demonstrar consistência. Mesmo com as bolsas de valores nos Estados Unidos e na Europa registrando perdas e várias commodities tendo retração, o café conseguiu se posicionar positivamente rompendo novamente os 250,00 centavos para o dezembro e, na sequência, atingindo o patamar de 255,00 centavos, nível considerado "tecnicamente bastante interessante", com a média móvel de 200 dias voltando a ser rompida, o que pode dar espaço para novas ações compradoras. Operadores ressaltaram que a expectativa do mercado era de um aumento nas ofertas de cafés brasileiros, já que a colheita vai chegando a seus momentos finais. No entanto, a maior parte dos produtores do país se mostra, ao menos razoavelmente capitalizados, o que permite que essas vendas sejam bastante dosadas. Esses players indicaram que os brasileiros buscam prêmios mais interessantes para seu café, caso contrário as vendas não se efetivam. Um desses operadores sustentou que o mercado opera de lado, no que se refere aos aspectos técnicos mais macros, estando focado, efetivamente, nas ações especulativas e que as origens, notadamente as brasileiras, deverão nortear os preços, ao menos no curto prazo. Fundamentalmente, o mercado continua sem novidades, com as estimativas de safra mundiais já bastante assimiladas — e precificadas —, ao passo que a questão clima no Brasil não provoca maiores temores nos participantes, já que o centro-sul do país registra temperaturas acima da média para esta época do ano. No encerramento do dia, o setembro em Nova Iorque teve alta de 585 pontos com 251,55 centavos, sendo a máxima em 252,00 e a mínima em 242,00 centavos por libra, com o dezembro registrando oscilação positiva de 560 pontos, com a libra a 255,00 centavos, sendo a máxima em 255,50 e a mínima em 245,75 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição setembro registrou alta de 18 dólares, com 2.314 dólares por tonelada, com o novembro tendo valorização de 15 dólares, com 2.344 dólares por tonelada. Segundo analistas internacionais, o café voltou a subir após falhar na tentativa de romper importantes suportes. Para o analista Keith Flury, é possível que o mercado mantenha a tendência de alta, sendo que o nível de 280,00-300,00 centavos de dólar não pode ser descartado “O mercado mostra uma consolidação diferenciada do aspecto externo, isso é um sinal de força e não deve ser descartado”, disse um trader. Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 1.846 sacas, indo para 1.491.797 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 24.576 lotes, com as opções tendo 4.215 calls e 9.172 puts. As exportações de café do Brasil em agosto, até o dia 15, somaram 1.051.975 sacas, contra 789.168 sacas registradas no mesmo período de julho, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Tecnicamente, o setembro na ICE Futures US tem uma resistência em 251,85, 252,00, 252,50, 253,00, 253,50, 254,00, 254,50, 254,90-255,00, 255,50, 256,00, 256,50, 257,00 e 257,50 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 242,00, 241,50, 241,00, 240,50, 240,10-240,00, 239,50, 239,40, 239,00, 238,50, 238,00, 237,50, 237,00, 236,50, 236,00, 235,50, 235,10-235,00 e 234,50 centavos por libra.
Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta terça-feira com bons ganhos, na esteira de compras especulativas e de grandes fundos. Após uma abertura pressionada, seguindo a tendência negativa dos mercados externos, o café, passo a passo, começou a inverter a tendência, com os compradores voltando a demonstrar consistência. Mesmo com as bolsas de valores nos Estados Unidos e na Europa registrando perdas e várias commodities tendo retração, o café conseguiu se posicionar positivamente rompendo novamente os 250,00 centavos para o dezembro e, na sequência, atingindo o patamar de 255,00 centavos, nível considerado "tecnicamente bastante interessante", com a média móvel de 200 dias voltando a ser rompida, o que pode dar espaço para novas ações compradoras. Operadores ressaltaram que a expectativa do mercado era de um aumento nas ofertas de cafés brasileiros, já que a colheita vai chegando a seus momentos finais. No entanto, a maior parte dos produtores do país se mostra, ao menos razoavelmente capitalizados, o que permite que essas vendas sejam bastante dosadas. Esses players indicaram que os brasileiros buscam prêmios mais interessantes para seu café, caso contrário as vendas não se efetivam. Um desses operadores sustentou que o mercado opera de lado, no que se refere aos aspectos técnicos mais macros, estando focado, efetivamente, nas ações especulativas e que as origens, notadamente as brasileiras, deverão nortear os preços, ao menos no curto prazo. Fundamentalmente, o mercado continua sem novidades, com as estimativas de safra mundiais já bastante assimiladas — e precificadas —, ao passo que a questão clima no Brasil não provoca maiores temores nos participantes, já que o centro-sul do país registra temperaturas acima da média para esta época do ano. No encerramento do dia, o setembro em Nova Iorque teve alta de 585 pontos com 251,55 centavos, sendo a máxima em 252,00 e a mínima em 242,00 centavos por libra, com o dezembro registrando oscilação positiva de 560 pontos, com a libra a 255,00 centavos, sendo a máxima em 255,50 e a mínima em 245,75 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição setembro registrou alta de 18 dólares, com 2.314 dólares por tonelada, com o novembro tendo valorização de 15 dólares, com 2.344 dólares por tonelada. Segundo analistas internacionais, o café voltou a subir após falhar na tentativa de romper importantes suportes. Para o analista Keith Flury, é possível que o mercado mantenha a tendência de alta, sendo que o nível de 280,00-300,00 centavos de dólar não pode ser descartado “O mercado mostra uma consolidação diferenciada do aspecto externo, isso é um sinal de força e não deve ser descartado”, disse um trader. Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 1.846 sacas, indo para 1.491.797 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 24.576 lotes, com as opções tendo 4.215 calls e 9.172 puts. As exportações de café do Brasil em agosto, até o dia 15, somaram 1.051.975 sacas, contra 789.168 sacas registradas no mesmo período de julho, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Tecnicamente, o setembro na ICE Futures US tem uma resistência em 251,85, 252,00, 252,50, 253,00, 253,50, 254,00, 254,50, 254,90-255,00, 255,50, 256,00, 256,50, 257,00 e 257,50 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 242,00, 241,50, 241,00, 240,50, 240,10-240,00, 239,50, 239,40, 239,00, 238,50, 238,00, 237,50, 237,00, 236,50, 236,00, 235,50, 235,10-235,00 e 234,50 centavos por libra.
Commodities Agrícolas
Commodities Agrícolas
China e Brasil Sinais de aquecimento da demanda chinesa por açúcar fortaleceram o mercado da commodity ontem na bolsa de Nova York. Os contratos para março encerraram a 27,20 centavos de dólar por libra-peso, alta de 56 pontos. Analistas ouvidos pela Bloomberg dizem que a China pode ter um déficit de 2 milhões de toneladas de açúcar neste ano. "Se for confirmado o aperto dos estoques chineses, a demanda será um pouco melhor", disse Jack Scoville, da Price Futures Group, de Chicago. A China é o segundo maior consumidor global de açúcar. Segundo a Dow Jones Newswires, também afeta o mercado a preocupação sobre o tamanho da safra de cana no Brasil. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal fechou ontem em R$ 68,18 por saca, queda de 0,89%. Estoque apertado Os futuros do café arábica na bolsa de Nova York subiram de forma expressiva no pregão de ontem puxados pelo risco de estoques mundiais apertados ao fim da temporada 2010/11. Os contratos com vencimento em dezembro encerraram o dia a US$ 2,55 a libra-peso, valorização de 560 pontos. De acordo com analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires, a performance da commodity é a melhor entre as agrícolas até agora. "Eu acho que um movimento para US$ 2,80 a US$ 3 é possível dado o alto risco associado ao apertado estoque de passagem no fim do ciclo", disse Keith Flury, analista do banco holandês Rabobank. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do grão de café 1,17% cotado a R$ 459,65. No mês, a alta acumulada é de 4,70%. Efeito do clima Especulações em relação aos efeitos da onda de calor de julho nas lavouras de milho dos EUA fizeram o grão subir ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em dezembro subiram 7,50 centavos de dólar a US$ 7,2750 por bushel. Conforme analistas ouvidos pela Bloomberg, há temores de que o calor tenha afetado a produtividade das lavouras de milho mais do que o governo disse na semana passada. Se confirmado, isso indicaria oferta mais apertada de milho. Cerca de 83% das lavouras foi polinizada em julho, quando as temperaturas no Meio-Oeste foram as maiores na média desde 1955, segundo a T-Storm Weather LLC in Chicago. O indicador de preços Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 30,11 por saca, alta de 0,20%. Estiagem americana A seca nas Grandes Planícies americanas continua a dar força às cotações do trigo nas bolsas americanas. Em Chicago, o contrato para dezembro encerrou o dia a US$ 7,52 o bushel, alta de 10,50 centavos. Em Kansas, o mesmo vencimento fechou o pregão com valorização de 6,75 centavos a US$ 6,75 o bushel. De acordo com a Bloomberg, muito das lavouras de trigo do Texas, do oeste de Oklahoma e do sudoeste de Kansas estão sofrendo com uma seca "excepcional", a mais severa classificação dada pela Universidade do Nebraska. "Não há nenhuma indicação de que essa seca vai cessar", disse um analista à Bloomberg. No mercado do Paraná, o trigo ficou ontem com preço médio de R$ 25,83 por saca, recuo de 0,27%, segundo o Deral/Seab. EUA voltam a barrar carne exportada pela JBS por excesso de vermífugoAs autoridades sanitárias norte-americanas voltaram a encontrar a presença do vermífugo ivermectina acima do permitido pelas regras dos EUA em uma carga de carne industrializada da JBS.Segundo a Folha apurou, a carne, industrializada na unidade da companhia em Barretos (SP), foi devolvida pelo FSIS (Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar), após análises laboratoriais. A empresa foi informada na sexta-feira passada.O órgão manterá análises laboratoriais em mais 15 carregamentos da unidade de Barretos e, caso problemas semelhantes sejam registrados, essa fábrica pode ser excluída da lista de frigoríficos habilitados a exportar carne industrializada para os EUA.Essa não é a primeira vez que a JBS tem carregamento devolvido pelos americanos. No ano passado, os EUA encontraram a presença do vermífugo acima do permitido em uma carga de Lins (SP).O episódio acabou em prejuízo para todo o setor. Os embarques de carne foram suspensos logo após a devolução da carga da JBS, no final de maio de 2010, e retomados apenas em dezembro.A assessoria de imprensa da JBS informou que a devolução do contêiner de Barretos é um caso isolado, pois a empresa tem adotado todas as recomendações do acordo entre Brasil e EUA.Entre elas está o cuidado dos produtores em respeitar o prazo de carência da aplicação do ivermectina nos animais até o abate.Segundo Antonio Camardelli, presidente da Abiec (associação dos exportadores de carne), os frigoríficos não podem confiar nas recomendações de prazo das bulas."O que está escrito na bula não se evidencia no resultado final", afirma. Colheita atrasada A colheita da safrinha de milho em Mato Grosso do Sul é lenta. Chuvas na região impossibilitam a evolução normal dos trabalhos e podem prejudicar a qualidade dos grãos. Abaixo da média Das áreas cultivadas com milho em Mato Grosso do Sul, 35% já foram colhidas, ante 41% no mesmo período do ano passado. O índice também está abaixo da média do Centro-Oeste, de 77%, segundo a Céleres. Ritmo lento A consultoria também informou que a venda antecipada da safra de soja 2011/12 atingiu 11% da produção na semana passada -mais um ponto percentual em relação à anterior. Da safra 2010/11, 83% já foram vendidos. Expectativa A queda no ritmo de comercialização é consequência da redução nas estimativas para a produção de soja americana. Com a deterioração das lavouras nos EUA, os produtores brasileiros aguardam preços maiores no futuro. Com oferta maior, preço do boi recua em São PauloO aumento da oferta de animais para abate provocou queda nos preços do boi gordo, ontem, em São Paulo.A Informa Economics FNP apontou a arroba a R$ 100, em média. Segundo a Scot Consultoria, o valor de referência já chega a R$ 99,50.A liberação para o abate de animais ainda mantidos em confinamento e de bovinos de regiões que enfrentam seca, como Sudeste e Centro-Oeste, explica esse recuo.Mas a tendência ainda não é de queda. Após esse descarte de animais, espera-se um período de restrição na oferta, que deve se tornar abundante apenas no início de 2012, com a nova safra. Baixa oferta de cana altera projeções da Cosan para a RaízenA queda da oferta de cana-de-açúcar no país levou a Cosan a reduzir as projeções de processamento da Raízen, joint venture do grupo com a Shell.A informação foi dada ontem pelo diretor financeiro e de relações com os investidores, Marcelo Martins.O volume processado de cana deve alcançar de 53 milhões a 56 milhões de toneladas. A previsão anterior sugeria um intervalo entre 50 milhões a 60 milhões de toneladas.As projeções para as vendas de açúcar e de etanol também foram reduzidas.
China e Brasil Sinais de aquecimento da demanda chinesa por açúcar fortaleceram o mercado da commodity ontem na bolsa de Nova York. Os contratos para março encerraram a 27,20 centavos de dólar por libra-peso, alta de 56 pontos. Analistas ouvidos pela Bloomberg dizem que a China pode ter um déficit de 2 milhões de toneladas de açúcar neste ano. "Se for confirmado o aperto dos estoques chineses, a demanda será um pouco melhor", disse Jack Scoville, da Price Futures Group, de Chicago. A China é o segundo maior consumidor global de açúcar. Segundo a Dow Jones Newswires, também afeta o mercado a preocupação sobre o tamanho da safra de cana no Brasil. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal fechou ontem em R$ 68,18 por saca, queda de 0,89%. Estoque apertado Os futuros do café arábica na bolsa de Nova York subiram de forma expressiva no pregão de ontem puxados pelo risco de estoques mundiais apertados ao fim da temporada 2010/11. Os contratos com vencimento em dezembro encerraram o dia a US$ 2,55 a libra-peso, valorização de 560 pontos. De acordo com analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires, a performance da commodity é a melhor entre as agrícolas até agora. "Eu acho que um movimento para US$ 2,80 a US$ 3 é possível dado o alto risco associado ao apertado estoque de passagem no fim do ciclo", disse Keith Flury, analista do banco holandês Rabobank. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do grão de café 1,17% cotado a R$ 459,65. No mês, a alta acumulada é de 4,70%. Efeito do clima Especulações em relação aos efeitos da onda de calor de julho nas lavouras de milho dos EUA fizeram o grão subir ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em dezembro subiram 7,50 centavos de dólar a US$ 7,2750 por bushel. Conforme analistas ouvidos pela Bloomberg, há temores de que o calor tenha afetado a produtividade das lavouras de milho mais do que o governo disse na semana passada. Se confirmado, isso indicaria oferta mais apertada de milho. Cerca de 83% das lavouras foi polinizada em julho, quando as temperaturas no Meio-Oeste foram as maiores na média desde 1955, segundo a T-Storm Weather LLC in Chicago. O indicador de preços Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 30,11 por saca, alta de 0,20%. Estiagem americana A seca nas Grandes Planícies americanas continua a dar força às cotações do trigo nas bolsas americanas. Em Chicago, o contrato para dezembro encerrou o dia a US$ 7,52 o bushel, alta de 10,50 centavos. Em Kansas, o mesmo vencimento fechou o pregão com valorização de 6,75 centavos a US$ 6,75 o bushel. De acordo com a Bloomberg, muito das lavouras de trigo do Texas, do oeste de Oklahoma e do sudoeste de Kansas estão sofrendo com uma seca "excepcional", a mais severa classificação dada pela Universidade do Nebraska. "Não há nenhuma indicação de que essa seca vai cessar", disse um analista à Bloomberg. No mercado do Paraná, o trigo ficou ontem com preço médio de R$ 25,83 por saca, recuo de 0,27%, segundo o Deral/Seab. EUA voltam a barrar carne exportada pela JBS por excesso de vermífugoAs autoridades sanitárias norte-americanas voltaram a encontrar a presença do vermífugo ivermectina acima do permitido pelas regras dos EUA em uma carga de carne industrializada da JBS.Segundo a Folha apurou, a carne, industrializada na unidade da companhia em Barretos (SP), foi devolvida pelo FSIS (Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar), após análises laboratoriais. A empresa foi informada na sexta-feira passada.O órgão manterá análises laboratoriais em mais 15 carregamentos da unidade de Barretos e, caso problemas semelhantes sejam registrados, essa fábrica pode ser excluída da lista de frigoríficos habilitados a exportar carne industrializada para os EUA.Essa não é a primeira vez que a JBS tem carregamento devolvido pelos americanos. No ano passado, os EUA encontraram a presença do vermífugo acima do permitido em uma carga de Lins (SP).O episódio acabou em prejuízo para todo o setor. Os embarques de carne foram suspensos logo após a devolução da carga da JBS, no final de maio de 2010, e retomados apenas em dezembro.A assessoria de imprensa da JBS informou que a devolução do contêiner de Barretos é um caso isolado, pois a empresa tem adotado todas as recomendações do acordo entre Brasil e EUA.Entre elas está o cuidado dos produtores em respeitar o prazo de carência da aplicação do ivermectina nos animais até o abate.Segundo Antonio Camardelli, presidente da Abiec (associação dos exportadores de carne), os frigoríficos não podem confiar nas recomendações de prazo das bulas."O que está escrito na bula não se evidencia no resultado final", afirma. Colheita atrasada A colheita da safrinha de milho em Mato Grosso do Sul é lenta. Chuvas na região impossibilitam a evolução normal dos trabalhos e podem prejudicar a qualidade dos grãos. Abaixo da média Das áreas cultivadas com milho em Mato Grosso do Sul, 35% já foram colhidas, ante 41% no mesmo período do ano passado. O índice também está abaixo da média do Centro-Oeste, de 77%, segundo a Céleres. Ritmo lento A consultoria também informou que a venda antecipada da safra de soja 2011/12 atingiu 11% da produção na semana passada -mais um ponto percentual em relação à anterior. Da safra 2010/11, 83% já foram vendidos. Expectativa A queda no ritmo de comercialização é consequência da redução nas estimativas para a produção de soja americana. Com a deterioração das lavouras nos EUA, os produtores brasileiros aguardam preços maiores no futuro. Com oferta maior, preço do boi recua em São PauloO aumento da oferta de animais para abate provocou queda nos preços do boi gordo, ontem, em São Paulo.A Informa Economics FNP apontou a arroba a R$ 100, em média. Segundo a Scot Consultoria, o valor de referência já chega a R$ 99,50.A liberação para o abate de animais ainda mantidos em confinamento e de bovinos de regiões que enfrentam seca, como Sudeste e Centro-Oeste, explica esse recuo.Mas a tendência ainda não é de queda. Após esse descarte de animais, espera-se um período de restrição na oferta, que deve se tornar abundante apenas no início de 2012, com a nova safra. Baixa oferta de cana altera projeções da Cosan para a RaízenA queda da oferta de cana-de-açúcar no país levou a Cosan a reduzir as projeções de processamento da Raízen, joint venture do grupo com a Shell.A informação foi dada ontem pelo diretor financeiro e de relações com os investidores, Marcelo Martins.O volume processado de cana deve alcançar de 53 milhões a 56 milhões de toneladas. A previsão anterior sugeria um intervalo entre 50 milhões a 60 milhões de toneladas.As projeções para as vendas de açúcar e de etanol também foram reduzidas.
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