Custo de captação da Itália volta a disparar
Os custos de captação da Itália dispararam em um leilão de bônus que concentrou todas as atenções ontem, movidos pelas preocupações dos investidores com a crise da dívida da zona do euro e pelo impasse que cerca a definição do teto de endividamento dos Estados Unidos. O leilão, de € 8 bilhões (US$ 11,4 bilhões), foi realizado em mercados voláteis agitados ainda mais por rumores, negados pelos políticos italianos, de que o ministro da Economia do país, Giulio Tremonti, se preparava para renunciar ao cargo. A pressão sobre as ações e bônus italianos refletiu tanto a preocupação com a capacidade de Roma de reduzir sua dívida soberana - que perde apenas para a da Grécia, ao representar 120% da produção anual - quanto às dúvidas em torno da possibilidade de a reunião de cúpula da semana passada dos dirigentes da zona do euro ter chegado a uma solução sustentável para a crise da dívida grega. Surgiram críticas ao mais recente plano de salvamento da zona do euro para Atenas no Fundo Monetário Internacional (FMI), bem como entre economistas e analistas dos países-membros da zona do euro, que dizem que seu poder de reduzir a dívida da Grécia, de € 340 bilhões, é muito pequenUma pesquisa da "Reuters" junto a 55 economistas mostrou que a maioria sente que, embora o pacote de salvamento seja um passo na direção certa, ele não representa um ponto de inflexão a partir do qual a crise possa se solucionar. Chipre pode ser o próximo candidato a um pacote de socorro financeiro depois que seu gabinete renunciou coletivamente ontem, na esteira da explosão, com vítimas fatais, de munição que destruiu a principal central de energia elétrica da ilha e agravou seus problemas econômicos, entre os quais a pesada exposição à dívida grega. Os retornos pagos pelos títulos italianos oferecidos no leilão saltaram para 5,77% para bônus de 10 anos, o mais elevado desde fevereiro de 2000, e para 4,80% para papéis de três anos, o mais alto desde julho de 2008. "Pode-se argumentar que eles conseguiram colocar bônus no mercado, mas a tendência dos rendimentos está começando a ficar realmente contundente", disse Alessandro Giansanti, estrategista do ING em Amsterdã. "Eles não têm condições de arcar com esse tipo de aumento todos os meses."Tremonti, há muito visto como o fiador da prudência fiscal do rebelde governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, está sofrendo pressões em torno de seu uso de um apartamento, em Roma, pertencente a um auxiliar que está sendo investigado por acusações de corrupção. Umberto Bossi, diretor da Liga do Norte, parte da coalização de governo da Itália, desqualificou rumores de que Tremonti poderia perder o emprego, dizendo que o caso não era "nada de muito sério".O ministro da Economia enfrenta crescente pressão da oposição e da mídia para se explicar, e suas relações com Berlusconi são tensas há meses. Tremonti fez uma brincadeira sobre os rumores sobre sua possível saída do governo ao dizer numa entrevista à imprensa concedida ontem: "Eu renunciei... como inquilino."
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Impasse da dívida americana inibe bolsas globais
Impasse da dívida americana inibe bolsas globais
O impasse do teto de endividamento dos Estados Unidos deu o tom negativo dos mercados ontem, e os principais índices, com exceção do Nasdaq, fecharam em baixa. O otimismo com uma possível solução para o debate entre democratas e republicanos, que ajudou alguns índices europeus a subirem no começo do dia, foi perdendo espaço para visões mais céticas, de que o debate deve ser prolongado, influenciando pregões dos Estados Unidos.Os investidores americanos não acreditavam que a votação do plano dos republicanos na Câmara dos Deputados, marcada para depois do pregão, pudesse solucionar a discussão do endividamento. Os republicanos acabaram adiando o voto, mas o Senado, controlado pelos democratas, já deu sinais de que não aprovará o plano proposto pelos Deputados."O plano será rejeitado ao ser encaminhado para o Senado. Essa parece ser a razão para a força das vendas de papéis", disse Quincy Krosby, estrategista de mercado na Prudential Financial.O índice Standard & Poors 500 recuou 0,3%, para 1.300,67 pontos, na quarta sessão consecutiva de perdas. A perda acumulada na semana é de 3,3%. O Dow Jones recuou 0,51% aos 12.240 pontos. O Nasdaq subiu 0,05%, para 2.766 pontos.A Green Mountain, empresa importante do setor de café, foi o maior ganho do Nasdaq, contribuindo para a leve alta do índice. Depois de apresentar um aumento de 18% nas vendas terceiro trimestre, as ações da companhia subiram 16,4%.Entre as quedas, os papéis da Exxon, maior companhia de petróleo negociada em bolsa, recuaram 2,2%. A companhia apresentou lucro abaixo do estimado por analistas. A disputa pelo teto de endividamento dos EUA aumentou a volatilidade dos mercados. Antes de cair com o temor de um calote americano, os índices começaram o dia com ganhos, causados pela divulgação de queda nos pedidos de auxílio desemprego e fortes dados de vendas no mercado imobiliário americano, um dia após o S&P 500 registrar sua maior queda em oito semanas.Na Europa, o principal índice de ações do continente fechou em alta, mas os índices regionais mostraram tendências contrárias. A esperança de solução para o impasse americano ofuscou resultados corporativos ruins.O índice FTSEurofirst 300 teve variação positiva de 0,06%, a 1.089 pontos, quebrando série negativa de três dias. Entre os índices regionais, o londrino Financial Times fechou em alta de 0,28%, a 5.873 pontos. Já o DAX, da Alemanha, e o CAC-40, da França, tiveram quedas de 0,86% e 0,57% respectivamente.Entre as empresas com resultados ruins esteve a BASF, do setor químico. As ações da empresa caíram 4,2%, pior desempenho dentro do mercado alemão.
O impasse do teto de endividamento dos Estados Unidos deu o tom negativo dos mercados ontem, e os principais índices, com exceção do Nasdaq, fecharam em baixa. O otimismo com uma possível solução para o debate entre democratas e republicanos, que ajudou alguns índices europeus a subirem no começo do dia, foi perdendo espaço para visões mais céticas, de que o debate deve ser prolongado, influenciando pregões dos Estados Unidos.Os investidores americanos não acreditavam que a votação do plano dos republicanos na Câmara dos Deputados, marcada para depois do pregão, pudesse solucionar a discussão do endividamento. Os republicanos acabaram adiando o voto, mas o Senado, controlado pelos democratas, já deu sinais de que não aprovará o plano proposto pelos Deputados."O plano será rejeitado ao ser encaminhado para o Senado. Essa parece ser a razão para a força das vendas de papéis", disse Quincy Krosby, estrategista de mercado na Prudential Financial.O índice Standard & Poors 500 recuou 0,3%, para 1.300,67 pontos, na quarta sessão consecutiva de perdas. A perda acumulada na semana é de 3,3%. O Dow Jones recuou 0,51% aos 12.240 pontos. O Nasdaq subiu 0,05%, para 2.766 pontos.A Green Mountain, empresa importante do setor de café, foi o maior ganho do Nasdaq, contribuindo para a leve alta do índice. Depois de apresentar um aumento de 18% nas vendas terceiro trimestre, as ações da companhia subiram 16,4%.Entre as quedas, os papéis da Exxon, maior companhia de petróleo negociada em bolsa, recuaram 2,2%. A companhia apresentou lucro abaixo do estimado por analistas. A disputa pelo teto de endividamento dos EUA aumentou a volatilidade dos mercados. Antes de cair com o temor de um calote americano, os índices começaram o dia com ganhos, causados pela divulgação de queda nos pedidos de auxílio desemprego e fortes dados de vendas no mercado imobiliário americano, um dia após o S&P 500 registrar sua maior queda em oito semanas.Na Europa, o principal índice de ações do continente fechou em alta, mas os índices regionais mostraram tendências contrárias. A esperança de solução para o impasse americano ofuscou resultados corporativos ruins.O índice FTSEurofirst 300 teve variação positiva de 0,06%, a 1.089 pontos, quebrando série negativa de três dias. Entre os índices regionais, o londrino Financial Times fechou em alta de 0,28%, a 5.873 pontos. Já o DAX, da Alemanha, e o CAC-40, da França, tiveram quedas de 0,86% e 0,57% respectivamente.Entre as empresas com resultados ruins esteve a BASF, do setor químico. As ações da empresa caíram 4,2%, pior desempenho dentro do mercado alemão.
Mesmo com acordo, EUA deixam de ser porto seguro
Mesmo com acordo, EUA deixam de ser porto seguro
Mesmo que o Congresso dos Estados Unidos chegue a um acordo que eleve o teto da dívida e evite que o país entre em "default", aos olhos de todo o mundo talvez o porto jamais volte a ser tão seguro quanto pareceu até aqui. Para Harrison Hong, professor da universidade de Princeton e especialista em finanças comportamentais, a quebra desse paradigma pode deixar o mercado atônito durante um tempo, replicando usos e costumes que adota hoje, mas, a médio prazo, os investidores buscarão alternativas ao dólar para se sentirem protegidos."Mesmo que eu acredite que haverá um acordo, não é tão óbvio que os Estados Unidos manterão seu rating AAA", disse Hong em entrevista na sede da Behavior Capital, empresa brasileira de gestão de recursos da qual é sócio. "Acho que há mais incerteza sobre isso hoje que a respeito do acordo."Segundo Hong, uma vez que se deixe de atribuir à classificação de risco americana o conceito máximo de tranquilidade, tem início uma temporada de busca de novas referências, ponto de partida para decisões de investimento. A longo prazo, essa busca deve resultar em carteiras montadas com uma maior diversificação de moedas.A curto prazo, pode haver um pouco mais do que já se tem observado nos mercados, com a transformação de ativos de risco em caixa ou sua troca pelo ouro. Mesmo nesse caixa, se notará a proporção de moedas como o franco suíço, o iene japonês ou o yuan chinês.Mas Hong acredita que não será por essa insegurança que o mercado terá mais volatilidade. Ao contrário, o medo deve reduzir a oscilação de preços, bem como a liquidez global, que vai continuar repercutindo o que ele chama de eventos verdadeiramente relevantes, como a crise europeia ou a tentativa de recuperação do mercado imobiliário americano, após a crise de 2008. "O que parece estar acontecendo é que há muita atividade em certos tipos de ativos que são como portos seguros. O ouro é um exemplo". Segundo ele, outras reações são pouco visíveis, como a inflação chinesa, pressionada pela demanda em torno da moeda, "controlada obsessivamente" pelo governo. Mas não aumenta a volatilidade de mercados como o de ações."A volatilidade tende a ser muito maior em períodos muito especulativos, com as bolhas", disse Hong, que analisa o comportamento de investidores e transforma distorções de mercado como essa em uma ferramenta para gestão, inclusive do fundo de R$ 52 milhões da Behavior Capital, do qual é estrategista. "A volatilidade não tende a ser tão alta quando as pessoas estão procurando por segurança."No Brasil para participar de encontro promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Hong diz encarar o país como "o outro lado da China"."A China é o lado da demanda e o Brasil, o do fornecimento". Isso, segundo ele, faz com que o país funcione como o outro lado de uma gangorra, abrigando o dinheiro que quer estar nos Brics (grupo composto por Brasil, Rússia, India e China), mas não pode ser refém do yuan, manipulado pelo governo chinês.
Mesmo que o Congresso dos Estados Unidos chegue a um acordo que eleve o teto da dívida e evite que o país entre em "default", aos olhos de todo o mundo talvez o porto jamais volte a ser tão seguro quanto pareceu até aqui. Para Harrison Hong, professor da universidade de Princeton e especialista em finanças comportamentais, a quebra desse paradigma pode deixar o mercado atônito durante um tempo, replicando usos e costumes que adota hoje, mas, a médio prazo, os investidores buscarão alternativas ao dólar para se sentirem protegidos."Mesmo que eu acredite que haverá um acordo, não é tão óbvio que os Estados Unidos manterão seu rating AAA", disse Hong em entrevista na sede da Behavior Capital, empresa brasileira de gestão de recursos da qual é sócio. "Acho que há mais incerteza sobre isso hoje que a respeito do acordo."Segundo Hong, uma vez que se deixe de atribuir à classificação de risco americana o conceito máximo de tranquilidade, tem início uma temporada de busca de novas referências, ponto de partida para decisões de investimento. A longo prazo, essa busca deve resultar em carteiras montadas com uma maior diversificação de moedas.A curto prazo, pode haver um pouco mais do que já se tem observado nos mercados, com a transformação de ativos de risco em caixa ou sua troca pelo ouro. Mesmo nesse caixa, se notará a proporção de moedas como o franco suíço, o iene japonês ou o yuan chinês.Mas Hong acredita que não será por essa insegurança que o mercado terá mais volatilidade. Ao contrário, o medo deve reduzir a oscilação de preços, bem como a liquidez global, que vai continuar repercutindo o que ele chama de eventos verdadeiramente relevantes, como a crise europeia ou a tentativa de recuperação do mercado imobiliário americano, após a crise de 2008. "O que parece estar acontecendo é que há muita atividade em certos tipos de ativos que são como portos seguros. O ouro é um exemplo". Segundo ele, outras reações são pouco visíveis, como a inflação chinesa, pressionada pela demanda em torno da moeda, "controlada obsessivamente" pelo governo. Mas não aumenta a volatilidade de mercados como o de ações."A volatilidade tende a ser muito maior em períodos muito especulativos, com as bolhas", disse Hong, que analisa o comportamento de investidores e transforma distorções de mercado como essa em uma ferramenta para gestão, inclusive do fundo de R$ 52 milhões da Behavior Capital, do qual é estrategista. "A volatilidade não tende a ser tão alta quando as pessoas estão procurando por segurança."No Brasil para participar de encontro promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Hong diz encarar o país como "o outro lado da China"."A China é o lado da demanda e o Brasil, o do fornecimento". Isso, segundo ele, faz com que o país funcione como o outro lado de uma gangorra, abrigando o dinheiro que quer estar nos Brics (grupo composto por Brasil, Rússia, India e China), mas não pode ser refém do yuan, manipulado pelo governo chinês.
BC prevê deterioração na Europa e aperto pode ter chegado ao fim Com a moderação do nível de atividade econômica já em curso e a expectativa de uma piora acentuada do cenário internacional, sobretudo na Europa, o Banco Central considera a hipótese de o aumento da taxa Selic de julho ter sido a última rodada do ciclo de aperto monetário. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, sinalizou essa possibilidade.A desaceleração do crescimento "está encomendada" e se mostrará nítida entre julho e setembro, garantiu uma alta fonte oficial. Na avaliação do governo, o segundo trimestre ainda teve um desempenho forte, mas ligeiramente abaixo de 1%. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento já deverá cair para algo mais próximo de 0,5% e a queda será ainda mais forte no último trimestre, devendo o ano encerrar com um crescimento de 4% do PIB. As coletas de inflação "estão vindo bem", disse a fonte, e o IPCA acumulado em doze meses ainda cresce em agosto, mas deve ceder a partir de setembro.A avaliação do governo é que o comportamento da inflação está obedecendo ao cenário traçado pelo Banco Central no início do ano, quando anunciou que a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% só ocorreria em 2012. "Só não contávamos com uma deflação", comentou a fonte. O IGP-M de julho, divulgado ontem, teve deflação de 0,12%. Apesar de esperar uma piora acentuada da crise de dívida soberana na Europa, não é visível uma pressão deflacionária para o país. Sob esse aspecto, a crise, por enquanto, é neutra. "Mas diante da quantidade de riscos envolvidos, pode deixar de ser", comentou um ministro.Embora o pacote de socorro à Grécia e a criação de mecanismos que evitem o contágio para economias maiores, como Espanha e Itália, anunciado na semana passada, seja um bom indício, o fato é que ele é uma mera carta de intenção. Chamou a atenção das autoridades econômicas do país o parágrafo sexto do comunicado de Bruxelas, que deixa claro que as condições excepcionais colocadas no texto valem só para a Grécia.Em 16 meses o Copom aumentou os juros em 3,75 pontos percentuais e de janeiro a junho o governo federal produziu superávit primário de R$ 55,5 bilhões - o equivalente a 68% da meta fixada para o ano (de R$ 81,8 bilhões). O crédito, embora ainda em elevada expansão, na margem indica desaceleração e a taxa de câmbio, este ano, está mais valorizada que no ano passado. Essa conjunção de fatores, para o governo, começou a fazer efeitos.A inflação, sazonalmente, é maior no último e no primeiro trimestres do ano. Isso está nas considerações do governo. Não há, no horizonte, riscos de se repetir, este ano, os sete meses (outubro de 2010 a abril de 2011) de taxas elevadas, de 0,77% na média. Nesse período houve um exacerbado aumento dos preços das commodities que, espera-se, não se reproduzirá, a não ser que a crise externa leve os investidores a buscarem proteção nas commodities.
BC prevê deterioração na Europa e aperto pode ter chegado ao fim Com a moderação do nível de atividade econômica já em curso e a expectativa de uma piora acentuada do cenário internacional, sobretudo na Europa, o Banco Central considera a hipótese de o aumento da taxa Selic de julho ter sido a última rodada do ciclo de aperto monetário. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, sinalizou essa possibilidade.A desaceleração do crescimento "está encomendada" e se mostrará nítida entre julho e setembro, garantiu uma alta fonte oficial. Na avaliação do governo, o segundo trimestre ainda teve um desempenho forte, mas ligeiramente abaixo de 1%. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento já deverá cair para algo mais próximo de 0,5% e a queda será ainda mais forte no último trimestre, devendo o ano encerrar com um crescimento de 4% do PIB. As coletas de inflação "estão vindo bem", disse a fonte, e o IPCA acumulado em doze meses ainda cresce em agosto, mas deve ceder a partir de setembro.A avaliação do governo é que o comportamento da inflação está obedecendo ao cenário traçado pelo Banco Central no início do ano, quando anunciou que a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% só ocorreria em 2012. "Só não contávamos com uma deflação", comentou a fonte. O IGP-M de julho, divulgado ontem, teve deflação de 0,12%. Apesar de esperar uma piora acentuada da crise de dívida soberana na Europa, não é visível uma pressão deflacionária para o país. Sob esse aspecto, a crise, por enquanto, é neutra. "Mas diante da quantidade de riscos envolvidos, pode deixar de ser", comentou um ministro.Embora o pacote de socorro à Grécia e a criação de mecanismos que evitem o contágio para economias maiores, como Espanha e Itália, anunciado na semana passada, seja um bom indício, o fato é que ele é uma mera carta de intenção. Chamou a atenção das autoridades econômicas do país o parágrafo sexto do comunicado de Bruxelas, que deixa claro que as condições excepcionais colocadas no texto valem só para a Grécia.Em 16 meses o Copom aumentou os juros em 3,75 pontos percentuais e de janeiro a junho o governo federal produziu superávit primário de R$ 55,5 bilhões - o equivalente a 68% da meta fixada para o ano (de R$ 81,8 bilhões). O crédito, embora ainda em elevada expansão, na margem indica desaceleração e a taxa de câmbio, este ano, está mais valorizada que no ano passado. Essa conjunção de fatores, para o governo, começou a fazer efeitos.A inflação, sazonalmente, é maior no último e no primeiro trimestres do ano. Isso está nas considerações do governo. Não há, no horizonte, riscos de se repetir, este ano, os sete meses (outubro de 2010 a abril de 2011) de taxas elevadas, de 0,77% na média. Nesse período houve um exacerbado aumento dos preços das commodities que, espera-se, não se reproduzirá, a não ser que a crise externa leve os investidores a buscarem proteção nas commodities. Com a moderação do nível de atividade econômica já em curso e a expectativa de uma piora acentuada do cenário internacional, sobretudo na Europa, o Banco Central considera a hipótese de o aumento da taxa Selic de julho ter sido a última rodada do ciclo de aperto monetário. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, sinalizou essa possibilidade.A desaceleração do crescimento "está encomendada" e se mostrará nítida entre julho e setembro, garantiu uma alta fonte oficial. Na avaliação do governo, o segundo trimestre ainda teve um desempenho forte, mas ligeiramente abaixo de 1%. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento já deverá cair para algo mais próximo de 0,5% e a queda será ainda mais forte no último trimestre, devendo o ano encerrar com um crescimento de 4% do PIB. As coletas de inflação "estão vindo bem", disse a fonte, e o IPCA acumulado em doze meses ainda cresce em agosto, mas deve ceder a partir de setembro.A avaliação do governo é que o comportamento da inflação está obedecendo ao cenário traçado pelo Banco Central no início do ano, quando anunciou que a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% só ocorreria em 2012. "Só não contávamos com uma deflação", comentou a fonte. O IGP-M de julho, divulgado ontem, teve deflação de 0,12%. Apesar de esperar uma piora acentuada da crise de dívida soberana na Europa, não é visível uma pressão deflacionária para o país. Sob esse aspecto, a crise, por enquanto, é neutra. "Mas diante da quantidade de riscos envolvidos, pode deixar de ser", comentou um ministro.Embora o pacote de socorro à Grécia e a criação de mecanismos que evitem o contágio para economias maiores, como Espanha e Itália, anunciado na semana passada, seja um bom indício, o fato é que ele é uma mera carta de intenção. Chamou a atenção das autoridades econômicas do país o parágrafo sexto do comunicado de Bruxelas, que deixa claro que as condições excepcionais colocadas no texto valem só para a Grécia.Em 16 meses o Copom aumentou os juros em 3,75 pontos percentuais e de janeiro a junho o governo federal produziu superávit primário de R$ 55,5 bilhões - o equivalente a 68% da meta fixada para o ano (de R$ 81,8 bilhões). O crédito, embora ainda em elevada expansão, na margem indica desaceleração e a taxa de câmbio, este ano, está mais valorizada que no ano passado. Essa conjunção de fatores, para o governo, começou a fazer efeitos.A inflação, sazonalmente, é maior no último e no primeiro trimestres do ano. Isso está nas considerações do governo. Não há, no horizonte, riscos de se repetir, este ano, os sete meses (outubro de 2010 a abril de 2011) de taxas elevadas, de 0,77% na média. Nesse período houve um exacerbado aumento dos preços das commodities que, espera-se, não se reproduzirá, a não ser que a crise externa leve os investidores a buscarem proteção nas commodities.
Resiliente, Ásia está mais vulnerável à crise global
Resiliente, Ásia está mais vulnerável à crise global
Se os mercados de bônus e ações da Ásia servirem de guia, então, os investidores parecem estar bem despreocupados quanto aos riscos de falta de dinheiro do Tesouro dos Estados Unidos e ao descontrole da crise da dívida de região do euro.O impasse nas negociações para elevar o teto de endividamento dos EUA ainda não afetou seriamente os mercados financeiros da região. As ações de empresas asiáticas, na verdade, subiram nas últimas semanas, com o índice FTSE All-World Asia Pacific, que não inclui o Japão, em alta de mais de 3% desde o início do ano.Embora o custo de proteção contra a inadimplência de empresas na Ásia tenha ficado mais caro e se mostrado mais volátil nos últimos dois meses, o índice iTraxx Asia (sem o Japão), termômetro do risco de crédito, continua abaixo dos níveis vistos em 2010."Certamente, não estamos precificados para uma inadimplência total ou rebaixamento de crédito dos EUA", diz Shane Oliver, da AMP Capital Investors, de Sydney.Assim como a maioria dos agentes de mercado, Oliver está confiante de que os políticos dos EUA chegarão a uma solução para elevar o limite de captações no país até o fim do prazo, no início da próxima semana.Oliver admite, no entanto, que uma crise mais grave nos EUA ou Europa atingiria os mercados financeiros com a mesma intensidade observada há três anos. Outros são mais pessimistas e julgam que a região estaria mais vulnerável a um contágio desta vez, porque os governos agora têm menos capacidade para aplicar outra rodada de medidas de estímulo econômico.Em 2008 e 2009, com a falência do Lehman Brothers, a inércia dos mercados de financiamento mundiais e a contração do comércio internacional, os bônus e ações asiáticos caíram mais que os papéis no centro da tempestade nos EUA.As fortes quedas foram mais incômodas para os investidores na região porque nos anos prévios à crise a ideia geral era de que a Ásia estava se "descolando" do Ocidente.A Ásia segue com forte dependência da Europa e EUA, mais nitidamente em relação às exportações de bens e serviços a consumidores ocidentais, mas também cada vez mais no que se refere a fluxos de capital e sistema financeiro.O analista de crédito Viktor Hjort, do Morgan Stanley, em Hong Kong, diz que "a fonte de contágio mais rápida e perigosa" para os mercados de bônus asiáticos é a falta de liquidez nos mercados de financiamento mundiais. Na crise de 2008, os bancos europeus reduziram a concessão de empréstimos para a Ásia em 20%, o que levou a um contágio generalizado e impediu algumas empresas de rolar suas dívidas.Hjort destaca que as economias asiáticas estejam em melhor posição para enfrentar um aperto na liquidez mundial em comparação a 2008, porque as reservas internacionais aumentaram e os sistemas bancários estão menos dependentes do financiamento de externo.Os rendimentos dos bônus também estão mais elevados agora, já que os investidores assumiram uma abordagem mais cautelosa. Além disso, por uma série de critérios, as ações da região estão mais baratas do que há três anos, o que sugere desvalorizações menores em um cenário de crise.Ainda assim, analistas dizem que há uma diferença importante, em relação a 2008, que ameaça tornar qualquer nova crise muito mais perigosa: depois de liberar volume recorde de dinheiro para combater o desmoronamento financeiro, os governos e bancos centrais gastaram grande parte de seu poder de fogo anticrises.O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) reduziu seus juros para quase zero e o governo, endividado, provavelmente enfrentaria oposição feroz a qualquer novo gasto com estímulos.Embora os governos asiáticos tenham mais espaço que os do Ocidente para embarcar em nova rodada de estímulos financiados por dívidas ou cortes de juros, a capacidade para fazê-lo foi reduzida.De fato, as medidas de estímulo que ajudaram os países asiáticos a se recuperar rapidamente da crise passada agora trazem efeitos colaterais incômodos. A China promoveu o maior pacote de estímulos do mundo, ordenando a seus bancos a conceder empréstimos de centenas de bilhões de dólares a projetos de investimento estatais. As dívidas de difícil recuperação agora são cada vez maiores.O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, aumentou em grande parte da Ásia, mesmo com a economia começado a se desacelerar. Na China, os preços ao consumidor de junho apresentaram a maior alta em três anos, de 6,4%, acima da meta de Pequim, de 4%. Se os EUA ou Europa mergulharem em nova crise, dificilmente os países asiáticos se recuperarão com o mesmo vigor de três anos atrás.
Se os mercados de bônus e ações da Ásia servirem de guia, então, os investidores parecem estar bem despreocupados quanto aos riscos de falta de dinheiro do Tesouro dos Estados Unidos e ao descontrole da crise da dívida de região do euro.O impasse nas negociações para elevar o teto de endividamento dos EUA ainda não afetou seriamente os mercados financeiros da região. As ações de empresas asiáticas, na verdade, subiram nas últimas semanas, com o índice FTSE All-World Asia Pacific, que não inclui o Japão, em alta de mais de 3% desde o início do ano.Embora o custo de proteção contra a inadimplência de empresas na Ásia tenha ficado mais caro e se mostrado mais volátil nos últimos dois meses, o índice iTraxx Asia (sem o Japão), termômetro do risco de crédito, continua abaixo dos níveis vistos em 2010."Certamente, não estamos precificados para uma inadimplência total ou rebaixamento de crédito dos EUA", diz Shane Oliver, da AMP Capital Investors, de Sydney.Assim como a maioria dos agentes de mercado, Oliver está confiante de que os políticos dos EUA chegarão a uma solução para elevar o limite de captações no país até o fim do prazo, no início da próxima semana.Oliver admite, no entanto, que uma crise mais grave nos EUA ou Europa atingiria os mercados financeiros com a mesma intensidade observada há três anos. Outros são mais pessimistas e julgam que a região estaria mais vulnerável a um contágio desta vez, porque os governos agora têm menos capacidade para aplicar outra rodada de medidas de estímulo econômico.Em 2008 e 2009, com a falência do Lehman Brothers, a inércia dos mercados de financiamento mundiais e a contração do comércio internacional, os bônus e ações asiáticos caíram mais que os papéis no centro da tempestade nos EUA.As fortes quedas foram mais incômodas para os investidores na região porque nos anos prévios à crise a ideia geral era de que a Ásia estava se "descolando" do Ocidente.A Ásia segue com forte dependência da Europa e EUA, mais nitidamente em relação às exportações de bens e serviços a consumidores ocidentais, mas também cada vez mais no que se refere a fluxos de capital e sistema financeiro.O analista de crédito Viktor Hjort, do Morgan Stanley, em Hong Kong, diz que "a fonte de contágio mais rápida e perigosa" para os mercados de bônus asiáticos é a falta de liquidez nos mercados de financiamento mundiais. Na crise de 2008, os bancos europeus reduziram a concessão de empréstimos para a Ásia em 20%, o que levou a um contágio generalizado e impediu algumas empresas de rolar suas dívidas.Hjort destaca que as economias asiáticas estejam em melhor posição para enfrentar um aperto na liquidez mundial em comparação a 2008, porque as reservas internacionais aumentaram e os sistemas bancários estão menos dependentes do financiamento de externo.Os rendimentos dos bônus também estão mais elevados agora, já que os investidores assumiram uma abordagem mais cautelosa. Além disso, por uma série de critérios, as ações da região estão mais baratas do que há três anos, o que sugere desvalorizações menores em um cenário de crise.Ainda assim, analistas dizem que há uma diferença importante, em relação a 2008, que ameaça tornar qualquer nova crise muito mais perigosa: depois de liberar volume recorde de dinheiro para combater o desmoronamento financeiro, os governos e bancos centrais gastaram grande parte de seu poder de fogo anticrises.O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) reduziu seus juros para quase zero e o governo, endividado, provavelmente enfrentaria oposição feroz a qualquer novo gasto com estímulos.Embora os governos asiáticos tenham mais espaço que os do Ocidente para embarcar em nova rodada de estímulos financiados por dívidas ou cortes de juros, a capacidade para fazê-lo foi reduzida.De fato, as medidas de estímulo que ajudaram os países asiáticos a se recuperar rapidamente da crise passada agora trazem efeitos colaterais incômodos. A China promoveu o maior pacote de estímulos do mundo, ordenando a seus bancos a conceder empréstimos de centenas de bilhões de dólares a projetos de investimento estatais. As dívidas de difícil recuperação agora são cada vez maiores.O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, aumentou em grande parte da Ásia, mesmo com a economia começado a se desacelerar. Na China, os preços ao consumidor de junho apresentaram a maior alta em três anos, de 6,4%, acima da meta de Pequim, de 4%. Se os EUA ou Europa mergulharem em nova crise, dificilmente os países asiáticos se recuperarão com o mesmo vigor de três anos atrás.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Café cai em NY em meio a incertezas e colheita
Café cai em NY em meio a incertezas e colheita
Os preços futuros do café arábica registraram ontem a maior queda desde o dia 19 de julho na bolsa de Nova York. Os contratos para entrega em dezembro fecharam o dia a US$ 2,4555 por libra-peso, uma perda diária de 370 pontos ou 1,5%. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Diogo Medzdorff, o café foi influenciado pelo ambiente de incertezas no mercado financeiro. As preocupações com a Europa fizeram o dólar se valorizar, o que reduziu o apetite dos investidores pelas commodities.Com quase três quartos da safra brasileira já colhida e a recomposição dos estoques, os fundamentos não ofereceram grande resistência à pressão baixista. As expectativas otimistas em relação à safra 2012/13 também foram levadas em conta. Ontem, a Somar Meteorologia divulgou relatório de acordo com o qual o Brasil tem grande chance de colher uma produção recorde no ano que vem, graças ao clima favorável para o desenvolvimento das lavouras. Além disso, a próxima safra deverá ter produtividades mais elevadas por causa do ciclo bienal do café. No mês, o preço do café registra queda de 7,55%, mas ainda acumula uma alta de 1,55% em 2011 em Nova York. Além disso, os preços médios praticados em julho são aproximadamente 55% mais altos do que os observados em igual período do ano passado. Analistas de mercado avaliam que, apesar do cenário favorável para a próxima safra, o equilíbrio global entre oferta e demanda ainda é delicado.
Os preços futuros do café arábica registraram ontem a maior queda desde o dia 19 de julho na bolsa de Nova York. Os contratos para entrega em dezembro fecharam o dia a US$ 2,4555 por libra-peso, uma perda diária de 370 pontos ou 1,5%. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Diogo Medzdorff, o café foi influenciado pelo ambiente de incertezas no mercado financeiro. As preocupações com a Europa fizeram o dólar se valorizar, o que reduziu o apetite dos investidores pelas commodities.Com quase três quartos da safra brasileira já colhida e a recomposição dos estoques, os fundamentos não ofereceram grande resistência à pressão baixista. As expectativas otimistas em relação à safra 2012/13 também foram levadas em conta. Ontem, a Somar Meteorologia divulgou relatório de acordo com o qual o Brasil tem grande chance de colher uma produção recorde no ano que vem, graças ao clima favorável para o desenvolvimento das lavouras. Além disso, a próxima safra deverá ter produtividades mais elevadas por causa do ciclo bienal do café. No mês, o preço do café registra queda de 7,55%, mas ainda acumula uma alta de 1,55% em 2011 em Nova York. Além disso, os preços médios praticados em julho são aproximadamente 55% mais altos do que os observados em igual período do ano passado. Analistas de mercado avaliam que, apesar do cenário favorável para a próxima safra, o equilíbrio global entre oferta e demanda ainda é delicado.
Calote seria "devastador"
Calote seria "devastador"
O presidente e CEO da rede varejista americana Wal-Mart, Michael Duke, disse ontem que um calote na dívida dos EUA seria "devastador" para os consumidores, que seriam afetados pela elevação das taxas de juros. "Um default e o efeito em onda [causado por ele] seriam impactantes", afirmou Duke em depoimento à Comissão de Finanças do Senado. Segundo ele, tanto a confirmação quanto a percepção de um default castigariam a economia dos Estados Unidos. Outros executivos que participaram da sessão foram Thomas Falk, presidente e CEO da Kimberly-Clark, Gregory Lang, presidente e CEO da PMC-Sierra, e Larry Merlo, presidente e CEO da CVS. O presidente da comissão, Max Baucus, disse que o corte no imposto de renda pretendido pelas empresas dificilmente será possível, mesmo com eliminação de benefícios fiscais.
O presidente e CEO da rede varejista americana Wal-Mart, Michael Duke, disse ontem que um calote na dívida dos EUA seria "devastador" para os consumidores, que seriam afetados pela elevação das taxas de juros. "Um default e o efeito em onda [causado por ele] seriam impactantes", afirmou Duke em depoimento à Comissão de Finanças do Senado. Segundo ele, tanto a confirmação quanto a percepção de um default castigariam a economia dos Estados Unidos. Outros executivos que participaram da sessão foram Thomas Falk, presidente e CEO da Kimberly-Clark, Gregory Lang, presidente e CEO da PMC-Sierra, e Larry Merlo, presidente e CEO da CVS. O presidente da comissão, Max Baucus, disse que o corte no imposto de renda pretendido pelas empresas dificilmente será possível, mesmo com eliminação de benefícios fiscais.
EUA preparam plano de ação para o dia do calote
O Departamento de Tesouro, que é o Ministério da Fazenda dos Estados Unidos, vai detalhar o que fará com os 100 milhões de cheques que emite todos os meses se o Congresso não aumentar o teto de endividamento público, e isso vai abrir a cortina de um plano mantido em segredo e que pode ter consequências dramáticas para a economia, a nota de crédito dos EUA e a situação política do país.O governo Barack Obama espera que essas decisões - isto é, quem pagar ou não - possam ser evitadas se um acordo para elevar o teto de endividamento antes de 2 de agosto for fechado, mas o prazo está acabando. Membros do governo ainda não decidiram quando divulgar o plano e podem reverter o curso se houver progresso nas negociações para aumentar o teto.Se a turbulência nos mercados piorar esta semana, contudo, a Casa Branca pode divulgar os planos nos próximos dias. Pessoas do governo não quiseram dar detalhes sobre ele.O Federal Reserve, ou Fed, como é conhecido o banco central americano, deve ter um papel importante qualquer que seja o plano do Tesouro, mas já avisou que não tem ferramentas especiais para resgatar o governo. O Fed pode optar por tentar acalmar o mercado financeiro garantindo que os bancos tenham dinheiro para continuar operando.Executivos de Wall Street acreditam que o Tesouro vai reestruturar a maneira como paga suas contas, de modo que detentores de títulos de dívida, inclusive governos como o da China, tenham prioridade. Isso evitaria que o país ficasse inadimplente em seus títulos de dívida - algo que até a Grécia conseguiu evitar.Terry Belton, diretor mundial de estratégia de renda fixa do J.P. Morgan Chase, disse acreditar que há "chance virtualmente zero" de uma moratória em títulos de dívida americana, mesmo se o teto da dívida não for ampliado até 2 de agosto."O Tesouro tem outras coisas disponíveis que são bastante nocivas, mas são melhores do que deixar de fazer um pagamento de juros", disse ele. Pagar detentores de títulos antes de beneficiários da Previdência, por exemplo, pode gerar ira política e levar a processos na Justiça e turbulência nos mercados, além de um possível rebaixamento da nota de crédito.O governo está sob pressão de detentores de dívida, cidadãos idosos, parlamentares e outros grupos para detalhar como vai priorizar os pagamentos. Detalhar seus planos poderia ajudar o Tesouro a conter a crescente incerteza nos mercados financeiros quanto ao que pode acontecer na semana que vem, mas também poderia abrir espaço para críticas políticas e poderia deflagrar um tipo de crise que ele existe para evitar.Funcionários do governo acreditam que podem perder a capacidade de tomar dinheiro emprestado se o teto de endividamento não for suspenso. Embora a receita com impostos tenha sido maior do que o esperado nas últimas semanas, acredita-se que o Tesouro vai contrair radicalmente seus pagamentos depois de 2 de agosto para conservar caixa o máximo possível. O Centro Político Bipartidário, um centro de estudos de Washington, estima que o Tesouro vai ter um déficit de cerca de US$ 130 bilhões em agosto e provavelmente não terá o dinheiro para cobrir todas as suas obrigações.Autoridades de primeiro escalão do governo têm se reunido há semanas para traçar planos para operar depois de 2 de agosto, mas não divulgaram nenhuma de suas estratégias. Detalhes só circularam entre um grupo fechado de autoridades, entre elas o presidente Obama, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e um grupo de confidentes deste no ministério.Dois auxiliares importantes são Mary Miller e Matthew Rutherford, ambos especialistas em mercados de dívida. Rutherford tem sido um conselheiro bem próximo de Geithner desde que ambos trabalharam juntos no filial do Fed em Nova York. Miller é uma especialista no mercado financeiro que passou 26 anos no fundo T. Rowe Price Group.Ex-membros do governo dizem que parece não haver resposta simples para como a equipe de Geithner pode navegar uma situação como esta, e que a ideia de priorizar alguns pagamentos do governo sobre outros poderia ser um pesadelo técnico e logístico. Muitos pagamentos são computadorizados e não está claro quais sistemas poderiam ser reprogramados a tempo.Isso já levou membros do governo a dizer, recentemente, que acham que estarão prontos para o que acontecerá depois de 2 de agosto, mas descreveram como "impensáveis" as decisões que teriam de tomar nesse caso."Então o que você diz? Quem você paga? Essa é uma situação impossível que este país nunca enfrentou, e nunca terá de enfrentar se o Congresso fizer o que foi eleito para fazer", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.O senador Orrin Hatch, do Partido Republicano e membro da comissão de finança do Senado, pediu a Geithner para especificar até às 17 horas de hoje, horário de Washington, seus planos de contingência. Ele também pediu detalhes sobre quanto dinheiro o Tesouro esperava receber e gastar entre o fim de julho e o fim de agosto, algo que o Tesouro ainda não fez."Muitos americanos e membros do Congresso estão, infelizmente, apoiando-se em estimativas e projeções de grandes instituições financeiras de Wall Street ou de organizações não-governamentais muitas vezes rotuladas de 'centros de estudos'", escreveu Hatch a Geithner e outras autoridades financeiras. "A falta de informação é insatisfatória."Embora a Casa Branca tenha tido o cuidado de não divulgar seus planos, ela tem sugerido que há coisas que ela não faria depois de 2 de agosto. Por exemplo, autoridades do governo já disseram que Obama não invocaria a 14 emenda da Constituição, que diz que o teto de endividamento é anticonstitucional. Eles também já disseram que não planejam vender as reservas de ouro do país ou ativos parecidos para levantar dinheiro rapidamente.
Encomendas caem e Fed vê mercado imobiliário fraco
Encomendas caem e Fed vê mercado imobiliário fraco
A economia dos Estados Unidos teve desde o mês passado uma piora em aproximadamente metade do país, prejudicada por um mercado imobiliário fraco e pela desaceleração da produção industrial. A conclusão faz parte do relatório conhecido como Livro Bege, divulgado ontem pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).O relatório cobre junho e a primeira quinzena de julho. Segundo o Fed, a demanda por crédito ficou estagnada. O volume de empréstimos concedidos pelos bancos americanos somava US$ 6,78 trilhões no dia 13, pouco inalterado frente ao montante de US$ 6,77 trilhões do início de janeiro.O documento mostrou ainda que há poucas forças empurrando a inflação para cima. "As pressões de preços moderaram-se."Outra dados também sinalizam desaquecimento da economia.As encomendas de bens duráveis recuaram 2,1% nos EUA em junho na comparação com maio, para um valor sazonalmente ajustado de US$ 191,98 bilhões, contrariando a expectativa de analistas, que era de leve aumento.Segundo o Departamento de Comércio, essa foi a segunda queda mensal dos últimos três meses. Em maio, as encomendas haviam crescido 1,9%. Excluindo transporte, as encomendas aumentaram 0,1%; excluindo defesa, houve queda de 1,8%.
A economia dos Estados Unidos teve desde o mês passado uma piora em aproximadamente metade do país, prejudicada por um mercado imobiliário fraco e pela desaceleração da produção industrial. A conclusão faz parte do relatório conhecido como Livro Bege, divulgado ontem pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).O relatório cobre junho e a primeira quinzena de julho. Segundo o Fed, a demanda por crédito ficou estagnada. O volume de empréstimos concedidos pelos bancos americanos somava US$ 6,78 trilhões no dia 13, pouco inalterado frente ao montante de US$ 6,77 trilhões do início de janeiro.O documento mostrou ainda que há poucas forças empurrando a inflação para cima. "As pressões de preços moderaram-se."Outra dados também sinalizam desaquecimento da economia.As encomendas de bens duráveis recuaram 2,1% nos EUA em junho na comparação com maio, para um valor sazonalmente ajustado de US$ 191,98 bilhões, contrariando a expectativa de analistas, que era de leve aumento.Segundo o Departamento de Comércio, essa foi a segunda queda mensal dos últimos três meses. Em maio, as encomendas haviam crescido 1,9%. Excluindo transporte, as encomendas aumentaram 0,1%; excluindo defesa, houve queda de 1,8%.
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