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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mesmo com acordo, EUA deixam de ser porto seguro

Mesmo com acordo, EUA deixam de ser porto seguro
Mesmo que o Congresso dos Estados Unidos chegue a um acordo que eleve o teto da dívida e evite que o país entre em "default", aos olhos de todo o mundo talvez o porto jamais volte a ser tão seguro quanto pareceu até aqui. Para Harrison Hong, professor da universidade de Princeton e especialista em finanças comportamentais, a quebra desse paradigma pode deixar o mercado atônito durante um tempo, replicando usos e costumes que adota hoje, mas, a médio prazo, os investidores buscarão alternativas ao dólar para se sentirem protegidos."Mesmo que eu acredite que haverá um acordo, não é tão óbvio que os Estados Unidos manterão seu rating AAA", disse Hong em entrevista na sede da Behavior Capital, empresa brasileira de gestão de recursos da qual é sócio. "Acho que há mais incerteza sobre isso hoje que a respeito do acordo."Segundo Hong, uma vez que se deixe de atribuir à classificação de risco americana o conceito máximo de tranquilidade, tem início uma temporada de busca de novas referências, ponto de partida para decisões de investimento. A longo prazo, essa busca deve resultar em carteiras montadas com uma maior diversificação de moedas.A curto prazo, pode haver um pouco mais do que já se tem observado nos mercados, com a transformação de ativos de risco em caixa ou sua troca pelo ouro. Mesmo nesse caixa, se notará a proporção de moedas como o franco suíço, o iene japonês ou o yuan chinês.Mas Hong acredita que não será por essa insegurança que o mercado terá mais volatilidade. Ao contrário, o medo deve reduzir a oscilação de preços, bem como a liquidez global, que vai continuar repercutindo o que ele chama de eventos verdadeiramente relevantes, como a crise europeia ou a tentativa de recuperação do mercado imobiliário americano, após a crise de 2008. "O que parece estar acontecendo é que há muita atividade em certos tipos de ativos que são como portos seguros. O ouro é um exemplo". Segundo ele, outras reações são pouco visíveis, como a inflação chinesa, pressionada pela demanda em torno da moeda, "controlada obsessivamente" pelo governo. Mas não aumenta a volatilidade de mercados como o de ações."A volatilidade tende a ser muito maior em períodos muito especulativos, com as bolhas", disse Hong, que analisa o comportamento de investidores e transforma distorções de mercado como essa em uma ferramenta para gestão, inclusive do fundo de R$ 52 milhões da Behavior Capital, do qual é estrategista. "A volatilidade não tende a ser tão alta quando as pessoas estão procurando por segurança."No Brasil para participar de encontro promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Hong diz encarar o país como "o outro lado da China"."A China é o lado da demanda e o Brasil, o do fornecimento". Isso, segundo ele, faz com que o país funcione como o outro lado de uma gangorra, abrigando o dinheiro que quer estar nos Brics (grupo composto por Brasil, Rússia, India e China), mas não pode ser refém do yuan, manipulado pelo governo chinês.

BC prevê deterioração na Europa e aperto pode ter chegado ao fim Com a moderação do nível de atividade econômica já em curso e a expectativa de uma piora acentuada do cenário internacional, sobretudo na Europa, o Banco Central considera a hipótese de o aumento da taxa Selic de julho ter sido a última rodada do ciclo de aperto monetário. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, sinalizou essa possibilidade.A desaceleração do crescimento "está encomendada" e se mostrará nítida entre julho e setembro, garantiu uma alta fonte oficial. Na avaliação do governo, o segundo trimestre ainda teve um desempenho forte, mas ligeiramente abaixo de 1%. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento já deverá cair para algo mais próximo de 0,5% e a queda será ainda mais forte no último trimestre, devendo o ano encerrar com um crescimento de 4% do PIB. As coletas de inflação "estão vindo bem", disse a fonte, e o IPCA acumulado em doze meses ainda cresce em agosto, mas deve ceder a partir de setembro.A avaliação do governo é que o comportamento da inflação está obedecendo ao cenário traçado pelo Banco Central no início do ano, quando anunciou que a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% só ocorreria em 2012. "Só não contávamos com uma deflação", comentou a fonte. O IGP-M de julho, divulgado ontem, teve deflação de 0,12%. Apesar de esperar uma piora acentuada da crise de dívida soberana na Europa, não é visível uma pressão deflacionária para o país. Sob esse aspecto, a crise, por enquanto, é neutra. "Mas diante da quantidade de riscos envolvidos, pode deixar de ser", comentou um ministro.Embora o pacote de socorro à Grécia e a criação de mecanismos que evitem o contágio para economias maiores, como Espanha e Itália, anunciado na semana passada, seja um bom indício, o fato é que ele é uma mera carta de intenção. Chamou a atenção das autoridades econômicas do país o parágrafo sexto do comunicado de Bruxelas, que deixa claro que as condições excepcionais colocadas no texto valem só para a Grécia.Em 16 meses o Copom aumentou os juros em 3,75 pontos percentuais e de janeiro a junho o governo federal produziu superávit primário de R$ 55,5 bilhões - o equivalente a 68% da meta fixada para o ano (de R$ 81,8 bilhões). O crédito, embora ainda em elevada expansão, na margem indica desaceleração e a taxa de câmbio, este ano, está mais valorizada que no ano passado. Essa conjunção de fatores, para o governo, começou a fazer efeitos.A inflação, sazonalmente, é maior no último e no primeiro trimestres do ano. Isso está nas considerações do governo. Não há, no horizonte, riscos de se repetir, este ano, os sete meses (outubro de 2010 a abril de 2011) de taxas elevadas, de 0,77% na média. Nesse período houve um exacerbado aumento dos preços das commodities que, espera-se, não se reproduzirá, a não ser que a crise externa leve os investidores a buscarem proteção nas commodities.

BC prevê deterioração na Europa e aperto pode ter chegado ao fim Com a moderação do nível de atividade econômica já em curso e a expectativa de uma piora acentuada do cenário internacional, sobretudo na Europa, o Banco Central considera a hipótese de o aumento da taxa Selic de julho ter sido a última rodada do ciclo de aperto monetário. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, sinalizou essa possibilidade.A desaceleração do crescimento "está encomendada" e se mostrará nítida entre julho e setembro, garantiu uma alta fonte oficial. Na avaliação do governo, o segundo trimestre ainda teve um desempenho forte, mas ligeiramente abaixo de 1%. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento já deverá cair para algo mais próximo de 0,5% e a queda será ainda mais forte no último trimestre, devendo o ano encerrar com um crescimento de 4% do PIB. As coletas de inflação "estão vindo bem", disse a fonte, e o IPCA acumulado em doze meses ainda cresce em agosto, mas deve ceder a partir de setembro.A avaliação do governo é que o comportamento da inflação está obedecendo ao cenário traçado pelo Banco Central no início do ano, quando anunciou que a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% só ocorreria em 2012. "Só não contávamos com uma deflação", comentou a fonte. O IGP-M de julho, divulgado ontem, teve deflação de 0,12%. Apesar de esperar uma piora acentuada da crise de dívida soberana na Europa, não é visível uma pressão deflacionária para o país. Sob esse aspecto, a crise, por enquanto, é neutra. "Mas diante da quantidade de riscos envolvidos, pode deixar de ser", comentou um ministro.Embora o pacote de socorro à Grécia e a criação de mecanismos que evitem o contágio para economias maiores, como Espanha e Itália, anunciado na semana passada, seja um bom indício, o fato é que ele é uma mera carta de intenção. Chamou a atenção das autoridades econômicas do país o parágrafo sexto do comunicado de Bruxelas, que deixa claro que as condições excepcionais colocadas no texto valem só para a Grécia.Em 16 meses o Copom aumentou os juros em 3,75 pontos percentuais e de janeiro a junho o governo federal produziu superávit primário de R$ 55,5 bilhões - o equivalente a 68% da meta fixada para o ano (de R$ 81,8 bilhões). O crédito, embora ainda em elevada expansão, na margem indica desaceleração e a taxa de câmbio, este ano, está mais valorizada que no ano passado. Essa conjunção de fatores, para o governo, começou a fazer efeitos.A inflação, sazonalmente, é maior no último e no primeiro trimestres do ano. Isso está nas considerações do governo. Não há, no horizonte, riscos de se repetir, este ano, os sete meses (outubro de 2010 a abril de 2011) de taxas elevadas, de 0,77% na média. Nesse período houve um exacerbado aumento dos preços das commodities que, espera-se, não se reproduzirá, a não ser que a crise externa leve os investidores a buscarem proteção nas commodities. Com a moderação do nível de atividade econômica já em curso e a expectativa de uma piora acentuada do cenário internacional, sobretudo na Europa, o Banco Central considera a hipótese de o aumento da taxa Selic de julho ter sido a última rodada do ciclo de aperto monetário. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, sinalizou essa possibilidade.A desaceleração do crescimento "está encomendada" e se mostrará nítida entre julho e setembro, garantiu uma alta fonte oficial. Na avaliação do governo, o segundo trimestre ainda teve um desempenho forte, mas ligeiramente abaixo de 1%. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento já deverá cair para algo mais próximo de 0,5% e a queda será ainda mais forte no último trimestre, devendo o ano encerrar com um crescimento de 4% do PIB. As coletas de inflação "estão vindo bem", disse a fonte, e o IPCA acumulado em doze meses ainda cresce em agosto, mas deve ceder a partir de setembro.A avaliação do governo é que o comportamento da inflação está obedecendo ao cenário traçado pelo Banco Central no início do ano, quando anunciou que a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% só ocorreria em 2012. "Só não contávamos com uma deflação", comentou a fonte. O IGP-M de julho, divulgado ontem, teve deflação de 0,12%. Apesar de esperar uma piora acentuada da crise de dívida soberana na Europa, não é visível uma pressão deflacionária para o país. Sob esse aspecto, a crise, por enquanto, é neutra. "Mas diante da quantidade de riscos envolvidos, pode deixar de ser", comentou um ministro.Embora o pacote de socorro à Grécia e a criação de mecanismos que evitem o contágio para economias maiores, como Espanha e Itália, anunciado na semana passada, seja um bom indício, o fato é que ele é uma mera carta de intenção. Chamou a atenção das autoridades econômicas do país o parágrafo sexto do comunicado de Bruxelas, que deixa claro que as condições excepcionais colocadas no texto valem só para a Grécia.Em 16 meses o Copom aumentou os juros em 3,75 pontos percentuais e de janeiro a junho o governo federal produziu superávit primário de R$ 55,5 bilhões - o equivalente a 68% da meta fixada para o ano (de R$ 81,8 bilhões). O crédito, embora ainda em elevada expansão, na margem indica desaceleração e a taxa de câmbio, este ano, está mais valorizada que no ano passado. Essa conjunção de fatores, para o governo, começou a fazer efeitos.A inflação, sazonalmente, é maior no último e no primeiro trimestres do ano. Isso está nas considerações do governo. Não há, no horizonte, riscos de se repetir, este ano, os sete meses (outubro de 2010 a abril de 2011) de taxas elevadas, de 0,77% na média. Nesse período houve um exacerbado aumento dos preços das commodities que, espera-se, não se reproduzirá, a não ser que a crise externa leve os investidores a buscarem proteção nas commodities.

Resiliente, Ásia está mais vulnerável à crise global

Resiliente, Ásia está mais vulnerável à crise global
Se os mercados de bônus e ações da Ásia servirem de guia, então, os investidores parecem estar bem despreocupados quanto aos riscos de falta de dinheiro do Tesouro dos Estados Unidos e ao descontrole da crise da dívida de região do euro.O impasse nas negociações para elevar o teto de endividamento dos EUA ainda não afetou seriamente os mercados financeiros da região. As ações de empresas asiáticas, na verdade, subiram nas últimas semanas, com o índice FTSE All-World Asia Pacific, que não inclui o Japão, em alta de mais de 3% desde o início do ano.Embora o custo de proteção contra a inadimplência de empresas na Ásia tenha ficado mais caro e se mostrado mais volátil nos últimos dois meses, o índice iTraxx Asia (sem o Japão), termômetro do risco de crédito, continua abaixo dos níveis vistos em 2010."Certamente, não estamos precificados para uma inadimplência total ou rebaixamento de crédito dos EUA", diz Shane Oliver, da AMP Capital Investors, de Sydney.Assim como a maioria dos agentes de mercado, Oliver está confiante de que os políticos dos EUA chegarão a uma solução para elevar o limite de captações no país até o fim do prazo, no início da próxima semana.Oliver admite, no entanto, que uma crise mais grave nos EUA ou Europa atingiria os mercados financeiros com a mesma intensidade observada há três anos. Outros são mais pessimistas e julgam que a região estaria mais vulnerável a um contágio desta vez, porque os governos agora têm menos capacidade para aplicar outra rodada de medidas de estímulo econômico.Em 2008 e 2009, com a falência do Lehman Brothers, a inércia dos mercados de financiamento mundiais e a contração do comércio internacional, os bônus e ações asiáticos caíram mais que os papéis no centro da tempestade nos EUA.As fortes quedas foram mais incômodas para os investidores na região porque nos anos prévios à crise a ideia geral era de que a Ásia estava se "descolando" do Ocidente.A Ásia segue com forte dependência da Europa e EUA, mais nitidamente em relação às exportações de bens e serviços a consumidores ocidentais, mas também cada vez mais no que se refere a fluxos de capital e sistema financeiro.O analista de crédito Viktor Hjort, do Morgan Stanley, em Hong Kong, diz que "a fonte de contágio mais rápida e perigosa" para os mercados de bônus asiáticos é a falta de liquidez nos mercados de financiamento mundiais. Na crise de 2008, os bancos europeus reduziram a concessão de empréstimos para a Ásia em 20%, o que levou a um contágio generalizado e impediu algumas empresas de rolar suas dívidas.Hjort destaca que as economias asiáticas estejam em melhor posição para enfrentar um aperto na liquidez mundial em comparação a 2008, porque as reservas internacionais aumentaram e os sistemas bancários estão menos dependentes do financiamento de externo.Os rendimentos dos bônus também estão mais elevados agora, já que os investidores assumiram uma abordagem mais cautelosa. Além disso, por uma série de critérios, as ações da região estão mais baratas do que há três anos, o que sugere desvalorizações menores em um cenário de crise.Ainda assim, analistas dizem que há uma diferença importante, em relação a 2008, que ameaça tornar qualquer nova crise muito mais perigosa: depois de liberar volume recorde de dinheiro para combater o desmoronamento financeiro, os governos e bancos centrais gastaram grande parte de seu poder de fogo anticrises.O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) reduziu seus juros para quase zero e o governo, endividado, provavelmente enfrentaria oposição feroz a qualquer novo gasto com estímulos.Embora os governos asiáticos tenham mais espaço que os do Ocidente para embarcar em nova rodada de estímulos financiados por dívidas ou cortes de juros, a capacidade para fazê-lo foi reduzida.De fato, as medidas de estímulo que ajudaram os países asiáticos a se recuperar rapidamente da crise passada agora trazem efeitos colaterais incômodos. A China promoveu o maior pacote de estímulos do mundo, ordenando a seus bancos a conceder empréstimos de centenas de bilhões de dólares a projetos de investimento estatais. As dívidas de difícil recuperação agora são cada vez maiores.O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, aumentou em grande parte da Ásia, mesmo com a economia começado a se desacelerar. Na China, os preços ao consumidor de junho apresentaram a maior alta em três anos, de 6,4%, acima da meta de Pequim, de 4%. Se os EUA ou Europa mergulharem em nova crise, dificilmente os países asiáticos se recuperarão com o mesmo vigor de três anos atrás.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Café cai em NY em meio a incertezas e colheita

Café cai em NY em meio a incertezas e colheita
Os preços futuros do café arábica registraram ontem a maior queda desde o dia 19 de julho na bolsa de Nova York. Os contratos para entrega em dezembro fecharam o dia a US$ 2,4555 por libra-peso, uma perda diária de 370 pontos ou 1,5%. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Diogo Medzdorff, o café foi influenciado pelo ambiente de incertezas no mercado financeiro. As preocupações com a Europa fizeram o dólar se valorizar, o que reduziu o apetite dos investidores pelas commodities.Com quase três quartos da safra brasileira já colhida e a recomposição dos estoques, os fundamentos não ofereceram grande resistência à pressão baixista. As expectativas otimistas em relação à safra 2012/13 também foram levadas em conta. Ontem, a Somar Meteorologia divulgou relatório de acordo com o qual o Brasil tem grande chance de colher uma produção recorde no ano que vem, graças ao clima favorável para o desenvolvimento das lavouras. Além disso, a próxima safra deverá ter produtividades mais elevadas por causa do ciclo bienal do café. No mês, o preço do café registra queda de 7,55%, mas ainda acumula uma alta de 1,55% em 2011 em Nova York. Além disso, os preços médios praticados em julho são aproximadamente 55% mais altos do que os observados em igual período do ano passado. Analistas de mercado avaliam que, apesar do cenário favorável para a próxima safra, o equilíbrio global entre oferta e demanda ainda é delicado.

Calote seria "devastador"

Calote seria "devastador"
O presidente e CEO da rede varejista americana Wal-Mart, Michael Duke, disse ontem que um calote na dívida dos EUA seria "devastador" para os consumidores, que seriam afetados pela elevação das taxas de juros. "Um default e o efeito em onda [causado por ele] seriam impactantes", afirmou Duke em depoimento à Comissão de Finanças do Senado. Segundo ele, tanto a confirmação quanto a percepção de um default castigariam a economia dos Estados Unidos. Outros executivos que participaram da sessão foram Thomas Falk, presidente e CEO da Kimberly-Clark, Gregory Lang, presidente e CEO da PMC-Sierra, e Larry Merlo, presidente e CEO da CVS. O presidente da comissão, Max Baucus, disse que o corte no imposto de renda pretendido pelas empresas dificilmente será possível, mesmo com eliminação de benefícios fiscais.

EUA preparam plano de ação para o dia do calote

O Departamento de Tesouro, que é o Ministério da Fazenda dos Estados Unidos, vai detalhar o que fará com os 100 milhões de cheques que emite todos os meses se o Congresso não aumentar o teto de endividamento público, e isso vai abrir a cortina de um plano mantido em segredo e que pode ter consequências dramáticas para a economia, a nota de crédito dos EUA e a situação política do país.O governo Barack Obama espera que essas decisões - isto é, quem pagar ou não - possam ser evitadas se um acordo para elevar o teto de endividamento antes de 2 de agosto for fechado, mas o prazo está acabando. Membros do governo ainda não decidiram quando divulgar o plano e podem reverter o curso se houver progresso nas negociações para aumentar o teto.Se a turbulência nos mercados piorar esta semana, contudo, a Casa Branca pode divulgar os planos nos próximos dias. Pessoas do governo não quiseram dar detalhes sobre ele.O Federal Reserve, ou Fed, como é conhecido o banco central americano, deve ter um papel importante qualquer que seja o plano do Tesouro, mas já avisou que não tem ferramentas especiais para resgatar o governo. O Fed pode optar por tentar acalmar o mercado financeiro garantindo que os bancos tenham dinheiro para continuar operando.Executivos de Wall Street acreditam que o Tesouro vai reestruturar a maneira como paga suas contas, de modo que detentores de títulos de dívida, inclusive governos como o da China, tenham prioridade. Isso evitaria que o país ficasse inadimplente em seus títulos de dívida - algo que até a Grécia conseguiu evitar.Terry Belton, diretor mundial de estratégia de renda fixa do J.P. Morgan Chase, disse acreditar que há "chance virtualmente zero" de uma moratória em títulos de dívida americana, mesmo se o teto da dívida não for ampliado até 2 de agosto."O Tesouro tem outras coisas disponíveis que são bastante nocivas, mas são melhores do que deixar de fazer um pagamento de juros", disse ele. Pagar detentores de títulos antes de beneficiários da Previdência, por exemplo, pode gerar ira política e levar a processos na Justiça e turbulência nos mercados, além de um possível rebaixamento da nota de crédito.O governo está sob pressão de detentores de dívida, cidadãos idosos, parlamentares e outros grupos para detalhar como vai priorizar os pagamentos. Detalhar seus planos poderia ajudar o Tesouro a conter a crescente incerteza nos mercados financeiros quanto ao que pode acontecer na semana que vem, mas também poderia abrir espaço para críticas políticas e poderia deflagrar um tipo de crise que ele existe para evitar.Funcionários do governo acreditam que podem perder a capacidade de tomar dinheiro emprestado se o teto de endividamento não for suspenso. Embora a receita com impostos tenha sido maior do que o esperado nas últimas semanas, acredita-se que o Tesouro vai contrair radicalmente seus pagamentos depois de 2 de agosto para conservar caixa o máximo possível. O Centro Político Bipartidário, um centro de estudos de Washington, estima que o Tesouro vai ter um déficit de cerca de US$ 130 bilhões em agosto e provavelmente não terá o dinheiro para cobrir todas as suas obrigações.Autoridades de primeiro escalão do governo têm se reunido há semanas para traçar planos para operar depois de 2 de agosto, mas não divulgaram nenhuma de suas estratégias. Detalhes só circularam entre um grupo fechado de autoridades, entre elas o presidente Obama, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e um grupo de confidentes deste no ministério.Dois auxiliares importantes são Mary Miller e Matthew Rutherford, ambos especialistas em mercados de dívida. Rutherford tem sido um conselheiro bem próximo de Geithner desde que ambos trabalharam juntos no filial do Fed em Nova York. Miller é uma especialista no mercado financeiro que passou 26 anos no fundo T. Rowe Price Group.Ex-membros do governo dizem que parece não haver resposta simples para como a equipe de Geithner pode navegar uma situação como esta, e que a ideia de priorizar alguns pagamentos do governo sobre outros poderia ser um pesadelo técnico e logístico. Muitos pagamentos são computadorizados e não está claro quais sistemas poderiam ser reprogramados a tempo.Isso já levou membros do governo a dizer, recentemente, que acham que estarão prontos para o que acontecerá depois de 2 de agosto, mas descreveram como "impensáveis" as decisões que teriam de tomar nesse caso."Então o que você diz? Quem você paga? Essa é uma situação impossível que este país nunca enfrentou, e nunca terá de enfrentar se o Congresso fizer o que foi eleito para fazer", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.O senador Orrin Hatch, do Partido Republicano e membro da comissão de finança do Senado, pediu a Geithner para especificar até às 17 horas de hoje, horário de Washington, seus planos de contingência. Ele também pediu detalhes sobre quanto dinheiro o Tesouro esperava receber e gastar entre o fim de julho e o fim de agosto, algo que o Tesouro ainda não fez."Muitos americanos e membros do Congresso estão, infelizmente, apoiando-se em estimativas e projeções de grandes instituições financeiras de Wall Street ou de organizações não-governamentais muitas vezes rotuladas de 'centros de estudos'", escreveu Hatch a Geithner e outras autoridades financeiras. "A falta de informação é insatisfatória."Embora a Casa Branca tenha tido o cuidado de não divulgar seus planos, ela tem sugerido que há coisas que ela não faria depois de 2 de agosto. Por exemplo, autoridades do governo já disseram que Obama não invocaria a 14 emenda da Constituição, que diz que o teto de endividamento é anticonstitucional. Eles também já disseram que não planejam vender as reservas de ouro do país ou ativos parecidos para levantar dinheiro rapidamente.

Encomendas caem e Fed vê mercado imobiliário fraco

Encomendas caem e Fed vê mercado imobiliário fraco
A economia dos Estados Unidos teve desde o mês passado uma piora em aproximadamente metade do país, prejudicada por um mercado imobiliário fraco e pela desaceleração da produção industrial. A conclusão faz parte do relatório conhecido como Livro Bege, divulgado ontem pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).O relatório cobre junho e a primeira quinzena de julho. Segundo o Fed, a demanda por crédito ficou estagnada. O volume de empréstimos concedidos pelos bancos americanos somava US$ 6,78 trilhões no dia 13, pouco inalterado frente ao montante de US$ 6,77 trilhões do início de janeiro.O documento mostrou ainda que há poucas forças empurrando a inflação para cima. "As pressões de preços moderaram-se."Outra dados também sinalizam desaquecimento da economia.As encomendas de bens duráveis recuaram 2,1% nos EUA em junho na comparação com maio, para um valor sazonalmente ajustado de US$ 191,98 bilhões, contrariando a expectativa de analistas, que era de leve aumento.Segundo o Departamento de Comércio, essa foi a segunda queda mensal dos últimos três meses. Em maio, as encomendas haviam crescido 1,9%. Excluindo transporte, as encomendas aumentaram 0,1%; excluindo defesa, houve queda de 1,8%.

Sem acordo, custo de proteção contra default americano bate recorde

Sem acordo, custo de proteção contra default americano bate recorde
O custo do seguro contra um default dos Estados Unidos atingiu um patamar recorde ontem, num sinal de que a inquietação crescente com o impasse em Washington em relação à elevação do teto da dívida federal poderá resultar numa incapacidade do Tesouro americano de pagar juros aos detentores de bônus. O mercado de compra e venda de seguro sobre a qualidade do crédito dos Estados Unidos tem pouca movimentação, é denominado em euros e dominado por bancos europeus e britânicos. Mas os negócios com os chamados swaps de defaults de crédito (CDS) aumentaram com a possibilidade maior de um default americano.Em um CDS, um comprador de proteção é compensado pelo vendedor se houver um calote ou não pagamento, conhecido como evento de crédito. "O mercado de CDS dos EUA tem uma liquidez bem menor que outros mercados soberanos, uma vez que até recentemente ninguém imaginaria que a possibilidade de um evento de crédito dos EUA poderia ser tão alta", diz Ira Jersey, estrategista do Crédit Suisse. "O mercado está ficando nervoso diante do risco de um calote."Os prêmios dos CDS soberanos de um ano dos EUA tiveram um repique esta semana, sendo negociados ontem em torno de 90 pontos-base em Londres, superando a alta anterior estabelecida em março de 2009.Num sinal da maior preocupação com um default no curto prazo, o CDS de um ano dos EUA foi negociado a um preço maior que os prêmios dos títulos de cinco anos, que têm mais liquidez: 65 pontos-base, pela primeira vez. Otis Casey, diretor de análise de crédito da Markit, disse: "Normalmente você vê uma inversão da ponta inferior em emissores que estão com muitos problemas".O tamanho líquido do mercado de CDS dos EUA, ou a exposição de fato do mercado, é de US$ 4,9 bilhões. Os EUA estão acima da exposição da Grécia, de US$ 4,6 bilhões, mas abaixo da exposição do Reino Unido, de US$ 12,3 bilhões, segundo dados da Depositary Trust and Clearing Corp.Analistas disseram ontem que, dado o custo da compra de proteção para um ano e o risco do Tesouro perder um pagamento da dívida no mês que vem, há a possibilidade de um pagamento enorme para os investidores neste cenário.Mas isso precisa ser considerado contra a probabilidade do teto da dívida ser elevado e a possibilidade do Tesouro se esforçar para cumprir com suas obrigações durante o período de carência de três dias antes de um evento de crédito ser oficialmente declarado.Estava previsto ainda para ontem a divulgação pela International Swaps and Derivatives Association (ISDA) de um guia para responder dúvidas sobre um possível default dos EUA. Na segunda-feira, a ISDA postou em seu site na internet uma série atualizada de esclarecimentos sobre a dívida soberana da Grécia.No cado dos EUA, um evento de crédito ocorreria se o Tesouro não conseguisse realizar um pagamento de bônus do governo. Nesta situação, um comitê sob os auspícios da ISDA decidiria que um evento de default ocorrera somente se o pagamento não tivesse sido feito após o período de carência de três dias. A essa altura, os negócios com CDS dos EUA seriam desencadeados e então liquidados.

Para mercado, medida é difícil de ser implementada

Para mercado, medida é difícil de ser implementada
Do jeito que foi editado, será muito difícil implementar o decreto que tem como objetivo conter a especulação cambial que provoca a valorização do real. Para especialistas consultados pelo Valor, a divulgação da mais abrangente ação cambial já adotada pelo governo na atual "guerra cambial" gerou tantas dúvidas que a reação imediata do mercado foi parar de operar. Segundo relato de profissionais, até o início da tarde de ontem, os negócios travaram e era difícil obter uma cotação de qualquer produto cambial junto a bancos. "A medida é tão ampla e vaga que deixou um certo descrédito em relação à capacidade do governo de implementá-la", afirma o gestor de um fundo estrangeiro.Embora o dólar tenha reagido em forte alta por conta das medidas, analistas consideram que os efeitos sobre a cotação da moeda americana devem se restringir ao curto prazo e não eliminam a tendência de queda por conta do cenário internacional. A principal dificuldade vista pelos profissionais é quem fará a consolidação das informações sobre exposição cambial. Apurar o saldo da exposição cambial de um agente que opera com dólar futuro, swap cambial, títulos públicos atrelados ao dólar, opções, entre outros, é uma tarefa considerada "impossível" com os instrumentos disponíveis no momento. Em relatório divulgado ontem, o economista do Itaú Unibanco, Darwin Dib, observa que a definição do preço de alguns desses ativos tem uma boa dose de subjetividade. "Até o vencimento, a precificação deste tipo de contrato varia de acordo com a metodologia utilizada por cada agente. A BM&F e a Cetip têm condições de fazer esta precificação? Como definir a precificação adequada?", questiona. A sensação do mercado é de que o governo correu para anunciar alguma nova arma diante da possibilidade de que a apreciação cambial em curso se agravar, diante do quadro externo. Só que, na pressa, pode ter vindo apenas um "rascunho" geral para que, ao longo dos próximos dias, definições e exceções sejam anunciadas. Até que venham os ajustes, a medida deve alcançar todo o mercado: do exportador ao investidor estrangeiro. "No fim, ele pode penalizar o exportador, que é quem deveria ser protegido", diz um especialista.Segundo o estrategista da Nomura Securities, Tony Volpon, tecnicamente, até uma operação de ACC (Antecipação de Contrato de Câmbio) pode ser classificado como um derivativo, uma vez que é a antecipação de uma receita futura em moeda estrangeira. E, portanto, poderia estar sujeita à tributação com IOF. "A rigor, qualquer instrumento de hedge é derivativo", afirma. "Se ficar como está, a medida vai encarecer muito o custo de hedge e de captação externa."A medida também pode gerar distorções. Analistas são unânimes em observar que um investidor que tenha projetos no exterior, que gere saída de dólares do país, assumirá uma posição vendida aqui, com o objetivo de zerar a exposição cambial. Nesse caso, o governo teria acesso apenas à posição vendida e esse investidor pagaria o tributo. "Se um banco ou uma indústria fizer uma aquisição no exterior e fizer um hedge aqui, ele será penalizado", observa. Situação semelhante pode ser vivida por fundos multimercados que compram cotas de fundos no exterior, em dólar. Para zerar a exposição cambial, esse fundo faria uma posição vendida no mercado de futuros e, consequentemente, estaria sujeito ao IOF.Para Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e sócio da Mauá Sekular Investimentos, um efeito colateral da medida, portanto, pode ser a exportação do mercado brasileiro de derivativos, reduzindo a capacidade do governo de monitorar as posições das empresas e instituições locais, que passariam a fazer hedge no exterior. Diante das dúvidas, é possível dizer que a ação do governo deve, no curto prazo, reduzir os negócios realizados tanto no mercado futuro de câmbio na BM&F como nas operações de balcão realizadas na Cetip. Inicialmente, a BM&FBovespa é a maior perdedora com a medida. Em menor escala, a Cetip também deve ser afetada, enquanto o impacto para os bancos, que terão menos flexibilidade para operar tanto por meio da carteira própria como em nome de clientes, ainda é incerto.Nas estimativas do Barclays, os contratos cambiais representam aproximadamente 28% das receitas com derivativos negociados no segmento BM&F. Como consequência, existe um risco de queda de até 10% do total das receitas projetadas para a bolsa no pior cenário, segundo o analista Henrique Caldeira.No pregão de ontem, as ações da BM&FBovespa fecharam em forte queda de 5,45%, enquanto as da Cetip recuaram 0,72%. Procuradas, ambas as instituições informaram que não comentariam o assunto.