O recente boom de crédito
Uma das diferenças da teoria keynesiana em relação à teoria convencional é a importância fundamental que moeda e instituições financeiras têm no funcionamento da economia. Um sistema financeiro funcional ao crescimento é aquele com capacidade de atender via crédito a demanda de liquidez necessária para realização dos gastos dos agentes, e de criar mecanismos financeiros apropriados para realização da consolidação das dívidas das firmas investidoras, permitindo um ritmo de acumulação a um nível superior àquele que seria viável pela simples acumulação de poupanças prévias. Em economias em desenvolvimento, contudo, bancos podem aumentar sua lucratividade ofertando financiamento de curto prazo, sem estímulo para oferecer crédito de mais longo prazo. Assim, as firmas para expandirem suas atividades têm que recorrer à renovação de crédito de curto prazo, autofinanciamento e endividamento externo, elevando sua fragilidade financeira. O Brasil tem um sistema financeiro baseado no crédito bancário, com forte participação do Estado, em particular em algumas modalidades, como financiamento ao investimento (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES), crédito imobiliário (Caixa Federal) e agrícola (Banco do Brasil). É ingênuo acreditar que o mercado crie espontaneamente os mecanismos de financiamento Nos anos 1980 até meados dos anos 2000 o sistema financeiro brasileiro ficou caracterizado por sua desfuncionalidade: a oferta de crédito era baixa -menor que 35% do Produto Interno Bruto (PIB) - ao mesmo tempo em que mantinha uma rentabilidade elevada. Isso foi possível em função dos ganhos inflacionários, aplicações em títulos públicos e empréstimos de curta duração com spreads elevados. Após o breve boom de crédito durante a implementação do Plano Real, o volume de crédito caiu continuamente, atingindo 21% do PIB em abril de 2003, em período marcado por frequentes crises externas. O contágio da crise mexicana no início de 1995 levou o governo a adotar programas de reestruturação bancária e estimular a entrada de bancos estrangeiros, para fortalecer o combalido setor bancário. O êxito em evitar uma crise bancária e a entrada controlada de bancos estrangeiros permitiu uma reação dos bancos domésticos que participaram ativamente da onda de aquisições bancárias e se tornaram os lideres do setor, uma reação sem paralelo em outros países emergentes nos anos 1990.A partir de 2004 um conjunto de fatores estimulou o crescimento do crédito: aumento da renda, criação do crédito consignado em folha, melhoria no perfil da dívida pública, e uma certa redução nas taxas de juros. Todos os três segmentos do sistema financeiro (bancos públicos, privados nacionais e estrangeiros) ampliaram a carteira de crédito no período, movimento liderado pelos bancos privados nacionais. O boom de crédito foi puxado pelos empréstimos de pessoas físicas, mas a partir de 2007 cresceram bastante os empréstimos das pessoas jurídicas, sendo as principais modalidades crédito pessoal (incluindo consignado), aquisição de veículos e capital de giro. Já a partir de meados de 2008 houve um forte crescimento dos bancos públicos, que tiveram um papel contracíclico fundamental em 2009, evitando uma forte contração creditícia que contaminaria toda a economia. Cabe perguntar se houve uma mudança significativa no comportamento dos bancos no período recente. De fato, houve um alongamento no prazo médio dos empréstimos - de 200 dias em abril de 2003 para 476 dias em abril de 2011 - o que contribuiu para o crescimento na demanda por crédito. Por outro lado, embora as taxas de empréstimos tenham declinado no período, elas ainda se situaram em patamares bastante elevados. Das três principais modalidades de crédito, duas (consignado e aquisição de veículos) são de baixo risco. Nesse contexto, a rentabilidade dos bancos tem-se mantido elevada, face à combinação de aumento no volume das operações, spreads ainda elevados e relativamente baixo risco.Nesse contexto, os grandes conglomerados financeiros buscam segmentar sua clientela. Para clientes de alta renda, ofertam produtos customizados; para clientes de mais baixa renda, produtos padronizados. A incorporação de segmentos de baixa renda é feita em condições de exploração financeira, uma situação em que tarifas e taxas de empréstimos são bem maiores do que para os demais clientes. Eles podem incorrer, assim, em situações de armadilha da dívida, em que comprometem uma boa parte de sua renda com pagamento de juros.Historicamente não se pode atribuir uma situação de alta funcionalidade do sistema financeiro. Não se pode esperar que o setor bancário vá desenvolver linhas de financiamento de longo prazo, até mesmo em função do seu funding. Nesse particular deverá haver uma combinação entre instrumentos do mercado de capitais com financiamento do BNDES. É ingênuo pensar que economias em desenvolvimento como a brasileira possa se dar ao luxo de não contar com a atuação de bancos públicos e acreditar que o mercado espontaneamente crie os mecanismos apropriados de financiamento de longo prazo. Luiz Fernando de Paula, professor de Economia da UERJ, é presidente da Associação Keynesiana Brasileira (AKB) e co-editor do livro Sistema Financeiro (Elsevier). Email: luizfpaula@terra.com.br
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Pacote europeu não deve evitar novas turbulências
Pacote europeu não deve evitar novas turbulências
A duras penas os governos europeus chegaram a um consenso de como socorrer novamente a Grécia, dar um alívio no peso das enormes dívidas de Irlanda e Portugal e, ao mesmo tempo, sinalizar aos mercados que estão dispostos a tomar todas as iniciativas possíveis para impedir que o contágio se espalhe da periferia para as economias do centro da zona do euro. Foi a primeira ação um pouco mais ousada dos líderes europeus, depois de um ano de irresponsáveis delongas, hesitações e divergências. Ainda assim, as chances de novas turbulências persistem no horizonte. O pacote amarrado para a Grécia combinou nova ajuda de € 109 bilhões, cerca de € 50 bilhões de redução de dívida em mãos dos bancos privados, via reescalonamento e alongamento dos débitos, com taxas de juros menores. Digerido o plano, há uma crescente desconfiança dos mercados de que ainda não foi desta vez que os governos da união monetária poderão respirar aliviadosO primeiro ponto é que a ameaça de calote grego foi adiada, mas não afastada. A redução proporcionada pelo pacote à montanha de € 340 bilhões de compromissos, ou 150% do Produto Interno Bruto do país, foi pequena demais. Mesmo trazendo os credores privados para ajudarem a pagar parte da conta, a porção dos bancos e investidores foi considerada diminuta. Os títulos gregos podem ser comprados no mercado secundário com 40% de deságio. Os bancos aceitaram redução de 21% no valor presente das dívidas que têm em mãos e tiveram quatro opções para trocar títulos. No final das contas, porém, a dívida grega foi reduzida em apenas € 13,5 bilhões, segundo cálculos do Instituto de Finanças Internacional, que reúne os bancos que participaram do acordA Grécia ganhou maior prazo de pagamento, um alívio na carga de juros e uma necessidade ao longo do tempo de produzir superávits um pouco menores para pagar seus débitos. Mas o esforço que terá que realizar para pagar suas dívidas permanece árduo e as chances de sucesso, bastante improváveis. Pelas contas do Deutsche Bank ("Financial Times", 27 de julho), para que a dívida grega fique em 120% do PIB, o governo grego terá de obter um superávit primário não mais de 9% do PIB, mas de 5% do PIB de 2015 a 2020. É um esforço superior ao que o governo brasileiro, por exemplo, fez diante da desconfiança dos mercados diante da ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. Nos primeiros anos de Lula, o superávit primário foi de 4,25% do PIB. Além disso, a dívida grega subirá em 2012 para 172% do PIB e, pelas estimativas da Barclays Capital (FT, 27 de julho) se manterá em 150% do PIB por mais dez anos. Para tornar-se administrável, os analistas acreditam que a relação precisaria cair para algo em torno dos 80% do PIB.O ponto forte do pacote, porém, foi a tentativa de erguer uma barreira para os futuros contágios - Espanha e Itália estão na mira dos investidores há algum tempo. As dívidas dos governos da zona do euro deixaram na prática de ser nacionais, um exemplo em negativo da união fiscal que precisará a duras penas ser conquistada, mas para a qual já se deram alguns passos. O fundo de estabilização ganhou papel fundamental com as incumbências de atuar nos mercados secundários comprando dívidas de governos castigados pelos mercados e abrir linhas de crédito preventivo para eles e para recapitalização de bancos - uma função algo semelhante ao cogitado Fundo Monetário europeu. Nem tudo é o que parece, porém. O fundo de estabilização não recebeu o dinheiro à altura de suas tarefas. Analistas acreditam que o montante precisaria ser o dobro ou o triplo dos atuais € 440 bilhões. Ele terá de atuar, de forma ainda nebulosa, em conjunto com o Banco Central Europeu, que foi contra a compra de títulos soberanos desde o início, em um sinal de mais confusão à frente. A prova de que o caminho apontado pelo pacote não é plano veio, por exemplo, de um documento do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, obtido pela agência Reuters, mostrando a oposição de seu país a que o fundo de estabilização tenha carta branca para atuar no mercado secundário de títulos. Com isso, os rendimentos dos papéis italianos subiram para 5,76% e o dos espanhóis, para 6%. O pior indício de baixa confiança no plano, no entanto, veio após sua divulgação, quando o custo cobrado pelos investidores para comprar esses papéis praticamente não se mexeu.
A duras penas os governos europeus chegaram a um consenso de como socorrer novamente a Grécia, dar um alívio no peso das enormes dívidas de Irlanda e Portugal e, ao mesmo tempo, sinalizar aos mercados que estão dispostos a tomar todas as iniciativas possíveis para impedir que o contágio se espalhe da periferia para as economias do centro da zona do euro. Foi a primeira ação um pouco mais ousada dos líderes europeus, depois de um ano de irresponsáveis delongas, hesitações e divergências. Ainda assim, as chances de novas turbulências persistem no horizonte. O pacote amarrado para a Grécia combinou nova ajuda de € 109 bilhões, cerca de € 50 bilhões de redução de dívida em mãos dos bancos privados, via reescalonamento e alongamento dos débitos, com taxas de juros menores. Digerido o plano, há uma crescente desconfiança dos mercados de que ainda não foi desta vez que os governos da união monetária poderão respirar aliviadosO primeiro ponto é que a ameaça de calote grego foi adiada, mas não afastada. A redução proporcionada pelo pacote à montanha de € 340 bilhões de compromissos, ou 150% do Produto Interno Bruto do país, foi pequena demais. Mesmo trazendo os credores privados para ajudarem a pagar parte da conta, a porção dos bancos e investidores foi considerada diminuta. Os títulos gregos podem ser comprados no mercado secundário com 40% de deságio. Os bancos aceitaram redução de 21% no valor presente das dívidas que têm em mãos e tiveram quatro opções para trocar títulos. No final das contas, porém, a dívida grega foi reduzida em apenas € 13,5 bilhões, segundo cálculos do Instituto de Finanças Internacional, que reúne os bancos que participaram do acordA Grécia ganhou maior prazo de pagamento, um alívio na carga de juros e uma necessidade ao longo do tempo de produzir superávits um pouco menores para pagar seus débitos. Mas o esforço que terá que realizar para pagar suas dívidas permanece árduo e as chances de sucesso, bastante improváveis. Pelas contas do Deutsche Bank ("Financial Times", 27 de julho), para que a dívida grega fique em 120% do PIB, o governo grego terá de obter um superávit primário não mais de 9% do PIB, mas de 5% do PIB de 2015 a 2020. É um esforço superior ao que o governo brasileiro, por exemplo, fez diante da desconfiança dos mercados diante da ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. Nos primeiros anos de Lula, o superávit primário foi de 4,25% do PIB. Além disso, a dívida grega subirá em 2012 para 172% do PIB e, pelas estimativas da Barclays Capital (FT, 27 de julho) se manterá em 150% do PIB por mais dez anos. Para tornar-se administrável, os analistas acreditam que a relação precisaria cair para algo em torno dos 80% do PIB.O ponto forte do pacote, porém, foi a tentativa de erguer uma barreira para os futuros contágios - Espanha e Itália estão na mira dos investidores há algum tempo. As dívidas dos governos da zona do euro deixaram na prática de ser nacionais, um exemplo em negativo da união fiscal que precisará a duras penas ser conquistada, mas para a qual já se deram alguns passos. O fundo de estabilização ganhou papel fundamental com as incumbências de atuar nos mercados secundários comprando dívidas de governos castigados pelos mercados e abrir linhas de crédito preventivo para eles e para recapitalização de bancos - uma função algo semelhante ao cogitado Fundo Monetário europeu. Nem tudo é o que parece, porém. O fundo de estabilização não recebeu o dinheiro à altura de suas tarefas. Analistas acreditam que o montante precisaria ser o dobro ou o triplo dos atuais € 440 bilhões. Ele terá de atuar, de forma ainda nebulosa, em conjunto com o Banco Central Europeu, que foi contra a compra de títulos soberanos desde o início, em um sinal de mais confusão à frente. A prova de que o caminho apontado pelo pacote não é plano veio, por exemplo, de um documento do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, obtido pela agência Reuters, mostrando a oposição de seu país a que o fundo de estabilização tenha carta branca para atuar no mercado secundário de títulos. Com isso, os rendimentos dos papéis italianos subiram para 5,76% e o dos espanhóis, para 6%. O pior indício de baixa confiança no plano, no entanto, veio após sua divulgação, quando o custo cobrado pelos investidores para comprar esses papéis praticamente não se mexeu.
A insustentável leveza da dívida
A insustentável leveza da dívida
Em 1987 aprendemos no Brasil uma grande lição, quando finalmente entendemos o momento em que uma dívida se torna impagável. Após a decretação oficial de moratória de nossa dívida externa em fevereiro de 1987, retornamos à mesa de negociação com os credores internacionais não mais em busca de um novo e inútil reescalonamento do principal e juros, mas sim de uma nova e inédita forma de reestruturação de toda dívida bancária externa, vencida e vincenda. Para os leitores mais jovens, que não viveram esse dramático momento da economia brasileira, é necessário recordar que desde o início da década de 80 o Brasil já se encontrava tecnicamente insolvente com os bancos internacionais. Em dezembro de 1982 havia sido reconhecida oficialmente pelo governo brasileiro a incapacidade de realizar com pontualidade as novas liquidações vincendas em moeda estrangeira, e pedimos auxílio ao FMI - Fundo Monetário Internacional, que impôs rígidas condições ao Brasil para seu apoio e aval ao processo de reescalonamento consentido da dívida externa. De 1983 a 1987 ficamos sujeitos a condições humilhantes de monitoramento econômico, seja pelo FMI como pelo Comitê de Bancos Credores, realizando periodicamente a rolagem do principal e de parte dos juros, estes cada vez mais altos, face ao chamado spread de risco aplicado sobre o total da dívida. Finalmente quando então foi declarada a moratória unilateral da divida brasileira em 1987 o mundo veio abaixo, no momento em que muitos bancos começaram a vendê-la no mercado secundário com deságio de 70% para se ver livre daquele "lixo" contábil.Diante dessa realidade, o próprio mercado já buscava uma solução heterodoxa para a dívida do Brasil, como dos demais países latinos americanos, também encalacrados fazia já quase 7 anos com os bancos internacionais e o FMI. Foi quando na troca de comando do ministério da Fazenda em abril de 1987, a nova equipe econômica então comandada pelo ministro Bresser-Pereira vislumbrou com coragem e sabedoria que era chegada a hora da reestruturação da dívida brasileira por meio da sua securitização, com base na emissão de um menu de bônus de longo prazo e com variantes de taxas juros fixas ou variáveis, valor de corte no principal da dívida, opções de conversão e resgate antecipado e garantias de instituições multilaterais. Infelizmente, em 1987 o então secretário do Tesouro americano chamava-se James Baker, um intransigente e arrogante líder republicano que colocou-se frontalmente contra a proposta brasileira. Em fins de 1987, o governo Sarney veio a sucumbir diante do poderoso lobby dos bancos e dos economistas conservadores de plantão, encerrando sem qualquer solução minimamente plausível o estado de moratória da divida externa. Ficamos com o ônus e sem nenhum bônus. Repete-se o mesmo erro passado, dos reescalonamentos infindáveis e do aumento sucessivo dos spreads de risco das dívidas da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, e Itália. Quanto mais tempo passa, mais se deterioram as respectivas economias dessas nações europeias Em 1988, empossado como novo secretário do Tesouro dos EUA, Nicholas Brady entendeu de pronto a inevitabilidade da reestruturação da dívida latino americana e em vez de se tornar um espectador passivo dos fatos, se posicionou como protagonista da história e lançando mão da mal sucedida proposta brasileira no ano anterior, remodelou-a como o histórico Plano Brady, que em poucos anos pôs fim àquele dramático período conhecido pelos latinos americanos como "década perdida".Isso tudo me volta à memória agora em 2011, quando assisto ao "flashback reverso" dessa história, só que com outros personagens. Temos agora os países europeus e os Estados Unidos, nossos credores de 20 anos atrás, como países devedores a beira do colapso, enquanto o Brasil tornou-se um doador líquido de recursos ao FMI e figura hoje em dia entre os cinco maiores portadores de letras do Tesouro americano. E desde meados de 2008, e com mais ênfase a partir de maio de 2010, o mundo discute qual será a forma definitiva de resgate de alguns países europeus mais endividados e vulneráveis economicamente. Repete-se o mesmo erro passado, dos reescalonamentos infindáveis e do aumento sucessivo dos spreads de risco das dívidas da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, e Itália. Quanto mais tempo passa, mais se deterioram as respectivas economias dessas nações europeias e de sua capacidade de enfrentamento convencional do pagamento das obrigações externas. Queda de investimentos, desemprego crescente, forte desequilíbrio fiscal, aguda recessão, são algumas das notícias que todos os dias nos acostumamos a assistir sobre esses países nos últimos meses. Na terceira semana de Julho, finalmente a União Europeia, reconheceu o inevitável calote da divida grega e anunciou timidamente uma forma de reestruturação voluntária de sua dívida, no estilo do Plano Brady. Melhor teria sido se finalmente os europeus, liderados pela Alemanha e pela França, viessem logo com um plano mais ambicioso e abrangente, de securitização gradual das dívidas de países europeus insolventes, de forma a repartir o custo desse resgate econômico entre os respectivos países devedores, seus respectivos credores, e os países da União Europeia como um todo, já que são sócios na união monetária e no Banco Central Europeu. Um reforço do mecanismo European Financial Stability Facility - EFSF- poderia proporcionar uma sólida garantia a novos títulos de longo prazo (Exchange Bonds) da dívida desses países devedores. Tais títulos seriam emitidos e trocados com descontos implícitos ou explícitos sobre o principal e juros da dívida velha, de maneira que tornassem sustentável tal dívida reestruturada no período de sua amortização, tal como ocorreu no caso do Plano Brady nos anos 90. Os países europeus em vias de default seriam automaticamente elegíveis ao uso dessa facilidade, desde que viessem a adotar medidas de disciplina fiscal e monetária compatíveis com as regras da União Europeia. Quem viver, verá, a insustentável leveza das dividas europeias e americana! Roberto Giannetti da Fonseca é empresário e economista, presidente da Kaduna Consultoria, e diretor titular de Relações Internacionais e de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Em 1987 aprendemos no Brasil uma grande lição, quando finalmente entendemos o momento em que uma dívida se torna impagável. Após a decretação oficial de moratória de nossa dívida externa em fevereiro de 1987, retornamos à mesa de negociação com os credores internacionais não mais em busca de um novo e inútil reescalonamento do principal e juros, mas sim de uma nova e inédita forma de reestruturação de toda dívida bancária externa, vencida e vincenda. Para os leitores mais jovens, que não viveram esse dramático momento da economia brasileira, é necessário recordar que desde o início da década de 80 o Brasil já se encontrava tecnicamente insolvente com os bancos internacionais. Em dezembro de 1982 havia sido reconhecida oficialmente pelo governo brasileiro a incapacidade de realizar com pontualidade as novas liquidações vincendas em moeda estrangeira, e pedimos auxílio ao FMI - Fundo Monetário Internacional, que impôs rígidas condições ao Brasil para seu apoio e aval ao processo de reescalonamento consentido da dívida externa. De 1983 a 1987 ficamos sujeitos a condições humilhantes de monitoramento econômico, seja pelo FMI como pelo Comitê de Bancos Credores, realizando periodicamente a rolagem do principal e de parte dos juros, estes cada vez mais altos, face ao chamado spread de risco aplicado sobre o total da dívida. Finalmente quando então foi declarada a moratória unilateral da divida brasileira em 1987 o mundo veio abaixo, no momento em que muitos bancos começaram a vendê-la no mercado secundário com deságio de 70% para se ver livre daquele "lixo" contábil.Diante dessa realidade, o próprio mercado já buscava uma solução heterodoxa para a dívida do Brasil, como dos demais países latinos americanos, também encalacrados fazia já quase 7 anos com os bancos internacionais e o FMI. Foi quando na troca de comando do ministério da Fazenda em abril de 1987, a nova equipe econômica então comandada pelo ministro Bresser-Pereira vislumbrou com coragem e sabedoria que era chegada a hora da reestruturação da dívida brasileira por meio da sua securitização, com base na emissão de um menu de bônus de longo prazo e com variantes de taxas juros fixas ou variáveis, valor de corte no principal da dívida, opções de conversão e resgate antecipado e garantias de instituições multilaterais. Infelizmente, em 1987 o então secretário do Tesouro americano chamava-se James Baker, um intransigente e arrogante líder republicano que colocou-se frontalmente contra a proposta brasileira. Em fins de 1987, o governo Sarney veio a sucumbir diante do poderoso lobby dos bancos e dos economistas conservadores de plantão, encerrando sem qualquer solução minimamente plausível o estado de moratória da divida externa. Ficamos com o ônus e sem nenhum bônus. Repete-se o mesmo erro passado, dos reescalonamentos infindáveis e do aumento sucessivo dos spreads de risco das dívidas da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, e Itália. Quanto mais tempo passa, mais se deterioram as respectivas economias dessas nações europeias Em 1988, empossado como novo secretário do Tesouro dos EUA, Nicholas Brady entendeu de pronto a inevitabilidade da reestruturação da dívida latino americana e em vez de se tornar um espectador passivo dos fatos, se posicionou como protagonista da história e lançando mão da mal sucedida proposta brasileira no ano anterior, remodelou-a como o histórico Plano Brady, que em poucos anos pôs fim àquele dramático período conhecido pelos latinos americanos como "década perdida".Isso tudo me volta à memória agora em 2011, quando assisto ao "flashback reverso" dessa história, só que com outros personagens. Temos agora os países europeus e os Estados Unidos, nossos credores de 20 anos atrás, como países devedores a beira do colapso, enquanto o Brasil tornou-se um doador líquido de recursos ao FMI e figura hoje em dia entre os cinco maiores portadores de letras do Tesouro americano. E desde meados de 2008, e com mais ênfase a partir de maio de 2010, o mundo discute qual será a forma definitiva de resgate de alguns países europeus mais endividados e vulneráveis economicamente. Repete-se o mesmo erro passado, dos reescalonamentos infindáveis e do aumento sucessivo dos spreads de risco das dívidas da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, e Itália. Quanto mais tempo passa, mais se deterioram as respectivas economias dessas nações europeias e de sua capacidade de enfrentamento convencional do pagamento das obrigações externas. Queda de investimentos, desemprego crescente, forte desequilíbrio fiscal, aguda recessão, são algumas das notícias que todos os dias nos acostumamos a assistir sobre esses países nos últimos meses. Na terceira semana de Julho, finalmente a União Europeia, reconheceu o inevitável calote da divida grega e anunciou timidamente uma forma de reestruturação voluntária de sua dívida, no estilo do Plano Brady. Melhor teria sido se finalmente os europeus, liderados pela Alemanha e pela França, viessem logo com um plano mais ambicioso e abrangente, de securitização gradual das dívidas de países europeus insolventes, de forma a repartir o custo desse resgate econômico entre os respectivos países devedores, seus respectivos credores, e os países da União Europeia como um todo, já que são sócios na união monetária e no Banco Central Europeu. Um reforço do mecanismo European Financial Stability Facility - EFSF- poderia proporcionar uma sólida garantia a novos títulos de longo prazo (Exchange Bonds) da dívida desses países devedores. Tais títulos seriam emitidos e trocados com descontos implícitos ou explícitos sobre o principal e juros da dívida velha, de maneira que tornassem sustentável tal dívida reestruturada no período de sua amortização, tal como ocorreu no caso do Plano Brady nos anos 90. Os países europeus em vias de default seriam automaticamente elegíveis ao uso dessa facilidade, desde que viessem a adotar medidas de disciplina fiscal e monetária compatíveis com as regras da União Europeia. Quem viver, verá, a insustentável leveza das dividas europeias e americana! Roberto Giannetti da Fonseca é empresário e economista, presidente da Kaduna Consultoria, e diretor titular de Relações Internacionais e de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Mercado está nas mãos do Congresso americano
Mercado está nas mãos do Congresso americano
Alta da Selic, inflação, queda acentuada do dólar, crise no governo brasileiro, balanços, problemas na Europa. Tudo isso é relevante, mas fica absolutamente em segundo plano quando se compara com o imbróglio na dívida pública americana. O destino do mercado está nas mãos do Congresso americano.Quanto mais se aproxima o dia 2 de agosto, data limite para uma definição, e nada se resolve, mais avessos ao risco ficam os investidores. A consequência é um mercado em compasso de espera, tendendo para a queda.Chance de não passar é desproporcional ao estrago na bolsa Ontem, o Indice Bovespa fechou em queda de 1,05%, aos 59.339 pontos, exatamente por causa desse cenário ainda muito nebuloso nos EUA. Na opinião de Ricardo Pinto Nogueira, diretor da corretora Souza Barros, todo mundo acredita que o Congresso americano vai aprovar o aumento do limite do teto. São remotíssimas as chances disso não acontecer."A questão é que, se esse 0,01% de chance ocorrer, o mundo inteiro vai sofrer de forma desproporcional a esse ínfimo percentual ", diz Pinto Nogueira. A conclusão é que investidores e analistas não querem nem pensar em pagar para ver uma possível zebra dessa magnitude.Assim como 99,9% do mercado, o diretor da Souza Barros acredita que os Republicanos vão aprovar o aumento do teto, mas apenas aos 45 do segundo tempo que, inclusive, se aproximam. Na visão dele, após a aprovação, a bolsa terá condições para começar um movimento de valorização. E, mesmo os problemas com Europa, devem ganhar um tom mais ameno. "O que são ? 120 bilhões de ajuda à Grécia perto dos US$ 4 trilhões da dívida americana que poderia ir para o brejo?", questiona Pinto Nogueira.Ontem, as ações de Cielo e Redecard lideraram os ganhos do Ibovespa, na expectativa dos resultados. Cielo divulgou os números após o fechamento, com lucro 7,5% abaixo do mesmo período de 2010. E Redecard solta seus resultados hoje. Depois de vários rumores, Drogasil e Droga Raia divulgaram à noite que estão negociando uma associação.Daniele Camba Responder Encaminhar Convidar NetcaféBR para bater papo
Alta da Selic, inflação, queda acentuada do dólar, crise no governo brasileiro, balanços, problemas na Europa. Tudo isso é relevante, mas fica absolutamente em segundo plano quando se compara com o imbróglio na dívida pública americana. O destino do mercado está nas mãos do Congresso americano.Quanto mais se aproxima o dia 2 de agosto, data limite para uma definição, e nada se resolve, mais avessos ao risco ficam os investidores. A consequência é um mercado em compasso de espera, tendendo para a queda.Chance de não passar é desproporcional ao estrago na bolsa Ontem, o Indice Bovespa fechou em queda de 1,05%, aos 59.339 pontos, exatamente por causa desse cenário ainda muito nebuloso nos EUA. Na opinião de Ricardo Pinto Nogueira, diretor da corretora Souza Barros, todo mundo acredita que o Congresso americano vai aprovar o aumento do limite do teto. São remotíssimas as chances disso não acontecer."A questão é que, se esse 0,01% de chance ocorrer, o mundo inteiro vai sofrer de forma desproporcional a esse ínfimo percentual ", diz Pinto Nogueira. A conclusão é que investidores e analistas não querem nem pensar em pagar para ver uma possível zebra dessa magnitude.Assim como 99,9% do mercado, o diretor da Souza Barros acredita que os Republicanos vão aprovar o aumento do teto, mas apenas aos 45 do segundo tempo que, inclusive, se aproximam. Na visão dele, após a aprovação, a bolsa terá condições para começar um movimento de valorização. E, mesmo os problemas com Europa, devem ganhar um tom mais ameno. "O que são ? 120 bilhões de ajuda à Grécia perto dos US$ 4 trilhões da dívida americana que poderia ir para o brejo?", questiona Pinto Nogueira.Ontem, as ações de Cielo e Redecard lideraram os ganhos do Ibovespa, na expectativa dos resultados. Cielo divulgou os números após o fechamento, com lucro 7,5% abaixo do mesmo período de 2010. E Redecard solta seus resultados hoje. Depois de vários rumores, Drogasil e Droga Raia divulgaram à noite que estão negociando uma associação.Daniele Camba Responder Encaminhar Convidar NetcaféBR para bater papo
Racha entre republicanos dificulta acordo nos EUA
Racha entre republicanos dificulta acordo nos EUA
O presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, John Boehner, do oposicionista Partido Republicano, enfrentou ontem um levante contra seu plano para solucionar o problema do limite da dívida do governo federal. Um líderes do partido disse que estava "confiante" de que não havia deputados republicanos suficientes para aprová-lo. Três grupos conservadores também pediram que os congressistas votassem contra o plano. O deputado Jim Jordan, presidente da Comissão Republicana de Estudo, grupo de deputados conservadores, disse que o plano de Boehner não corta gastos o suficiente. Ele e outros conservadores são a favor do projeto "Corte, Limite e Equilíbrio do Orçamento", que combina as atuais reduções nos gastos com limites futuros, bem como com uma emenda constitucional obrigando o governo federal a nunca ter déficit no orçamento. Essa proposta não foi aprovada no Senado semana passada.Jordan disse que não havia o apoio mínimo de 218 republicanos na Câmara para aprovar o plano de Boehner. Ele lidera um grupo que inclui 178 dos 240 deputados republicanos. Isso amplia a incerteza sobre o resultado da crise do limite da dívida. O Congresso continuava num impasse ontem, uma semana antes de o governo americano ficar sem dinheiro para pagar as suas contas. Sem o apoio do Partido Democrata, Boehner só pode perder 23 votos de republicanos para conseguir aprovar seu plano na Câmara. Até agora, só 12 republicanos, incluindo a pré-candidata a presidente Michele Bachmann, já disseram publicamente que são contra o plano de Boehner. O vice-líder do governo na Câmara, o deputado democrata Seny Hoyer, disse que "muito poucos" deputados democratas vão apoiar o plano de Boehner, que deve ser votado hoje. Para complicar mais o problema de Boehner, três importantes grupos conservadores pediram aos deputados que votem contra o plano: o Clube para o Crescimento, a União Nacional de Contribuintes, e a Ação de Patrimônio para a América, braço lobista da Fundação Heritage, em Washington.O projeto de lei de Boehner não deve ser aprovado no Senado, onde a maioria democrata se opõe à medida. E a Casa Branca disse que o presidente Barack Obama vai vetar a lei se ela chegar à sua mesa.O plano de Boehner prevê cortes no déficit de ao menos US$ 3 trilhões em dez anos, ao mesmo tempo em que eleva o limite de endividamento em duas fases.O líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, defende uma proposta que eleva o teto da dívida em US$ 2,7 trilhões, o que permitiria ao governo cobrir suas contas até 2012, ao mesmo tempo em que cortaria gastos pelo mesmo valor. O projeto de lei precisa do apoio de sete republicanos para obter 60 votos no Senado, e não está claro se esses votos existem.A busca de votos cresceu depois que Obama, em discurso no horário nobre anteontem, alertou que os EUA estão à beira de um default que causaria um choque econômico. "Ficamos num impasse", disse. Sem uma solução, "nos arriscamos a gerar uma crise econômica profunda, desta vez causada quase inteiramente em Washington"."Pela primeira vez na história, a nota de crédito AAA de nosso país pode ser rebaixada", disse Obama. "Os juros do cartão de crédito, da hipoteca e dos financiamentos automotivos iriam às alturas, o que seria igual a um aumento enorme de impostos do povo americano."Ele pediu aos americanos que peçam a seus congressistas para apoiar o plano de Reid, um toque partidário que pode prejudicar as chances de romper o impasse.Boehner também falou ao país na noite de segunda, logo depois do discurso de Obama. Ele defendeu seu plano. "O presidente já disse muitas vezes que precisa de uma abordagem 'equilibrada', o que significa em Washington que 'nós gastamos mais, você paga mais'", disse Boehner. "A triste verdade é que o presidente, seis meses atrás, queria um cheque em branco, e hoje ele quer um cheque em branco. Isso não vai acontecer."O debate entre os dois principais líderes do país, transmitido pela TV, ocorreu quase uma semana antes de o governo ficar sem poder rolar suas dívidas, uma possibilidade que os dois alertaram que seria uma catástrofe econômica.Os democratas no Senado planejavam realizar primeiro um teste de votação, mas na última hora decidiram adiar o plano até pelo menos quinta-feira. Um representante democrata disse que os líderes queriam esperar para ver se o projeto da Câmara seria derrotado hoje, o que tornaria o plano deles a última opção disponível.A aprovação na Câmara do plano de Boehner aumentaria imediatamente o limite de endividamento do governo, de US$ 14,29 trilhões, em cerca de US$ 1 trilhão e permitiria mais um aumento de até US$ 1,5 trilhão ano que vem.Boehner disse que a primeira fase do novo limite da dívida levaria o governo até fevereiro ou março, impondo ainda cortes de US$ 1,2 trilhão nos gastos por meio de vários limites orçamentários. Além disso, o Congresso teria de votar até o fim do ano uma emenda à Constituição para obrigar o governo a equilibrar o orçamento.Obama é totalmente contra o aumento do limite em duas fases. Reid disse que seu plano atenderia a exigência de Boehner de que qualquer alta no limite da dívida seja acompanhada de cortes no orçamento em valor igual ou maior.
O presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, John Boehner, do oposicionista Partido Republicano, enfrentou ontem um levante contra seu plano para solucionar o problema do limite da dívida do governo federal. Um líderes do partido disse que estava "confiante" de que não havia deputados republicanos suficientes para aprová-lo. Três grupos conservadores também pediram que os congressistas votassem contra o plano. O deputado Jim Jordan, presidente da Comissão Republicana de Estudo, grupo de deputados conservadores, disse que o plano de Boehner não corta gastos o suficiente. Ele e outros conservadores são a favor do projeto "Corte, Limite e Equilíbrio do Orçamento", que combina as atuais reduções nos gastos com limites futuros, bem como com uma emenda constitucional obrigando o governo federal a nunca ter déficit no orçamento. Essa proposta não foi aprovada no Senado semana passada.Jordan disse que não havia o apoio mínimo de 218 republicanos na Câmara para aprovar o plano de Boehner. Ele lidera um grupo que inclui 178 dos 240 deputados republicanos. Isso amplia a incerteza sobre o resultado da crise do limite da dívida. O Congresso continuava num impasse ontem, uma semana antes de o governo americano ficar sem dinheiro para pagar as suas contas. Sem o apoio do Partido Democrata, Boehner só pode perder 23 votos de republicanos para conseguir aprovar seu plano na Câmara. Até agora, só 12 republicanos, incluindo a pré-candidata a presidente Michele Bachmann, já disseram publicamente que são contra o plano de Boehner. O vice-líder do governo na Câmara, o deputado democrata Seny Hoyer, disse que "muito poucos" deputados democratas vão apoiar o plano de Boehner, que deve ser votado hoje. Para complicar mais o problema de Boehner, três importantes grupos conservadores pediram aos deputados que votem contra o plano: o Clube para o Crescimento, a União Nacional de Contribuintes, e a Ação de Patrimônio para a América, braço lobista da Fundação Heritage, em Washington.O projeto de lei de Boehner não deve ser aprovado no Senado, onde a maioria democrata se opõe à medida. E a Casa Branca disse que o presidente Barack Obama vai vetar a lei se ela chegar à sua mesa.O plano de Boehner prevê cortes no déficit de ao menos US$ 3 trilhões em dez anos, ao mesmo tempo em que eleva o limite de endividamento em duas fases.O líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, defende uma proposta que eleva o teto da dívida em US$ 2,7 trilhões, o que permitiria ao governo cobrir suas contas até 2012, ao mesmo tempo em que cortaria gastos pelo mesmo valor. O projeto de lei precisa do apoio de sete republicanos para obter 60 votos no Senado, e não está claro se esses votos existem.A busca de votos cresceu depois que Obama, em discurso no horário nobre anteontem, alertou que os EUA estão à beira de um default que causaria um choque econômico. "Ficamos num impasse", disse. Sem uma solução, "nos arriscamos a gerar uma crise econômica profunda, desta vez causada quase inteiramente em Washington"."Pela primeira vez na história, a nota de crédito AAA de nosso país pode ser rebaixada", disse Obama. "Os juros do cartão de crédito, da hipoteca e dos financiamentos automotivos iriam às alturas, o que seria igual a um aumento enorme de impostos do povo americano."Ele pediu aos americanos que peçam a seus congressistas para apoiar o plano de Reid, um toque partidário que pode prejudicar as chances de romper o impasse.Boehner também falou ao país na noite de segunda, logo depois do discurso de Obama. Ele defendeu seu plano. "O presidente já disse muitas vezes que precisa de uma abordagem 'equilibrada', o que significa em Washington que 'nós gastamos mais, você paga mais'", disse Boehner. "A triste verdade é que o presidente, seis meses atrás, queria um cheque em branco, e hoje ele quer um cheque em branco. Isso não vai acontecer."O debate entre os dois principais líderes do país, transmitido pela TV, ocorreu quase uma semana antes de o governo ficar sem poder rolar suas dívidas, uma possibilidade que os dois alertaram que seria uma catástrofe econômica.Os democratas no Senado planejavam realizar primeiro um teste de votação, mas na última hora decidiram adiar o plano até pelo menos quinta-feira. Um representante democrata disse que os líderes queriam esperar para ver se o projeto da Câmara seria derrotado hoje, o que tornaria o plano deles a última opção disponível.A aprovação na Câmara do plano de Boehner aumentaria imediatamente o limite de endividamento do governo, de US$ 14,29 trilhões, em cerca de US$ 1 trilhão e permitiria mais um aumento de até US$ 1,5 trilhão ano que vem.Boehner disse que a primeira fase do novo limite da dívida levaria o governo até fevereiro ou março, impondo ainda cortes de US$ 1,2 trilhão nos gastos por meio de vários limites orçamentários. Além disso, o Congresso teria de votar até o fim do ano uma emenda à Constituição para obrigar o governo a equilibrar o orçamento.Obama é totalmente contra o aumento do limite em duas fases. Reid disse que seu plano atenderia a exigência de Boehner de que qualquer alta no limite da dívida seja acompanhada de cortes no orçamento em valor igual ou maior.
Fundos elevam liquidez por temor de resgates
Fundos elevam liquidez por temor de resgates
Fundos de investimento no mercado monetário de curto prazo estão entesourando dinheiro, nos EUA, para se protegerem contra a eventualidade de o Congresso não elevar o limite de endividamento, distorcendo o mercado de curto prazo da dívida pública americana e elevando os custos da tomada de empréstimos por bancos e outras instituições financeiras.Esses fundos manterão sua exposição a títulos do Tesouro dos EUA em caso de rebaixamento da classificação de crédito ou de calote, mas estão melhorando sua liquidez e mantendo distância de certos títulos, por temor de que uma não elevação do teto de endividamento possa deflagrar resgates de aplicações pelos clientes.Fundos do mercado monetário que somente aplicam em títulos governamentais ampliaram seu volume de dinheiro disponível para atender resgates de 68% dos ativos no prazo de uma semana, em comparação com 48% no fim de março, segundo a Barclays Capital. "Reforçamos nossa liquidez com uma quantidade bastante significativa de títulos com vencimentos anteriores à data limite para uma elevação do teto da dívida", disse Robert Brown, diretor de operações da Fidelity para o mercado financeiro de curto prazo.Os bancos também estão mantendo mais dinheiro em caixa, e as grandes empresas americanas estão adiando decisões devido à incerteza sobre onde investir seu dinheiro, em meio ao temor de que a não elevação do limite máximo de endividamento possa levar a um rebaixamento da classificação de crédito e possível calote dos EUA.Os fundos estão evitando os títulos de um mês do Tesouro com vencimento em 4 de agosto e 11 de agosto. "Esses são os títulos mais vulneráveis a algum tipo de mudança", disse Joseph Abate, estrategista do Barclays Capital.As taxas de juros oferecidas pelos dois títulos de dívida com prazo de um mês estão em mais que o dobro da taxa para empréstimos ao governo vinculados a títulos com maturação de três meses com vencimento em setembro.Os fundos do mercado monetário, que detém US$ 338 bilhões de dívida governamental americana, de acordo com o Citigroup, estão também estreitando o tempo durante o qual mantêm-se dispostos a conceder empréstimos, o que poderá levantar questões de liquidez, para os bancos, pois eles dependem de tomar empréstimos no mercado de recompra de títulos (repo, no jargão em inglês.Um dia depois de o presidente Barack Obama ter exortado os legisladores a chegarem a uma "solução justa baseada em concessões mútuas" no próximos dias, não havia nenhum sinal imediato do progresso. Democratas no Senado e republicanos na Câmara dos Representantes estão formulando planos independentes para elevar o limite da dívida nacional. Apesar do nervosismo, os EUA venderam US$ 35 bilhões em títulos de dois anos com um rendimento de 0,417% na terça-feira, uma taxa melhor do que a esperada, embora a demanda tenha se revelado menor do que a prevista.
Fundos de investimento no mercado monetário de curto prazo estão entesourando dinheiro, nos EUA, para se protegerem contra a eventualidade de o Congresso não elevar o limite de endividamento, distorcendo o mercado de curto prazo da dívida pública americana e elevando os custos da tomada de empréstimos por bancos e outras instituições financeiras.Esses fundos manterão sua exposição a títulos do Tesouro dos EUA em caso de rebaixamento da classificação de crédito ou de calote, mas estão melhorando sua liquidez e mantendo distância de certos títulos, por temor de que uma não elevação do teto de endividamento possa deflagrar resgates de aplicações pelos clientes.Fundos do mercado monetário que somente aplicam em títulos governamentais ampliaram seu volume de dinheiro disponível para atender resgates de 68% dos ativos no prazo de uma semana, em comparação com 48% no fim de março, segundo a Barclays Capital. "Reforçamos nossa liquidez com uma quantidade bastante significativa de títulos com vencimentos anteriores à data limite para uma elevação do teto da dívida", disse Robert Brown, diretor de operações da Fidelity para o mercado financeiro de curto prazo.Os bancos também estão mantendo mais dinheiro em caixa, e as grandes empresas americanas estão adiando decisões devido à incerteza sobre onde investir seu dinheiro, em meio ao temor de que a não elevação do limite máximo de endividamento possa levar a um rebaixamento da classificação de crédito e possível calote dos EUA.Os fundos estão evitando os títulos de um mês do Tesouro com vencimento em 4 de agosto e 11 de agosto. "Esses são os títulos mais vulneráveis a algum tipo de mudança", disse Joseph Abate, estrategista do Barclays Capital.As taxas de juros oferecidas pelos dois títulos de dívida com prazo de um mês estão em mais que o dobro da taxa para empréstimos ao governo vinculados a títulos com maturação de três meses com vencimento em setembro.Os fundos do mercado monetário, que detém US$ 338 bilhões de dívida governamental americana, de acordo com o Citigroup, estão também estreitando o tempo durante o qual mantêm-se dispostos a conceder empréstimos, o que poderá levantar questões de liquidez, para os bancos, pois eles dependem de tomar empréstimos no mercado de recompra de títulos (repo, no jargão em inglês.Um dia depois de o presidente Barack Obama ter exortado os legisladores a chegarem a uma "solução justa baseada em concessões mútuas" no próximos dias, não havia nenhum sinal imediato do progresso. Democratas no Senado e republicanos na Câmara dos Representantes estão formulando planos independentes para elevar o limite da dívida nacional. Apesar do nervosismo, os EUA venderam US$ 35 bilhões em títulos de dois anos com um rendimento de 0,417% na terça-feira, uma taxa melhor do que a esperada, embora a demanda tenha se revelado menor do que a prevista.
Impasse leva fundos e empresas dos EUA à proteção da liquidez
Impasse leva fundos e empresas dos EUA à proteção da liquidez
Fundos de investimento no mercado monetário de curto prazo nos EUA estão entesourando dinheiro para se proteger contra a eventualidade de o Congresso não elevar o limite de endividamento, distorcendo o mercado da dívida pública americana e elevando os custos da tomada de empréstimos por bancos e outras instituições financeiras.Esses fundos estão melhorando sua liquidez e mantendo distância de determinados títulos, por temores de que uma não elevação do teto de endividamento possa deflagrar resgates de aplicações por parte de clientes. Os fundos que só aplicam em títulos governamentais ampliaram o volume de dinheiro disponível para atender resgates de 48% (no fim de março) para 68% dos ativos, segundo a Barclays Capital. Eles evitam os títulos de um mês do Tesouro com vencimento em 4 de agosto e 11 de agosto.Empresas americanas adiam decisões de negócios e se defrontam com possíveis problemas na escolha de onde investir seu dinheiro. Jeff Wallace, sócio-gerente da Greenwich Treasury Advisors, disse que os tesoureiros de grandes empresas estão paralisados "como um cervo diante dos faróis de um automóvel". Muitas companhias acumularam muito dinheiro como defesa. "Como aprendemos na crise financeira de 2008, liquidez é tudo", diz Deas Thomas, vice-presidente da empresa química FMC.
Fundos de investimento no mercado monetário de curto prazo nos EUA estão entesourando dinheiro para se proteger contra a eventualidade de o Congresso não elevar o limite de endividamento, distorcendo o mercado da dívida pública americana e elevando os custos da tomada de empréstimos por bancos e outras instituições financeiras.Esses fundos estão melhorando sua liquidez e mantendo distância de determinados títulos, por temores de que uma não elevação do teto de endividamento possa deflagrar resgates de aplicações por parte de clientes. Os fundos que só aplicam em títulos governamentais ampliaram o volume de dinheiro disponível para atender resgates de 48% (no fim de março) para 68% dos ativos, segundo a Barclays Capital. Eles evitam os títulos de um mês do Tesouro com vencimento em 4 de agosto e 11 de agosto.Empresas americanas adiam decisões de negócios e se defrontam com possíveis problemas na escolha de onde investir seu dinheiro. Jeff Wallace, sócio-gerente da Greenwich Treasury Advisors, disse que os tesoureiros de grandes empresas estão paralisados "como um cervo diante dos faróis de um automóvel". Muitas companhias acumularam muito dinheiro como defesa. "Como aprendemos na crise financeira de 2008, liquidez é tudo", diz Deas Thomas, vice-presidente da empresa química FMC.
EUA estão sendo usados para driblar barreiras do Brasil, diz Mantega
EUA estão sendo usados para driblar barreiras do Brasil, diz Mantega
O governo não se deixará vencer pela guerra cambial e está de olho nos países exportadores que usam terceiros mercados, inclusive os Estados Unidos, para driblar as barreiras impostas aos produtos que chegam ao Brasil com preços desleais, disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega.Ele demonstrou apreensão em relação ao cenário financeiro global e disse que o crescimento da economia brasileira é sustentável. Reiterou que a defesa comercial é uma prioridade do Executivo, que tomará "medidas importantes nesse campo"."Até os Estados Unidos estão sendo usados como país de triangulação de exportações para o Brasil. A mercadoria sai de um determinado país, vai para os EUA, muda de etiqueta e vem para o Brasil como se fosse uma mercadoria americana. Talvez por isso os EUA estejam com um superávit comercial em relação ao Brasil", disse na segunda reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social no governo Dilma Rousseff."Não vamos deixar a guerra cambial nos derrotar com desvalorizações artificiais das taxas de câmbio de outros países. Estaremos atuando na área de política cambial, estamos intensificando a defesa comercial do país", acrescentou o ministro, que concentrou sua exposição na complexidade do cenário externo atual.Empresários presentes, no entanto, criticaram, sob a condição do anonimato, a demora do governo em adotar medidas efetivas de defesa comercial. De janeiro a junho deste ano, a balança comercial entre o Brasil e os EUA apresentou um déficit de US$ 4 bilhões. Houve déficit também negativo em 2010 (US$ 7,7 bilhões) e 2009 (US$ 4,4 bilhões). De 2000 a 2008, no entanto, a balança comercial bilateral foi superavitária para o Brasil.Mantega afirmou que um eventual fracasso do governo de Barack Obama na tentativa de chegar a um acordo com o Congresso para elevar o teto do endividamento do país teria efeitos negativos na economia mundial. "Seria uma grande insensatez se não se conseguisse superar essa situação. Acredito na resolução, mas confesso minha apreensão pelo rumo que as coisas estão tomando. Espero que haja sensatez ao fim desta semana e que a coisa se resolva."Ele disse ainda que a crise financeira dos países europeus vive nova fase: passou de privada dos bancos para soberana. E ponderou que a conjuntura internacional pode atrapalhar os países em desenvolvimento, mas não a ponto de prejudicar o crescimento das suas economias. Ressaltou, entretanto, que o crescimento da economia nacional se mantém sustentável devido à solidez das contas públicas e o aumento da demanda doméstica. Mantega negou que a economia esteja superaquecida e descartou a existência de uma bolha de crédito no setor imobiliário.Empresários presentes na reunião reforçaram os apelos por medidas concretas de auxílio à indústria, na medida em que segue o cabo de guerra entre os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento acerca das desonerações tributárias a serem incluídas no pacote de medidas para elevar a competitividade do produto nacional.Presidente do Conselho de Administração da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter afirmou que "já está acontecendo" um processo de desindustrialização no Brasil. Ele ponderou que o país mantém uma cultura de trabalhar com um cenário de falta de divisas e dólares e, por isso, precisa se adaptar à atual conjuntura de maior oferta da moeda americana no mercado doméstico. Ele defendeu, por exemplo, que o governo amplie o uso de mecanismos tributários que contenham o ingresso de capitais."Se queremos um país desenvolvido, precisaremos ter uma indústria desenvolvida. Do modo que estamos, estamos prejudicando o desenvolvimento industrial", afirmou Gerdau depois da a reunião do Conselhão.O presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, reforçou o coro. Lembrou que a competitividade dos produtos brasileiros vem sendo corroída pelas altas taxas de juros, falta de reformas estruturais e problemas de infraestrutura. "A indústria está passando uma fase muito perigosa", alertou Skaf.
O governo não se deixará vencer pela guerra cambial e está de olho nos países exportadores que usam terceiros mercados, inclusive os Estados Unidos, para driblar as barreiras impostas aos produtos que chegam ao Brasil com preços desleais, disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega.Ele demonstrou apreensão em relação ao cenário financeiro global e disse que o crescimento da economia brasileira é sustentável. Reiterou que a defesa comercial é uma prioridade do Executivo, que tomará "medidas importantes nesse campo"."Até os Estados Unidos estão sendo usados como país de triangulação de exportações para o Brasil. A mercadoria sai de um determinado país, vai para os EUA, muda de etiqueta e vem para o Brasil como se fosse uma mercadoria americana. Talvez por isso os EUA estejam com um superávit comercial em relação ao Brasil", disse na segunda reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social no governo Dilma Rousseff."Não vamos deixar a guerra cambial nos derrotar com desvalorizações artificiais das taxas de câmbio de outros países. Estaremos atuando na área de política cambial, estamos intensificando a defesa comercial do país", acrescentou o ministro, que concentrou sua exposição na complexidade do cenário externo atual.Empresários presentes, no entanto, criticaram, sob a condição do anonimato, a demora do governo em adotar medidas efetivas de defesa comercial. De janeiro a junho deste ano, a balança comercial entre o Brasil e os EUA apresentou um déficit de US$ 4 bilhões. Houve déficit também negativo em 2010 (US$ 7,7 bilhões) e 2009 (US$ 4,4 bilhões). De 2000 a 2008, no entanto, a balança comercial bilateral foi superavitária para o Brasil.Mantega afirmou que um eventual fracasso do governo de Barack Obama na tentativa de chegar a um acordo com o Congresso para elevar o teto do endividamento do país teria efeitos negativos na economia mundial. "Seria uma grande insensatez se não se conseguisse superar essa situação. Acredito na resolução, mas confesso minha apreensão pelo rumo que as coisas estão tomando. Espero que haja sensatez ao fim desta semana e que a coisa se resolva."Ele disse ainda que a crise financeira dos países europeus vive nova fase: passou de privada dos bancos para soberana. E ponderou que a conjuntura internacional pode atrapalhar os países em desenvolvimento, mas não a ponto de prejudicar o crescimento das suas economias. Ressaltou, entretanto, que o crescimento da economia nacional se mantém sustentável devido à solidez das contas públicas e o aumento da demanda doméstica. Mantega negou que a economia esteja superaquecida e descartou a existência de uma bolha de crédito no setor imobiliário.Empresários presentes na reunião reforçaram os apelos por medidas concretas de auxílio à indústria, na medida em que segue o cabo de guerra entre os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento acerca das desonerações tributárias a serem incluídas no pacote de medidas para elevar a competitividade do produto nacional.Presidente do Conselho de Administração da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter afirmou que "já está acontecendo" um processo de desindustrialização no Brasil. Ele ponderou que o país mantém uma cultura de trabalhar com um cenário de falta de divisas e dólares e, por isso, precisa se adaptar à atual conjuntura de maior oferta da moeda americana no mercado doméstico. Ele defendeu, por exemplo, que o governo amplie o uso de mecanismos tributários que contenham o ingresso de capitais."Se queremos um país desenvolvido, precisaremos ter uma indústria desenvolvida. Do modo que estamos, estamos prejudicando o desenvolvimento industrial", afirmou Gerdau depois da a reunião do Conselhão.O presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, reforçou o coro. Lembrou que a competitividade dos produtos brasileiros vem sendo corroída pelas altas taxas de juros, falta de reformas estruturais e problemas de infraestrutura. "A indústria está passando uma fase muito perigosa", alertou Skaf.
Kraft reposiciona a marca Lacta
Kraft reposiciona a marca Lacta
No segundo semestre do ano passado, a Kraft Foods reuniu 250 consumidores de várias partes do país e pediu que todos ficassem três dias sem comer chocolate. Ao fim dessas 72 horas, a companhia serviu chocolates para essas pessoas e gravou as reações. "Eram tantos ahmms e humms...", diz Patrícia Borges, gerente de Lacta da Kraft Foods Brasil. "O consumidor tem essa relação de prazer com o chocolate que é muito emocional. Essa foi uma das principais razões para que mudássemos o posicionamento de Lacta no mercado". Desde 2007 a Lacta vem usando o 'slogan' "Derrete na boca", reforçando características como a cremosidade e o sabor. "Mas percebemos que a relação do consumidor com o chocolate já não se baseia mais nisso", diz a executiva. Depois de um ano e meio de estudos - e pesquisas com consumidores, como a citada acima -, a Kraft constatou que o consumidor tem mais uma relação de indulgência com o chocolate do que de funcionalidade. "Há uma categoria de pessoas, que inclui homens e mulheres, com idade entre 20 e 35 anos, de todas as classes sociais, que chamamos de 'experience seekers'", diz Patrícia. Esses buscadores de experiências são pessoas que estão cansadas da rotina e que procuram coisas que lhes proporcionem mais sentido para a vida. "Os 'experience seekers' estão cansados de levantar, ir para o trabalho, dormir, levantar e ir trabalhar novamente. Eles querem voltar a se sentir vivos."Com foco nesse perfil de consumidor, a Kraft está mudando toda sua comunicação para a marca Lacta, que inclui a sua linha de chocolates no Brasil. O novo 'slogan' agora será "Entregue-se - Sinta-se vivo com a Lacta". A empresa não revela o quanto está investindo na mudança. Apenas que a verba de marketing para a marca é 40% maior que a do ano passado. Além de ações que incluem campanhas em TV, internet e mídia impressa, a empresa está instalando um tobogã gigante feito para adultos entre um andar e outro de vários shoppings centers do país. "A ideia é fazer com que as pessoas se joguem nele, em vez de ir normalmente pela escada", diz Patrícia. "É essa ideia do 'se jogar', de aproveitar a vida, que estamos querendo passar com relação ao chocolate", acrescenta. Conforme a pesquisa Target Group Index, do Ibope Mídia, 71% dos consumidores regulares de chocolate são mulheres. Esse perfil mais feminino, segundo a gerente da Kraft, também explica um pouco o novo posicionamento da marca. "As mulheres estão muito sobrecarregadas e seu lado emocional aflora mais que o do homem". O reposicionamento de Lacta acontece pouco mais de dois anos depois da rival Nestlé ter lançado a campanha "Chocolover". A fabricante suíça, na época, também fez pesquisas que indicaram a relação emocional com o produto. A Nestlé também não revela o quanto gastou no lançamento de "Chocolover", mas afirma que a campanha representou o maior investimento da área de chocolates da companhia nos últimos dez anos.Hoje, o mercado de chocolates no Brasil movimenta 152,115 milhões de quilos ou R$ 3,435 bilhões, segundo a Nielsen. Nesse cenário, a Lacta é líder no segmento de tabletes (que representa cerca de 38% do mercado total), com 33,3% das vendas em valor e 35,5% em volume. Considerando o mercado de chocolates como um todo (tabletes, bombons etc.), a Lacta está em terceiro lugar, com 34,9% das vendas em valor e 35,2% em volume, atrás da marca Garoto, que pertence à Nestlé, e da líder, Nestlé. No primeiro quadrimestre de 2011, as vendas em volume desse mercado cresceram 8,4%.
No segundo semestre do ano passado, a Kraft Foods reuniu 250 consumidores de várias partes do país e pediu que todos ficassem três dias sem comer chocolate. Ao fim dessas 72 horas, a companhia serviu chocolates para essas pessoas e gravou as reações. "Eram tantos ahmms e humms...", diz Patrícia Borges, gerente de Lacta da Kraft Foods Brasil. "O consumidor tem essa relação de prazer com o chocolate que é muito emocional. Essa foi uma das principais razões para que mudássemos o posicionamento de Lacta no mercado". Desde 2007 a Lacta vem usando o 'slogan' "Derrete na boca", reforçando características como a cremosidade e o sabor. "Mas percebemos que a relação do consumidor com o chocolate já não se baseia mais nisso", diz a executiva. Depois de um ano e meio de estudos - e pesquisas com consumidores, como a citada acima -, a Kraft constatou que o consumidor tem mais uma relação de indulgência com o chocolate do que de funcionalidade. "Há uma categoria de pessoas, que inclui homens e mulheres, com idade entre 20 e 35 anos, de todas as classes sociais, que chamamos de 'experience seekers'", diz Patrícia. Esses buscadores de experiências são pessoas que estão cansadas da rotina e que procuram coisas que lhes proporcionem mais sentido para a vida. "Os 'experience seekers' estão cansados de levantar, ir para o trabalho, dormir, levantar e ir trabalhar novamente. Eles querem voltar a se sentir vivos."Com foco nesse perfil de consumidor, a Kraft está mudando toda sua comunicação para a marca Lacta, que inclui a sua linha de chocolates no Brasil. O novo 'slogan' agora será "Entregue-se - Sinta-se vivo com a Lacta". A empresa não revela o quanto está investindo na mudança. Apenas que a verba de marketing para a marca é 40% maior que a do ano passado. Além de ações que incluem campanhas em TV, internet e mídia impressa, a empresa está instalando um tobogã gigante feito para adultos entre um andar e outro de vários shoppings centers do país. "A ideia é fazer com que as pessoas se joguem nele, em vez de ir normalmente pela escada", diz Patrícia. "É essa ideia do 'se jogar', de aproveitar a vida, que estamos querendo passar com relação ao chocolate", acrescenta. Conforme a pesquisa Target Group Index, do Ibope Mídia, 71% dos consumidores regulares de chocolate são mulheres. Esse perfil mais feminino, segundo a gerente da Kraft, também explica um pouco o novo posicionamento da marca. "As mulheres estão muito sobrecarregadas e seu lado emocional aflora mais que o do homem". O reposicionamento de Lacta acontece pouco mais de dois anos depois da rival Nestlé ter lançado a campanha "Chocolover". A fabricante suíça, na época, também fez pesquisas que indicaram a relação emocional com o produto. A Nestlé também não revela o quanto gastou no lançamento de "Chocolover", mas afirma que a campanha representou o maior investimento da área de chocolates da companhia nos últimos dez anos.Hoje, o mercado de chocolates no Brasil movimenta 152,115 milhões de quilos ou R$ 3,435 bilhões, segundo a Nielsen. Nesse cenário, a Lacta é líder no segmento de tabletes (que representa cerca de 38% do mercado total), com 33,3% das vendas em valor e 35,5% em volume. Considerando o mercado de chocolates como um todo (tabletes, bombons etc.), a Lacta está em terceiro lugar, com 34,9% das vendas em valor e 35,2% em volume, atrás da marca Garoto, que pertence à Nestlé, e da líder, Nestlé. No primeiro quadrimestre de 2011, as vendas em volume desse mercado cresceram 8,4%.
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