Páginas

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Brasileiros tinham 2ª maior fatia no exterior entre emergentes

Brasileiros tinham 2ª maior fatia no exterior entre emergentes
A exposição de bancos brasileiros no exterior alcançou US$ 84,5 bilhões no primeiro trimestre, uma alta de 32,7% em relação ao mesmo período de 2010. Os dados são do Banco Internacional de Compensações (BIS), banco dos bancos centrais.A exposição aumentou mais nos países desenvolvidos, atingindo US$ 45 bilhões, com alta de 42,8% em relação ao primeiro trimestre de 2010. Em seguida, veio a América Latina com alta de 38,8%, a US$ 16,8 bilhões. Nos centros "offshore", os bancos brasileiros tinham US$ 20,6 bilhões (+17,7%).Dos emergentes que o BIS acompanha, somente os bancos de Taiwan tinham mais engajamento externo que os brasileiros, totalizando US$ 202,4 bilhões. Os bancos do México, por exemplo, tinham apenas US$ 5,9 bilhões e os da Turquia, US$ 24,3 bilhões Por sua vez, a exposição de bancos estrangeiros no Brasil cresceu 31,1% comparado ao primeiro trimestre de 2010 e atingiu US$ 529 bilhões em março. Desse total, US$ 318,4 bilhões são créditos em moeda local fornecidos pelas filiais de bancos estrangeiros, com alta, nesse caso, de 35,4%.Em compensação, a banca espanhola tem exposição externa de US$ 1,5 trilhão, a metade da dos bancos americanos.

Instituições trazem mais US$ 7,7 bilhões em julho

Instituições trazem mais US$ 7,7 bilhões em julho
Os bancos reduziram fortemente suas posições "vendidas" (apostando na baixa do dólar) no mercado à vista de câmbio para se ajustar às novas regras de recolhimento compulsório anunciadas no início do mês. O volume das apostas dos bancos na apreciação do real caiu de US$ 14,696 bilhões, no fim de junho, para US$ 8,127 bilhões, no dia 22, segundo dados divulgados pelo Banco Central.Para fazer essa correção e escapar do compulsório - 60% do que superar o limite de US$ 1 bilhões ou o patrimônio de referência, o que for menor -, os bancos inundaram o mercado brasileiro com dólares. O fluxo de moeda estrangeira para o país somou, até o dia 22, US$ 7,693 bilhões apenas na conta financeira, que registra a movimentação para aplicações em títulos, bolsa, empréstimos externos e investimento direto. O saldo positivo nesse segmento inverteu uma tendência de três meses consecutivos de saída de recursos em montante semelhante. O fluxo entre abril e junho foi negativo em US$ 7,7 bilhões na conta financeira.Já a conta comercial continua responsável pela entrada de capital no país. O saldo no mês, até o dia 22, ficou positivo pelo quinto mês, em US$ 3,177 bilhões.Como resultado, o saldo de julho, somando as contas comercial e financeira, acumulado até a sexta-feira, chegou a US$ 10,870 bilhões. As compras do BC somaram US$ 3,301 bilhões no período.No ano, o fluxo está positivo em US$ 50,7 bilhões. No mesmo período do ano passado o volume era de US$ 3,363 bilhões.

Brasil na 5ª posição do ranking global

Brasil na 5ª posição do ranking global
O Brasil foi o quinto país que mais atraiu Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2010, mostrando um forte salto comparado à 15 posição do ano anterior. O fluxo deve continuar aumentando, com o país ocupando o quarto destino preferido pelas multinacionais para investir no período entre 2011 e 2013. No primeiro semestre, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC), as inversões no mercado brasileiro totalizaram US$ 32,4 bilhões e já há quem esteja revisando o tamanho do fluxo para algo entre US$ 60 bilhões e US$ 65 bilhões. Os dados referentes a 2010 são do Relatório Mundial de Investimentos, da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Pela primeira vez, as economias em desenvolvimento e em transição atraíram mais da metade do fluxo de US$ 1,24 trilhão de IED. A projeção para este ano é que fluxo global de IED cresça para algo próximo do US$ 1,4 trilhão, apesar das incertezas na economia global. E à medida que mais produção internacional tome o rumo das economias em desenvolvimento, as multinacionais aumentam os projetos de investimento direto nesses mercados. A ideia é abocanhar bons lucros e permanecer competitivas nas cadeias globais de produção. Isso reflete a mudança no consumo internacional.O Brasil absorveu 30% do total da América Latina no ano passado, com US$ 48 bilhões, quase o dobro dos US$ 26 bilhões no ano anterior. O estoque de investimentos diretos externos no país alcançou US$ 472,5 bilhões, dos quais US$ 187,7 bilhões entraram desde 2005. O país só ficou atrás dos Estados Unidos, China, Hong Kong e Bélgica na captação de IED no ano passado.De outro lado, empresas brasileiras têm estoque de US$ 180,9 bilhões de investimentos diretos no exterior. Desse total, US$ 69,7 bilhões foram investidos nos últimos cinco anos, num ritmo acelerado de internacionalização de vários grupos brasileiros.Diante dos resultados do primeiro semestre do ano, com a entrada de US$ 32,4 bilhões no país, a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) aumentou sua previsão para os investimentos externos no Brasil de US$ 56 bilhões para US$ 65 bilhões em 2011. "Se nós estivermos corretos e a Unctad também, isso dá uma participação de 4,4% no fluxo global. O Brasil, assim, deve dobrar sua participação em dois anos", afirma o presidente da Sobeet, Luís Afonso Lima.Em 2009, investimentos com destino no Brasil representaram 2,2% do total do fluxo global de US$ 1,114 trilhão e, em 2010, 3,9% do US$ 1,24 trilhão investido. Segundo Lima, é possível que até o fim do ano o país suba ainda mais no ranking de principais destinos de atração de capital. "Ganhamos destaque. O dinamismo da economia é um apelo especial que temos. Há alguns anos atrás, isso era impensável", diz.A entidade prevê que o Brasil, junto a outros emergentes, passará a ser, além de principal destino, origem de maioria dos investimentos diretos a partir de 2017. "Cada vez mais o destaque virá das economias em desenvolvimento", sustenta Lima.

TRF suspende tributação sobre horas extras

TRF suspende tributação sobre horas extras
Em decisão unânime, a 1 Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5 Região, que abrange seis Estados do nordeste, entendeu que não incidem contribuições previdenciárias sobre o pagamento de horas extras. Ao analisar um recurso da Fazenda Nacional contra uma empresa de Sergipe, o juiz convocado e relator do caso, Francisco Barros e Silva, considerou que, por ser verba indenizatória, a hora extra não poderia ser incluída na base de cálculo desses tributos. Para o advogado da empresa, Maurício Faro, do escritório Barbosa, Müssnich & Aragão, a decisão é um importante precedente para os contribuintes. "Esse é o primeiro entendimento de um tribunal de segunda instância", diz o advogado, que possui ações sobre o mesmo tema nas cinco regiões da Justiça Federal. No recurso, a Fazenda Nacional argumentava que apenas as remunerações previstas no parágrafo 9 do artigo 28 da Lei n 8.212, de 1991, como férias indenizadas, licença-prêmio e participação nos lucros ou resultados, poderiam ser retiradas da base de cálculo. O acórdão, publicado neste mês, foi baseado em duas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros entenderam que somente as parcelas incorporáveis ao salário sofrem a incidência de contribuições previdenciárias. Os julgamentos, no entanto, envolviam horas extras de servidores públicos. Embora considere o acórdão um avanço na discussão, o advogado Alessandro Mendes Cardoso, do escritório Rolim, Viotti & Leite Campos, lembra que os precedentes do Supremo foram aplicados para o regime privado e que o relator do caso no TRF não enfrentou essa diferenciação. "Ficará à cargo dos tribunais superiores analisarem o assunto", diz. Segundo ele, uma forma de aplicar a tese para as empresas seria recorrer ao parágrafo 11 do artigo 201 da Constituição Federal. De acordo com o dispositivo, os ganhos habituais do empregado serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária. "Não sendo habitual, a hora extra poderia ser retirada do cálculo", afirma.Outro ponto a ser analisado pelos tribunais é a separação entre o salário-hora e o adicional de hora extra. "A isenção da contribuição vale apenas para o segundo, que é a indenização", diz Leonardo Mazzillo, do WFaria Advocacia. Ainda assim, ele considera que os contribuintes têm grandes chances nessa discussão, já que a hora extra, que é uma "violação" ao direito dos empregados de cumprir o teto da jornada, terá sempre a função de indenizar, e não de remunerar.

O G-8 e o desalinhamento deste século

O G-8 e o desalinhamento deste século
Na última década, o mundo sofreu uma grande transformação: entre 2000 e 2010, a participação no PIB mundial das três principais economias emergentes - China, India e Brasil - dobrou. Tal evolução reflete não somente as mudanças que ocorrem dentro dessas economias em desenvolvimento, mas também entre elas. Mais chineses têm visitado a África nos últimos dez anos do que europeus nos últimos 400! A participação da China no comércio mundial foi de 2% em 1990, abaixo de 4% em 2000 e, agora, está em 11%. Entre 2000 e 2010, as exportações do Brasil para a China aumentaram cerca de 20 vezes - antes, a China era um pontinho distante no horizonte comercial brasileiro e hoje é seu maior parceiro comercial, superando os EUA e a UE.O otimismo nas economias emergentes contrasta com a melancolia na UE, Japão e EUA. Devido à crise na Zona do Euro, a Europa está em situação pior do que as economias do Leste Asiático na crise financeira de 1997/98, quando autoridades ocidentais expressaram descontentamento com o "capitalismo de compadres" da Ásia. O declínio da Europa como força econômica parece irreversível também por razões demográficas: a proporção dos europeus em relação à população mundial caiu de 25%, em 1900, para menos de 10% em 2011. Segundo estatísticas do FMI, a fatia do PIB mundial da Europa (em paridade de poder de compra) diminuirá de 25%, em 2000, para 18%, em 2018.Se um marciano visitasse Deauville, resort-sede da recente reunião do G-8 no final de maio, ele dificilmente teria notado essas mudanças profundas. O G-8 foi realizado na Europa, sob um presidente europeu (Sarkozy), dominado por países europeus, que apoiaram uma candidata europeia (Christine Lagarde) para suceder Dominique Strauss-Kahn, outro ex-ministro das finanças francesas, na chefia do FMI. Os europeus argumentam que a razão de se ter um líder do próprio continente se deve à tradição de haver um europeu no FMI e um americano no Banco Mundial, e ao fato de que 80% dos empréstimos do FMI são destinados à Europa, onde há maiores riscos.O desenvolvimento das sociedades depende de sua propensão a se adaptar e da qualidade de sua governança. A composição do Conselho de Segurança da ONU reflete as realidades de 1945; a OMC está estagnada e incapaz de concluir sua atual rodada de negociações (Doha).Seguindo essa lógica, um mexicano deveria ser líder do FMI na época da crise do México, um asiático no momento da crise do Leste Asiático, etc. E quanto à "tradição", bom, tradições têm de se adequar aos tempos. Sociedades incapazes de se adaptarem, inevitavelmente degeneram. Esse foi o caso da China, por cerca de 200 anos. Até que o país abraçou a globalização no final de 1970 - e não olhou para trás desde então.O desenvolvimento das sociedades depende de sua propensão a se adaptar e da qualidade de sua governança. Embora as tecnologias e os mercados tenham mudado, evoluções na governança global, com poucas exceções, não aconteceram. Enquanto as posições entrincheiradas - como a direção do FMI - foram zelosamente guardadas.A composição do Conselho de Segurança da ONU reflete as realidades em 1945; e as perspectivas de mudança são extremamente improváveis. A Organização Mundial do Comércio está estagnada e incapaz de concluir sua atual rodada de negociações (Doha), enquanto o mundo real do comércio está crescendo em inúmeras novas direções.O G-6 foi fundado em 1975 (no ano seguinte tornou-se o G-7, com o Canadá). Naquele ano, a ideia de reunir informalmente os líderes das principais economias do mundo para resolver problemas e estabelecer confiança fazia muito sentido. Após trinta anos de crescimento pós-guerra e de emprego quase pleno, a crise do petróleo de 1973 provocou enorme impacto, resultando na pior crise econômica desde a década de 1930. França, Itália, Alemanha, Reino Unido, EUA, Canadá e Japão eram, sem dúvida, os maiores poderes econômicos. China, India, Brasil e todas as outras economias emergentes, bem como os estados comunistas, não figuravam entre eles e não eram vistos em fóruns oficiais ou não oficiais (ex: Davos).Uma boa ideia em 1975, no entanto, tornou-se obsoleta em 2000. Em 2008, quando surgiu a recessão mundial, havia um elemento de inovação na primeira cúpula do G-20: em Washington, em novembro; seguida por outra reunião em Londres, em abril do ano seguinte. Ambas as reuniões do G-20 tiveram impacto na mitigação dos efeitos da "grande recessão". Esse é um bom exemplo de inovação institucional e adaptação.Desde então, porém, o G-20 tem passeado sem objetivo, com muita retórica e pouca legitimidade. Tenho comparado o G-20 com o drama do autor surrealista Luigi Pirandello, em sua peça "20 personagens em busca de um autor". Estão todos no palco, mas não têm o script.Os problemas do G-20 são agravados pela persistência do G-8. O último tem tentado se projetar como o "autêntico", ao passo que o G-20, com todos seus novos ricos - como India, China, Coreia, Brasil, México, África do Sul, Turquia, etc. - são meramente figurantes.No mundo interconectado de hoje há uma grande preocupação com o desalinhamento entre as novas realidades e as estruturas de governança obsoletas. O alicerce da economia mundial recuperou-se dinamicamente da recessão em muitas áreas do mundo, a maioria em economias emergentes. A base da governança, no entanto, permanece fraca. É provável que haja outros choques na economia global nos próximos anos. Já que tantos negócios estão se direcionando para o mundo em desenvolvimento, a abolição do G-8 e o fortalecimento do G-20 seria um passo construtivo na direção certa. Acabar com a "tradição" de um europeu chefiando imperativamente o FMI seria outro.A incapacidade de modernizar e fortalecer a governança e as instituições globais pode sair extremamente caro. É melhor agir agora. Jean-Pierre Lehmann é professor de International Political Economy no IMD e diretor fundador do Evian Group no IMD.

Por que o Brasil é campeão mundial de juros altos

Por que o Brasil é campeão mundial de juros altos
Os números fiscais brasileiros são muito parecidos com os dos Piigs em pelo menos um aspecto importante: as necessidades de financiamento do setor público (NFSP), o conceito mais amplo de déficit público, sem nenhum ajuste ou dedução, estão na faixa de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), como pode ser visto na tabela. As NFSP correspondem à soma do déficit nominal (primário mais juros) com as amortizações devidas no exercício fiscal. Os países desenvolvidos, na média, tinham, antes da crise, dívidas brutas um pouco acima de 70% do PIB e prazo médio perto de oito anos, e com isso, se tivessem déficits nominais na faixa de 2%, tinham NFSP na faixa de 10% do PIB ou menos. Depois da crise, as dívidas crescem para algo como 105% do PIB em média e os déficits aumentam de modo que passamos a observar muitos casos de países com NFSP na faixa de 15% do PIB ou mais. O panorama fiscal no mundo desenvolvido conheceu uma piora muito séria, cujas consequências de médio e longo prazo desafiam prognósticos, e aqui se omite deliberadamente o Japão para não desviar a atenção do leitor.O Brasil é um caso singular de país emergente com retrospecto ruim em matéria de dívida mas consegue manter uma dívida bruta acima de 60% do PIB em contraste com a maior parte dos países emergentes, cuja média tem permanecido na faixa de 35%. Com prazos médios na faixa de 3 anos, o Brasil faz rolagens anuais envolvendo algo como 20% do PIB a cada ano. Somando-se a isso um déficit nominal na faixa de 3% tínhamos em 2007 as NFSP na faixa de 23%. Com um tanto mais de alongamento de prazo e a manutenção do superávit primário (ainda que com alguns truques), conseguimos chegar a 19,3% para 2011, segundo a projeção do FMI, possivelmente a primeira vez que estaremos abaixo de 20% nos últimos anos. É um número muito ruim, mas que não atrai muita atenção face ao que se passa no resto do mundo.Temos hoje um modelo menos selvagem onde empurramos a conta para um ausente, as futuras geraçõesA experiência dos Piigs, que refinanciam suas dívidas em mercados internacionalizados de bônus, enfrentando investidores exigentes, mostra que os países quebram quando se rompe a confiança no processo de rolagem, o que normalmente tem a ver sobretudo com o déficit fiscal do exercício corrente e também com os juros (prêmios de risco) pagos. Os investidores aceitam emprestar para países endividados mas que geram caixa, e começam a exigir mais juro apenas quando sua confiança nos números correntes se vê enfraquecida. E como os juros maiores pioram os números correntes, não é difícil criar o círculo vicioso onde estão alguns dos Piigs.No Brasil a rolagem da dívida pública não representa problema graças ao fato de que praticamente toda a dívida é doméstica (as reservas no BC são maiores que a dívida externa pública) e ao fato de que a rolagem há anos tem lugar num ambiente semicativo onde o principal comprador é a indústria de fundos, que carrega algo como 1 trilhão em títulos públicos e operações compromissadas em fundos com liquidez diária. Por precário que pareça ao observador estrangeiro, o sistema é robusto, aguentou turbulências no passado, e não vamos ter problemas com rolagens ao menos enquanto os nossos juros continuarem sendo os maiores do mundo. Mas e o custo dessa segurança? O que aconteceria se a taxa Selic caísse muito significativamente, para um nível normal, como se espera que vá ocorrer no futuro?Teríamos, inevitavelmente, uma migração de recursos para outros ativos, as rolagens ficariam mais difíceis e o Tesouro teria problemas de caixa, especialmente se tiver que amortizar parcelas significativas da dívida que vence. A situação fiscal teria que estar muito melhor para que se pudesse reduzir os juros de forma relevante sem criar problemas sérios com a dívida pública. É fácil concluir que não se pode reduzir a taxa de juros abaixo de certo limite, provavelmente na faixa de uns 8% ou 9%, sem prejudicar o mercado semicativo no âmbito do qual temos conseguido manter em circulação durante anos a fio uma dívida relativamente grande e portanto, uma política fiscal mais frouxa que o ideal. Esta é uma forma elegante de explicar a razão pela qual o Brasil é o campeão mundial de juros: é o preço que pagamos para manter nas mãos de brasileiros que aprenderam a desconfiar do governo um volume de títulos que eles talvez não quisessem manter a juros considerados normais e a prazos que não fossem diários. É o preço que pagamos pela desordem na política fiscal que, felizmente, não é tão grande para trazer de volta a hiperinflação, mas não é pequena o suficiente para que tenhamos juros normais. Em vez de tributar o pobre com a inflação, migramos para um modelo menos selvagem onde continuamos a empurrar a conta para um ausente, as futuras gerações.

terça-feira, 26 de julho de 2011

"Podemos estar perto de reviver a crise de 1930"

"Podemos estar perto de reviver a crise de 1930"
Paul Krugman:

Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, o que está ocorrendo agora é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que alimentou a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o “impulso” que a economia precisava. Esta é uma época interessante, e digo isso no pior sentido da palavra. Agora mesmo estamos vivendo, não uma, mas duas crises iminentes, cada uma delas capaz de provocar um desastre mundial. Nos EUA, os fanáticos de direita do Congresso podem bloquear um necessário aumento do teto da dívida, o que possivelmente provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais. Enquanto isso, se o plano que os chefes de Estado europeus acabam de pactuar não conseguir acalmar os mercados, poderemos ter um efeito dominó por todo o sul da Europa, o que também provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais. Somente podemos esperar que os políticos em Washington e Bruxelas consigam driblar essas ameaças. Mas há um problema: ainda que consigamos evitar uma catástrofe imediata, os acordos que vêm sendo firmados dos dois lados do Atlântico vão piorar a crise econômica com quase toda certeza. De fato, os responsáveis políticos parecem decididos a perpetuar o que está sendo chamado de Depressão Menor, o prolongado período de desemprego elevado que começou com a Grande Recessão de 2007-2009 e que continua até o dia de hoje, mais de dois anos depois de que a recessão, supostamente, chegou ao fim. Falemos um momento sobre por que nossas economias estão (ainda) tão deprimidas. A grande bolha imobiliária da década passada, que foi um fenômeno tanto estadunidense quanto europeu, esteve acompanhada por um enorme aumento da dívida familiar. Quando a bolha estourou, a construção de residências desabou, assim como o gasto dos consumidores na medida em que as famílias sobrecarregadas de dívidas faziam cortes. Ainda assim, tudo poderia ter ido bem se outros importantes atores econômicos tivessem aumentado seu gasto e preenchido o buraco deixado pela crise imobiliária e pelo retrocesso no consumo. Mas ninguém fez isso. As empresas que dispõem de capital não viram motivos para investi-lo em um momento no qual a demanda dos consumidores estava em queda. Os governos tampouco fizeram muito para ajudar. Alguns deles – os dos países mais débeis da Europa e os governos estaduais e locais dos EUA – viram-se obrigados a cortar drasticamente os gastos diante da queda da receita. E os comedidos esforços dos governos mais fortes – incluindo aí o plano de estímulo de Obama – apenas conseguiram, no melhor dos casos, compensar essa austeridade forçada. De modo que temos hoje economias deprimidas. O que propõem fazer a respeito os responsáveis políticos? Menos que nada. A desaparição do desemprego da retórica política da elite e sua substituição pelo pânico do déficit tem verdadeiramente chamado a atenção. Não é uma resposta à opinião pública. Em uma sondagem recente da CBS News/The New York Times, 53% dos cidadãos mencionava a economia e o emprego como os problemas mais importantes que enfrentamos, enquanto que somente 7% mencionava o déficit. Tampouco é uma resposta à pressão do mercado. As taxas de juro da dívida dos EUA seguem perto de seus mínimos históricos. Mas as conversações em Washington e Bruxelas só tratam de corte de gastos públicos (e talvez de alta de impostos, ou seja, revisões). Isso é claramente certo no caso das diversas propostas que estão sendo cogitadas para resolver a crise do teto da dívida nos EUA. Mas é basicamente igual ao que ocorre na Europa. Na quinta-feira, os “chefes de Estado e de Governo da zona euro e as instituições da UE” – esta expressão, por si só, dá uma ideia da confusão que se tornou o sistema de governo europeu – publicaram sua grande declaração. Não era tranquilizadora. Para começar, é difícil acreditar que a complexa engenharia financeira que a declaração propõe possa realmente resolver a crise grega, para não falar da crise europeia em geral. Mas mesmo que pudesse, o que ocorreria depois? A declaração pede drásticas reduções do déficit “em todos os países salvo naqueles com um programa” que deve entrar em vigor “antes de 2013 o mais tardar”. Dado que esses países “com um programa” se veem obrigados a observar uma estrita austeridade fiscal, isso equivale a um plano para que toda a Europa reduza drasticamente o gasto ao mesmo tempo. E não há nada nos dados europeus que indique que o setor privado esteja disposto a carregar o piano em menos de dois anos. Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, isso é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que tornou grande a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o impulso que a economia precisava. Mencionei que o Banco Central Europeu – ainda que, felizmente, não a Federal Reserve – parece decidido a piorar ainda mais as coisas aumentando as taxas de juros? Há uma antiga expressão, atribuída a diferentes pessoas, que sempre me vem à mente quando observo a política pública: “Você não sabe, meu filho, com que pouca sabedoria se governa o mundo”. Agora, essa falta de sabedoria se apresenta plenamente, quando as elites políticas de ambos os lados do Atlântico arruínam a resposta ao trauma econômico fechando os olhos para as lições da história. E a Depressão Menor continua. Paul Krugman é professor de Economia em Princeton e Prêmio Nobel 2008.

Maioria ainda prefere fugir do risco

Maioria ainda prefere fugir do risco
Antigamente, a opção para o investidor brasileiro aplicar lá fora era mandar o dinheiro diretamente para o exterior, lembra Andrea Moufarrege, diretora do private banking do HSBC. Hoje, com as liberações feitas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é possível aplicar em fundos que tenham parcelas lá fora. Qualquer fundo pode ter 10% no exterior, parcela que sobe para 20% nos multimercados. Há ainda fundos com 100% aplicados lá fora, mas com exigência de aplicação mínima de R$ 1 milhão. Mas apesar do aumento das facilidades para aplicar no exterior, Andrea vê maior procura por investimentos no mercado local. "Há um movimento do investidor brasileiro de concentrar as aplicações para crescimento de patrimônio no mercado local, com uma migração grande neste semestre para fundos de renda fixa ou para ativos de crédito, especialmente os isentos de imposto de renda", afirma a diretora. Mesmo olhando para a renda variável apenas, Andrea observa que os mercados americanos estão mais valorizados que o brasileiro. "Até ontem, o índice Standard & Poor's 500 sobe 6,34%, o Dow Jones, 8,77%, o Dax da Alemanha, 6,22%, enquanto o Ibovespa perde 13,47%", diz. "Neste momento, temos uma perspectiva de barganha maior local do que no mercado internacional."Ela observa também que, com o real se valorizando, quem aplicou no exterior está sofrendo com as perdas cambiais nas aplicações lá fora. No ano, o dólar comercial cai 7,38%. "E a isso é preciso acrescentar a taxa de juros da Selic", diz Andrea. Segundo ela, a aplicação pode ter feito sentido em termos de diversificação. "Mas em termos de rendimento, só compensou se a aplicação lá fora foi em papéis que tivessem um super-rendimento."Uma história diferente seria a aplicação em países fora do eixo EUA-Europa, como os asiáticos. "Na Ásia, a história é diferente, temos um potencial de alta estimado em 20%, 25%, e pode fazer sentido abrir mão do custo de oportunidade brasileiro", diz. Ela admite, porém, que mesmo que as ações brasileiras estejam mais atrativas, elas terão um prazo maior para apresentar uma melhora. "Temos muitas incertezas justamente nos EUA e na Europa e as dúvidas sobre o combate à inflação aqui."

Cresce preocupação com impasse da dívida nos EUA

Cresce preocupação com impasse da dívida nos EUA
O temor dos investidores diante do impasse nos EUA quanto ao aumento do limite de endividamento federal cresceu ontem, à medida que líderes políticos americanos continuam defendendo soluções conflitantes para evitar um possível calote da dívida em agosto.A ausência de sinais públicos de progresso na solução do impasse sobre o teto da dívida emitidos pelos partidos Republicano e Democrata lançou uma sombra sobre os mercados em todo o mundo, tendo os investidores frustrados abraçado ainda mais ativos seguros.O dólar caiu para um mínimo histórico contra o franco suíço, ao passo que o ouro teve uma alta recorde. Títulos do Tesouro dos EUA com longos prazos de vencimento perderam valor, ao passo que em todo o mundo as bolsas de valores permaneceram sob pressão."O temor de uma possível ruptura da negociação sobre o teto da dívida está visivelmente contaminando os mercados", disse David Rosenberg, economista-chefe da Gluskin Sheff & Associates.O Fundo Monetário Internacional (FMI) reiterou que os EUA precisam elevar o teto de endividamento rapidamente, pois uma perda de confiança na dívida soberana americana teria efeitos graves para o resto do mundo.Os líderes republicanos na Câmara dos Deputados e líderes democratas no Senado estavam trabalhando em propostas conflitantes para elevar o teto de endividamento de 14,3 trilhões e controlar os futuros déficits americanos. Não ficou claro se as duas podem ser harmonizadas em tempo suficiente para que o Congresso vote sobre a legislação antes de 2 de agosto, data após a qual os EUA poderão deixar de honrar sua dívida e outras obrigações.Os republicanos querem elevar o limite da dívida em etapas, inicialmente apenas até o início de 2012, seguida por uma reforma mais abrangente dos gastos no longo prazo. Os democratas e a Casa Branca têm se oposto inflexivelmente a um aumento do limite de endividamento de curto prazo e querem uma solução que vigore além das eleições presidenciais de novembro do ano que vem.O plano do presidente da Câmara, John Boehner - em duas etapas -, limitar-se-ia a elevar o limite de endividamento dos EUA em até US$ 1 trilhão, e posteriormente em US$ 1,6 trilhão, de acordo com assessores republicanos citado pela Bloomberg. O plano exigiria US$ 1,2 trilhão em cortes de gastos na primeira fase e US$ 1,8 trilhão na segunda, disseram assessores.Harry Reid, líder da maioria democrata, está buscando apoio à sua própria proposta de elevação do limite de endividamento de uma só vez e, em contrapartida, redução, ao longo da próxima década, de US$ 2,7 trilhão do déficit orçamentário projetado.Nos voláteis negócios da madrugada, o rendimento dos títulos de 30 anos subiu 8 pontos base. A bolsa de Nova York fechou em queda ontem.