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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Só austeridade já não basta; país precisa de um plano radical de reformas

Desde que a crise da dívida soberana se abateu sobre a Europa, no segundo trimestre de 2010, o pesadelo que persegue as autoridades econômicas do continente é a possibilidade de a crise alcançar a Itália. Nas últimas semanas, as chances desse evento acontecer aumentaram dramaticamente. Se Roma quiser evitá-lo, medidas urgentes e decisivas são necessárias.Depois de uma pequena queda após o pânico de segunda-feira, os rendimentos dos títulos italianos voltaram a subir ontem. A Itália foi forçada a pagar 4,93%, o maior nível em três anos e um ponto porcentual a mais que há um mês, para vender títulos de cinco anos. Um leilão simultâneo de títulos de 15 anos foi o mais caro já registrado.O Estado italiano pode arcar por um tempo com o peso dos leilões caros. O perfil de vencimento de sua dívida é favorável e o custo dos rendimentos mais altos só ficaria perigoso se sustentado por um período prolongado. Mas qualquer dúvida sobre a sustentabilidade da dívida da Itália poderia prejudicar a capacidade dos bancos italianos de se financiar. Isso poderia ser sentido muito mais cedo. Quando os rendimentos disparam, uma perda de confiança pode rapidamente passar a se alimentar sozinha. Conforme a experiência da Irlanda mostra, assim que um país perde a confiança do mercado, é quase impossível reconquistá-la.Para evitar tal resultado, os líderes da Itália precisam agir rapidamente e com ousadia. O pânico de segunda-feira concentrou as atenções e o pacote de austeridade proposto por Giulio Tremonti, o ministro das Finanças, está tramitando rapidamente no Parlamento. O programa está longe de perfeito. Ele vislumbra um aperto fiscal de € 45 bilhões - ainda assim, medidas avaliadas em € 15 bilhões exigirão legislação complementar. A maior parte do aperto restante não ocorrerá antes das próximas eleições gerais, em 2013. E o plano pouco faz para estimular a taxa de crescimento anêmica da ItáliCom os mercados nervosos, o Parlamento da Itália precisa aprovar o pacote de Tremonti sem atrasos. O governo precisa, em seguida, propor as leis complementares necessárias para a sua implementação o quanto antes. Como essa implementação poderá muito bem passar para o próximo Parlamento, é crucial que a oposição também apoie as medidas.No entanto, para convencer os mercados de que é confiável, a Itália precisa mais que apenas austeridade. Roma precisa enviar uma mensagem clara sobre as suas intenções. O ideal seria a remoção de Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro, e sua substituição por um governo com um ampla base de apoio, liderado por um tecnocrata. A tentativa de Berlusconi, na semana passada, de inserir no pacote de austeridade uma medida que permitiria a uma empresa sua adiar um multa de € 560 milhões foi mais do que irresponsável. Sua disposição de colocar em risco a credibilidade fiscal do país para proteger a sua fortuna pessoal está abaixo de qualquer críticaSe, como parece provável, planejar a saída de Berlusconi está além do possível para a classe política da Itália, ela precisa encontrar outras maneiras de demonstrar sua determinação. A melhor estratégia seria complementar o esforço de austeridade de Tremonti com um programa de reformas estruturais radicais, elaborado para elevar a taxa de crescimento da economia italiana no longo prazo.Um lugar óbvio para começar é a falta de competição em várias atividades profissionais no país. Elas precisam ser liberalizadas. Infelizmente, uma tentativa de reformar a advocacia esta semana soçobrou aos interesses próprios dos advogados no Parlamento. Mas a postura estava certa e deveria ser repetida. Em segundo lugar, o rígido mercado de trabalho da Itália, que prejudica a produtividade italiana, precisa ser reformulado.Terceiro, o sistema legal pesado, que impõe custos enormes às companhias que o usam, precisa ser reorganizado. É uma desgraça que os esforços de Berlusconi nessa direção tenham sido quase que totalmente elaborados para a proteção de seus próprios e complicados interesses.As reformas estruturais inevitavelmente levarão tempo para surtir efeito e não serão populares. Mas se a Itália quiser reconquistar a confiança dos mercados, elas são indispensáveis. Num mundo ideal, Silvio Berlusconi, o errático primeiro-ministro do país, iria embora.

Nos EUA, mais um risco para a economia global

Nos EUA, mais um risco para a economia global
Os holofotes internacionais estão voltados para a Itália e demais atores do palco do euro, mas os Estados Unidos não estão em melhor situação. A maior economia do planeta está a cerca de 15 dias do prazo final para elevar seu limite de endividamento e ainda não há sinais de que o governo de Barack Obama chegará a um acordo com o Congresso. As agências de rating já ameaçam rebaixar a avaliação do país e, apesar de terem sua credibilidade profundamente arranhada na crise internacional, conseguem tumultuar os mercados. A taxa de desemprego voltou a aumentar e a política de afrouxamento da liquidez pode ser retomada.Nos últimos dias surgiu a proposta meia-sola do líder dos republicanos, senador Mitch McConnell, que pode evitar o calote americano. A ideia é permitir que o governo ganhe fôlego para cobrir as obrigações que vencem até o próximo ano, sem necessitar autorização do Congresso, desde que corte o orçamento em igual montante. Os primeiros números na mesa indicam que o teto do endividamento, atualmente de astronômicos US$ 14,3 trilhões, pode aumentar em US$ 2,4 trilhões. Apesar das questões constitucionais a serem superadas para que a proposta fique de pé, essa parece uma saída possível, já que está difícil um acordo entre o governo e a oposição a respeito de uma redução mais ampla de despesas. A linha dura americana, assim como a europeia, parece não ver quão próxima está do precipício.O pano de fundo são as difíceis condições da economia. Nos Estados Unidos, os esforços feitos para salvar os bancos e as montadoras e tentar reanimar os negócios levaram o déficit público de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007, antes da crise, para 12,7% no ano passado e ao redor de 11% atualmente. A dívida pública, que era equivalente a 62,2% do PIB, agora praticamente se iguala a ele. Até o Fundo Monetário Internacional (FMI) puxou as orelhas de Washington, como faria com um mercado emergente. No mais recente relatório de avaliação do país, o Fundo disse que a dívida americana é um risco para a economia global e que falta um plano de ajuste fiscal de médio prazo. Além disso, criticou o uso prolongado da política de injetar dinheiro no mercado para reanimar a economia. O afrouxamento quantitativo ("quantitative easing", ou QE) promovido pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) inundou o mundo de dólares. Com a compra de títulos em circulação, o Fed injetou US$ 2 trilhões na primeira etapa e US$ 600 bilhões na segunda, concluída em junho. Essas operações foram criticadas pelos emergentes como o Brasil não só por desvalorizar o dólar como também por originar um turbilhão de capital especulativo. Em busca de melhores retornos, esse capital se movimenta pelo mundo, contribuindo para apreciar a moeda dos países onde se aloja, como o real, e as commodities. O afrouxamento quantitativo parecia ter sido posto de lado na última reunião do Federal Open Market Committee (Fomc, o Copom americano), realizada em junho, quando apenas se decidiu manter no mesmo tamanho a carteira de US$ 2,6 trilhões em títulos que estão no balanço do Fed, reinvestindo os recursos apurados com as amortizações; e continuar com os juros no patamar estabelecido desde 2008, entre zero e 0,25%.Mas o presidente do Fed, Ben Bernanke, em pronunciamentos no Congresso americano, nesta semana, voltou a considerar a possibilidade de retomar as injeções de dinheiro e o eventual lançamento do QE3. A reação tímida da economia americana, que ressuscita o temor de um duplo mergulho, e a mudança do cenário global certamente estão por trás da revisão de estratégia. O próprio Fomc já reduziu a previsão de crescimento da economia americana neste ano de 3,1% a 3,3% para 2,7% a 2,9%. No primeiro trimestre, o crescimento anualizado foi de apenas 1,9%, desempenho inferior ao registrado em 2010, quando a economia cresceu 2,8%, e dos 3,5% projetados pelo mercado no início do ano.Um crescimento da economia inferior a 2% é insuficiente para absorver os jovens que entram anualmente no mercado de trabalho. Por isso, a taxa de desemprego, que chegou a recuar para 8,8% no início do ano, acaba de subir para 9,2%. O aumento do preço do petróleo e o terremoto no Japão tiveram impacto negativo na economia americana, no início do ano. Mas a turbulência na Europa também afeta os negócios. Sinal disso é que o Fed mudou seu discurso depois do acirramento da crise europeia nos últimos dias.

À espera do dia em que a China tomará café -

À espera do dia em que a China tomará café -
Café ainda espera pelo `efeito China` O velho sonho de todo produtor de café, de que cada chinês tome ao menos uma xícara da bebida por dia, ainda está longe de virar realidade. Ao contrário do que se pode avistar em quase todas as commodities, da soja ao petróleo, o efeito da demanda chinesa sobre esse mercado ainda beira a irrelevância. Nos últimos anos, foram os consumidores tradicionais - Europa, Estados Unidos e Japão - os grandes responsáveis pelo aumento nas exportações brasileiras da mercadoria, que bateram recorde na temporada 2010/11. De acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), entre 2002 e 2010, os embarques domésticos cresceram 23% para a Alemanha, 34% para o Japão, 36% para a Itália, 95% para os EUA e 130% para a Bélgica. Juntos, esses países representaram mais de 60% das 33 milhões de sacas exportadas em 2010, participação idêntica à observada no início da série. Embora as exportações globais tenham crescido apenas 8% nesse período, o volume carregado nos portos brasileiros cresceu em quase 80%, aproveitando-se das lacunas abertas por Colômbia e países da América Central, tradicionais fornecedores de café de qualidade. Os embarques para a China praticamente dobraram entre 2002 e 2008, é verdade, mas ainda não passaram de 40 mil sacas, o que equivale a 0,1% das exportações totais ou a menos de um dia de consumo no Brasil. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os chineses devem importar cerca de 675 mil sacas de café na safra 2011/12. Não há estatísticas confiáveis, mas fontes do setor estimam que o consumo naquele país não passe de 1 milhão de sacas. Muito pouco para o país que se tornou o grande motor da economia mundial."Sempre tive os pés no chão em relação à China. É um país muito grande, com uma forte tradição de chá, e vai levar algum tempo até se introduzirem os valores e modas ocidentais", afirma José Sette, diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC). Segundo ele, o consumo naquele país ainda se concentra basicamente entre turistas e estrangeiros residentes.A barreira cultural ainda é forte, especialmente entre os mais velhos. Em 2005, a Cooxupé e a belga CPE Exibition abriram duas cafeterias em Xi'An, cidade com mais de 5 milhões de habitantes, com o objetivo de promover a bebida, mas o negócio não prosperou e fechou as portas menos de dois anos depois."Não tínhamos conhecimento suficiente sobre o mercado chinês e fizemos uma escolha equivocada. Xi'An ainda é uma cidade muito fechada, deveríamos ter ido logo para Pequim", explica Lúcio Dias, superintendente comercial da cooperativa. "Sou otimista em relação à China, mas esse é um namoro que vai demorar um pouco para fazer noivado". "Todo país que tem o hábito cultural de tomar chá acaba se adaptando ao café, como demonstra a experiência da Inglaterra e do Japão", observa Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes. A aposta é de que os jovens urbanos, frequentadores de bares e restaurantes, irão, aos poucos, introduzir a cultura do café também nos lares. A rede de cafeterias Starbucks, que desembarcou na China há 11 anos, pretende chegar a 2015 com mais de 1,5 mil lojas abertas no país. De olho nessa tendência, o diretor geral do Cecafé, Guilherme Braga, acredita que o consumo chinês pode chegar às 10 milhões de sacas anuais até o fim da década, superando o Japão. Mesmo assim, nada garante que o gigante asiático se tornará em um grande importador do Brasil. "Não se pode descartar que eles se tornem um produtor importante ou venham a estimular a produção nos países periféricos, como Vietnã, Indonésia, Laos e Tailândia", alerta.

Cenário de importação de café continua a ser observado

Cenário de importação de café continua a ser observado
Ricardo Setti
País subdesenvolvido é, entre outras coisas, aquele que exporta matéria-prima e importa produtos industrializados — muitas vezes, produtos feitos com a própria matéria-prima que exportou, não é mesmo? O Brasil, felizmente, já deixou de ser subdesenvolvido, não é mesmo? Mas, não fosse séria, a gritaria da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) seria para rir: os industriais brasileiros estão chiando porque sobem vertiginosamente as importações brasileiras de… café. Bem, café processado, mas café, de que o país é o maior produtor do mundo. Só no primeiro semestre, as importações subiram 114% em relação ao primeiro semestre de 2010. O Brasil importa café processado, vejam vocês, principalmente de 3 países ricos que não produzem um só grão: Suíça, Grã-Bretanha e Itália. O pior é que esse café importado pelo país é, em boa parte, café… brasileiro. O rolo se explica: os três países europeus compram café do Brasil, da Colômbia, da Jamaica (produtora de cafés finíssimos) e de produtores africanos para misturá-lo em diferentes proporções, conforme a procedência, torrá-lo, moê-lo e processá-lo como artigo de luxo, de grife — e é assim que ele volta a “este país”. A chiadeira dos industriais brasileiros de café é inteiramente procedente. As indústrias do país dispõem de tecnologia de ponta e podem fazer produtos de altíssima qualidade, mas são impedidas por uma medida burocrática burra — para variar, o governo atrapalha quem quer trabalhar: elas são proibidas de importar cafés finos em grãos, para misturá-los com diferentes tipos de café brasileiros e transformá-los em produtos de grife, exportáveis e passíveis de gerarem divisas. É que os doutores do Ministério da Agricultura não fazem análise de “risco de praga” sobre o chamado café “verde”. Como não fazem, não deixam importar. A Abic diz que o café processado importado faz concorrência desleal com produtos brasileiros, e tem razão.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Em sessão técnica e corretiva, café tem bons ganhos na ICE

Em sessão técnica e corretiva, café tem bons ganhos na ICE
Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quarta-feira com bons ganhos, em uma sessão tecnicamente positiva, com várias recompras de especuladores e fundos sendo reportadas. Após as várias perdas recentes, o mercado voltou a mostrar consistência, com os compradores voltando a demonstrar força. O cenário externo, que tanto pressionou os preços recentemente, teve um dia diferenciado. As commodities, em geral, registram bons ganhos e o dólar registrou baixas em relação a uma cesta de moedas internacionais. Tal cenário favoreceu novas aquisições no setor cafeeiro, que voltou a registrar força e fez com que a posição para entrega em setembro flutuasse, mais uma vez, dentro do intervalo de 260,00 centavos de dólar por libra peso. No encerramento do dia, o setembro em Nova Iorque teve alta de 610 pontos com 263,95 centavos, sendo a máxima em 266,20 e a mínima em 258,25 centavos por libra, com o dezembro registrando oscilação positiva de 580 pontos, com a libra a 267,60 centavos, sendo a máxima em 269,65 e a mínima em 261,90 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição setembro registrou alta de 40 dólares, com 2.331 dólares por tonelada, com o novembro tendo ganho de 41 dólares, com 2.360 dólares por tonelada. De acordo com analistas internacionais, o setembro conseguiu apresentar uma boa reversão de cenário nesta quarta-feira e assim registrar altas consideráveis, o que, tecnicamente, pode ser um indicativo de que a correção para baixo das sessões recentes se estancou. Em um possível cenário de continuidade de altas, a possibilidade é de o mercado buscar os níveis de alta do último 7 de julho, em 271,90 ou 272,00 centavos por libra. Olhando a atual linha técnica, um potencial referencial bullish (altistas), na formação vela japonesa "morning star", pode ser visto no gráfico candlestick. As "velas japonesas" são uma das mais antigas referências gráficas de preço e são baseadas em abertura em alta e fechamento em baixa. O padrão "morning star" é uma formação de três dias, que é considerada o maior botton de reversão do tal padrão, de acordo com a metodologia candlestick. No primeiro dia, 11 de julho, se viu uma grande queda no dia. O segundo dia, 12 de julho, observou um pequeno "corpo real", ou uma faixa estreita entre a abertura e fechamento. Finalmente, a terceira sessão se mostrou bullish (altista), que foi o desdobramento verificado nesta quarta-feira. Outros fatores técnicos altistas estão nas liquidações dentro de 12 de julho, que fica abaixo do nível chave de 61,8% do suporte, entre o patamar de 23 de julho e o rally de 7 de julho, sendo que o índice de força relativa, que é um indicador muito usado no mercado, demonstrou uma característica de alta. Dave Toth, diretor técnico da R.J. O'Brien, indicou que os ganhos desta quarta completaram um quadro de retração que vem se formando desde alguns rallies neste julho. No dia 12 deste mês, por outro lado, o primeiro contrato bateu em 254,55 centavos, nível que agora é considerado um parâmetro de risco para novas perdas, ao passo que no lado de alta o mercado pode tentar buscar um nível de 272,00 centavos. "Temos alguma divergência altista, com suporte para altas para o mercado", disse o especialista, que crê na busca, nos próximos dias, do nível de 272,00 centavos, ao passo que potencialmente seria possível ainda uma tentativa para o intervalo de 3 de maio, quando se verificou a máxima de 14 anos, em 311,40 centavos por libra. As exportações de café do Brasil em julho, até o dia 12, somaram 473.276 sacas, contra 345.178 sacas registradas no mesmo período de junho, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 7.996 sacas indo para 1.591.976 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 14.921 lotes, com as opções tendo 3.837 calls e 1.032 puts. Tecnicamente, o setembro na ICE Futures US tem uma resistência em 266,20, 266,50, 267,00, 267,50, 268,00, 268,50, 269,00, 269,50, 269,90-270,00, 270,50, 271,00 e 271,50 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 258,25, 258,00, 257,50, 257,00, 256,50, 256,00, 255,50, 255,10-255,00, 254,55-254,50, 254,00, 253,50, 253,00 e 252,50 centavos por libra.

QE3 - Fed está disposto a ligar impressora de dólar

Dados da China e discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), banco central americano. Esses dois assuntos foram repetidos à exaustão para explicar o dia de tomada de risco ("risk on") que os mercados globais tiveram ontem.No entanto, nenhuma das duas notícias é 100% positiva.No caso da China, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 9,5% no segundo trimestre do ano e o avanço acima do previsto das vendas no varejo e da produção industrial em junho acabam com a ideia de que o Banco Central estaria próximo de encerrar o ciclo de aperto monetário, seja via aumento de compulsório ou taxa de juros. Câmbio local segue apreensivo com chance de medidasA economia chinesa desacelera, mas nem tanto, e a inflação ao consumidor segue no maior patamar em três anos, em 6,4%.Depois da ata inconclusiva, o presidente do Fed, Ben Bernanke, saiu de cima do muro e caiu para o lado mais condizente com sua biografia. Mesmo reafirmando que os choques que tiram força da economia são passageiros, indicou que o Fed está pronto para atuar - se necessário, claro. As ferramentas podem ser novas e não testadas, ou a já conhecida compra de títulos do Tesouro.A melhor forma de medir a reação a esse tipo de aceno é o preço do dólar. O Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, caiu 1,12%, para 74,96 pontos.Nada surpreendente tendo em vista que a fala de Bernanke pode ser traduzida da seguinte forma: "estou disposto a religar a impressora de dólares".Esse tipo de aceno também pode levar o mercado a adotar o comportamento esquizofrênico já visto anteriormente de comemorar dados ruins de atividade nos EUA. Afinal de contas, são eles que vão levar o Fed do discurso à ação.No entanto, conforme já discutido outras vezes, o uso de tal ferramenta tem vida curta. O aumento da oferta de dólares estimula as aplicações em commodities (que cada vez mais são um ativo financeiro com menor elasticidade preço/demanda). Commodities caras inibem o consumo e geram inflação. Com isso, a retomada perde força e o ciclo começa novamente.Para um gestor que prefere não se identificar, esse aceno de que o Fed está disposto a injetar mais liquidez no mundo também pode beneficiar os endividados países europeus. Sempre que o dólar sobe (indicando redução de liquidez) os problemas na zona do euro se agravam. Falando em zona do euro, a Fitch cortou a nota da Grécia para "CCC", algo como "extremamente especulativo". Até aí sem grandes novidades.Resolvida a questão do Fed, que é sempre solícito em atender as necessidades do mercado, o foco deve recair cada vez mais sobre a questão do teto do endividamento federal americano. Se um acordo não for atingido até 2 de agosto, os EUA entram em default.É evidente a politização do assunto entre Democratas e Republicanos, e, lá no fundo, todos acreditam que o problema será resolvido, mesmo que em cima da hora. Mas como a estupidez não tem limites, ainda mais na política, é bom se precaver.É mais ou menos isso que a Moody's disse, ontem, ao colocar o rating soberano dos EUA sob revisão para possível rebaixamento. Antes disso, a Standard & Poor's já tinha lançado uma ameaça de corte da nota "AAA" para "D" de default.Para a Moody's, há um pequeno, mas crescente risco de calote, mesmo que de curta duração, em função da demora em se elevar o teto de endividamento de US$ 14,3 trilhões.O Tesouro americano saiu correndo e minutos depois de divulgada a ação da Moody's, capitalizou politicamente o tema, apontando que esse é um bom sinal para o Congresso agir tempestivamente.Por aqui, o mercado de câmbio continua cinza. As notícias indicando que novas medidas podem ser anunciadas seguem em pauta. E como não poderia ser diferente, o mercado reage com ceticismo, apontando que elas teriam pouco efeito, pois o problema é mesmo estrutural: juros altos. Além do que, a criatividade quando, se trata de ganhar dinheiro, não tem limites.O dólar comercial fechou com baixa de 0,37%, a R$ 1,574 na venda. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar para agosto recuava 0,28%, a R$ 1,582, antes do ajuste final.O dia também contou com um novo leilão de swap cambial reverso (operação que equivale à compra de dólares no mercado futuro). Dos 30 mil contratos ofertados, apenas 38% foram colocados, movimentando US$ 563 milhões. Com esse já são 21 leilões de swap no ano, que somam US$ 15,8 bilhões.

QE3 - Bernanke reacende apetite por risco Ben Bernanke,

QE3 - Bernanke reacende apetite por risco Ben Bernanke,
o presidente do Federal Reserve (Fed), ajudou ontem a alimentar um rali dos ativos de risco, depois de ter aventado a possibilidade de novos estímulos à economia dos Estados Unidos, desviando as atenções do mercado dos temores persistentes com a crise da dívida soberana da Europa.Os mais otimistas também foram encorajados por dados maiores que os esperados sobre o crescimento da China, que segundo analistas diminuíram os temores de uma "aterrissagem violenta" da economia do país.No entanto, as preocupações com a dívida da zona do euro não desapareceram, uma vez que os preços dos bônus do governo irlandês caíram - elevando os rendimentos para níveis recordes -, depois da decisão tomada pela agência Moody's Investors Service na terça-feira de rebaixar a nota do país para o nível "junk".Mas os mercados se mostraram mais do que satisfeitos em se concentrar nas notícias positivas sobre a recuperação econômica. Bernanke, num pronunciamento preparado ao Congresso, disse que o Fed está pronto para adotar novas medidas que estimulem o crescimento- incluindo novas compras de títulos do governo, ou afrouxamento quantitativo -, se a fraqueza econômica se mostrar mais persistente que o esperado."Três meses atrás todas as atenções estavam sobre o fim das políticas heterodoxas; agora Bernanke menciona a possibilidade de um terceiro afrouxamento quantitativo", disse Paul Meggyesi, estrategista de câmbio do J.P. Morgan.Analistas notaram que os mercados preferiram em grande parte ignorar o comentário posterior de Bernanke de que é também possível que a economia americana evolua de uma maneira que garanta a adoção de uma política menos acomodatícia.Dan Greenhaus, principal estrategista global da BTIC, disse: "Na verdade, tudo que o Fed tem feito, ou está fazendo, é dizer que 'se as coisas derem errado, isso é o que poderemos fazer. Mas se as coisas melhorarem, isso é o que poderemos fazer'. Poderíamos afirmar que Bernanke está apenas oferecendo uma avaliação equilibrada sobre a situação, apontando para as opções do Fed em cada um dos cenários".A avaliação otimista sobre o pronunciamento de Bernanke reforçou o apetite pelo risco, que havia sido estimulado pelos dados sobre a economia da China. O crescimento real do PIB do país no segundo trimestre diminuiu para 9,5%, em comparação ao mesmo período do ano passado, sendo que o crescimento no primeiro trimestre do ano foi de 9,7%. O número do segundo trimestre foi melhor que o esperado pela maioria dos economistas.Jian Chang do Barclays Capital disse que o dado deu suporte à visão de que a economia continua a caminho de um crescimento de 9% em 2011, embora as incertezas quanto a demanda externa representem alguns riscos."A política [monetária] continuará pendendo ao aperto por algum tempo - dados os riscos persistentes de inflação -, mas acreditamos que a probabilidade de um aperto excessivo é pequena porque o governo está ciente desses riscos e provavelmente vai tolerar uma inflação um pouco maior em 2011."Ontem, os mercados de ações dos Estados Unidos e da Europa reagiram, após três dias de quedas. Por volta do meio-dia em Nova York o índice Standard & Poor's subia 1,2%, enquanto o FTSE Eurofirst 300 avançava 0,7%. O índice Vix, visto como um indicador da aversão ao risco, caiu quase 8%.No mercado de câmbio, o euro foi cotado acima de US$ 1,41, com a moeda americana sofrendo uma queda ampla, principalmente contra as moedas mais arriscadas, que dependem muito das commodities, como o dólar australiano.Nos mercados de commodities, a fraqueza do dólar, a possibilidade da política monetária dos EUA permanecer acomodativa e a persistência dos temores com a dívida da zona do euro ajudaram a levar o preço do ouro a um novo patamar recorde de mais de US$ 1.585 a onça.A prata subiu quase 6%, enquanto o petróleo do tipo Brent avançou US$ 1,75 para US$ 119,50, beneficiado ainda mais por um relatório que mostrou uma queda nos estoques de petróleo bruto dos EUA na semana passada.Os bônus referenciais dos EUA e da Alemanha caíram, com o rendimento dos Treasuries de 10 anos subindo 6 pontos-base para 2,94%, e o dos Bunds avançando 4 pontos-base para 2,75%. O rendimento do título de 10 anos do governo irlandês subiu 80 pontos-base para 14,29%, mas os títulos de dívida da Itália e da Espanha passaram por uma trégua, depois da onda recente de vendas. A agência Fitch disse que a Itália poderá continuar mantendo sua nota de crédito se cumprir suas metas fiscais.

Crise se aproxima da Itália e UE flerta com o desastre

Crise se aproxima da Itália e UE flerta com o desastre
As sucessivas tentativas de resolver a crise grega, envoltas em má vontade, divergências, paliativos e planos mal concebidos, acabaram por colocar a terceira maior economia da zona do euro à beira de um desastre. Com isso, a crise deixa a periferia da união monetária e caminha para seu centro - uma enorme mudança de qualidade, para pior, do cenário econômico e institucional na zona do euro. Hesitação e complacência contribuíram para que se criasse, com a deterioração acentuada das expectativas do mercado, a maior ameaça à existência da moeda comum desde sua criação, em 2000.Itália e Espanha são grandes demais para ruírem e também para serem socorridas. A dívida italiana em poder do mercado é de US$ 2 trilhões, com cerca de US$ 500 bilhões nas mãos de não residentes. Os bancos europeus têm exposição de US$ 327 bilhões em títulos soberanos do país e mais US$ 256 bilhões em congêneres espanhóis. Os débitos italianos corresponderão a 120% do PIB do país este ano, com um avanço desprezível sobre a situação do ano passado. Ainda assim, a situação italiana é mais sólida do que a de seus companheiros de infortúnio. O déficit público declinou de 5,3% do PIB em 2009 para 4,52% em 2010, com os menores gastos reais primários desde os anos 90. O indicador deve chegar a 3% em 2012 e perto do zero em 2014, se um pacote de austeridade de US$ 55 bilhões for aprovado em tempo recorde pelo Parlamento na sexta-feira. A bagunça crônica da política italiana contribuiu para elevar em alguns graus a fervura dos mercados. O partido do premiê Silvio Berlusconi vem colecionando derrotas nas urnas e Berlusconi anda às turras com o ministro das Finanças, Giulio Tremonti, entre outras coisas porque o pacote de austeridade deprime ainda mais as chances de vitórias eleitorais do governo. Berlusconi se convenceu de que não há outro caminho agora e pediu sacrifícios à população, que ela terá mesmo de fazer. O pacote é regressivo, com a maior parte da conta recaindo sobre as camadas de renda mais baixas. A esperança dos analistas é a de que a histórica blindagem do Tesouro em relação às estripulias dos políticos prevaleça, embora ela venha sendo erodida há tempos. Na largada do euro, a Itália pré-Berlusconi tinha um superávit primário de 5,5% do PIB. A aprovação do pacote, diante da ameaça de um desastre econômico, é vital e deve ocorrer.Mas a parte mais importante da história se desenrola fora da Itália. A cada pacote mal costurado lançado pelas autoridades da zona do euro para aliviar a situação da Grécia, mais as coisas pioram. Está claro que apenas despejar dinheiro não resolverá o problema da crise dos países da periferia do euro e a reunião de ministros das Finanças da zona na sexta-feira pode começar, com muito atraso, a alinhavar soluções mais duradouras. Aparentemente, os governos da união monetária resolveram ceder diante da pressão alemã para que os credores arquem com uma parte da conta da dívida grega, renovando prazos dos débitos voluntariamente e aceitando algum desconto. Por outro lado, os alemães cederam e aceitaram que o fundo de estabilização de € 440 bilhões (US$ 622 bilhões) possa ser utilizado na compra de títulos soberanos dos países sob intensa desconfiança dos mercados. Um semicalote em uma dívida que não poderá de qualquer forma ser paga nos termos atuais, mais a compra das dívidas pelo fundo de estabilização fariam com que os Estados da união monetária assumissem conjuntamente a dívida soberana dos países em dificuldades, apropriando-se também do deságio de mercado e abatendo o peso dos débitos dos governos socorridos. As agências de classificação de riscos, que falharam pavorosamente antes da crise financeira de 2008, rebaixarão à vontade os títulos da Grécia, mas o fato é que, se os ministros reunidos em Bruxelas quiserem, as dívidas estarão garantidas pela União Europeia e o risco da insolvência será afastado. Esse é um arranjo que poderia ter sido acordado desde o início, quando já era clara a magnitude do problema das dívidas soberanas, e é capaz de reverter a crise por algum tempoCom a socialização das dívidas pelos governos, resta ao bloco caminhar para uma política fiscal comum, que permita aos governos perdulários em apuros pagar em melhores condições suas contas. A alternativa a isso será o caos e uma implosão na união monetária.

Com impasse, Moody`s põe sob revisão o rating dos EUA

Com impasse, Moody`s põe sob revisão o rating dos EUA
A Moody's, empresa de classificação de risco, colocou a nota de crédito do governo dos Estados Unidos em revisão para um possível rebaixamento. A decisão foi tomada em meio a uma arrastada negociação entre o governo do presidente Barack Obama e o Congresso americano em relação ao aumento do teto de endividamento do governo - que atualmente está em US$ 14,3 trilhões.É a primeira vez desde 1995 que a classificação "Aaa" da dívida americana é colocada em revisão. Instituições financeiras ligadas diretamente ao governo, como a Fannie Mae e Freddie Mac, também terão suas notas revisadas, disse ontem a Moody's. O anúncio foi feito no mesmo dia de em que uma pesquisa da Reuters/Ipsos mostrou que os americanos estão profundamente pessimistas em relação ao futuro da economia. A parcela dos entrevistados que dizem que acreditar que o país está num caminho errado subiu de 60% em junho para 63% este mês. As incertezas sobre o desempenho da economia - ainda longe de uma recuperação plena depois da crise financeira - e o impasse em relação ao limite de endividamento parecem pesando nas avaliações dos americanos.A pesquisa mostra, no entanto, que os eleitores estão divididos em apontar responsáveis pelo pessimismo. A fatia dos que apontam o dedo para Obama oscilou um ponto percentual para baixo, ficando em 49% em julho.