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quarta-feira, 29 de junho de 2011

A desindustrialização que ameaça o Brasil

A desindustrialização que ameaça o Brasil

O Brasil festeja a escolha para sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Comemora o fato de ter saído incólume da crise financeira mundial, e a perspectiva de que a economia continue crescendo. Tudo isso é positivo, mas o país ainda possui deficiências estruturais que precisam ser atacadas agora. Veja o que está acontecendo na indústria.Neste momento, o Brasil corre o risco de se transformar apenas em um grande revendedor de produtos tecnológicos e se desindustrializar. Para se chegar a essa conclusão, a conta é simples: importamos muito mais produtos com alguma tecnologia agregada do que exportamos.Hoje o déficit de tecnologia do Brasil cresce cerca de 20% ao ano. Caminha para ultrapassar os US$ 100 bilhões em 2011. Muitas fábricas - de chips a eletroeletrônicos completos - abriram mão de parte de sua produção. Se antes fabricavam o produto do começo ao fim, agora importam, principalmente da China, uma parte de seus componentes. Os preços são mais baixos do que se fossem produzidos aqui.Os chineses tiram proveito da decisão de empresários ocidentais que preferem terceirizar a produção para ficar apenas com a parte que "agrega valor" à sua marca.As empresas e os empresários ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares, interessados apenas no lucro imediato e a qualquer preço, mesmo ao custo do fechamento de suas fábricas e do brutal desemprego. É o que se pode chamar de "estratégia do avestruz". O boom de empregos gerados atualmente acontece em setores de produtos com baixo valor agregadoO problema é que essa atitude não agrega valor, muito menos ao Brasil, um país que ainda tem muito a fazer para conquistar seu espaço no mercado mundial e está longe de oferecer aos brasileiros, de todas as classes sociais, condições de vida comparáveis às dos chamados países do primeiro mundo. Enquanto os empresários ocidentais terceirizam as táticas e ganham no curto prazo, a China assimila essas táticas, cria unidades produtivas de alta performance e vai dominar o mercado de produtos de massa no longo prazo.A substituição da produção local pela importação de produtos chineses - sejam eles componentes ou mercadoria acabada - leva, a longo prazo, ao sucateamento do parque industrial brasileiro.A magnitude dos números é um bom exemplo: se uma fábrica brasileira produz um milhão de unidades do produto X, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões de unidades. A qualidade dos dois é equivalente, mas a velocidade de produção e atendimento que a China oferece são impressionantes.Os chineses colocam qualquer produto no mercado, em qualquer lugar do planeta, em semanas, com os preços que são uma fração dos praticados aqui.Com a importação dos produtos chineses, o preço do produto final cai, o que é bom para o consumidor, mas é péssimo para o trabalhador brasileiro que, no final das contas, perde seu emprego para um trabalhador chinês.No Brasil, o boom de empregos gerados atualmente acontece em setores de produtos com baixo valor agregado. Ou seja, onde se contrata mão de obra barata e de baixa qualificação.Recebemos só neste primeiro trimestre de 2011 investimentos da ordem de US$ 17,5 bilhões.Mas eles não se refletem em ganhos em tecnologia já que o déficit, nesse setor, não para de crescer. Uma parte desse dinheiro estrangeiro pousa no país, atraída pelos ganhos financeiros proporcionados pelos juros altos. E a fatia que vai para instalação de fábricas repete o modelo prejudicial ao Brasil: são empresas que importam componentes e produtos acabados de fora - ou seja, são apenas montadoras e maquiadoras de produtos.É esse modelo que precisa ser revisto. Se mantido o atual perfil de investimento em produção, num futuro próximo a China se mostrará ainda mais inalcançável.Veremos os produtos chineses aumentando os seus preços, com as empresas produzindo um choque de produtos de valor agregado, como aconteceu com o choque do petróleo nos anos 70. E aí já será tarde demais. O mundo então perceberá que reerguer as suas fábricas terá um custo proibitivo e irá render-se ao poderio chinês; pois, alimentou um enorme dragão e acabou se tornando refém da criatura.O resultado desse modelo é desastroso. Num ranking global de competitividade, que mede o ambiente de negócios de uma nação, o Brasil, que é a oitava economia do mundo, ficou em 44 lugar, perdendo seis posições em relação ao levantamento do ano passado.O estudo foi feito pelo Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Administração, da Suíça, em parceria com a Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais. Fomos ultrapassados por países como Peru, Filipinas, Turquia e Emirados Árabes.E o ciclo é vicioso, já que quanto mais se importam produtos de tecnologia agregada, menos precisamos da nossa mão de obra especializada, colocando nossos jovens qualificados com dilema difícil, ou se sujeitam a ficar no Brasil em funções aquém de sua capacidade ou vão buscar alternativas em outros países.O cenário nos coloca a perspectiva de o Brasil se tornar um país importante, entre as cinco economias mais poderosas do mundo, mas sem liderar seu próprio desenvolvimento tecnológico. É isso que queremos? Certamente não.Nossas deficiências não são novas e estão aliadas a dificuldades igualmente antigas, como um câmbio que favorece a importação de peças e componentes, a alta carga tributária incidente sobre a produção e uma legislação trabalhista ultrapassada. Sem contar a burocracia e a ineficiência do setor público que ano após ano seguem inalteradas.Muitos desses acertos podem ser feitos de imediato, mesmo sem as famosas mudanças estruturais. É possível ajustar tarifas para que o Brasil importe o que necessita e abra espaço para o uso de tecnologia na produção local. A carga tributária pode ser usada como mecanismo de incentivo a quem investe em pesquisa & desenvolvimento. A burocracia pode ser reduzida, com mais agilidade para quem quer fazer negócios. Tudo isso sem contar que a legislação trabalhista precisa ser modernizada e o setor público carece de um choque de eficiência.Sem que nada disso se altere, a perspectiva é preocupante para a indústria brasileira. Reflitam, corremos ou não o risco da desindustrialização?José Milton Dallari, ex-secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, integrante da equipe que implantou o Plano Real. É sócio da Decisão Consultores.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Mercado fica atento ao clima e ICE tem dia de forte ganho

Mercado fica atento ao clima e ICE tem dia de forte ganho

Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US tiveram uma terça-feira de ganhos significativos, com o acionamento de várias ordens de vendas especulativas e de fundos, o que fez com que a posição setembro flutuasse durante todo o dia dentro do range de 250,00 centavos. Depois de uma abertura fraca, com algumas perdas chegando a ser reportadas, o mercado passou a ser fortalecido com várias compras especulativas e, posteriormente, stops, o que consolidou o cenário de ganhos. O fator climático voltou a ganhar força no mercado. Algumas geadas, ainda que leves, foram verificadas em zonas cafeeiras do Paraná, centro-oeste de São Paulo e, em menor grau, Minas Gerais. Essa ocorrência, aliada ao fato de que as temperaturas continuam baixas no centro-sul do Brasil, estimulou muitos players a entrarem comprado, numa ação de resguardo. De acordo com a empresa de meteorologia Somar, as ocorrências de geada não atingiram mais do que uma área de produção de não mais que 50 mil sacas. Na madrugada desta terça-feira a cidade de Londrina, no norte paranaense, atingiu a marca de 2 graus Celsius, sendo que, segundo relato do agrônomo Marco Antonio dos Santos, algumas área contaram com geadas, mas não mais que 5% do Paraná, que é a região cafeeira mais fria do Brasil. O Paraná produz cerca de 1,7 milhão de sacas. As temperaturas, segundo Santos, também tiveram retração em zonas produtoras paulistas e mineiras, mas a verificação de geadas foi mínima. Guaxupé, um dos maiores municípios cafeeiros do país, teve a mínima em cerca de 3 graus e as geadas atingiram apenas baixadas, sendo que, se algumas perdas forem verificadas, elas serão insignificantes. Além do viés climático, o mercado também operou amparado em situações técnicas que vêm se mostrando favoráveis. Os suportes estão conseguindo ser preservados, sendo que nesta terça, o nível de 250,00 centavos foi testado e não houve força bearish (baixista) para rompê-lo. Graficamente, o mercado que vinha assumindo cada vez mais uma feição baixista consegue ter alguns rearranjos e alguns operadores já trabalham com perspectivas mais favoráveis. Para ampliar o cenário positivo do dia, o mercado externo teve uma retomada do otimismo, o que fez com que as bolsas tivessem ganhos consideráveis, assim como várias commodities, ao passo que o dólar registrou perdas em relação a uma cesta de moedas internacionais. No encerramento do dia, o setembro em Nova Iorque teve alta de 785 pontos com 258,90 centavos, sendo a máxima em 259,05 e a mínima em 250,00 centavos por libra, com o setembro registrando oscilação positiva de 755 pontos, com a libra a 262,40 centavos, sendo a máxima em 262,50 e a mínima em 254,30 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição julho registrou alta de 114 dólares, com 2.455 dólares por tonelada, com o setembro tendo valorização de 113 dólares, com 2.490 dólares por tonelada. De acordo com analistas internacionais, o dia foi marcado pelas compras especulativas e também de fundos. Vários players que se mostraram francamente vendedores nas últimas sessões retomaram as compras, o que permitiu que ganhos consideráveis fossem observados ao longo de todo o dia, sem, contudo, com o setembro ter conseguido testar a marca dos 260,00 centavos. O mercado operou nos melhores níveis desde 17 de junho passado. "Os fatores climáticos deram um bom motivo para esse impulso e também tivemos, finalmente, uma melhora no cenário externo. As linhas gráficas estão mostrando algumas mudanças, mas ainda há muitas divergências entre os operadores se estamos voltamos para um cenário altista ou se ainda estamos dentro de um quadro baixista. Há muito espaço para volatilidade ainda", disse um trader. Ao longo do dia, vários mercados refletiram a notícia de que o parlamento da Grécia deverá aprovar um pacote de austeridade, o que deve dar um novo fôlego à economia local. O pacote suscitou protestos por parte da população, mas deve ser a última cartada do governo local em conseguir empréstimos para saldar sua situação desfavorável. Sterling Smith, analista da empresa Country Hedging, indicou que apesar de as geadas não terem afetado as lavouras de café do Brasil, o frio fez com que os players ampliassem sua preocupação. E, além disso, o cenário externo auxiliou. "Quando o dólar fica mais pressionado, verificamos mais compras no mercado de café", disse. As exportações de café do Brasil em junho, até o dia 27, somaram 1.413.289 sacas, contra 1.386.082 sacas registradas no mesmo período de maio, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram alta de 4.785 sacas indo para 1.623.687 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 18.223 lotes, com as opções tendo 5.942 calls e 5.645 puts. Tecnicamente, o setembro na ICE Futures US tem uma resistência em 259,05, 259,50, 259,90-260,00, 260,50, 261,00, 261,50, 262,00, 262,50, 263,00, 263,50, 264,00, 264,50 e 264,90-265,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 250,00, 249,50, 249,00, 248,50, 248,00, 247,50, 247,00, 246,50, 246,00, 245,60-245,50 e 245,05-245,00 centavos por libra.

Brazil Coffee Weather -

Brazil Coffee Weather -
Jun 28Dow JonesSAO PAULO AND MINAS GERAIS SUMMARY-
A little light rain or drizzle lingered in the southeast areas early yesterday, dry elsewhere in the region. Temperatures averaged below normal through the southern areas yesterday, especially through the southwest but it near normal through the north. The lowest temperatures this morning are expected to range from 6-10C (43-50F) at about sunrise, coolest in southern SaoPaulo and southwestern Minas Gerais. FORECAST- TODAY...Mostly fair skies today. Temperatures should be a little warmer in the west and slightly cooler east. TONIGHT...Mostly dry. Not as cool as this morning. TOMORROW...Dry and a little warmer. OUTLOOK...Mostly dry or with only a few light showers through extreme southern areas Thursday through Saturday. Temperatures average near to below normal south, near to above normal north. BRAZIL COFFEE PROSPECTS... Favorable harvest weather for the coffee crop across Brazil. Cold temperatures in Parana Monday morning and again Tuesday morning were mostly south of key coffee in that state. Major coffee areas in Sao Paulo and Minas Gerais were not as cold. A new cold air mass will move into Argentina later this week and this weekend. This air mass is expected to stay south of Brazil'scoffee belt but it will bear watching.

Em alta, preço do café subiu 130%

Em alta, preço do café subiu 130%

A lei da oferta e da procura está pendendo para os cafeicultores brasileiros. A escassez do grão e os baixos estoques nos mercados doméstico e internacional colocam o poder de decisão nas mãos dos plantadores de café. Concorrentes do Brasil, como a Colômbia, e paises da África e da América Central encontram-se em grande desvantagem por questões climáticas, que devastaram as plantações que não se recuperaram ainda. O cenário permite ao Brasil despejar mais grão no mercado externo e ampliar seu market share. Os preços, por sua vez, deram um salto e subiram 130% entre abril de 2010 até o momento, saindo de R$ 260,00 para R$ 550,00 a saca. A projeção de alta de pelo menos 10% a partir do segundo semestre tende a se manter firme até o final de junho de 2012. Mais um ponto positivo brinda os cafeicultores. Pesquisa feita pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) mostra um aumento de 5% na demanda interna neste ano. "A perspectiva de preços altos tem levado uma quantidade maior de produtores a venderem parte de sua safra para o mercado futuro. Há cafeicultor que está colhendo hoje e já acertou entregas para setembro e outubro com preços a R$ 600,00 a saca", afirma Nahan Herszkowicz, diretor executivo da Abic.A prática do mercado futuro só ganhou um número maior de adeptos neste ano. "Normalmente, a taxa oscilava entre 4% a 5% do volume de produção da safra brasileira ofertado no mercado futuro nessa época. Hoje, mais de 15% do total do volume da colheita já foram vendidos no futuro, o que mostra uma certeza de que os preços vão continuar bons lá na frente", completa. Segundo o diretor, as entregas foram "acertadas no valor de R$ 600,00 a saca". Herszkowicz conta que ninguém no mundo previa uma alta de 130% no café em apenas um ano. "Diante disso, é difícil especular, mas uma volatilidade pequena, em torno de 10%, é possível, com tendência de alta até o primeiro semestre de 2012", afirma. "O aumento do preço é consequência do crescimento do consumo mundial, inclusive o brasileiro, estoques mundiais baixos, e quebra da safra dos concorentes como Colômbia, África e da América Central".Pelos cálculos do diretor da Abic, hoje as reservas são o bastante para um mês. "Até pouco tempo atrás os estoques eram suficientes para operar entre quatro a seis meses no mercado internacional. Os estoques físicos no Brasil também estão pequenos. Estamos entrando na colheita com volume para um mês quando o normal era entre três a quatro meses". Nem mesmo o governo conseguiu manter seu estoque elevado.

Os emergentes dos emergentes

Os emergentes dos emergentes
A chamada nova classe média tem ocupado destaque na agenda das empresas privadas, dos gestores públicos, dos políticos e dos demais mortais no Brasil como em outros lugares. A pesquisa homônima a este artigo encontrada em www.fgv.br/cps/brics foi lançada ontem no seminário Oportunidades para Maioria, do BID, que visa fomentar negócios na base da pirâmide. Abrimos a nova classe média brasileira pelas dimensões globais, nacionais, locais e atuais. Senão vejamos:Global - Inicialmente, analisamos diferenças e semelhanças de grupos emergentes entre países emergentes. Especial destaque é dado ao grupo dos Brics, contrastando elementos diversos:Quanto o crescimento macroeconômico se reflete no bolso do cidadão comum? O Brasil mais do que outros Brics, apresentou um crescimento de pesquisas domiciliares 11,3 pontos de porcentagem superior ao PIB acumulada no período 2003 a 2009. A novidade é que essa diferença tem aumentado. Mesmo no caso do "pibão" de 2010, que cresceu a 6,5% per capita contra 9.6% da renda da PME, a desaceleração do PIB do começo de 2011 não se reflete ainda no mercado de trabalho metropolitano em 2011 onde a renda domiciliar per capita do trabalho cresce a 6.1% acima novamente do PIB.Abrimos a nova classe média brasileira pelas dimensões globais, nacionais, locais e atuaisQuem melhora mais em cada país: a base ou o topo da distribuição de renda? Para além da média, essas mesmas pesquisas permitem ver que a desigualdade de renda cai aqui e aumenta alhures. No Brasil já cai há dez anos seguidos, já entrando no 11 ano. Os 20% mais ricos do Brasil tiveram na década passada um crescimento inferior ao dos 20% mais ricos de todos os demais Brics, já nos 20% mais pobres acontece o oposto.Para além de melhoras objetivas, como estão atitudes e expectativas das pessoas em relação ao presente e ao futuro? Segundo o Gallup World Poll, o grau de satisfação com a vida no Brasil em 2009 era 8,7 numa escala de 0 a 10. Superamos os demais: África do Sul (5,2), Rússia (5,2), China (4,5) e Índia (4,5). Mais do que isso, o Brasil é o único dos BRICS que melhora no ranking mundial de felicidade, saindo do 22 lugar em 2006 para 17 em 2009 entre 144 países. O Brasil é o recordista mundial de felicidade futura. Numa escala de 0 a 10, o brasileiro dá uma nota média de 8,70 à sua expectativa de satisfação com a vida em 2014 superando todos os demais 146 países da amostra cuja mediana é 5,6. Essa interpretação permite entender o Brasil: "o país do futuro" criada a exatos 70 anos atrás por Stefan Zweig. O sonho representa o espírito da nova classe média tupiniquim. Nacional - Quanto cresceu em termos líquidos diferentes estratos econômicos da sociedade brasileira no período recente? Desde 2003 um total de 50 milhões de pessoas - mais do que uma Espanha - se juntaram ao mercado consumidor. Nos últimos 21 meses até maio de 2011 as classes C e AB cresceram 11,1% e 12,8% respectivamente. Neste período 13,3 milhões de brasileiros foram incorporadas às classes ABC, adicionando-se aos 36 milhões que migraram entre 2003 e 2009. Atual - Indicadores antecedentes sugerem melhoras. A última semana do mês de maio 2011 pela PME Semanal sugere viés de queda para pobreza e viés de alta para a classe AB em relação ao mês completo. Não há sinais de desaceleração trabalhista.A taxa de redução de desigualdade nos últimos 12 meses é um pouco acima daquele observado nas séries da PNAD entre 2001 e 2009 no período de marcada redução da desigualdade. O comportamento anticíclico da desigualdade sugere a ausência de dilemas equidade versus eficiência no período sob análise. Empregos Formais - O grande símbolo da nova classe média é a carteira de trabalho. Entre janeiro e abril de 2011 houve a criação líquida de 798 mil novos postos de trabalhos, o terceiro melhor desempenho desde 2000, ficando abaixo do mesmo período em 2010 (962 mil) e 2008 (849 mil). Não há sinal de desaquecimento trabalhista.Local - Qual é a recordista de nova classe média? Onde a pobreza e a riqueza são maiores? O município mais classe A é Niterói com 30,7% na elite econômica. Depois vem Florianópolis (27,7%), Vitória (26,9%), São Caetano (26,5%), Porto Alegre (25,3%), Brasília (24,3%) e Santos (24,1%). Se formos menos elitistas e incluirmos as classes B e C no páreo, o município gaúcho de Westfália apresenta a maior classe ABC com 94,2% nas Classes ABC. Quase todos os 30 municípios com maiores participações nas classes ABC estão na região Sul do país, fruto da menor desigualdade de renda lá observada. Quais são as prescrições de políticas para a nova classe média brasileira?É preciso "Dar o mercado aos pobres", completando o movimento dos últimos anos quando pelas vias da queda da desigualdade "demos os pobres aos mercados (consumidores)". "Dar o mercado" significa acima de tudo melhorar o acesso das pessoas ao mercado de trabalho. Os fundamentos do crescimento econômico e as reformas associadas são fundamentais aqui. A educação regular e profissional funciona como passaporte para o trabalho. O desafio é combinar as virtudes do Estado com as virtudes dos mercados, sem esquecer de evitar as falhas de cada um dos lados. Marcelo Côrtes Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais e professor da EPGE, Fundação Getúlio Vargas. Autor dos livros "Ensaios Sociais", "Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas" e "Microcrédito, o Mistério Nordestino e o Grammen brasileiro".

Cenário técnico e clima ajudam café a ter ganhos na ICE

Cenário técnico e clima ajudam café a ter ganhos na ICE
Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta segunda-feira com ganhos modestos, em uma sessão relativamente fraca. Depois de um início pressionado, com algumas perdas registradas, o mercado inverteu a tendência, com os compradores voltando a predominar, o que permitiu a consolidação dos ganhos, ainda que longe das máximas do dia. Assim como verificado na última sexta-feira, os ganhos vieram depois de os suportes básicos não terem sido rompidos, o que abriu espaço para os bullishs (altistas), que andavam consideravelmente retraídos, voltarem a realizar suas ofertas. Os avanços do dia foram notadamente limitados por conta do cenário externo. O índice CRB, assim como o petróleo, tiveram um dia de novas perdas, o que, evidentemente, foi uma influência negativa para o comportamento do mercado cafeeiro. A questão grega, ainda incerta, assim como o aumento da desconfiança em relação à economia da Itália, continuam sendo fatores bastante negativos para o segmento de matérias-primas. O café, por sua vez, consegue registrar alguma recuperação, amparado, principalmente em aspectos técnicos, já que, após a forte onda de liquidação recente, se observou um cenário sobrevendido. Além disso, o cenário voltou a apresentar um viés climático. Boletins meteorológicos recentes indicam que as zonas cafeeiras do centro-sul do Brasil poderão ter nesta semana o registro de geadas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, uma massa polar vinda da Antártica atingiu as regiões de São Paulo e Paraná, o que fez com que as temperaturas despencassem. As possíveis geadas deverão ocorrer principalmente nesses dois Estados, com a chance de ocorrência do fenômeno no sul de Minas Gerais sendo remotas. No encerramento do dia, o setembro em Nova Iorque teve alta de 55 pontos com 251,05 centavos, sendo a máxima em 253,05 e a mínima em 247,50 centavos por libra, com o setembro registrando oscilação positiva de 45 pontos, com a libra a 254,85 centavos, sendo a máxima em 256,60 e a mínima em 251,50 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição julho registrou alta de 59 dólares, com 2.341 dólares por tonelada, com o setembro tendo valorização de 58 dólares, com 2.377 dólares por tonelada. De acordo com analistas internacionais, o dia foi marcado por uma tentativa inicial de forçar, novamente, uma resistência no nível de 245,00 centavos. No entanto, o mercado falhou ao tentar, inclusive, suplantar o menor nível da sessão anterior, em 245,50 centavos. Assim, o mercado retomou seu viés comprador e os ganhos conseguiram ser produzidos e somente não foram mais expressivos devido ao reflexo do segmento externo. "O mercado sofreu liquidações muito significativas nos últimos e, assim, um quadro sobrevendido pode ser observado em alguns gráficos. Os ganhos não têm sido substanciais, mas a manutenção do nível acima dos 250,00 centavos pode ser um indicativo interessante", disse um trader. O Vietnã deve fechar este mês de junho com a exportação de 80 mil toneladas métricas de café, de acordo com dados divulgados pelo Escritório Geral de Estatísticas. Em maio, o país realizou o embarque de 98 mil toneladas métricas, 11% a menos que o anteriormente previsto, 110 mil toneladas. Na primeira metade do atual ano safra, o país remeteu 878 mil toneladas ao exterior, 29% a mais que no ano anterior. A produção de café de Burundi em 2011/2012 deve ter uma queda de pelo menos 13%, devido, principalmente, à bianualidade da cultura, indicou o ARFIC, órgão regulador do setor no país. Segundo a entidade, o volume obtido no ano deve ficar em 21 mil toneladas métricas, contra 24 mil toneladas de 2010/2011. A nação africana sofre também com o envelhecimento do parque cafeeiro. Hoje, 50% dos cafeeiros do país contam com mais de 40 anos, o que faz com que a produtividade caía consideravelmente. As exportações de café do Brasil em junho, até o dia 22, somaram 1.262.502 sacas, contra 1.386.082 sacas registradas no mesmo período de maio, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 578 sacas indo para 1.618.902 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 13.772 lotes, com as opções tendo 4.726 calls e 950 puts. Tecnicamente, o setembro na ICE Futures US tem uma resistência em 253,05, 253,50, 254,00, 254,50, 254,90-255,00, 255,50, 256,00, 256,50 e 257,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 247,50, 247,00, 246,50, 246,00, 245,60-245,50, 245,05-245,00, 244,50, 244,00, 243,50, 243,00, 242,50, 242,00, 241,50 e 241,00 centavos por libra

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Renúncias fiscais de Cabral vão de boate a cabeleireiro

Renúncias fiscais de Cabral vão de boate a cabeleireiro

Benefícios tiraram R$ 50 bilhões do Estado do Rio nos últimos quatro anos Valor, utilizado para incentivar a atividade de empresas, equivale à metade da arrecadação tributária no período ITALO NOGUEIRAMARCO ANTÔNIO MARTINSDO RIO Entre 2007 e 2010 cerca de 5.000 empresas deixaram de recolher R$ 50 bilhões aos cofres do Estado porque obtiveram renúncia fiscal do governo Sérgio Cabral (PMDB).Dados da Secretaria Estadual de Fazenda mostram que boates, motéis, mercearias, padarias, postos de gasolina e cabeleireiros foram beneficiados.O montante da renúncia cresceu 72% em 2010, em relação a 2007. Os R$ 50 bilhões já são mais do que a metade do valor da receita tributária que foi de R$ 97 bilhões no mesmo período.Uma das empresas que se beneficiaram é a Werner Coiffeur que, nos últimos anos, cuidou dos cabelos da primeira-dama Adriana Ancelmo e do governador. A renúncia chegou a R$ 336 mil.Com base em uma lei criada pelo ex-governador Marcello Alencar para incentivar produtores de cosméticos, Cabral ampliou os benefícios para varejistas que encomendam produtos capilares e estão incluídos no Simples da Receita Federal.A Folha identificou outros quatro cabeleireiros na listagem. Somados, os descontos não chegam a R$ 10 mil. Em nota, a rede Werner informou que não usufrui de nenhuma vantagem específica.Outras empresas pouco convencionais aproveitam-se dos descontos. É o caso de duas boates na zona sul do Rio, Termas Monte Carlo e Termas Solarium. A primeira tem fotos de camas e banheiras em sua página na internet. A outra oferece "discrição", saunas e massagens.Elas tiveram isenções de R$ 109 mil e R$ 316 mil, respectivamente, com base em decreto voltado a estabelecimentos de alimentação como lanchonetes, restaurantes, casas de chá e até danceterias. Essa foi a brecha usada."Esse processo que relaciona a geração de empregos às custas do dinheiro fiscal me preocupa. Esse dinheiro não entra nos cofres públicos e quem financia tudo isso é o cidadão", diz João Eloi Olinike, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.Segundo ele, ao renunciar a uma arrecadação, o governo deve ter como base a Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso significa não comprometer a receita e apresentar um projeto que justifique a redução dos ganhos do Estado.A Secretaria Estadual de Fazenda deu a lista de beneficiários ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), após requerimento enviado ao secretário Renato Villela.À Folha a secretaria informou que está impedida de informar dados específicos de contribuintes. Freixo considera as informações da lista "absurdas". OUTRO LADO Governo diz que há critérios que permitem os benefícios DO RIO A Secretaria Estadual de Fazenda do Rio informou que, por ordem do Código Tributário Nacional, é obrigada a respeitar o sigilo fiscal, razão pela qual é impedida de dar informações de contribuintes beneficiados.Em nota, destaca que nos casos da rede Werner e das boates há critérios que, se cumpridos, dão direito automático aos benefícios.A Werner Coiffeur diz que não usufrui de nenhum benefício exclusivo e que "qualquer tipo de redução de alíquota de imposto com relação a determinado produto, ou isenção fiscal, beneficia, indiscriminadamente, toda a categoria econômica. Em outras palavras, qualquer redução de impostos beneficia toda a sociedade, e não a empresa A, B ou C".Dois representantes da Termas Sollarium, que pediram para não ser identificados, dizem que não têm acesso a benefícios fiscais, mas a um regime diferente de tributação, e que benefícios são usados apenas nos gastos do restaurante da boate, não nos outros serviços.Já o gerente da boate Monte Carlo, Everton Rodrigues, informa que a casa funciona há 28 anos, está inscrita na Receita Federal e não recebe nenhum benefício fiscal. Oposição quer que favores se tornem crime BERNARDO MELLO FRANCODE SÃO PAULO Dias após a tragédia que revelou a proximidade do governador do Rio, Sergio Cabral Filho (PMDB), com o empresário Eike Batista e o dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, a oposição quer criminalizar o recebimento de favores de quem tem negócios com o Estado.O objetivo é fechar o cerco ao peemedebista. A legislação fluminense é omissa em relação ao tema. Isso deve dificultar os planos da bancada contrária a Cabral, que tem 21 dos 70 deputados estaduais.A avaliação é que hoje não há normas para punir o governador por voar no jatinho de Eike ou se hospedar na casa de praia de Cavendish, que faturou R$ 133,7 milhões em contratos sem licitação com o Estado em 2010.Os parlamentares querem imitar um decreto assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002.O texto impede as autoridades federais de "receber presente, transporte, hospedagem, compensação ou quaisquer favores" de pessoas interessadas em decisões do governo."Essas práticas são imorais, mas ainda não são ilegais no Estado do Rio", diz o deputado Marcelo Freixo (PSOL), que deve apresentar um projeto de lei amanhã."Os setores em que a EBX [empresa de Eike] atua têm muita interface com o poder público. Para Eike, é fundamental estar bem com o governo", diz Sérgio Lazzarini, professor do Insper."Mas é difícil desvendar relações diretas entre as doações e os benefícios que o grupo recebe do governo."Em 2010, Eike concentrou suas doações no Rio a políticos do PMDB, mas ajudou rivais na corrida presidencial. A soma de suas contribuições atingiu R$ 6 milhões, segundo o TSE.

Decisão do STF abre caminho para cercear a guerra fiscal

Decisão do STF abre caminho para cercear a guerra fiscal
Valor Econômico - 27/06/2011
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a "guerra fiscal", adotada no início deste mês, precisa ser concluída. O STF considerou inconstitucionais as leis de apenas seis Estados e do Distrito Federal que concediam benefícios fiscais a empresas. Numerosas ações, que questionam as legislações de outros Estados com o mesmo teor, ainda aguardam julgamento na Corte Suprema.O governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), chamou a atenção, recentemente, para este fato. Ou seja, embora todas as legislações estaduais contenham os mesmos dispositivos na chamada "guerra fiscal", neste momento apenas algumas delas estão suspensas. Há, portanto, uma situação de não isonomia entre os Estados que prejudica alguns.O ideal seria uma decisão mais rápida do STF sobre essas ações, com o julgamento de todas elas em uma única sessão. Uma alternativa seria permitir que os ministros relatores das ações possam decidir sobre elas, de forma monocrática, pois já existe uma posição unânime do plenário da Corte a respeito desta matéria. No início deste mês, todos os ministros consideraram inconstitucional a concessão de benefícios fiscais pelos Estados sem a aprovação prévia de convênio neste sentido pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão que reúne os secretários de Fazenda dos 26 Estados e do Distrito Federal.A decisão do Supremo está na direção correta e, se for completada pelo julgamento das demais ações, pode acelerar a reforma tributária. Ou, pelo menos, a reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Não é razoável acreditar que os governadores continuarão concedendo benefícios fiscais sem aprovação prévia do Confaz e as empresas aceitando essas regalias, sem levarem em consideração a posição do STF nesta questão. Os julgamentos do Supremo poderão marcar o fim de uma "guerra" que atingiu o seu paroxismo com incentivos sendo concedidos por alguns Estados às importações, em detrimento da produção nacional.Os governadores alegam que a decisão do Supremo criou "insegurança jurídica" às empresas e paralisou novos investimentos em seus Estados. O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), em entrevista ao Valor publicada na semana passada, disse que o Supremo precisa definir como a decisão será aplicada. "Como serão tratadas situações consolidadas? A decisão terá repercussão só para o futuro ou é aplicável imediatamente?", questionou Déda. Para responder a essas e outras perguntas, o governo do Distrito Federal vai entrar com um ação pedindo que o STF module sua decisão, explicitando os limites e os efeitos da medida. No fundo, os governadores querem um prazo para o fim da guerra fiscal e convalidar as situações de fato.É bom que se diga que a convalidação dos benefícios fiscais, concedidos dentro da "guerra" entre os Estados, sempre foi um dos pontos centrais de todas as propostas de reforma tributária discutidas pelo governo federal desde 1995. Ela também faz parte da atual proposta do governo, como esclareceu o secretário-geral do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. A convalidação terá que ser feita pelo Confaz. Para que ela ocorra, e todas as situações de fato sejam legalizadas, é indispensável que se coloque um fim nessas práticas. Em outras palavras, é necessário reformar a legislação do ICMS.A proposta de mudança do ICMS, em discussão dentro do governo, prevê que a maior parte da receita desse tributo será apropriada pelo Estado de destino da mercadoria. Hoje é na origem. Sem essa medida, a "guerra fiscal" vai continuar. Oito Estados perderão com essa mudança, segundo informação do Ministério da Fazenda. Não há dúvida que o governo terá que definir uma política de compensação dessas perdas. "Os governadores não vão entrar numa dança dessa sem que o governo federal explicite garantias", alertou o governador de Sergipe.Essa sempre foi e continua sendo a grande dificuldade da reforma do ICMS, ou até mesmo da reforma tributária que evoluísse para um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), pois a margem fiscal da União para sustentar essa compensação não é grande. O obstáculo precisa, de alguma maneira, ser superado pois as mudanças no ICMS não podem mais ser adiadas. É preciso colocar um fim na guerra fiscal.

O Brasil do Otimismo, O Brasil do atraso

O Brasil do Otimismo
GABRIEL CAPRIOLI e SÍLVIO RIBASCorreio Braziliense - 27/06/2011

Saída rápida do país da crise mundial permitiu que 13,3 milhões de pessoas migrassem para as classes A, B e C desde julho de 2009. Menor desigualdade torna o povo brasileiro o mais confiante do mundo O entusiasmo que tomou conta da população nos últimos anos, em decorrência do forte crescimento econômico, deu a muitos a impressão de que o futuro chegou para o Brasil. Não foi à toa. No curtíssimo período entre julho de 2009 e o mês passado, já com o país plenamente recuperado dos estragos da crise mundial, 13,3 milhões de pessoas ascenderam às classes A, B e C. Nas duas primeiras, que formam o topo da pirâmide social brasileira, o incremento proporcional foi mais expressivo: 12,8% contra 11% da tradicional classe média. Toda essa mobilidade social leva o Brasil a liderar um ranking de 144 nações, no qual aparece como a nação mais otimista em relação aos próximos cinco anos. Em uma escala de 0 a 10, os brasileiros classificam com nota média de 8,7 sua expectativa de satisfação com a vida em 2014. Na pesquisa feita no início de 2011, o país já era o recordista.Para Ricardo Paes de Barros, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), a elevação de todos os estratos de renda decorreu de uma ação direta nas camadas menos favorecidas, que acabou empurrando toda a população para condições mais favoráveis. "O Brasil conseguiu promover a principal redução de pobreza e desigualdade das duas últimas décadas graças a uma combinação de políticas públicas bem sucedidas, como os sucessivos ganhos reais do salário mínimo e os programas de transferência de renda. Os sinais disso podem ser percebidos por todos ângulos de análise", avalia, com a autoridade de ser um craque em políticas sociais.A constatação do crescimento da renda nas classes A e B faz parte do estudo Os emergentes dos emergentes, coordenado pelo professor Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV), que será lançado hoje em São Paulo. O levantamento mostra que desde 2003, 50 milhões de pessoas, mais do que a população da Espanha, foram incorporadas ao mercado consumidor.ConcentraçãoNeri pondera que a diminuição de disparidades sociais só foi possível porque, ao contrário dos demais países emergentes — pouco afetados pela crise global —, no Brasil, os indicadores sociais vêm tendo desempenho melhor do que o do Produto Interno Bruto (PIB). Por isso, quando se olha para a pesquisa de otimismo da FGV pode-se depreender que "o país vai melhor para a população do que para os economistas". Ela ressalta ainda que, nos demais Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a riqueza cresce, mas a desigualdade também."O crescimento da economia (brasileira) não foi um movimento concentrador de renda. E isso só foi possível por causa do aumento expressivo do salário mínimo e dos gastos assistenciais", completa o coordenador da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Cláudio Hamilton.A redução da desigualdade também se apresenta geograficamente. Cada vez mais os ricos se espalham pelo país, reduzindo a discrepância do desenvolvimento entre as regiões. Estudo feito pela consultoria Cognatis Geomarketing para a revista Exame aponta que o Distrito Federal tem, proporcionalmente, o maior número de ricos entre a população: 27% fazem parte das classes A e B. Quando consideradas apenas as capitais, Brasília fica em quarto lugar, com 28% dos moradores no topo da pirâmide, perdendo apenas para Florianópolis, Vitória e Belo Horizonte (veja quadro).Apesar de 61% da riqueza ainda estar situada na região Sudeste do país, o Nordeste deixa para trás, aos poucos, o estigma da pobreza e já abriga 2,6 milhões de abastados. "A educação é um dos fatores de melhora das condições de renda da população brasileira. É também uma das áreas que vêm requerendo mais esforço do governo para aprimorar os seus resultados", constata Paes de Barros. É aguardar para ver. Atualmente, são 20 milhões nas faixas A e B, que, em 2014, serão 30 milhões. O suficiente para manter o otimismo em alta.Salto espetacularLevantamento da Consultoria IPCMaps aponta que 73% das famílias brasileiras melhoraram de vida e migraram para faixas de renda mais altas nos últimos 14 anos. É uma das maiores taxas de mobilidade vistas no mundo em um prazo considerado pequeno, acima das registradas na Suécia (51,5%), no Canadá (50,1%) e nos Estados Unidos (48%). Para o diretor da IPCMaps Marco Pazzini "agora, a nova onda de migração é para as classes A e B".

O Brasil do atraso

ANA D"ANGELOCorreio Braziliense - 27/06/2011

Apesar das conquistas dos últimos anos, país mantém olhos fechados para problemas cruciais, como a enorme carga tributária e a infraestrutura deficiente, que podem inibir o crescimento No topo das preferências dos grandes investidores estrangeiros, o Brasil das oportunidades está escancarando problemas que reluta em enfrentar. O crescimento da economia, a redução das desigualdades e a melhora do padrão de vida da população vêm trombando com um país cheio de gargalos, que todos veem, mas poucos se dispõem a superá-los. Seis meses praticamente se passaram do governo de Dilma Rousseff e tudo continua na mesma: estradas, portos, ferrovias e aeroportos precários, taxas de juros elevadíssimas, falta de mão de obra qualificada, carga tributária pesada e injusta e baixos investimentos públicos. É esse Brasil do atraso que pode travar a continuidade do desenvolvimento a taxas acima de 4% ao ano e manter latente o dragão da inflação."O país está estrangulado. Isso é termômetro da falta de uma agenda clara do governo, que está demonstrando falta de capacidade para formular e implantar políticas públicas para resolver os gargalos", diz o economista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani. Para ele, a recente decisão de privatizar os maiores aeroportos brasileiros é um sintoma da falta de projeto de desenvolvimento consistente, pois a então candidata Dilma havia garantido, durante a campanha, que isso não aconteceria. A deficiência do setor, combinada à escassez de recursos públicos, obrigou a presidente a tomar um choque de realidade.Ainda que a mudança de posição tenha ocorrido tarde, seria um avanço, não fosse ela um fato isolado em um quadro de extrema ineficiência. Nas poucas vezes em que o governo sinalizou que agirá no sentido de pôr o país nos trilhos da modernidade, tudo não passou de promessas. A mais recente delas tem como alvo o estrangulado setor portuário do país. Segundo o Palácio do Planalto, para incrementar o comércio exterior e reduzir os custos operacionais, a construção e a gestão de 45 portos serão entregues à iniciativa privada. "Infelizmente, precisamos muito mais. Além da pequena capacidade para receber embarcações, os portos se ressentem da falta de silos para armazenagem de mercadorias. Perde-se muito tempo no carregamento e na descarga por falta de investimentos", afirma o presidente da seção de Transporte de Cargas da Confederação Nacional de Transporte (CNT), Flávio Benatti.É por essa razão que o economista Fábio Giabiangi, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não esconde seu ceticismo. "O estado de graça acabou no fim do ano passado. Os problemas que estão aparecendo — e assustando — deverão persistir", avisa.QualificaçãoPara um país que é apontado, em todas as pesquisas, como uma das cinco maiores potências econômicas do mundo nas próximas duas décadas, o tempo é vital. Na avaliação de Giambiagi, a situação está tão crítica que o descaso do passado, de administrações que não se preocuparam com a melhora da educação, faz agora o Brasil se deparar com um apagão da mão de obra — a falta de profissionais mais habilitados e capazes para executar as funções exigidas pelas empresas pressionadas por maior produtividade. Para o economista, esse problema ficará mais nítido a partir de 2013, com a consolidação da situação de pleno emprego, configurada por uma taxa de desocupação próxima de 5% (hoje está em 6,4%).Nesse momento, a ausência de trabalhadores qualificados voltará a pressionar a inflação, pois os salários tenderão a subir além do desejável e os custos arcados pelas empresas serão repassados aos consumidores. O resultado disso poderá ser uma nova rodada de aumento dos juros pelo Banco Central e nova trava no crescimento. A previsão do mercado em geral é de que o país avance a taxas de 4% em 2011 e 2012.Efeito cruelO apagão da mão de obra deve causar, de imediato, um efeito cruel. A grande mobilidade social dos últimos anos, que alçou os mais pobres às classes C e D, tenderá a caminhar a passos mais lentos. Os menos escolarizados terão dificuldade para se colocarem no mercado por causa da sofisticação do processo produtivo e das exigências dos empregadores, avalia o demógrafo Haroldo Torres, da Consultoria Plano CDE. "Não se recupera a ausência de anos de escola da noite para o dia", acrescenta a antropóloga Luciana Aguiar."O fato é que o governo deveria controlar os gastos correntes para sobrar dinheiro e aumentar o investimento público. Em vez de comprar clipes, deveria construir estradas"Roberto Padovani, economista-chefe do Banco WestLB