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segunda-feira, 27 de junho de 2011

A hora é de atacar a questão fiscal

A hora é de atacar a questão fiscal, diz economista Antes de pensar em reduzir a atual meta de inflação, o Brasil precisa enfrentar primeiro a fragilidade estrutural das contas públicas, diz o economista Aloisio Araújo. Para o ortodoxo professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), é desejável, sim, que o país tenha meta inferior aos 4,5% que vigoram há seis anos e que devem ser ratificados para 2013 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nesta semana, mas a diminuição do alvo tende a não ser crível sem a melhora estrutural das contas públicas. "Já fizemos muito com a política monetária em comparação com a política fiscal desde a redução da inflação ", afirma ele, para quem os juros no Brasil são muito elevados principalmente por causa da situação fiscal. Para Araújo, é o momento de o governo voltar a pensar em reformas como as da Previdência, atacando problemas como os do sistema de aposentadorias do setor público e de pensão por morte. "O Brasil já tem uma carga tributária muito elevada e uma relação dívida/PIB elevada, dado o seu nível de desenvolvimento."Segundo ele, os países com meta de inflação mais baixa que o Brasil costumam ter situação fiscal melhor, caso do Chile, da Colômbia e até do próprio México. A Turquia, mais parecida com o Brasil, persegue um alvo superior ao brasileiro. Também professor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Araújo elogia a opção do Banco Central pelo maior gradualismo adotado na condução da política monetária neste ano. Para ele, é adequada a decisão de buscar a convergência da inflação para o centro da meta apenas no ano que vem, num cenário em que há incertezas sobre a reação da economia às medidas já adotadas. A seguir, os principais trechos da entrevista: Valor: Como o sr. avalia a condução da política monetária pela nova administração do Banco Central? Aloisio Araújo: Eu vejo como essencialmente adequada. Desde a crise ocorreram muitas mudanças na economia. O PIB caiu muito, o que fez o governo adotar muitos instrumentos para evitar a crise, como a maior parte dos países fez. O governo passou então a tirar os estímulos, elevando impostos e compulsórios que haviam sido reduzidos. É difícil saber exatamente que medidas foram adequadas, o quanto se tem que tirar. Os modelos macroeconométricos que o BC usa são muito bons, mas eles acertam mais, como muito modelos desse tipo, quando se está numa situação mais estável. O BC está vendo os efeitos da retirada desses estímulos todos e dos aumentos dos juros que já foram promovidos. O importante é que o BC deixe claro que está perseguindo o centro da meta no ano que vem. Valor: A ação do BC e do governo lhe parece suficiente para controlar a inflação? Araújo: O governo aumentou o superávit fiscal e retirou os estímulos e o BC fez a parte dele, ao subir os juros. Mas é difícil dizer o que vai ocorrer numa situação dessas. Houve também o choque de commodities que afetou a inflação, além de a economia ter tido um PIB [Produto Interno Bruto] muito forte em 2010, ano eleitoral, influenciado pelo ciclo político. São muitos choques, em muitas direções, então é difícil operar o modelo de modo preciso. A inflação em muitos países também fugiu do centro da meta. Valor: Alguns acham que o BC deveria ter reagido com mais força, porque as expectativas de inflação começaram a fugir do controle. Araújo: Eu não acho que elas fugiram demais. O BC tem que olhar as expectativas, mas também tem que formá-las, tem que ser líder nesse processo. O BC foi mais cauteloso em outras situações. Mesmo no começo do governo Lula a inflação subiu muito, os juros também subiram, mas não foi suficiente para trazer à inflação à meta. O BC olhou um ou dois anos à frente. Não é uma coisa nova mirar na frente, quando se voltará a ter o controle mais pleno da situação. Valor: Aumentar mais os juros poderia causar uma perda exagerada em termos de crescimento? Araújo: Não é apenas uma perda em termos de crescimento. Você pode ter que voltar atrás. Quando há choques, é razoável mirar mais à frente. O BC está dizendo que em 2012 a inflação volta ao centro da meta, e isso é razoável, embora se deva ter um olho também neste ano, para tentar fazer com que a inflação não fuja do teto. Vi várias vezes isso ocorrer no Brasil e no exterior. E vejo o BC atuando firme para trazer a inflação para o centro da meta no ano que vem. Valor: O mercado de trabalho muito aquecido, com pressão sobre serviços, não traz um risco de inflação de demanda muito forte?Araújo: A taxa de desemprego caiu bastante, mas esse é um assunto sobre o qual os economistas vão ter que se debruçar com mais cuidado. Gostaria de ver mais estudos sobre qual é a Nairu [a taxa de desemprego que não acelera a inflação] no Brasil. Valor: A inflação de serviços não indica que há pressão de demanda?Araújo: Houve esse componente também. Como a economia caiu muito em 2009, houve muitos estímulos e 2010 era um ano eleitoral, então há o ciclo político também. É difícil ver no momento em que essas coisas está ocorrendo, mas obviamente houve um excesso, além de ter havido um choque de commodities. Mas neste ano vários desses estímulos foram retirados. Valor: Como o sr. avalia a situação fiscal do Brasil?Araújo: A grande questão no Brasil é a situação fiscal. O melhor instrumento que tem o governo é prestar mais atenção ao fiscal estrutural. Houve aumento do superávit primário neste ano, que foi muito positivo. Estamos voltando aos patamares anteriores à crise, mas é algo que tem impacto no curto prazo. Seria bom que o governo voltasse a dar prioridade a algumas reformas, como as que envolvem aspectos da Previdência. Valor: Que aspectos? Araújo: Um deles é o caso das pensões. O governo indicou que podia fazer alguma coisa sobre esse assunto. A legislação brasileira nesse caso é generosa demais, com o Brasil gastando um percentual do PIB totalmente exorbitante na comparação com outros países. Acho que é muito importante fazer algo a respeito. É um ponto do que chamo de fiscal-estrutural, porque não vai ser revertido depois. O sistema de aposentadoria do setor público também precisa ser reformulado. No primeiro governo Lula foi escolhido um modelo que passou no Congresso e não foi implementado, cuja ideia era não garantir a aposentadoria integral. Teria que haver a contribuição para o fundo de aposentadoria complementar. Mesmo se implantado, esse modelo só produziria efeito no longo prazo. Mas como houve muita contratação de servidor público nos últimos anos essa implementação já teria ajudado. Valor: Quais os impactos para a economia brasileira dessa situação fiscal estruturalmente ruim? Araújo: Para mim é o motivo principal para os juros reais serem tão elevados no Brasil. É a razão principal por que não vejo com bons olhos a diminuição da meta de inflação enquanto houver uma situação fiscal frágil. Nós já fizemos muito com a política monetária, em comparação com a política fiscal, desde a redução da inflação. A política monetária jogou papel mais do que preponderante. Isso tem sido uma constante no Brasil. Valor: Alguns economistas dizem que se a meta for reduzida abre-se espaço para a queda dos juros. O sr. concorda? Araújo: Isso pode ocorrer, se você for muito bem sucedido. Mas se ocorrer um choque negativo e você tiver que aumentar os gastos, por exemplo, podem surgir dificuldades com a inflação. Os agentes econômicos podem não acreditar que, numa situação ruim, em que o governo esteja pressionado fiscalmente, ele vai cumprir com facilidade a meta. Isso é uma coisa que pode ocorrer, e os modelos teóricos com que eu trabalho admitem essa possibilidade. O Brasil já tem uma carga tributária muito elevada e uma relação dívida/PIB elevada, dado o seu nível de desenvolvimento. Em termos internacionais, os países que têm meta de inflação mais baixa que o Brasil costumam ter uma situação fiscal melhor. O Chile, alguns países desenvolvidos, o próprio México, e a Colômbia, que nem sequer passou por episódios de crise de dívida. A Turquia, um país mais parecido com o Brasil, tem meta de inflação mais elevada que a brasileira. Valor: Então o sr. concorda com a provável decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) desta semana, que deve manter a meta de inflação em 4,5% para 2013?Araújo: Não é que eu concorde. Acho que seria bom ter meta menor, mas a ordem da discussão deve ser primeiro falar no fiscal-estrutural. Seria bom o Brasil voltar a falar nessas reformas, como a da Previdência e a própria reforma tributária, que é muito importante. Ganhar eficiência microeconômica é outro motivo para fazer reformas. Nós conseguimos ter essa taxa de inflação mais razoável e crescimento maior em função de reformas microeconômicas. Elas ajudaram muito. Com a reforma de crédito, aumentou a eficiência na utilização do capital. Foram reformas muito importantes feitas no governo Fernando Henrique Cardoso e no primeiro governo Lula. Ninguém vai fazer uma grande reforma brasileira, até porque já avançamos muito, e também porque é difícil politicamente. Valor: Alguns analistas que defendem a manutenção da meta usam o grau de indexação da economia brasileira como justificativa. O que o sr. acha dessa avaliação?Araújo: A indexação certamente não ajuda, torna mais rígidos alguns preços, mas não a vejo como o motor da inflação. Mesmo na época da inflação alta, o governo tinha que gerar um imposto inflacionário para fechar suas contas. Depois houve uma substituição do imposto inflacionário por algum ajuste fiscal e pelo aumento de dívida. Há esse lado fiscal subjacente que não convém esquecer e é mais relevante em última instância. Valor: Como o sr. vê as medidas macroprudenciais? Elas foram tomadas mais para evitar uma expansão muito forte do crédito ou para ajudar a controlar a inflação? Araújo: Elas têm esses dois efeitos. O crédito para empresas expande a produção e pressiona a demanda agregada, mas o crédito ao consumo só estimula a demanda, o que prejudica a inflação. A relação entre o crédito e o PIB no Brasil se expandiu, tinha que se expandir e ainda está em níveis razoáveis. Mas para o consumidor ela está em níveis que merecem atenção. Pode ser mais baixa em relação ao PIB que em muitos países, mas o custo é muito mais elevado, porque os juros são mais elevados. Então ela está num nível que convém essas medidas macroprudenciais. Por outro lado, o crédito imobiliário está muito baixo em relação ao PIB. Esse tipo de crédito não foi afetado e não deveria ser, mas é preciso controlar para que tenha capacidade de retomada de imóvel e o mutuário tenha custos, caso fique inadimplente..

Desequilíbrios nas contas externas mundiais estão aumentando

Desequilíbrios nas contas externas mundiais estão aumentando

Os desequilíbrios mundiais nas contas de transações correntes estão aumentando e podem causar um ajustamento desordenado das taxas de câmbio e uma onda de protecionismo. O alerta é do Banco Internacional de Compensações (BIS). O banco central dos bancos centrais suspeita que "o Brasil é um dos países onde um fraco resultado nas (contas) correntes mascara importantes entradas e saídas brutas de capital". Ao abordar "assimetrias importantes", o banco exemplifica que no Brasil as entradas de Investimento Estrangeiro Direto (IED) são amplamente superiores às saídas - "são as reservas acumuladas e, em menor medida, os outros investimentos que equilibram as contas correntes". Na China, as saídas de capital são essencialmente constituídas de reservas e das entradas de IED.Para o BIS, a interdependência financeira que existe entre a América Latina (com peso do Brasil) e os EUA, de US$ 201 bilhões, ou do centros financeiros do Caribe com a América Latina, de US$ 151,6 bilhões, tem pouco a ver com saldos exibidos nas contas correntes.Os fluxos financeiros brutos "trazem talvez riscos ainda maiores ao favorecer eventuais assimetrias nos balanços (de pagamentos) e ao facilitar a transmissão de choques de um país para o outro", relata o BIS.Os fluxos financeiros resultam da acumulação de posições importantes, interconectadas em nível mundial, por estabelecimentos financeiros, empresas e consumidores. As características próprias das entradas e saídas de capital se traduzem, no fim das contas, por assimetrias, de divisas (diferentes moedas) ou prazos, entre ativos e passivos, que podem se converter em desequilíbrios financeiros. Os fluxos brutos têm as mesmas características que os fluxos líquidos: interrupção repentina e absorção ineficaz. O BIS acha que os controles de movimento de capital podem ser usados como último recurso e provisoriamente. Mas que, no longo prazo, o controle modifica principalmente a composição dos fluxos brutos, mais do que sua dimensão.O BIS considera ainda que um reequilíbrio da demanda mundial se impõe para reduzir a situação atual. E para administrar os riscos provocados pelos fluxos brutos, é necessário manter políticas macroeconômicas sadias, aliadas a medidas prudenciais e de fortalecimento da infraestrutura financeira.

Liquidez favorece títulos dos EUA

Liquidez favorece títulos dos EUA

Foi depois da Guerra da Secessão que os bancos dos Estados Unidos foram orientados pela primeira vez a aplicar seu dinheiro em títulos do governo, para ajudar a refinanciar e quitar as dívidas do período de guerra. Atualmente, os bancos voltaram a aumentar suas carteiras de papéis do Tesouro.Numa era de maior regulamentação, o governo está formulando as regras. No início deste mês, por exemplo, Daniel Tarullo, presidente do conselho diretor do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), sugeriu que os níveis de capitalização dos bancos deveriam ser muito superiores que o de 7% exigido pelas normas de Basileia 3.Os órgãos reguladores determinaram, além disso, que os investimentos em títulos do governo não acarretem qualquer prejuízo em termos de capital, apesar do fato de que a dívida soberana, atualmente, envolve em alguns casos riscos tão elevados quanto emprestar a empresas com classificações de alto risco. Ao mesmo tempo, os governos estão elevando as exigências de liquidez.Essa estrutura de incentivo significa que todo aumento do nível exigido de capitalização e liquidez é bom para o mercado de bônus e evitará a alta das taxas de juros. Mas, mesmo se o jogo não tivesse sido manipulado em favor dos governos, os bancos teriam pouco mais a fazer com o dinheiro dos depositantes, já que tanto empresas quanto famílias estão sofrendo de aversão ao risco.E, só para se garantir que os bancos façam seu trabalho nacional, o Fed, a exemplo do Bank of Japan, o BC japonês, está inundando o mercado com reservas em volumes maiores que a demanda por empréstimos.Não é de se admirar que os bancos americanos se pareçam cada dia mais com seus congêneres japoneses. E não é de se admirar que os investidores não estejam otimistas quanto às perspectivas dos bancos. Mas, num mundo em que assumir riscos é algo desestimulado e em que os retornos sobre o patrimônio estão em queda, como se podem amealhar lucros? Uma das maneiras seria estimular a consolidação dos 4 mil pequenos bancos americanos com menos de US$ 1 bilhão em ativos para formar instituições de maior escala. Mas uma reformulação estrutural do panorama financeiro parece não estar em questão.Nenhum banco quer se fundir com outro ou se pôr à venda. Os US$ 25 bilhões do programa de ajuda destinado a essas instituições podem jamais ser quitados.Por outro lado, muitas empresas de "private equity" abandonaram sua tentativa de comprar bancos. Para começar, não há muitos bancos com problemas financeiros a serem comprados, em vista da antipatia dos órgãos reguladores para com as empresas de compras de participações, enquanto os bancos que não estão nas mãos dos órgãos reguladores também não são muito receptivos. De qualquer maneira, esses investidores acreditam atualmente que pode-se ganhar muito mais dinheiro fora do setor bancário oficial.Por isso as empresas de "private equity" estão mergulhando no sistema bancário alternativo. Muitos acreditam, juntamente com Wes Edens, o fundador do Fortress Investment Group, que essa é a idade do ouro das empresas financeiras não bancárias; uma série de empresas menores e de pessoas físicas precisa de crédito, mas, em vez de obtê-lo por intermédio de bancos engessados pela regulamentação, eles podem fazê-lo por meio de empresas não bancárias.O Fortress comprou a divisão de financiamento ao consumidor da AIG, rebatizou-a de Spring Leaf, e está usando os mercados de securitização para custear a operação.

Alta generalizada de juros será necessária para preservar estabilidade

Alta generalizada de juros será necessária para preservar estabilidade

O crescimento econômico global deve diminuir para derrubar a inflação em torno do mundo. É o que sugere o Banco Internacional de Compensações (BIS) em seu relatório anual.O banco insiste que a dívida continua a pesar duramente, o controle das finanças públicas apenas começou e que os desequilíbrios financeiros internacionais estão de volta. Para o banco central dos bancos centrais, políticas monetárias muito acomodadas vão rapidamente se tornar uma ameaça para a estabilidade de preços, enquanto as reformas financeiras seguem incompletas.Para o BIS, somente um aperto monetário em escala mundial permitirá conter as pressões inflacionárias e afastar os riscos para a estabilidade financeira.As autoridades monetárias estão incertas quanto ao grau de subutilização da capacidade produtiva, o que lembra a situação dos anos 1970, ainda que o contexto econômico seja diferente.As taxas de juros continuam em níveis historicamente baixos, o que não deixa de ser um risco para a estabilidade dos preços e do sistema financeiro.O BIS alerta que a persistência dessa situação nas economias desenvolvidas retarda "o ajuste indispensável" dos balanços das famílias e bancos, e aumenta o risco de ressurgirem distorções.Os riscos de inflação aumentaram globalmente, pela conjunção de redução nas capacidades não utilizadas e no encarecimento dos alimentos, energia e outros produtos básicos.O BIS nota que nas economias emergentes as pressões inflacionárias "se acentuaram". O crescimento econômico, de 6,1% em média este ano, comprado a apenas 2% nos desenvolvidos, conjugado a preços de alimentos em alta, faz com que a inflação cause preocupação generalizada.Nos emergentes, a inflação provocou uma alta do custo de vida - modesta no Brasil, mas significativa na China e na India, na visão do BIS.O BIS considera crucial o aumento dos juros se os bancos centrais quiserem preservar a credibilidade já conquistada na luta contra a inflação. E sobretudo agora, quando o alto nível das dívidas pública e privada é percebido como limitador da capacidade dos BCs de manter a estabilidade de preços.No entanto, o BIS sugere um equilíbrio entre a necessidade de aperto monetário e as vulnerabilidades ainda ligadas a um setor bancário que segue fragilizado. Mas acha que, quando os bancos centrais começarem a elevar os juros, vão fazê-lo num ritmo mais rápido do que nas fases de aperto precedentes. A instituição diz que os bancos centrais devem estar prontos para acentuar e dar mais velocidade às suas políticas de arroxo monetário.O banco central dos bancos centrais estima ainda que as perspectivas menos favoráveis para a alta de preços ao consumidor são provocadas também pelas tensões mais e mais marcadas nos mercados de trabalho nas economias emergentes.Diz que a elevação do custo unitário da mão de obra em alguns grandes emergentes, como é o caso da China, ameaça a estabilidade de preços em escala planetária, em razão do papel que essas economias têm na cadeia de abastecimento.A mensagem, na prática, é de que os emergentes estariam levando inflação para os desenvolvidos em estado calamitoso, na medida em que devem crescer mais de 6% este ano, comparado aos 3,1% para a média da economia mundial.

Câmbio dividido entre cena externa e Ptax

Câmbio dividido entre cena externa e Ptax

Dois eventos extraordinários pautam a formação da taxa de câmbio neste fim de mês.O primeiro deles é a votação de um plano de austeridade na Grécia que define de vez se o país dá um calote oficial ou segue vivo graças à ajuda dos tubos do Fundo Monetário Internacional (FMI).O outro fato, esse de caráter doméstico, é que junho é o último mês no qual a Ptax (taxa que liquida os contratos futuros de câmbio) será calculada como média ponderada pelo volume de negociação.Já em julho, a taxa, que serve de referência para a liquidação de uma série de contratos cambiais, será uma média aritmética de quatro consultas feitas pelo Banco Central (BC) entre 10 horas e 13 horas.Estrangeiro tem aposta recorde de US$ 20,9 bi no realCom tal metodologia, espera-se que a formação da Ptax fique mais transparente e menos passível de distorções. No modelo atual não é segredo para ninguém que os agentes se articulam para fazer a taxa da forma que lhes convém.Fica a dúvida sobre o que falará mais alto: se a instabilidade do quadro externo, que na semana passada puxou o preço do dólar à vista e futuro acima de R$ 1,60, ou a tradicional briga entre comprados e vendidos para a formação da Ptax. Considerando o tamanho das posições na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o embate entre os comprados, que ganham com a alta do dólar, e os vendidos, que lucram com a valorização do real, deve ser acirrado.Pelos últimos dados disponíveis, referentes ao pregão do dia 22, o estoque vendido do investidor estrangeiro estava em US$ 20,886 bilhões, o que configura novo recorde. Esse estoque é formado por US$ 6,666 bilhões em contratos de dólar futuro e US$ 14,220 bilhões em cupom cambial (DDI - juro em dólar). Como sempre, quem faz oposição ao estrangeiro são os bancos locais, que apresentavam posição comprada de US$ 16,522 bilhões, sendo US$ 6,387 bilhões em contratos de dólar e US$ 10,135 bilhões em cupom cambial. Os bancos também têm exposição em outras modalidades cambiais, como mercado à vista (onde estão vendidos) e derivativos de balcão. Portanto, não se sabe qual o posição líquida das instituições.Vale lembrar que, nos últimos meses, os vendidos fizeram valer sua vontade, derrubando o preço do dólar independentemente de fatores externos.A esperada votação na Grécia acontece entre 29 e 30 de junho, dias que concentram as movimentações finais dos investidores no câmbio local. Os agentes estão liquidando ou rolando posições de um vencimento para o outro.A divulgação da taxa Ptax também terá novo horário. Atualmente só se sabe a Ptax no fim do dia. A partir do mês que vem a taxa saíra pouco depois das 13 horas. Esse novo modelo de cálculo foi amplamente discutido entre o BC e o mercado e está em teste desde o começo do ano.No mercado de juros, a semana reserva o Relatório Trimestral de Inflação, que detalha a visão do BC sobre os cenários prospectivos de inflação. O documento, que sai na quarta-feira, dia 29, também mostra a previsão de crescimento que está no modelo da autoridade monetária.Outro evento de relativa importância para esse mercado é a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), no dia 30.Nesse encontro se confirma a meta de inflação de 2012 e se fixa a meta de 2013. Não há expectativa, no entanto, de que a atual meta de 4,5%, com banda de dois pontos percentuais para mais ou para menos, seja ampliada ou reduzida.A agenda da semana também reserva a nota de política monetária e operações de crédito, a nota externa, com a conta corrente e Investimento Estrangeiro Direto (IED), e as contas fiscais, que mostram o superávit primário e a relação dívida/PIB. Todos esses dados são referentes ao mês de maio.Abrindo o mês de julho, na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a produção industrial de maio, que deve mostrar recuperação após queda em abril.Esses eventos, aliados aos índices de preços semanais e à leitura final do Indice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de junho balizam a formação das apostas quanto aos próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom). Por ora, a curva futura mostra como certa uma alta de 0,25 ponto percentual da Selic após a reunião de julho do colegiado. Para o encontro de agosto ainda não há consenso.Na agenda externa, atenção à renda, gastos e confiança do consumidor americano. Também serão conhecidos indicadores industriais, inflação e desemprego na zona do euro. E da China vem um índice de atividade fabril em junho.

Europa ainda vai dar muito pano pra manga

Europa ainda vai dar muito pano pra manga

A Europa deve continuar dando muito pano pra manga ainda. Os problemas na Grécia estão bem longe do fim e agora surge outro país da região para preocupar os investidores: a Itália. Na sexta-feira, a agência de classificação de risco Moody's colocou em revisão para um possível rebaixamento a nota de 16 bancos italianos privados e de outros dois ligados ao governo. O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse que na quinta-feira deve ser aprovado um plano de austeridade, com medidas para diminuir o déficit, além de uma reforma do sistema fiscal.As notícias pioraram o humor dos investidores no fim da semana passada. Tanto que eles deixaram em segundo plano algumas definições que ocorreram na Grécia. O governo grego conseguiu a aprovação dos credores internacionais para um plano de austeridade de cinco anos, com o objetivo de evitar, ou ao menos adiar, uma solene moratória da dívida do país. Esperava-se que o mercado tivesse um pregão positivo na sexta-feira, na esteira dessa aprovação, mas o Indice Bovespa acabou caindo 0,29%, fechando aos 61.016 pontos.Só um milagre fará o Ibovespa fechar o semestre em altaNesta semana, as atenções devem continuar voltadas ao desenrolar dos acontecimentos na Europa. Na Grécia, por exemplo, ainda há muita água para rolar. O governo grego deve mandar ainda esta semana para o Parlamento o projeto de lei com todo o plano de reformas fiscais.Se esse projeto não for aprovado, a Grécia não receberá o socorro financeiro que tanto precisa. Com isso, o calote será a única saída. "O mercado está em compasso de espera, já que a situação da Grécia pode ter desfechos bem diferentes e a bolsa deve ir para lados opostos, dependendo de qual for esse desfecho", diz o diretor de uma corretora.A Europa, juntamente com as dúvidas sobre a recuperação americana e do nível de desaceleração da economia chinesa, tem sido a grande pedra no sapato do mercado. Para se ter ideia do tamanho da indefinição, o Indice Bovespa não tem forças para sair dos 61 mil pontos desde de o dia 14 deste mês.Esta é a última semana do primeiro semestre e só um milagre faria a bolsa encerrar esse período no campo positivo. Até sexta-feira, o Ibovespa acumulava queda de 11,96%.Se a bolsa está ruim como um todo, ela está pior ainda para grandes papéis como Petrobras, Gerdau, OGX, CSN e Usiminas, que costumam estar na carteira de toda pessoa física que investe em bolsa.Para o estrategista de renda variável do banco HSBC, Carlos Nunes, essa não é a hora de o investidor se desfazer desses papéis e, assim, acabar reconhecendo o prejuízo. No entanto, para tentar ter algum tipo de ganho no mercado, o HSBC está recomendando aos clientes operações de arbitragem, long/short."Essa é a melhor forma de garantir algum retorno num mercado indefinido, mas com alta volatilidade, exatamente como a Bovespa se encontra nesse momento", explica Nunes.

domingo, 26 de junho de 2011

Mercado do café e a política.

Mercado do café e a política.

O mercado do café passa hoje por um momento áureo depois de mais de uma década de problemas, dividas crescente e desanimo por parte da produção.
O momento realmente é importante e não deve ser jogado de lado por letargia dos produtores.
Pela primeira vez temos um aumento de preço substancial sem que haja um problema climático no Brasil, dando potencia aos nossos produtores e não aos produtores de outras origens, como das ultimas duas vezes onde o mercado trabalhou nestes patamares, que foi em 1.977 que tivemos uma geada em 1.975, e 1.997 onde tivemos uma geada em 1.994. Desta vez o problema foi na Colômbia onde houve excesso de chuvas, mas o maior problema foi à exploração da indústria aos produtores e falta de força dos produtores diante deste mercado.
Os preços praticados na ultima década fez o empobrecimento dos produtores e o envelhecimento do parque cafeeiro.
O mercado hoje dominado por apenas cinco grandes empresas torrefadoras jogam o mercado para onde bem querem a seu bel prazer, mesmo a alta que vivemos agora é também de interesse da indústria, pois sem motivação não acontece investimento e sem investimento não se tem matéria prima em abundancia.
O mercado vive o momento mais enxuto da historia, temos produção muito próxima do consumo e estoques baixíssimo, com uma qualidade pior ainda, e temos um aumento de consumo em plena crise financeira e crescimento de consumo em países que não são das grandes potencias, portanto temos tudo para que o mercado sopre a favor dos produtores aumento de consumo e baixo estoque.
Com estes ingredientes temos tudo para que o mercado permaneça em valores melhores do que da ultima década, remunerando assim a classe produtora, mas como administrar o momento?
Não existe nenhuma iniciativa por parte do governo Dilma, que parece estar perdido a procura de soluções para problemas maiores, portanto não podemos esperar nada que venha do governo, e pedir ajuda quando os preços estão em alta não parece conveniente e nem convincente.
Mas o setor cafeeiro padece de informações para administrar a fase, precisa se saber a real produção, saber o real consumo, para um plano de metas para não ficarmos dentro de pouco tempo em situação igual ao dos arrozeiros.
Falando na situação dos irmãos produtores de arroz do sul do país quero deixar registrado que se deixarmos o mercado fazer o Drawback , como muitos querem, digo muitos da parte industrial, ou seja, trazer café barato do Vietnam, industrializar para revender, como depois de industrializado não teremos como saber se o café que esta na embalagem a sua procedência, estaremos fadados a ficar igual aos irmãos arrozeiros.
Em um programa do Globo Rural há algumas semanas atrás o presidente do sindicato de produtores de açúcar de beterraba da França em uma entrevista ao repórter da Globo disse alto e em bom som, não queremos o açúcar do Brasil de cana aqui, nosso açúcar é mais caro, mas vital para nossa agricultura, e assim deve ser atitude dos produtores, não queremos o café de outro pais aqui, e ponto final.
O produtor precisa de metas e precisa ser direcionado.
Um ponto que deve ser levantado é ordenação de nossos preços em cima da bolsa de Nova Iorque, concordo com ela, mas a bolsa vive de lucros e não importa se vem de uma tendência de alta ou de uma tendência de baixa e o produtor vive de produção, portanto precisamos de preço que cubra os nossos custos, principalmente agora o custo ambiental que será um dos grandes fatores de aumento de custo da produção.
Os produtores as cooperativas e políticos têm que ter uma ordenação sobre a produção, sobre o plantio, porque se não veremos o filme ser rodado na nossa frente de novo, mercado fica desabastecido, sobe violentamente e a produção planta em resposta, e o mercado desaba na cabeça de todos.
O único beneficiado na cadeia produtiva quando o preço sobe como estamos vendo agora, é o produtor, o resto da cadeia não gosta nada, indústria, comercio e nem o consumidor, mas quando o preço cai ninguém quer saber do produtor, e as pessoas que moram nas cidades acreditam piamente que o produtor possui pé de dinheiro e não sabe a realidade dura da produção.
O mercado tem que pensar em seguro para a produção, seguro de problemas climáticos e seguro de preço, não existe nenhum investimento que não haja seguro, a não ser a produção, O produtor é o único que pega no fio de alta tensão desencapado.
A política cafeeira esta jogada as traças desde o final da década de 80 principio da de 90, e o produtor precisa de mobilização, e a hora é agora, porque é a hora onde o produtor vai receber um preço justo pelo seu trabalho e ira se capitalizar tendo fôlego para exigir direitos.
Uma boa semana a todos, que Deus os abençoe.
Wagner Pimentel
WWW.cafezinhocomamigos.blogspot.com

sábado, 25 de junho de 2011

EXAGEROS ACONTECEM, OPORTUNIDADES TAMBÉM .mercado de açúcar

EXAGEROS ACONTECEM, OPORTUNIDADES TAMBÉM
O mercado de açúcar em NY fechou em alta apesar de ter visitado território negativo na semana, depois do derretimento que se viu na quarta-feira com súbita recuperação no final da sessão. A mínima da semana, 25,69 centavos de dólar por libra-peso no vencimento julho/2011, também não teria sido nenhum desastre, mas acabou sendo mesmo uma oportunidade de compra. A última sessão da semana fechou com o julho cotado a 27,54 centavos de dólar por libra-peso, uma alta de 119 pontos em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. Em verdade, o mercado chegou a subir quase 300 pontos em apenas dois dias, a mínima de 24,59 em 16/6 e a máxima em 20/6 a 27,58 e seria natural que realizasse um pouco. Julho se mantem como o vencimento mais pressionado pelas razões de um descompasso entre oferta e demanda que faz com que os prêmios do mercado físico sejam quase que atípicos para um início de safra, bom volume foi negociado para embarque julho ao preço que variou de Julho/2011 mais 20-35 pontos. O enredo é o mesmo: produção no Centro Sul sob dois aspectos, volume de açúcar produzido bem abaixo comparado ao mesmo período do ano passado e qualidade e problemas logísticos que podem repetir o julho de 2010. Os demais vencimentos da safra 2011/2012 tiveram alta média de 12 dólares por tonelada na semana. Para a safra seguinte, a alta foi menor – 7,50 dólares por tonelada. A 2013/2014 teve queda média de 2 dólares por tonelada. Uma curiosidade: o fechamento de todos os meses de vencimento está acima do fechamento de 31/12/2010, com exceção de julho/2011 e outubro/2011 que estão com baixa no ano de 6% e 1%, respectivamente. No entanto, o açúcar ainda é uma das commodities que mais caiu em 2011 (19,5% de queda, comparando o primeiro mês negociado).O custo de produção de açúcar no Centro Sul é estimado pela Archer Consulting em R$ 29,8682 por saca de 50kg posto usina. Isso coloca o custo equivalente FOB Santos em 19,23 centavos de dólar por libra-peso sem custo financeiro. Nessa premissa, e levando em consideração os níveis de fechamento do mercado nesta sexta-feira, a média de retorno para açúcares a serem vendidos ao longo da safra (e, portanto, comparando com os fechamentos dos meses de julho/2011 até março de 2012), é de R$ 42,94 líquidos por saca na usina, com retorno superior a 40% sobre o custo de produção. Não dá para ficar namorando muito o mercado. Para o vencimento outubro, muito embora acreditamos que o mercado pode facilmente alcançar as máximas (a de outubro é 27,57 centavos de dólar por libra-peso), talvez seja prudente comprar uma put (opção de venda) e vender uma call (opção de compra) para garantir um mínimo de remuneração em troca de um máximo de fixação. Para uma usina cujo mix de produção seja semelhante ao do Centro Sul, estamos falando num retorno médio líquido (depois do custo financeiro) de 19,38%. O mercado interno de açúcar (NY mais 80 pontos) ainda remunera melhor que o açúcar para exportação, embora o spread entre os dois tenha se fechado.O ministro de Minas e Energia declarou que o crédito do governo para a produção de açúcar não terá um centavo. "Não somos contra o açúcar, mas somos mais a favor do etanol neste momento", disse ele. Esse pessoal do governo é mesmo muito sensato e equilibrado. Financiamento para estádios de futebol no meio do nada num país em que alguns estados têm esgoto a céu aberto não falta. Muito sensato.Repetimos aqui uma historinha contada num de nossos primeiros relatórios em 2007 sobre como os mercados às vezes exageram nos fundamentos. Numa reserva indígena longínqua, os Pele Vermelha questionaram o Cacique sobre se o inverno que se aproximava seria severo ou ameno. O Cacique não sabia dizer, mas para se “hedgear” disse à tribo que o inverno seria de muito frio e que todos deveriam começar a se preparar e guardar lenha. Depois de alguns dias, o Cacique resolveu usar o telefone público disponível na aldeia e ligou para o Serviço Nacional de Meteorologia e perguntou se o próximo inverno ia ser frio. O técnico respondeu que "parece que o inverno será de muito frio mesmo". Dessa forma, o Cacique voltou ao seu povo e ordenou que eles continuassem a guardar mais lenha. Passou outra semana e ele chamou novamente o Serviço Nacional de Meteorologia e perguntou se o próximo inverno ia ser frio. O técnico respondeu que "sim, este seria definitivamente um inverno rigoroso". O Cacique voltou para seu povo e ordenou que armazenassem cada toco ou graveto de madeira que encontrassem. Duas semanas depois ele volta a chamar o Serviço Nacional de Meteorologia e perguntou se o próximo inverno ia ser o mais frio de todos os tempos. O técnico respondeu que "seria o mais terrível inverno de todos os tempos". "Você tem certeza absoluta disso?", perguntou o Cacique. "Absoluta....será o inverno mais frio de todos os tempos". "Como é que você pode ter tanta certeza?", insistiu ele. O técnico respondeu " Os Pele Vermelha estão armazenando madeira feito uns loucos" .No Fundo Fictício da Archer Consulting, tivemos que ajustar a posição na alta ocorrida na semana, comprando 250 lotes do março/2012 a 25,75 centavos de dólar por libra-peso. Fechamos a semana com uma posição comprada no delta em 86 lotes. Ganhamos US$ 405,366.83 elevando o nosso portfolio de 904 dias para um lucro acumulado de US$ 7,426,963.71 com rendimento médio anualizado de 136,60%.Tenham todos um excelente final de semana, especialmente aos queridos leitores torcedores do glorioso Santos FC que conquistou a América pela terceira vez.

Arnaldo Luiz Corrêa

SINAIS DE RECUPERAÇÃO PARA OS PREÇOS

Mercado de Café – Comentário Semanal - de 20 a 24 de junho de 2011 SINAIS DE RECUPERAÇÃO PARA OS PREÇOS Mais uma agência de risco aumentou as notas do Brasil para os mercados de títulos, e os seguros para dívidas soberanas, conhecidos também como CDS, chegam a precificar que no horizonte de cinco anos as chances são maiores dos Estados Unidos darem um calote (default) do que o Brasil – é ou não é impressionante?Na quarta-feira, dia que o Santos Futebol Clube conquistou mais uma Libertadores da América, o FOMC (entidade parecida com o COPOM brasileiro) manteve os juros americanos inalterados, e reiterou que manterá seu balanço do mesmo tamanho (reinvestindo os valores principais dos ativos que tem em carteira hoje). O comitê também sinalizou que por ora não haverá um novo plano de compra de títulos (vulgo QE). No mesmo dia o primeiro-ministro grego ganhou voto de confiança, que lhe deu fôlego de tentar passar no parlamento na próxima semana novas medidas amargas de cortes de gastos para que o país receba um novo tranche do pacote de ajuda do FMI/BCE.Com o líder da oposição da Grécia declarando que não apoiará uma nova dose de um remédio que está matando o paciente, e o presidente do Banco Central Europeu confirmando a situação delicada dos bancos individualmente com a atual crise na região (“a ameaça mais séria para a estabilidade financeira da União Européia”), os mercados financeiros voltaram a cair na quinta e sexta-feiraOs índices das commodities não ficaram ilesos, com o complexo de energia sofrendo as maiores perdas depois que a IEA (Agência Internacional de Energia) resolveu liberar 60 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, em função das perdas com a guerra civil na Líbia, e também pela OPEP não ter concordado em aumentar a produção do produto. Os grãos escorregaram com a melhora no clima e condição das lavouras nos Estados Unidos.Para o mercado de café a volatilidade foi grande mais uma vez, sendo que no meio da semana Nova Iorque deu um sinal importante de recuperação depois de testar o suporte-chave mencionado aqui na semana passada, que é o nível de US$ 240.00 centavos. A ajuda veio do fato do bom interesse de recebimento do contrato de julho, que entrou em notificação no dia 22 de junho e que provocou o estreitamento do spread (Julho/Setembro). Outro fator positivo foi o robusta em Londres ter tido fortes altas, coincidentemente depois de um grande fundo ter gasto mais de 3 milhões de dólares comprando estratégias altistas...O mercado físico ficou relativamente calmo nas origens, com os produtores relutantes em baixar suas bases de vendas o que fez com que os diferenciais firmassem. Isto vale não apenas para o Brasil, como para as outras origens como Colômbia e América Central, onde aumentou um pouco a procura de compradores. Desta forma os cafés disponíveis no destino (spot) tiveram um maior volume de negociação, com preços mais atraentes do que o FOB. No Vietnã aumentam as conversas de default e de atrasos em entregas, dado que boa parte do café do país migrou para os certificados de Londres desde a inversão do spread há três meses.Na sexta-feira o Departamento de Agricultara dos Estados Unidos (USDA), divulgou seu relatório de S&D (produção e consumo) para o café no mundo, apontando para um superávit (é isto mesmo) no ano safra 2011/2012 de 1,089 milhões de sacas de 60 quilos, diferente da percepção do mercado de que haverá um déficit entre 2 e 7 milhões de sacas. Os números que provocam as diferenças são principalmente da expectativa de produção de Colômbia, Vietnã e Brasil, e também do consumo mundial. Enquanto o órgão diz que Colômbia, Vietnã e Brasil produzirão respectivamente 10.5, 20.6 e 49.2 milhões de sacas de sessenta quilos, o mercado acredita que os números serão 8.5, 21.5 e 48 milhões de sacas. O consumo segundo o USDA será de 133.957 milhões de sacas, já a percepção do mercado está ao redor de 137 milhões. Ou seja, considerando os números acima há uma diferença de um déficit de 5 milhões e um superávit de 1 milhão de sacas para o próximo ano-safra.Talvez mais importante, seja destacar que os estoques mundiais, este sim um pouco mais em linha com as perspectivas da maioria, estarão em níveis historicamente baixos, razão pela qual os preços do mercado futuro subiram de um ano para cá.A performance da bolsa nesta semana, combinada com a posição dos fundos, que devem estar vendidos (líquido) entre 11 e 12 mil lotes, deve prover um suporte e uma recuperação do terminal. Acredito que o intervalo de negociação dos preços ficará entre US$ 240 e US$ 270 centavos por algum tempo, a não ser que a Grécia não aprove as medidas de ajuste orçamentários, ou o clima indique frio com risco de geada para o Brasil. Na segunda-feira e na quarta-feira estarei no Brasil fazendo apresentações sobre o panorama do mercado de café, a convite de duas conceituadas cooperativas.Uma ótima semana e muito bons negócios para todos, Rodrigo Corrêa da Costa