CONSUMO DE CAFÉ CRESCE NO BRASIL, MAS PRODUÇÃO FICA ESTAGNADA
O mercado de café vive uma situação de desequilíbrio, segundo especialistas no setor. O consumo e a exportação do Brasil crescem, mas a produção não aumenta no mesmo ritmo. Além disso, os estoques mundiais são cada vez menores. Nessa terça, dia 24, foi aberta em Santos, litoral paulista, uma exposição que mostra um pouco deste momento, considerado pelos especialistas, de incertezas para setor.
Numa visita ao museu do café em Santos, pode ser conhecido um pouco da história desta produção, que já representou a principal economia do Brasil. Como era o trabalho na lavoura, como eram feitos os negócios com café. O prédio do museu se destaca no centro histórico da cidade. Atrai turistas, que na cafeteria da entrada, podem até apreciar o cafezinho brasileiro.
A gente tem um público habitual, e esse público, que consome o nosso café, às vezes não dimensiona a importância que ele tem atualmente em termos gerais diz a diretora técnica do Museu do Café, Marilia Bonas.
Quem visitar o museu do café nestes próximos dias vai conhecer mais que história. O pessoal organizou uma exposição sobre o mercado do café atualmente. A ideia é ressaltar a importância do produto no dia a dia do brasileiro e mais que isto, na economia do país. Segundo analistas, a exposição tem base numa estatística preocupante.
A verdade é que há um equilíbrio muito precário entre a produção no Brasil, o mundo e o consumo mundial afirma o analista de mercado Eduardo Carvalhaes Filho.
Conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o Brasil é responsável por 35% do café produzido no planeta. Exporta 33 milhões de sacas por ano para consumidores do primeiro mundo, e embolsa US$ 5,7 bilhões. No mercado interno, a indústria comemora o aumento de consumo, cerca 5% ao ano. A previsão para 2011 é de mais de 20 milhões de sacas, o que significa que cada brasileiro vai beber em torno de 85 litros de café este ano.
Outro dado da divulgado, é que não há Estado brasileiro que não produza café. Minas Gerais, em maior quantidade, chega a 25 milhões de sacas. Depois vem o Espírito Santo e São Paulo.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira deve chegar a 45 milhões de sacas neste ano, seis milhões a mais que em 2009, quando também ocorreu o chamado ciclo de produção mais baixa. Segundo Carvalhaes, o ritmo de crescimento da produção não acompanhou a demanda nos últimos anos, e os estoques mundiais estão acabando.
Nos países produtores praticamente não existe mais estoque. E nos países consumidores os estoques estão muito baixos. Não chegam para três meses de consumo informa.
Carvalhaes também é diretor de uma corretora de café. Ele conta que viu, no último ano, a cotação do produto dobrar na bolsa de Nova York. Saiu do US$1,50 por libra peso para US$ 3.
A tendência é de bons preços para o café. A safra pode ser um pouco maior, o consumo um pouco menor. Nós temos que prestar muita atenção na economia do mundo. A tendência tanto em 2011 quanto em 2012 é de alta nos preços do café esclarece.
A possível escassez de café não chega a preocupar a indústria. O diretor executivo da Abic, Natan Herszkowicz, acredita que os preços altos podem causar um efeito positivo no campo, estimulando a produção no ano que vem com cafés de melhor qualidade.
Os melhores cafés vão ter que ser disputados. Disputa significa preço maior. Vai levar quem pagar mais. O brasileiro vai continuar tomando café a cada dia. Em média, 95% da população acima dos 15 anos toma café todo dia, e o que a gente deseja é que o Brasil continue sendo o país onde mais cresce o consumo de café no mundo.
A exposição no Museu do Café começou nesta terça, dia Nacional do Café, e vai até o dia 24 de junho.
Fonte: Diário Agrícoloa
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Semana de tempo seco, com geadas na região cafeeira ao amanhecer
informações do SOMAR, INMET e IAPAR
Uma fraca massa de ar polar que avançou pelo oceano, foi responsável por temperaturas mais baixas em parte da Região Sudeste. Nos próximos dias, a massa de ar polar enfraquece e o frio da madrugada diminui. Na sexta-feira, uma frente fria avança pelo oceano, mas novamente só traz chuva para a faixa leste do Sudeste, durante o fim de semana.
A massa de ar frio permanece atuando no estado do Paraná, nesta terça-feira. As temperaturas continuam baixas no começo da manhã, em parte pela presença da massa de ar frio que ainda predomina na região, mas também devido a perda radiativa de calor junto a superfície.
PARANA
As condições meteorológicas são favoráveis à formação de geada, no SUL e REGIÃO CENTRAL, ao amanhecer do(s) dia(s) 31/05/2011.
São previstas geadas de fraca intensidade na Região Metropolitana de Curitiba, Lapa, Norte Pioneiro, Ivaiporã, Campo Mourão e Sudoeste paranaense. Também são previstas formação de geadas de intensidade moderada nas regiões de Castro, Telêmaco Borba, Ponta Grossa, Irati, Guarapuava e Palmas, para as próximas 24 horas.
Minas Gerais
As condições meteorológicas são favoráveis à formação de geada, em áreas isoladas do SUL, ao amanhecer do(s) dia(s) 31/05/2011.
SAO PAULO
As condições meteorológicas são favoráveis à ocorrência de declínio da temperatura com formação de geada, na SERRA DA MANTIQUEIRA, ao amanhecer do(s) dia(s) 29/05/2011 e 30/05/2011.
RIO GRANDE DO SUL
As condições meteorológicas são favoráveis à formação de geada, na SERRA DO NORDESTE, ao amanhecer do(s) dia(s) 31/05/2011.
SANTA CATARINA
As condições meteorológicas são favoráveis à formação de geada, no PLANALTO SUL e PLANALTO NORTE, ao amanhecer do(s) dia(s) 31/05/2011.
Previsão do tempo para a região Sudeste
segunda, 30 de maio de 2011
PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO PASSANDO A ENCOBERTO COM CHUVA NO ESPÍRITO SANTO, CENTRO E NORTE DO RIO DE JANEIRO. PODE CHOVER NO NORDESTE DE SÃO PAULO. DEMAIS ÁREAS PARCIALMENTE NUBLADO.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 6°C
terça, 31 de maio de 2011
NUBLADO A PARCIALMENTE NUBLADO COM POSSIBILIDADE DE CHUVAS ISOLADAS NO ESPÍRTIO SANTO. PODE GEAR NO VALE DO PARANAPANEMA EM SÃO PAULO. DEMAIS ÁREAS COM NEBULOSIDADE VARIÁVEL E COM NÉVOA SECA EM MINAS GERAIS.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 4°C
quarta, 01 de junho de 2011
PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO COM CHUVA EM ÁREAS ISOLADAS DO RIO DE JANEIRO E DO ESPÍRITO SANTO. DEMAIS ÁREAS COM NEBULOSIDADE VARIÁVEL.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 5°C
quinta, 02 de junho de 2011
CLARO A PARCIALMENTE NUBLADO EM MINAS GERAIS. PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO, PASSANDO A ENCOBERTO COM CHUVAS NO ESPÍRITO SANTO E CENTRO NORTE DO RIO DE JANEIRO. DEMAIS ÁREAS DO RIO DE JANEIRO, PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 6°C
Uma fraca massa de ar polar que avançou pelo oceano, foi responsável por temperaturas mais baixas em parte da Região Sudeste. Nos próximos dias, a massa de ar polar enfraquece e o frio da madrugada diminui. Na sexta-feira, uma frente fria avança pelo oceano, mas novamente só traz chuva para a faixa leste do Sudeste, durante o fim de semana.
A massa de ar frio permanece atuando no estado do Paraná, nesta terça-feira. As temperaturas continuam baixas no começo da manhã, em parte pela presença da massa de ar frio que ainda predomina na região, mas também devido a perda radiativa de calor junto a superfície.
PARANA
As condições meteorológicas são favoráveis à formação de geada, no SUL e REGIÃO CENTRAL, ao amanhecer do(s) dia(s) 31/05/2011.
São previstas geadas de fraca intensidade na Região Metropolitana de Curitiba, Lapa, Norte Pioneiro, Ivaiporã, Campo Mourão e Sudoeste paranaense. Também são previstas formação de geadas de intensidade moderada nas regiões de Castro, Telêmaco Borba, Ponta Grossa, Irati, Guarapuava e Palmas, para as próximas 24 horas.
Minas Gerais
As condições meteorológicas são favoráveis à formação de geada, em áreas isoladas do SUL, ao amanhecer do(s) dia(s) 31/05/2011.
SAO PAULO
As condições meteorológicas são favoráveis à ocorrência de declínio da temperatura com formação de geada, na SERRA DA MANTIQUEIRA, ao amanhecer do(s) dia(s) 29/05/2011 e 30/05/2011.
RIO GRANDE DO SUL
As condições meteorológicas são favoráveis à formação de geada, na SERRA DO NORDESTE, ao amanhecer do(s) dia(s) 31/05/2011.
SANTA CATARINA
As condições meteorológicas são favoráveis à formação de geada, no PLANALTO SUL e PLANALTO NORTE, ao amanhecer do(s) dia(s) 31/05/2011.
Previsão do tempo para a região Sudeste
segunda, 30 de maio de 2011
PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO PASSANDO A ENCOBERTO COM CHUVA NO ESPÍRITO SANTO, CENTRO E NORTE DO RIO DE JANEIRO. PODE CHOVER NO NORDESTE DE SÃO PAULO. DEMAIS ÁREAS PARCIALMENTE NUBLADO.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 6°C
terça, 31 de maio de 2011
NUBLADO A PARCIALMENTE NUBLADO COM POSSIBILIDADE DE CHUVAS ISOLADAS NO ESPÍRTIO SANTO. PODE GEAR NO VALE DO PARANAPANEMA EM SÃO PAULO. DEMAIS ÁREAS COM NEBULOSIDADE VARIÁVEL E COM NÉVOA SECA EM MINAS GERAIS.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 4°C
quarta, 01 de junho de 2011
PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO COM CHUVA EM ÁREAS ISOLADAS DO RIO DE JANEIRO E DO ESPÍRITO SANTO. DEMAIS ÁREAS COM NEBULOSIDADE VARIÁVEL.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 5°C
quinta, 02 de junho de 2011
CLARO A PARCIALMENTE NUBLADO EM MINAS GERAIS. PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO, PASSANDO A ENCOBERTO COM CHUVAS NO ESPÍRITO SANTO E CENTRO NORTE DO RIO DE JANEIRO. DEMAIS ÁREAS DO RIO DE JANEIRO, PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 6°C
CÓDIGO FLORESTAL - O projeto sai da Câmara conforme queriam os ruralistas, e Dilma promete vetar os pontos mais polêmicos
POR GERSON FREITAS JR. | CARTA CAPITAL
A votação das controversas mudanças no Código Florestal rachou a base aliada e impôs ao governo Dilma sua primeira derrota na Câmara dos Deputados. Os congressistas aprovaram não só o texto básico do relator Aldo Rebelo, apoiado "com ressalvas" pelo Planalto, mas também a Emenda 164, que a presidenta classificou como "vergonhosa" e prometeu vetar.
A vitória dos ruralistas foi acachapante. O relatório teve 474 votos a favor e apenas 63 contra. Navotação do destaque, foram 273 contra 182.0 resultado não surpreendeu. A aprovação, tanto do relatório quanto da emenda, era dada como certa já nas primeiras horas da terça-feira 24. A única dúvida era se o governo aceitaria a derrota ou abortaria a votação, como fez duas semanas antes. Fragilizado pelo escândalo do vertiginoso enriquecimento de Antonio Palocci, o Planalto não viu outra saída senão aceitar os fatos.
Visivelmente constrangido, o líder do Partido dos Trabalhadores, Paulo Teixeira, recomendou o voto no relatório de Rebelo. "O projeto ainda tem problemas sérios, mas avançou muito em relação à proposta inicial", justificou minutos antes do pleito. E, embora não tenha liberado a bancada, disse que o partido "entenderia" eventuais dissidências. Ao todo, 35 de 81 deputados.
No outro lado, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, comandou a rebelião da base contra o governo. O partido do vice, Michel Temer, votou em peso a favor do relatório e da Emenda 164, da qual foi um dos signatários. O governo promete alterar o projeto no Senado. O Planalto quer incluir na proposta a recomposição obrigatória de 20% de todas as áreas de preservação permanente, como topos de morros e margens de rios, e penas adicionais aos agricultores que reincidirem em agressões ao meio ambiente. "Vamos deixar claro que o governo tem uma proposta alternativa", disse Cândido Vaccarezza, o líder governista na Câmara.
O Planalto espera que a discussão no Senado ocorra com mais serenidade. A avaliação é de que, na Câmara, o embate entre ruralistas e ambientalistas extrapolou em muito o tom desejável e arruinou qualquer possibilidade de acordo. Por isso, Dilma deverá reeditar o decreto que isenta de multa os proprietários de terra que desmataram ilegalmente, a fim de dar mais tempo aos senadores. O decreto atual vence em 11 de junho. O valor das multas a serem aplicadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Humanos Naturais e Renováveis (Ibama) e ainda não pagas até 22 de julho de 2008 extrapola a casa dos 2,4 bilhões de reais. Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas respondem por 85% desse valor.
"O Congresso não deve votar com uma faca no pescoço. Não havendo condição de se chegar a um acordo antes desse prazo, o governo já sinalizou que prorrogará o decreto", afirma Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados. O presidente do Senado, José Sarney, declarou que o projeto deverá ser apreciado "sem atropelo" por ao menos três comissões: Constituição e Justiça, Meio Ambiente e Agricultura.
Segundo o líder do governo na casa, Romero Jucá, a relatoria do projeto ficará por conta do presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), parlamentar de confiança do Planalto.
Caso não consiga reverter o resultado obtido na Câmara, Dilma prometeu vetar os pontos mais críticos ou mesmo todo o texto do Código Florestal. Embora seja uma prerrogativa constitucional do presidente da República, a medida poderia abrir uma crise entre os poderes logo no primeiro ano de mandato. Para evitar esse desgaste, o governo vai trabalhar para garantir a fidelidade de sua ampla base aliada no Senado.
Na Câmara, a votação do Código Florestal voltou a colocar em xeque a relação entre o governo e o PMDB. Em seu discurso, Eduardo Alves tentou negar a conclusão óbvia de que ajudava a derrotar o governo. "Não sou um aliado do governo Dilma. Eu sou o governo Dilma." Logo em seguida, inflamado, desafiou o Planalto. "Esta é a hora de esta Casa (a Câmara) se afirmar. Isto aqui é um poder", afirmou, sob aplausos efusivos da oposição. "Eduardo Alves fez um discurso histórico de defesa do Parlamento", elogiou o colegaACM Neto. Alves, vale lembrar, é candidato à presidência da Câmara, cargo pretendido também por Aldo Rebelo.
Em sua tentativa de defender o Planalto, Vaccarezza saiu-se de maneira desastrosa. Após afirmar, corretamente, que é o presidente quem fala pelo governo em um regime presidencialista, o petista caiu em desgraça ao afirmar que o Congresso "corre risco quando vota contra o governo". Foi a senha para que os parlamentares transformassem a votação da Emenda 164 em um ato de independência da Câmara contra uma suposta ingerência do Executivo. Após a derrota, o líder governista disse que a relação com o PMDB não foi abalada com o episódio. "É uma página virada."
A Emenda 164 é o ponto mais crítico do novo Código Florestal. Proposta por parlamentares do PMDB, revoga o artigo 8° do texto relatado por Aldo Rebelo. Com esse artigo, o governo federal havia assegurado o direito de regulamentar, por decreto, quais APPs poderiam continuar a ser usadas pela agricultura e quais deveriam ser recompostas. O objetivo era distinguir áreas de preservação utilizadas por culturas há muitos anos, como as de café em Minas Gerais, daquelas que foram desmatadas ilegalmente, após a vigência do Código Florestal. Com a emenda, caberá aos estados fazer a distinção.
O governo federal desconfia da capacidade dos estados de fazer cumprir a lei. O que impediria que unidades da federação como o Mato Grosso, dominado por representantes do agronegócio, de liberar o plantio de soja em áreas de preservação permanente sob o artifício do "interesse social"? Na prática, argumentam os ambientalistas, a medida consolida todas as ocupações irregulares e anistia os desmatadores.
Por outro lado, argumenta o deputado Moreira Mendes (PPS), líder da frente parlamentar agropecuária, a prerrogativa de regulamentar as exceções por decreto transformaria a questão em moeda de troca política para o governo federal. "O governo quer é aprovar um código restritivo, que é o que conta para quem vê de fora, e depois liberar as ocupações no varejo." Para Duarte Nogueira, líder do PSDB na Câmara, a proposta governista é "autoritária", pois "submete a sobrevivência de culturas centenárias à caneta do governo".
De todo modo, a grande ameaça do novo Código é moral. Ao anistiar os proprietários de terra que desmataram ilegalmente, o Brasil passa mensagem de que o crime compensa. "O produtor que sempre seguiu a lei, que manteve as áreas de preservação permanente e reserva legal, vai chegar à conclusão de que errou", afirma Teixeira. Tal percepção seria a principal causa da disparada no ritmo de desmatamento da Amazônia, apontada pelos satélites do Inpe, nos últimos meses.
A senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), argumenta que não faz sentido falar em anistia se os produtores terão de aderir a um plano de regularização que prevê a recomposição (parcial) das áreas devastadas. "Além disso, a lei não abre qualquer brecha para quem desmatou após julho de 2008. Estes vão ter de se entender com a Justiça."
Para se verem livres das penalidades por crimes ambientais, os produtores em situação irregular terão de aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), conduzido pela União em conjunto com os estados, no prazo de até um ano após a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o que deve acontecer em até 90 dias após a publicação da futura lei.
Quem aderir ao PRA terá de assinar um termo de adesão e compromisso que vai especificar os procedimentos de recuperação ambiental. Cumpridos os termos, as punições são extintas. Contudo, o precedente justifica a desconfiança de que, passados alguns anos e descumpridas as ordens do PRA, os produtores rurais voltem a apelar ao argumento da "segurança jurídica" para conseguir um novo perdão.
No mais, o relatório votado contém avanços importantes em relação às primeiras versões apresentadas por Rebelo. O governo conseguiu garantir a manutenção das áreas de reserva legal e preservação permanente previstos no código atual. Ou seja, a nova legislação não autoriza novos desmatamentos em relação àqueles que já seriam permitidos atualmente. A flexibilização vale apenas para aqueles que terão de recompor áreas derrubadas. Em outras palavras, o novo Código Florestal não autoriza a devastação da Amazônia, como sugere a retórica ambientalista.
A discussão sobre as mudanças no Código Florestal foi, desde o início, um campo aberto para argumentos falaciosos e delirantes. No dia da votação, a senadora Kátia Abreu chegou a afirmar que as ONGs de defesa ao meio ambiente agiam como a máfia italiana ou as milícias cariocas "ao extorquir empresários sob a ameaça de desmoralização pública". Espera-se que, no Senado, o debate tenha a lucidez que o tema exige.
A votação das controversas mudanças no Código Florestal rachou a base aliada e impôs ao governo Dilma sua primeira derrota na Câmara dos Deputados. Os congressistas aprovaram não só o texto básico do relator Aldo Rebelo, apoiado "com ressalvas" pelo Planalto, mas também a Emenda 164, que a presidenta classificou como "vergonhosa" e prometeu vetar.
A vitória dos ruralistas foi acachapante. O relatório teve 474 votos a favor e apenas 63 contra. Navotação do destaque, foram 273 contra 182.0 resultado não surpreendeu. A aprovação, tanto do relatório quanto da emenda, era dada como certa já nas primeiras horas da terça-feira 24. A única dúvida era se o governo aceitaria a derrota ou abortaria a votação, como fez duas semanas antes. Fragilizado pelo escândalo do vertiginoso enriquecimento de Antonio Palocci, o Planalto não viu outra saída senão aceitar os fatos.
Visivelmente constrangido, o líder do Partido dos Trabalhadores, Paulo Teixeira, recomendou o voto no relatório de Rebelo. "O projeto ainda tem problemas sérios, mas avançou muito em relação à proposta inicial", justificou minutos antes do pleito. E, embora não tenha liberado a bancada, disse que o partido "entenderia" eventuais dissidências. Ao todo, 35 de 81 deputados.
No outro lado, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, comandou a rebelião da base contra o governo. O partido do vice, Michel Temer, votou em peso a favor do relatório e da Emenda 164, da qual foi um dos signatários. O governo promete alterar o projeto no Senado. O Planalto quer incluir na proposta a recomposição obrigatória de 20% de todas as áreas de preservação permanente, como topos de morros e margens de rios, e penas adicionais aos agricultores que reincidirem em agressões ao meio ambiente. "Vamos deixar claro que o governo tem uma proposta alternativa", disse Cândido Vaccarezza, o líder governista na Câmara.
O Planalto espera que a discussão no Senado ocorra com mais serenidade. A avaliação é de que, na Câmara, o embate entre ruralistas e ambientalistas extrapolou em muito o tom desejável e arruinou qualquer possibilidade de acordo. Por isso, Dilma deverá reeditar o decreto que isenta de multa os proprietários de terra que desmataram ilegalmente, a fim de dar mais tempo aos senadores. O decreto atual vence em 11 de junho. O valor das multas a serem aplicadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Humanos Naturais e Renováveis (Ibama) e ainda não pagas até 22 de julho de 2008 extrapola a casa dos 2,4 bilhões de reais. Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas respondem por 85% desse valor.
"O Congresso não deve votar com uma faca no pescoço. Não havendo condição de se chegar a um acordo antes desse prazo, o governo já sinalizou que prorrogará o decreto", afirma Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados. O presidente do Senado, José Sarney, declarou que o projeto deverá ser apreciado "sem atropelo" por ao menos três comissões: Constituição e Justiça, Meio Ambiente e Agricultura.
Segundo o líder do governo na casa, Romero Jucá, a relatoria do projeto ficará por conta do presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), parlamentar de confiança do Planalto.
Caso não consiga reverter o resultado obtido na Câmara, Dilma prometeu vetar os pontos mais críticos ou mesmo todo o texto do Código Florestal. Embora seja uma prerrogativa constitucional do presidente da República, a medida poderia abrir uma crise entre os poderes logo no primeiro ano de mandato. Para evitar esse desgaste, o governo vai trabalhar para garantir a fidelidade de sua ampla base aliada no Senado.
Na Câmara, a votação do Código Florestal voltou a colocar em xeque a relação entre o governo e o PMDB. Em seu discurso, Eduardo Alves tentou negar a conclusão óbvia de que ajudava a derrotar o governo. "Não sou um aliado do governo Dilma. Eu sou o governo Dilma." Logo em seguida, inflamado, desafiou o Planalto. "Esta é a hora de esta Casa (a Câmara) se afirmar. Isto aqui é um poder", afirmou, sob aplausos efusivos da oposição. "Eduardo Alves fez um discurso histórico de defesa do Parlamento", elogiou o colegaACM Neto. Alves, vale lembrar, é candidato à presidência da Câmara, cargo pretendido também por Aldo Rebelo.
Em sua tentativa de defender o Planalto, Vaccarezza saiu-se de maneira desastrosa. Após afirmar, corretamente, que é o presidente quem fala pelo governo em um regime presidencialista, o petista caiu em desgraça ao afirmar que o Congresso "corre risco quando vota contra o governo". Foi a senha para que os parlamentares transformassem a votação da Emenda 164 em um ato de independência da Câmara contra uma suposta ingerência do Executivo. Após a derrota, o líder governista disse que a relação com o PMDB não foi abalada com o episódio. "É uma página virada."
A Emenda 164 é o ponto mais crítico do novo Código Florestal. Proposta por parlamentares do PMDB, revoga o artigo 8° do texto relatado por Aldo Rebelo. Com esse artigo, o governo federal havia assegurado o direito de regulamentar, por decreto, quais APPs poderiam continuar a ser usadas pela agricultura e quais deveriam ser recompostas. O objetivo era distinguir áreas de preservação utilizadas por culturas há muitos anos, como as de café em Minas Gerais, daquelas que foram desmatadas ilegalmente, após a vigência do Código Florestal. Com a emenda, caberá aos estados fazer a distinção.
O governo federal desconfia da capacidade dos estados de fazer cumprir a lei. O que impediria que unidades da federação como o Mato Grosso, dominado por representantes do agronegócio, de liberar o plantio de soja em áreas de preservação permanente sob o artifício do "interesse social"? Na prática, argumentam os ambientalistas, a medida consolida todas as ocupações irregulares e anistia os desmatadores.
Por outro lado, argumenta o deputado Moreira Mendes (PPS), líder da frente parlamentar agropecuária, a prerrogativa de regulamentar as exceções por decreto transformaria a questão em moeda de troca política para o governo federal. "O governo quer é aprovar um código restritivo, que é o que conta para quem vê de fora, e depois liberar as ocupações no varejo." Para Duarte Nogueira, líder do PSDB na Câmara, a proposta governista é "autoritária", pois "submete a sobrevivência de culturas centenárias à caneta do governo".
De todo modo, a grande ameaça do novo Código é moral. Ao anistiar os proprietários de terra que desmataram ilegalmente, o Brasil passa mensagem de que o crime compensa. "O produtor que sempre seguiu a lei, que manteve as áreas de preservação permanente e reserva legal, vai chegar à conclusão de que errou", afirma Teixeira. Tal percepção seria a principal causa da disparada no ritmo de desmatamento da Amazônia, apontada pelos satélites do Inpe, nos últimos meses.
A senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), argumenta que não faz sentido falar em anistia se os produtores terão de aderir a um plano de regularização que prevê a recomposição (parcial) das áreas devastadas. "Além disso, a lei não abre qualquer brecha para quem desmatou após julho de 2008. Estes vão ter de se entender com a Justiça."
Para se verem livres das penalidades por crimes ambientais, os produtores em situação irregular terão de aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), conduzido pela União em conjunto com os estados, no prazo de até um ano após a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o que deve acontecer em até 90 dias após a publicação da futura lei.
Quem aderir ao PRA terá de assinar um termo de adesão e compromisso que vai especificar os procedimentos de recuperação ambiental. Cumpridos os termos, as punições são extintas. Contudo, o precedente justifica a desconfiança de que, passados alguns anos e descumpridas as ordens do PRA, os produtores rurais voltem a apelar ao argumento da "segurança jurídica" para conseguir um novo perdão.
No mais, o relatório votado contém avanços importantes em relação às primeiras versões apresentadas por Rebelo. O governo conseguiu garantir a manutenção das áreas de reserva legal e preservação permanente previstos no código atual. Ou seja, a nova legislação não autoriza novos desmatamentos em relação àqueles que já seriam permitidos atualmente. A flexibilização vale apenas para aqueles que terão de recompor áreas derrubadas. Em outras palavras, o novo Código Florestal não autoriza a devastação da Amazônia, como sugere a retórica ambientalista.
A discussão sobre as mudanças no Código Florestal foi, desde o início, um campo aberto para argumentos falaciosos e delirantes. No dia da votação, a senadora Kátia Abreu chegou a afirmar que as ONGs de defesa ao meio ambiente agiam como a máfia italiana ou as milícias cariocas "ao extorquir empresários sob a ameaça de desmoralização pública". Espera-se que, no Senado, o debate tenha a lucidez que o tema exige.
Frio continua no Paraná, com risco para formação de geadas no sul da região cafeeira
Frio continua no Paraná, com risco para formação de geadas no sul da região cafeeira
Com informações do INMET e IAPAR
O frio continua no Paraná, com risco para formação de geadas. Com destaque no centro-sul e Região Metropolitana de Curitiba onde a intensidade deve variar de moderada a forte, nas próximas 24 horas.
No sul da região cafeeira é previsto formação de geadas de fraca intensidade em locais de baixadas e em pontos isolados.
Em Minas Gerais as condições meteorológicas são favoráveis à ocorrência de baixa umidade relativa do ar, , em torno de 30% no Noroeste e Norte do estado, no período entre os dias 28/05/2011 e 29/05/2011.
Previsão do tempo para a região Sudeste
segunda, 30 de maio de 2011
PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO PASSANDO A ENCOBERTO COM CHUVA NO ESPÍRITO SANTO, CENTRO E NORTE DO RIO DE JANEIRO. PODE CHOVER NO NORDESTE DE SÃO PAULO. DEMAIS ÁREAS PARCIALMENTE NUBLADO.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 6°C
terça, 31 de maio de 2011
NUBLADO A PARCIALMENTE NUBLADO COM POSSIBILIDADE DE CHUVAS ISOLADAS NO ESPÍRTIO SANTO. PODE GEAR NO VALE DO PARANAPANEMA EM SÃO PAULO. DEMAIS ÁREAS COM NEBULOSIDADE VARIÁVEL E COM NÉVOA SECA EM MINAS GERAIS.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 4°C
quarta, 01 de junho de 2011
PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO COM CHUVA EM ÁREAS ISOLADAS DO RIO DE JANEIRO E DO ESPÍRITO SANTO. DEMAIS ÁREAS COM NEBULOSIDADE VARIÁVEL.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 5°C
quinta, 02 de junho de 2011
CLARO A PARCIALMENTE NUBLADO EM MINAS GERAIS. PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO, PASSANDO A ENCOBERTO COM CHUVAS NO ESPÍRITO SANTO E CENTRO NORTE DO RIO DE JANEIRO. DEMAIS ÁREAS DO RIO DE JANEIRO, PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 6°C
Com informações do INMET e IAPAR
O frio continua no Paraná, com risco para formação de geadas. Com destaque no centro-sul e Região Metropolitana de Curitiba onde a intensidade deve variar de moderada a forte, nas próximas 24 horas.
No sul da região cafeeira é previsto formação de geadas de fraca intensidade em locais de baixadas e em pontos isolados.
Em Minas Gerais as condições meteorológicas são favoráveis à ocorrência de baixa umidade relativa do ar, , em torno de 30% no Noroeste e Norte do estado, no período entre os dias 28/05/2011 e 29/05/2011.
Previsão do tempo para a região Sudeste
segunda, 30 de maio de 2011
PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO PASSANDO A ENCOBERTO COM CHUVA NO ESPÍRITO SANTO, CENTRO E NORTE DO RIO DE JANEIRO. PODE CHOVER NO NORDESTE DE SÃO PAULO. DEMAIS ÁREAS PARCIALMENTE NUBLADO.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 6°C
terça, 31 de maio de 2011
NUBLADO A PARCIALMENTE NUBLADO COM POSSIBILIDADE DE CHUVAS ISOLADAS NO ESPÍRTIO SANTO. PODE GEAR NO VALE DO PARANAPANEMA EM SÃO PAULO. DEMAIS ÁREAS COM NEBULOSIDADE VARIÁVEL E COM NÉVOA SECA EM MINAS GERAIS.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 4°C
quarta, 01 de junho de 2011
PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO COM CHUVA EM ÁREAS ISOLADAS DO RIO DE JANEIRO E DO ESPÍRITO SANTO. DEMAIS ÁREAS COM NEBULOSIDADE VARIÁVEL.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 5°C
quinta, 02 de junho de 2011
CLARO A PARCIALMENTE NUBLADO EM MINAS GERAIS. PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO, PASSANDO A ENCOBERTO COM CHUVAS NO ESPÍRITO SANTO E CENTRO NORTE DO RIO DE JANEIRO. DEMAIS ÁREAS DO RIO DE JANEIRO, PARCIALMENTE NUBLADO A NUBLADO.
TEMPERATURA: ESTAVEL MAX.: 32°C MIN.: 6°C
domingo, 29 de maio de 2011
Mais uma semana sem direção.
Mais uma semana sem direção.
O mercado do café teve mais uma semana com sentimentos mistos, ora o mercado mostrava-se comprador ora mostrava-se vendedor. Uma condição típica de consolidação onde realmente estes tipos de sentimentos confundem nossas analises e até operações do mercado.
Esperar uma correção em queda dentro de um quadro de estoques baixos e na entrada do inverno brasileiro, sendo que o clima tem sido um dos fortes fatores para a valorização do commodities seria extremamente arriscado, portanto vender na bolsa sem uma confirmação técnica fica difícil.
O mercado tentou recuar não emplacando preços abaixo de 260.00 e na tentativa de romper 270.00 à ponta vendedora apareceu fazendo que o mercado recua-se.
Estamos dentro deste range por enquanto entre 260.00 e 270.00, na proximidade destes valores temos trade com stops curto.
A entrada da safra brasileira traz novas especulações, vimos grandes instituições financeiras como ABN conseguir encontrar sobra astronômica de café arábica, um total de 690.000 sacas de café frente um consumo de 130 milhões de sacas de café, outras entidades como a agencia safras também mandaram revisões nas previsões da produção.
Este excepcional excedente de mercadoria previsto, que com certeza devera ter também uma excepcional qualidade, nos mostra que o quadro para a indústria é realmente preocupante.
Na mão da indústria cafeeira existe um belo abacaxi para se descascar, estão com um ano de ciclo baixo no país que é o maior fornecedor de matéria prima do mundo, o Brasil, problemas climáticos no segundo maior produtor de arábica do mundo, a Colômbia, e um crescimento no consumo nunca visto antes na historia junta-se a isto os menores estoques da historia não somente em números absolutos como também estatisticamente, entre a produção e o consumo.
Na ultima década tivemos preços baixos para o produtor que não fez investimentos para aumento de área plantada, melhorou se a qualidade e a produtividade o que deu uma ordenação entre consumo e produção, mas com o avanço de economias de paises em desenvolvimento este quadro mudou, e mesmo que as grandes potencias tenham entrado em crise a demanda por café aumentou deixando a indústria em xeque.
Toda indústria precisa de matéria prima, e se possível barata, mas estamos agora para descobrir o que seria barato e o que seria caro para o mercado como um todo.
Quando vemos que o café na bolsa de Nova Iorque chega a custar 10% mais barato que o físico acredita assim que o mercado ainda não encontrou o ponto , quando sabemos que a indústria precisa para os próximos dez anos , um investimento para que haja um crescimento de pelo menos 80% da área plantada brasileira, e que os produtores ainda carregam dividas da ultima década, e que só a indústria levou o premio para casa, sabemos que o mercado ainda tem que se mostrar atrativo e seguro para a classe produtora para tal investimento.
Os produtores brasileiros trabalham sem seguros climáticos e nem de mercado, onde só ele paga os prejuízos do setor, portanto me parece um bom momento para que haja um acordo de parceria para a continuidade da cadeia.
A direção do mercado será dada pela harmonia de um entendimento do mercado caso contrario, esta década será paga a conta pela ponta que precisar da matéria prima.
Tecnicamente estamos em uma consolidação, temos duas analises gráficas diferentes em tempos gráficos que nos dão analises contrarias uma da outra.
No gráfico diário temos uma bear flag que flâmula na parte inferior do gráfico, que o seu rompimento que seria 254.00 reflete o mercado para 230.00, no gráfico semanal tem um fundo duplo não rompido ainda e o fechamento na sexta feira nos trouxe no estudo de candlestick um harami, o que mostra um possível teste de topo em 308.9, o que poucos acreditam, com a saída dos fundos do mercado sistematicamente há 3 semanas podemos entender que eles estariam líquidos e uma entrada poderia o mercado voltar a subir.
Com os preços de café fino mais barato são encontrados nas bolsas Ice e Bmf não acredito que os estoques baixos e o inverno brasileiro uma correção mais aguda venha acontecer no momento, portanto acredito no teste de topo, mas os dois cenários estão abertos.
Vamos aguardar para ver o que ira acontecer, uma boa semana a todos e que Deus os abençoe.
Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
O mercado do café teve mais uma semana com sentimentos mistos, ora o mercado mostrava-se comprador ora mostrava-se vendedor. Uma condição típica de consolidação onde realmente estes tipos de sentimentos confundem nossas analises e até operações do mercado.
Esperar uma correção em queda dentro de um quadro de estoques baixos e na entrada do inverno brasileiro, sendo que o clima tem sido um dos fortes fatores para a valorização do commodities seria extremamente arriscado, portanto vender na bolsa sem uma confirmação técnica fica difícil.
O mercado tentou recuar não emplacando preços abaixo de 260.00 e na tentativa de romper 270.00 à ponta vendedora apareceu fazendo que o mercado recua-se.
Estamos dentro deste range por enquanto entre 260.00 e 270.00, na proximidade destes valores temos trade com stops curto.
A entrada da safra brasileira traz novas especulações, vimos grandes instituições financeiras como ABN conseguir encontrar sobra astronômica de café arábica, um total de 690.000 sacas de café frente um consumo de 130 milhões de sacas de café, outras entidades como a agencia safras também mandaram revisões nas previsões da produção.
Este excepcional excedente de mercadoria previsto, que com certeza devera ter também uma excepcional qualidade, nos mostra que o quadro para a indústria é realmente preocupante.
Na mão da indústria cafeeira existe um belo abacaxi para se descascar, estão com um ano de ciclo baixo no país que é o maior fornecedor de matéria prima do mundo, o Brasil, problemas climáticos no segundo maior produtor de arábica do mundo, a Colômbia, e um crescimento no consumo nunca visto antes na historia junta-se a isto os menores estoques da historia não somente em números absolutos como também estatisticamente, entre a produção e o consumo.
Na ultima década tivemos preços baixos para o produtor que não fez investimentos para aumento de área plantada, melhorou se a qualidade e a produtividade o que deu uma ordenação entre consumo e produção, mas com o avanço de economias de paises em desenvolvimento este quadro mudou, e mesmo que as grandes potencias tenham entrado em crise a demanda por café aumentou deixando a indústria em xeque.
Toda indústria precisa de matéria prima, e se possível barata, mas estamos agora para descobrir o que seria barato e o que seria caro para o mercado como um todo.
Quando vemos que o café na bolsa de Nova Iorque chega a custar 10% mais barato que o físico acredita assim que o mercado ainda não encontrou o ponto , quando sabemos que a indústria precisa para os próximos dez anos , um investimento para que haja um crescimento de pelo menos 80% da área plantada brasileira, e que os produtores ainda carregam dividas da ultima década, e que só a indústria levou o premio para casa, sabemos que o mercado ainda tem que se mostrar atrativo e seguro para a classe produtora para tal investimento.
Os produtores brasileiros trabalham sem seguros climáticos e nem de mercado, onde só ele paga os prejuízos do setor, portanto me parece um bom momento para que haja um acordo de parceria para a continuidade da cadeia.
A direção do mercado será dada pela harmonia de um entendimento do mercado caso contrario, esta década será paga a conta pela ponta que precisar da matéria prima.
Tecnicamente estamos em uma consolidação, temos duas analises gráficas diferentes em tempos gráficos que nos dão analises contrarias uma da outra.
No gráfico diário temos uma bear flag que flâmula na parte inferior do gráfico, que o seu rompimento que seria 254.00 reflete o mercado para 230.00, no gráfico semanal tem um fundo duplo não rompido ainda e o fechamento na sexta feira nos trouxe no estudo de candlestick um harami, o que mostra um possível teste de topo em 308.9, o que poucos acreditam, com a saída dos fundos do mercado sistematicamente há 3 semanas podemos entender que eles estariam líquidos e uma entrada poderia o mercado voltar a subir.
Com os preços de café fino mais barato são encontrados nas bolsas Ice e Bmf não acredito que os estoques baixos e o inverno brasileiro uma correção mais aguda venha acontecer no momento, portanto acredito no teste de topo, mas os dois cenários estão abertos.
Vamos aguardar para ver o que ira acontecer, uma boa semana a todos e que Deus os abençoe.
Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
Food inflation favors corporate strongmen
Food inflation favors corporate strongmen
Lisa Lee - The author is a Reuters Breakingviews columnist. The opinions expressed are her own.
Fickle weather, decreasing farmland and more mouths are pushing up prices of wheat and other important ingredients and soft commodities. Companies feeding the hungry masses are running out of places to slash costs and increasingly being forced to pass the inflation on to customers to avoid smaller profits. Big brands and proactive market leaders, like McDonald’s and Pepsi, stand to survive the storm best.
Some early evidence seems to favor the brave. J M Smucker has been leading the way hiking the price of Folgers coffee. A jar that sold for $4 a year ago now costs $5.20, a 30 percent increase. Rival Kraft typically has taken longer to raise prices in this category, but Smucker’s shares have performed better despite — or maybe because of — the aggressive moves.
Pepsi also shocked markets earlier this year when it jacked up forecasts for commodity inflation to roughly double what rivals like Coca-Cola were expecting. But competitors have slowly come around, and in the meantime Pepsi shares have outperformed theirs.
The cost adversity also puts market leaders in position to throw their weight around. McDonald’s, for example, plans to invest $1 billion over the next few years to remodel some 5,000 restaurants. A nicer atmosphere might help ease the pain of a pricier Big Mac. In the past, such redesigns have increased sales of established stores by 6-7 percent. Smaller rivals may not have such capital to invest to mask their costlier meals.
History also favors the titans. During the last big global food inflation, in 2007-08, General Mills hiked prices and still gained impressive market share. With brands like Cheerios and Lucky Charms, the company surged from 16 percent of U.S. cereal sales to 26 percent in a year, according to research firm IBISWorld.
With the economy only wheezing back to life and jobs still hard to come by, consumers may not have as much of an appetite for higher prices as they had in previous downturns. But the companies big enough and bold enough to tackle the issue head on seem nevertheless to have an edge in tough times.
Lisa Lee - The author is a Reuters Breakingviews columnist. The opinions expressed are her own.
Fickle weather, decreasing farmland and more mouths are pushing up prices of wheat and other important ingredients and soft commodities. Companies feeding the hungry masses are running out of places to slash costs and increasingly being forced to pass the inflation on to customers to avoid smaller profits. Big brands and proactive market leaders, like McDonald’s and Pepsi, stand to survive the storm best.
Some early evidence seems to favor the brave. J M Smucker has been leading the way hiking the price of Folgers coffee. A jar that sold for $4 a year ago now costs $5.20, a 30 percent increase. Rival Kraft typically has taken longer to raise prices in this category, but Smucker’s shares have performed better despite — or maybe because of — the aggressive moves.
Pepsi also shocked markets earlier this year when it jacked up forecasts for commodity inflation to roughly double what rivals like Coca-Cola were expecting. But competitors have slowly come around, and in the meantime Pepsi shares have outperformed theirs.
The cost adversity also puts market leaders in position to throw their weight around. McDonald’s, for example, plans to invest $1 billion over the next few years to remodel some 5,000 restaurants. A nicer atmosphere might help ease the pain of a pricier Big Mac. In the past, such redesigns have increased sales of established stores by 6-7 percent. Smaller rivals may not have such capital to invest to mask their costlier meals.
History also favors the titans. During the last big global food inflation, in 2007-08, General Mills hiked prices and still gained impressive market share. With brands like Cheerios and Lucky Charms, the company surged from 16 percent of U.S. cereal sales to 26 percent in a year, according to research firm IBISWorld.
With the economy only wheezing back to life and jobs still hard to come by, consumers may not have as much of an appetite for higher prices as they had in previous downturns. But the companies big enough and bold enough to tackle the issue head on seem nevertheless to have an edge in tough times.
CAFÉ NA BM&F REFLETE FÍSICO DEMANDO INTERNAMENTE
CAFÉ NA BM&F REFLETE FÍSICO DEMANDO INTERNAMENTE
O dólar americano voltou a escorregar durante a semana com notícias negativas vindo da maior economia do planeta. Mais uma vez o mercado imobiliário mostrou números de vendas abaixo do esperado, e entre alguns outros indicadores importantes foram divulgados pedidos de bens duráveis menores e crescimento do PIB do primeiro trimestre reduzido, dado o preço alto das commodities que impactaram os gastos dos consumidores.
A queda do dólar se deu não apenas contra o Euro e a principal cesta de moedas, mas também contra o Real brasileiro que encerrou a semana a R$ 1.5945, menor nível desde o começo de maio.
O café em Nova Iorque negociou entre US$ 258.90 e US$ 270.30 centavos por libra nos últimos 5 dias, fechando o período com ganhos de US$ 6.02 por saca para a posição de julho. Em Londres o robusta ganhou menos, US$ 3.06 por saca para o mesmo mês, entretanto em São Paulo a BM&F se mostrou bem firme, com uma alta de US$ 11.25 por saca no contrato de setembro. Por que será isto?
Se olharmos para o mercado físico brasileiro podemos entender um pouco, dado os níveis de preço que tem sido negociado cafés de safra-nova. O problema entretanto parece mais uma vez ser o reflexo daqueles que estão “short-basis” nos seus livros, ou seja vendidos em diferencial para exportação e tendo que cobrir seus embarques de cafés-finos. Ainda que a safra 10/11 tenha sido grande, os produtores aproveitaram para vender seus cafés a preços atrativos, sabiamente, e com isso os estoques nas mãos da produção são pequenos – o que não necessariamente é o mesmo caso para os estoques nas mãos dos outros agentes que compõe a cadeia (na origem). Com isso o café BM&F, acaba sendo uma alternativa “menos-custosa”, pois negocia próximo de US$ 10 centavos de desconto, comparado com o físico que tem a reposição em torno de “even” (ou com leve prêmio dependendo do momento de fixação).
O efeito da valorização do Real brasileiro também pode ser um “culpado”, mas o fato é que a situação do mercado interno brasileiro é peculiar pela falta de cafés melhores não-comprometidos, e com isso a principal origem fornecedora de café no mundo preocupa os baixistas de plantão.
Do outro lado da equação, as indústrias tem buscado coberturas relativamente mais baratas de cafés-suaves, nada em volume significativo, mas por ora esperam melhor disponibilidade de Brasil para começarem suas compras para o período a partir de setembro. No ínterim uma nova rodada de aumento de preços do torrado e moído foi anunciado nos Estados Unidos, 11% de aumento pela 2ª maior torrefadora do país.
Na semana um dos destaques foi o seminário de excelente qualidade promovido pela BM&F em São Paulo (e gratuito!), o qual agradeço a oportunidade de ter sido um dos palestrantes. O professor José Roberto Mendonça de Barros mais uma vez deu uma aula para os participantes, como sempre palestrando de uma forma extremamente agradável e de fácil entendimento para o público diversificado. Na pauta, em que abordou a macroeconomia, os dados apresentados reforçam a crença de um melhor momento da economia americana, dos problemas dos países do sul da Europa e da perspectiva de que os juros dos Estados Unidos continuem nos mesmos patamares até 2012.
Creio que caso os efeitos macroeconômicos não se alterem tanto, e o dólar tenha oscilações dentro dos patamares vistos recentemente, o quadro fundamental do café parece que não deve sofrer fortes solavancos. A firmeza dos diferenciais de Brasil, que deve se manter até meados de julho, pode eventualmente ajudar o terminal a não ceder muito, mas ao mesmo tempo não me parece que tenha força para ajudar a bolsa a fazer novas altas – ou seja, novas quedas do atual preço do terminal vão significar um “basis” ainda mais forte (diferencial apertando).
Segunda-feira dia 30 de maio é feriado por aqui, Dia da Memória (aos combatentes mortos em guerra), e em Londres é feriado bancário. Na terça-feira estarei no Coffee Dinner em São Paulo, depois sigo para o interior para fazer uma apresentação sobre o mercado de café à convite de uma cooperativa. A curta semana não parece que trará grandes novidades, e não há sinais técnicos que neste momento impeçam os fundos de continuarem a vender suas posições, desta forma podemos experimentar novas baixas. Aos produtores que precisam vender café para pagar a colheita, a firmeza dos preços no mercado interno devem ser aproveitadas.
Uma ótima semana e muito bons negócios para todos,
Rodrigo Corrêa da Costa
O dólar americano voltou a escorregar durante a semana com notícias negativas vindo da maior economia do planeta. Mais uma vez o mercado imobiliário mostrou números de vendas abaixo do esperado, e entre alguns outros indicadores importantes foram divulgados pedidos de bens duráveis menores e crescimento do PIB do primeiro trimestre reduzido, dado o preço alto das commodities que impactaram os gastos dos consumidores.
A queda do dólar se deu não apenas contra o Euro e a principal cesta de moedas, mas também contra o Real brasileiro que encerrou a semana a R$ 1.5945, menor nível desde o começo de maio.
O café em Nova Iorque negociou entre US$ 258.90 e US$ 270.30 centavos por libra nos últimos 5 dias, fechando o período com ganhos de US$ 6.02 por saca para a posição de julho. Em Londres o robusta ganhou menos, US$ 3.06 por saca para o mesmo mês, entretanto em São Paulo a BM&F se mostrou bem firme, com uma alta de US$ 11.25 por saca no contrato de setembro. Por que será isto?
Se olharmos para o mercado físico brasileiro podemos entender um pouco, dado os níveis de preço que tem sido negociado cafés de safra-nova. O problema entretanto parece mais uma vez ser o reflexo daqueles que estão “short-basis” nos seus livros, ou seja vendidos em diferencial para exportação e tendo que cobrir seus embarques de cafés-finos. Ainda que a safra 10/11 tenha sido grande, os produtores aproveitaram para vender seus cafés a preços atrativos, sabiamente, e com isso os estoques nas mãos da produção são pequenos – o que não necessariamente é o mesmo caso para os estoques nas mãos dos outros agentes que compõe a cadeia (na origem). Com isso o café BM&F, acaba sendo uma alternativa “menos-custosa”, pois negocia próximo de US$ 10 centavos de desconto, comparado com o físico que tem a reposição em torno de “even” (ou com leve prêmio dependendo do momento de fixação).
O efeito da valorização do Real brasileiro também pode ser um “culpado”, mas o fato é que a situação do mercado interno brasileiro é peculiar pela falta de cafés melhores não-comprometidos, e com isso a principal origem fornecedora de café no mundo preocupa os baixistas de plantão.
Do outro lado da equação, as indústrias tem buscado coberturas relativamente mais baratas de cafés-suaves, nada em volume significativo, mas por ora esperam melhor disponibilidade de Brasil para começarem suas compras para o período a partir de setembro. No ínterim uma nova rodada de aumento de preços do torrado e moído foi anunciado nos Estados Unidos, 11% de aumento pela 2ª maior torrefadora do país.
Na semana um dos destaques foi o seminário de excelente qualidade promovido pela BM&F em São Paulo (e gratuito!), o qual agradeço a oportunidade de ter sido um dos palestrantes. O professor José Roberto Mendonça de Barros mais uma vez deu uma aula para os participantes, como sempre palestrando de uma forma extremamente agradável e de fácil entendimento para o público diversificado. Na pauta, em que abordou a macroeconomia, os dados apresentados reforçam a crença de um melhor momento da economia americana, dos problemas dos países do sul da Europa e da perspectiva de que os juros dos Estados Unidos continuem nos mesmos patamares até 2012.
Creio que caso os efeitos macroeconômicos não se alterem tanto, e o dólar tenha oscilações dentro dos patamares vistos recentemente, o quadro fundamental do café parece que não deve sofrer fortes solavancos. A firmeza dos diferenciais de Brasil, que deve se manter até meados de julho, pode eventualmente ajudar o terminal a não ceder muito, mas ao mesmo tempo não me parece que tenha força para ajudar a bolsa a fazer novas altas – ou seja, novas quedas do atual preço do terminal vão significar um “basis” ainda mais forte (diferencial apertando).
Segunda-feira dia 30 de maio é feriado por aqui, Dia da Memória (aos combatentes mortos em guerra), e em Londres é feriado bancário. Na terça-feira estarei no Coffee Dinner em São Paulo, depois sigo para o interior para fazer uma apresentação sobre o mercado de café à convite de uma cooperativa. A curta semana não parece que trará grandes novidades, e não há sinais técnicos que neste momento impeçam os fundos de continuarem a vender suas posições, desta forma podemos experimentar novas baixas. Aos produtores que precisam vender café para pagar a colheita, a firmeza dos preços no mercado interno devem ser aproveitadas.
Uma ótima semana e muito bons negócios para todos,
Rodrigo Corrêa da Costa
sábado, 28 de maio de 2011
Choques nos termos de troca e a demanda agregada
Choques nos termos de troca e a demanda agregada
Qual o verdadeiro peso dos fatores externos para explicar o comportamento da
economia brasileira? Olhando para o período pós-crise, por exemplo, se
convencionou explicar a forte recuperação como fruto das políticas anticíclicas
executadas pelo governo. Outra avaliação comum é atribuir a demanda interna
como verdadeiro motor da economia. Enquanto todos entendem que fatores externos
têm sido importantes, o fato de que a corrente de comércio se encontre abaixo
de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) parece ser prova de que é no mercado
interno que encontramos os fatores dinâmicos da nossa economia.
Essa visão da economia brasileira, defendida com igual ênfase tanto pelos
ortodoxos como desenvolvimentistas, está errada. Apesar dos acalorados debates
entre essas correntes, ambas mantêm igual crença no mito de que a força da
economia brasileira surge do mercado interno. Tanto o discurso ortodoxo, que vê
nos excessos fiscais e monetários a causa principal dos problemas
inflacionários, como o discurso desenvolvimentista, que vê nesses mesmos
fatores a razão pelo alto crescimento, erram em não entender que são os fatores
externos que explicam o que temos de bom (maior demanda e crescimento) e de
ruim (maior inflação e câmbio apreciado) na economia brasileira.
A melhor métrica do impacto de fatores externos sobre a economia hoje é a
tendência dos termos de troca, e como esses afetam tanto a demanda como a
oferta agregada por uma variedade de canais. A alta dos preços de commodities
foi desde 2003 importante para melhorar a posição externa do país. Apesar de
alguma melhora nos termos de troca desde 2003, foi somente em 2007 que os
preços das exportações começaram a subir de maneira mais consistente que os
preços das nossas importações, movimento que acelerou depois da crise. De fato,
a diferença entre os preços das exportações e os preços das importações se
encontra hoje mais de 25 vezes maior que a média dessa diferença desde 2000.
Tal movimento representa um fortíssimo incremento de riqueza para o Brasil que
se irradia pela economia. O maior preço das nossas exportações eleva tanto a
renda atual das empresas como o preço das ações.
Só se optarmos por poupar e investir vamos ter no mercado interno uma duradoura
fonte de desenvolvimento
O índice Bovespa, por exemplo, subiu mais de 350% desde 2006 em dólar
americano. Essa grande alta na riqueza nacional gera vários efeitos. Do lado do
consumo, sabemos que este sobe com o aumento da percepção de riqueza, ou "renda
permanente". Do lado dos investimentos, temos na alta dos preços das
exportações o principal fator que levou os níveis do investimento estrangeiro
direto (IED) subir de US$ 18 bilhões em 2006 para US$ 48,4 bilhões em 2010; e
os fluxos de carteiras de US$ 9 bilhões para US$ 63 bilhões no mesmo período.
Tal fluxo, para uma economia com baixa taxa de poupança (média de 17,3% do PIB
desde 2006) tem sido vital para sustentar crescentes níveis de importações sem
pressionar o balanço de pagamentos: o "quantum", ou quantidade, importada desde
2006 subiu 94% enquanto o quantum de exportações aumentou somente 4,4%, o que
ajudou a diminuir o efeito inflacionário da expansão da demanda agregada
durante esse período. Importação de bens de capital é hoje a maior categoria
dessa pauta, representando 22,6% do total.
A queda relativa dos preços desses bens em relação às commodities tem permitido
um maior incremento da capacidade instalada neste período de forte crescimento.
Tudo isso explica a economia consegue crescer nos níveis atuais sem romper a
restrição externa (financiamento do déficit em conta corrente) ou interna
(aumento descontrolado da inflação).
Há outros efeitos que não devem ser menosprezados. A melhora da nossa posição
externa nesses anos, representada, por exemplo, pela alta das reservas do Banco
Central de US$ 54 bilhões em 2006 para US$ 330 bilhões hoje, permite a queda de
volatilidade na economia que gera forte redução nos prêmios de risco,
permitindo a expansão do mercado de crédito. E, finalmente, o governo na sua
função fiscal é um sócio privilegiado de todo esse processo, com suas receitas
subindo de R$ 555 bilhões em 2006 para R$ 853 bilhões em 2010, permitindo um
proporcional aumento dos seus gastos.
Enquanto o efeito do aumento dos termos de troca tem reconhecido papel na
valorização do real, seu lugar na determinação da demanda e, portanto, no nível
de juros merece igual atenção. Em recente estudo mostramos como se pode, com
resultados estatísticos similares, substituir o hiato do produto em uma função
de Taylor com o "hiato dos termos de troca" para explicar o nível da Selic
desde 2006. De fato mostramos como um aumento de 1% no "hiato" da relação de
trocas leva a Selic a subir 0,17%. Esse resultado mostra como o choque externo
tem sido o fator determinante para a economia.
Essa demonstração tem, em nossa opinião, varias consequências para a política
econômica. Primeiro, se a mudança nos termos de troca é a causa exógena do
aumento da demanda agregada, o subsequente aumento no nível de juros e câmbio
são necessários ajustes de equilíbrio. Qualquer tentativa de impedir esses
ajustes via, por exemplo, intervenções no mercado de câmbio, terá efeito
temporário e resultado infrutífero, causando inevitável efeito compensatório no
equilíbrio geral via aumento da inflação.
De fato, a única forma de impedir uma maior pressão sobre o câmbio e a taxa de
juros seria diminuir a pressão sobre a demanda por outros meios, como um menor
nível de gastos fiscais e exuberância do crédito. A preocupante perda de
competitividade do setor de manufaturados deve ser compensada via medidas
microeconômicas, como a maior tributação do excedente de renda dos setores de
commodities. Também temos que estar cientes que todos os mecanismos descritos
acima que nos levaram à atual abundância podem se reverter. Somente se optarmos
por não consumir, mas poupar e investir que vamos poder realmente criar as
condições para que haja no mercado interno uma duradoura fonte de
desenvolvimento econômico.
Tony Volpon é diretor do Nomura Securities International, Inc.
Qual o verdadeiro peso dos fatores externos para explicar o comportamento da
economia brasileira? Olhando para o período pós-crise, por exemplo, se
convencionou explicar a forte recuperação como fruto das políticas anticíclicas
executadas pelo governo. Outra avaliação comum é atribuir a demanda interna
como verdadeiro motor da economia. Enquanto todos entendem que fatores externos
têm sido importantes, o fato de que a corrente de comércio se encontre abaixo
de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) parece ser prova de que é no mercado
interno que encontramos os fatores dinâmicos da nossa economia.
Essa visão da economia brasileira, defendida com igual ênfase tanto pelos
ortodoxos como desenvolvimentistas, está errada. Apesar dos acalorados debates
entre essas correntes, ambas mantêm igual crença no mito de que a força da
economia brasileira surge do mercado interno. Tanto o discurso ortodoxo, que vê
nos excessos fiscais e monetários a causa principal dos problemas
inflacionários, como o discurso desenvolvimentista, que vê nesses mesmos
fatores a razão pelo alto crescimento, erram em não entender que são os fatores
externos que explicam o que temos de bom (maior demanda e crescimento) e de
ruim (maior inflação e câmbio apreciado) na economia brasileira.
A melhor métrica do impacto de fatores externos sobre a economia hoje é a
tendência dos termos de troca, e como esses afetam tanto a demanda como a
oferta agregada por uma variedade de canais. A alta dos preços de commodities
foi desde 2003 importante para melhorar a posição externa do país. Apesar de
alguma melhora nos termos de troca desde 2003, foi somente em 2007 que os
preços das exportações começaram a subir de maneira mais consistente que os
preços das nossas importações, movimento que acelerou depois da crise. De fato,
a diferença entre os preços das exportações e os preços das importações se
encontra hoje mais de 25 vezes maior que a média dessa diferença desde 2000.
Tal movimento representa um fortíssimo incremento de riqueza para o Brasil que
se irradia pela economia. O maior preço das nossas exportações eleva tanto a
renda atual das empresas como o preço das ações.
Só se optarmos por poupar e investir vamos ter no mercado interno uma duradoura
fonte de desenvolvimento
O índice Bovespa, por exemplo, subiu mais de 350% desde 2006 em dólar
americano. Essa grande alta na riqueza nacional gera vários efeitos. Do lado do
consumo, sabemos que este sobe com o aumento da percepção de riqueza, ou "renda
permanente". Do lado dos investimentos, temos na alta dos preços das
exportações o principal fator que levou os níveis do investimento estrangeiro
direto (IED) subir de US$ 18 bilhões em 2006 para US$ 48,4 bilhões em 2010; e
os fluxos de carteiras de US$ 9 bilhões para US$ 63 bilhões no mesmo período.
Tal fluxo, para uma economia com baixa taxa de poupança (média de 17,3% do PIB
desde 2006) tem sido vital para sustentar crescentes níveis de importações sem
pressionar o balanço de pagamentos: o "quantum", ou quantidade, importada desde
2006 subiu 94% enquanto o quantum de exportações aumentou somente 4,4%, o que
ajudou a diminuir o efeito inflacionário da expansão da demanda agregada
durante esse período. Importação de bens de capital é hoje a maior categoria
dessa pauta, representando 22,6% do total.
A queda relativa dos preços desses bens em relação às commodities tem permitido
um maior incremento da capacidade instalada neste período de forte crescimento.
Tudo isso explica a economia consegue crescer nos níveis atuais sem romper a
restrição externa (financiamento do déficit em conta corrente) ou interna
(aumento descontrolado da inflação).
Há outros efeitos que não devem ser menosprezados. A melhora da nossa posição
externa nesses anos, representada, por exemplo, pela alta das reservas do Banco
Central de US$ 54 bilhões em 2006 para US$ 330 bilhões hoje, permite a queda de
volatilidade na economia que gera forte redução nos prêmios de risco,
permitindo a expansão do mercado de crédito. E, finalmente, o governo na sua
função fiscal é um sócio privilegiado de todo esse processo, com suas receitas
subindo de R$ 555 bilhões em 2006 para R$ 853 bilhões em 2010, permitindo um
proporcional aumento dos seus gastos.
Enquanto o efeito do aumento dos termos de troca tem reconhecido papel na
valorização do real, seu lugar na determinação da demanda e, portanto, no nível
de juros merece igual atenção. Em recente estudo mostramos como se pode, com
resultados estatísticos similares, substituir o hiato do produto em uma função
de Taylor com o "hiato dos termos de troca" para explicar o nível da Selic
desde 2006. De fato mostramos como um aumento de 1% no "hiato" da relação de
trocas leva a Selic a subir 0,17%. Esse resultado mostra como o choque externo
tem sido o fator determinante para a economia.
Essa demonstração tem, em nossa opinião, varias consequências para a política
econômica. Primeiro, se a mudança nos termos de troca é a causa exógena do
aumento da demanda agregada, o subsequente aumento no nível de juros e câmbio
são necessários ajustes de equilíbrio. Qualquer tentativa de impedir esses
ajustes via, por exemplo, intervenções no mercado de câmbio, terá efeito
temporário e resultado infrutífero, causando inevitável efeito compensatório no
equilíbrio geral via aumento da inflação.
De fato, a única forma de impedir uma maior pressão sobre o câmbio e a taxa de
juros seria diminuir a pressão sobre a demanda por outros meios, como um menor
nível de gastos fiscais e exuberância do crédito. A preocupante perda de
competitividade do setor de manufaturados deve ser compensada via medidas
microeconômicas, como a maior tributação do excedente de renda dos setores de
commodities. Também temos que estar cientes que todos os mecanismos descritos
acima que nos levaram à atual abundância podem se reverter. Somente se optarmos
por não consumir, mas poupar e investir que vamos poder realmente criar as
condições para que haja no mercado interno uma duradoura fonte de
desenvolvimento econômico.
Tony Volpon é diretor do Nomura Securities International, Inc.
Grupo Pão de Açúcar nega negociação
Grupo Pão de Açúcar nega negociação
Diante das notícias de estudos para uma possível fusão entre as duas maiores
supermercadistas do país, o Grupo Pão de Açúcar divulgou um comunicado ontem
informando que "não é parte em qualquer negociação com o Carrefour e não
contratou qualquer assessor financeiro com esse fim".
O comunicado menciona que o grupo francês Casino informou ao Pão de Açúcar "que
desconhecia qualquer negociação até a sua veiculação pela mídia e que não
autorizou qualquer terceiro a representar seus interesses". Mas a mensagem
deixa uma brecha para possíveis conversas, quanto diz que "o acionista Abilio
Diniz informou que está sempre em busca de alternativas para o crescimento da
Companhia e que não há nenhum fato ou ato que justificasse uma divulgação ao
mercado".
Diante das notícias de estudos para uma possível fusão entre as duas maiores
supermercadistas do país, o Grupo Pão de Açúcar divulgou um comunicado ontem
informando que "não é parte em qualquer negociação com o Carrefour e não
contratou qualquer assessor financeiro com esse fim".
O comunicado menciona que o grupo francês Casino informou ao Pão de Açúcar "que
desconhecia qualquer negociação até a sua veiculação pela mídia e que não
autorizou qualquer terceiro a representar seus interesses". Mas a mensagem
deixa uma brecha para possíveis conversas, quanto diz que "o acionista Abilio
Diniz informou que está sempre em busca de alternativas para o crescimento da
Companhia e que não há nenhum fato ou ato que justificasse uma divulgação ao
mercado".
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