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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Guru americano aposta em ações

Guru americano aposta em ações

Barton Biggs, gestor de fundo hedge que comprou ações quando o mercado estava
em seu ponto mais baixo, em março de 2009, disse que está otimista com as ações
americanas e que gosta de papéis do setor industrial, apesar de a economia
global estar desacelerando.
"As economias americana e mundial estão claramente desacelerando muito
significativamente", disse Biggs, responsável pelo Traxis Partners LP, de Nova
York. "Já estão surgindo os pessimistas, que acreditam que vamos escorregar
para uma correção suave na melhor das hipóteses ou talvez num duplo mergulho,
na pior das hipóteses", afirmou. "Eu não acho que isso está certo".
Biggs vê com bons olhos empresas como Caterpillar Inc. e Deere & Co. porque o
crescimento de seus lucros continuam a exceder as expectativas e a demanda por
equipamentos agrícolas e para construção permanece forte. "Eu não vejo
problemas com a Deere e a Caterpillar e as grandes empresas industriais
americanas, e, em termos de avaliação, elas ainda estão razoáveis", ele disse.
O Indice Standard & Poor's 500 (S&P 500) subiu para quase o nível mais alto em
três anos no último pregão de abril. Desde aquele ponto, tombou 3,4% até
anteontem, com dados econômicos abaixo das estimativas dos analistas e
investidores se preparando para o fim do programa de compra de bônus de US$ 600
bilhões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o chamado
"quantitative easing" 2, no fim de junho. O S&P 500 subiu 4,8% desde o fim de
2010 até anteontem, em meio a medidas de estímulos do governo e lucros maiores
que os estimados.
Biggs, que gerencia US$ 1,3 bilhão, disse na semana passada que investidores
estão reagindo de forma exagerada aos dados econômicos negativos, como a crise
da dívida soberana na Europa, números do mercado imobiliários e redução de
estímulos pelo Fed. A construção de casas nos Estados Unidos caiu
inesperadamente em abril, com inundações e tornados no sul do país parando
construções, disse o Departamento do Comércio no último dia 17. Esses problemas
serão resolvidos, enquanto o mercado americano permanece razoavelmente com o
preço ajustado de acordo com os lucros para o próximo ano.
"E eu também ainda acredito nos mercados emergentes, particularmente na Ásia",
disse Biggs. "A China vai ter um excelente mercado acionário no segundo
semestre deste ano, apesar de talvez ter mais um ou dois apertos monetários à
frente". Segundo Biggs, a China não vai crescer 10% ou 11% ao ano, mas 7% ou
8%, com uma taxa de inflação moderada. "Mas eu não vejo nada que nos impeça de
encontrar um monte de empresas atrativas", disse.

Market international coffee today

Market international coffee today

Colombians, UGQ, were offered FOB, for June through Nov. equal shipment from 20¢ to 22¢ over the relevant months “C.”
Colombian supremos, screen 17/18, were offered FOB, for June through Nov. equal shipment from 24¢ to 28¢ over the relevant months “C.”
Santos 2s, screen 17/18, fine cup, were offered FOB for July through Dec. equal shipment from 12¢ under the relevant months “C.”
Santos 2/3s, medium to good bean, fine cup, were offered FOB for July through Dec. equal shipment from 17¢ under the relevant months “C.”
Santos 3/4s were offered FOB for June shipment from 15¢ to 14¢ under July “C,” and offered FOB for July through Dec. equal shipment from 27¢ to 25¢ under the relevant months “C.”
Brazil conillon robustas, 5/6s, screen 13, were offered FOB for June shipment from 3¢ to 5¢ over July London.
Prime Mexicans were offered FOB Laredo for June crossing from 7¢ over July “C.”
Prime Mexicans, were offered FOB Veracruz for June/July/Aug. equal shipment from 5¢ to 6¢ over the relevant months “C.”
High grown Mexicans, European preparation, were offered FOB Veracruz for June/July/Aug. equal shipment from 7¢ to 8¢ over the relevant months “C.”
Prime Guatemalas were offered FOB, per 46 kilos, June/July/Aug. equal shipment from $7 over the relevant months “C.”
Hard bean Guatemalas, European preparation, were offered FOB for June/July/Aug. equal shipment from $9 to $10 over, per 46 kilos, the relevant months “C,”
and strictly hard beans, European preparation, were offered FOB, per 46 kilos, for June/July/Aug. equal shipment from $17 over the relevant months “C.”
Hard bean Costa Ricas, European preparation, were offered FOB for June/July/Aug. equal shipment from $27 to $28 over, per 46 kilos, the relevant months “C,”
and strictly hard beans, European preparation, were offered FOB, per 46 kilos, for June/July/Aug. equal shipment from $32 to $34 over the relevant months “C.”
Central standard Salvadors were offered FOB per 46 kilos, for June/July/Aug. equal shipment from $7 over the relevant months “C.”
High grown Salvadors, European preparation, were offered FOB for June/July/Aug. equal shipment from $13 to $14 over per 46 kilos, the relevant months “C.”
Strictly high grown Salvadors, European preparation, were offered FOB for June/July/Aug. equal shipment from $17 over, per 46 kilos, the relevant months “C.”
Strictly high grown Nicaraguas, European preparation, for June/July/Aug. equal shipment were offered FOB from $16 to $17 the relevant months “C.”
High grown Hondurans, European preparation, were offered FOB, per 46 kilos, for June/July/Aug. equal shipment from $1 over the relevant months “C.”
Strictly high grown Hondurans, European preparation, were offered FOB, per 46 kilos, for June/July/Aug. equal shipment from $6 over the relevant months “C.”
Hard bean Perus, MCMs, were offered FOB for June/July/Aug. equal shipment, per 46 kilos, from $2 under the relevant months “C.”
Uganda robustas, screen 15, were offered exdock for June shipment from 15¢ over July London. Vietnam robustas, grade 1, were offered exdock for June shipment from 10¢ over July London.
Vietnam robustas, grade 2, were offered exdock for June shipment from 8¢ over July London.
Indonesian robustas, grade 4, 80 defects, were offered exdock for June shipment from 10¢ over July London.

Petróleo voltará a US$ 120, dizem bancos

Petróleo voltará a US$ 120, dizem bancos

Após período de "ajuste" nos preços, instituições recomendam compra diante de perspectiva de oferta apertada

Para 2012, estimativas chegam a US$ 140; mercado reage e preço do barril tem alta de 2% em Londres

Dois grandes bancos de investimento elevaram, ontem, as suas estimativas para o preço do petróleo neste e no próximo anos.
Apesar de incerto no curto prazo, o cenário é de oferta apertada, o que elevará as cotações, segundo analistas do Goldman Sachs e do Morgan Stanley.
Pouco mais de um mês após prever que o barril do tipo Brent cairia de US$ 120 para US$ 105, o Goldman agora estima que ele voltará aos US$ 120 neste ano.
A previsão para os próximos 12 meses passou de US$ 107 para US$ 130 e a expectativa para o fim de 2012 foi de US$ 120 para US$ 140.
O Goldman considera que a recente queda de preços -em 30 dias o Brent perdeu 9%- trouxe as commodities a nível mais condizente com o crescimento econômico.
Mas isso não significa menor demanda por óleo. A avaliação é que as cotações estavam influenciadas pela expectativa de um choque de oferta devido às tensões no Oriente Médio e na África.
"Apesar de a economia ter desacelerado para um ritmo mais lento, mas sustentável, esperamos que o crescimento econômico seja suficiente para deixar a relação entre oferta e demanda apertada no segundo semestre deste ano, provocando preços mais altos", diz o banco.
O Morgan também aumentou a sua estimativa para o Brent para US$ 120 em 2011 e US$ 130 por barril em 2012 -as projeções anteriores eram de US$ 100 e US$ 105, respectivamente.
Além do aumento da demanda pelos emergentes, o banco cita a ausência da produção da Líbia como fator de alta. Sem um aumento da produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), os estoques cairão no segundo semestre.
O Goldman Sachs acrescenta que, com a Líbia fora do mercado, a capacidade de produção excedente da Opep chegará à exaustão no início do próximo ano.

EFEITOS
As recomendações de compra pelos dois bancos resultaram em aumento de preço do Brent, que fechou em alta de 2,21%, a US$ 112,53. O WTI avançou 1,93% e atingiu US$ 99,59 por barril.
O preço mais alto do petróleo contribuirá para um crescimento econômico mais modesto na China. Em outro relatório, ontem, o Goldman Sachs cortou a previsão para o PIB chinês de 10% para 9,4% em 2011 e de 9,5% para 9,2% em 2012.


Empresas são acusadas de manipular preço

A Comissão de Negócios com Contratos Futuros de Commodities (CFTC, em inglês) -órgão dos EUA que fiscaliza os negócios no mercado futuro- acusou ontem dois traders (corretores) e suas empregadoras de manipular preços do petróleo em 2008, quando o tipo WTI chegou a US$ 147 por barril.
As empresas envolvidas são a americana Parnon Energy e Arcadia Petroleum. Os acusados teriam obtido lucro ilegal superior a US$ 50 milhões com a manipulação de contratos futuros.
A decisão da CFTC acontece no momento em que a fiscalização sobre o mercado de commodities, especialmente na área de energia, tornou-se um assunto político nos EUA.
Em documento divulgado anteontem, um grupo de democratas pediu que o Congresso coloque limites aos especuladores no mercado de petróleo, que acumula alta de 58% em 12 meses.
"Debater a especulação excessiva oferece a oportunidade mais significativa de reduzir o preço da gasolina para os consumidores americanos", diz o documento.
Segundo o Goldman Sachs, o preço da gasolina no atacado atingiu o maior preço da história na semana passada nos EUA. Com eleições no próximo ano, o combate à alta do combustível ganhou espaço na pauta do Congresso norte-americano.

Fundamentos das commodities vão além da oferta e demanda

Fundamentos das commodities vão além da oferta e demanda

Analistas de commodities tendem a considerar que somente são justificáveis mudanças de preços decorrentes de alterações nos chamados fundamentos do mercado, ou seja, nas forças de oferta (custos, tecnologia, clima etc.) e demanda (renda, população etc.) correntes e futuras, contemplando, portanto, também as oscilações de estoques.
Quando ocorrem variações de preços não explicáveis por essas forças microeconômicas, é comum atribuí-las à especulação ou à irracionalidade dos agentes econômicos, o que exigiria atuação corretiva e disciplinadora do poder público.
Entretanto, à medida que os mercados, as instituições e a economia em geral evoluem (e o conhecimento científico sobre eles se expande), é importante atualizar o conceito de fundamentos. Pelo menos desde os anos 1970, fatores macroeconômicos vêm sendo associados à evolução dos preços das mais diversas commodities.
Isso ficou claro tanto na alta que se seguiu à quebra do sistema de Bretton Woods como na queda decorrente da implementação das políticas do governo Reagan.
De 2000 até 2010, a liquidez mundial duplicou ou triplicou, dependendo do critério usado, com queda dos juros e aumento dos retornos esperados dos ativos. Disseminou-se o uso de instrumentos financeiros para os investidores aplicarem tais recursos.
Entre 2003 e 2008, houve aumento de 15 vezes das aplicações dos investidores institucionais (bancos, seguradoras, fundos de pensão e de hedge etc.) nos instrumentos vinculados a índices de commodities.
Os valores dos índices resultam da ponderação das cotações nos mercados de futuros de uma determinada cesta de commodities. Ou seja, um índice típico acompanha a evolução da performance de detentores de posições passivas compradas num conjunto de mercados.
Uma alta das cotações futuras devido à intensificação nas aplicações desses fundos poderia se transmitir aos mercados físicos, nos quais os agentes se colocariam em posição vendida acompanhada de retenção de estoques e tendência de alta de preços. Configura-se o que alguns chamariam de financeirização das commodities.
Sabe-se hoje, portanto, que as oscilações de preços das commodities não se fundamentam simplesmente em oferta e demanda específicas, mas também em variáveis macroeconômicas e financeiras mundiais.
Não tem mais cabimento conduzir políticas macroeconômicas, em nível nacional ou internacional, sem que sejam considerados seus impactos sobre os mercados de commodities, como têm feito os Estados Unidos.
Nem tampouco deve-se ignorar o efeito do que se passa nesses mercados sobre a eficácia das políticas macroeconômicas, como se tentou fazer no Brasil quanto ao controle da inflação em curso. É claro que uma bem fundamentada regulação dos mercados pode ajudar a estabilizá-los. Dispensam-se, todavia, os préstimos de xerifes oportunistas cujas bravatas só fazem aumentar as incertezas e as turbulências dos mercados.

GERALDO BARROS é professor titular da USP/Esalq e coordenador científico do Cepea/Esalq/USP.

Café na ICE registra retração, mas intervalos são mantidos

Café na ICE registra retração, mas intervalos são mantidos

Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta terça-feira com quedas relativas, em um dia caracterizado por compras e vendas consideráveis, com as cotações não apresentando direcionamento concreto. Ao longo do dia, os ganhos foram predominantes na bolsa, no entanto, na parte final da sessão, algumas vendas foram observadas, o que permitiu algumas perdas, mas sem que o nível psicológico de 260,00 centavos fosse rompido.

Na parte inicial do dia, algumas compras expressivas foram registradas, mas, ao não suplantar o patamar de 265,50 centavos, algumas ordens de venda passaram a ser observadas. Operadores ressaltaram que tecnicamente, o mercado demonstra um quadro de estabilidade, após as fortes oscilações das últimas semanas. O suporte de 256,00 centavos por libra não foi testado, o que não deu margem para que baixas mais consideráveis não fossem verificadas. Ao mesmo tempo, as cotações não conseguem registrar avanços consistentes, com resistências mais básicas ainda não sendo testadas. Fundamentalmente, o mercado se mostra sem grandes alterações. O momento atual é caracterizado por um "status" climático, sem, contudo, contar com uma força mais considerável para mudar o direcionamento das cotações.

No encerramento do dia, o julho em Nova Iorque teve perda de 135 pontos com 261,20 centavos, sendo a máxima em 265,50 e a mínima em 260,70 centavos por libra, com o setembro registrando oscilação negativa de 130 pontos, com a libra a 264,20 centavos, sendo a máxima em 268,35 e a mínima em 264,00 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição julho registrou alta de 19 dólares, com 2.558 dólares por tonelada, com o setembro tendo valorização de 19 dólares, com 2.595 dólares por tonelada.

De acordo com analistas internacionais, o dia foi considerado de calma para os contratos de café, sem grandes oscilações tendo sido registradas. As cotações não tiveram um grande referencial externo, uma vez que as commodities variaram consideravelmente ao longo de todo o dia, até a cesta expressada pelo índice CRB ter encerrado o dia com altas. No entanto, outras commodities, como foi o caso do petróleo, tiveram um dia de predominância da pressão, até encerrar com perdas. "O café não teve nesta semana um grande direcionamento. Conseguimos manter o patamar de 260,00 centavos por libra, o que foi algo positivo, mas também não conseguimos avançar um pouco além dos 265,00 centavos. Após as fortes oscilações recentes, temos uma semana de calma e com as variações de preço em níveis relativamente modestos", disse um trader.

A demanda pelo café no mercado global deve continuar evoluindo. Dados revelados pela Organização Internacional do Café destacam que o consumo mundial cresceu 2,4% em 2010, observando um patamar recorde de 134 milhões de sacas. A entidade ostenta que o crescimento da demanda vai continuar, apesar dos preços elevados observados ao longo dos últimos tempos. "Não há impacto dos preços em termos de redução da demanda, que continua bastante dinâmica", indicou o estrategista da área econômica da entidade, Denis Seudieu.

O crescimento da procura pelo café na China, principalmente devido às cafeterias, não deverá contar com interrupção. "Beber café se transforma em um hábito e as pessoas que se habituam a consumir a bebida todos os dias não vão mudar isso só porque ficou um pouco mais caro", ressaltou Fu Jingya, secretário-geral para o setor de café de uma associação de marketing chinesa.

Apesar do cenário externo positivo, ainda não conseguimos avançar consideravelmente. Pela manhã desta terça conseguimos alguns ganhos mais interessantes, mas no nível de 265,00 centavos foram detectadas ordens de vendas mais fortes. E, posteriormente, o mercado teve baixas", disse um trader.

As exportações de café do Brasil em maio, até o dia 23, somaram 1.386.082 sacas, contra 1.844.582 sacas registradas no mesmo período de abril, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 1.525 sacas indo para 1.665.396 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 16.112 lotes, com as opções tendo 3.198 calls e 3.556 puts. Tecnicamente, o julho na ICE Futures US tem uma resistência em 265,50, 266,00, 267,50, 268,00, 268,50, 269,00, 269,20, 269,50 e 269,90-270,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 261,20, 261,00, 260,50, 260,10-260,00, 259,50, 259,00, 258,90, 258,50, 258,00, 257,50, 257,00, 256,50, 256,00, 255,50 e 255,10-255,00 centavos por libra.

Boi Gordo

Mercado físico do boi gordo volta a
apresentar queda de suas cotações na maior parte do país.
As escalas de abate dos frigoríficos seguem posicionadas
com grande conforto, e diversos frigoríficos optam por não
atuar de maneira agressiva nas compras para evitar a
formação de estoque no atacado, e obter um melhor preço
pela carne bovina. No entanto até o momento esse tipo de
estratégia não alcançou o resultado almejado. A expectativa
é por contínua queda das cotações até o final desta semana.
No estado de São Paulo o preço médio pela arroba do boi
cedeu para o patamar de R$ 97/98, livre a prazo. As escalas
de abate posicionadas em média para daqui a quatro dias
úteis, alcançado o patamar de seis dias úteis em algumas
praças.
Cotações voltam a apresentar forte queda no Mato Grosso, o
preço médio no estado recuou ao patamar de R$ 86, livre a
prazo, escalas no estado estão confortáveis, na casa dos
cinco dias úteis.
No estado de Goiás a cotação voltou a ceder e o preço médio
recuou ao valor de R$ 89/90, livre a prazo, com escalas de
abate posicionadas em média para daqui quatro dias úteis.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Os bons (bons?) números do Brasil

Os bons (bons?) números do Brasil

Há dias o Ministério do Trabalho divulgou que, em 2010 a criação de empregos
formais no Brasil foi de 2,86 milhões postos de trabalho, um crescimento de
6,94% na oferta de vagas com carteira assinada. É um recorde de toda a série
histórica da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que começou em 1975.
A esse recorde, o país tem somado outros, como os 19,5 milhões de brasileiros
que, entre 2003 e 2008, deixaram, estatisticamente, de ser pobres, e os 31,9
milhões que ascenderam às classes A, B e C.
Com toda a razão, os últimos anos foram marcados por um amplo debate sobre a
queda da desigualdade no Brasil. Basta uma ligeira retrospectiva para confirmar
que os institutos de pesquisas e algumas das mais conceituadas universidades
brasileiras empenharam-se em produzir dezenas de trabalhos que comprovam e
explicam as razões da redução da pobreza no país.
Como estímulo adicional para esses trabalhos, há o fato inédito de que os
brasileiros tinham, na presidência da República, um ex-metalúrgico,
autoproclamado da "esquerda moderada". O mesmo que, em 2002, ainda na disputa
pelo primeiro mandato, despertou os piores temores das alas mais conservadoras
da sociedade - entre eles, descontinuar as políticas econômicas de FHC,
aumentar os gastos sociais, suspender o pagamento da dívida pública e quebrar
contratos, de maneira geral.
Pois bem: o índice de pobreza no país caiu 50,64% durante os dois mandatos do
ex-presidente Lula, contra 31,9% entre 1995 e 2002, na gestão FHC. Em 2010, o
índice de Gini, que mede a desigualdade social, foi de 0,5304 no Brasil, o
menor desde 1960. Antes, o índice de 0,6 nos garantia o triste título de país
mais desigual da América Latina (piores, apenas alguns países africanos).
O deslocamento para classes de renda mais alta resulta do investimento da
população em educação
A grande notícia é que a redução da desigualdade, associada à retomada do
crescimento econômico, com queda do nível de desemprego, mostram um novo
Brasil, que nunca teve indicadores tão positivos de renda, trabalho e emprego
formal. De janeiro a abril deste ano, foram geradas 880 mil vagas, e as
projeções do Ministério do Trabalho indicam que, até o final do ano, as
contratações formais chegarão a 3 milhões.
Outros números recém-divulgados, como os do Censo 2010 e a pesquisa
Desigualdade de Renda da Década, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), fazem
justiça aos progressos do país e mostram que está em andamento um processo
sustentável, que empurra os brasileiros de baixo para cima na base da pirâmide
social.
Entre 2001 e 2009, segundo a FGV, a renda dos mais pobres cresceu 311% na
comparação com a dos mais ricos. A educação foi o fator que mais contribuiu
para esse aumento de renda, seguida, em menor parte, pelos programas sociais,
como o Bolsa Família, que atinge hoje 25% da população, com investimento de
apenas 0,4% do PIB brasileiro. Em outras palavras, o deslocamento dos
brasileiros para classes de renda mais alta resulta, essencialmente, do
investimento da população em educação e da conquista de emprego com carteira
assinada.
É certo que a redução da desigualdade vem ocorrendo de maneira linear na
distribuição de renda, em um ritmo que os pesquisadores consideram alto para os
padrões históricos, pois é igual ou melhor que o dos países desenvolvidos. Nos
últimos anos, quanto maior a renda da população, menor o crescimento do poder
aquisitivo: os 10% mais ricos tiveram um crescimento em torno de 1% ao ano,
enquanto os 10% mais pobres entre 7 e 8% ao ano.
Impossível negar, também, que a ascensão da chamada nova classe C, cerca de 35
milhões de pessoas, com renda familiar entre três e 10 salários mínimos, é um
dos fenômenos sociais e econômicos mais importantes da história brasileira
recente. (Vale lembrar que um estudo do Instituto Data Popular, divulgado em
meados de maio, a partir de dados do IBGE, revela que conquistar essa nova
classe C será questão de sobrevivência para os políticos brasileiros: em 2014,
ela vai englobar 57% dos eleitores, contra 41%, em 2002.)
É preciso, entretanto, não perder de vista uma questão fundamental: os números
que retratam o Brasil, neste início de século, são, realmente, muito bons e
representam um enorme avanço para um país com um histórico chocante de
desigualdade social. Mas estão longe de admitir o tom triunfalista, que já
permeia alguns discursos políticos. Há lugar para muito otimismo, não para
ufanismo.
O que não se pode esconder é que o Brasil tem um atraso entre 50 e 100 anos em
relação ao tempo que outros países levaram para construir sociedades com alto
nível de igualdade. O que não se pode esconder é que o país, ainda, é
absurdamente desigual.
Queiramos ou não, ainda temos, de um lado, o Brasil que deu certo, da população
a quem o dinheiro permite acesso à educação, moradia, lazer, saúde,
alimentação. É também o Brasil dos executivos que viajam na segunda maior frota
de jatos particulares do mundo e o Brasil das grandes grifes planetárias do
mercado de luxo, concentradas na cidade de São Paulo, como Marc Jacobs, Chanel,
Louboutin, Hermès, Louis Vuitton e Emilio Pucci, entre muitas outras.
De outro lado, há o país dos miseráveis, dos que apenas sobrevivem, sem acesso
ao mercado de trabalho, à educação, saúde, habitação, terra - gente privada dos
direitos mais elementares da cidadania e da dignidade humana. São, pelo menos,
16,3 milhões de brasileiros, ou 8,5% da população, com renda mensal de até R$
70 por pessoa da família - os mesmos que a presidente Dilma Rousseff promete
beneficiar com o plano "Brasil sem Miséria", anunciado no início de maio.
Em sociedades democráticas, que vivem há décadas sob o estado de direito, as
mudanças, em geral, ocorrem lentamente: cálculos de nossos pesquisadores
mostram que, mantendo-se o ritmo atual de redução do índice de Gini, o Brasil
terá uma sociedade igualitária em cerca de 30 anos. Há, portanto, uma longa
caminhada pela frente, que obrigará nossos governantes a apostar no ciclo
virtuoso do bom capitalismo.
Trata-se, em resumo, de encarar o desafio de manter a queda da desigualdade por
duas ou três décadas, com o agravante de que algumas das atuais políticas de
distribuição de renda têm limites naturais. Para essa trajetória rumo à
igualdade, será fundamental investir em educação, mudar a política tributária,
melhorar o sistema de transferência de renda, realizar obras de saneamento
básico.
O Brasil precisa encontrar uma nova síntese entre economia e política, que
combine estabilidade econômica, inflação baixa e crescimento, com fortes
políticas sociais dirigidas para a população mais pobre. Daí, sim, será
possível comemorar, com ufanismo justificado, uma situação de equilíbrio social
e econômico pela primeira vez em mais de 500 anos de história.
Miguel Jorge, jornalista, é ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior (2007/2010).

Governo cede para votar Código Florestal

Governo cede para votar Código Florestal

Sob intensa mobilização e orientação pessoal da presidente Dilma Rousseff, o
governo encontrou ontem uma saída para tentar um acordo político na votação do
Código Florestal, prevista para hoje na Câmara.
O Palácio do Planalto está disposto a autorizar a ocupação de até 20% das áreas
de preservação (APPs) em beiras de rio para todas as propriedades até quatro
módulos fiscais - de 20 a 400 hectares, segundo o município. Foi a maneira
encontrada pela presidente para garantir a recuperação de matas ciliares e o
"tratamento diferenciado" aos agricultores familiares, isolando médios e
grandes produtores rurais dos benefícios.
A presidente Dilma reafirmou ontem, em reunião com seis ministros e os
operadores políticos no Congresso, sua determinação de evitar "anistia" a
desmatamentos ilegais, garantir a integridade áreas de reserva legal (80% na
Amazônia, 35% no Cerrado e 20% nas demais regiões) e rejeitar a delegação de
mais poderes ambientais aos Estados. "Ela não aceita perdoar quem já tinha
consciência da ilegalidade do desmatamento", disse um ministro.
Em carta aberta a Dilma, o relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP), rejeitou qualquer
"anistia" em seu texto. "De 'anistia' não se trata, uma vez que não há perdão,
mas apenas permuta entre a infração cometida e o compromisso da regularização
dos proprietários", disse. E pediu "sensibilidade, equilíbrio e espírito
humanitário" para combinar preservação ambiental com os interesses da
agricultura.
A ordem de Dilma é "circunscrever danos" ao governo no Congresso. A presidente
afirmou aos ministros e líderes políticos que não admitirá uma derrota do
governo no plenário da Câmara. Sabe dos problemas para "conquistar" os
parlamentares aliados às suas convicções. Quer "preservar" o líder do PMDB,
Henrique Alves (RN), do bombardeio de seus liderados, sobretudo da influente
bancada ruralista. Alves é candidato à presidência da Câmara em 2012.
O líder pemedebista deu sua palavra aos deputados aliados que não votaria
nenhuma iniciativa do governo antes de resolver a questão do Código Florestal.
Além disso, subscreveu uma emenda para consolidar todas as plantações e
criações de gado nas áreas de APP de rios. O acordo, aceito por todos os
partidos da base à exceção do PT, foi rejeitado pela presidente Dilma, como
informou ontem o Valor. Agora, uma "flexibilização" das regras, sem que isso
signifique abrir a porta para novos desmatamentos, seria uma "solução
negociada" para preservar as relações do governo em sua coalizão no Congresso.
Dilma Rousseff afirmou aos ministros e coordenadores políticos que quer "evitar
questionamentos" internacionais sobre a conduta ambiental do Brasil. A
presidente avalia, segundo um auxiliar, que tem compromissos a cumprir,
inclusive pessoalmente. Ainda ministra da Casa Civil, Dilma liderou a delegação
brasileira na Cúpula do Clima de Copenhague, onde o Brasil assumiu a meta
oficial de reduzir a emissão de gases do efeito estufa em até 39% até 2020. Ao
reunir a cúpula do governo para tratar do tema, a presidente avisou que a
imagem do governo brasileiro no exterior já estava abalada após o anúncio do
aumento no desmatamento na Amazônia em 27% nos nove meses encerrados em abril.
Dilma afirmou que o somatório de duas notícias negativas - volta do
desmatamento e "anistia" a desmatadores - "deterioraria" a boa imagem
construída pelo país nos últimos anos.
Desde o fim da semana passada, diante do impasse e das dificuldades em se obter
um acordo para votação, a presidente avocou a tarefa de definir exatamente
quais parâmetros serão aceitos pelo governo na reforma do Código Florestal. No
encontro de ontem, Dilma concordou em abrir a exceção às APPs de beiras de
rios, mas insistiu que essas áreas sejam de 15 metros em cada margem de rio nos
casos de recomposição da floresta.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Boletim Diario do Mercado de Café - 23 Maio 2011.

O Mercado físico de café trabalhou o dia nos mesmos níveis de sexta feira. Para cafés Safra 10/11 de R$ 510,00 a R$ 520,00, com 10% a 15% de catação, e para cafés com 15% a 20% de catação R$ 500,00 a 510,00.

O fechamento do café arábica BMF para o vencimento Set/11 foi a US$ 332,35 com 5,55 de alta, totalizando um volume de 2.197 contratos. Saiu spread Set/Dez de -2,00 a -0,50. Observamos arbitragem Set/Set de -15,80 a -14,00; Set/Dez de -19,00 a -18,00; Dez/Dez de -19,30a -18,50. O mercado de café na BMF trabalhou o dia em alta, fazendo um fundo duplo e tendo uma correção técnica, acompanhando o mercado de NY quemesmo tendo o cenário externo negativo encontrou suporte por parte de fundos e especuladores.

O mercado de café para o vencimento Julho/11 encerrou cotado a 262,55, com 340 pontos de alta, e range entre 258,90 e 264,65.Quebrando a seqüência de queda das duas últimas sessões, a cotação do café nesta segunda-feira trabalhou predominantemente em tendência de alta, porém ainda respeitando seu range de atuação do movimento. Fazendo a mínima do dia logo pela abertura do mercado a 258,90, compras em escalaforam constantemente notadas, contrariando assim a forte tendência de queda dos mercados, principalmente a depreciação do euro frente ao dólar, o grão conseguiu tomar fôlego para assim quebrar a resistência de 260,00, buscando rapidamente seu próximo strike de 262,50. Mostrando certa consolidação nestes níveis, tímida compra deu novo fôlego para a commodity marcar sua máxima do dia a 264,65, encontrando vendas em escala. Perto do fechamento, com leve depreciação, o café encerrou o dia cotado a 262,55. As médias móveis de 40, 100 e 200 dias estão compreendidas em 280,20 / 266,80 e 230,90 respectivamente. De acordo com a Cecafé, os embarques de maio (entre os dias 01 e 20) somam 1.261.244 sacas, umavariação negativa de 22,6% em relação ao mesmo período do mês anterior. O café Londres Julho/11 encerrou cotado a 2539, com 4 pontos de queda, num range de 2508 e 2550.