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sábado, 15 de maio de 2010

Condições climáticas afetam safra mundial de café

Condições climáticas afetam safra mundial de café
Países produtores tem revisado para baixo as suas estimativas





13/05/2010

A Organização Internacional do Café (OIC) divulgou seu relatório mensal sobre o mercado cafeeiro, referente a abril, no qual apontou a safra mundial 2009/10 em 121,951 milhões de sacas de 60 kg, volume 4,79% inferior às 128,088 milhões de sacas produzidas no ciclo cafeeiro 2008/09.

Segundo Néstor Osorio, diretor-executivo da entidade, as condições climáticas adversas continuam afetando a safra atual e, como reflexo, muitos países produtores tem revisado para baixo as suas estimativas, particularmente o Vietnã. “Fontes privadas também forneceram estimativas para a produção global no ano safra 2009/10. Mantenho a minha estimativa total para o ciclo, mas, devido ao desenvolvimento atípico da produção, continuarei a acompanhar a evolução pelos próximos seis meses”, indicou, fazendo menção a uma possível revisão dos números.

No que se refere à safra colombiana 2009/10, Osorio relatou que informações recebidas recentemente apontam para certa recuperação em abril. A produção total nos primeiros sete meses (outubro de 2009 a abril 2010) já atingiu 4,6 milhões de sacas, inferior às 5,8 milhões de sacas do mesmo período de 2008/09. “O nível da recuperação dependerá do desempenho dos cinco meses restantes da safra 2009/10”, anotou.

O diretor-executivo da OIC anotou que a temporada 2010/11 já começou em vários países, incluindo Brasil, Indonésia, Papua Nova Guiné e Peru. No caso do Brasil, este ano safra corresponde ao ano de alta produtividade para os cafés arábicas, de acordo com seu ciclo de produção bienal. “Conforme estimativas revisadas recentemente pelas autoridades brasileiras, a produção total será de 47 milhões de sacas, incluindo 35,3 milhões de arábica e 11,7 milhões de robusta. Isso representa um aumento de 22,3% na produção de arábica e 10,7% na de robusta”, considerou.

Osorio recordou, no entanto, que deve se considerar que os produtores brasileiros estão seriamente preocupados com o rápido desenvolvimento do fenômeno La Niña, que geralmente é a causa da seca na América do Sul. “Há um crescente risco de que o resfriamento anormal causado pelo La Niña possa provocar geadas”, explicou.

Por fim, o diretor-executivo da Organização fez menção ao programa de Opções Públicas de Venda de Café realizado pelo Brasil. “O governo brasileiro informou que o volume total de café adquirido ao abrigo do programa de Opções foi de 1,8 milhão de sacas”.

Ministro da Agricultura afirma disposição de intervir no mercado para garantir preços remuneradores aos produtores de café

Ministro da Agricultura afirma disposição de intervir no mercado para garantir preços remuneradores aos produtores de café





O Ministro da Agricultura, Dr. Wagner Rossi reuniu-se na tarde desta última quinta feira 13/05/2010 com representantes da cadeia café. Conforme anteriormente anunciado em nosso informativo, o Ministro apresentou o novo Diretor do Departamento do Café – Dr. Robério Silva (ex-secretário geral da extinta Associação dos Países Produtores de Café - APPC). Wagner Rossi anunciou também a imediata liberação dos recursos para colheita de café, no montante de R$522 milhões do Funcafé. O Ministro solicitou ao Secretário de Produção e Agroenergia Dr.Manoel Bertone que durante a reunião fosse feita uma Agenda do Café, para que as demandas fossem transformadas em providências. Neste sentido o Senhor Ministro pediu que o s etor preparasse suas propostas em um prazo de 10 dias para que sejam avaliadas.

Entre os representantes dos produtores, Breno Mesquita da CNA, Maurício Miarelli e Francisco Miranda do CNC, Francisco Sérgio de Assis da Associação dos Produtores do Cerrado e Lúcio Araújo Dias da Cooxupé, priorizaram medidas que possibilitem maior acesso ao crédito para os produtores através de mecanismos de redução de riscos, a fim de promover a sustentação de preços para a comercialização da safra que se inicia, no que foram apoiados pelo Deputado Silas Brasileiro. “Tem uma carreta com 50 milhões de sacas vindo morro abaixo. A prioridade agora é a liberação de recursos para sustentar os preços para vendermos bem a safra e termos recursos para cumprirmos com nossos compromissos” afirmou Francisco Sérgi o de Assis. Já para o presidente do CNC Gìlson Ximenes, a prioridade deve ser a revisão do endividamento com conversão das dívidas financeiras em mercantis.

Estiveram também presentes na reunião, personalidades de destaque nos diferentes setores, que deram importantes contribuições.

Carlos Brando da P&A Internacional propôs a reativação do programa de marketing. De acordo com o consultor, dentre os países produtores, o Brasil é aquele que tem leis mais rígidas em relação a meio ambiente e direitos sociais para os trabalhadores. Portanto, o Brasil é o país que produz o café mais sustentável do mundo. Quem sabe disso? questionou Brando. O Brasil pode explorar sua imagem no exterior com reflexos positivos nos preços.

Roberto Ticoulat, proprietário da indústria 3 Marias de café solúvel solicitou medidas compensatórias em favor da competitividade do café solúvel e a revisão tributária com foco nas distorções que são causadas pelo PIS/COFINS. Falando como produtor e vice presidente da Sociedade Rural Brasileira, pediu ainda que o Governo estude mecanismos para que os produtores que não consigam se manter na atividade possam deixá-la.

Em relação a perspectiva de mercado, todos os participantes foram unânimes em afirmar que o momento é muito bom em relação a preços, pois apesar da aproximação de uma safra brasileira maior, o mercado consumidor necessita deste volume de café, pois outros concorrentes estão com quedas em suas produções, com perspectivas de redução nos próximos anos, ao mesmo tempo em que os estoques internacionais estão baixos.

Os exportadores presentes se mostraram preocupados com a remuneração dos produtores. Michael Timm, da exportadora Stockler, afirmou que o produtor terá que ganhar dinheiro para suprir a demanda crescente do mercado. Na mesma linha Jair Coser da Unicafé acrescentou que o consumo mundial crescerá em 25 milhões de sacas nos próximos 10 anos e que este espaço terá que ser ocupado pelo Brasil, mas que para isso a cafeicultura precisa ser uma atividade rentável.

Para o Deputado Silas Brasileiro o Ministro Rossi deu o tom que irá nortear o seu trabalho, priorizando medidas que tragam resultados rápidos aos cafeicultores para que possam vender bem a safra que se aproxima. “Foi uma mensagem de um homem público que mostra ter responsabilidade com o setor e sabe que não adianta focar propostas de difícil execução que prejudiquem as necessidades urgentes dos cafeicultores” disse Silas Brasileiro.

Rússia defende trocar dólar pelo real e pelo rublo

Rússia defende trocar dólar pelo real e pelo rublo

Moscou - Destacando o bom relacionamento entre seu país e o Brasil, o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, disse que os governos concordaram em promover comércio em moedas locais, rublo e dólar, respectivamente. Há muito tempo o Kremlin procura reduzir a presença do dólar na economia mundial. O objetivo é reduzir a exposição dos dois países à fragilidade da moeda norte-americana, principalmente, depois da crise que estourou em setembro de 2008.

"Nós fizemos um acordo (com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva) para criarmos um grupo de trabalho que vai promover a questão das transações em moedas locais", disse Medvedev.

"É de extrema importância, tanto para estabilizar o desenvolvimento econômico para os nossos países, quanto para um melhor equilíbrio do sistema financeiro internacional", acrescentou.

O Kremlin, que considera as economias nacionais muito dependentes das moedas de reservas globais, principalmente o dólar, tem afirmado que a Rússia e os seus aliados deveriam considerar o uso de moedas locais no comércio bilateral.

Medvedev disse que ele e Lula concordaram que seus países vão expandir a cooperação em energia nuclear, petróleo e gás, projetos de defesa e aeroespaciais. Os dois líderes assinaram um acordo de parceria estratégica que vai permitir que os dois países formem o que o Kremlin chamou de "uma aliança tecnológica entre a Rússia e o Brasil".

Já Lula comemorou o salto de quatro vezes no comércio entre os dois países entre 2003 e 2008, para US$ 8 bilhões. Ele disse que, apesar da redução de 46% no comércio em 2009, por causa da crise, ainda aposta em alcançar a meta de US$ 10 bilhões em 2010.

Novos benefícios úmidos de café têm economia de 90%

Novos benefícios úmidos de café têm economia de 90%

Na origem do cultivo de café na Colômbia, a verificação de grandes plantações a abundância de água em algumas regiões favoreceram o método de beneficiamento úmido, além dos entraves montanhosos do terreno dificultarem o transporte dos cerejas recém colhidos, situação que obriga os cafeicultores a ter seus próprios benefícios. Don Manuel Aguilar, em 1845, introduziu o método de beneficiamento úmido e os irmãos Du Teil o recomendaram em suas instruções, em 1869, já que propiciariam um café de maior qualidade que aquele obtido através da via seca. Os benefícios úmidos de café se estabeleceram próximos de fontes de água, rios, arroios e nascentes, já que seu funcionamento se baseava totalmente no uso de água: recepção e classificação do fruto, condução à máquina de separação de polpa, que também era evacuada com água, transporte dos grãos até a pilha de fermentação, seguido da lavagem do café em grandes canais. Tudo isso requeria entre 2 e 3 mil litros de água para processar um quintal (saca de 46 quilos) de café, nesse que se denomina como processo convencional ou tradicional. As melhorias tecnológicas dos benefícios úmidos permitem reduzir o uso de água, introduzindo mudanças nos sistemas de recebimento de café, transporte e processo, sendo a recirculação de água o coração do sistema, que utiliza entre 150 e 200 litros de água para o processo do mesmo quintal de café, uma redução de 90% da água utilizada no processo tradicional. Apesar da redução do uso da água, ainda existem as águas residuais mais carregadas de matérias orgânicas, que devem ser manejadas em áreas de tratamento denominadas Ptar, ação que deve ser acompanhada por uma disposição e utilização dos subprodutos como adubo orgânico, convertendo um problema em algo útil.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

RECONHECIDO PELO SEU MÉRITO(1)

RECONHECIDO PELO SEU MÉRITO(1)



A imprensa especializada em café noticiou o interesse dos administradores da Bolsa de Nova Iorque em aceitar a origem brasileira para as entregas dos Contratos C negociados por aquela praça. Como já é de amplo conhecimento, saudei essa notícia como a mais relevante para a corrente safra brasileira. Ademais, procurei suscitar as lideranças do agronegócio café em se empenhar por constituir imediatamente lobby, para junto à bolsa, fornecer as informações e estudos necessários e, paralelamente, se interpor a qualquer espécie de oposição que a iniciativa possa reunir (ao menos vigiar os passos dos “hermanos” colombianos).

Há cerca de sete anos, por iniciativa dos exportadores brasileiros, houve grande esforço articulado visando o aceite do registro de café lavado brasileiro nas entregas nova-iorquinas. Apesar do sério e competente trabalho desenvolvido, não se obteve o esperado êxito, pois os lobbies colombianos e centro-americanos pressionaram a estrutura legislativa estadunidense que, por sua vez, atuou junto aos administradores da bolsa de Nova Iorque no sentido de descartar essa possibilidade. O mais desalentador foi serem ouvidos comentários oficiosos de que houve pressão contrária partindo inclusive de interesses brasileiros, temerosos da perda de liquidez para as transações lastreadas no contrato futuro de natural.

Então, como explicar que transcorrido todo esse tempo o embaraçoso assunto volte à cena, mais ainda, liderado pelas autoridades da bolsa estadunidense. Para entender esse fato se faz necessário elencar outras dinâmicas que influenciaram e continuam influenciando essa abertura ao produto brasileiro. São quatro os principais fenômenos que agora legitimam e concedem suporte para a iniciativa estadunidense: 1) início e consolidação dos concursos de qualidade da illycafè; b) desenvolvimento tecnológico do cereja descascado(CD) por parte da Pinhalense S/A Máquinas Agrícolas (depois copiado por outras metalúrgicas); c) êxito do ingresso da Starbucks no mercado de casas de café dos grandes centros urbanos brasileiros e d) necessidade de proteção a riscos de preço daquela que é a mais volátil das commodities transacionada em bolsa de valores.

Em 1990, chega ao Brasil o saudoso Dr. Ernesto Illy para implantar uma nova idéia, criar um concurso de qualidade do café nos padrões de excelência habituais para a torrefadora triestina. Com o transcorrer dos certames a disputa ganhou notoriedade, conferindo reputação para regiões desvalorizadas pelo tradicionalíssimo comércio de café. Norte do Paraná; região de Piraju/SP; Zona da Mata mineira; planalto de Vitória da Conquista/BA, foram alguns dos cinturões produtores, que após a conquista do lugar mais elevado da premiação, lançaram-se organizadamente no esforço de maior melhoria da qualidade com vistas a consolidar a reputação de seu café que, pelo prêmio conquistado, foi imensamente alçada. Dentro de pouco tempo todos os cinturões produtores criaram seus certames regionais, estaduais e nacional, esse último encabeçado pela Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC). A mobilização pela qualidade mudou o padrão de bebida do café brasileiro que segue melhorando por meio da introdução de rotinas básicas como: separar os tipos em lavador, revolver mais vezes o café em terreiro mantendo camadas finas e controlar a temperatura do secador, entre outras ações de capacitação implementadas.

A melhoria da qualidade do café brasileiro é uma realidade que o mundo passou a reconhecer e mais, pretende pagar por isso! Caso vingue o aceite da origem brasileira em Nova Iorque, o incremento dos preços recebidos pelos cafeicultores pode alcançar entre R$40,00/sc a R$ 50,00/sc, para o café classificado dentro desse critério.

Quase que de forma concomitante ao surgimento do prêmio da illy, a Pinhalense lançava seu equipamento descascador. Por meio dele, se tornou possível separar cerejas dos frutos verdes e prepará-los, buscando a melhor qualidade que o tipo pode oferecer. A tecnologia de descascamento de café permitiu que os cafeicultores, mesmo situados em zonas não propícias à produção de qualidade de bebida e mantendo a colheita por derriça, pudessem produzir cafés de padrão gourmet. A penetração da tecnologia, aliada à crescente aceitação comercial dos grãos assim preparados, foi por mim, chamada da segunda maravilha do engenho brasileiro2. A progressão das vendas dos descascadores e o conseqüente aumento da oferta de CD já soma quantidade bastante expressiva, grosseiramente estimada entre 3 a 4 milhões de sacas.

A entrada da Starbucks no mercado brasileiro somente ocorre após a companhia se tornar um caso de imenso sucesso no mundo empresarial. Seu exponencial crescimento fez surgirem cenários em que, brevemente, estaria a rivalizar no ranking das marcas mais preciosas como a Microsoft ou outra firma de igual renome. Sua presença física no maior país produtor de café possibilitou que travasse contato com os padrões de qualidade de café que já se encontravam com relativa facilidade dentro das distintas regiões produtoras, especialmente, o CD. Informações extraoficiais sinalizam que o volume de CD adquirido pela companhia gira em torno das centenas de milhares de sacas. A Starbucks, recém entrante no mercado brasileiro, constitui apenas um das dezenas de exemplo de outros importadores (traders e torrefadores), que da mesma forma, descobriram a qualidade CD, que se tornou ainda mais cobiçada devido à escassez conjuntural do tipo lavado colombiano e centro americano. Ademais, não passou despercebida sua capacidade intrínseca em simplificar a formação das ligas voltadas para o espresso.

Maior quantidade de café de qualidade brasileiro negociado para além fronteiras, envolve, necessariamente, maiores riscos de preços. Sabidamente, o café é a commodity de maior volatilidade nas bolsas (embora nos últimos cinco anos tal amplitude de oscilação tenha-se arrefecido). Os importadores precisam se proteger dessas oscilações nas cotações, sendo a aquisição de posições em Nova Iorque a forma mais usual de transferir esse risco. Pois bem, sem a possibilidade de certificar café despolpado brasileiro (que junta tanto lavado como o descascado), os importadores assumem isoladamente imensos riscos durante a condução das transações. Portanto, a bolsa nova-iorquina não passará a certificar a origem brasileira por ter feito sua autocrítica e constatado um equivoco quando primeiro se tentou levar adiante o assunto. Passará a aceitar o produto brasileiro porque os importadores necessitam de hedge para cobrir suas posições no físico, garantindo a rentabilidade da operação comercial/industrial. Starbucks, traders, torrefadores e solubilizadores precisam de proteção e a bolsa precisa deles para aumentar a liquidez de seu contrato. Desse modo, a decisão não pode ser outra que não a de certificar a origem brasileira.

Como os agentes mencionados atuam no segmento, ou seja, necessitam da matéria prima para sua atividade, o contrato C sem entrega de café brasileiro não lhes confere apropriada segurança de preço. A crescente demanda pelo produto nacional se posiciona em um mercado cuja trajetória aponta para maior escassez, ou seja, nossa oferta cresce, abastece o mercado e a referência para o preço se forma sobre um produto crescentemente escasso. O aceite da origem brasileira mitigaria esse fato precificando melhor a posição comprada no físico dos importadores.

O assunto possui ainda outras nuanças como: expertise comercial do exportador brasileiro; diminuição da margem para tentativa de ganho na arbitragem NY versus SP; possibilidade da BM&F-Bovespa assumir parceria no credenciamento de produto certificado, entre outros, mas que aqui não levarei adiante. Para concluir, retomo o início do artigo quando lembramos a iniciativa do Dr. Ernesto Illy ao implementar o concurso de qualidade de café no Brasil. Não há quem deixe de perceber nesse pioneirismo a verdadeira mania que se transformou o empenho pela qualidade nos mais diferentes rincões em que se produz café nesse País. Não foram os mais de 180 anos de história comercial de café no Brasil que impuseram o assunto qualidade na pauta do negócio, mas o olhar visionário do itálico mestre. No caso em tela, se repete a mesma história, estrangeiros a oferecer soluções significantes para os constrangimentos que tolhem o desenvolvimento do agronegócio café brasileiro. Parece que padecemos todos da síndrome de vira-latas, como sagazmente definiu o caráter do povo brasileiro o insubstituível Nelson Rodrigues. Cafeicultores, o mérito é todo de vocês, saúdem-se com retumbantes vivas!!! Vira-latas; isso é para os outros, ou não é?

1 O autor agradece os comentários e sugestões efetuados pelo exportador Eduardo Carvalhaes.
2 A primeira foi o ressurgimento comercial do Bourbon Amarelo.


Celso Luis Rodrigues Vegro
Eng. Agr. M.S., Pesquisador Científico.
Instituto de Economia Agrícola/SP
celvegro@iea.sp.gov.br

Café na ICE tem dia de altas amparado por parâmetros técnicos

Café na ICE tem dia de altas amparado por parâmetros técnicos

Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quarta-feira com novas altas, após o mercado ter conseguido suplantar as resistências da semana anterior e ter, inclusive, ficado imune de realizações de lucro, sendo que a primeira posição na bolsa amealhou valorização de mais de 0,5%. No encerramento do dia, o maio teve alta de 155 pontos, com 136,80 centavos de dólar por libra peso, com a mínima em 136,80 e a máxima em 137,80 centavos por libra, com o julho tendo valorização de 70 pontos, com a libra a 136,85 centavos, sendo a máxima em 138,60 e a mínima em 135,55 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição julho teve alta de 10 dólares, com 1.408 dólares por tonelada, ao passo que o setembro teve oscilação positiva de 10 dólares, com 1.441 dólares por tonelada.

Os futuros de café na ICE continuam presos em um range entre 130 e 140 centavos, construído nas últimas semanas, sendo que alguns traders parecem se sentir confortáveis nesse patamar, apontou Jack Scoville, analista e vice-presidente da Futures Group, em Chicago. Por outro lado, o mercado futuro de café demonstra uma preocupação adicional sobre a safra de ciclo alto que o Brasil deverá colher em breve, o que poderá pressionar tal mercado nas próximas semanas. Operadores altistas buscam fazer o mercado bater na máxima de 4 de maio, quando testou os 138,70 centavos, mas falhou em atrair novas compras, pressionado por operadores baixistas que efetuaram algumas liquidações.

A falha do julho em superar as altas técnicas de 4 ce maio foi um sinal que sugeriu que os preços poderiam testar novos patamares de baixa, segundo apontou Spencer Patton, analista chefe de investimentos da Steel Vine Investments, em Chicago. "Nós verificamos que havia muita preocupação baixista por parte dos participantes", disse o operador. Quando os preços do café conseguiram se aproximar da resistência técnica no nível entre 139,00 e 141,00 centavos, o mercado automaticamente buscou uma correção para baixo, o que demonstraria que há uma barreira considerável nesse patamar, sustentou um analista internacional. "O julho precisa encerrar num nível acima desse bloco entre 139,00 e 141,00 centavos para consolidar uma força no mercado", disse Patton. Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 6.638 sacas, indo para 2,39 milhões. "O dólar esteve em alta e o petróleo caiu num nível preocupante, no entanto, mesmo com esses indicadores negativos, verificamos que a maior parte das commodities softs estão demonstrando firmeza e o café segue essa tendência. Conseguimos romper a primeira resistência em 137,00 centavos e tínhamos a expectativa de podermos buscar, se continuarmos nesse ritmo, o nível de 140,00 centavos", disse um trader ao longo da sessão desta quarta em Nova Iorque.

As exportações de café do Brasil em maio, até o dia 11, somaram 495.885 sacas, contra 341.102 sacas do mesmo período de abril, de acordo com o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Os contratos em aberto na bolsa nova-iorquina tiveram uma retração de 658 contratos, totalizando 136.643, ao passo que o maio, cuja expiração se dará definitivamente no dia n8, continua tendo 48 posições em aberto. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimad em 17.901 lotes, com as opções tendo 2.171 calls e 1.887 puts. Tecnicamente, o maio tem uma resistência no patamar de 138,60, 139,00, 139,50, 140,00, 140,25, 140,50, 141,00 e 141,30 centavos por libra peso, com o suporte se localizando em 135,55-135,50, 135,00, 134,50, 134,00, 133,90, 133,50, 133,10-133,00 e 132,00 centavos por libra.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

SINCAL adverte - Perigo de geadas nos nossos cafezais

SINCAL adverte - Perigo de geadas nos nossos cafezais
Quarta, 12 Maio 2010

Há diversos anos que não sofremos mais com as geadas nos nossos cafezais que foram muito intensas nas décadas de sessenta e setenta com prejuízos considerados moderados, severos e severíssimos. As duas últimas geadas com intensidade severíssimas ocorreram em 1975 e 1979 as quais praticamente dizimaram os cafeeiros do Paraná, São Paulo e boa parte do Sul de Minas. Após esses dois eventos, ocorreram outras geadas de intensidades moderadas. Lembro-me perfeitamente da geada de 1979, especificamente no dia 31 de maio. Engenheiro Agrônomo recém formado, exercia atividades profissionais na Bayer e, naquela noite extremamente fria tive a sensação que havia ocorrido uma forte geada e, logo nas primeiras horas do dia procurei, em Machado/MG, o Dr. Pinheiro do IBC, que confirmou o evento como severíssimo. À tarde viajando no sentido de Poços de Caldas já percebia o grande prejuízo em toda região e, aquela geada ocorrida tão cedo, já em maio, liquidou nossos cafezais.

Estamos acompanhando a climatologia, principalmente com os pareceres técnicos do professor Luis Carlos Baldicero Molion, do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas, doutor em metereologia pela universidade do Wiscosin dos Estados Unidos e representante da América Latina junto à Organização Metereológica Mundial. Portanto, o curriculum do Dr. Molion é realmente relevante e, suas colocações técnicas são embasadas cientificamente e julga que há uma histeria mundial em relação ao clima imposta por Al Gore para ganhar as eleições americanas na disputa com o presidente Jorge W. Bush. Al Gore contaminou o mundo com Uas Pseudos - preocupações, as quais continuam nas nossas cabeças, vendo ursos polares sobre camadas de gelos em derretimentos e, outros documentários alarmistas. Depois veio o tsunami, aí então, o mundo passou a crer que estamos totalmente desequilibrados ambientalmente.

Para nós cafeicultores, graças a Deus, tivemos uma época de calmaria da violência das geadas e, em contra partida fomos fortemente atingidos por uma servidão econômica que nos prejudica com uma injustiça nunca vista na atividade cafeeira e, muito mais triste, pois, não advém de um evento climático natural, mas sim, de uma imposição escravistas dos demais elos da cafeicultura, que vivem num conluio, em detrimentos aos cafeicultores que foram enganados por falsas lideranças e falsos políticos.

O Dr. Luis Carlos Baldicero Molion mostra que o termômetro da temperatura global é o oceano pacífico com seus 180.000.000 de quilômetros quadrados que corresponde aproximadamente a 35% da superfície terrestre que é de 510.000.000 quilômetros quadrados. De 1979 a 1998 o oceano pacífico esteve mais quente e, essa fase coincidiu com um período de temperatura mais elevadas no planeta. Mas, nesses últimos 10 anos o oceano pacífico está dando sinais de resfriamento culminando no momento com o sol que está entrando numa fase, cíclica, de menor produção de energia e perdendo atividade. Conclui-se que a partir, de agora teremos grandes riscos de ocorrência de geadas nas regiões cafeeiras com um período de resfriamento da terra e, com durabilidade para os próximos 20 anos e, logicamente nosso cinturão cafeeiro situa-se em grande parte da região sudeste com vulnerabilidade às geadas.

Além do exposto, nossos cafeicultores de modo geral, esqueceram das geadas e plantaram muitas lavouras em locais baixos e vulneráveis. Lembro perfeitamente da nossa cafeicultura dos anos setenta e oitenta e, lá não víamos lavouras nas baixadas. Existe um levantamento climatológico, do extinto IBC, feito pelo professor e pesquisador de climatologia Eng. Agrônomo Ângelo Paes de Camargo que delineava exatamente os locais susceptíveis. Ninguém segue mais esse trabalho. Na próxima geada veremos os prejuízos dos incautos.

Hoje, estamos amargando a nossa incompetência pelos preços baixos praticados no brasil. enquanto, o mundo cafeeiro do arábica, praticamente todos os países produtores vendem uma saca de café na faixa de R$ 480,00 até R$ 550,00, nós estamos vendendo de R$250,00 a R$270,00 / saca. Cafés de excelentes qualidades e, ainda por cima temos 50% de markte-share. De protagonista passamos à coadjuvante e arrastando prejuízos nunca vistos. Como fala o caboclo: “vai ser ruim pra lá”. Esses prejuízos e essa situação são de responsabilidade das nossas lideranças e dos falsos-políticos em conluio com os demais elos da cadeia e com o setor governamental que deveria acompanhar o café e, é caótico, cego e.... sem comentários. Estamos amargando os preços baixos e, nos próximos tempos, quando da ocorrência de uma geada, estaremos chorando por termos entregues nossos cafés por preços tão miseráveis. Ao Ministério da Agricultura que entregou o café à gente desqualificada e com visão curtíssima faz-se necessário uma mudança urgente nessa gestão, quem sabe voltar o café para o seu antigo gestor o Ministério da Indústria e Comércio Exterior.

A SINCAL adverte para todos esses aspectos políticos e técnicos e contatos que fizemos com o Dr. Molion, para parabenizá-lo de suas colaborações técnicas e, ele pediu que advertíssemos aos cafeicultores o risco da geada para esse ano, pois, o hemisfério norte está extremamente frio e esse é um sinal evidente do risco da geada, além de, considerar os outros fatores expostos. Isso realmente é preocupante, pois, desde a década de setenta e algo da década de oitenta não víamos as nevascas atingirem determinados locais na península ibérica como vem ocorrendo. Nos últimos dias até Roma foi acometida de nevasca que é algo raro.

Senhores cafeicultores, administrem o máximo seus estoques de café, parem com essas trocas físicas que só beneficiam as multinacionais, exportadores e importadores. Prudência e precaução nunca são demais e fiquem preparados, a partir de maio, com medidas para amenizar os efeitos práticos das geadas. O Engenheiro Agrônomo sabe como amenizá-las.


Armando Matielli - Eng. Agrônomo

Cafeicultor em Guapé/MG

Presidente Executivo da SINCAL

terça-feira, 11 de maio de 2010

Safra é recorde, mas renda continua estável

Safra é recorde, mas renda continua estável

A safra de grãos deste ano sobe para o recorde de 147 milhões de
toneladas, mas a renda do produtor fica praticamente no mesmo patamar da
de 2009.
Dados divulgados hoje pelo Ministério da Agricultura mostram que o valor
bruto da produção deste ano atingirá R$ 160 bilhões, apenas 1% a mais do
que no ano anterior.
Preços menores dos principais produtos, como os da soja e do milho,
fizeram com que o Centro-Oeste, importante região na produção nacional,
registrasse queda de 11% no valor da produção neste ano em relação ao
anterior.
A região Sul foi a única que obteve boa recuperação do valor de produção.
José Garcia Gasques, do Ministério da Agricultura, cruzou os mais recentes
dados de safra do IBGE, divulgados neste mês, com os preços médios
recebidos pelos produtores apurados pela Fundação Getulio Vargas em
janeiro e fevereiro últimos. A alta foi de 12,5% para a região Sul.
A alta ocorre devido ao Paraná, onde o valor de produção subiu para R$ 22
bilhões. O avanço da colheita foi mostrando uma produtividade que nem os
produtores esperavam.
Além dessa produtividade, os paranaenses conseguiram comercializar a soja
a R$ 36 por saca no início da safra, valor superior ao registrado em Mato
Grosso: próximo de R$ 26.
A queda do valor de produção na região Centro-Oeste foi puxada por Mato
Grosso, onde a renda caiu para R$ 16,8 bilhões, com queda de 16,7%. Os
preços da soja foram influenciados ainda em Mato Grosso pela aceleração no
valor do frete.
O transporte da soja mato-grossense para os portos chegou a custar R$ 230
por tonelada, valor que acaba sendo descontado do preço final pago ao
produtor.
A região Norte, que vinha obtendo bons resultados no ano passado,
principalmente devido ao valor do arroz, perdeu força neste ano. O valor
bruto da produção da região caiu para R$ 6,3 bilhões, 55% menos do que no
ano anterior.
A região Sudeste não teve alteração, mantendo o valor da produção em R$
43,7 bilhões, segundo os dados de Gasques.

Exportadores vendem dólares

Exportadores vendem dólares

A crise europeia trouxe uma puxada no câmbio e, com ela, a volta da demanda por
"hedge" (proteção) de receita dos exportadores. As companhias aproveitaram que
o dólar para daqui a um ano bateu nos níveis acima de R$ 2 e saíram vendendo a
moeda no mercado futuro. Os bancos mais atuantes perceberam volumes de negócios
na quinta-feira de duas a três vezes maiores aos de um dia normal.
Mesmo no mercado de dólar à vista, os exportadores aproveitaram para vender com
mais força quando o mercado estressou e as cotações se aproximaram dos níveis
de R$ 1,90. Os exportadores têm muito dinheiro fora do país: os números do
Banco Central mostram que em 12 meses as exportações efetivas foram US$ 16
bilhões superiores ao câmbio contratado para a exportação.
A maior parte da venda futura foi feita por meio dos tradicionais contratos a
termo sem entrega de moeda, conhecidos pela sigla NDF (do inglês
non-deliverable forward). A empresa combina que vai vender a moeda em uma data
determinada por um preço determinado e, quando chegar essa data, paga ou recebe
a diferença com relação à cotação verificada de fato.
O movimento dos exportadores ajudou a derrubar o dólar, que depois de ganhar
6,5% na semana passada registrou ontem a maior queda percentual diária desde o
final de 2008: 3,99%, para fechar a R$ 1,777.
"O maior impacto da crise europeia no mercado de derivativos para corporações
foi o aumento na tomada de hedge pelos exportadores", diz o diretor do Itaú BBA
Marcelo Maziero. Hiroshi Ogawa, da mesa de derivativos para clientes do BNP
Paribas, concorda. "Os prazos para o hedge ainda são curtos e raramente passam
de um ano", conta.
Apesar de os bancos estarem hoje pedindo um volume maior de garantias para os
clientes corporativos, depois do susto do final de 2008 e das perdas
bilionárias de empresas como a Aracruz e a Sadia, a chamada de margens das
companhias foi pequena na crise agora e o impacto na liquidez para elas foi
insignificante, segundo os bancos.
O Itaú BBA e o BNP Paribas, por exemplo, adotam cláusulas de depósito de margem
de garantia nos contratos de valores "expressivos" feitos diretamente com a
empresa no chamado mercado de balcão e de prazo maior do que um ano. "Mas a
quase totalidade dos contratos são de prazo inferior e por isso a chamada
adicional de margens foi pouco significativa", diz Maziero. Hoje, com a queda
do dólar, as exigências de garantias já foram reduzidas novamente.
Essas garantias, na maior parte títulos públicos, são depositadas em contas nos
próprios bancos. A Cetip, central na qual são registrados a maior parte dos
derivativos fechados entre duas partes, está procurando criar um sistema de
depósitos. "Claro que não faz sentido exigir, num mercado de balcão, margens
diárias ou com periodicidade grande demais, até porque o depósito dessas
margens exige um pouco mais de burocracia no balcão do que nas bolsas", explica
Maziero.
Também está em fase final de implementação a Central de Exposição a Derivativos
(CED), que vai permitir aos bancos consultar a posição consolidada das empresas
em derivativos de balcão, registrados na Cetip, e nos mercados de balcão ou de
bolsa da BM&F Bovespa.