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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Café brasileiro poderá ser negociado na Bolsa de Nova York

Café brasileiro poderá ser negociado na Bolsa de Nova York

Brasília – O diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Robério Oliveira Silva, disse hoje que o produto brasileiro passa por um processo de consulta para ter sua negociação feita também na Bolsa de Nova York.

A discussão em torno da entrada do café arábica cereja descascado, mais fino [na Bolsa de Nova York] se dá há uns dez anos. Agora, no entanto, houve interesse do comitê da Bolsa de Nova York, que percebe que o Brasil tem participação importante nesse mercado”, afirmou Silva durante a apresentação da estimativa de safra do produto, de 47 milhões de sacas de 60 quilos.

A queda da produção na Colômbia e na América Central, concorrentes do Brasil no mercado de café, está levando ao aumento da procura do produto brasileiro pelos importadores. Para o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, essa é uma oportunidade que o país deve aproveitar agora, que terá a maior safra de café dos últimos dez anos.

“Colher uma safra de ciclo alto num momento em que o mercado internacional se ressente da falta de bons cafés arábicas é uma oportunidade para ocupar maior espaço nos blends [produtos que resultam da composição de diferentes tipos de café]”, afirmou o ministro.

Segundo Rossi, o governo será capaz de apoiar toda a comercialização de café. Na próxima semana, representantes de toda a cadeia produtiva se reúnem para elaborar um conjunto de ações a serem implementadas. Entre as medidas avaliadas, está o apoio à comercialização de até 5 milhões de

Ordens erradas amplificam tombo em NY; Nasdaq cancela transações

Ordens erradas amplificam tombo em NY; Nasdaq cancela transações

Um grande volume de ordens de venda aparentemente erradas, disparadas por
sistemas eletrônicos de negociação (algotrading), amplificaram enormemente o
tamanho do tombo na Bolsa de Nova York, ontem, levando os índices Dow Jones e
S&P 500, durante o pregão, a suas maiores baixas ao longo de um dia desde o
"crash" da bolsa em 1987.
À noite, a Nasdaq informou que cancelaria todas as compras e vendas de ações
feitas a preços que embutissem variação superior a 60% para mais ou para menos
em relação à cotação registrado às 14h40. A decisão de cancelar, disse a
Nasdaq, foi tomada em uma ação coordenada com as demais bolsas americanas.
A decisão foi anunciada depois de uma teleconferência de emergência entre os
dirigentes das principais bolsas dos Estados Unidos e membros da Securities and
Exchange Commission (SEC), o xerife do mercado de capitais americano, para
examinar a série de operações erradas registradas ao longo do dia. Os erros
teriam ocorrido entre as 14h40 e as 15h do horário novaiorquino.
Mais cedo, o porta-voz da Bolsa de Nova York (NYSE), Rich Adamonis, explicou
que "houve várias ordens erradas" durante a queda da bolsa. Em questão de
minutos, o Dow Jones deu um mergulho e voltou: saindo do patamar de baixa de 4%
para uma queda de 9,2% e, depois, 3% negativo novamente.
A queda dos índices foi provocada pela baixa violenta e repentina nos preços de
ações "blue chip" como Procter & Gamble e 3M, que não costumam ter oscilações
bruscas. Na Bolsa de Nova York, cada ação tem o seu próprio "circuit breaker",
ou seja, um limite de variação que suspende a negociação com o papel. Quando
determinada ação atinge esse nível, ela pode ser negociada a qualquer preço em
outras bolsas ou plataformas de negociação.
Quando a ação da P&G caiu abaixo do seu nível de "circuit breaker", uma ordem a
US$ 39,37 foi feita a partir da Nasdaq (o papel antes estava na casa de US$
60). A NYSE divulgou comunicado negando falhas em seus sistemas.
Operações que derrubaram as ações da Accenture Plc em mais de 99%, para um
centavo de dólar, foram canceladas pela CBOE, bolsa de opções de Chicago. As
ações da Accenture se recuperaram e fecharam a US$ 41,09 na NYSE, em queda de
2,6%.
Diversos operadores de mercado disseram que uma grande instituição teria,
acidentalmente, disparado uma programação errada, em que um operador teria
digitado uma ordem de venda de US$ 16 bilhões em vez de US$ 16 milhões em
contratos do tipo e-minis. Os e-minis são contratos futuros atrelados a índices
de ações, negociados na Chicago Mercantile Exchange. A CME informou que estava
averiguando o ocorrido.
O Citi informou que não havia encontrado ontem qualquer evidência de que a
instituição esteja envolvida em ordens erradas, mas que continuava investigando.
O comportamento errático de preços fez com que diversos programas automáticos
(os algorítimos) disparassem ordens de venda.

Pânico nos mercados tira suporte das commodities

Pânico nos mercados tira suporte das commodities

Foi uma quinta-feira de pânico no mercado global, e os movimentos financeiros
derivados das preocupações com a economia europeia e com as bolsas americanas
provocaram a valorização do dólar e a retração das commodities em geral, sem
poupar as agrícolas.
Na bolsa de Chicago, referência para as cotações dos grãos no mercado
internacional, a soja foi a mais afetada. Segundo o Valor Data, os contratos
futuros de segunda posição de entrega - normalmente os de maior liquidez -
recuaram 2,45%, e passaram a acumular uma queda de 13,35% este ano.
O tombo da soja elevou a pressão sobre milho e trigo, que completam a trinca
das commodities agrícolas mais negociadas no planeta. No caso do milho, a
segunda posição caiu 0,47% e elevou as perdas em 2009 para 12,49%; no do trigo,
a erosão diária foi de 0,73%, ampliando a anual para 8,18%. Ainda assim, os
patamares de fechamento de quinta foram os mais baixos em "apenas" um mês.
As commodities agrícolas negociadas na bolsa de Nova York (açúcar, café, cacau,
suco de laranja e algodão) não se livraram do contágio. As baixas levaram os
preços aos mais baixos níveis desde meados de abril. A exceção foi o açúcar,
que já estava em queda e atingiu o piso em pouco mais de um ano.
As turbulências na Europa também afetaram as ações das empresas de carnes. No
Brasil, que tem empresas fortes na exportação, a mais afetada foi o Minerva,
cujos papéis recuaram 7,43%. Os da JBS caíram 3% e as ações da Marfrig, 1,36%.
A Brasil Foods perdeu 1,43% no dia. Papéis das americanas Tyson e Smithfield
despencaram. As quedas foram de 5,93% e 4,37%, respectivamente, segundo o Valor
Data.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

05/05 17:08 MANTEGA: Crédito tributário para exportador será pago em até 30 dias

05/05 17:08 MANTEGA: Crédito tributário para exportador será pago em até 30 dias

Brasília, 5 de maio de 2010 - O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
anunciou, há pouco, um pacote de medidas para incentivar a competitividade de
exportações, mas também do mercado doméstico. Uma das medidas que deve ter
impacto mais imediato é a devolução de 50% dos créditos tributários de
PIS/Cofins e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em até 30 dias após a
solicitação.

A medida vale apenas para os novos créditos tributários e tenta acelerar o
processo, que hoje leva até cinco anos. Os 50% restantes deverão ser restituídos
pelo trâmite tradicional. Para ter acesso à devolução em até 30 dias, as
empresas deverão se enquadrar em algumas condições, como ter exportações que
correspondem a no mínimo 30% do faturamento nos últimos dois anos e ser
exportadora há pelo menos quatro anos. Também deverão ter tributação realizada
pelo sistema de lucro real e adotar a nota fiscal eletrônica. Por fim, a empresa
deve ter um histórico de pedidos de ressarcimento onde as solicitações
indeferidas não sejam superiores a 15% do total.

O pacote também exclui a receita de exportação do cálculo de enquadramento
no Simples Nacional. Atualmente, para entrar no Simples, as empresas não podem
ter faturamento anual superior a R$ 2,4 milhões. Com a medida o limite vale
apenas para o mercado interno e as exportações não são contabilizadas. A
intenção com a medida é estimular micro e pequenas empresas a entrarem ou
ampliarem suas operações no exterior. Essas empresas respondem, atualmente, a
1,2% do valor exportado e a 48,3% do número de empresas, segundo o Ministério da
Fazenda.

Outra medida anunciada foi a criação do EximBrasil, instituição que será
ligada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e deverá
apoiar as operações de exportação. De acordo com o presidente do BNDES, Luciano
Coutinho, as operações que atualmente são operadas pelo FINAME no âmbito do
comércio exterior serão repassadas ao EximBrasil, da mesma forma que as
operações de comércio exterior em curso pelo BNDES também serão repassadas à
nova agência de exportação.

Também será alterado o atual sistema brasileiro de garantias. O governo vai
criar o Fundo Garantidor de Infraestrutura, que será uma unificação de diversos
fundos garantidores já existentes, como o fundo da indústria naval e das
Parcerias Público-Privadas (PPPs). O novo fundo terá recursos da ordem de R$ 5
bilhões, o que permitirá mais fôlego sem a necessidade de contratação de
resseguros.

Na modernização do sistema de garantias, também será criada uma Empresa
Brasileira de Seguros, que administrará o risco desses fundos garantidores, no
qual a União é cotista. Em complemento, será criado um fundo garantidor de
comércio exterior (FGCE), que inicialmente terá recursos de R$ 2 bilhões e será
gerido pelo BNDES.

Para estimular o mercado nacional, o governo vai criar um sistema de compras
governamentais que dará preferência à produção doméstica. O preço do produto
nacional, no entanto, não pode exceder em 25% o do similar importado. Os
produtos que terão preferência também deverão ter conteúdo nacional mínimo a ser
definido posteriormente.

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, também participou do anúncio, e
destacou a aplicação do Drawback Isenção para os produtos nacionais. O
mecanismo dá direito ao exportador para que compre insumos nacionais com isenção
de imposto.

Outra medida retira o redutor do imposto de importação para autopeças de
40%, para as montadoras. A partir de agora, a alíquota cheia será aplicada tanto
para os revendedores, como já era feito, como para utilização na linha de
produção.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Indústria e associação de produtores têm divergências

Indústria e associação de produtores têm divergências
05/05/2010

O café é importante para o Brasil desde a época do império. Em 2008, representou cerca de 2,37% da pauta de exportação brasileira. Hoje, o Brasil é, ainda, o principal exportador do produto, com uma exportação média, nos últimos três anos de 28,3 milhões de sacas.

A produção brasileira de café é a maior do mundo, respondendo por mais de um terço de toda a produção mundial. Em 2009, o volume de produção foi estimado em 39 milhões de sacas. O país possui aproximadamente 6,4 bilhões de pés de café, com 2,3 milhões de hectares de área plantada.

Apesar de todo histórico do produto no Brasil, as lideranças do campo afirmam que falta reconhecimento e empenho do governo e da indústria em lutar pela precificação do café tanto no mercado interno quanto externo. "Falta um pouco de vontade. É muito mais fácil e cômodo, continuar pagando café pela metade do preço do que fazer um 'lobby' político em NY, ou mesmo em outras bolsas, como Chicago, e mesmo na BM&F", afirma Armando Matielli, engenheiro agrônomo e diretor do Sincal (Associação Nacional dos Sindicatos Rurais das Regiões Produtoras de Café e Leite).

De acordo com Matielli, o valor pago nas exportações está entre R$ 150, R$200,00 mais barato que os países concorrentes. "Esse ano nós vamos exportar 30 milhões de sacas de café, e vamos perder 6 bilhões de reais. Isso é um absurdo", completa.

Além da questão dos preços, outro debate importante surgiu na cafeicultura. Matielli afirma que o Brasil tem os melhores grãos, por serem naturais, e que essa qualidade não vem sendo transmitida para o café de consumo interno. "O café que nós bebemos no mercado interno é uma lástima", afirma.

De acordo com o engenheiro agrônomo, nos últimos 5 anos foram consumidos, em média, 16,3 milhões de sacas de café. Desses 16 milhões, aproximadamente 7,5 milhões é café robusta. "Nós não somos contra o robusta, mas achamos que há um exagero de robusta dentro do café de consumo interno". Matielli afirma que o robusta é mais barato, e que a indústria brasileira quer comprar barato para fazer produto barato. "Eles colocam, ainda, o PVA, que é o Preto, Verde e Ardido". Armando diz que são consumidas entre 3 e 4 milhões de sacas de PVA. "Somando-se aos 7 milhões de sacas de Robusta que bebem, faltam 5 milhões dos 16 milhões consumidos. Ou seja, nós estamos bebendo apenas 5 milhões de sacas de Arábica".

O diretor executivo da ABIC, Nathan Herszkowicz, afirma que no Brasil e no mundo a indústria utiliza, sim, vários tipos grãos para formar o produto, desde os mais caros até os mais baratos como PVA. "Os PVA são grãos que podem ser utilizados em dosagem menor, sem alterar a qualidade do produto, para que se tenha um café bom, porém com menor custo".

De acordo com Herszkowicz, nem todo consumidor quer pagar caro pelo produto. "Pelo contrário, o que eles querem é um café que atenda ao paladar de cada um e que tenha um preço acessível sem perder a qualidade".

De acordo com o diretor executivo da ABIC, os grãos PVA não nascem na indústria. "Ao invés de criticar a indústria, eu acredito que o Sr. Matielli deveria unir esforços, juntamente com os cafeicultores, para que fossem produzidos menos grãos defeituosos. Esses grãos [PVA] vem do campo, provenientes de uma produção mal feita".

Nathan Herszkowicz, diz, ainda que "Sr. Matielli deveria ajudar na produção de um melhor grão. É lamentável que uma liderança como ele produza tanta inverdade. Tenho a impressão de que ele está desatualizado em relação ao que vem ocorrendo na indústria do café".

Matielli critica a qualidade e afirma que "A ABIC não está conseguindo exportar porque quer vender café sem qualidade, e nenhum país consumidor do produto vai comprar o que eles querem vender". Já a ABIC afirma que a qualidade do café vem aumento nos últimos anos, e que isso justifica, inclusive, o aumento do consumo interno e das exportações. "Hoje a ABIC monitora 390 marcas de café do Brasil todo, com provadores treinados e capacitados para qualificar o produto. O Brasil está exportando, sim, e isso ocorre porque o café brasileiro é um dos melhores do mundo.

Matielli diz ainda que a importação de café Conillon é desnecessária e ofensiva. "Não precisamos importar, nós já temos café, o que precisa é mudar o que vem sendo feito e colocar café de verdade na mão desses consumidores, e não ir lá fora [exterior] comprar restos". Herszkowicz afirma que o café Conillon vem para atender uma demanda do mercado interno. "O mundo usa 35% de café robusta, poderíamos chamar de nova realidade, mas isso já ocorre há 30 anos, e não é um produto que concorre com o café Arábica", afirma.

05/05 10:21 CAFÉ: FUNDAMENTOS INDICAM PREÇO DE 165 CTS EM NY NO FINAL DO ANO - GUAXUPÉ

05/05 10:21 CAFÉ: FUNDAMENTOS INDICAM PREÇO DE 165 CTS EM NY NO FINAL DO ANO - GUAXUPÉ

Diante do cenário fundamental, que indica aperto na relação
entre oferta e demanda, os preços do café devem subir até o final do ano, tanto
no Brasil como na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE). Diretor comercial da
Exportadora Guaxupé, João Carlos Hopp Júnior, acredita que a cotação em Nova
York poderá atingir com facilidade a casa de 165,00 centavos de dólar por
libra-peso até o final do ano.
Além do desequilíbrio na relação de oferta e demanda, o diretor também
lembra que há muito especulador comprado em Nova York. "Se a situação
financeira internacional não apresentar uma piora consistente, há a
possibilidade de aumento na entrada de capital especulativo no café,
contribuindo para a elevação nos preços", projetou.
Para o mercado interno, Hopp prevê uma linha ascendente nos preços. "O
mercado deve trabalhar no curto prazo com preços estáveis. Os patamares podem
cair um pouco durante a safra, mas depois voltam a subir. Acredito que a melhor
estratégia no mercado futuro neste momento é comprar em agosto e vender durante
o Carnaval", sugeriu.
Caso esta tendência se confirme, o diretor comercial acredita em incremento
na produção e nos tratos culturais da próxima safra brasileira. "O quadro de
oferta e demanda mundial é tão grave que dificilmente a produção brasileira não
irá subir nos próximos anos, Os estoques de passagem são extremamente baixos",
completou.
Para Hopp, nos próximos cinco a sete anos a produção brasileira de café
terá que subir para uma média de 65 milhões a 70 milhões de sacas. "Apesar do
encarecimento dos custos, principalmente da mão de obra, acredito que o Brasil
tem área e tecnologia suficiente para enfrentar este desafio", apostou.
A previsão para a safra 2010 do Brasil da Exportadora Guaxupé oscila entre
53 milhões e 55 milhões de sacas. Mesmo com a boa safra, o mercado deve chegar a
1o de julho com estoques praticamente zerados da safra anterior, o que garante
este cenário positivo. Hopp aposta que na atual temporada o superávit mundial
deverá ser de 4 milhões de sacas, mas que no ano que vem a relação entre oferta
e demanda global poderá apontar um déficit de 8 milhões de toneladas.
Para 2012, o equilíbrio entre oferta e demanda só acontecerá com preços
mais altos, que garantam alguma sobra ou aumento na produção. E este incremento,
segundo o diretor, deve partir do Brasil. "Não vejo como outros países da
América Latina ou a Colômbia consigam aumentar consideravelmente a produção.
Esta elevação deverá partir do Brasil e acontecerá somente com aumento nos
preços".
Este desequilíbrio no quadro de oferta e demanda é consequência do aumento
do consumo, que cresce a uma taxa de 2,5% ao ano. "Houve uma mudança de
mentalidade. Os jovens passaram a consumir café. E o pontencial de aumento ainda
é muito grande", finalizou, durante palestra realizada ontem no Seminário
Perspectivas para o Agribusiness em 2010 e 2011, realizado pelo BM&FBOVESPA e
pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

50 SAFRA DE 60 MLS DE SCS EM 2010 É ERRO DE AVALIAÇÃO DO MERCADO

05/05 10:50 SAFRA DE 60 MLS DE SCS EM 2010 É ERRO DE AVALIAÇÃO DO MERCADO

O diretor da Exportadora Valorização Empresa de Café, Luiz
Otávio Araripe, considera um enorme erro de julgamento do mercado trabalhar com
uma safra brasileira de café em 2010 entre 58 milhões e 60 milhões de sacas.
Para ele, levando-se em conta a área estimada pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), e contando com os atuais níveis de produtividade
do país, que giram entre 15 sacas e 21 sacas por hectare, dependendo da
bienalidade, este número, que parece consenso no mercado, não fecha.
Segundo Araripe, com uma produtividade de 20,7 sacas por hectare, a
produção seria de 44,257 milhões de sacas. Se os níveis forem excelentes, a
safra bateria em 50,243 milhões de sacas. Para chegar próximo dos 58 milhões, o
rendimento teria que ser de 27 sacas por hectare, muito acima da média. "Isso
só ocorreria com um aumento gigantesco de área", aponta.
O mais recente levantamento do IBGE indica produção de 44,3 milhões de
sacas, A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê uma safra entre 45,9
milhões e 48,6 milhões de sacas. O número do Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA) ainda não foi divulgado, mas o diretor acredita que deverá
girar em 52 milhões de sacas.
Com essa safra abaixo do que o mercado trabalha, a relação de oferta e
demanda mundial já registraria um déficit de 1 milhão de sacas em 2010/11, com
oferta de 134 milhões e procura de 135 milhões de sacas. A situação seria ainda
pior em 2011/12, com oferta de 127 milhões e consumo de 138 milhões, gerando um
déficit de 11 milhões de sacas e derrubando os estoques mundiais para a casa de
4 milhões de sacas.
"O aperto nos estoques é inevitável. Podemos encarreirar três anos
consecutivos de déficit. Por isso, os preços tendem a subir", avalia Araripe. O
consumo mundial de café apresentava um crescimento médio de 1,5% a 1,6% ao ano.
Nos últimos anos, no entanto, este ritmo aumento para 2% a 2,5%. O consumo per
capta mundial é de 1,1 quilo/ano e o potencial de crescimento é muito grande.
Dos 10 países com maior população do mundo, sete deles apresentam taxa per capta
próxima de zero, entre eles India e China.
Segundo Araripe, com os atuais custos e preços praticados a produção de
café e seu aumento são insustentáveis. Para preencher esta lacuna, somente com
aumento na produção. E este aumento viria através do mercado, com preços
melhores. "As cotações têm que subir para que o Brasil aumente a sua área. Qual
o nível de preço adequado? Isso só o mercado irá responder", disse o diretor,
que palestrou ontem durante o Seminário Perspectivas para o Agribusiness em 2010
e 2011, realizado pela BM&FBOVESPA e o Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA), em São Paulo.

Em dia negativo para mercados, café tem baixa moderada na ICE

Em dia negativo para mercados, café tem baixa moderada na ICE

Os contratos futuros de café arábica registraram quedas nesta terça-feira, com vendas técnicas e de fundos especulativos, que seguiram as liquidações na maior parte das commodities, por conta do rally do dólar. No entanto, o mercado ainda continua altista e não contou com perdas tão expressivas. No encerramento do dia, o maio teve baixa de 100 pontos, com 137,40 centavos de dólar por libra peso, com a mínima em 136,35 e a máxima em 138,25 centavos por libra, com o julho tendo desvalorização de 105 pontos, com a libra a 137,50 centavos, sendo a máxima em 138,70 e a mínima em 136,40 centavos por libra. Na

Euronext/Liffe, em Londres, a posição maio teve alta de 49 dólares, com 1.341 dólares por tonelada, ao passo que o julho teve oscilação positiva de 43 dólares, com 1.378 dólares por tonelada. Segundo analistas internacionais, os futuros de café caíram sob a pressão de vendas especulativas de fundos, ligadas às altas do dólar.

Traders apontaram que vários players fugiram para um mercado mais seguro como o dólar, por conta do temor dos problemas econômicos da Grécia, que poderiam se espalhar e contaminar outras zonas do euro. O dólar forte é baixista para as commodities. A despeito das baixas, o café continua em um nível relativamente alto, considerando que o petróleo, por exemplo, declinou 3,6%, ao passo que o índice médio da Dow Jones Industrial recuou 2% no momento de fechamento do café. "Considerando a força do dólar e as perdas em todas as commodities e bolsas de valores, o café teve uma performance bastante estável", disse Rodrigo Costa, vice-presidente de vendas institucionais da Newedge, em Nova Iorque. A pequena disponibilidade de café no mercado físico, além da escassez de grãos de alta qualidade, além da aproximação de uma temporada cujo clima traz temores ao mercado, permitiram fazer com que o café não recuasse tão fortemente, apontou um broker. Traders comerciais, ou usuários finais, compraram nos futuros, misturando-se com outros traders, o que permitiu uma recuperação das perdas verificadas ao longo do dia.

Fundos especulativos venderam pela manhã, principalmente quando o dólar subiu consideravelmente e os preços futuros ficaram próximos de pontos chave de suporte. O julho chegou no nível de máxima de três semanas e meia, em 138,70 centavos no começo do dia, quando encontrou com a média móvel de resistência de 100 dias e, posteriormente, caiu. Esse movimento da média de resistência é um indicador técnico que pode apontar para interesse de vendas, o que poderia vir a barrar novos ganhos. Outra potencial barreira para as altas de preço é a produção forte do Brasil, que o mercado especula ser recorde. Isso seria uma ampla oportunidade para que os preços ficassem pressionados.

Os novos grãos brasileiros devem chegar ao mercado no final de maio e começo de junho. A consultoria brasileira Safras & Mercado espera uma safra neste ano entre 51,6 e 54,2 milhões de sacas, ao passo que alguns agentes de mercado acreditam em um volume entre 59 e 60 milhões de sacas. O café para julho precisa se posicionar acima dos 141,00 centavos por libra para que o rally iniciado na semana passada continue, ao passo que, na outra mão, uma retração para o nível de 131,00 centavos poderia acelerar as perdas, disse um broker. Traders de café deverão continuar preocupados com o dólar nesta quarta-feira, já que a questão "Grécia" deve continuar na pauta do mercado. Se o dólar se mantiver em alta contra o euro, a tendência é das perdas também continuarem a ocorrer.

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram um aumento de 3.633 sacas, totalizando 2,415 milhões. Os contratos em aberto na bolsa nova-iorquina tiveram uma ampliação de 740 lotes, indo para 136.297. O maio ainda conta com 327 contratos remanescentes, sendo que tal posição tem sua expiração definitiva em 18 de maio. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 17.927 lotes, com as opções tendo 4.470 calls e 3.480 puts. Tecnicamente, o maio tem uma resistência no patamar de 138,70, 139,00, 139,90-140,00, 140,50 e 141,00 centavos por libra peso, com o suporte se localizando em 136,40, 136,00, 135,10-135,00, 134,50 e 134,00 centavos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mais uma crise no caminho das commodities

Ainda que tenha elevado a volatilidade dos preços das principais commodities
agrícolas negociadas pelo Brasil no exterior, o recrudescimento da crise
financeira na Europa, sobretudo na Grécia, não teve forças para atropelar os
fundamentos de oferta e demanda e determinar, sozinho, uma direção comum para
esses mercados em abril.
Levantamento do Valor Data com base nas médias mensais dos contratos de segunda
posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) transacionados nas bolsas
de Chicago e Nova York mostra que quatro dos oito produtos analisados (milho,
trigo, açúcar e suco de laranja) encerraram o mês passado com ganhos em relação
a março, enquanto a outra metade (soja, cacau, algodão e café) registraram
quedas na mesma comparação.
Com esses resultados, seis das oito commodities (açúcar, café, cacau, soja,
milho e trigo) fecharam abril com preços médios inferiores aos de dezembro de
2009, enquanto apenas duas (suco e algodão) apresentam ganhos. Em relação às
médias praticadas em abril do ano passado, soja, milho e trigo, negociados em
Chicago, registram baixas, ao passo que as demais, referenciadas em Nova York,
têm altas.
Conforme Vinícius Ito, analista da Newedge em Nova York, ainda que não tenha
determinado resultados comuns - só altas ou só baixas - para as oscilações das
commodities agrícolas em abril, a elevação das apostas de grandes fundos de
investimentos, principalmente especulativos, no ouro, como parte de uma
estratégia de defesa contra a crise europeia, ajudou a oferecer alguma
sustentação às cotações.
A grosso modo, as carteiras de commodities desses fundos são divididas, com
maior ou menor peso, por diversos produtos, e investimentos maiores em um deles
podem ajudar a oferecer suporte aos demais. Eventuais ganhos com uma commodity
também têm de ser reinvestidos para o capital não ficar parado. É um perfil
diferente dos "commercials", investidores normalmente ligados ao setor e que
mantêm lastros nos mercados físicos. Para esses, os fundamentos de oferta e
demanda de cada segmento têm uma influência maior do que para os especulativos.
Em Nova York, foi uma combinação "financeiro-fundamental" que provocou forte
erosão da cotação média do açúcar em abril na comparação com março. A safra
brasileira começou e as perspectivas para a demanda global derraparam,
combinação que naturalmente provocaria pressões "baixistas", mas uma liquidação
especulativa maximizou a tendência - como também havia acontecido quando os
fundamentos eram "altistas" e as cotações atingiram máximas em três décadas - e
o tombo foi de quase 12%.
Com menos intensidade, combinação semelhante também derrubou os preços do suco,
cuja cotação média de abril foi mais de 8% inferior a do mês anterior. Terminou
o período durante o qual as baixas temperaturas na Flórida - que reúne o
segundo maior parque citrícola do mundo, atrás do de São Paulo - ameaçavam os
pomares, o que tirou sustentação dos preços, e fundos aproveitaram para
desarmar posições, amplificando a baixa.
No mercado nova-iorquino de cacau, a expectativa de aumento da demanda mundial
atraiu investimentos especulativos que chegaram a impulsionar as cotações ao
maior patamar em 12 semanas. Ao fim e ao cabo, o preço médio dos contratos de
segunda posição em abril ficou mais que 5% superior ao do mês anterior.
O algodão, por sua vez, foi influenciado pelos efeitos positivos do aumento da
demanda da China e encerrou o mês com pequena valorização de sua cotação média
- mas o suficiente para transformar o produto no de maior alta em relação à
média de abril de 2009 (65,61%). O café, que completa o time dos principais
produtos agrícolas negociados em Nova York que fazem parte do levantamento do
Valor Data, permaneceu praticamente estável.
Na bolsa de Chicago, o mês passado marcou o início do "weather market"
vinculado aos efeitos climáticos sobre o desenvolvimento da nova safra
americana (2010/11). Como costuma definir Antonio Sartori, da corretora gaúcha
Brasoja, é um período em que se negocia chuva, não grãos. E, pelo menos por
enquanto, não há sinais de catástrofes, o que preserva as projeções de boa
safra no maior player agrícola do planeta, como já indicara o primeiro
levantamento do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) sobre as intenções
de plantio naquele país.
Sendo assim, o milho encerrou abril com cotação média quase 3% inferior à de
março, apesar dos sinais de que a China poderá elevar as importações do produto
americano, que emergiram já no fim do mês. A mesma China que deverá ampliar as
exportações de soja nos próximos meses, como indicou a respeitada publicação
alemã "Oil World", e foi decisiva para garantir a alta de 2,7% do preço médio
do grão em Chicago. O trigo, como o café, seguiu na mesma faixa de negociações
praticada em março.
Os cálculos do Valor Data também mostram que o primeiro quadrimestre de 2010
foi o de maiores preços médios desde 2000 para açúcar, cacau e algodão. Nos
casos de café e soja, foi o segundo melhor, abaixo apenas da cotação média dos
primeiro quatro meses de 2008; o suco perdeu para 2007.