Análise diária do mercado de café do dia 24/02
25/02/2010 - 08:19:25
Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) para o café arábica fechou a sessão com preços mais altos
Agência Safras
O mercado físico brasileiro de café registrou preços de estáveis a mais altos nesta quarta-feira. A moderada valorização do café arábica na Bolsa de Nova Iorque e, especialmente, a demanda por cafés de melhor qualidade, que tem baixa disponibilidade e oferta retraída por parte dos
produtores, garantiu sustentação no mercado físico nacional e valorizações dos grãos superiores. O dia foi novamente calmo na comercialização.
No sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa esteve cotado em R$ 280,00 a saca, contra R$ 275,00/276,00 a saca de ontem. No cerrado mineiro, café bebida boa esteve com preço de R$ 280,00 a saca, contra R$ 275,00/276,00 a saca de ontem.
O café rio tipo 7 na Zona da Mata de Minas Gerais teve cotação de R$ 200,00 a saca, estável. Já o conillon tipo 7 em Vitória, Espírito Santo, foi cotado a R$ 168,00 por saca.
Nova Iorque
A Bolsa de Mercadorias de Nova Iorque (Ice Futures US) para o café arábica encerrou as operações da quarta-feira com preços moderadamente mais altos. A fraqueza do dólar contra algumas moedas e ganhos em índices de commodities foram importantes para a alta do arábica, que seguiu buscando uma consolidação após o tombo da segunda-feira.
Depois que NY teve perdas de quase 4% ou 500 pontos no começo da semana, o mercado busca um ajuste técnico, uma consolidação. Até agora, os ganhos da terça-feira (35 pontos no contrato maio) e da quarta-feira são incipientes frente à desvalorização de segunda.
A oferta apertada de cafés arábica lavados neste momento contribui para o suporte, além da oferta restrita do Brasil neste momento. Compras de torrefadores contribuem para a sustentação. As informações partem de agências internacionais de notícias.
Os contratos do café arábica para entrega em março fecharam negociados a 130,45 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 0,10 centavo. A posição maio fechou a 132,85 cents, com valorização de 0,60 centavo.
BM&F
A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) para o café arábica fechou a sessão com preços levemente mais altos nos contratos. Foram 1.853 contratos negociados no pregão, com giro financeiro de R$ 34,52 milhões e são 19.081 contratos em aberto no momento.
Os contratos com entrega em março/10 fecharam cotados a US$ 156,60 por saca de 60 quilos, valorização de 0,38% na comparação com o pregão anterior. Os contratos com entrega em maio/10 encerraram em US$ 161,40 por saca de 60 quilos, alta de 0,31% na comparação com o fechamento anterior nos contratos. Foram 1.853 contratos negociados no pregão, com giro financeiro de R$ 34,52 milhões e são 19.081 contratos em aberto no momento.
Os contratos com entrega em março/10 fecharam cotados a US$ 156,60 por saca de 60 quilos, valorização de 0,38% na comparação com o pregão anterior. Os contratos com entrega em maio/10 encerraram em US$ 161,40 por saca de 60 quilos, alta de 0,31% na comparação com o fechamento anterior.
CÂMBIO
O dólar comercial fechou em queda de 0,05%, a R$ 1,824 para compra e R$ 1,826 para venda. Durante o dia, a moeda oscilou entre a mínima de R$ 1,820 e a máxima de R$ 1,828, para venda.
À tarde, o Banco Central realizou mais um leilão de compra de dólares, com taxa de corte de R$ 1,8195. A liquidação será feita na próxima sexta-feira (26/02). As informações partem da Agência Leia.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Qual a cor do problema?
Qual a cor do problema?
Maria Sylvia Macchione Saes
Professora do Departamento de Administração da USP e pesquisadora do PENSA
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Bruno Varella Miranda
Bacharel em Relações Internacionais pela USP e Pesquisador do PENSA
Como era de se esperar, dada a importância do tema, nosso último artigo, intitulado "Nem preto nem branco: cinza", motivou a participação de diversos leitores do CaféPoint. Juntamente com os comentários feitos ao texto original de Luiz Hafers e Marcelo Vieira, as contribuições recebidas nessas duas semanas demonstram o tamanho do desafio a ser enfrentado. O melhor de tudo, sem dúvida, é a predisposição ao debate, requisito para a resolução dos problemas que atingem a cafeicultura.
Em meio a tantos tópicos de interesse, utilizaremos a resposta dada por Hafers e Vieira a nosso texto a fim de aprofundar um pouco mais a discussão. Afinal, essa espelha, de maneira geral, as inquietações de outros participantes do debate, ainda que as conclusões não coincidam. A opção por seguir a estrutura da resposta, assim, busca principalmente estruturar as discussões.
Precisamos de regras ou de decisões?
A impressão deixada por "Café: fim de um ciclo", ao menos em nossa leitura, foi a de que o custo da mão-de-obra era a principal variável associada às dificuldades dos cafeicultores. Se não é o caso, melhor, já que podemos discutir as limitações inerentes a qualquer política que proponha um "começar de novo". Em outras palavras, gostaríamos de enfatizar a diferença entre a intervenção e a regulação, já afirmando, de antemão, que a proposta de Hafers e Vieira se enquadra na primeira categoria, por seu foco no curto prazo.
Não há dúvidas de que os custos para os produtores rurais são crescentes, e que as legislações ambiental e trabalhista impõem uma pesada carga ao setor. É evidente, da mesma forma, o efeito perverso de determinadas deficiências estruturais - como a inadequação de nossa infra-estrutura em boa parte do país e a falta de confiabilidade das instituições brasileiras -, prejudiciais à atividade econômica como um todo. A dúvida é: qual a melhor forma de conviver com esse panorama?
Ao reconhecer que as transformações sofridas pelo Brasil nos últimos anos são positivas, Hafers e Vieira chamam a atenção para um fato importante: teremos que lidar com diversos desses custos no futuro. Daí decorre o imperativo do aprendizado, por um lado, e da militância política, de outro. O que temos visto, nos últimos tempos, são queixas generalizadas e a instituição de uma agenda voltada para o passado nessas questões. Definitivamente, este não é o melhor caminho. É impossível imaginar qualquer solução que envolva a sociedade - e a faça arcar com os custos correspondentes -, enquanto parte das lideranças ligadas à agricultura sigam optando pelo discurso fácil da "agricultura X resto do Brasil".
O confronto dá a sensação de proteção e pode até render alguns votos. Desvia as atenções de todos, no entanto, daquele que deveria ser o foco do debate. O artigo de Hafers e Vieira possibilita a reflexão acerca de algo que vai além dessas transformações importantes no país: qual a melhor forma de regular as relações econômicas no Brasil? Quais as responsabilidades e direitos dos agentes atingidos por essas regras? Mais especificamente, o momento exige regras respeitadas por todos, em primeiro lugar, e que permitam a consecução de determinados objetivos - econômicos, ambientais ou sociais - sem que, para isso, uma parcela da população seja penalizada.
É sempre bom lembrar que nem sempre mais regras levam a uma situação melhor. Garantir informação aos agentes para que tomem as decisões que considerem pertinentes parece ser a melhor solução para qualquer setor econômico. A proposta de redução da dívida falha em oferecer ambos os resultados. Não discute tópicos estruturais, como as regras por trás da relação agricultura/sociedade, tampouco questiona a ausência de dados que nos permitam dimensionar o real estado da cafeicultura.
Cafés especiais e gestão: duas faces da mesma moeda
Concordamos que a comercialização de cafés especiais não representa uma solução para o conjunto da cafeicultura na atualidade. Inclusive, foi o que dissemos no artigo anterior. Isso não significa que essa alternativa deva ser esquecida, afinal, ainda que limitada, poderá trazer melhores condições a centenas, talvez milhares de cafeicultores. Seria um erro assumirmos uma visão estática do mercado, como se todas as oportunidades já estivessem esgotadas. Se os atributos éticos têm valorização crescente no mercado internacional - ainda que esse filão seja reduzido -, por que não explorarmos mais nossas potencialidades?
Da mesma maneira, reconhecermos a competência de nossos cafeicultores na administração de seu patrimônio não exclui o desejo de produtores mais conscientes de sua atividade. Hafers e Vieira, ao compararem a atividade agrícola com a dos antepassados, subestimam as mudanças ocorridas no mundo ao longo das últimas décadas e romantizam a atuação dos pioneiros do setor. A história do café no Brasil, em grande medida, é escrita por produtores com considerável consciência de seus interesses, o que os levou à militância política, e plena noção da estrutura do mercado internacional. O ideal seria que nossos milhares de cafeicultores tenham, da mesma forma como os barões do passado, acesso a informações e a oportunidade de participar ativamente da vida política do país.
Considerações finais
Em resumo, não acreditamos que a redução das dívidas trará benefícios de longo prazo à cafeicultura brasileira. Trará certamente alívio no curto prazo e a sensação de dever cumprido. Não que discutir a questão da dívida seja uma heresia. Podemos aproveitar, porém, a vontade de encontrar soluções para discutir outros temas, ainda que mais complexos. A experiência nos mostra que a resolução desses problemas exige uma resposta que vá além da conjuntura. A proposta original de Hafers e Vieira acerta ao identificar gargalos na cafeicultura brasileira, mas desliza ao acreditar que "começar do zero" eliminará boa parte das mazelas.
Nem mesmo há certeza quanto aos efeitos dessa iniciativa sobre a produção nacional. Uma dúvida pertinente diz respeito ao tamanho da produção dita ineficiente no Brasil. Seria a erradição dos cafezais via equacionamento do problema das dívidas uma ação que resultaria em uma diminuição consistente da produção? No momento é difícil apontar qualquer resposta, dado que não estão claros os incentivos de uma "regra de saída" sobre os cafeicultores, mas, de qualquer forma, essa é uma questão que merece tratamento aprofundado no futuro.
Ademais, se por um lado é certo que a situação de muitos cafeicultores está "preta", por outro cabe sublinharmos a necessidade de soluções para o setor que se encaixem no contexto do país. Daí a importância de uma análise que, na medida do possível, não se limite aos problemas imediatos de alguns de seus agentes. Ninguém sabe, na verdade, qual é a melhor cor para definir a cafeicultura; o que, sim, sabemos, é que descrições do mundo que exageram uma tonalidade ou outra tendem a refletir apenas um lado da história. Para acadêmicos, tantas vezes criticados pelo apego à teoria e ao distanciamento do mundo real, a defesa de análises "cinzas" constitui uma obrigação.
Vimos com grande interesse o comentário de Sylvia Saes e Bruno Miranda a nosso artigo "Café o Fim de um Ciclo". Com vários questionamentos pertinentes, nos sentimos motivados a estender a discussão.
Primeiramente a questão: a culpa é só da mão de obra? Concordamos que não é, e talvez num artigo curto pudéssemos ter passado a impressão que fosse essa nossa opinião, mas concordamos que muitos outros fatores contribuem para a perda de competitividade de nossa cafeicultura.
O crescente custo Brasil, imposto por uma legislação com o espírito correto, nos levando a uma crescente modernização das relações de trabalho e da adequação ambiental, mas com custo maior do que deveria ser fosse nossa legislação mais racional e nos trazendo obrigações que nem de longe são pensadas nos demais países produtores de café. Como vai um produtor brasileiro, obrigado a uma crescente carga de direitos trabalhistas que dobram como custo o valor recebido pelo trabalhador, em função de direitos como férias de 30 dias com adicional de 33%, pagamento de horas in itinere, etc., competir com o produtor da América Central, onde a mera reclamação ou ameaça de organização para exigir direitos pode levar a um risco de vida para o trabalhador?
Quanto à legislação ambiental, nos é imposto um crescente custo de licenciamento, talvez maior que o da adequação, pois exige a contratação de consultorias e avaliações cada vez mais detalhadas do impacto ambiental da produção, levando nosso campo a uma eliminação de impactos que nem de longe é exigida de nossas cidades. Temos um custo financeiro mais elevado que qualquer outro país de agricultura competitiva, e agora sofremos uma apreciação cambial que faz com que preços internacionais excelentes para o café, fazendo a alegria de todos nossos competidores, não dão nenhum fôlego adicional a nosso cafeicultor.
Sylvia e Bruno também lembram a possibilidade de busca de melhor resultado através da diferenciação da qualidade, buscando mercados como o de cafés especiais. Disto Marcelo tem alguma experiência, por seu trabalho de muitos anos à frente da Associação Brasileira de Cafés Especiais - BSCA. Realmente esta opção pode trazer bons resultados a quem a ela se dedica, mas pelo pequeno volume negociado nestes nichos de mercado é uma opção real para algumas centenas de nossos 200.000 cafeicultores, ou seja, tem um impacto bem limitado em termos de criação de um futuro melhor para a grande maioria dos cafeicultores brasileiros.
Eles abordam ainda a questão crítica da capacitação de nossos agricultores (não achamos que cafeicultores sejam menos capacitados que nossos demais agricultores ou outros gestores de outros tipos de pequenos negócios) para a condução dos seus negócios. Mas na prática vemos que o que falta de conhecimento técnico em avaliação de custos a nossos agricultores com menor educação formal talvez lhes sobre em foco no resultado de uma maneira simples, mas eficaz, "apertando o cinto". Não vemos nos produtores mais sofisticados, com equipes administrativas monitorando custos e planejando as operações de uma maneira eficiente, maior resultado no negócio que aqueles que fazem como nossos antepassados, contando os tostões e brigando para não despendê-los. Como competir com um produtor africano, que apesar da absurda ineficiência de seu mercado com um grande número de intermediários lhe permitir receber menos de metade do preço final do produtor, tem no café a única alternativa de uma renda marginal que lhe permita algo acima da simples subsistência?
Quanto à criação de uma regra de saída, realmente é uma solução de difícil implementação e que precisa ser muito bem administrada para evitar distorções. Mas no mundo real onde outras soluções melhores ainda não foram encontradas, pode ser uma alternativa melhor que a repetida rolagem de dívidas impagáveis, que dificilmente retornarão um dia ao Funcafé, e que só crescem, pois a cada rolagem são somados custos financeiros enormes e são também disponibilizados novos recursos que aumentam o problema ao invés de resolvê-lo.
Em resumo, nem preto nem branco para quem analisa com distanciamento, mas para quem está imerso na produção sem perspectiva de sucesso o negócio está preto mesmo!
Marcelo Vieira e Luiz Hafers
Nem preto nem branco: cinza
Maria Sylvia Macchione Saes
Professora do Departamento de Administração da USP e pesquisadora do PENSA
Bruno Varella Miranda
Bacharel em Relações Internacionais pela USP e Pesquisador do PENSA
Em artigo publicado recentemente na Folha de São Paulo, Marcelo Vieira e Luiz Suplicy Hafers argumentam que estamos assistindo ao fim de um ciclo. Mais especificamente, ponderam os autores que a cafeicultura, o principal motor da economia brasileira durante décadas, vem sucumbindo frente a mudanças estruturais aqui ocorridas, que encarecem a mão-de-obra e tornam difícil a competição no mercado internacional. O resultado: endividamento crescente do setor.
Em meio a esse quadro, afirmam os autores, é necessário encontrar, primeiramente, uma regra de saída que permita a redução dos cafezais no Brasil. Com isso, a parcela ineficiente de nossa produção seria erradicada, garantindo o fim das pressões sobre a oferta. Na sequência, Vieira e Hafers apontam a possibilidade de o Governo aliar tal processo com uma reforma agrária pacífica e viável, e que leve em conta o potencial da agricultura familiar na produção de café. Finalmente, o tema da dívida do setor é abordado, com a defesa de sua redução como requisito para um planejamento de longo prazo da cafeicultura.
A partir da exposição de Vieira e Hafers, são diversas as opções para um debate. Indo além, um único artigo certamente será insuficiente para expor, com a precisão requerida, todas as ideias originadas da leitura desse texto. Por isso, apresentaremos alguns tópicos que consideramos fundamentais para uma reflexão acerca da situação real da cafeicultura brasileira.
Custos X Benefícios
Ninguém nega que os custos com mão-de-obra constituem um dos principais gargalos para os chamados "médios produtores". Nas regiões de montanha, tal quadro é especialmente sentido. Some-se a esse quadro a concorrência do café Robusta - citada por Vieira e Hafers -, cuja produção é mais barata. Haveria alguma alternativa para um quadro tão desalentador?
Deixando de lado a questão da mão-de-obra por um instante, não há como deixar de reconhecer que há mais elementos que contribuem para a delicada situação de parte da cafeicultura brasileira. Na atualidade, produzimos nas regiões de montanha grãos capazes de atingir niveis de qualidade invejáveis. No mercado, porém, a reputação do café brasileiro está longe de corresponder ao nosso potencial, algo que fatalmente se reflete nos preços.
Evidentemente, a melhoria da qualidade - e da reputação - não constituiria uma solução para o conjunto dos cafeicultores nas condições descritas por Vieira e Hafers. Faria parte de uma virada, entretanto, a conscientização de que por trás de tantos gastos com mão-de-obra há um produto com qualidade diferenciada. Nunca é demais lembrar também que o café brasileiro "contém" políticas ambientais e trabalhistas muito mais rigorosas que as dos concorrentes.
Por isso, com a busca de uma devida valorização dessas peculiaridades, uma quantidade considerável de cafeicultores poderia fugir das armadilhas da "impessoalidade" de parte do mercado internacional, que tende a privilegiar somente quem tem o custo menor. E disso depende fortemente a ação coordenada dos agentes ligados ao setor.
A culpa é só da mão-de-obra?
Acima demos um exemplo prático, cuja reflexão faz-se necessária: provavelmente não estejamos recebendo a recompensa adequada pelo potencial de nossa cafeicultura. A partir dessa hipótese, gostariamos de estender o questionamento acerca da parcela de culpa da mão-de-obra na crise da cafeicultura.
Comecemos por um assunto delicado. Número considerável de agricultores segue mantendo um controle precário de seus custos, além de ignorar ferramentas básicas de gestão. Aos que fazem a lição de casa, tal afirmação deve ser ignorada; aos que não o fazem, porém, já passou da hora de buscar uma adequação do negócio aos desafios impostos pelo atual quadro.
Da mesma maneira, cabe enfatizar que nosso sistema financeiro talvez não esteja preparado para amparar um relacionamento sustentável com a agricultura. Em parte, esse quadro se deve a uma realidade que está relacionada à gestão da atividade rural no Brasil: a falta de dados. Sem condições de especificar qual o risco de sua atuação no setor, bancos acabam penalizando quem tem tudo pra dar certo. Por sua vez, o governo também sofre com a ausência de informações, desperdiçando inclusive medidas com a melhor das intenções.
No entanto, tal constatação é insuficiente para explicar a situação atual. Que os bancos no Brasil ganham demais, isso não é novidade para ninguém. Igualmente, falta ao governo a capacidade de dar respostas que façam algo mais que apagar o incêndio nos momentos críticos, ou seja, políticas públicas mais consistentes e estáveis. Por sinal, isso só será possível quando houver um engajamento pleno dos setores com problemas, pautado pela determinação de direitos e, principalmente, responsabilidades.
Existe uma regra de saída?
A ideia de uma regra de saída, já tentada anteriormente com resultados medíocres, deve ser vista com bastante ceticismo. Primeiramente, o controle sobre tal iniciativa é necessariamente precário, e a volta dos produtores no momento em que preços melhores sejam observados é a tendência natural.
Outra questão, relacionada ao fator "mão-de-obra", merece a reflexão de todos, qual seja: o aumento dos salários, da mesma forma que afeta a cafeicultura, prejudica também outras atividades agrícolas. Dessa maneira, a migração desses produtores em direção a culturas diferentes não resolveria o problema dos próprios produtores!
Uma opção seria a de pagar para que esses produtores deixassem de produzir. Cabe nos perguntarmos, entretanto, quais os efeitos dessa política. Logo de cara, elimina-se a possibilidade de uma reforma agrária pacífica e viável - afinal, quem venderia suas terras caso tivesse a garantia de recebimento de um pagamento mensal como incentivo para o abandono da cafeicultura? Indo além, quem pagaria essa conta?
Em resumo...
Este artigo não esgota a considerável quantidade de assuntos originada a partir do texto de Vieira e Hafers. Podemos citar a questão da reforma agrária como um dos possíveis pontos a serem explorados no futuro. Não queremos, porém, alongar muito a discussão, a fim de evitar que a quantidade de temas prejudique a reflexão e um eventual debate.
Cabe ressaltarmos, como conclusão, que o estabelecimento de uma relação tão estrita entre o custo da mão-de-obra e o problema da dívida na cafeicultura não parece ser o melhor caminho para um planejamento de longo prazo. Qualquer ação tomada com base nesse raciocínio dificilmente beneficiaria todos os que mais sofrem com o custo da mão-de-obra na atualidade. Pior, certamente seria comemorada pelos "irresponsáveis" - retomando uma expressão usada por Vieira e Hafers -, ainda mais quando se tem em conta a fragilidade de acordos envolvendo o abandono de determinada atividade econômica.
Por isso, qualquer planejamento de longo prazo da cafeicultura deve anteceder o equacionamento do problema das dívidas, ou ao menos considerá-lo, de forma transparente, como parte do processo. Condicionar o reposicionamento do setor à redução da dívida do setor provavelmente contribuirá para a repetição de velhos erros do passado, consequência direta de diagnósticos parciais e conclusões apressadas. Daí a importância de um debate de alto nível, algo, que por sinal, o texto de Vieira e Hafers possibilita.
Café, o fim de um ciclo
Marcelo Vieira
Produtor de café, diretor da Adecoagro e membro do Departamento do Café da Sociedade Rural Brasileira
Luiz Marcos Suplicy Hafers
Produtor de café e membro do Departamento do Café da Sociedade Rural Brasileira.
Nossa cafeicultura passa hoje pelo mesmo desafio pelo qual passaram indústrias que migraram de países ricos para o 3º Mundo.
Um grupo de cafeicultores e pessoas interessadas em nossa produção de café vem discutindo na Sociedade Rural Brasileira o tema "Caminhos para o café". As discussões formais e informais nos levaram a conclusões surpreendentes.
Estamos assistindo ao fim de um ciclo, durante o qual um único produto foi o principal em nossa pauta de exportações e financiou parte importante da industrialização do país. Em décadas recentes, o café foi perdendo sua importância relativa, graças à progressiva diversificação de nossa economia e à perda de competitividade do produtor brasileiro de café.
O Brasil ainda é o maior produtor de café, o maior exportador, mas, mesmo numa fase de preços internacionais relativamente favoráveis, nosso produtor não tem obtido retorno adequado. Somos os produtores mais eficientes, temos uma estrutura de comercialização muito competitiva e com baixos custos e temos o segundo maior mercado consumidor.
Mas, ao mesmo tempo, o progressivo desenvolvimento de nossa economia leva ao encarecimento da mão de obra. O principal impacto na cafeicultura dessa mudança altamente benéfica para o país é a perda de competitividade do produtor tradicional em regiões de montanha, que tem uso intensivo da mão de obra.
Num negócio em que a mão de obra representa mais de 50% do custo da produção, um produtor que paga a um colhedor US$ 500 mensais não tem como competir com produtores da América Latina, da África e da Ásia, que buscam esse valor como renda anual. Como todos os demais países produtores são menos desenvolvidos que o Brasil e não têm alternativas de diversificação da agricultura, o aumento de custos para o produtor brasileiro não se reflete num aumento de preços no mercado internacional.
Nossa cafeicultura passa hoje pelo mesmo desafio pelo qual passaram indústrias intensivas em mão de obra que, aos poucos, migraram de países ricos para o Terceiro Mundo. Além disso, durante esse mesmo período, a indústria do café passou por uma progressiva substituição do café arábica, de mais alto custo e com maior potencial de qualidade, pelo café robusta, produzido em regiões de menor altitude, com menor custo.
O produtor de robusta, que abastecia 25% do consumo mundial há 30 anos, hoje tem uma participação de 40% no mercado mundial de café.
Nosso produtor tradicional se vê em situação similar à da indústria automobilística americana, que sempre esteve na vanguarda do negócio, mas agora vem sendo substituída por produtores mais competitivos.
Tudo isso levou a um recorrente endividamento de um grande número de cafeicultores, que não têm nenhuma perspectiva de gerar resultado na produção para abater a dívida, enquanto continuam contribuindo para uma oferta excedente do produto, o que pressiona contra eventuais ganhos de preço que recuperem a competitividade da cafeicultura.
Precisamos buscar uma regra de saída para esses produtores que lhes reduza a dívida com o compromisso de erradicação da parte ineficiente do parque produtivo. Isso levaria à redução da área e ao aumento da produtividade, com consequente redução das exportações, provocando um aumento das cotações internacionais sem impacto negativo na receita exterior.
Ajudar a saída de agricultores menos competitivos pode também dar impulso a uma reforma agrária pacífica e viável. A expansão da cafeicultura tem vindo da produção familiar: o café é, possivelmente, a cultura mais adequada a uma propriedade familiar, por ser uma produção intensiva no uso da terra e da mão de obra.
Ela é mais viável na propriedade familiar, que não é sujeita ao nosso pesado custo Brasil de altos encargos sociais, juros altos, altos impostos sobre a produção e custos crescentes de licenciamento e adequação ambiental.
Defender a redução da dívida de agricultores é tabu no Brasil, onde os bancos têm conseguido sempre renegociações que resolvem os seus problemas, mas não necessariamente os dos produtores. Mas problemas graves exigem soluções drásticas, e o fundo que financia a cafeicultura foi criado com recursos provenientes dela com o objetivo de viabilizá-la.
Essa dívida impagável deprime mercados, leva a uma crescente desilusão e angústia os produtores responsáveis que buscam solver seus compromissos e serve de desculpa para os irresponsáveis. E perpetua uma discussão das entidades representativas em torno de periódicas renegociações e alongamentos, quando deveriam estar desenvolvendo estratégias de longo prazo para a recuperação da competitividade, sem as quais nossa cafeicultura permanecerá nesse impasse dos últimos anos.
Maria Sylvia Macchione Saes
Professora do Departamento de Administração da USP e pesquisadora do PENSA
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Bruno Varella Miranda
Bacharel em Relações Internacionais pela USP e Pesquisador do PENSA
Como era de se esperar, dada a importância do tema, nosso último artigo, intitulado "Nem preto nem branco: cinza", motivou a participação de diversos leitores do CaféPoint. Juntamente com os comentários feitos ao texto original de Luiz Hafers e Marcelo Vieira, as contribuições recebidas nessas duas semanas demonstram o tamanho do desafio a ser enfrentado. O melhor de tudo, sem dúvida, é a predisposição ao debate, requisito para a resolução dos problemas que atingem a cafeicultura.
Em meio a tantos tópicos de interesse, utilizaremos a resposta dada por Hafers e Vieira a nosso texto a fim de aprofundar um pouco mais a discussão. Afinal, essa espelha, de maneira geral, as inquietações de outros participantes do debate, ainda que as conclusões não coincidam. A opção por seguir a estrutura da resposta, assim, busca principalmente estruturar as discussões.
Precisamos de regras ou de decisões?
A impressão deixada por "Café: fim de um ciclo", ao menos em nossa leitura, foi a de que o custo da mão-de-obra era a principal variável associada às dificuldades dos cafeicultores. Se não é o caso, melhor, já que podemos discutir as limitações inerentes a qualquer política que proponha um "começar de novo". Em outras palavras, gostaríamos de enfatizar a diferença entre a intervenção e a regulação, já afirmando, de antemão, que a proposta de Hafers e Vieira se enquadra na primeira categoria, por seu foco no curto prazo.
Não há dúvidas de que os custos para os produtores rurais são crescentes, e que as legislações ambiental e trabalhista impõem uma pesada carga ao setor. É evidente, da mesma forma, o efeito perverso de determinadas deficiências estruturais - como a inadequação de nossa infra-estrutura em boa parte do país e a falta de confiabilidade das instituições brasileiras -, prejudiciais à atividade econômica como um todo. A dúvida é: qual a melhor forma de conviver com esse panorama?
Ao reconhecer que as transformações sofridas pelo Brasil nos últimos anos são positivas, Hafers e Vieira chamam a atenção para um fato importante: teremos que lidar com diversos desses custos no futuro. Daí decorre o imperativo do aprendizado, por um lado, e da militância política, de outro. O que temos visto, nos últimos tempos, são queixas generalizadas e a instituição de uma agenda voltada para o passado nessas questões. Definitivamente, este não é o melhor caminho. É impossível imaginar qualquer solução que envolva a sociedade - e a faça arcar com os custos correspondentes -, enquanto parte das lideranças ligadas à agricultura sigam optando pelo discurso fácil da "agricultura X resto do Brasil".
O confronto dá a sensação de proteção e pode até render alguns votos. Desvia as atenções de todos, no entanto, daquele que deveria ser o foco do debate. O artigo de Hafers e Vieira possibilita a reflexão acerca de algo que vai além dessas transformações importantes no país: qual a melhor forma de regular as relações econômicas no Brasil? Quais as responsabilidades e direitos dos agentes atingidos por essas regras? Mais especificamente, o momento exige regras respeitadas por todos, em primeiro lugar, e que permitam a consecução de determinados objetivos - econômicos, ambientais ou sociais - sem que, para isso, uma parcela da população seja penalizada.
É sempre bom lembrar que nem sempre mais regras levam a uma situação melhor. Garantir informação aos agentes para que tomem as decisões que considerem pertinentes parece ser a melhor solução para qualquer setor econômico. A proposta de redução da dívida falha em oferecer ambos os resultados. Não discute tópicos estruturais, como as regras por trás da relação agricultura/sociedade, tampouco questiona a ausência de dados que nos permitam dimensionar o real estado da cafeicultura.
Cafés especiais e gestão: duas faces da mesma moeda
Concordamos que a comercialização de cafés especiais não representa uma solução para o conjunto da cafeicultura na atualidade. Inclusive, foi o que dissemos no artigo anterior. Isso não significa que essa alternativa deva ser esquecida, afinal, ainda que limitada, poderá trazer melhores condições a centenas, talvez milhares de cafeicultores. Seria um erro assumirmos uma visão estática do mercado, como se todas as oportunidades já estivessem esgotadas. Se os atributos éticos têm valorização crescente no mercado internacional - ainda que esse filão seja reduzido -, por que não explorarmos mais nossas potencialidades?
Da mesma maneira, reconhecermos a competência de nossos cafeicultores na administração de seu patrimônio não exclui o desejo de produtores mais conscientes de sua atividade. Hafers e Vieira, ao compararem a atividade agrícola com a dos antepassados, subestimam as mudanças ocorridas no mundo ao longo das últimas décadas e romantizam a atuação dos pioneiros do setor. A história do café no Brasil, em grande medida, é escrita por produtores com considerável consciência de seus interesses, o que os levou à militância política, e plena noção da estrutura do mercado internacional. O ideal seria que nossos milhares de cafeicultores tenham, da mesma forma como os barões do passado, acesso a informações e a oportunidade de participar ativamente da vida política do país.
Considerações finais
Em resumo, não acreditamos que a redução das dívidas trará benefícios de longo prazo à cafeicultura brasileira. Trará certamente alívio no curto prazo e a sensação de dever cumprido. Não que discutir a questão da dívida seja uma heresia. Podemos aproveitar, porém, a vontade de encontrar soluções para discutir outros temas, ainda que mais complexos. A experiência nos mostra que a resolução desses problemas exige uma resposta que vá além da conjuntura. A proposta original de Hafers e Vieira acerta ao identificar gargalos na cafeicultura brasileira, mas desliza ao acreditar que "começar do zero" eliminará boa parte das mazelas.
Nem mesmo há certeza quanto aos efeitos dessa iniciativa sobre a produção nacional. Uma dúvida pertinente diz respeito ao tamanho da produção dita ineficiente no Brasil. Seria a erradição dos cafezais via equacionamento do problema das dívidas uma ação que resultaria em uma diminuição consistente da produção? No momento é difícil apontar qualquer resposta, dado que não estão claros os incentivos de uma "regra de saída" sobre os cafeicultores, mas, de qualquer forma, essa é uma questão que merece tratamento aprofundado no futuro.
Ademais, se por um lado é certo que a situação de muitos cafeicultores está "preta", por outro cabe sublinharmos a necessidade de soluções para o setor que se encaixem no contexto do país. Daí a importância de uma análise que, na medida do possível, não se limite aos problemas imediatos de alguns de seus agentes. Ninguém sabe, na verdade, qual é a melhor cor para definir a cafeicultura; o que, sim, sabemos, é que descrições do mundo que exageram uma tonalidade ou outra tendem a refletir apenas um lado da história. Para acadêmicos, tantas vezes criticados pelo apego à teoria e ao distanciamento do mundo real, a defesa de análises "cinzas" constitui uma obrigação.
Vimos com grande interesse o comentário de Sylvia Saes e Bruno Miranda a nosso artigo "Café o Fim de um Ciclo". Com vários questionamentos pertinentes, nos sentimos motivados a estender a discussão.
Primeiramente a questão: a culpa é só da mão de obra? Concordamos que não é, e talvez num artigo curto pudéssemos ter passado a impressão que fosse essa nossa opinião, mas concordamos que muitos outros fatores contribuem para a perda de competitividade de nossa cafeicultura.
O crescente custo Brasil, imposto por uma legislação com o espírito correto, nos levando a uma crescente modernização das relações de trabalho e da adequação ambiental, mas com custo maior do que deveria ser fosse nossa legislação mais racional e nos trazendo obrigações que nem de longe são pensadas nos demais países produtores de café. Como vai um produtor brasileiro, obrigado a uma crescente carga de direitos trabalhistas que dobram como custo o valor recebido pelo trabalhador, em função de direitos como férias de 30 dias com adicional de 33%, pagamento de horas in itinere, etc., competir com o produtor da América Central, onde a mera reclamação ou ameaça de organização para exigir direitos pode levar a um risco de vida para o trabalhador?
Quanto à legislação ambiental, nos é imposto um crescente custo de licenciamento, talvez maior que o da adequação, pois exige a contratação de consultorias e avaliações cada vez mais detalhadas do impacto ambiental da produção, levando nosso campo a uma eliminação de impactos que nem de longe é exigida de nossas cidades. Temos um custo financeiro mais elevado que qualquer outro país de agricultura competitiva, e agora sofremos uma apreciação cambial que faz com que preços internacionais excelentes para o café, fazendo a alegria de todos nossos competidores, não dão nenhum fôlego adicional a nosso cafeicultor.
Sylvia e Bruno também lembram a possibilidade de busca de melhor resultado através da diferenciação da qualidade, buscando mercados como o de cafés especiais. Disto Marcelo tem alguma experiência, por seu trabalho de muitos anos à frente da Associação Brasileira de Cafés Especiais - BSCA. Realmente esta opção pode trazer bons resultados a quem a ela se dedica, mas pelo pequeno volume negociado nestes nichos de mercado é uma opção real para algumas centenas de nossos 200.000 cafeicultores, ou seja, tem um impacto bem limitado em termos de criação de um futuro melhor para a grande maioria dos cafeicultores brasileiros.
Eles abordam ainda a questão crítica da capacitação de nossos agricultores (não achamos que cafeicultores sejam menos capacitados que nossos demais agricultores ou outros gestores de outros tipos de pequenos negócios) para a condução dos seus negócios. Mas na prática vemos que o que falta de conhecimento técnico em avaliação de custos a nossos agricultores com menor educação formal talvez lhes sobre em foco no resultado de uma maneira simples, mas eficaz, "apertando o cinto". Não vemos nos produtores mais sofisticados, com equipes administrativas monitorando custos e planejando as operações de uma maneira eficiente, maior resultado no negócio que aqueles que fazem como nossos antepassados, contando os tostões e brigando para não despendê-los. Como competir com um produtor africano, que apesar da absurda ineficiência de seu mercado com um grande número de intermediários lhe permitir receber menos de metade do preço final do produtor, tem no café a única alternativa de uma renda marginal que lhe permita algo acima da simples subsistência?
Quanto à criação de uma regra de saída, realmente é uma solução de difícil implementação e que precisa ser muito bem administrada para evitar distorções. Mas no mundo real onde outras soluções melhores ainda não foram encontradas, pode ser uma alternativa melhor que a repetida rolagem de dívidas impagáveis, que dificilmente retornarão um dia ao Funcafé, e que só crescem, pois a cada rolagem são somados custos financeiros enormes e são também disponibilizados novos recursos que aumentam o problema ao invés de resolvê-lo.
Em resumo, nem preto nem branco para quem analisa com distanciamento, mas para quem está imerso na produção sem perspectiva de sucesso o negócio está preto mesmo!
Marcelo Vieira e Luiz Hafers
Nem preto nem branco: cinza
Maria Sylvia Macchione Saes
Professora do Departamento de Administração da USP e pesquisadora do PENSA
Bruno Varella Miranda
Bacharel em Relações Internacionais pela USP e Pesquisador do PENSA
Em artigo publicado recentemente na Folha de São Paulo, Marcelo Vieira e Luiz Suplicy Hafers argumentam que estamos assistindo ao fim de um ciclo. Mais especificamente, ponderam os autores que a cafeicultura, o principal motor da economia brasileira durante décadas, vem sucumbindo frente a mudanças estruturais aqui ocorridas, que encarecem a mão-de-obra e tornam difícil a competição no mercado internacional. O resultado: endividamento crescente do setor.
Em meio a esse quadro, afirmam os autores, é necessário encontrar, primeiramente, uma regra de saída que permita a redução dos cafezais no Brasil. Com isso, a parcela ineficiente de nossa produção seria erradicada, garantindo o fim das pressões sobre a oferta. Na sequência, Vieira e Hafers apontam a possibilidade de o Governo aliar tal processo com uma reforma agrária pacífica e viável, e que leve em conta o potencial da agricultura familiar na produção de café. Finalmente, o tema da dívida do setor é abordado, com a defesa de sua redução como requisito para um planejamento de longo prazo da cafeicultura.
A partir da exposição de Vieira e Hafers, são diversas as opções para um debate. Indo além, um único artigo certamente será insuficiente para expor, com a precisão requerida, todas as ideias originadas da leitura desse texto. Por isso, apresentaremos alguns tópicos que consideramos fundamentais para uma reflexão acerca da situação real da cafeicultura brasileira.
Custos X Benefícios
Ninguém nega que os custos com mão-de-obra constituem um dos principais gargalos para os chamados "médios produtores". Nas regiões de montanha, tal quadro é especialmente sentido. Some-se a esse quadro a concorrência do café Robusta - citada por Vieira e Hafers -, cuja produção é mais barata. Haveria alguma alternativa para um quadro tão desalentador?
Deixando de lado a questão da mão-de-obra por um instante, não há como deixar de reconhecer que há mais elementos que contribuem para a delicada situação de parte da cafeicultura brasileira. Na atualidade, produzimos nas regiões de montanha grãos capazes de atingir niveis de qualidade invejáveis. No mercado, porém, a reputação do café brasileiro está longe de corresponder ao nosso potencial, algo que fatalmente se reflete nos preços.
Evidentemente, a melhoria da qualidade - e da reputação - não constituiria uma solução para o conjunto dos cafeicultores nas condições descritas por Vieira e Hafers. Faria parte de uma virada, entretanto, a conscientização de que por trás de tantos gastos com mão-de-obra há um produto com qualidade diferenciada. Nunca é demais lembrar também que o café brasileiro "contém" políticas ambientais e trabalhistas muito mais rigorosas que as dos concorrentes.
Por isso, com a busca de uma devida valorização dessas peculiaridades, uma quantidade considerável de cafeicultores poderia fugir das armadilhas da "impessoalidade" de parte do mercado internacional, que tende a privilegiar somente quem tem o custo menor. E disso depende fortemente a ação coordenada dos agentes ligados ao setor.
A culpa é só da mão-de-obra?
Acima demos um exemplo prático, cuja reflexão faz-se necessária: provavelmente não estejamos recebendo a recompensa adequada pelo potencial de nossa cafeicultura. A partir dessa hipótese, gostariamos de estender o questionamento acerca da parcela de culpa da mão-de-obra na crise da cafeicultura.
Comecemos por um assunto delicado. Número considerável de agricultores segue mantendo um controle precário de seus custos, além de ignorar ferramentas básicas de gestão. Aos que fazem a lição de casa, tal afirmação deve ser ignorada; aos que não o fazem, porém, já passou da hora de buscar uma adequação do negócio aos desafios impostos pelo atual quadro.
Da mesma maneira, cabe enfatizar que nosso sistema financeiro talvez não esteja preparado para amparar um relacionamento sustentável com a agricultura. Em parte, esse quadro se deve a uma realidade que está relacionada à gestão da atividade rural no Brasil: a falta de dados. Sem condições de especificar qual o risco de sua atuação no setor, bancos acabam penalizando quem tem tudo pra dar certo. Por sua vez, o governo também sofre com a ausência de informações, desperdiçando inclusive medidas com a melhor das intenções.
No entanto, tal constatação é insuficiente para explicar a situação atual. Que os bancos no Brasil ganham demais, isso não é novidade para ninguém. Igualmente, falta ao governo a capacidade de dar respostas que façam algo mais que apagar o incêndio nos momentos críticos, ou seja, políticas públicas mais consistentes e estáveis. Por sinal, isso só será possível quando houver um engajamento pleno dos setores com problemas, pautado pela determinação de direitos e, principalmente, responsabilidades.
Existe uma regra de saída?
A ideia de uma regra de saída, já tentada anteriormente com resultados medíocres, deve ser vista com bastante ceticismo. Primeiramente, o controle sobre tal iniciativa é necessariamente precário, e a volta dos produtores no momento em que preços melhores sejam observados é a tendência natural.
Outra questão, relacionada ao fator "mão-de-obra", merece a reflexão de todos, qual seja: o aumento dos salários, da mesma forma que afeta a cafeicultura, prejudica também outras atividades agrícolas. Dessa maneira, a migração desses produtores em direção a culturas diferentes não resolveria o problema dos próprios produtores!
Uma opção seria a de pagar para que esses produtores deixassem de produzir. Cabe nos perguntarmos, entretanto, quais os efeitos dessa política. Logo de cara, elimina-se a possibilidade de uma reforma agrária pacífica e viável - afinal, quem venderia suas terras caso tivesse a garantia de recebimento de um pagamento mensal como incentivo para o abandono da cafeicultura? Indo além, quem pagaria essa conta?
Em resumo...
Este artigo não esgota a considerável quantidade de assuntos originada a partir do texto de Vieira e Hafers. Podemos citar a questão da reforma agrária como um dos possíveis pontos a serem explorados no futuro. Não queremos, porém, alongar muito a discussão, a fim de evitar que a quantidade de temas prejudique a reflexão e um eventual debate.
Cabe ressaltarmos, como conclusão, que o estabelecimento de uma relação tão estrita entre o custo da mão-de-obra e o problema da dívida na cafeicultura não parece ser o melhor caminho para um planejamento de longo prazo. Qualquer ação tomada com base nesse raciocínio dificilmente beneficiaria todos os que mais sofrem com o custo da mão-de-obra na atualidade. Pior, certamente seria comemorada pelos "irresponsáveis" - retomando uma expressão usada por Vieira e Hafers -, ainda mais quando se tem em conta a fragilidade de acordos envolvendo o abandono de determinada atividade econômica.
Por isso, qualquer planejamento de longo prazo da cafeicultura deve anteceder o equacionamento do problema das dívidas, ou ao menos considerá-lo, de forma transparente, como parte do processo. Condicionar o reposicionamento do setor à redução da dívida do setor provavelmente contribuirá para a repetição de velhos erros do passado, consequência direta de diagnósticos parciais e conclusões apressadas. Daí a importância de um debate de alto nível, algo, que por sinal, o texto de Vieira e Hafers possibilita.
Café, o fim de um ciclo
Marcelo Vieira
Produtor de café, diretor da Adecoagro e membro do Departamento do Café da Sociedade Rural Brasileira
Luiz Marcos Suplicy Hafers
Produtor de café e membro do Departamento do Café da Sociedade Rural Brasileira.
Nossa cafeicultura passa hoje pelo mesmo desafio pelo qual passaram indústrias que migraram de países ricos para o 3º Mundo.
Um grupo de cafeicultores e pessoas interessadas em nossa produção de café vem discutindo na Sociedade Rural Brasileira o tema "Caminhos para o café". As discussões formais e informais nos levaram a conclusões surpreendentes.
Estamos assistindo ao fim de um ciclo, durante o qual um único produto foi o principal em nossa pauta de exportações e financiou parte importante da industrialização do país. Em décadas recentes, o café foi perdendo sua importância relativa, graças à progressiva diversificação de nossa economia e à perda de competitividade do produtor brasileiro de café.
O Brasil ainda é o maior produtor de café, o maior exportador, mas, mesmo numa fase de preços internacionais relativamente favoráveis, nosso produtor não tem obtido retorno adequado. Somos os produtores mais eficientes, temos uma estrutura de comercialização muito competitiva e com baixos custos e temos o segundo maior mercado consumidor.
Mas, ao mesmo tempo, o progressivo desenvolvimento de nossa economia leva ao encarecimento da mão de obra. O principal impacto na cafeicultura dessa mudança altamente benéfica para o país é a perda de competitividade do produtor tradicional em regiões de montanha, que tem uso intensivo da mão de obra.
Num negócio em que a mão de obra representa mais de 50% do custo da produção, um produtor que paga a um colhedor US$ 500 mensais não tem como competir com produtores da América Latina, da África e da Ásia, que buscam esse valor como renda anual. Como todos os demais países produtores são menos desenvolvidos que o Brasil e não têm alternativas de diversificação da agricultura, o aumento de custos para o produtor brasileiro não se reflete num aumento de preços no mercado internacional.
Nossa cafeicultura passa hoje pelo mesmo desafio pelo qual passaram indústrias intensivas em mão de obra que, aos poucos, migraram de países ricos para o Terceiro Mundo. Além disso, durante esse mesmo período, a indústria do café passou por uma progressiva substituição do café arábica, de mais alto custo e com maior potencial de qualidade, pelo café robusta, produzido em regiões de menor altitude, com menor custo.
O produtor de robusta, que abastecia 25% do consumo mundial há 30 anos, hoje tem uma participação de 40% no mercado mundial de café.
Nosso produtor tradicional se vê em situação similar à da indústria automobilística americana, que sempre esteve na vanguarda do negócio, mas agora vem sendo substituída por produtores mais competitivos.
Tudo isso levou a um recorrente endividamento de um grande número de cafeicultores, que não têm nenhuma perspectiva de gerar resultado na produção para abater a dívida, enquanto continuam contribuindo para uma oferta excedente do produto, o que pressiona contra eventuais ganhos de preço que recuperem a competitividade da cafeicultura.
Precisamos buscar uma regra de saída para esses produtores que lhes reduza a dívida com o compromisso de erradicação da parte ineficiente do parque produtivo. Isso levaria à redução da área e ao aumento da produtividade, com consequente redução das exportações, provocando um aumento das cotações internacionais sem impacto negativo na receita exterior.
Ajudar a saída de agricultores menos competitivos pode também dar impulso a uma reforma agrária pacífica e viável. A expansão da cafeicultura tem vindo da produção familiar: o café é, possivelmente, a cultura mais adequada a uma propriedade familiar, por ser uma produção intensiva no uso da terra e da mão de obra.
Ela é mais viável na propriedade familiar, que não é sujeita ao nosso pesado custo Brasil de altos encargos sociais, juros altos, altos impostos sobre a produção e custos crescentes de licenciamento e adequação ambiental.
Defender a redução da dívida de agricultores é tabu no Brasil, onde os bancos têm conseguido sempre renegociações que resolvem os seus problemas, mas não necessariamente os dos produtores. Mas problemas graves exigem soluções drásticas, e o fundo que financia a cafeicultura foi criado com recursos provenientes dela com o objetivo de viabilizá-la.
Essa dívida impagável deprime mercados, leva a uma crescente desilusão e angústia os produtores responsáveis que buscam solver seus compromissos e serve de desculpa para os irresponsáveis. E perpetua uma discussão das entidades representativas em torno de periódicas renegociações e alongamentos, quando deveriam estar desenvolvendo estratégias de longo prazo para a recuperação da competitividade, sem as quais nossa cafeicultura permanecerá nesse impasse dos últimos anos.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Gosto de cabo de guarda-chuva
Gosto de cabo de guarda-chuva
Gosto de cabo de guarda-chuva foi o que deixou em nossa boca ontem após o fechamento da bolsa de café ICE em New York ontem à tarde, se quiserem mais adjetivos podemos dizer corrimão de escada ou cordinha de banheiro.
Por motivos que digamos técnicos a bolsa ontem mostrou seus dentes e desabou em nossas cabeças com -535 pontos sim menos quinhentos e trinta e cinco pontos, segundos operadores por o mercado não ter força de romper a barreira de 137.35 dólares por libra peso teria dado start de venda e o mercado não se sustentou e caiu.
Fora negociado 16.322 contratos no mês de maio e 20.322 se contarmos todo o pregão em todos os meses, traduzindo venderam ontem em uma tarde 5.930.000 milhões de sacas, ou seja, 12% da safra brasileira se considerar o numero oficial da Conab.
Com a incerteza sobre a economia na zona do Euro outro motivo relatado para a queda, o café caiu seguido apenas pelo açúcar que também desabou ontem, mas esta incerteza na economia não fez cair nem a soja nem algodão nem o trigo, nem o petróleo e o dólar index que seria uma cesta de moedas que mede a valorização do dólar no mundo ficando praticamente estável em seu fechamento também não seria motivo para queda.
Ficamos nos perguntando o porquê desta sangria e não encontramos respostas, para o açúcar que a safra esta mais próxima do que a do café e que esta acima do preço histórico podemos entender, mas e o café.
Seria alguma forma de retaliação, pois o Brasil apresentara uma lista de retaliação a produtos importados dos EUA por causa do subsidio ao algodão produzido lá.
Então como o motivo seria digamos técnico, como analisar a área fundamental.
A safra da Colômbia quebra em quantidade e qualidade.
Falta de chuvas em algumas zonas produtoras no Brasil, outras com excesso.
Estoques baixos e crescimento de consumo no mundo e aqui no Brasil.
Alto custo de produção com prejuízos amargos.
A força deste mercado que numa tarde vende 12% de tudo àquilo que gastamos pra produzir em um ano mostra uma realidade cruel.
Sem uma ajuda do governo não sairemos mais do ciclo vicioso, sem preço não pagamos as contas, se não pagamos as contas vende se café de qualquer jeito, novamente sem preço.
Fico me perguntando se acabar a paixão dos produtores de café por suas lavouras acabar como se sustentara este mercado.
Este é o mercado do café, se não tivermos ajuda do estado de alguma forma como tem os produtores de paises da Europa e dos EUA estamos fadados a importar café para suprirmos nosso habito de tomar café.
Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
Manhuaçu MG 23/2/2010
Gosto de cabo de guarda-chuva foi o que deixou em nossa boca ontem após o fechamento da bolsa de café ICE em New York ontem à tarde, se quiserem mais adjetivos podemos dizer corrimão de escada ou cordinha de banheiro.
Por motivos que digamos técnicos a bolsa ontem mostrou seus dentes e desabou em nossas cabeças com -535 pontos sim menos quinhentos e trinta e cinco pontos, segundos operadores por o mercado não ter força de romper a barreira de 137.35 dólares por libra peso teria dado start de venda e o mercado não se sustentou e caiu.
Fora negociado 16.322 contratos no mês de maio e 20.322 se contarmos todo o pregão em todos os meses, traduzindo venderam ontem em uma tarde 5.930.000 milhões de sacas, ou seja, 12% da safra brasileira se considerar o numero oficial da Conab.
Com a incerteza sobre a economia na zona do Euro outro motivo relatado para a queda, o café caiu seguido apenas pelo açúcar que também desabou ontem, mas esta incerteza na economia não fez cair nem a soja nem algodão nem o trigo, nem o petróleo e o dólar index que seria uma cesta de moedas que mede a valorização do dólar no mundo ficando praticamente estável em seu fechamento também não seria motivo para queda.
Ficamos nos perguntando o porquê desta sangria e não encontramos respostas, para o açúcar que a safra esta mais próxima do que a do café e que esta acima do preço histórico podemos entender, mas e o café.
Seria alguma forma de retaliação, pois o Brasil apresentara uma lista de retaliação a produtos importados dos EUA por causa do subsidio ao algodão produzido lá.
Então como o motivo seria digamos técnico, como analisar a área fundamental.
A safra da Colômbia quebra em quantidade e qualidade.
Falta de chuvas em algumas zonas produtoras no Brasil, outras com excesso.
Estoques baixos e crescimento de consumo no mundo e aqui no Brasil.
Alto custo de produção com prejuízos amargos.
A força deste mercado que numa tarde vende 12% de tudo àquilo que gastamos pra produzir em um ano mostra uma realidade cruel.
Sem uma ajuda do governo não sairemos mais do ciclo vicioso, sem preço não pagamos as contas, se não pagamos as contas vende se café de qualquer jeito, novamente sem preço.
Fico me perguntando se acabar a paixão dos produtores de café por suas lavouras acabar como se sustentara este mercado.
Este é o mercado do café, se não tivermos ajuda do estado de alguma forma como tem os produtores de paises da Europa e dos EUA estamos fadados a importar café para suprirmos nosso habito de tomar café.
Wagner Pimentel
www.cafezinhocomamigos.blogspot.com
Manhuaçu MG 23/2/2010
Diretor da illycaffè crê em safra do Brasil de 55 milhões de sacas
Brazil Coffee Crop in ’Great Shape,’ May Hit Record, Illy Says
Brazil, the world’s biggest coffee producer and exporter, may harvest a record crop of about 55 million bags this year after above-average rain and heat left beans in “great shape,” Illycaffe Spa’s Nelson Carvalhaes said. The quality of the coffee allays concerns that excess showers last year could have caused trees to flower early, hindering the development of beans, said Carvalhaes, purchasing director at the Brazilian unit of Italy’s second-largest coffee maker. He assessed the beans in a three-day tour of crops in Minas Gerais state, Brazil’s largest producer of arabica coffee. “Beans are in a great shape, much better than I would have expected,” Carvalhaes said in an interview at his office in the southeastern coffee port city of Santos on Feb. 18. The El Nino weather pattern caused above-average rainfall in Brazil’s major coffee-producing areas from August through December, raising concern beans wouldn’t develop properly. Conab, as Brazil´s crop forecasting agency in known, estimated output between 45.9 million and 48.7 million bags. A bag of coffee weighs 60 kilograms, or 132 pounds. Illycaffe uses over 50 percent of arabica from Brazil in its coffee blend.
Diretor da illycaffè crê em safra do Brasil de 55 milhões de sacas
O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, poderá ter uma safra recorde de cerca de 55 milhões de sacas neste ano, após uma temporada de chuvas acima da média e de calor que deixou os grãos em "grande forma", segundo apontou Nelson Carvalhaes, diretor da illycaffè Spa. A qualidade dos grãos poderia ter sido afetada por conta do volume excessivo verificado no final do ano passado, o que fez com que algumas florações irregulares fossem verificadas, apontou o diretor que atua junto ao setor de compras da empresa italiana no Brasil. Carvalhaes apontou que fez um tour de três dias por regiões produtoras de Minas Gerais, Estado maior produtor do país. "Os grão estão bem formados, muitos melhor do que esperávamos", ressaltou o especialista em seu escritório na cidade de Santos. O fenômeno climático "El Niño" causou chuvas acima do normal nas zonas produtoras de café do Brasil, entre os meses de agosto e dezembro do ano passado, o que fez com que os produtores estivessem mais preocupados com o desenvolvimento dos grãos. O governo brasileiro, através da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), estimou a safra deste ano entre 45,9 e 48,7 milhões de sacas. Em seu blend, a illycaffè utiliza 50% do café de origem brasileira.
Brazil, the world’s biggest coffee producer and exporter, may harvest a record crop of about 55 million bags this year after above-average rain and heat left beans in “great shape,” Illycaffe Spa’s Nelson Carvalhaes said. The quality of the coffee allays concerns that excess showers last year could have caused trees to flower early, hindering the development of beans, said Carvalhaes, purchasing director at the Brazilian unit of Italy’s second-largest coffee maker. He assessed the beans in a three-day tour of crops in Minas Gerais state, Brazil’s largest producer of arabica coffee. “Beans are in a great shape, much better than I would have expected,” Carvalhaes said in an interview at his office in the southeastern coffee port city of Santos on Feb. 18. The El Nino weather pattern caused above-average rainfall in Brazil’s major coffee-producing areas from August through December, raising concern beans wouldn’t develop properly. Conab, as Brazil´s crop forecasting agency in known, estimated output between 45.9 million and 48.7 million bags. A bag of coffee weighs 60 kilograms, or 132 pounds. Illycaffe uses over 50 percent of arabica from Brazil in its coffee blend.
Diretor da illycaffè crê em safra do Brasil de 55 milhões de sacas
O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, poderá ter uma safra recorde de cerca de 55 milhões de sacas neste ano, após uma temporada de chuvas acima da média e de calor que deixou os grãos em "grande forma", segundo apontou Nelson Carvalhaes, diretor da illycaffè Spa. A qualidade dos grãos poderia ter sido afetada por conta do volume excessivo verificado no final do ano passado, o que fez com que algumas florações irregulares fossem verificadas, apontou o diretor que atua junto ao setor de compras da empresa italiana no Brasil. Carvalhaes apontou que fez um tour de três dias por regiões produtoras de Minas Gerais, Estado maior produtor do país. "Os grão estão bem formados, muitos melhor do que esperávamos", ressaltou o especialista em seu escritório na cidade de Santos. O fenômeno climático "El Niño" causou chuvas acima do normal nas zonas produtoras de café do Brasil, entre os meses de agosto e dezembro do ano passado, o que fez com que os produtores estivessem mais preocupados com o desenvolvimento dos grãos. O governo brasileiro, através da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), estimou a safra deste ano entre 45,9 e 48,7 milhões de sacas. Em seu blend, a illycaffè utiliza 50% do café de origem brasileira.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
COMERCIALIZAÇÃO DA SAFRA DE CAFÉ 2009/10 NO BRASIL ATINGE 76%
ANALISE SAFRAS - COMERCIALIZAÇÃO DA SAFRA DE CAFÉ 2009/10 NO BRASIL ATINGE 76%
A comercialização da safra de café do Brasil 2009/10 (julho/junho) está em 76% do total. O dado faz parte de levantamento de SAFRAS & Mercado, com base em informações colhidas até 31 de janeiro. O ritmo dos negócios é o mesmo de igual período de 2008, quando janeiro também fechou marcando 76%. As vendas evoluíram cinco pontos percentuais na comparação com dezembro, quando 71% da safra estava negociada.
Com isso, já foram comercializadas pelos produtores brasileiros 32,47 milhões de sacas de 60 quilos de café, tomando-se por base a projeção de SAFRAS & Mercado, de uma safra 2009/10 de café brasileira de 42,45 milhões de sacas.
Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, o fluxo comercial seguiu compassado, contrariando as expectativas de um avanço no ritmo dos negócios. A justificativa é o preço abaixo do esperado e a dificuldade com qualidade. A qualidade segue valorizada. Se comparado a dezembro, o fluxo de negócios seguiu praticamente estável, o que soa frustrante, haja vista que o final do ano normalmente é um período onde o produtor é mais resistente à venda, deixando latente um grande potencial de movimentação para o primeiro mês do ano, observa Barabach.
O analista indica que o preço de exercício de opção de venda ao governo segue como referência para os vendedores, especialmente para a venda de bebida dura, cujo preço alvo continua acima de R$ 300 a saca. Mas como a janela comercial está diminuindo e o mercado teima em não reagir é natural esperar um pouco mais de interesse de venda nesse restante de fevereiro e, principalmente, ao longo de março, aponta Barabach.
Também deve crescer o interesse por posições antecipadas com safra nova, especialmente via CPR, aponta o analista de café de SAFRAS. A fixação para setembro na BM&F estava na última quinta-feira acima de US$ 160 a saca, o que considerando um dólar em R$ 1,82 representaria preço de R$ 291 a saca. Valor aquém do que o produtor almeja, comenta Barabach. "Mas não dá para esquecer que se trata de um ano de safra grande, o que deve resultar em larga pressão vendedora, particularmente nos primeiros meses do novo ciclo comercial", analisa. "Por isso, é perigoso ao produtor ficar vulnerável à necessidade de venda na entrada de safra, período de maior concentração de venda. Assim, capitalizar-se antecipadamente tende a ser uma boa estratégia, não só para segurar preço co mo também para garantir caixa para o início da próxima temporada", conclui Barabach
A comercialização da safra de café do Brasil 2009/10 (julho/junho) está em 76% do total. O dado faz parte de levantamento de SAFRAS & Mercado, com base em informações colhidas até 31 de janeiro. O ritmo dos negócios é o mesmo de igual período de 2008, quando janeiro também fechou marcando 76%. As vendas evoluíram cinco pontos percentuais na comparação com dezembro, quando 71% da safra estava negociada.
Com isso, já foram comercializadas pelos produtores brasileiros 32,47 milhões de sacas de 60 quilos de café, tomando-se por base a projeção de SAFRAS & Mercado, de uma safra 2009/10 de café brasileira de 42,45 milhões de sacas.
Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, o fluxo comercial seguiu compassado, contrariando as expectativas de um avanço no ritmo dos negócios. A justificativa é o preço abaixo do esperado e a dificuldade com qualidade. A qualidade segue valorizada. Se comparado a dezembro, o fluxo de negócios seguiu praticamente estável, o que soa frustrante, haja vista que o final do ano normalmente é um período onde o produtor é mais resistente à venda, deixando latente um grande potencial de movimentação para o primeiro mês do ano, observa Barabach.
O analista indica que o preço de exercício de opção de venda ao governo segue como referência para os vendedores, especialmente para a venda de bebida dura, cujo preço alvo continua acima de R$ 300 a saca. Mas como a janela comercial está diminuindo e o mercado teima em não reagir é natural esperar um pouco mais de interesse de venda nesse restante de fevereiro e, principalmente, ao longo de março, aponta Barabach.
Também deve crescer o interesse por posições antecipadas com safra nova, especialmente via CPR, aponta o analista de café de SAFRAS. A fixação para setembro na BM&F estava na última quinta-feira acima de US$ 160 a saca, o que considerando um dólar em R$ 1,82 representaria preço de R$ 291 a saca. Valor aquém do que o produtor almeja, comenta Barabach. "Mas não dá para esquecer que se trata de um ano de safra grande, o que deve resultar em larga pressão vendedora, particularmente nos primeiros meses do novo ciclo comercial", analisa. "Por isso, é perigoso ao produtor ficar vulnerável à necessidade de venda na entrada de safra, período de maior concentração de venda. Assim, capitalizar-se antecipadamente tende a ser uma boa estratégia, não só para segurar preço co mo também para garantir caixa para o início da próxima temporada", conclui Barabach
फेचामेंतो डा semana
Com boas noticias da economia americana anunciadas semana que se passou os mercados reagiram bem , e os investidores que fizeram a corrida para o dolar com medo de um start em uma nova crise , começaram a colocar os lucros do bolso e correr para ativos de maiores riscos mas tambem de maiores lucratividades, com isso subiram as comodities e algumas bolsas em torno do mundo ,ja que a economia globalizada funciona assim, uma tempestade na china ou na russia derruba as econmias do resto do mundo.
Nosso trade continua fluindo conforme o esperado e rompimento da max da semana daria start de compra no set up da media movel exponencial de nove periodos do grafico semanal mas continuaremos mantendo a posiçao de 3 contratos e manteremos ainda alvo e stop ja postados anteriomente.
O mercado fisico com poucos participantes em uma semana curta devido o feriado de carnaval nao trouxe grandes variaçoes.
Como o mercado ainda nos mostra curto nao tendo grandes noticias fundamentais que possa mudar o cenario que estamos vivendo , é possivel que encontremos esta semana um ponto de equilibrio pra quem esteja precisando vender alguma coisa no mercado fisico e tirar as contas do vermelho.
Vamos aguardar e se tiver a oportunidade amigos produtores nao a percam porque passa rapido.
boa semana a todos .
wagner pimentel
Nosso trade continua fluindo conforme o esperado e rompimento da max da semana daria start de compra no set up da media movel exponencial de nove periodos do grafico semanal mas continuaremos mantendo a posiçao de 3 contratos e manteremos ainda alvo e stop ja postados anteriomente.
O mercado fisico com poucos participantes em uma semana curta devido o feriado de carnaval nao trouxe grandes variaçoes.
Como o mercado ainda nos mostra curto nao tendo grandes noticias fundamentais que possa mudar o cenario que estamos vivendo , é possivel que encontremos esta semana um ponto de equilibrio pra quem esteja precisando vender alguma coisa no mercado fisico e tirar as contas do vermelho.
Vamos aguardar e se tiver a oportunidade amigos produtores nao a percam porque passa rapido.
boa semana a todos .
wagner pimentel
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Aumento do consumo de café não sustenta empregos
Aumento do consumo de café não sustenta empregos
O consumo quase recorde de café em 2009 no Brasil não salvou empregos nas lavouras, mantendo uma sequência elevada de corte de postos de trabalho de anos anteriores. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no ano passado foram eliminados 5.550 empregos do mercado de trabalho formal, na diferença entre admissões e demissões feitas no período, em empresas dedicadas ao cultivo de café.
Já o emprego nas indústrias de torrefação e moagem de café ficou praticamente estagnado, com só 89 vagas geradas em 2009. Só que, nesse período, a venda de café no mercado brasileiro atingiu um dos maiores patamares da história, com 4,65 kg, ou 78 litros, de café consumidos em média por habitante, segundo relatório da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O recorde histórico de consumo de café foi atingido em 1965, com 4,72 kg do produto consumidos por pessoa. O volume de vendas aumentou 4,15%, entre novembro de 2008 e outubro de 2009, acima da previsão da entidade: de 3% de crescimento.
O principal motivo para o crescimento da venda de café no mercado brasileiro foi a melhoria da qualidade do café brasileiro que popularizou o consumo de formas mais elaborados do produto, como o expresso e o cappuccino, segundo o relatório. Só a Sara Lee, maior indústria de torrefação em atividade no país, que detém a marca de café "Pilão", cresceu 14% em volume de vendas no varejo, de acordo com Ricardo Souza, diretor de marketing da empresa. Ele credita a impulsão do consumo à fidelidade da classe C.
Porém, essa melhora no consumo interno não se refletiu em preços mais vantajosos nas vendas, o que resultou em um empobrecimento dos produtores, segundo os empresários. "O produtor continua vendendo abaixo do custo de produção. O reflexo disso é desemprego. Aquele produtor que tinha 10 funcionários fixos na fazenda, hoje tem 7", diz Breno Mesquita, presidente da Comissão Nacional de Café da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
"Tem produtores que estão derrubando plantio de café e plantando outras culturas", acrescenta o diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz. Empresários da indústria se encontraram com representantes do Ministério da Agricultura para pedir leilões de estoques de café da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e linhas de crédito do Banco do Brasil.
Em carta de reivindicações, a Abic alega que há uma redução de margens de lucro por conta do crescimento da concentração do setor e da dificuldade crescente de negociar preços com o setor varejista, que também passou por uma intensa consolidação no ano passado.
Diante desse quadro negativo, mesmo com o crescimento da produção de café previsto para 2010, chegando a 46,8 milhões de sacas produzidas (821 toneladas), devem ocorrer mais demissões do que admissões no campo."Se continuar assim, com certeza vai ter demissão", diz Mesquita.
Souza, da Sara Lee, avalia que há uma tendência de consolidação no setor cafeeiro, que deve tirar empresas de menor porte do mercado: "Vão sobrar pequenos que focam em custo ou grandes empresas que oferecem cafés de qualidade".
A reportagem é do jornal Brasil Econômico, resumida e adaptada pela equipe CaféPoint.
O consumo quase recorde de café em 2009 no Brasil não salvou empregos nas lavouras, mantendo uma sequência elevada de corte de postos de trabalho de anos anteriores. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no ano passado foram eliminados 5.550 empregos do mercado de trabalho formal, na diferença entre admissões e demissões feitas no período, em empresas dedicadas ao cultivo de café.
Já o emprego nas indústrias de torrefação e moagem de café ficou praticamente estagnado, com só 89 vagas geradas em 2009. Só que, nesse período, a venda de café no mercado brasileiro atingiu um dos maiores patamares da história, com 4,65 kg, ou 78 litros, de café consumidos em média por habitante, segundo relatório da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O recorde histórico de consumo de café foi atingido em 1965, com 4,72 kg do produto consumidos por pessoa. O volume de vendas aumentou 4,15%, entre novembro de 2008 e outubro de 2009, acima da previsão da entidade: de 3% de crescimento.
O principal motivo para o crescimento da venda de café no mercado brasileiro foi a melhoria da qualidade do café brasileiro que popularizou o consumo de formas mais elaborados do produto, como o expresso e o cappuccino, segundo o relatório. Só a Sara Lee, maior indústria de torrefação em atividade no país, que detém a marca de café "Pilão", cresceu 14% em volume de vendas no varejo, de acordo com Ricardo Souza, diretor de marketing da empresa. Ele credita a impulsão do consumo à fidelidade da classe C.
Porém, essa melhora no consumo interno não se refletiu em preços mais vantajosos nas vendas, o que resultou em um empobrecimento dos produtores, segundo os empresários. "O produtor continua vendendo abaixo do custo de produção. O reflexo disso é desemprego. Aquele produtor que tinha 10 funcionários fixos na fazenda, hoje tem 7", diz Breno Mesquita, presidente da Comissão Nacional de Café da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
"Tem produtores que estão derrubando plantio de café e plantando outras culturas", acrescenta o diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz. Empresários da indústria se encontraram com representantes do Ministério da Agricultura para pedir leilões de estoques de café da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e linhas de crédito do Banco do Brasil.
Em carta de reivindicações, a Abic alega que há uma redução de margens de lucro por conta do crescimento da concentração do setor e da dificuldade crescente de negociar preços com o setor varejista, que também passou por uma intensa consolidação no ano passado.
Diante desse quadro negativo, mesmo com o crescimento da produção de café previsto para 2010, chegando a 46,8 milhões de sacas produzidas (821 toneladas), devem ocorrer mais demissões do que admissões no campo."Se continuar assim, com certeza vai ter demissão", diz Mesquita.
Souza, da Sara Lee, avalia que há uma tendência de consolidação no setor cafeeiro, que deve tirar empresas de menor porte do mercado: "Vão sobrar pequenos que focam em custo ou grandes empresas que oferecem cafés de qualidade".
A reportagem é do jornal Brasil Econômico, resumida e adaptada pela equipe CaféPoint.
Dólar revoga lei da oferta e da procura
19/02 06:01 Dólar revoga lei da oferta e da procura
Dólar segue, em fevereiro, tendência internacional independentemente da
direção indicada pelo fluxo cambial
A oscilação do dólar não obedece mais a lei da oferta e da procura. A moeda
segue aqui a tendência internacional, independentemente de estar sobrando ou
faltando dólar na praça. Dados sobre o fluxo cambial de fevereiro divulgados
ontem pelo Banco Central mostram que na primeira semana do mês a reação da
moeda a um superávit (sobra de dólares no interbancário) de US$ 1,92 bilhão foi
de alta. Na semana seguinte, quando houve um déficit de U$ 1,39 bilhão, o
preço da moeda recuou 1,69%. A falta de lógica não é privilégio das mesas de
operações de câmbio dos bancos. O BC agiu em fevereiro também no sentido oposto
ao normal. Na primeira semana, quando sobrou muita moeda, comprou apenas US$ 54
milhões. Na segunda, quando faltou, adquiriu US$ 203 milhões. No acumulado do
mês, para um saldo positivo de US$ 526 milhões, o BC comprou US$ 257 milhões.
Como o excedente de moeda não vem sendo o responsável por um movimento de
apreciação do real - condenável por outros setores do governo - o BC se sente
confortável em reduzir suas intervenções. Em janeiro, a média diária de
aquisições foi de US$ 89,9 milhões. Em fevereiro, não chega a US$ 26 milhões. A
estratégia é deliberada. A redução ocorre porque já comprou muito (US$ 29,44
bilhões) desde que retornou a essa ponta do mercado, em 8 de maio do ano
passado. E o enxugamento tem um custo fiscal pesado. E também porque induz os
bancos privados a ampliarem suas posições compradas à vista. Estas passaram de
US$ 2,66 bilhões no final de janeiro para US$ 2,93 bilhões no dia 12.
Ao trazer as instituições privadas para o seu lado - transformando-as em
aliadas na tarefa de evitar quedas muito acentuadas do dólar -, o BC tira
pressão da venda. A contraparte futura, a ausência de operações oficiais nos
pregões de derivativos cambiais da BM&F, completa a asfixia das posições
especulativas tradicionais, as que são fechadas visando a obtenção da Selic. O
câmbio fica livre para flutuar primeiro ao sabor do vaivém da aversão global a
risco. E, em segundo, em função de aspectos domésticos, como a possibilidade,
em 2011, de o déficit em transações correntes não ser inteiramente coberto pelo
investimento externo direto. E, do lado positivo, da atração de capitais de
investimentos interessados em um emergente que não tem problemas de dívida como
alguns países europeus. A ausência de sobressaltos especulativos faz com que o
dólar oscile entre R$ 1,80 e R$ 1,85, favorecendo o planejamento dos
exportadores.
O dólar caiu ontem 0,27%, cotado a R$ 1,8230, refletindo não só a distensão
externa como também relatórios de instituições globais elogiosos ao Brasil. O
risco-país, medido pelo JP Morgan, cedeu 2,38%, para 205 pontos-base. Vários
indicadores americanos positivos ampliaram o apetite por ativos de risco,
ações, commodities e petróleo.
O comportamento paradoxal não é exclusividade do mercado de câmbio. O pregão de
juros futuros da BM&F também surta às vezes. Ontem, em reação a um Caged
inesperadamente positivo - a criação em janeiro de 181,4 mil empregos formais,
recorde histórico, para uma expectativa consensual do mercado de 115 mil -, uma
clara indicação de que a economia pode estar crescendo acima das previsões
oficiais, a curva não exibiu um comportamento uniforme. As taxas curtas
subiram, e muito pouco, e as longas caíram. A taxa para a virada do ano subiu
ligeiramente de 10,24% para 10,25% e o juro do swap de 360 dias avançou de
10,47% para 10,48%. Enquanto isso, as taxas com vencimento mais distante caíram
em bloco. Para janeiro de 2013, o CDI cedeu de 11,99% para 11,92%. E não se
pode atribuir a falta de consenso da curva à inflexão experimentada pelos
índices de inflação. A desaceleração tanto do IPC FIPE quando do IPC-S já era
esperada. A segunda quadrissemana do indicador da FIPE acusou alta de 1,09%,
dentro da expectativa, ante 1,28% na primeira prévia. O IPC-S, também da
segunda quadrissemana do mês, avançou 1,04%, abaixo tanto do anterior (1,33%)
quanto do consenso do mercado (1,08%).
Na verdade, as instituições decidiram devolver os prêmios exagerados
incorporados à parte longa da curva depois das evidências de que o BC não irá
fazer todo o aperto monetário (equivalente a 3,5 pontos) incorporado à
estrutura a termo de juros, sobretudo se Henrique Meirelles, de olho num
terceiro mandato, permanecer na presidência.
Após decisão da Fed Dólar em máximos de nove meses
.
O dólar negoceia no nível mais elevado dos últimos nove meses face ao euro, depois da Reserva Federal norte-americana ter subido a taxa de desconto pela primeira vez em três anos.
O euro recua 0,41% para negociar nos 1,3472 dólares. A divisa da Zona Euro prolonga assim um ciclo de três sessões em queda face ao dólar.
A moeda norte-americana segue em alta depois da Reserva Federal norte-americana ter anunciado a subida da taxa de desconto cobrada aos bancos em empréstimos directos de 0,5% para 0,75%.
Esta medida visa "normalizar as condições de empréstimo da Reserva Federal" mas "não pretende dificultar as condições de crédito para as famílias e para as empresas e não assinala qualquer alteração nas perspectivas económicas", explicou a instituição monetária norte-americana.
A Fed afastou ainda a possibilidade de vir a subir a taxa de juro de referência ainda este ano. Esta garantia acabou por aliviar ligeiramente os ganhos da moeda norte-americana.
Com mais esta subida do dólar, o euro prepara-se para completar a sexta semana de quedas. A divisa da Zona Euro tem sido penalizada pela situação das contas públicas de alguns países da região, em particular, a Grécia, Espanha e Portugal.
Petróleo cai mais de 1% com subida do dólar
O preço do petróleo segue em queda pela primeira vez em três sessões devido à subida da moeda norte-americana.
O West Texas Intermediate (WTI), transaccionado em Nova Iorque, recua 1,43% para os 77,93 dólares, enquanto o barril de Brent, negociado em Londres, perde 1,41% para os 76,68 dólares.
A matéria-prima está hoje em queda devido à subida da moeda norte-americana. O dólar negoceia no nível mais elevado dos últimos nove meses depois da Reserva Federal dos Estados Unidos ter baixado a subido de desconto cobrada aos bancos em empréstimos directos de 0,5% para 0,75%.
Dólar segue, em fevereiro, tendência internacional independentemente da
direção indicada pelo fluxo cambial
A oscilação do dólar não obedece mais a lei da oferta e da procura. A moeda
segue aqui a tendência internacional, independentemente de estar sobrando ou
faltando dólar na praça. Dados sobre o fluxo cambial de fevereiro divulgados
ontem pelo Banco Central mostram que na primeira semana do mês a reação da
moeda a um superávit (sobra de dólares no interbancário) de US$ 1,92 bilhão foi
de alta. Na semana seguinte, quando houve um déficit de U$ 1,39 bilhão, o
preço da moeda recuou 1,69%. A falta de lógica não é privilégio das mesas de
operações de câmbio dos bancos. O BC agiu em fevereiro também no sentido oposto
ao normal. Na primeira semana, quando sobrou muita moeda, comprou apenas US$ 54
milhões. Na segunda, quando faltou, adquiriu US$ 203 milhões. No acumulado do
mês, para um saldo positivo de US$ 526 milhões, o BC comprou US$ 257 milhões.
Como o excedente de moeda não vem sendo o responsável por um movimento de
apreciação do real - condenável por outros setores do governo - o BC se sente
confortável em reduzir suas intervenções. Em janeiro, a média diária de
aquisições foi de US$ 89,9 milhões. Em fevereiro, não chega a US$ 26 milhões. A
estratégia é deliberada. A redução ocorre porque já comprou muito (US$ 29,44
bilhões) desde que retornou a essa ponta do mercado, em 8 de maio do ano
passado. E o enxugamento tem um custo fiscal pesado. E também porque induz os
bancos privados a ampliarem suas posições compradas à vista. Estas passaram de
US$ 2,66 bilhões no final de janeiro para US$ 2,93 bilhões no dia 12.
Ao trazer as instituições privadas para o seu lado - transformando-as em
aliadas na tarefa de evitar quedas muito acentuadas do dólar -, o BC tira
pressão da venda. A contraparte futura, a ausência de operações oficiais nos
pregões de derivativos cambiais da BM&F, completa a asfixia das posições
especulativas tradicionais, as que são fechadas visando a obtenção da Selic. O
câmbio fica livre para flutuar primeiro ao sabor do vaivém da aversão global a
risco. E, em segundo, em função de aspectos domésticos, como a possibilidade,
em 2011, de o déficit em transações correntes não ser inteiramente coberto pelo
investimento externo direto. E, do lado positivo, da atração de capitais de
investimentos interessados em um emergente que não tem problemas de dívida como
alguns países europeus. A ausência de sobressaltos especulativos faz com que o
dólar oscile entre R$ 1,80 e R$ 1,85, favorecendo o planejamento dos
exportadores.
O dólar caiu ontem 0,27%, cotado a R$ 1,8230, refletindo não só a distensão
externa como também relatórios de instituições globais elogiosos ao Brasil. O
risco-país, medido pelo JP Morgan, cedeu 2,38%, para 205 pontos-base. Vários
indicadores americanos positivos ampliaram o apetite por ativos de risco,
ações, commodities e petróleo.
O comportamento paradoxal não é exclusividade do mercado de câmbio. O pregão de
juros futuros da BM&F também surta às vezes. Ontem, em reação a um Caged
inesperadamente positivo - a criação em janeiro de 181,4 mil empregos formais,
recorde histórico, para uma expectativa consensual do mercado de 115 mil -, uma
clara indicação de que a economia pode estar crescendo acima das previsões
oficiais, a curva não exibiu um comportamento uniforme. As taxas curtas
subiram, e muito pouco, e as longas caíram. A taxa para a virada do ano subiu
ligeiramente de 10,24% para 10,25% e o juro do swap de 360 dias avançou de
10,47% para 10,48%. Enquanto isso, as taxas com vencimento mais distante caíram
em bloco. Para janeiro de 2013, o CDI cedeu de 11,99% para 11,92%. E não se
pode atribuir a falta de consenso da curva à inflexão experimentada pelos
índices de inflação. A desaceleração tanto do IPC FIPE quando do IPC-S já era
esperada. A segunda quadrissemana do indicador da FIPE acusou alta de 1,09%,
dentro da expectativa, ante 1,28% na primeira prévia. O IPC-S, também da
segunda quadrissemana do mês, avançou 1,04%, abaixo tanto do anterior (1,33%)
quanto do consenso do mercado (1,08%).
Na verdade, as instituições decidiram devolver os prêmios exagerados
incorporados à parte longa da curva depois das evidências de que o BC não irá
fazer todo o aperto monetário (equivalente a 3,5 pontos) incorporado à
estrutura a termo de juros, sobretudo se Henrique Meirelles, de olho num
terceiro mandato, permanecer na presidência.
Após decisão da Fed Dólar em máximos de nove meses
.
O dólar negoceia no nível mais elevado dos últimos nove meses face ao euro, depois da Reserva Federal norte-americana ter subido a taxa de desconto pela primeira vez em três anos.
O euro recua 0,41% para negociar nos 1,3472 dólares. A divisa da Zona Euro prolonga assim um ciclo de três sessões em queda face ao dólar.
A moeda norte-americana segue em alta depois da Reserva Federal norte-americana ter anunciado a subida da taxa de desconto cobrada aos bancos em empréstimos directos de 0,5% para 0,75%.
Esta medida visa "normalizar as condições de empréstimo da Reserva Federal" mas "não pretende dificultar as condições de crédito para as famílias e para as empresas e não assinala qualquer alteração nas perspectivas económicas", explicou a instituição monetária norte-americana.
A Fed afastou ainda a possibilidade de vir a subir a taxa de juro de referência ainda este ano. Esta garantia acabou por aliviar ligeiramente os ganhos da moeda norte-americana.
Com mais esta subida do dólar, o euro prepara-se para completar a sexta semana de quedas. A divisa da Zona Euro tem sido penalizada pela situação das contas públicas de alguns países da região, em particular, a Grécia, Espanha e Portugal.
Petróleo cai mais de 1% com subida do dólar
O preço do petróleo segue em queda pela primeira vez em três sessões devido à subida da moeda norte-americana.
O West Texas Intermediate (WTI), transaccionado em Nova Iorque, recua 1,43% para os 77,93 dólares, enquanto o barril de Brent, negociado em Londres, perde 1,41% para os 76,68 dólares.
A matéria-prima está hoje em queda devido à subida da moeda norte-americana. O dólar negoceia no nível mais elevado dos últimos nove meses depois da Reserva Federal dos Estados Unidos ter baixado a subido de desconto cobrada aos bancos em empréstimos directos de 0,5% para 0,75%.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Carnaval vermelho de Rainha atinge 70 fazendas
Carnaval vermelho de Rainha atinge 70 fazendas
Até essa terça, 70 propriedades foram ocupadas no oeste paulista
Agência EstadoSubiu para 70, nessa terça, dia 16, o número de fazendas atingidas pelo chamado "carnaval vermelho" do líder dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Júnior, no oeste paulista. Novos acampamentos foram montados em fazendas da região de Araçatuba, noroeste do Estado, e da Alta Paulista.
– Atingimos a nossa meta de apontar as áreas que devem ser destinadas à reforma agrária – afirmou Rainha.
– A palavra agora está com o Incra.
Grupos ligados a Rainha acamparam nos limites de mais quatro fazendas da região de Araçatuba. Outros acampamentos foram montados na Alta Paulista e um deles no Pontal do Paranapanema. Hoje, com a volta do expediente nos fóruns da região após o carnaval, a expectativa é de que muitos fazendeiros recorram à Justiça para evitar que suas terras sejam invadidas.
Até ontem, apenas uma liminar de interdito proibitório - proibição da invasão - tinha sido concedida em favor de uma propriedade de Salmourão, na região de Araçatuba. Um fazendeiro de Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema, também obteve uma liminar de reintegração de posse.
De acordo com o líder José Rainha, 60% das fazendas marcadas pelos sem-terra foram consideradas improdutivas pelo Incra. O líder contou que propriedades do governo estadual também foram ocupadas, como protesto contra o governo José Serra
Até essa terça, 70 propriedades foram ocupadas no oeste paulista
Agência EstadoSubiu para 70, nessa terça, dia 16, o número de fazendas atingidas pelo chamado "carnaval vermelho" do líder dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Júnior, no oeste paulista. Novos acampamentos foram montados em fazendas da região de Araçatuba, noroeste do Estado, e da Alta Paulista.
– Atingimos a nossa meta de apontar as áreas que devem ser destinadas à reforma agrária – afirmou Rainha.
– A palavra agora está com o Incra.
Grupos ligados a Rainha acamparam nos limites de mais quatro fazendas da região de Araçatuba. Outros acampamentos foram montados na Alta Paulista e um deles no Pontal do Paranapanema. Hoje, com a volta do expediente nos fóruns da região após o carnaval, a expectativa é de que muitos fazendeiros recorram à Justiça para evitar que suas terras sejam invadidas.
Até ontem, apenas uma liminar de interdito proibitório - proibição da invasão - tinha sido concedida em favor de uma propriedade de Salmourão, na região de Araçatuba. Um fazendeiro de Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema, também obteve uma liminar de reintegração de posse.
De acordo com o líder José Rainha, 60% das fazendas marcadas pelos sem-terra foram consideradas improdutivas pelo Incra. O líder contou que propriedades do governo estadual também foram ocupadas, como protesto contra o governo José Serra
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