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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Aécio diz que falta maior compreensão do governo federal sobre valor econômico e social do café

Aécio diz que falta maior compreensão do governo federal sobre valor econômico e social do café





O governador Aécio Neves (PSDB) esteve em Guaxupé, Sudoeste de Minas, na quinta-feira (04) para a inauguração do novo aeroporto do município, mas na sua coletiva à imprensa falou de grandes temas nacionais, como a crise que assola os produtores de café. Recepcionado por 28 prefeitos, o governador chegou ao município acompanhado pelo vice-governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB) e por políticos, entre os quais o presidente da Frente Parlamentar do Café, deputado federal Carlos Melles (DEM-MG).

“Falta por parte do Governo Federal uma compreensão maior da importância da cafeicultura, seja do ponto de vista econômico, mas mais importante até do que o ponto de vista econômico, o ponto de vista social”, disse o governador, enfatizando que “a cafeicultura é o segmento que mais emprega no Estado de Minas Gerais, por exemplo. Temos cerca de 400 municípios que têm na cafeicultura sua principal atividade econômica”.

Embora seu governo seja cobrado por alguns setores da produção cafeeira por uma ação mais consistente junto ao governo federal, o governador destacou que o problema é de decisão do governo. “Tive várias reuniões com o presidente Lula sobre esse assunto. Tive inúmeras reuniões com o ministro da Fazenda. Muitas das nossas demandas não foram ainda atendidas. É preciso que haja garantia de preço, é preciso que haja garantia de estoque regulador, é preciso que haja uma renegociação correta das dívidas dos nossos produtores.

E, infelizmente, não tivemos ainda, por parte do Governo Federal, essa visão estratégica do que é a cafeicultura”, frisou Aécio Neves, para em seguida alfinetar, dizendo que “o que posso garantir é que, no momento em que estivermos no governo, vai haver uma relação diferente com a cafeicultura. A cafeicultura, repito, para Minas Gerais é a mais importante atividade econômica e a mais importante atividade social”. Fonte: Coffee Break

CAFÉ, CHOCOLATE E SEXO

CAFÉ, CHOCOLATE E SEXO
A fórmula química que estimula o cérebro!

Esqueça as palavras cruzadas, o Sudoku ou os jogos de computador. Se quer estimular o cérebro, beba café, coma chocolate preto e faça bastante sexo. Também é melhor que não passe muito tempo com quem só sabe reclamar da vida, não veja telenovelas e não consuma muito álcool e carnes vermelhas. Será na conjugação destes elementos que surgirá a fórmula química para treinar e impulsionar a capacidade cerebral. A tese é defendida no livro “Teaching Yourself: Training Your Brain” (Ensine a você mesmo: treine o seu cérebro), que foi publicado em Janeiro na Grã-Bretanha e que posteriormente será lançado noutros países.

Na obra, os autores Terry Horne e Simon Wootin analisam como a dieta, o ambiente e o stress afectam a capacidade mental das pessoas. Grande parte das sugestões feitas no livro baseiam-se no efeito provocado por certas substâncias químicas, quando são libertadas no organismo a partir de determinadas actividades, tais como comer chocolate, beber café ou fazer sexo.

E você, de que está à espera? Já tomou o seu café hoje?
Quanto ao resto, siga os seus impulsos...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sara Lee: Cafitesse é solução para produção de café fresco em larga escala

Sara Lee: Cafitesse é solução para produção de café fresco em larga escala


Estreante na Equipotel - a maior e melhor feira de hotelaria e gastronomia da América Latina - em 2009, a Sara Lee afirma que pretende reforçar ainda mais a visibilidade do Cafitesse junto aos empreendimentos hoteleiros e hospitalares com a participação na feira deste ano.

"Nosso foco será mostrar o Cafitesse como grande solução para produção de café fresco em larga escala, seja em doses ou litros. Trouxemos o que há de mais moderno em máquinas com capacidade para grande produção. São produtos de primeira linha a nível mundial", diz o diretor de Out of Home da Sara Lee, Pedro Costa Leite.

O sistema é composto por máquinas abastecidas por refis que contêm extrato de café, acondicionados em bag-in-box herméticos. O concentrado é obtido com o preparo tradicional do café, coado, sem conservantes e preservando o sabor do cafezinho tradicional.

A máquina funciona semelhante ao sistema post-mix de refrigerantes, que dispensa o produto pronto. Cada bag contendo dois litros de extrato pode produzir de 40 a 80 litros de bebida pronta para o consumo. Para se ter ideia, uma xícara de café é retirada em dois segundos e um litro e meio, em até 20 segundos.

No mercado brasileiro desde 1998, a Sara Lee é detentora das marcas Café do Ponto, Seleto, Pilão, União, Caboclo, Moka e Jaraguá. A planta industrial de Jundiaí, que foi inaugurada em 2006, conta com 35 mil metros quadrados de área construída, num total de 226.596 metros quadrados e é a maior e mais moderna fábrica de torra e moagem de café da América Latina.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Setor deve atentar a mudança do preço mínimo do café em abril, alerta Silas Brasileiro

Setor deve atentar a mudança do preço mínimo do café em abril, alerta Silas Brasileiro





O Deputado federal Silas Brasileiro alerta e diz que o setor tem que estar atento a mudança do preço mínimo do café prevista para o próximo mês de abril.

Silas Brasileiro
Deputado Federal

Os preços mínimos dos produtos agrícolas terão revisão no próximo mês de abril. No caso do café, o preço mínimo atual está fixado em R$261,69 para os cafés arábicas de bebida dura para melhor com tipo 6. Sabidamente, este nível de preço não cobre os custos de produção. Em 2009, quando foi feita a revisão dos preços, os técnicos das principais cooperativas de café apresentaram planilhas de custo que demonstravam a necessidade de que o preço mínimo tivesse seu valor estipulado acima de R$320,00.

A razão que leva o Governo a fixar o preço mínimo em valores inferiores ao custo é o temor que em níveis mais altos os produtores venham a exercer o direito de venda nos preços mínimos fixados, o que poderia gerar um desembolso não previsto nas contas públicas. O que o setor privado através de suas lideranças e técnicos necessita para tentar convencer o poder executivo a colocar o preço mínimo do café em linha com o custo de produção é demonstrar que isto não irá gerar um movimento de venda dos produtores ao Governo, e por uma razão muito simples, o mercado não irá permitir que isto ocorra.

A explicação desta nossa afirmação vem do fato de nossos principais concorrentes estarem vendendo seus cafés em níveis muito acima dos nossos. O motivo que leva os cafés brasileiros a terem fortes descontos em relação aos nossos principais concorrentes não é sua qualidade. Os cafés brasileiros não são piores que os colombianos ou os produzidos na América Central. São sim diferentes. E são principalmente mais abundantes, somos os maiores produtores e exportadores. Vendemos no ano passado mais de 30 milhões de sacas para o exterior. A Colômbia vendeu menos de 10 milhões.

Na prática, o que ocorreria hoje se o preço mínimo do café fosse reajustado, por exemplo, para níveis de R$320,00, seria uma valorização do café brasileiro no mercado externo, com redução dos deságios praticados contra os nossos cafés (diferenciais). Quem iria reduzir isto? O mercado.

Mesmo com a valorização que seria provocada nos nossos cafés, eles ainda estariam muito abaixo dos preços de nossos concorrentes. Quem ganha com isso? Todos os agentes da cadeia café: trabalhadores recebem melhores salários, tem mais emprego no campo, produtores melhor remunerados têm recursos para pagar suas dívidas e investir na atividade, exportadores podem aumentar suas margens, indústrias têm seu abastecimento garantido no longo prazo pela possibilidade de aumento de produção compatível com o consumo, consumidores têm garantia de abastecimento sem aumentos repentinos nos preços. E o Governo além de exercer seu papel de desenvolver um setor vital para a Economia do país, garante a manutenção e até aumento de postos de trabalho, aumenta suas receitas cambiais, aumenta a sua arrecadação de impostos.

Parece tão óbvio, porque não conseguimos ainda convencer o Governo disso? Na nossa visão, por falta de foco. O endividamento tem ofuscado aquilo que a nosso ver deveria ser a principal política que deveria estar sendo prioritariamente defendida, que é a geração de renda. Não somos contrários a revisão e transformação das dívidas defendidas pelas lideranças da cafeicultura, mas entendemos que se não atacarmos a questão da renda, o problema do endividamento nunca terá fim.

Entendemos que a principal ferramenta disponível e factível de ser utilizada hoje para promover a renda do café brasileiro é o preço mínimo de garantia. Queremos dar início a uma ampla discussão com o Governo para tentarmos o convencimento da fixação dos preços mínimos em níveis condizentes com os custos e que sejam estratégicos para a manutenção da primazia da cafeicultura brasileira no mercado internacional. Queremos contar com o apoio das lideranças neste trabalho, de forma madura, serena, responsável, juntamente com os demais colegas parlamentares que estejam dispostos a defender o setor, colocando os interesses da cafeicultura em primeiro lugar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Safra de café pode ser revisada para baixo

Safra de café pode ser revisada para baixo


DCI


AGRONEGÓCIOS
02/02/2010

Agência Estado

BRASÍLIA SÃO PAULO - As estimativas da produção mundial de café em 2009/2010 podem ser revisadas para baixo em razão de problemas climáticos e da menor aplicação de fertilizantes, informou nesta segunda o Fortis Bank Nederland. As previsões da produção de grãos robusta e arábica, variedades mais conhecidas no mundo, podem ser reduzidas, já que os principais países produtores enfrentam vários desafios.

"Os problemas relacionados ao clima no México, o desempenho relativamente fraco da Colômbia, e volumes maiores que o normal de grãos de baixa qualidade colhidos no Brasil devem significar um aperto na disponibilidade de arábica de qualidade para exportação até meados de 2010", afirmou o banco em um relatório. O Vietnã, maior produtor mundial do tipo robusta, também pode sofrer um corte na produção em 2009/2010 devido à aplicação reduzida de fertilizantes, segundo o relatório.

O Fortis estima a produção global de café em 2009/2010 em 143,2 milhões de sacas, contra 133,9 milhões em 2008/2009. O aumento deve significar que a produção mundial em 2009/2010 excederá o consumo em 14,66 milhões de sacas, principalmente devido à provável safra de arábica maior do Brasil.

Exportação

A partir de agora, os embarques de café verde brasileiro para o Japão ficam mais simples. O governo japonês suspendeu a obrigatoriedade de análise para detectar a possível presença de resíduo do agrotóxico diclorvos no produto que importa do Brasil.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

MERCADO INTERNO BOLSAS N.Y. E B.M.F.

Infocafé de 01/02/10.


MERCADO INTERNO BOLSAS N.Y. E B.M.F.
Sul de Minas R$ 275,00 R$ 265,00 Contrato N.Y. Fechamento Variação
Mogiano R$ 275,00 R$ 265,00 Março/2010 132,55 +0,85
Alta Paulista/Paranaense R$ 270,00 R$ 260,00 Maio/2010 134,45 +0,85
Cerrado R$ 278,00 R$ 268,00 Setembro/2010 137,40 +0,75
Bahiano R$ 270,00 R$ 260,00
* Cafés de aspecto bom, com catação de 10% a 20%. Contrato BMF Fechamento Variação
Cons Inter.600def. Duro R$ 228,00 R$ 224,00 Março/2010 162,00 +1,10
Cons Inter. 8cob. Duro R$ 237,00 R$ 234,00 Setembro/2010 158,55 +1,30
Dólar Comercial: R$ 1,8590 Dezembro/2010 161,15 +1,45

As operações em N.Y. nesta segunda-feira finalizaram o dia com leve alta, a posição março variou entre a mínima de - 0,50 pontos e máxima de + 1,50 fechando com + 0,85 pts. A desvalorização do dólar e ganhos na maioria dos mercados de commodities deram sustentação para as cotações. No interno o recuo na cotação do dólar aliado a retração vendedora limitaram as negociações.


Os fundos e pequenos especuladores reduziram seu saldo líquido de compra em futuros de café da bolsa de Nova York (ICE Futures US), na semana encerrada no último dia 26. De acordo com o relatório semanal da Comissão de Comércio de Commodities e Futuros (CFTC), a posição dos fundos caiu de 31.926 para 27.877 lotes, enquanto a dos pequenos especuladores caiu de 3.384 para 3.291 lotes. Juntos, fundos e especuladores passaram a deter um saldo de compra de 31.168 lotes, ante 35.310 na semana anterior.

O dólar iniciou o mês de fevereiro devolvendo parte dos ganhos acumulados em janeiro, quando subiu em 17 dos 20 pregões, amparado hoje pelo acirramento da aversão ao risco. Neste primeiro dia do mês, entretanto, a moeda caiu ante o real diante de um cenário mais animador nos mercados internacionais. O dólar comercial fechou em baixa de 1,38% a cotado à R$ 1,8590. O índice dos gerentes de compra (PMI) sobre a atividade industrial norte-americana em dezembro acima do previsto impulsionou a alta das bolsas em Nova York, assim como o dado de dezembro sobre a renda pessoal dos norte-americanos. Sinais dados por autoridades brasileiras no encontro do Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), na semana passada, passaram a impressão aos operadores de que o governo não tomará medidas para o câmbio e pode até deixar a moeda americana se valorizar mais. Além disso, o Banco Central determinou a obrigatoriedade de registro das operações de proteção (hedge) realizadas no mercado interno e no mercado externo, respectivamente, com instituições financeiras e bolsas, em uma tentativa de coibir especulações e exposições inadequadas ao risco. Ainda não se sabe, entretanto, se haverá mudança efetiva nas práticas de compra de moeda no mercado à vista para reforçar as reservas internacionais brasileiras. Hoje, a autoridade monetária adquiriu moeda no mercado à vista em leilão encerrado às 15h02, fixando a taxa de corte das propostas em R$ 1,86520.

O governo japonês suspendeu a obrigatoriedade de análise para detectar a possível presença de resíduo do agrotóxico diclorvos no café que importa do Brasil, informou a assessoria do Ministério da Agricultura. A decisão é resultado de pesquisa, realizada durante seis anos, por laboratório credenciado pelo ministério, em todas as remessas do produto com destino àquele país. No período, as 6.188 amostras analisadas, uma de cada contêiner embarcado, estavam dentro do padrão exigido. Por não apresentar nenhuma inconformidade, o governo brasileiro solicitou a suspensão da exigência, o que foi aceito pelas autoridades japonesas. Atualmente, todos os lotes exportados para o Japão são identificados, o que permite verificar a origem e a movimentação do produto, de acordo com o processo de rastrea bilidade.

O ministério calcula que a suspensão do exame residual do café brasileiro pode representar economia para o setor de US$ 1 milhão por ano. De acordo com o diretor do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas, Girabis Evangelista Ramos, do Ministério da Agricultura, o resultado positivo do trabalho demonstra a eficiência do serviço sanitário brasileiro e é uma resposta às crescentes exigências do mercado internacional, especialmente o japonês. O Japão é o terceiro maior importador mundial de café e foi, em 2009, o quarto maior comprador do produto brasileiro. No ano passado, comprou cerca de 2 milhões de sacas de 60 kg do café nacional, totalizando US$ 343 milhões. Desse montante, 1,8 milhão de sacas foram de café verde, 90% do volume exportado. Em todo o período de obrigatoriedade das anál ises, o Brasil exportou 12,5 milhões de sacas de café verde para o Japão. As informações são do portal do Ministério da Agricultura.






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Infocafé é um informativo diário, da Mellão Martini

3D da cafeicultura na visão de Sérgio Parreiras

3D da cafeicultura na visão de Sérgio Parreiras


Sérgio Parreiras, Engenheiro Agrônomo, Pesquisador Científico do Instituto Agronômico - IAC, Mestre e Doutorando pela Universidade Federal do Lavras - UFLA. Mediador da Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira do Peabirus, colocou a comunicação, o alinhamento e a transição organizacional como os 3 desafios para cafeicultura em 2010. Confira!

Desafio 01: Dar voz aos atores sociais

A Internet e seus ferramentais vêm possibilitando a comunicação, desobstruindo seus canais e criando ambiente de interação e de compartilhamento. Caminhamos hoje para a construção comunitária do pensamento, onde se somam o conhecimento acadêmico à sabedoria popular. Se no passado recente éramos o quanto de informações fossemos capazes de deter e utilizar ao nosso favor, hoje somos o aquilo que compartilhamos.

A mídia em massa oferece o conteúdo em sentido unilateral, a inteligência coletiva cria e debate esse novo conteúdo. Hoje, a edição e publicação de uma informação é papel de todos e pode ser enriquecida por meio de comentários, ou personalização. Destaque deve ser dado aos Blog's, Twitter, Facebook, Peabirus...

O desafio é incentivar o acesso à informação democratizada e sua constante atualização, gerando capital intelectual. Para isso, a interconexão generalizada entre as pessoas deve ser estimulada e incorporada pelo sistema agroindustrial do café.

Desafio 02: Aproximar academia e setor produtivo

Nos estudos de prospecção de demandas e nos "bate-papos" pelas andanças cafeeiras, torna-se notório algo inusitado: a maioria das tecnologias, técnicas ou serviços demandados pelo setor produtivo já foram pesquisados e estes conhecimentos não chegam ao produtor.

Culpa da extensão? Não. O que vale no meio científico é onde será publicado o novo artigo, e qual o fator de impacto dessa revista. Falta incentivo, além do ideológico, para que a academia esteja alinhada com a extensão, estabelecendo uma comunicação dialógica, permitindo que o conhecimento gerado chegue ao setor produtivo.

Culpa do pesquisador? Não. O sistema valoriza quem tem um belo "Currículo Lattes" e não quem faz ciência efetivamente aplicada. E na aprovação do próximo projeto ou na análise daquele sonhado concurso, o que vale são as publicações e os títulos.

Neste desafio, a sociedade necessita rever seus conceitos no que tange à pesquisa agropecuária e seus objetivos.

Desafio 03: Ampliar o desempenho organizacional da cafeicultura, sobretudo a de base familiar.

A cafeicultura experimenta um tempo em que somente a gestão impecável aliada à economia de escala com responsabilidade sócio-ambiental parece ser a solução.

Essa responsabilidade deixa de ser um diferencial, e se torna condição básica daqueles que pretendem permanecer com sucesso no negócio, uma vez que a legislação passa a ser fiscalizada a campo. A gestão refere-se à melhoria de desempenho da unidade produtiva por meio de processos e procedimentos, com aplicação de ferramentas e tecnologias de informação e comunicação. Não é mais tolerado o desperdício de bens e serviço, o amadorismo, o descuido comercial.

A busca de soluções compartilhadas a problemas comuns tende a ser mais eficiente, uma vez que o grupo pode gerar conteúdos melhores do que os individuais. Nesse ponto a obtenção de escala de produção e de comercialização remete ao associativismo, ao cooperativismo.

Desta forma o desafio 3 seria a transformação organizacional da unidade e do próprio setor produtivo. Buscam-se a solução desse problema de forma integrada com os desafios 1 e 2, ampliando a comunicação entre os pares, os setores, as entidades e organizações. Um cafeicultor melhor informado e inserido em uma comunidade, seja presencial ou digital, tende a melhorar o desempenho organizacional. O setor acadêmico e de extensão efetivamente conectados a esses produtores, pode gerar "capital social".

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nestlé vai investir US$ 400 milhões em 3 anos no México

Nestlé vai investir US$ 400 milhões em 3 anos no México

AE-AP - Agencia Estado

DAVOS, SUÍÇA - O conglomerado suíço Nestlé, líder mundial no setor alimentício, anunciou hoje em Davos, na Suíça, um investimento de US$ 400 milhões no México nos próximos três anos. Os recursos serão aplicados, principalmente, na criação da maior fábrica processadora de café solúvel do mundo.

"Estamos aqui para anunciar investimentos, mostrando o retorno do nosso compromisso com o México. Nos próximos três anos, vamos investir mais de 5 bilhões de pesos mexicanos", disse o presidente da Nestlé, Paul Bulcke, em entrevista coletiva concedida ao lado do presidente do México, Felipe Calderón, nos bastidores do Fórum Econômico de Davos.

A maior parte do valor irá para a fábrica de processamento de café solúvel Nescafé de Toluca, para ampliar a capacidade produtiva da unidade e transformá-la na maior do mundo. Com o anúncio, a Nestlé elevou para US$ 2 bilhões seus investimentos no México entre 2008 e 2012.

O futuro da nação (Artigo) Por MANGABEIRA UNGER

O futuro da nação (Artigo) Por MANGABEIRA UNGER


FOLHA DE S. PAULO - SP


31/01/2010


O futuro da nação (Artigo)


O ex-ministro e professor de direito em Harvard defende 8 pontos essenciais para criar um novo modelo de desenvolvimen- to para o Brasil

ROBERTO MANGABEIRA UNGER

ESPECIAL PARA A FOLHA


Oito séries de opções definem o modelo de desenvolvimento que convém ao Brasil.

Modelo que transforma a ampliação de oportunidades econômicas e educativas no motor do crescimento. E que afirma a primazia dos interesses do trabalho e da produção sobre os interesses do rentismo.


1. Reposicionamento na divisão internacional do trabalho

O país deve optar contra um caminho, como o da Nova Zelândia ou o do Chile, que combine produção e exportação de produtos primários com tentativa de formar uma elite internacionalizada de serviços.

O Brasil é grande demais para abandonar sua vocação industrial. Ao manter-se fiel a ela, precisa também optar contra estratégias como a que a China seguiu: apostar, por muito tempo, em trabalho barato e desqualificado. Não prosperaremos como uma China com menos gente.


2. Financiar internamente

nosso desenvolvimento Dividir ao meio a pseudo-ortodoxia econômica que os governos brasileiros abraçaram em décadas recentes. Reafirmar a parte útil -o realismo e a responsabilidade fiscais-, mesmo à custa de renunciar, por algum tempo, a instrumentos de uma política contracíclica.

Repudiar a parte nociva -a tolerância de nível baixo de poupança pública e privada e a consequente dependência do capital estrangeiro para financiar nosso desenvolvimento. Em tese, o nível de poupança é mais efeito do que causa do crescimento.

A mobilização inicial dos recursos nacionais representa, entretanto, condição para afirmar uma estratégia rebelde e inovadora de desenvolvimento. A elevação da poupança pública requer disciplina fiscal. Já para elevar a poupança privada, temos de construir mecanismos que organizem e aproveitem a poupança previdenciária. O aumento da poupança privada e pública será, porém, indiferente ou nocivo sem canais que encaminhem a poupança de longo prazo para o investimento de longo prazo. E que evitem que o potencial produtivo se desperdice num cassino financeiro. Investimento e inovação: esse é o binômio crucial.


3. Redefinir a política

agrícola Agropecuária, ainda a principal atividade econômica do Brasil, tem tudo para exemplificar o vínculo entre diversificação da produção e democratização das oportunidades.

Para isso, precisa pautar-se por três objetivos entrelaçados. Fazer da agricultura familiar agricultura empresarial. Agregar valor aos produtos agropecuários no campo. Construir classe média rural forte como vanguarda de uma massa de trabalhadores agrícolas mais pobres que avançará atrás dela.

Esse projeto vingará no contexto da solução do maior problema físico de nossa agricultura: a recuperação de pastagens degradadas que hoje formam grande parte do território nacional. (No Brasil, em cada hectare sob lavoura há quatro entregues à pecuária extensiva.) Se recuperarmos parte desse espaço, dobraremos a área cultivada e triplicaremos nosso produto agrícola sem tocar em uma única árvore.


4. Reorientar a política industrial

Se abrirmos para as pequenas e médias empresas o acesso ao crédito, à tecnologia, ao conhecimento, aos mercados globais, criaremos um dínamo de crescimento includente. São elas a parte mais importante de nossa economia; é ali que se gera a maior parte do produto e é ali que está a vasta maioria dos empregos.

Organizar fora dos centros industriais uma travessia direta do pré-fordismo industrial para o pós-fordismo industrial. E isso sem que todo o país tenha de penar no purgatório de um paradigma de produção -produção em grande escala de bens e serviços padronizados, por meio de mão de obra semiqualificada e processos produtivos rígidos e hierárquicos- que já se vai tornando superado no mundo e que inibe nossa ascensão na escalada da produtividade.

O Brasil todo não deve ter de virar a São Paulo de meados do século passado para depois tornar-se outra realidade.


5. Reorganizar as relações

entre trabalho e capital Não se inova nisto desde Vargas. A maior parte do povo brasileiro está fora do regime legal.

Quase metade da população economicamente ativa continua na informalidade. Parte crescente dos empregados na economia formal se encontra em situações precarizadas, de trabalho temporário, terceirizado ou autônomo. Construir, ao lado do regime estabelecido de leis trabalhistas, um segundo corpo de regras, destinado a proteger, a organizar e a representar os trabalhadores inseguros das economias informal e formal.


6. Capacitar o povo

brasileiro A primeira prioridade é reconciliar a gestão local das escolas pelos Estados e municípios com padrões nacionais de investimento e de qualidade: federalizar -na prática, não apenas na lei- os padrões. Para reconciliar gestão local e padrões nacionais, é preciso criar um instrumento para consertar redes de escolas locais que caiam repetidamente abaixo do patamar mínimo aceitável de qualidade.

O meio é associar os três níveis da federação em órgãos conjuntos que possam vir em socorro dessas escolas, assumi-las temporariamente, confiá-las a gestores profissionais independentes e devolvê-las consertadas. A segunda prioridade é mudar a maneira de aprender e de ensinar no Brasil. Substituir decoreba -o enciclopedismo informativo superficial- por ensino analítico e capacitador, com foco no básico: análise verbal e análise numérica.

O lugar para iniciar esta obra é o elo fraco: a escola média. E o instrumento mais promissor é a educação secundária com fronteira aberta entre o ensino geral e o ensino técnico. Ensino geral que subordine memorização a análise. Ensino técnico que priorize o domínio de capacitações práticas flexíveis e genéricas, ao invés de priorizar a aprendizagem de ofícios rígidos.


7. Reconstruir o Estado

Não existe ainda no Brasil o Estado capaz de executar o programa que aqui se esboça. Nosso Estado continua a ser balofo e incapaz. Há três agendas de gestão pública a executar simultaneamente. A primeira agenda, a do profissionalismo burocrático, é a obra incompleta do século 19 em matéria de administração pública. Temos ilhas de profissionalismo no Estado. Continuam a flutuar em um oceano de discricionariedade política.

A segunda agenda, a da eficiência administrativa, está associada ao século 20. Reinventar para o setor público práticas de gestão empregadas no setor privado: padrões de desempenho, garantias de transparência, mecanismos, dentro e fora do Estado, para avaliar, incentivar e cobrar resultados. Transformar o direito e o processo administrativos. Metade do que temos é camisa de força, baseada em desconfiança. A outra metade é o oposto: a delegação de poderes discricionários a potentados administrativos. Ambas as metades precisam ser substituídas por regras e procedimentos que permitam reconciliar fidelidade aos objetivos com flexibilidade na execução.

A terceira agenda, a ser característica do século 21, é a do experimentalismo na maneira de prover os serviços públicos, inclusive de educação e saúde. Não precisamos escolher entre a provisão burocrática de serviços padronizados de baixa qualidade e a privatização desses serviços em favor de empresas em busca de lucro. O Estado pode ajudar a organizar e a financiar a sociedade civil independente para que ela participe da provisão competitiva e experimental dos serviços prestados pelo Estado ao cidadão. É a melhor maneira de qualificá-los.


8. Institucionalizar

a cultura republicana O primeiro ponto de partida é substituir o federalismo de repartição rígida, de competências entre os três níveis do federalismo, por um federalismo cooperativo que os associe em ações conjuntas e em experimentos compartilhados.

O segundo ponto de partida é adotar medidas que comecem a tirar a política da sombra corruptora do dinheiro. Financiar publicamente as campanhas eleitorais para diminuir a influência do dinheiro privado.

Rever o processo orçamentário para que o orçamento deixe de ser palco pantanoso da negociação entre os interesses poderosos. Substituir a maior parte dos cargos de indicação política por carreiras de Estado. Utopia? Tudo isso é factível com instrumentos que já temos à mão. O objetivo é dar braços, asas e olhos à vitalidade brasileira.


ROBERTO MANGABEIRA UNGER é professor titular de direito na Universidade Harvard (EUA), ex-ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos (2007-09) e ex-colunista da Folha.